A minha mulher, a minha filha e eu embarcámos em Bruxelas, no dia 27 de Março, no voo TAP 603 com destino directo ao Porto. O aviãozeco da Portugália vinha cheio. Chegados ao Porto, informam-nos que as nossas 3 malas não tinham vindo. Entretanto apercebemo-nos que outros 8 passageiros ficaram igualmente sem malas e que alguns deles haviam reparado, ao entrarem no avião, que estavam a retirar para o lado algumas malas, em vez de as carregarem no porão.
Passaram mais de 24 horas sem que os serviços da Groundforce do aeroporto do Porto tenham dito o que quer que seja, embora saibam que essas malas ficaram em Bruxelas « porque o avião estava com excesso de pêso ». Quando os contactei, disseram-me que não podiam garantir nem assegurar que as malas viessem no dia seguinte ou depois. Diga-se de passagem que a telefonista do aeroporto Sá Carneiro tem instruções precisas para não passar qualquer chamada para a Groundforce e que os passageiros só podem contactar um serviço call-center em Lisboa, o qual também não dá quaquer informação. Só depois de muita insistência minha, explicando que estou fora do Porto e que tenho medicamentos nessa bagagem e que preciso de informações mais rigorosas é que a menina aceitou passar-me alguém da Groundforce.
Ou seja, apesar do contrato que fizemos com a TAP, apesar de termos respeitado os limites de pêso da nossa bagagem, apesar das taxas aeroportuárias altíssimas que nos exigem, alguém arbitrariamente e unilateralmente decidiu escolher umas tantas malas para ficarem no tarmac de Zaventem, sem nada nos dizerem ou prevenirem, e depois tratam-nos no destino desta forma. Estivemos encalhados em Penafiel, agarrados ao telefone a tentar contactar fantasmas e call-centers, num percurso de combatente para tentar encontrar um interlocutor que nos desse uma informação ou uma esperança e ninguém assume responsabilidades ou, pior, todos se escondem atrás de respondedores automáticos ou nos recusaram n°s de telefone em Portugal ou em Bruxelas para sabermos o que se passava.
A minha mulher diz filosoficamente : « chegámos a Portugal ». E diz tudo.
quarta-feira, março 31, 2010
Vai parar de chover?
terça-feira, março 30, 2010
COMPARAÇÕES
Juro que ia escrever hoje um post sobre as eleições regionais em Itália e a comparação que eu acho que existe entre Berlusconi e Sócrates, mas depois li este post do João Miranda no Blasfémias e achei tão interessante esta outra comparação que optei por transcrevê-la:
A discussão à volta das acusações pedofilia na Igreja Católica causou uma inversão de valores entre pessoas habitualmente muito sérias e recatadas. Assim:
1. Deixou de haver presunção de inocência. Qualquer acusação contra um padre, um bispo, a Igreja ou o Papa é tida como verdadeira até prova em contrário. Misturam-se assim meras acusações e suspeitas com casos provados em tribunal. O valor da prova criminal é desvalorizado. Relatórios de autoridades independentes valem mais que a prova em tribunal. E assim acumulam-se casos que reforçam a crença de que a Igreja Católica é um antro de pedófilos e amigos de pedófilos.
2. As generalizações voltaram ser aceitáveis. Voltou a ser possível pegar em casos particulares de um determinado grupo e dizer que essas são características do grupo.
3. A atribuição de responsabilidade voltou a ser uma coisa simples. Por exemplo, basta a acusação de que o Papa teve conhecimento de casos de pedofilia para se responsabilizar o Papa e para se dizer que o Papa atravessa um momento difícil. Não é preciso saber se o Papa teve “conhecimento oficial” ou “conhecimento informal” ou se o teve através de “conversas privadas”. Também parece não interessar se os documentos em que se baseiam as informações estavam sob um qualquer segredo judicial ou profissional.
4. As crianças voltaram a não mentir. Há uns anos atrás discussão sobre casos de pedofilia girava à volta da mentira das crianças. Não faltavam pedopsiquiatras a garantir que as crianças mentem nem exemplos de casos em que as acusações tinham sido inventadas por crianças mentirosas.
5. Deixaram de existir “alegados”. Há uns anos atrás não havia vítima de pedofilia, pedófilo e caso de pedofilia que não fosse alegado. A alegada vítima tinha alegadamente sido violada pelo alegado pedófilo. Os alegados desapareceram e passamos a viver no mundo das certezas cristalinas.
A discussão à volta das acusações pedofilia na Igreja Católica causou uma inversão de valores entre pessoas habitualmente muito sérias e recatadas. Assim:
1. Deixou de haver presunção de inocência. Qualquer acusação contra um padre, um bispo, a Igreja ou o Papa é tida como verdadeira até prova em contrário. Misturam-se assim meras acusações e suspeitas com casos provados em tribunal. O valor da prova criminal é desvalorizado. Relatórios de autoridades independentes valem mais que a prova em tribunal. E assim acumulam-se casos que reforçam a crença de que a Igreja Católica é um antro de pedófilos e amigos de pedófilos.
2. As generalizações voltaram ser aceitáveis. Voltou a ser possível pegar em casos particulares de um determinado grupo e dizer que essas são características do grupo.
3. A atribuição de responsabilidade voltou a ser uma coisa simples. Por exemplo, basta a acusação de que o Papa teve conhecimento de casos de pedofilia para se responsabilizar o Papa e para se dizer que o Papa atravessa um momento difícil. Não é preciso saber se o Papa teve “conhecimento oficial” ou “conhecimento informal” ou se o teve através de “conversas privadas”. Também parece não interessar se os documentos em que se baseiam as informações estavam sob um qualquer segredo judicial ou profissional.
4. As crianças voltaram a não mentir. Há uns anos atrás discussão sobre casos de pedofilia girava à volta da mentira das crianças. Não faltavam pedopsiquiatras a garantir que as crianças mentem nem exemplos de casos em que as acusações tinham sido inventadas por crianças mentirosas.
5. Deixaram de existir “alegados”. Há uns anos atrás não havia vítima de pedofilia, pedófilo e caso de pedofilia que não fosse alegado. A alegada vítima tinha alegadamente sido violada pelo alegado pedófilo. Os alegados desapareceram e passamos a viver no mundo das certezas cristalinas.
segunda-feira, março 29, 2010
É o mar, estúpido!

Portugal ainda tem potencial para crescer.
Aqui fica a imagem. E aqui um indício do potencial, no Público de hoje.
Deixo à imaginação de V. Srias. o que ainda se poderia fazer...
É possível um Portugal melhor. É preciso é querer...
domingo, março 28, 2010
Cantores

É sabido que Pedro Passos Coelho é um praticante do canto lírico.
A propósito das eleições no PSD, lembrei-me desta crónica do José Manuel dos Santos, publicada em Setembro no Expresso.
"Cantores
Nessa noite, Plácido Domingo cantou no Teatro de São Carlos o "Otelo", de Verdi. Depois da récita, houve uma ceia no Palácio de Belém. Embora os aplausos sejam a moeda habitual com que se paga a felicidade de o ouvir, a verdade é que, mesmo quem os costuma receber, não fica indiferente ao recebê-los mais uma vez. E os daquela noite no São Carlos foram longos e vivos e vibrantes. Por isso, o cantor estava alegre e falador nessas horas da ceia.
Entrou no Palácio com uma desenvoltura de fidalgo e uma elegância de dandy. Sobre o fato de caxemira azul caía-lhe uma capa preta com alamares de prata. Mário Soares saudou-o com afecto e elogiou-lhe a veste, juntando à justiça que, sem favor nenhum, lhe fazia, o acolhimento de anfitrião e o à-vontade de quem está bem no mundo. Diga-se que a hospitalidade foi retribuída: passados alguns dias, o tenor mandou entregar, no Palácio de Belém, uma capa igual à sua, que Soares nunca usou, tão ostensiva e refinada ela era.
Tomados os aperitivos, foi-se para a mesa. Plácido Domingo mostrou-se muito carinhoso com Amália, dizendo a grande admiração que tinha por ela. Os dois chegaram mesmo a trautear um fado em conjunto. Depois, a conversa continuou viva. Plácido lembrou figuras que conhecera: reis e presidentes, maestros e cantores, escritores e artistas, futebolistas e mundanas. Tão bom contador de histórias como Soares, entre eles houve um despique e a noite tornou-se ágil e leve como tudo o que nos tira do tempo.
Não querendo parecer o que não é, Mário Soares, a certa altura, confessou-lhe que não tinha 'ouvido musical' e que não era melómano. Revelou-lhe os gostos e as preferências, simples e comuns (algumas árias das mais conhecidas), e falou-lhe de Piaf, desafinando o refrão da 'Vie en Rose'. Mas ia à ópera quando entendia que o Presidente aí não devia faltar. Fora o caso naquela noite! O cantor agradeceu-lhe redobradamente a homenagem; depois, as histórias continuaram e o fim de cada uma era continuado por gargalhadas.
Plácido Domingo contou então uma história inesquecível. Com um magnífico poder evocativo, narrou-a assim: numa pequena cidade da província italiana, havia um velho teatro, com uma grande tradição. O público, embora modesto de condição económica, era sabedor e exigente de gosto musical. Uma noite houve em que se representava uma ópera, na qual, num dos actos, se sucedem duas árias: uma cantada por um tenor; outra, por uma soprano. Os cantores daquela companhia eram todos muito maus e o público estava furioso com isso. À medida que a récita decorria, as reacções dos que a ela assistiam tornavam-se mais impacientes, mais hostis, mais ruidosas. Quando chegou a altura das duas árias sucessivas o tenor entrou em palco e começou a cantar. Cantava e desafinava. Mas habituado ao desastre que era, não se intimidava. Cheio de desfaçatez, continuava a cantar com um à-vontade e uma arrogância que nem ao melhor cantor do mundo (Soares interrompeu neste momento e disse a Domingo: "Está a falar de si!") se perdoaria. O público agitava-se, aguardando o fim com ar feroz e ameaçador. Mal foi dada a última nota (até essa desafinada), desatou a patear furiosamente. O tenor fitava com ar desafiador aqueles que uivavam e batiam freneticamente os pés. Essa atitude insolente ainda os enfurecia mais e a vaia aumentava de intensidade e vigor. Parecia que a sala vinha abaixo. Então, o cantor começou a fazer gestos, sacudindo as mãos lentamente. Quando os espectadores compreenderam que ele estava a pedir-lhes que se acalmassem, a pateada ainda se tornou mais agressiva. Mas o cantor continuava a mover as mãos, agora com humildade forçada ou fingida, pedindo que escutassem o que tinha para dizer. Pouco a pouco, com contrariedade e desconfiança, o público lá foi diminuindo a sua fúria sonora. Quando o silêncio era total, o tenor fez o seu olhar viajar da plateia aos camarotes e dos camarotes à plateia, encarando os rostos dos que o fitavam. Tossiu para aclarar a voz e, nesse momento solene, disse, alto e bom som: "Não pateiem já tudo. É que a soprano que canta a seguir ainda é muito pior do que eu!..."
Comemoram-se agora 40 anos do lançamento da carreira internacional de Plácido Domingo, na Arena de Verona. A "Babelia" ("El País") pôs, na capa, uma fotografia dele, desse tempo ido, legendando: "Él es la ópera". Ao ler esta evocação, lembrei-me daquela noite de Belém e da história que então lhe ouvi contar e que agora vos contei. E, ao lembrá-la, pensei: afinal, esta é uma história que tem muitos ensinamentos úteis para o tempo que estamos a viver... "
sábado, março 27, 2010
AR
Gama esteve mal ao não prevenir e repreender a postura de um fotógrafo empoleirado nas galerias da AR e cedeu ao populismo quando, no fundo, actuou como se viu e ouviu.
O deputado do PS esteve mal na forma como se dirigiu ao Presidente da AR. O repórter não mostrou saber estar e o Secretário de Estado não mostrou saber falar no Parlamento e foi repreendido pelo Presidente da AR.
Bava, há dias, não tratou bem um deputado comunista, e portanto a AR, não respondendo às suas questões com considerações inacreditáveis. Que tenha ouvido ninguém criticou o Sr. PT. Pode? Não, não pode!
As regras da AR têm que ser ponderadas.
Os órgãos de soberania devem merecer todo o nosso respeito e a maior consideração.
Mas, assim, não vamos lá. É o tal problema da educação e dos valores. Mas quem, tramatizado com o complexo do "respeitinho", semeia ventos, colhe tempestades.
O deputado do PS esteve mal na forma como se dirigiu ao Presidente da AR. O repórter não mostrou saber estar e o Secretário de Estado não mostrou saber falar no Parlamento e foi repreendido pelo Presidente da AR.
Bava, há dias, não tratou bem um deputado comunista, e portanto a AR, não respondendo às suas questões com considerações inacreditáveis. Que tenha ouvido ninguém criticou o Sr. PT. Pode? Não, não pode!
As regras da AR têm que ser ponderadas.
Os órgãos de soberania devem merecer todo o nosso respeito e a maior consideração.
Mas, assim, não vamos lá. É o tal problema da educação e dos valores. Mas quem, tramatizado com o complexo do "respeitinho", semeia ventos, colhe tempestades.
Porque hoje é Sábado
sexta-feira, março 26, 2010
Intervalo

