Domingo, Março 07, 2010

deus nos ajude

O Sr. Louçã, como lhe chama alexandre soares dos santos, quer a esquerda revolucionária a governar portugal dentro de 10 anos. Só posso pedir a deus que nos ajude pois ao ver como o povo tem votado e pensa votar (continua nas sondagens a dar a vitória ao ps de sócrates) a coisa pode correr mesmo mal. Se isso viesse a acontecer era o fim, de uma vez por todas, deste simpático país. Louçã com a "mão no pote" deve ser pior que um elefante numa loja de porcelana.

O zen do JN

Ler os editoriais do assalariado do Sr. Oliveira que dirige o JN é para mim uma daquelas acções de escuteiro que me deixa aliviado quando chego ao fim por ter cumprido a tarefa que me impus, como se tivesse feito a boa acção cìvica de afastar do passeio um poio de cão, para que as senhoras de idade não o pisem ou nele não escorreguem.

Mas uma vez ou outra essa leitura deixa-me um bònus: o de hoje é de truz. Aqui:
“...o que ela sugere merece que se medite, embora seja obviamente impensável colocar os magistrados sob escuta”

Meditar sim, pensar não. E esta, hem?

Geert Wilders- líder do Partido da Liberdade

Há dias escrevi aqui sobre o processo eleitoral na Holanda na sequência da queda do governo.
Anunciava-se um novo avanço da extrema direita, atento o anterior resultado nas europeias e do debate, novamente introduzido, em torno da "islamização" da Holanda, o que veio a confirmar-se nas eleições locais.
Estamos muito longe, felizmente, do tipo de sociedade em conflito que foi criada na terra do liberalismo.
É só ver o filme de Geert Wilders que circula na net e acompanhar o seu julgamento.

Os primeiros

A Uría Menéndez, foi considerada a melhor firma do ano na Europa pela prestigiada publicação inglesa Legal Week que concedeu os prémios British Legal Awards 2009.

Já aqui devia ter feito a justa referência e alegrar-me com esta grande notícia para a qual o nosso JAC muito trabalhou.

E ser o primeiro dá muito trabalho.

Ir embora

A história do Albino, sendo uma sequência de lugares comuns, não deixa de ser extraordinária.
A viuvez precoce e a separação do rapaz começaram a pesar-lhe. A ideia que um futuro padre seria seu filho, embora o confortasse por lhe dar a impressão de que ficava mais próximo de Deus em momentos de aperto, foi-se dissolvendo naquele mal-estar do regresso diário a uma casa em desalinho, a panelas sujas e a uns lençóis cada vez mais encardidos.

Tudo se complicou com um ferimento casual no polegar esquerdo que, tendo infectado, lhe dificultava os manejos do campo e de qualquer insignificante tarefa doméstica. Numa manhã, ao tentar apertar o cordel das botas, perdeu a paciência, atirou a bota para a lareira, transformada em caixote de lixo da casa, e a coxear, com o pé direito calçado e o outro na peúga, abalou pelos campos fora sem perceber ao que ia. Foi.
Alguns viram-no a passar e tanto bastou para que a opinião incipiente de que o Albino era taralhouco se transformasse na reputação do Albino maluco.

Ai pirou da pinha? Pois então havia de pirar dali. França era, nos anos 60, a palavra mágica. Ainda não era velho e não havia de fazer pior que o Acácio, um quarentão que abalara há seis anos e reaparecera há meses com tiques de rico, ainda que adoentado.

A primeira tentativa a salto foi uma fraude que lhe custou as economias e, pior que tudo, o ridículo e a chacota local: o passador largou de noite o grupo dos quatro no alto de um monte, depois de "milhares" de quilómetros numa R4 ronceira, com a informação que já estavam em França e que seguindo um certo carreiro iriam dar a uma vila onde tomariam um comboio para Paris. Afinal, nunca haviam saído sequer de Portugal.

À segunda vez, foram apanhados em Espanha perto da fronteira francesa. A Guardia Civil ofereceu-lhes um enxerto de pancadaria bárbaro (foi a primeira vez que viu um homem a mijar-se e a chorar) e devolveu-os à origem, sem mais cerimónias que um chuto no cú, em fundo de gargalhada geral.

