Mostrar mensagens com a etiqueta tratado de Lisboa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta tratado de Lisboa. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, março 19, 2010

O colete está debaixo do banco

Há um ano, havia um coro de iluminados a explicar que o Tratado de Lisboa seria um passo decisivo e fundamental na construção europeia. Até o patarata com ar de azia que ainda dirige o Ministério dos Negócios Estrangeiros alertava para o facto de que se o tal tratado não fosse aprovado a União paralisaria.

Hoje vê-se que de facto a União Europeia está paralisada, tetraplégica, e na iminência de uma trombose fatal. E em grande parte, por causa do Tratado de Lisboa, a maravilha que nos diziam ir abrir-nos horizontes radiosos, mas que afinal trouxe mais trapalhada, mais conflito, mais cacofonia, mais desespero e mais decepção. Seja na política externa, seja na coordenação económica, seja na política monetária, etc. etc.

Aquela senhora a quem deram o penacho da política externa pode ser fraquinha, mas o essencial do problema está no tratado, mãe da barafunda. O caso grego vai ser penoso para os que não querem tirar a venda dos olhos: a Alemanha não quer saber da União e andam todos a distrair o pagode para que Atenas vá ao FMI e não chateie os parceiros, até porque o tratado não ajuda nada, apenas complica.

Entretanto, a Comissão entretem-se a policiar uns PECs, que são umas folhas de papel com os programas nacionais para esmifrar a classe média e safar a banca. Os governos, que já perceberam que tudo isto é uma encenação e um jogo de sombras, imaginam crescimentos irrealistas apesar das medidas depressivas com que engraxam as botas de Bruxelas.

Não sei se os pilotos da TAP vão manter a sua ameaça de greve, o que muito me prejudicaria. Mas sei que no cockpit de Bruxelas já não está ninguém e que o próprio piloto automático está de pilhas rasas. Mas ainda há quem esteja contentinho e não queira vestir nem os coletes nem os paraquedas: deve ser por terem um tratado catita para se assoarem.

terça-feira, dezembro 01, 2009

O novo advento


Hoje caí da cadeira.
Ainda estou para saber se foi ela que se partiu ou se foi alguém que me empurrou.
O certo é que estava a ler o artigo do Paulo Rangel no "Público" de hoje sobre o Tratado de Lisboa.

Parece que todas as críticas ao dito tratado são "fáceis e simplistas". Parece ainda que o facto de ser difícil interpretar as suas disposições é, afinal, uma coisa óptima, pois dá espaço para a criatividade e a flexibilidade de soluções. E quem o diz é o mesmo que noutros fóruns acha que o programa "Better Regulation" é uma medalha no peito da Comissão Barroso. Mas não: a nova tese é de que "a complexidade do tratado abre espaço à democracia". É caso para dizer 'Bom-dia à confusão legislativa, mãe imaculada da política'

Sentei-me na cadeira, mas não demorou nada para novo trambolhão. É que uma tal chamada "tecno-estrutura" vai dar agora lugar a uma nova transparência, visibilidade, controlo, e mesmo(sim senhor) democracia. Então não é uma maravilha? Mas como é esse salto? Ai isso não se diz, mas segundo o autor é por causa de um "drive" e de um "input" político à vida da União. Nem mais.

Julguei que se me amarrasse à cadeira não mais nos separaríamos. Ilusão minha. É que faltava a estocada final do Rangel: dúvidas de soberania? Isso é tudo conversa de velhos. O que importa é estar lá dentro e isso da independência é chão que deu uvas. O 1° de Dezembro, dia da Restauração, marca este novo advento: de portugueses passamos a europeieses.

Estas flores do Paulo Rangel começam a cansar-me e acho que mudo de cadeira.

GUTEN MORGEN EUROPE.....



PRIMEIRO DIA DO TRATADO DE LISBOA...

acordei às 08h40m...levantei-me, tomei banho, lavei os dentes, fiz a barba, vesti-me, apanhei o autocarro, entrei no Tribunal às 09h15m...tomei o pequeno-almoço, subi ao meu gabinete onde pousei o sobretudo e o chachecol, peguei no dossier e fui para julgamento.

Terminei o julgamento por volta do meio dia seguido de uma breve troca de impressoes subi novamente ao meu gabinete vi os e-mail da manha, espreitei o nortadas e escrevi este post. Olhei para a janela do meu gabinete e tudo na maior das calmarias...

pela amostra e até agora aparentemente nada mudou para o comum dos mortais....

mas como se diz....as aparencias iludem.

quarta-feira, novembro 25, 2009

TRATADO DE LISBOA






"Le traité de Lisbonne donne à l'UE ce que Henry Kissinger attendait depuis quarante ans: un numéro de téléphone, ou plutot un visage"

(sic)Pierre de Boissieu

quinta-feira, novembro 19, 2009

Sirvam a vichyssoise


Imagino que logo ao fim da tarde e depois de mandarem fechar as portas, os dirigentes europeus ataquem uma vichyssoise como entrada de um repasto agitado donde é suposto saírem os nomes do Presidente do Conselho Europeu e do Vice-Presidente da Comissão e Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança.