Preparo-me para uma pausa de 15 dias e levo comigo um dos livros de Slavoj Žižek ("In Defense of Lost Causes"), um filósofo esloveno que julgo dizer coisas interessantes: uma delas é a chamada de atenção para o facto de que a acção que verdadeiramente importa ser algo de muito raro e para a qual devemos pacientemente prepararmo-nos, reunir a energia necessária e esperar. E a acção que importa é apenas a que transforma. Tudo o resto é mera gesticulação que é não só irrelevante e impotente mas, mais grave ainda, justifica e cimenta o status-quo.
Há dias como o de hoje em que parece que está a acontecer muita coisa, tanto a nível interno como a nível global. Daqui a umas horas saber-se-à com que linhas se cose o PSD; entretanto, prosseguem na Assembleia os trabalhos de várias comissões que revelam a cada dia a podridão do regime; em plenário, faz-se ginástica mental para deixar passar uma resolução cuja utilidade é questionável e em Bruxelas ouvem-se declarações apaziguadoras, senão mesmo entusiásticas, esperando-se que a qualquer momento alguém salte nú de uma banheira a gritar Eureka.
Contudo, toda essa actividade me soa oca e vã. Como diz Zizek, a condição para uma verdadeira mudança (um acto autêntico) é pôr fim à falsa actividade. Como meto férias, devo estar no bom caminho.
Há dias como o de hoje em que parece que está a acontecer muita coisa, tanto a nível interno como a nível global. Daqui a umas horas saber-se-à com que linhas se cose o PSD; entretanto, prosseguem na Assembleia os trabalhos de várias comissões que revelam a cada dia a podridão do regime; em plenário, faz-se ginástica mental para deixar passar uma resolução cuja utilidade é questionável e em Bruxelas ouvem-se declarações apaziguadoras, senão mesmo entusiásticas, esperando-se que a qualquer momento alguém salte nú de uma banheira a gritar Eureka.
Contudo, toda essa actividade me soa oca e vã. Como diz Zizek, a condição para uma verdadeira mudança (um acto autêntico) é pôr fim à falsa actividade. Como meto férias, devo estar no bom caminho.
Postal de Tóquio (2)
"3 de Março é o Dia da Menina e 5 de Maio era, até à II Guerra Mundial, o Dia do Menino. Hoje em dia, no entanto, 5 de Maio é feriado nacional para homenagear todas as crianças.Mantiveram-se porém algumas tradições que ainda hoje se cumprem. Assim, no dia 5 de Maio, as famílias com filhos homens (ainda crianças), expõem em casa uma miniatura de armadura medieval (gogatsu ningyo), para que o rapaz cresça saudável, física e espiritualmente.
Como as casas são pequenas, a armadura completa, com armas e tudo, pode ser substituída só pelo capacete de samurai.
Por cima da casa, no exterior, penduram-se carpas de papel ou tecido que esvoaçam ao vento (koinobori)
Espera-se que o rapaz enfrente as adversidades da vida da mesma forma que as carpas enfrentam o vento, e assim alcance muito sucesso."
Joana
quinta-feira, março 25, 2010
piada fácil
Paulo Portas disse que entregava as suas poupanças mais depressa a Cavaco do que a Manuel Alegre e por isso vota Cavaco à primeira. Eu também entrego as minhas poupanças a Cavado se ele conseguir transformá-las como o fez com as acções da SLN....Quanto a voto népia. Estou farto.
Visto de fora...

Vejam lá o que diz o 'Libération', creio que dispensa apresentações, sobre o nosso primeiro.
Aqui.
O título, só por si, já é esclarecedor. Mas vindo num jornal da moderna esquerda liberal, será que significa mais alguma coisa???
Das Weisse Band

Já há muito tempo que não via um filme tão forte.
E com enquadramentos e fotografia tão soberbos.
Uma aldeia alemã, antes da I Grande Guerra, em que a vida das crianças, das mulheres e dos camponeses gravitam em torno do cura, do médico e do barão.
Uma história bem contada, uma imensa ternura e uma violência emocional quase insuportável.
Podia ser um documentário.
E com enquadramentos e fotografia tão soberbos.
Uma aldeia alemã, antes da I Grande Guerra, em que a vida das crianças, das mulheres e dos camponeses gravitam em torno do cura, do médico e do barão.
Uma história bem contada, uma imensa ternura e uma violência emocional quase insuportável.
Podia ser um documentário.
Até a língua alemã parece bela.
Justiça para o Boavista

Com a decisão de hoje do Conselho de Disciplina da FPF ao reduzir os castigos dos jogadores do FCP ficou provado que o conselho de disciplina da Liga é conduzido por um incapaz. O FCP foi claramente prejudicado com este castigo. Mas imagine-se as consequências que as decisões arbitrárias e mal sustentadas que o incapaz fez. E agora para quando a justiça para o Boavista?
quarta-feira, março 24, 2010
Um alerta sempre presente
um excelente vídeo. O alerta deve ser constante.
Amanhã e Sexta
Quem não tem dinheiro não tem vícios e é natural que quem o tem não queira pagar os vícios dos outros. Mas a Europa tinha um projecto de união e de solidariedade que se supunha garantir a coesão económica e uma cada vez mais fortalecida unidade política, sobre o signo da igualdade soberana dos povos.
Amanhã e Sexta, em Bruxelas, o "tesoureiro" do projecto prepara-se para ditar as suas condições: processo sancionatório acelerado? Perda de direito de voto do infractor? Expulsão da zona-euro?
Vão falar muito da Grécia, mas é com o olho na gente que vão estar pois sabem-nos o próximo cordeiro. E seria interessante saber qual vai ser a posição portuguesa nesse Conselho Europeu e sobre aquelas condições alemãs. Infelizmente, à saída das reuniões de hoje dos partidos com o "engenheiro" ninguém falou nisto e ficaram-se todos pelas balelas do costume, como se tudo isto fosse uma bizarria grega e não nos diga muito respeito.
Amanhã e Sexta, os europeus vão, ao que parece, ajoelhar-se face ao altar germânico.
O "engenheiro" e os Srs. Amado e Teixeira vão regressar a Lisboa com ar satisfeito e com um papel branco na mão, a anunciar a nova paz monetária.
Se calhar, nem percebem que estão sentados na sala de espera e que vão ser os próximos chamados ao novo tratamento. Mas como já baixaram as calças, a coisa vai passar-se num instante.
A cisão possível