A terceira tentativa foi um sucesso, ou não tivesse sido tudo carimbado e legalizado por uma agência do Porto, pertença de um empreiteiro e de um funcionário da Alfândega que conhecia as pessoas apropriadas. Chegou a Paris esfomeado mas com a certeza de um trabalho de 14 horas diárias a amassar cimento e de uma camarata de zinco ao lado do perférico, na porta de St. Cloud.
O destino, o azar, o fado ou lá o que for quis, contudo, que a experiência fosse breve embora colorida.
(continua)

Sábado, Março 06, 2010

Vozes para se ouvir




No pantano em que vive Portugal é bom de vez em quando ouvir aqueles que fazem muito por Portugal. São personalidades que merecem o nosso respeito, que têm obra feita, que pensam pelas suas cabeças, que enfrentam quem têm que enfrentar e de frente, e que dessa forma deveriam ser exemplos a seguir.

Belmiro de Azevedo, António Saraiva e Alexandre Soares dos Santos são três bons exemplos. Leiam e concluam:
- "O Primeiro Ministro não tem condições psicológicas para trabalhar" - Alexandre Soares dos Santos no Expresso de hoje
- "O sr. Louçã e o sr. Jerónimo de Sousa passam a vida a insultar-nos, à iniciativa privada, em nome de quê? O que propoê? Estão a convidar as empresas a ir lá para fora?" - idem
- "Para quê mais auto-estradas? para que preciso eu de um TGV que demora 2 horas e um quarto entre Porto e Lisboa em vez das acctuais duas horas e meia? e quem é que vai pagar 120€ entre Lisboa e Madrid quando viaja de low cost por 20€?" - idem
-"o governo não chama a iniciativa privada ou então chama apenas alguns...São sempre os mesmos com interesses instalados." - idem

acrescentarei declarações de Belmiro de Azevendo e António Saraiva mas agora vou comer uns scones.

Porque hoje é Sàbado

Òleo de Kàroly Ferenczy "Atirando pedras ao rio"

Sexta-feira, Março 05, 2010

À espera do PEC (2)

(Foto: Valdecir Missias da Conceição/VC no G1)

À espera do PEC

Salvador Dali, 1925, "Menina à janela"

As escutas do Nortadas ou a surpresa de saber que no PS há outras vozes


Intervenção do Prof. Doutor Pedro Baptista na reunião da Comissão Política Distrital do Porto do PS , em 22 de Fevereiro de 2010:
"O que tenho a dizer é simples. Não há liberdade dentro do Partido, porque não há espaços de liberdade. Os órgãos não funcionam. Falamos do Estado de direito mas dentro do partido não há estado de direito. Falamos de lei mas dentro do partido não se cumpre a lei.
Não é preciso esmiuçar muito. Basta ver que a Comissão nacional que tem de reunir todos os 4 meses, reuniu agora quase ao fim de um ano. A minha Secção que tem de reunir de 3 em 3 meses reúne de 4 em 4 anos. E esta CP que devia ter reunido há um mês atrás, porque tem de reunir ordinariamente de 3 em 3 meses, reúne agora quando perfaz 4 meses. A maior parte dos órgãos do partido , no topo, a meio ou na base, não funcionam devidamente, estão submetidos ao arbítrio dos que usurpam as funções directivas, arrancam os direitos aos militantes, impedem que eles possam discutir dentro do partido
Judicialização? Administratização? Não brinquem, os Estatutos estão para o partido como a Constituição para o país. Cumprir os estatutos é estar dentro da lei, não os cumprir é ser fora-da-lei. E muitos dos nossos organismos, nem todos felizmente, estão fora-da-lei. No partido não há estado de direito, mas arbitrariedade. Que fazem quando aparece uma candidatura adversária um dia depois do prazo? Ou meia dúzia de horas? Ou uma hora? Não vem logo a maçaneta do regulamento, da lei? Porque então já convém?
Sabeis que tudo isto é verdade. Sabeis vós, sabeis vós e sabem eles, porque já vem de cima para baixo. Mas como notou Alexis Tocquevile a propósito dos países, o problema não é só a liberdade de expressão ser coarctada, não é só um direito individual ser esbulhado, é ser todo o partido a não receber os contributos que poderia receber, é a direcção do partido e o governo não poderem receber as nossas contribuições e por isso fazerem asneiras que poderiam não ser feitas se nos ouvissem, se pudéssemos trabalhar nos órgãos, se a democracia funcionasse.
Recebemos uma maioria absoluta numa bandeja servida pelo pior primeiro-ministro de sempre, o Santana. Se nos ouvissem, a nós que trabalhamos, andamos nos transportes públicos e ouvimos as pessoas, talvez não a tivessem malbaratado.
Não há tempo para dizer nada. Nem sobre o assalto ao QREN a propósito do spill over! Nem sobre o vergonhoso PIDACC do Porto. Nem sobre a Linha Porto-Vigo. Como outrora nada se pôde dizer sobre os professores. A nossa liberdade de expressão no partido são 3 ou 4 minutos de 3 em 3 meses quando o presidente da Mesa não se esquece. E quanto se lembra é de relógio em punho. Vão-lhe chamar o metrónomo.Sabeis que não estou isolado. Sabeis bem que pensais como eu, que as minhas palavras coincidem com as vossas consciências. Mas compreendo que muitos de vós fiqueis apenas por aí. "
(a fotomontagem foi retirada do blogue "correio preto")