A escolha do líder do PSD é importante?
Penso que sim, penso que é muito importante, pois vai clarificar se ainda podemos esperar algo daquele partido ou se é melhor deixá-los apodrecer e tratar de pôr em pé e de raiz algo de decente.
Penso que sim, penso que é muito importante, pois vai clarificar se ainda podemos esperar algo daquele partido ou se é melhor deixá-los apodrecer e tratar de pôr em pé e de raiz algo de decente.
Tenho como uma evidência, e perdoem-me a sobranceria de o afirmar, que ou o PSD elege Paulo Rangel e arrepia caminho, ou então a agremiação se transformará definitivamente numa agência de colocações, de braço dado com a central de negócios socratina. De qualquer forma, há um certo PSD que nunca confiará nem aceitará ser orientado por um Passos Coelho ou congénere. E nem falo do AB, pois acho-o de uma irrelevância confrangedora que nem uma nota de pé-de-página merece.
A ala do PSD que se revê em Passos Coelho tem plena legitimidade, se ganhar as eleições, de dirigir o partido e, até ver, a oposição. Mas isso não obsta a que os apoiantes de Paulo Rangel, se perderem as eleições, tirem todas as ilações do evento e decidam pura e simplesmente sair do partido e ir para outro lado preparar uma alternativa. Em boa verdade é o que penso que deviam fazer, da mesma forma que compreendo que os eventuais derrotados coelhistas optem por fundar outro clube político qualquer.
É evidente que uns e outros quererão levar com eles o busto de Sá Carneiro mas não há drama nisso. O que me parece importante é que se separem de uma vez as águas naquele partido e que se ponha termo à unidade tóxica que tolhe uns e outros.
semânticas
aumento de impostos V aumento da carga fiscal
esta dúvida semântica do senhor ministro das finanças deve ser facilmente explicada com o meu próximo irs.
esta dúvida semântica do senhor ministro das finanças deve ser facilmente explicada com o meu próximo irs.
terça-feira, março 23, 2010
Lena nem penses em desistir
Leio no Público que o grupo Lena, donos do jornal i e do Grande Porto, pensa ou investir ou desistir do negócio na comunicação social. Espero que a decisão seja investir e fazer mais e melhor. Para além do "i" que é um jornal muito interessante e original, temos o Grande Porto importante na dinamização de vozes da região norte, o grupo tem ainda uma série de jornais regionais que lhe dão uma presença e uma força interessante no panorama fora de Lisboa e Porto. Por isso acredito que a única opção do grupo seja investir, aproveitar sinergias e continuar um trabalho meritório.
Hoje já não durmo
Um em cada 5 português sofre de perturbações psiquiátricas, diz o Público. Ups. Cá em casa devo ser eu pois sou o único que acredito que se pode mudar Portugal.
O nosso Oriente

Em Portugal abundam fundações para isto e para aquilo.
As que se encostam ao Estado ou dele provêem são um poiso privilegiado para reformados do regime ou servem de garagem para os que precisam de se repousar de algum cargo ministerial. Muitos se pelam por uma poltrona dessas, que muitas das vezes fazem parte da boa mobília de palacetes bem confortáveis.
Há bons exemplos de fundações que têm uma actividade importante e meritória, como é o caso da Fundação Serralves. E há os exemplos daquelas fundações que já nem se percebe o que é que andam a fazer para além de recolherem isenções e subsídios de entidades públicas e de servirem de escritório ou de plataforma para interesses pessoais. Em tempos e a este propósito falei no caso da Fundação Eng° António de Almeida, no Porto.
A Fundação Oriente, uma coisa criada e apadrinhada pelo PS do Mário Soares na época em que este tinha a sua gente a gerir Macau, tem um site que, para não fugir à regra, ainda não disponibiliza as contas de 2009, pelo que só se podem conhecer as de 2008. E o panorama é preocupante: o saldo negativo de cerca de 3 milhões e meio de euros em 2007, salta para um negativo em 2008 de mais de 19 milhões: as despesas quase triplicaram e as receitas diminuíram, mas isso não obstou a que estas contas sejam impressas num relatório de luxo que mais parece um catálogo da Sotheby's e que deve ter custado os olhos da cara.
Entretanto, os órgãos estatutários recebem perto de 1 milhão, quase tanto como os salários de todos os 75 empregados, mas a isto ainda é preciso somar não sei que mais seguros, remunerações adicionais, fundos de pensões, encargos adicionais e outras 'despesas com o pessoal', numa multiplicação de rubricas que só serve para nos deixar espantados com tanta "clareza e transparência". Ah, e é preciso acrescentar ainda os planos complementares de reforma para os… senhores administradores.
Reconhecem os nomes? Um deles, pelo menos, bem precisava desse complemento de reforma: trata-se do curador Stanley Ho, aquele senhor que uma certa esquerda e uma certa imprensa tuga sempre trouxe nas palminhas das mãos, mas a quem os australianos recusaram licenças de gestão de casinos e que os americanos do Estado de New Jersey consideram ter ligações umbilicais às tríades (máfias) 14K e Sun Yee On chinesas e aos norte-coreanos, proibindo a sua filha de comprar hotéis em Atlantic City. Confirme ali.
Nós temos o 'benemérito' do pai, mas não nos podemos queixar pois há outras filhas de outros pais que um destes dias também pousam num qualquer órgão estatutário de uma qualquer fundação. Prà fichete, claro.
As que se encostam ao Estado ou dele provêem são um poiso privilegiado para reformados do regime ou servem de garagem para os que precisam de se repousar de algum cargo ministerial. Muitos se pelam por uma poltrona dessas, que muitas das vezes fazem parte da boa mobília de palacetes bem confortáveis.
Há bons exemplos de fundações que têm uma actividade importante e meritória, como é o caso da Fundação Serralves. E há os exemplos daquelas fundações que já nem se percebe o que é que andam a fazer para além de recolherem isenções e subsídios de entidades públicas e de servirem de escritório ou de plataforma para interesses pessoais. Em tempos e a este propósito falei no caso da Fundação Eng° António de Almeida, no Porto.
A Fundação Oriente, uma coisa criada e apadrinhada pelo PS do Mário Soares na época em que este tinha a sua gente a gerir Macau, tem um site que, para não fugir à regra, ainda não disponibiliza as contas de 2009, pelo que só se podem conhecer as de 2008. E o panorama é preocupante: o saldo negativo de cerca de 3 milhões e meio de euros em 2007, salta para um negativo em 2008 de mais de 19 milhões: as despesas quase triplicaram e as receitas diminuíram, mas isso não obstou a que estas contas sejam impressas num relatório de luxo que mais parece um catálogo da Sotheby's e que deve ter custado os olhos da cara.
Entretanto, os órgãos estatutários recebem perto de 1 milhão, quase tanto como os salários de todos os 75 empregados, mas a isto ainda é preciso somar não sei que mais seguros, remunerações adicionais, fundos de pensões, encargos adicionais e outras 'despesas com o pessoal', numa multiplicação de rubricas que só serve para nos deixar espantados com tanta "clareza e transparência". Ah, e é preciso acrescentar ainda os planos complementares de reforma para os… senhores administradores.
Reconhecem os nomes? Um deles, pelo menos, bem precisava desse complemento de reforma: trata-se do curador Stanley Ho, aquele senhor que uma certa esquerda e uma certa imprensa tuga sempre trouxe nas palminhas das mãos, mas a quem os australianos recusaram licenças de gestão de casinos e que os americanos do Estado de New Jersey consideram ter ligações umbilicais às tríades (máfias) 14K e Sun Yee On chinesas e aos norte-coreanos, proibindo a sua filha de comprar hotéis em Atlantic City. Confirme ali.
Nós temos o 'benemérito' do pai, mas não nos podemos queixar pois há outras filhas de outros pais que um destes dias também pousam num qualquer órgão estatutário de uma qualquer fundação. Prà fichete, claro.
A pedido de alguns
segunda-feira, março 22, 2010
O blazer do Marco António

Ainda a quente, depois de assistir ao debate entre os candidatos à liderança do PSD, fiquei finalmente a perceber para que serve a madeixa do Aguiar Branco Silva : para abrir as alas ao Coelho, que o manterá como lider parlamentar, único futuro a que ainda pode almejar.
E para provar que há dois tipos de Filipes : os de Gaia e os da margem direita ou, dito de outra maneira, que há Marcos que deixam crescer uma barbinha e Marcos que a rapam. Pobre PSD.

Temos consciência de que o país definitivamente bateu no fundo quando um ex-presidente da república dá uma entrevista que nos dá vontade de ir à casa de banho.
O mais triste de tudo é que já nem me indigno com o conceito de democracia que esta gente (sim, esta gente) tem.
'To be or not to be'

Está demonstrado que o Governo não tem de submeter o PEC ao voto parlamentar.
É livre, todavia, de o fazer, tanto mais que o Parlamento o discutirá e os partidos apresentarão eventualmente sugestões e propostas de alteração ou de clarificação.
Ao pedir a votação de uma Resolução sobre o PEC sem admitir modificá-lo, o Governo submete o país a um risco sério, pois é evidente que se ficar isolado nessa votação os mercados internacionais olharão com desconfiança para a sua capacidade de o executar. Quem escolheu a assumpção desse risco não pode depois vir chantagear a oposição, invocando esse mau cenário: o país não pode continuar a ficar refém destes jogos tácticos de um mau governo.
E a oposição tem de escolher se quer ficar refém durante os próximos 4 anos de um programa que diz não apreciar ou se quer afirmar-se como detentora de uma via alternativa, distanciando-se sem complexos de escolhas políticas que desaprova.
É livre, todavia, de o fazer, tanto mais que o Parlamento o discutirá e os partidos apresentarão eventualmente sugestões e propostas de alteração ou de clarificação.
Ao pedir a votação de uma Resolução sobre o PEC sem admitir modificá-lo, o Governo submete o país a um risco sério, pois é evidente que se ficar isolado nessa votação os mercados internacionais olharão com desconfiança para a sua capacidade de o executar. Quem escolheu a assumpção desse risco não pode depois vir chantagear a oposição, invocando esse mau cenário: o país não pode continuar a ficar refém destes jogos tácticos de um mau governo.
E a oposição tem de escolher se quer ficar refém durante os próximos 4 anos de um programa que diz não apreciar ou se quer afirmar-se como detentora de uma via alternativa, distanciando-se sem complexos de escolhas políticas que desaprova.
domingo, março 21, 2010
Às vezes, o que parece não é...
Bernard Henri Levy, uma autoridade mundial na reflexão filosófica, citou quem não existe, e agora é ridicularizado.
A grande lição é que já não devemos acreditar nas autoridades...
Ter sede

A viagem para Vila Real fez-se sob um sol abrasador, num desses dias de Setembro em que o Verão quer resistir à morte próxima e, num assomo de arrogância, se despeja num excesso.
Nunca o rapaz saíra da aldeia e seria natural que vivesse a experiência como uma aventura. Ia calado, sério e indiferente aos balanços, às curvas, às ravinas, imune ao calor e surdo aos protestos do Padre Silveira, esgazeado sob a sotaina.
Deus morava numa casa grande. Depois de deixar a trouxa sob um beliche de uma camarata cinzenta, levaram-no por corredores para ser apresentado ao ‘Deus’-reitor. Não tinha barbas, nem sequer muito cabelo, mas era uma personagem gorda e baixa que lhe pousou as mãos nos ombros e lhe premiu as clavículas com os polegares com tanta força que o miúdo se encolheu.
« Nosso Senhor escolheu-te, meu filho. Somos o distrito com mais vocações sacerdotais e os senhores padres aqui vão guiar-te e formar-te para que um dia sejas o pastor do rebanho do Senhor. A tua mãezinha lá no céu está muito contente com a tua vinda e está a ver-te. A principal, a mais importante regra aqui é rezar, estudar e obedecer. Nunca o esqueças: a obediência aos teus mestres é a obediência a Deus e nós somos os teus pais ».
Nesse momento o rapaz viu os olhos pequeninos do reitor. Não era desafio, não era temor, não era dúvida, apenas uma afirmação simples: o seu pai estava em Alviela. Terá sido a partir desse instante que começou a perceber que nem tudo o que se ouve é verdade e que talvez, afinal, os condenados no inferno fiquem mesmo cegos.
De repente uma outra sotaina com óculos levantou-se de um canto e o reitor terminou : « O senhor Padre Paula vai instalar-te. Vai meu filho e dá muitas graças ao Nosso Senhor Deus Pai pois foste escolhido entre tantos ».
De volta ao corredor, o Padre Paula perguntou-lhe se já tinha comido e levou-o à cozinha para que a senhora Eufémia lhe preparasse um ovo com arroz.
- Tens má cara. Como te chamas ?
- Arlindo.
- ‘Arlindo, minha senhora’. Não te ensinaram modos? É só labregos, valha-me Deus, e ainda por cima tísicos.
- Tenho sede minha senhora.
- ‘Se faz favor’, senhor príncipe, se faz favor é como aqui se diz.
- Se faz favor, minha senhora.
sábado, março 20, 2010
sexta-feira, março 19, 2010
Valor, valores

http://cart-637.blogspot.com/2009/11/coronel-luis-antonio-themudo.html
O meu Tio Luis deixou-nos há perto de dois anos. Sempre tive grande admiração por ele, pela sua vida. O exemplo de Pai, Marido, Militar e Cidadão merece de facto ser lembrado. E é sempre melhor quando são os seus camaradas a fazê-lo como aqui
Postal de Tóquio
"Na semana passada houve óscares. Enquanto no mundo inteiro se fala da grande derrota do Avatar, no Japão fala-se do filme que ganhou o óscar de melhor documentário: "Cove".Filmado em terras do sol nascente, o filme dá conta da caça ao golfinho e da brutalidade dos pescadores japoneses para com tão adorado animal no ocidente.Os altos dignitários de Taijicho, cidade onde foi rodado o filme, urraram com semelhante despautério, revelando-se extremamente desapontados com o facto de se premiar um filme que ignora totalmente as tradições.
Há mesmo quem receie que os activistas que protestam contra a caça das baleias se aproveitem do feito, imagine-se!"O prémio demonstra a falta de tolerância dos ocidentais, duvido que tenham bom senso", disse o Presidente da "Municipal Board of Education"... palavras para quê?"
Joana
Porque hoje é dia do Pai
O Pai
Terra de semente inculta e bravia,
terra onde não há esteiros ou caminhos,
sob o sol minha vida se alonga e estremece.
Pai, nada podem teus olhos doces,
como nada puderam as estrelas
que me abrasam os olhos e as faces.
Escureceu-me a vista o mal de amor
e na doce fonte do meu sonho
outra fonte tremida se reflecte.
Depois... Pergunta a Deus porque me deram
o que me deram e porque depois
conheci a solidão do céu e da terra.
Olha, minha juventude foi um puro
botão que ficou por rebentar e perde
a sua doçura de seiva e de sangue.
O sol que cai e cai eternamente
cansou-se de a beijar... E o outono.
Pai, nada podem teus olhos doces.
Escutarei de noite as tuas palavras:
... menino, meu menino...
E na noite imensa
com as feridas de ambos seguirei.
Pablo Neruda
Terra de semente inculta e bravia,
terra onde não há esteiros ou caminhos,
sob o sol minha vida se alonga e estremece.
Pai, nada podem teus olhos doces,
como nada puderam as estrelas
que me abrasam os olhos e as faces.
Escureceu-me a vista o mal de amor
e na doce fonte do meu sonho
outra fonte tremida se reflecte.
Depois... Pergunta a Deus porque me deram
o que me deram e porque depois
conheci a solidão do céu e da terra.
Olha, minha juventude foi um puro
botão que ficou por rebentar e perde
a sua doçura de seiva e de sangue.
O sol que cai e cai eternamente
cansou-se de a beijar... E o outono.
Pai, nada podem teus olhos doces.
Escutarei de noite as tuas palavras:
... menino, meu menino...
E na noite imensa
com as feridas de ambos seguirei.
Pablo Neruda
O colete está debaixo do banco
Hoje vê-se que de facto a União Europeia está paralisada, tetraplégica, e na iminência de uma trombose fatal. E em grande parte, por causa do Tratado de Lisboa, a maravilha que nos diziam ir abrir-nos horizontes radiosos, mas que afinal trouxe mais trapalhada, mais conflito, mais cacofonia, mais desespero e mais decepção. Seja na política externa, seja na coordenação económica, seja na política monetária, etc. etc.
Aquela senhora a quem deram o penacho da política externa pode ser fraquinha, mas o essencial do problema está no tratado, mãe da barafunda. O caso grego vai ser penoso para os que não querem tirar a venda dos olhos: a Alemanha não quer saber da União e andam todos a distrair o pagode para que Atenas vá ao FMI e não chateie os parceiros, até porque o tratado não ajuda nada, apenas complica.
Entretanto, a Comissão entretem-se a policiar uns PECs, que são umas folhas de papel com os programas nacionais para esmifrar a classe média e safar a banca. Os governos, que já perceberam que tudo isto é uma encenação e um jogo de sombras, imaginam crescimentos irrealistas apesar das medidas depressivas com que engraxam as botas de Bruxelas.
Não sei se os pilotos da TAP vão manter a sua ameaça de greve, o que muito me prejudicaria. Mas sei que no cockpit de Bruxelas já não está ninguém e que o próprio piloto automático está de pilhas rasas. Mas ainda há quem esteja contentinho e não queira vestir nem os coletes nem os paraquedas: deve ser por terem um tratado catita para se assoarem.
quinta-feira, março 18, 2010
Eu também e não tenho capa
O Henrique Monteiro está farto de salvar a pátria. Eu também. Mas disponibilizo-me uma vez mais mas por favor precisamos de arranjar nova gente para governar a nossa pátria.
Na minha rua
Israel fica longe, mas parece que a Palestina ainda fica mais longe.Na verdade, para a maioria dos portugueses, aqueles soldados a dispararem fumos e balas e aqueles rapazes a atirarem pedras são já de uma monotonia enjoativa pois achamos que é sempre o mesmo cenário, os mesmos excitados, os mesmos terroristas, os mesmos calhaus e os mesmos discursos.
E ficamos tolhidos por receio de que uma crítica seja vista como uma manifestação anti-semita. Talvez por isso concluamos que é melhor nem nos darmos ao trabalho de tentar perceber o que se passa, tanto mais porque isso interessa a pouca gente deste canto e o risco não vale o ganho. E assim compramos os 'prêt-à-penser' que nos propõem nos escaparates dos media.
Mas o que ali se passa é grave demais e, apesar de parecer que é lá longe, está connosco, está dentro de nós: é a eterna questão de saber se devemos encolher os ombros face à injustiça e à arbitrariedade.
A actuação do governo israelita, a ocupação manu-militari de Jerusalém-leste, a perseguição quotidiana ao dia-a-dia do palestiniano da rua, o assédio ao árabe israelita, a provocação e a arrogância das actuais autoridades de Telaviv são afinal os principais aliados dos extremistas islâmicos; são-no consciente e voluntariamente. E essa agenda política, essa estratégia aventureira, deve ser denunciada e repudiada. Por uma questão de bom-senso e por uma questão de justiça.
quarta-feira, março 17, 2010
Quem vê TV sofre mais que no WC