Bailar de outra maneira

Vêm aí um PEC.
Atrasado, mastigado, envergonhado, acagaçado, mas vai ter de aparecer à luz do dia, esse famigerado PEC, esse rol de promessas e de castigos que Bruxelas nos exige, pois está demonstrado à saciedade que nunca fazemos os trabalhos de casa e que julgamos que somos espertos por copiarmos nos exames.

Quem responde por este estado de coisas?
O regime, que é como quem diz, uma série de governos que se foram sucedendo no tempo. Desde os de Cavaco que desbarataram os fundos da União em fraudes e enganos, com o conluio das centrais sindicais, que também se molharam naquela sopa a inventar acções de formação para se encherem. O caso da UGT foi paradigmático.
O delírio dos governos de Guterres foi uma vergonha , senão um crime. Seguiu-se-lhe o episódio Durão-Santana, apoiado num Portas sorridente, e que se viria a revelar como o diz-que-faz para afinal nos deixar areia e vento. E foi assim que chegámos a este bando socratino, que não cai do céu aos trambolhões mas foi sendo cozinhado por aqueles João-Baptistas de trazer por casa. O polvo cresceu nesses miasmas de condescendência, de porreirismo e de desleixo.

Sobra-nos este PEC que ainda não chegou.
Sobra-nos este calvário, esta desilusão, esta enxaqueca com que termina uma bebedeira de vinho mau.
Que autoridade tem essa gente, estes sócrates instalados no regime, para nos virem exigir sacrifícios? Que sabem eles dos operários de 49 anos despedidos, das trabalhadoras dos têxteis, dos funcionários mal pagos, das professoras exaustas, dos polícias que se suicidam, dos comerciantes que desesperam, das mães que se agarram os cabelos ou dos jovens que se intoxicam de debilidades televisivas?

Venha daí esse sacana do PEC, queremos ver-lhe a cara, mas queremos respostas às nossas perguntas, queremos conhecer os responsáveis, um a um, pois estamos fartos de fantasmas e de pantomineiros. Mostrem-nos depressinha o dito PEC.
É que nós, os que o pagamos, os que o sofremos, os que o aguentamos, talvez tenhamos também um PEC nosso para vos apresentar. E este não espera pela demora.

Parabéns



E ainda por cima a edição de hoje está muito interessante!

Quinta-feira, Março 04, 2010

Dia de Ponte de Lima

“Nasci à beira do Rio Lima,
Rio saudoso, todo cristal;
Daí a angústia que me vitima,
Daí deriva todo o meu mal.
É que nas terras que tenho visto,
Por toda a parte por onde andei,
Nunca achei nada mais imprevisto,
Terra mais linda nunca encontrei.
São águas claras sempre cantando,
Verdes colinas, alvor de areia,
Brancas ermidas, fontes chorando
Na tremulina da lua cheia…
É funda a mágoa que me exaspera,
Negra a saudade que me devora…
Anos inteiros sem primavera,
Manhãs escuras sem luz de aurora!
Ó meus amigos, quando eu morrer
Levai meu corpo despedaçado,
Para que eu possa, já sem sofrer,
Dormir na Morte mais descansado.
Olhos d’Aquela que eu estremeço,
Se de tão longe pudésseis ver-me!
Olhos divinos que eu nunca esqueço,
Morro de frio, vinde aquecer-me…”
António Feijó (1859 - 1917) Diplomata.

Saída para a crise

Frank Schäffler, membro da comissão parlamentar de finanças, citado pelo jornal "Bild", recomendou à Grécia a venda de algumas ilhas para enfrentar o grave endividamento económico do país: "O Estado grego deve desprender-se de forma radical das suas participações em empresas e também vender terrenos, como, por exemplo, as suas ilhas desabitadas". Vejamos. Nós temos as Berlengas, a ilha do Pessegueiro, a Ínsua…

Branco ou tinto

clik para aumentar

É de caras!


A tantos kilómetros de distância, há seguramente muita coisa que me escapa e é arriscado ser categórico em juízos ou análises. Mas ao ler a imprensa portuguesa sobre os debates entre os candidatos à liderança no PSD, atrevo-me a dizer o seguinte:

A ideia de Paulo Rangel em relançar um Ministério do Planeamento e em valorizar os presidentes das CCDR (Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional) é capaz de ter a sua lógica e de ser uma fase intermédia para outra coisa qualquer ainda mais interessante. Mas a imagem que fica é a de que se trata de uma habilidade para não pegar o touro de caras, ou seja, a Regionalização.

Já lhe ouvira esse tipo de discurso aqui em Bruxelas, quando lhe perguntei, aquando do lançamento do seu livro nesta cidade, se admitia discutir a Regionalização, tendo-me respondido que era um regionalista mas que era preciso ir por etapas. Ora, há ali, a meu ver, uma certa ambiguidade que o penaliza, pois a matéria não se compadece hoje com meias-tintas tácticas ou prudências calculadas no receio de perder certos apoios no interior do partido.

Para já e até ver, considero Paulo Rangel o melhor candidato para o PSD, mas entristece-me vê-lo às vezes titubeante em temas que, sendo seguramente delicados, exigem, todavia, posições claras e não meras pegas de cernelha.

O "pai"...

Muitos têm sido ouvidos. Muitos têm falado.
E já agora, nenhum jornalista pergunta ao Jorge Sampaio o que ele pensa sobre o que se está a passar? E o que faria caso fosse presidente?
Era bom também ouvi-lo, porque ele é o "pai" de tudo isto...

O passado fala por eles...

O que é que o Armando Vara e o António Vitorino têm em comum?
Foram ambos obrigados a demitirem-se de um Governo do Guterres...

Quarta-feira, Março 03, 2010

Audições no Parlamento

Não acompanhei por inteiro as audições de hoje a Manuela Moura Guedes e Pinto Balsemão. O que vi foi por peças nos telejornais. Interessante mesmo ver o que cada um edita e dessa forma passa para os telespectadores. Condicionamento de informação: onde já ouvi isto....

MMG fez ataques valados ao PS, ao Governo e ao PM. Não ficou nada de pé o que claramente irritou os deputados socialistas.

FPB foi o que sempre foi. Um senhor da comunicação social. No seu estilo pausado deu uma lição sobre o que os jornalistas passam no seu dia a dia. Com estes ou outros governantes. Mas deixou bem claro que o governo estaria certamente a par de toda a negociação da compra da TVI.

Claro que o depoimento de MMG pela forma como foi feito, pelos ataques que fez e pelos que ficaram no ar torna menos credível a sua prestação mas não deixa de ser preocupante. Dá para perceber que a coisa está feia. E mais interessante o nome que deixou ficar no ar: António Vitorino. Lindo quadro.

PSD

Ontem o jogo Rangel-Passos Coelho deu um empate que serve os interesses de PPC e não os de Rangel. PR precisava de ter goleado o seu adversário e até começou bem obrigado PPC a explicar a sua posição em contraponto às de PR. Mas quando se partiu para ideias concretas deu a ideia que PPC tinha o discurso mais trabalhado e PR umas linhas gerais às quais lhe faltou dar consistência.

Claro que a eleição não se conquista num debate na SIC N. Ganha-se em especial com o número de telefonemas e boleias que se vão dar. Mas aguardemos próximos jogos.

O fim da crise

Em conversa com um amigo descobrimos a data do fim da crise: Maio. Vem cá o Papa, o Benfica será campeão e Marisa será coroada como a nova Amália no Rock in Rio. Deste decreto nem o Pinho se lembrava.

Democracia participativa

A democracia é o pior dos sistemas, excluindo todos os outros. E nada melhor do que ter um blog democrata em que todos participam no seu melhoramento. Agora o contributo é sobre as cores cá da casa. Fico contente e ainda ninguém tropeçou na lata de tinta pois a pintura vai sendo retocada ao gosto de cada um sem que a parede fique borrada. Podiamos mesmo partir para uma semana em que era a "cor de XXXXX". Que dizem malta?