Uma velhinha música dos TAXI sempre actuais.
depois de ter visto um debate na Sport TV entre os candidatos do Guimarães, sofri bastante e percebi que aquilo por lá está no caminho do buraco dos grandes.
resolvi passar na sic noticias e estava o sempre presente Louçã a falar com o seu ar que comporta um misto de superioridade intelectual e um ar clerical
na rtp N consigo ver ainda o José Lello a disparatar mas sem se rir. Fala da rolha do PSD sem olhar para os processos que existiram no ps nomeadamente com os militantes de matosinhos que estavam em risco de expulsão.
ok, passemos ao fox channel e descansemos.....
A greve dos pilotos
Mão amiga fez me chegar uma interessante tabela sobre a remuneração dos pilotos. Dá para perceber que os rapazes não são meigos a exigir. Para se perceber melhor aqui ficam alguns esclarecimentos:
- apresentam o valor actual; o proposto pela TAP (muito acima dos 1,8%) e o que eles pedem.
- a 1a tabela é o vencimento base (ordenado)
- 2a tabela (VE) são as horas extraordinárias (se um voo se atrasa, começam a ganhar)
- 3a tabela (VS) são anuidades (multiplica pelo nr de anos que estão na TAP)
- 4a tabela (subsidio complementar) é o valor que ganham por aterragem (seria o mesmo que voces ganharem por ligar o Computador, visto que o trabalho deles supostamente é Aterrar!)
- 5a tabela são as ajudas de custo
No total eles pedem 8% de aumento. O país está em contenção, congelamento de salários, Crise... e os pilotos dizem que com salários (base) de 5800 euros perdem o poder de compra!
Os 6 dias greve na Pascoa vão dar mau nome à companhia e transtornar as ferias e os planos de muitos passageiros que já pagaram bilhetes!
Aceito que a profissão é de responsabilidade. Mas tudo tem um limite. E lá vai a Tap cavar um pouco mais do seu buraco.
Liberdade de expressão e rolhas
A propósito deste mais recente imbróglio santanista, no PSD, parece-me que cumpre esclarecer algumas ideias.
Ninguém é obrigado a ser membro de nenhum partido. Aliás, como ninguém é obrigado a nada a não ser pagar impostos; e mesmo aí, nem todos pagarão o que devem...
Quando alguém, voluntariamente, escolhe ser membro de alguma organização, naturalmente adere às regras por que se rege essa organização. Nomeadamente as regras de intervenção e de recato.
Ninguém terá dúvidas disso mesmo, no que respeita, por exemplo, às regras de confidencialidade aplicáveis nas organizações laborais. Sejam organizações de que tipo forem, privadas ou públicas, terão sempre regras dessas, que toda a gente respeitará, sob pena das mais graves sanções, nomeadamente o despedimento - com a única e pública excepção dos tribunais e da magistratura, que, embora as tenham também, não as compreendem, nem aplicam, por razões políticas ou outras; essas justiciais violações, que podem afectar direitos individuais seriamente, não alteram o essencial, que é a existência das regras e a necessidade do seu cumprimento.
Não lembrará a ninguém falar de "violação da liberdade de expressão", ou muito menos da liberdade de opinião, por causa de regras desse tipo.
Do mesmo modo, não se vê em que medida uma decisão de uma organização partidária, de expulsar um seu membro por se pronunciar em termos considerados inoportunos, em época de campanha eleitoral, possa ser uma "violação" do tipo descrito. Primeiro, porque a sanção é ridícula: expulsão do referido partido, no caso mais grave. Depois, porque os partidos, mesmo o comunista, têm órgãos próprios que permitem aos seus membros expressar-se "livremente" (embora isso possa ser questionável, no caso dos comunistas portugueses) quando e onde é oportuno. Finalmente, porque se a discordância é assim tão séria, não há nada que impeça uma pessoa verdadeiramente livre de expressar a sua opinião, quaisquer que sejam as circunstâncias. Como o demonstram todos os presos políticos no Mundo. Como já não há, felizmente, em Portugal.
Portanto, o que estará aqui em causa é outra coisa. Provavelmente, como escreve Rui Tavares no Público de hoje (aliás, sob o sugestivo título de "A aberração"), o que está em causa é uma certa concepção de autoridade e de disciplina.
E é aqui que discordo fundamentalmente do que escreve Rui Tavares, assim como discordo do que a generalidade dos comentadores têm escrito sobre a matéria - incluindo o nosso douro, em post disponível algo mais abaixo.
Primeiro, porque não há qualquer superioridade moral em ser libertário, por oposição a ser autoritarista, ou filosoficamente autoritário, como lhe chama Rui Tavares.
Segundo, porque defender a autoridade, e a disciplina - partidária, clubística ou outra qualquer -, não é nenhum defeito, por muito que essa seja a opinião dominante no momento actual. Especialmente em Portugal. Como vemos e sabemos pelo que se passa nas escolas nacionais.
A autoridade é um elemento importante de qualquer sociedade complexa e organizada. Pode ser bem exercida ou mal. Mas é fundamental a sua existência, assim como é decisivo o respeito pela autoridade. Seja ela natural ou "por força de lei", como será o caso de muitos impreparados agentes da "autoridade".
Poderia até afirmar que a forma como uma sociedade cultiva, impõe e defende o respeito pela autoridade é um sério indicador do seu nível de desenvolvimento... mas deixo essa defesa para outras núpcias.
Terceiro, porque a discordância com o líder e a cúpula partidária pode ser muito relevante e revelador do estado do próprio partido, mas não é, pelo menos numa democracia pluripartidária funcional, a expressão máxima, única ou sequer decisiva da "liberdade de expressão" - e menos ainda da liberdade de opinião! A sua expressão, sobretudo em épocas de campanha eleitoral, é acima de tudo um sinal de indisciplina. E um motivo de fofoca - que, receio bem, é a verdadeira razão porque a nossa imprensa confunde esta regra com um ataque à liberdade de expressão e, pior ainda, de opinião...
Finalmente, porque, independentemente do que pensem os auto-denominados libertários, o respeito pelas regras, nomeadamente as que defendem a autoridade e a disciplina, são uma condição da sofisticação social - as sociedades evoluídas não tem menos regras do que as outras, bem pelo contrário; o que não quer dizer que todas as regras são impostas pela força, muitas delas são-no apenas pela "força" das convenções sociais (mas isso é outra conversa).
Outro aspecto, paralelo mas conexo com este, é reconhecer que em Portugal nem se respeita a autoridade, nem a autoridade se dá ao respeito - frequentemente. E portanto, sobre disciplina estamos conversados.
Dito isto, repito o que me motiva: não vejo o que tem esta regra da "rolha" social-democrata de tão extraordinário. Mas como o País anda sem norte, tudo é possível... até confundi-la com ataques às liberdades fundamentais da expressão e da opinião.
O que essa confusão representa é o desrespeito mais básico pela liberdade individual e a correspondente responsabilidade: só é membro de um partido quem quer e, naturalmente, quem quer deve saber respeitar as lideranças legitimamente escolhidas. E combatê-las onde é próprio, quando oportuno e pelos canais próprios - canais esses cuja existência, essa sim, implica o respeito pelas liberdades de que aqui falamos; o que quer dizer que a sua eventual inexistência é que representa uma violação das ditas liberdades. Aí é que as coisas são sérias!
O que também sei é que o exercício dessas liberdades é hoje claramente punido; nas promoções nas carreiras, nos convites para os lugares, etc. etc. Hoje premeia-se a fidelidade, não se respeita a independência, de opinião ou outra, e confunde-se lealdade e lisura com a dita fidelidade - partidária ou outra. E disto, ninguém fala...
Essa é que é essa.
É possível um Portugal melhor. Mas é preciso querer.
PS. Para não me acusarem de coisas inconfessáveis, aqui me assino: Francisco Meireles
Andam nisto há 11 anos!