Sentado no mureto...

Òleo de Homer "Life Line"

Será?


Recebi esta imagem.



Não fui, contudo, confirmar. Mas que anda aí a circular anda!

Amarelo

Está melhor, diria mesmo que muito melhor, mas será que o amarelo não pode ser um tudo ou nada mais escuro? Não sei se os restantes "sócios" concordam comigo, mas podia ser um amarelo mais parecido com aquele que usamos lá em cima para nos chamarmos Nortadas....:-)

Do Molhe à Senhora da Luz

Com diz o nosso amigo ventanias aqui em baixo, a actual fotografia do Nortadas foi muito bem escolhida.
Aquele mureto faz parte da minha vida, faz parte da vida de uma boa parte dos escribas deste blogue.
Olhar para esta fotografia transporta-me para momentos únicos da minha infância e adolescência.
Foi naquele mureto que passei horas completamente improdutivas, quando devia estar a estudar. E foi lá também que dei a mão à minha primeira namorada. Ainda me lembro como se fosse hoje a emoção do desconhecido. Porque naquele tempo dar a mão era o primeiro passo para uma “relação”, como agora se diz.
Em frente à Doce Mar ou à La Copa fiz amigos para a vida, planos de viagens, de aventuras, todo um mundo existia à minha frente quando me sentava naquele mureto.
Foi naquele pedaço de cimento ornamentado que vi os barcos encalhados, os náufragos a saírem nas cadeirinhas penduradas por cabos atirados pelos bombeiros.

Não sei o que o mureto representa para as gerações mais novas, o que sei é que eles já não têm tempo para se sentar nele.

Come "chicolates" pequena, come "chicolates"...

Uma das publicidades mais estranhas que aí anda é a do Minipreço que resolveu colocar um Pessoa azul desmaiado no centro dos outdoors para chamar a atenção das suas lojas. Bem sei que ele escreveu sobre o comércio, mais concretamente sobre ovos :-), e sobre a forma como os alemães conseguiram expulsar os ingleses do comércio das taças de ovos quentes na Índia porque adaptaram as dimensões das taças que vendiam ao tamanho dos ovos indianos, o que é seguramente um indicio do interesse que Pessoa mantinha por víveres e pelo negócio alimentar, já para não falar da menção explicita a chocolates que faz na Tabacaria, mas será que foi por isso que o associaram à publicidade do Minipreço? Parece que não. A razão pela qual Pessoa consta dos outdoors publicitários tem a ver afinal com a necessidade de uma espécie de homenagem nacional póstuma por ter figurado nas notas de escudo, razão que deve levar todo o português consciente e saudoso a percorrer os corredores do Minipreço em jeito de romaria consumista que também inclui o D.Pedro V e o Santo António de Lisboa. É caso para dizer: Santo Antoninho nos valha!

Lá vamos...cantando e rindo


Apresentar um plano de dez anos para evitar o declínio da Europa sem ter a ombridade de fazer um balanço sério sobre o plano anterior, a "Agenda de Lisboa", ou seja, sem explicar porque razões aquela Agenda de há dez anos foi um rotundo fracasso, não é uma mera habilidade, é uma cobardia e um logro.

Um dia o tapete não chega para lá esconder o lixo.

Os "TGVs" deles ou os pipe-lines da vergonha


Há semanas comentei a composição da nova Comissão Europeia (ali).
Manifestei a minha desconfiança pelo facto de ser atribuído ao alemão Günther Oettinger o pelouro da energia, sabendo-se do bilateralismo germânico-russo em matéria de fornecimentos de gaz.

Ora aí temos as primeiras estocadas deste "europeísmo" de circo: o Sr. Oettinger dispõe-se a apoiar (ou seja, a financiar) o pipe-line russo "South Stream", embora continue a declarar para a plateia que a prioridade da União é o Nabuco, o pipe-line de que se fala há mais de 15 anos e que traria gaz de origens não-russas, diversificando assim os fornecedores.

Teve a justa réplica do primeiro-ministro búlgaro, Boiko Borissov:
" Todos os países da Europa de Oeste e os Estados-Unidos declararam que o Nabuco era prioritário. Entretanto nada se passou de concreto. A Comissão deve explicar porque é que este projecto continua na estaca zero".

ADEUS

Hoje fui-me despedir do Amadeu Sá Menezes na sua Casa de Lajes em S. Paio de Pousada, Braga.
No bonito portão da casa a bandeira da familia a meia haste. Em cima do caixão a bandeira da Monarquia Constitucional.
O Amadeu Sá Menezes foi um dos fundadores do PPM.~
Foi Sub-Secretário de Estado da Agricultura no Governo de Pinto Balsemão.
Foi fundador da CAP - Confederação do Agricultores Portugueses.
Foi Presidente da Uniagri.
Sendo formado em Engenharia era acima de tudo um Homem simples que apreciava as coisas simples da vida e com a simplicidade que o caracterizava dizia com orgulho - eu sou Agricultor.
E era!
Apesar da sua provecta idade continuava a pegar no trator e lá ia sulfatar as vinhas.
O Amadeu Sá Menezes tinha uma educação e formação tradicional que faziam dele um Homem de principios e valores que hoje em dia escasseiam.
Foi um Homem livre que lutou por causas com uma autenticidade e nobreza que lhe eram intrinsecas como o sangue azul que lhe corria nas veias.
Não era Homem para conviver com a feira das vaidades, mentiras e corrupções do Terreiro do Paço e, por isso, tal como Sá de Miranda regressou ao Minho, à sua Casa de Lajes.
Eu tiva a sorte e o previlégio de o ter conhecido e com ele ganhei amizade o que aliás não era nada dificil.
Na hora da despedida a autenticidade e simplicidade do Amadeu estavam bem patentes e era bem visivel que toda a aldeia estava presente para se despedir do Amigo, Amadeu Sá Menezes.
O Amadeu Sá Menezes partiu e levava consigo a sua bandeira da Monarquia.
O espirito e os valores que representa fazem falta a este Portugal sem valores.
Que a memória perdure para as gerações vindouras.
Um abraço e até um dia destes...

Terça-feira, Março 02, 2010

SAUDADE

Não sei se é do tempo, se do cansaço, se do pouco tempo que tenho tido para vir aqui refrescar a face e o espírito com estas habituais rabanadas...

O que sei é que hoje vim. E fiquei de olhos em bico olhando para a Nortada com que os editores nos brindam agora, na janela de cabeçalho do blog. Que lindo!!! Que saudade!!!

No entanto, como as rabanadas fortes que ali estão retratadas, também há um senão; eu sei que não somos todos do CDS, mas o amarelo dos títulos dos posts era muito mais bonito que esta porcaria deste vermelhão socializante que agora nos impõem e que fere os olhos (pelo menos no meu PC).

Vejam lá se conseguem por a coisa ao 'nibel' da fotografia, carago!

Impressionante

Segundo o investigador Richard Gross da NASA o tremor de terra no Chile deslocou em cerca de oito centímetros o ponto axial do nosso planeta. Além disso, encurtou a duração de cada dia na terra em pelo menos 1.26 micro segundos (um microsegundo é a milionésima parte de um segundo), sendo que o tremor de terra de Sumatra em 2004 já tinha encurtado so dias em 6,8 micro segundos e alterado o mesmo ponto axial em 7 centímetros....

Sobre o sistema eleitoral

A propósito da eventual revisão das leis eleitorais, o Secretário-Geral do PP, João Almeida, terá declarado (vide Público de hoje):
"As pessoas não querem alterações à lei, o que querem é que os eleitos apresentem com responsabilidade o seu trabalho"

Pois está muito enganado Sr. Almeida.
Não sei como é que o senhor sabe o que pensam as pessoas (quantas? quais? donde?), mas eu, pelo menos, sou uma pessoa e sei de umas tantas outras que partilham o ponto de vista de que o actual sistema eleitoral é iníquo, injusto e vicioso e que é mais que tempo de o alterar.

Fale por si, Sr. Almeida, sff.

As vossas tarefas

Óleo de Ernst Ludwig Kirchner "Artistas" - 1927

Não costumo fazer futurologia e as mais das vezes que faço, engano-me.
Mas algo me diz que seria importante que houvesse à direita um partido sólido, sério, corajoso e prestigiado.
Dir-me-ão que o CDS está lá para isso. Pois eu responderia que há um PP que tem essa pretensão mas que lhe falta o músculo e sobretudo o esqueleto para ocupar plenamente o lugar.