A burla de dez milhões de euros de que estão acusados 3 militares de patente elevada que exerciam funções nas Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento, dependente do Ministério da Defesa, ocorreu há 11 anos.
O julgamento devia iniciar-se agora. Pois acaba de ser adiado para 17 de Abril por se terem esquecido de notificar o Ministério da Defesa.
Mais vale encolher os ombros ou dar uma gargalhada. No nosso país não há Justiça: foi substituída por um teatro de fantoches.
O julgamento devia iniciar-se agora. Pois acaba de ser adiado para 17 de Abril por se terem esquecido de notificar o Ministério da Defesa.
Mais vale encolher os ombros ou dar uma gargalhada. No nosso país não há Justiça: foi substituída por um teatro de fantoches.
Cavaco
A figura nunca foi do meu agrado. Por muitos elogios que lhe façam assino por baixo no que diz José Mexia num post mais abaixo. Cavaco apanhou uma onda grande e não a soube surfar convenientemente. Foi uma época em que entrou dinheiro a rodos mas ainda assim não conseguiu potenciar a criação de uma verdadeira economia concorrencial. Os funcionários públicos aumentaram e foi dos mais centralistas primeiro-ministro que por cá andou. Como Presidente da República tem sido o que se viu. Agora que falta um ano para terminar o seu mandato só espero que o homem pense em ser diferente e não se recandidate. É que bastou-me uma vez na vida ter votado nele para ainda hoje me coçar com tanta alergia.
terça-feira, março 16, 2010
Um momento MRS
Acreditei que poderia haver uma surpresa no congresso do psd por parte de Marcelo Rebelo de Sousa. O seu discurso a isso permitia. Como li algures, faltava uma folha em que ele diria, por isso aqui me apresento. Deve tê-la perdido algures...
Ao não se apresentar a líder do PSD o professor pode ter estar a pensar em duas coisas:
a) cavaco não se recandidata e ele apresenta-se como líder natural do psd até porque durão está preso em bruxelas
b) sócrates não se demite e cavaco não o demite pois como afirmou não demite por falta de confiança politica. vai daí o escolhido no dia 26 como presidente do psd será consumido em lume brando mais a mais porque as hipóteses mais fortes são PPC e PR que não vão estar no parlamento.
falta saber com qual destes dois cenários é que MRS mais vibra.
Ao não se apresentar a líder do PSD o professor pode ter estar a pensar em duas coisas:
a) cavaco não se recandidata e ele apresenta-se como líder natural do psd até porque durão está preso em bruxelas
b) sócrates não se demite e cavaco não o demite pois como afirmou não demite por falta de confiança politica. vai daí o escolhido no dia 26 como presidente do psd será consumido em lume brando mais a mais porque as hipóteses mais fortes são PPC e PR que não vão estar no parlamento.
falta saber com qual destes dois cenários é que MRS mais vibra.
PSD
Quase todos os comentadores tiveram a mesma opinião:
Que no Sábado se discutiu política, estratégia, o futuro do país.
Lamento não engrossar a lista dos que têm essa visão encantadora do congresso do PSD e peço desculpa a quem se sentir atingido, mas para mim tal evento só mostrou mais uma vez a banalidade das ideias dos sociais-democratas.
O que vi foi um ego desmesurado de candidatos, senadores, barões e militantes de base, sobre o papel do seu partido na sociedade.
Acreditam que foram mais importantes do que realmente foram. E acham que vão ter um papel importantíssimo no desenvolvimento do país só porque são o PSD.
Ora bem, as coisas não são bem assim, nem o PSD é o que julga que é, nem vai fazer pelo país um décimo do que propagandeia.
O que mais me intriga é a convicção que os militantes têm na sua condição de partido de governo, é assim uma espécie de direito divino. Não interessa o que tem que se fazer para lá chegar, mas todos os candidatos disseram que vão ser primeiro-ministro.
Vivem a ilusão que tiveram os melhores governos da nação, não parando um bocado para pensar. Acham que por Sá Carneiro ter sido o único primeiro-ministro com coragem, ele sim fez rupturas e mudou, todo o partido herdou essa qualidade.
Acham que Cavaco fez muito pelo país, esquecendo-se do que poderia ter feito com os recursos que tinha disponíveis. Esquecem, é melhor assim, que muitos dos problemas que hoje temos começaram precisamente no “cavaquismo”. Falam de Guterres como dos anos perdidos, e é verdade, mas nunca lembram a herança que deixou o actual presidente da república.
Na minha opinião é precisamente essa convicção de que vão ser governo de qualquer forma que inquina a vontade de apresentar um projecto sólido de futuro.
Ao contrário de muitos, nada no PSD, e nos seus candidatos a líder, me inspira esperança num futuro melhor.
Que no Sábado se discutiu política, estratégia, o futuro do país.
Lamento não engrossar a lista dos que têm essa visão encantadora do congresso do PSD e peço desculpa a quem se sentir atingido, mas para mim tal evento só mostrou mais uma vez a banalidade das ideias dos sociais-democratas.
O que vi foi um ego desmesurado de candidatos, senadores, barões e militantes de base, sobre o papel do seu partido na sociedade.
Acreditam que foram mais importantes do que realmente foram. E acham que vão ter um papel importantíssimo no desenvolvimento do país só porque são o PSD.
Ora bem, as coisas não são bem assim, nem o PSD é o que julga que é, nem vai fazer pelo país um décimo do que propagandeia.
O que mais me intriga é a convicção que os militantes têm na sua condição de partido de governo, é assim uma espécie de direito divino. Não interessa o que tem que se fazer para lá chegar, mas todos os candidatos disseram que vão ser primeiro-ministro.
Vivem a ilusão que tiveram os melhores governos da nação, não parando um bocado para pensar. Acham que por Sá Carneiro ter sido o único primeiro-ministro com coragem, ele sim fez rupturas e mudou, todo o partido herdou essa qualidade.
Acham que Cavaco fez muito pelo país, esquecendo-se do que poderia ter feito com os recursos que tinha disponíveis. Esquecem, é melhor assim, que muitos dos problemas que hoje temos começaram precisamente no “cavaquismo”. Falam de Guterres como dos anos perdidos, e é verdade, mas nunca lembram a herança que deixou o actual presidente da república.
Na minha opinião é precisamente essa convicção de que vão ser governo de qualquer forma que inquina a vontade de apresentar um projecto sólido de futuro.
Ao contrário de muitos, nada no PSD, e nos seus candidatos a líder, me inspira esperança num futuro melhor.
Um desabafo
O nosso Ventanias desvaloriza num post ali em baixo a decisão do congresso do PSD em incluir nos estatutos do partido a regra da penalização dos militantes que nos 60 dias anteriores a uma eleição mijem fora do penico.
O nosso Ventanias tem razão quando ironiza sobre o escarcel que o PS e outros andam a fazer sobre o assunto. Dizer que se trata de uma medida estalinista só pode sair de uma careca como à do Vitalino, para já nem referir que tal disparate é um insulto às vítimas do facínora.
Dito isto, não posso acompanhar o Ventanias nesta matéria. A medida do PSD é estúpida, ineficaz e absurda. Mais, a medida do PSD pode não ser um ataque à liberdade de imprensa mas é um péssimo sinal para os que, como todos nós, defendemos a liberdade de expressão. Um partido não é um exército nem um coro de sacristia.
É absolutamente lamentável que partidos democráticos aceitem ou pactuem com estes tiques autoritários. É lamentável que militantes de partidos democráticos tenham receio de escrever em blogues para não irritarem o seu dirigente ou para não se exporem à livre crítica, embora aceitem escrever colunas em jornais de práticas duvidosas e onde a possibilidade de réplica é muita restrita. É vergonhoso que militantes de partidos democráticos se verguem a essas derrapagens e não se dêem conta que a invocação da unidade e da lealdade é na maior parte das vezes o álibi da mordaça e da castração mental.
E é por tudo isso que não concordo que se desvalorize o significado daquela votação no tal congresso. Sobretudo por se tratar do PSD, pois o que é a prática do PCP, do Bloco ou do PS, quais virgens ofendidas, não me surpreende. E tampouco acho pertinente para o caso que se diga que há órgãos próprios para se discordar. Claro que os há, mas a opinião não tem horas marcadas, nem prazos, nem sítios, e deve ser sempre livre e em qualquer fórum.
Pronto, tinha de desabafar.
O nosso Ventanias tem razão quando ironiza sobre o escarcel que o PS e outros andam a fazer sobre o assunto. Dizer que se trata de uma medida estalinista só pode sair de uma careca como à do Vitalino, para já nem referir que tal disparate é um insulto às vítimas do facínora.
Dito isto, não posso acompanhar o Ventanias nesta matéria. A medida do PSD é estúpida, ineficaz e absurda. Mais, a medida do PSD pode não ser um ataque à liberdade de imprensa mas é um péssimo sinal para os que, como todos nós, defendemos a liberdade de expressão. Um partido não é um exército nem um coro de sacristia.
É absolutamente lamentável que partidos democráticos aceitem ou pactuem com estes tiques autoritários. É lamentável que militantes de partidos democráticos tenham receio de escrever em blogues para não irritarem o seu dirigente ou para não se exporem à livre crítica, embora aceitem escrever colunas em jornais de práticas duvidosas e onde a possibilidade de réplica é muita restrita. É vergonhoso que militantes de partidos democráticos se verguem a essas derrapagens e não se dêem conta que a invocação da unidade e da lealdade é na maior parte das vezes o álibi da mordaça e da castração mental.
E é por tudo isso que não concordo que se desvalorize o significado daquela votação no tal congresso. Sobretudo por se tratar do PSD, pois o que é a prática do PCP, do Bloco ou do PS, quais virgens ofendidas, não me surpreende. E tampouco acho pertinente para o caso que se diga que há órgãos próprios para se discordar. Claro que os há, mas a opinião não tem horas marcadas, nem prazos, nem sítios, e deve ser sempre livre e em qualquer fórum.
Pronto, tinha de desabafar.
Bond(s), James Bond(s)
O Finantial Times de ontem chama a atenção para o facto de muitas grandes empresas do sul da Europa estarem a contrair enormes empréstimos no mercado financeiro, numa espécie de corrida ao dinheiro antes que ele fique mais caro. Apenas numa semana emitiram mais títulos de dívida do que nos últimos seis meses.Uma das empresas citadas é a EDP.
Na passada semana a EDP recolheu mil milhões de euros com a emissão de títulos de 5 anos, mas com um spread de 95 pontos acima dos juros inter-bancários. Ora, na anterior emissão de bonds pela EDP, também por 5 anos, o spread havia sido de 71 pontos. Ou seja, as próprias empresas portuguesas já estão a ser fortemente penalizadas nos mercados financeiros, haja PEC ou não haja PEC, haja Bruxelas a sorrir ou a chorar.
Isto torna-se ainda mais evidente se repararmos que para uma operação idêntica lançada pela France Télécom no mesmo período o aumento do spread foi de apenas dois pontos e meio e que na emissão da empresa de energia alemã Eon esse aumento foi igualmente mínimo.
Os mercados não vão em cantigas. São uns mauzões, não é verdade Sr. Ministro?
Silêncio... está em vigor a lei da rolha!
Este caso da lei da rolha no PSD, ultrapassa todas as marcas. Então lá porque os senhores militantes, coisa que qualquer cidadão sabe ser apenas voluntária, não se podem pronunciar fora das "directrizes" da sua direcção, em época de campanha eleitoral, há algum atentado à liberdade de imprensa!? E à "liberdade de expressão" ou à de "opinião", valha-nos Deus Nosso Senhor, como dizia a minha avó?
Claro que não. Desde logo porque a pena, "expulsão" do partido, só o é para quem esteja interessado nisso. Depois, porque os partidos, mesmo o PSD, tem órgãos próprios onde os militantes podem expressar as suas opiniões, mesmo em época de "lei da rolha".
Finalmente, e não de somenos, porque as coisas que todos os dias os jornalistas sabem, sobre políticos e políticas, e calam (a não ser em conversas de bar e café) são seguramente muito mais notáveis doque esta "fofoqueira"... o País quer lá saber se há algum "notável" que discorda do seu líder, em plena época de campanha eleitoral!
A não ser que o objectivo seja "descredibilizar" a política. E se assim for, não se queixem quando começarem a aparecer as soluções consequentes... a História europeia demonstra-o bem. Tomar a democracia por "bem adquirido" é um erro que se espera nunca volte a ser grave.
É possível um Portugal melhor. É preciso é querer (e para querer, é preciso pensar...).
O mito dos 3%
Anda por aí muita gente muito excitada com o PEC e outros quejandos esforços para levar Portugal, que é como quem diz, os portugueses, a "só" ficarem a dever 3 euros por cada cem do orçamento de Estado, todos os anos!!!
Não sei se fui suficientemente claro: o objectivo não pode, não deve e é injusto que seja reduzir o défice para 3% do PIB. Os meus filhos, e creio que os vossos também, não merecem isso.
O único objectivo moralmente aceitável, para qualquer geração, há-de ser o do equilíbrio orçamental. Isto é tanto mais importante quanto nós sabemos que o País gosta de investir em projectos de rentabilidade duvidosa, como Sines (ainda por rentabilizar), o Alqueva (será que algum dia se rentabilizará) ou Alcochete (que toda a gente informada sabe que nunca será rentável, como não o foi Beja apesar dos Mateus que prometem "exporta peixe" de Beja...).
Além de tudo o mais, porque o Estado deve dar o exemplo: se queremos que os portugueses poupem, então que o Estado comece por só gastar aquilo que consegue arrecadar!!!
É possível um Portugal melhor. É preciso é querer!!!
Coitadito...