Comecemos pelo esqueleto, ou seja, pela ideologia, os princípios, os valores. Aquilo é liberal ou democrata-cristão? É conservador ou social? Como se posicionam em relação à Europa?
No fundo, quer ser tanta coisas ao mesmo tempo que os contornos se desfocam.

Um exemplo: numa época em que o desemprego ultrapassa os 10% e a pobreza alastra, certos dirigentes em vez de invocarem a propósito os valores da dignidade humana e as pistas da encíclica "Rerum Novarum", gritam aos beneficiários do rendimento mínimo: "Vão trabalhar, seus madraços!".
Outro exemplo: como se explica que um discurso contra a corrupção permaneça ainda minado por práticas de financiamento submarinas que estão aliás sendo alvo de processos judiciais? Como se compatibiliza uma linguagem contra a ocupação partidária do aparelho de Estado com uma realidade em que pululam ex-ministros CDS em administrações do sector público, sendo que a reivindicação é de que haja mais lugares para os seus militantes?

Não basta exigir mais polícias para se arrogar como o partido da ordem, nem basta benzerem-se ou ajoelharem-se em capelas para se mostrarem como defensores da tradição.

Quando o esqueleto é esponjoso, o músculo não pode ser forte. Uns exercícios em nome dos pensionistas, dos agricultores em geral (como se fossem todos iguais), dos ex-combatentes ou dos ourives assaltados não faz uma política nem é um programa. Propor, nesta conjuntura, um choque fiscal sem mais, também pode dar votos, alguns, mas não chega para lhe confiarmos a chave do cofre.

E, todavia, insisto, era importante que a direita social e política do país tivesse um partido rijo e democrático em que se pudesse rever, sob o risco de ser seduzida por aventureiros bonapartistas ou por uma extrema-direita folclórica. E era importante que um tal partido pudesse ser, não uma muleta santanista, mas o parceiro crítico, vigilante e inovador da para já única alternativa que se apresenta ao descalabro socratino, um PSD renovado.

Como o prova aquela coluna à direita, há gente boa no CDS, mas é preciso mais do que isso.
Força companheiros!

Segunda-feira, Março 01, 2010

Faltam três dias....



Alguém disse a propósito desta estreia que não se trata de uma "Alice in Wonderland", mas de uma "Alice in Underland", de tal forma o filme é escuro e pouco adaptado ao gosto infantil. Como sempre adorei Lewis Carroll e os seus contos estou morta por ir ver. E acerca de gosto infantil, temos conversado...pois qual é o conto de Grimm e de H.C Andersen que é mesmo para crianças? Estou a lembrar-me da menina dos fósforos e do patinho feio e da violência das histórias....venha a Alice, pois! :-)))))

Representação política

Um estudo sobre representação política concluiu que os portugueses estão descontentes com a democracia e com quem os representa, não gostam de maiorias absolutas, e vêem com desconfiança quem os governa. Não me parece que as conclusões sejam surpreendentes dado o que todos os dias vem a público, e a forma como em geral se comporta a nossa classe política, mas o que já me parece interessante é a forma como as pessoas esperam comportamentos diferentes num país que ao longo de trinta anos investiu mais em grandes superfícies do que em educação e que sempre se preocupou mais em incentivar o crédito ao consumo e as aparências do que a postura cívica e o respeito pelos outros. E também me parece interessante que se espere, supondo que nem todos os políticos são iguais, e que existem pessoas sérias e capazes no nosso país, que estes poucos se dediquem, ou continuem a dedicar, à causa pública, sabendo com quem têm que privar, os maus juízos a que se expõem, e o desgaste na imagem e da vida privada a que se sujeitam…

À Bordalesa, pois claro

O dia estava como está o país, de pernas para o ar. A motivação, tanto física como psicológica, não estava lá grande coisa devido a uma festividade no dia anterior.
Tudo se conjugava para uma tarde de sofrimento, ainda para mais sabendo que tinha uns parceiros de respeito, gente com créditos firmados nas melhores mesas e garrafeiras do país. Mas quando se trata de pôr os pezinhos debaixo da toalha não costumo desiludir e mais uma vez o meu corpinho (que já teve melhores dias) não me deixou ficar mal.

Quando se trata de lampreia vamos buscar forças inimagináveis.

Os bichos eram muito bons, maravilhosamente bem preparados e maravilhosamente acompanhados com um espumante Aliança tinto, que pensei não entrasse tão bem naquela tarde em que o país quase desabou.