O presidente da PT não recebe tanto como os colegas internacionais... (veja aqui)
Coitadito. O melhor é deixá-lo emigrar... pode ser que os "estrangeiros" lhe paguem melhor!!!
PS. Em minha humilde opinião, certamente por falta de informação, são estas notícias compradas, que os jornalistas, editores, etc., aceitam colocar nos seus jornais, que descredibilizam a imprensa nacional.
É possível um Portugal melhor. É preciso é querer!
segunda-feira, março 15, 2010
Uma ajudinha do Sr. Oliveira
Olhem quem o leva pela mão?
Clarinho como a água do Luso.
Clarinho como a água do Luso.
Partir a louça
Bem intencionadas pessoas consideram que é preciso ter uma atitude positiva e optimista face ao país. Estes voluntaristas de sorriso cândido dizem que devemos calar os profetas da desgraça, os bota-abaixo, os maledicentes e todos os azedos que andam por aí a levantar pedras e a espreitar por fechaduras.Desaparecem os documentos sobre o licenciamento da casa do Primeiro-Ministro? Deve ser ainda a campanha de assassinato de carácter.
São uns atrás de outros os horrores que se vão descobrindo e é uma pestilência que nos sufoca. Face a tudo isto, começo a temer pela saúde mental colectiva. Esta esquizofrenia de pretender que o podre tem potencialidades belas não pode dar resultados sãos. O país é uma gangrena e ninguém tem coragem de lhe amputar as chagas.
Até o PSD anda ali aos trambolhões, meio grogue com tanto lixo. Castraram-no e 'domesticaram-no' e a verdade é que muitos dos seus barões estão afinal satisfeitos com os seus cargos em Conselhos de Supervisão ou mesas de Assembleia-Geral, e abanam o rabo desde que lhes atirem uma Fundação ou uma holding financeira para o colo. Desse situacionismo capado, parece sair uma voz diferente e um outro discurso. Digo bem, parece.
O certo é que se o Paulo Rangel for outra desilusão, então não haverá mais desculpas para que fiquemos em casa refastelados a ver o país morrer. Ou morremos ou partimos a louça
domingo, março 14, 2010
De volta à estaca zero

Na obra onde o Albino trabalhava, os chefes eram franceses, os capatazes italianos e a arraia miúda repartia-se entre gente do Magrehb e beirões. O Albino sentia-se confortável ao lado dos argelinos, que não se davam conta do seu defeito de dicção e até lhe tinham carinho pela forma curiosa como ele pronunciava as raras palavras do franciú de estaleiro.
.
Poucas semanas depois de ter começado a lidar com os cimentos, assunto menos caprichoso que a terra dos campos, o Abdelaziz, um dos beduínos mais escutados, desafiou-o a acompanhá-los a uma manifestação nas margens do Sena parisiense, algo que seria uma espécie de magusto com uns discursos de permeio. O nosso homem lá os seguiu sem perceber bem do que se tratava, mas espantado de encontrar tanto bigode argelino a desfilar por avenidas e com palavras de ordem que não entendia.
.
Às tantas a polícia de choque carregou de todos os lados, os manifestantes responderam com pedras e os CRS replicaram com tiros, fumos e cães. Viu gente espancada e pisada, viu homens atirados ao Sena, viu cabeças esmagadas, mulheres atropeladas, gritaria, raiva e choros.
Correu quannto pôde, para afinal ser agarrado numa barragem por manápulas firmes e matracas curtas.
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Era já de madrugada quando o separaram de um grupo para o compararem com a foto do passaporte que lhe haviam sacado horas antes num daqueles pátios sob uma das pontes.
Foi expulso, mas ainda assim teve mais sorte que muitas dezenas de outros imigrados a quem faltavam vistos mas não faltavam indícios de simpatia pela FNLA e que graças a isso ficaram definitivamente em Paris, ou no fundo do rio ou algures onde a calma seria igualmente definitiva.
.
Tudo isto pôs um ponto final aos sonhos estrangeiros do camponês, que além do mais se convenceu que a democracia francesa magoava tanto ou mais que os fascismos ibéricos.
.
Mas daí a voltar para a sachola e a reinstalar-se na aldeia, isso é que não.
Passou lá de noite, a juntar uns tarecos que não queria abandonar. Ali encontrou duas cartas do filho, vindas do Porto. Pois ao Porto iria e era já, a abraçar o rapaz. Havia de se desenrascar e havia de ser no Porto que voltaria a ser o Senhor Albino, pois claro e se faz favor.
A mentira do 'Expresso'
Já arrumaram as cadeiras para os lados de Mafra?Parece que sim. Retomemos então a normalidade.
A primeira página do 'Expresso' diz que "Bruxelas aprova PEC...".
Lá dentro, na página IV de um destacável, insiste-se que "Bruxelas aplaude medidas portuguesas".
Começa-se a ler as letras pequeninas e repete-se que "as medidas portuguesas foram bem recebidas". Ou seja, parece que por aqueles lados a coisa está resolvida. Estará?
Mas como é isso possível se o dito PEC ainda está em discussão por cá, se ainda nem sequer foi enviado a Bruxelas, se a Assembleia da República ainda o vai debater e se, obviamente, a Comissão ainda não o estudou ou sobre ele se pronunciou?
Seria desejável que o Governo e a Comissão se entendessem rapidamente sobre este famigerado PEC e que os portugueses pudessem finalmente saber o que os espera e com o que podem contar. Mas não vale a pena pôr o carro à frente dos bois. É uma falsidade e uma manipulação vergonhosa vir anunciar a letras garrafais a 13 de Março que Bruxelas aprovou o PEC. O jornal 'Expresso' desce ao mais rasteiro nível de propaganda ao propalar uma mentira destas. Que haja um ou outro correspondente que tome uma bica em Bruxelas com este ou aquele funcionário ou que um porta-voz qualquer, depois de 3 jupileres, ache que se vai na boa direcção pode ser assunto para um postal à prima mas não pode servir de pretexto para enganar a opinião pública.
Os directores do 'Expresso' têm de assumir a responsabilidade desta mentira.
Deve ser um vírus que atacou o país: a mentira, a falta de rigor, a manipulação, a propaganda, numa palavra, a 'Comunicação'. É só figas.
segunda volta
JPAB - entrou bem e galvanizado mas foi perdendo gás. tem uma imagem de credibilidade mas falta-lhe a chama de liderança.
PR - Solto, animado e a conseguir uma boa prestação e termina em beleza recorrendo ao sonho de sá carneiro.
CB - Um momento fraco e que certamente irá adormecer PPC. Vou descansar uns minutos.
Finalmente acabou, mas PPC vai entrar num ambiente adormecido.
PPC - morno, muito morno este início. está calmo mas mais incisivo. o palmómetro está fraco. claramente resolveu adoptar uma postura menos estridente mas mais de professor. Veremos o que lhe dá.
Notas:
1) não tenho paciência pela bajulação às jotas...
2) não gosto deste apoio cego a Cavaco...
3) o PR esteve durante a tarde mais bem ladeado. mas agora passou para a segunda fila.
PR - Solto, animado e a conseguir uma boa prestação e termina em beleza recorrendo ao sonho de sá carneiro.
CB - Um momento fraco e que certamente irá adormecer PPC. Vou descansar uns minutos.
Finalmente acabou, mas PPC vai entrar num ambiente adormecido.
PPC - morno, muito morno este início. está calmo mas mais incisivo. o palmómetro está fraco. claramente resolveu adoptar uma postura menos estridente mas mais de professor. Veremos o que lhe dá.
Notas:
1) não tenho paciência pela bajulação às jotas...
2) não gosto deste apoio cego a Cavaco...
3) o PR esteve durante a tarde mais bem ladeado. mas agora passou para a segunda fila.
Dia 27
Com tantas promessas de paz a partir do dia 26, estou em crer que o PSD no dia 27 vai começar a pensar quem será o seu futuro líder. Os rapazes são uma máquina trituradora de presidentes, e não são as promessas feitas em estado de delírio congressista que lhes vai mudar o que está no sangue.
PSD 2
Cada congresso tem o seu animador de serviço. E o homem das Caldas tem estofo. E não se cala.
PSD 1
Santana Lopes continua a fazer acertos de contas com o passado, com razões de sobra diga-se, em especial, seus colegas de partido como a actual presidente do psd e o actual presidente da república.
PSD
Um congresso do PSD é sempre um bom momento televisivo. Este não escapa e houve três excelentes discursos: Marcelo Rebelo de Sousa, Santana Lopes e Marques Mendes. Não sei quem vai ser o próximo presidente do PSD mas parece que não é nenhum destes. Dos outros, ou seja dos únicos e verdadeiros candidatos, Rangel esteve escorreito e em bom nível, Aguiar Branco sem empolgar foi sereno e consistente, Passos Coelho começou de forma interessante mas terminou de forma atabalhoada.
sábado, março 13, 2010
O Congresso
As prestações dos candidatos, nesta soalheira tarde de Março, não podiam ser mais contrastantes.
Paulo Rangel apostou num registo muito político, menos programático, muito embora as suas ideias centrais da campanha estivessem presentes. A mobilidade social, a Educação, a Justiça, e uma palavra de Esperança, mas, sobretudo de confiança nos portugueses e no país. Sob o ponto de vista formal a construção do discurso foi brilhante, tendo conseguido seduzir os militantes e apelar à sua consciência livre. Creio que moveu convicções e conseguiu falar e tocar na alma social democrata de muitos.
Aguiar Branco fez um discurso escorreito, a que faltou um pouco mais de luminosidade para ser convincente. Bom grado o avanço de algumas linhas gerais sobre o partido e o país, o certo é que necessitava de um golpe de asa para se assumir como possível candidato à vitória e não como, um mero, um candidato.
Passos Coelho: ideias para o país…não se ouviram; o que pensa do partido… idem aspas. O seu discurso, espremendo o sumo, quedou-se por um inicial tom pessoal, intimista e autojustificativo. Não se compreende como um potencial presidente do PSD, num momento crucial, se rende a interpelar os seus alegados delatores, a responder a questiúnculas menores. Por pura e mera estratégia de surpresa. E, fechando com chave de ouro, terminou com um infeliz e inconveniente pedido de desculpas a João Jardim que, claramente, foi um tiro que saiu pela culatra.
Paulo Rangel apostou num registo muito político, menos programático, muito embora as suas ideias centrais da campanha estivessem presentes. A mobilidade social, a Educação, a Justiça, e uma palavra de Esperança, mas, sobretudo de confiança nos portugueses e no país. Sob o ponto de vista formal a construção do discurso foi brilhante, tendo conseguido seduzir os militantes e apelar à sua consciência livre. Creio que moveu convicções e conseguiu falar e tocar na alma social democrata de muitos.
Aguiar Branco fez um discurso escorreito, a que faltou um pouco mais de luminosidade para ser convincente. Bom grado o avanço de algumas linhas gerais sobre o partido e o país, o certo é que necessitava de um golpe de asa para se assumir como possível candidato à vitória e não como, um mero, um candidato.
Passos Coelho: ideias para o país…não se ouviram; o que pensa do partido… idem aspas. O seu discurso, espremendo o sumo, quedou-se por um inicial tom pessoal, intimista e autojustificativo. Não se compreende como um potencial presidente do PSD, num momento crucial, se rende a interpelar os seus alegados delatores, a responder a questiúnculas menores. Por pura e mera estratégia de surpresa. E, fechando com chave de ouro, terminou com um infeliz e inconveniente pedido de desculpas a João Jardim que, claramente, foi um tiro que saiu pela culatra.
Porque hoje é Sàbado
sexta-feira, março 12, 2010
quinta-feira, março 11, 2010
PEC
na discussão que tem havido sobre o PEC e a sua principal incidência nas familias duas verdades existem:
- os impostos aumentaram
- tinha que ser a classe média a ser de novo atingida
aqui chegados o caminho a seguir é de sacrificio, muito aperto de cinto mas tem que haver uma luz de esperança sendo que está bom de ver que não sai neste PEC nem neste governo. Já se percebeu que lhe falta ritmo, orientação e acima de tudo energia além claro de acerto nas medidas. Não faço ideia onde tem andado o ministro da economia, começando a ter saudades do ministro corninhos, não faço ideia onde andam uma série de outros ministros a quem de resto não lhes decorei o nome.
Há muito que se percebe que a economia só retoma com base nas empresas e na sua capacidade de criarem valor. Para que isso aconteça é necessário uma revolução de hábitos, de procedimentos e de mentalidades.
Só que os sinais que são dados não estão no caminho certo. Tal como vai acontecer com Jesualdo Ferreira também o governo tinha que ter guia de marcha. Há que fazer limpeza de balneário para que tudo possa voltar à normalidade.
- os impostos aumentaram
- tinha que ser a classe média a ser de novo atingida
aqui chegados o caminho a seguir é de sacrificio, muito aperto de cinto mas tem que haver uma luz de esperança sendo que está bom de ver que não sai neste PEC nem neste governo. Já se percebeu que lhe falta ritmo, orientação e acima de tudo energia além claro de acerto nas medidas. Não faço ideia onde tem andado o ministro da economia, começando a ter saudades do ministro corninhos, não faço ideia onde andam uma série de outros ministros a quem de resto não lhes decorei o nome.
Há muito que se percebe que a economia só retoma com base nas empresas e na sua capacidade de criarem valor. Para que isso aconteça é necessário uma revolução de hábitos, de procedimentos e de mentalidades.
Só que os sinais que são dados não estão no caminho certo. Tal como vai acontecer com Jesualdo Ferreira também o governo tinha que ter guia de marcha. Há que fazer limpeza de balneário para que tudo possa voltar à normalidade.
money for the boys
A expressão usada pelo ministro das finanças é mais reprovável do que os saudosos corninhos do ministro Manuel Pinho, pois é uma ofensa generalizada pessoas que foram democraticamente eleitas e que desenvolvem a sua acção em prol das populações. E pelo que vou conhecendo de empenho, dedicação e horas gastas pelos presidentes de junta com que lidei, Alberto Lima e Gabriela Queirós na Junta de Lordelo do Ouro, o senhor ministro deveria pedir desculpas públicas com a mesma veemência com que proferiu a assassina frase.
Só que este estado de espirito agressivo denota mais do que uma mera preocupação com os valores a pagar a quem o merece. Denota um claro desnorte e falta de rumo para enfrentar a dificil situação em que nos meteu. Mas meu caro ministro o insulto não resolve nada já eu o digo aos meus filhos.
Só que este estado de espirito agressivo denota mais do que uma mera preocupação com os valores a pagar a quem o merece. Denota um claro desnorte e falta de rumo para enfrentar a dificil situação em que nos meteu. Mas meu caro ministro o insulto não resolve nada já eu o digo aos meus filhos.
Greve na Tap
Sempre me fez alguma confusão a greve. Custa-me a perceber que os trabalhadores sejam a maior parte das vezes vitimas de manipulação e não se apercebam que dessa forma mais do encontrarem uma solução para os seus problemas, a maior parte das vezes cavam mais fundo a empresa em que trabalham e que é o seu garante de ordenado no final do mês. A TAP e a ameaça de greve de 6 dias dos seus pilotos é um bom exemplo de uma posição estúpida, egoísta e que irá prejudicar gravemente as finanças da empresa. Será que não há juízo para venda nas lojas de chineses?
Meia de leite e um queque
- Não olhes, por favor não olhes agora, mas sabes quem acabou de entrar? Aquele giraço do stand da Mercedes.- Nunca lá entrei, o Luís diz que os Mercedes são carros de empreiteiro.
- Oh filha, quero lá saber. Se pudesse comprava-lhe uma carrinha todas as quinzenas. Mas não olhes, senão ele percebe que falamos dele.
- Vou aos lavabos e topo-o no regresso. Explica-me em que mesa está.
- Na do canto esquerdo, portanto à esquerda quando regressares.
………………………………………………………………….
- Mas eu conheço-o, é o Zé Manel – e, sem retomar o lugar, continua em direcção à tal mesa do canto.
- E plantas-me aqui? Incrível, ao menos…
……………………………………………………………………
- Vou andando, Teresa. Pico por ti?
- Olha, não, avisa que não vou, inventa qualquer coisa.
- Bom-dia (num sorriso açucarado para o vendedor). Não esgotes as carrinhas todas, sim?
É o que temos (parte XXVII)
Elites
Todas as sociedades têm elites, quer queiram quer não.
As elites podem ser definidas de várias maneiras. Pouco importa. Qualquer delas há-de sempre incluir os detentores dos "poderes", político, económico, financeiro, etc.
Por qualquer definição a que se recorra, a elite portuguesa tem de ser avaliada negativamente.
Não é que não tenha conseguido "coisas": a adesão à CEE, ao Euro, o triunfo da democracia plural de tipo ocidental e até a passagem pacífica de um regime autoritário para outro democrático, não esquecendo a miserável descolonização, apesar de tudo, sem que um tiro (praticamente) fosse disparado. Mas é pouco, mesmo tudo isso, é muito pouco.
Ainda assim, a negativa da avaliação vem de outro lado: sobretudo e antes de mais da degradação de valores e modelos humanos na sociedade portuguesa; e, o que me toca especialmente, da imoralidade que se instalou em Portugal.
Muita dessa imoralidade vem da forma como o sistema político administra as empresas do Estado ou em que o Estado participa. E igualmente da promiscuidade em que os principais grupos económicos privados aceitaram e aceitam viver com o poder político. Não é o problema dos "interesses financeiros", nem da "transparência" de informar o PM sobre compras de canais de tv. É a distribuição de cargos, as decisões de investimento, os conluios para estudar favoravelmente os projectos que o poder político favorece, etc, etc, etc, e o País e o Futuro que se lixem - mesmo o próprio, diga-se de passagem, como saberá qualquer iniciado em questões de teoria económica.
Felizmente, todas as regras têm excepção. Neste caso, significa que também há bons membros da elite portuguesa, em concreto Alexandre Soares Santos. Aqui fica uma homenagem.
Por tudo quanto disse e pelo exemplo que é. Assim houvesse muitos que imitassem a independência do poder político de que dá provas. É que isso é condição de uma democracia saudável. Inch'Allah!!!
É possível um Portugal melhor. É preciso é querer.
quarta-feira, março 10, 2010
Alexandre Soares dos Santos
Acabado de ver e ouvir a entrevista de Alexandre Soares dos Santos...notável... a vários títulos.
Da forma cristalina e transparente como coloca os problemas, o modo simples e conciso com que aborda as mais variadas questões...mas, sobretudo, a frontalidade desconcertante.
É um homem superior, como bem o demonstra o carácter filantrópico de muitas das suas preocupações, tão bem materializadas na Fundação Francisco Manuel dos Santos e o seu projecto ímpar, o Pordata.
Da forma cristalina e transparente como coloca os problemas, o modo simples e conciso com que aborda as mais variadas questões...mas, sobretudo, a frontalidade desconcertante.
É um homem superior, como bem o demonstra o carácter filantrópico de muitas das suas preocupações, tão bem materializadas na Fundação Francisco Manuel dos Santos e o seu projecto ímpar, o Pordata.
Glosando o estado do Estado, da Economia às Finanças, passando pela Justiça até às notas mais pessoais, demonstra uma subtil e brilhante versatilidade, um poderoso juízo analítico que, claramente, o definem como um carácter único.
O PEC
O douro tem toda a razão: o Conselho de Ministros para tratar do PEC foi no Sábado, e ainda não se sabe quase nada. Não há quantificações, não há números, não há nada.
Com esta obcessão com a imagem, o Governo descobriu uma nova forma de governar: através de comunicações. Já não há projectos nem ante-projectos, e muito menos coisas escritas. Comunica-se, e logo se vê a reacção. A versão final depende de como isto correr. Deve ser o conselho da agência de comunicação de que os jornais falam.
A grande conclusão é que o governo se está nas tintas para a estabilidade e mais ainda para o crecimento. Quer é sair bem na fotografia.
E a polícia sem fazer nada...
Com esta obcessão com a imagem, o Governo descobriu uma nova forma de governar: através de comunicações. Já não há projectos nem ante-projectos, e muito menos coisas escritas. Comunica-se, e logo se vê a reacção. A versão final depende de como isto correr. Deve ser o conselho da agência de comunicação de que os jornais falam.
A grande conclusão é que o governo se está nas tintas para a estabilidade e mais ainda para o crecimento. Quer é sair bem na fotografia.
E a polícia sem fazer nada...
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