Passadas umas horitas à mesa e já não há crise nem classificação na liga que nos preocupe. Há dias assim, em que a vida nos parece demasiado boa, não é?

O nosso caminho

O assunto pode parecer complexo e desinteressante, mas é fundamental compreender o que se passa à cabeceira da Grécia, se quisermos antever o que nos espera e perceber quem metemos na nossa cama.

Mais de 2/3 da dívida grega está nas mãos da Alemanha, da Holanda e da França.
Se a Grécia não conseguir reunir até Abril cerca de 23 mil milhões de euros, arrisca uma suspensão de pagamentos cujas vítimas serão em primeira linha os próprios gregos, mas que provocará muita dor e ranger de dentes naqueles outros países.

Ou a Europa mostra o que vale e avança com um plano credível e solidário para tratar o assunto, ou a Grécia pede ajuda ao FMI e resolve provisoriamente a situação à semelhança da Hungria que a enfrentou em Novembro de 2008 através de um "standby loan" que esvaziou a pressão dos mercados.

A política do megafone e da encenação visual, palmadinhas nas costas com discursos contraditórios, "ajudo mas não pago", que Merkel, Sarkozy, Junker e outros vêm protagonizando são afinal a demonstração do que vale a tal Europa: pouco ou nada.

Seja por cálculos mesquinhos (o FMI é dirigido por Stauss-Khan, provável adversário de Sarkozy nas próximas eleições presidenciais), seja por jogos de "trompe l'oeil' eleitorais (Merkel quer sossegar os bávaros e não só), seja por desconfianças sobre o que ainda está escondido, enfim, por isto ou por aquilo, diz-se uma coisa hoje diferente da de ontem, desdiz-se ao microfone o que se garantiu 'intra muros' e cava-se a confusão e o desnorte.

A nível interno, é patente que não temos nem Governo nem Ministro à altura da situação. O silêncio à volta do PEC, mais os apelos à união à volta do PEC, qual novo e "patriótico" orçamento, mais a convicção de que não somos gregos e de que a Europa há-de estar connosco, são a pomada de feira que está disponível mas que não nos vai safar da cirurgia pesada.

É importante acompanhar o caso grego para percebermos o quanto temos de mudar de médicos. E de abrir janelas, com euro ou sem euro, com PECs ou sem PECs, para encontrar um caminho, o nosso.

ORDENAMENTO PRECISA-SE

O século XX em Portugal representa, a meu ver, o período de maior destruição urbanistica e ambiental.
Fruto de um enorme atraso cultural e de uma economia em grande parte sustentada na construção imobiliária, autarcas, politicos, poder legislativo e empreiteiros encheram o bolso e destruiram uma parte significativa do País.
É criminoso o que foi permitido fazer na costa Algarvia e em todo o litoral bem como nas aldeias do Norte, Trás os Montes, Douro, Beira e Centro.
Confesso que é para mim uma enorme dor de alma assistir diariamente à destruição do nosso património natural e sentir-me impotente para combater essa tragédia.
Este Governo ajudou à festa ao facilitar os processos de desclassificação das reservas agrícolas nacionais e das reservas ecológicas e ao banalisar a atribuição da classificação de projecto PIN (projecto de interesse nacional).
O ordenamento e planeamento do território são feitos a pensar em satisfazer os bolsos de A ou de B e ainda para mais o combate à corrupção tem sido um fracasso.
O problema é que o mau ordenamento e planeamento acabam por mais tarde ou mais cedo dar os seus frutos.
Não se admirem pois aqueles que resolvem construir no meio do Monte e chegado o Verão veêm os seus pertences a arder.
Não se admirem pois aqueles que resolvem construir junto ao Mar e chegado o Inverno o Mar leva-lhes o que tenhem.
Não se admirem pois aqueles que resolvem construir em zona sísmica ou em leito de cheio.
Que os particulares tenham essas veleiodades parece-me compreensível, agora, o que não é aceitável é que o poder politico autorize, licencie e/ou feche os olhos a essas situações.
Importa pois assegurar um melhor planeamento e ordenamento mas mais ainda é preciso que haja uma mudança de mentalidade dos politicos e da sociedade civil para que se mobilizem para a reslução deste assunto
Neste momento estão condenadas 3 importantes zonas do País:
- albufeira da barragem do Alqueva que já está condenada a ser transformada num Algarve II:
- Costa Alentejana e
- o vale do Rio Sabor.
é sobre este último que irão recair as minhas atenções no próximo post.