A pomposa designação dos novos cargos (só o segundo comporta mais de 10 palavras) espelha, a meu ver, esta tendência moderna de carregar no embrulho sem curar muito de saber o que se põe dentro. Aliás, a profusão de candidatos e a regateirice inter-pares que a tem acompanhado demonstra pelo menos duas coisas: que não há nomes óbvios, pois são todos de uma medíocre mediania, e que esta barafunda é apenas o prenúncio da confusão que se lhe seguirá relativamente ao exercício das competências de uns e de outros. Nessa, como noutras matérias, o Tratado de Lisboa cumprirá os seus objectivos, isto é, complicar mais e afastar ainda mais o cidadão.

O debate de ontem na Assembleia da República sobre o dito tratado foi igualmente esclarecedor: uma chatice que desmobilizou mais de metade dos deputados e onde o ministro Amado repetiu uns lugares comuns para contento de um hemiciclo quase vazio que desesperava por ir tratar de outras coisas.

A presidência sueca encomendou pequeno-almoço, pois receia-se que as "negociações" de logo se prolonguem pela noite adentro e chegue a hora matinal de café e croissants sem que haja fumo branco.

Como diria David (salmo XLII, 8): "Abyssus abyssum invocat"

segunda-feira, novembro 09, 2009

Bandalhos de trazer por casa

Segundo o "Expresso" de 7 de Novembro, 3 ex-Ministros dos Negócios Estrangeiros consideram que o Tratado de Lisboa não é a melhor solução para os interesses de Portugal, aos quais se junta um ex-Secretário de Estado, actualmente embaixador em Paris.

Todos estes senhores (Martins da Cruz, Medeiros Ferreira, António Monteiro e o escritor-gastrónomo Seixas da Costa) terão guardado segredo dessa opinião nos anos que precederam a conclusão do Tratado de Lisboa. Pelo contrário, alguns deles terão mesmo feito declarações entusiásticas e inflamadas para demonstrar a necessidade e a excelência do dito tratado.

Agora, que estão reunidas as condições para o mesmo entrar em vigor, não têm pejo em dar o dito por não dito e, numa espargata de mestre, pousam um dos pézinhos no outro lado, não vá o tempo demonstrar a evidência de que Portugal vai perder imenso com esta maravilha de tratado que, na última opinião do Cruz, só tem para nós a vantagem de se chamar Lisboa.

aqui manifestara a minha perplexidade por estes vinhateiros da 25° hora, mas confesso que nunca imaginaria que a desfaçatez e a falta de pudor atingissem estes níveis.

quarta-feira, novembro 04, 2009

segunda-feira, outubro 05, 2009

Depois do "sim"...










Representante da União para os Negócios Estrangeiros?
Presidente da União?
...aguentamos com estes óleos de fígado?

sexta-feira, outubro 02, 2009

O referendo


Os irlandeses votam hoje um segundo referendo ao Tratado de Lisboa. Siga-o aqui.
Na União Europeia é assim: há países que votam uma vez, há países que votam as vezes necessárias até votarem "sim", e há países que alguns acham que é melhor nem sequer votarem. Neste triângulo escaleno, nós devemos estar algures no lado curto, apesar de nos terem dito (onde isso já vai) que nos arrumávamos no primeiro grupo. Uma questão de diferença de ângulos, ao que parece.

O Tratado de Lisboa é um mau tratado, mau para a União e mau para Portugal.
De há uns meses a esta parte, andam a explicar aos irlandeses que é um tratado óptimo para a Irlanda e que na crise actual é melhor entrarem na forma para não se arriscarem a uma réguada em forma. É possível que eles se assustem. Mas toda essa chantagem é uma vergonha. Nós já nem a temos.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Gente porreira

No calor da campanha e do Verão, as notícias sobre a recondução do Barroso interessam a pouca gente e mesmo estes já começam a estar fartos deste folhetim que se arrasta há um ano.

Parece que finalmente o Parlamento Europeu acedeu a votar o assunto na próxima semana. Os grandes arautos de que haja uma decisão antes do referendo irlandês são os mesmos que incensam o Tratado de Lisboa como a última das maravilhas da União. Mas, na verdade, eles sabem que se essa mesma votação seguisse o procedimento previsto nesse tratado, o Barroso seria reenviado de tamanquinhas para casa. Vai daí este lufa-lufa de que é preciso eleger o homem e evitar um "vazio de poder". Tretas e truques, está bom de ver.

Tudo isto tem sido um espectáculo triste e deprimente. Mesmo que o actual presidente da Comissão consiga a maioria de Nice (não a de Lisboa) no dia 16, será um presidente enfraquecido, que aceitou ir a leilão, desprestigiado por tanta manobra a que se prestou, por tanto contrabando e tanta promessa a este e àquele.

Um político a sério, uma pessoa de princípios, um homem de honra, alguém que tivesse verdadeiramente um projecto e uma ideia teria há muito tempo batido com a porta e mandado bugiar a feira. Um gesto desses tê-lo-ia engrandecido e tê-lo-ia salvo. Mas essa não é a massa de que é feito. É tudo gente porreira, não é, pá?

sexta-feira, setembro 04, 2009

Preparem as taças

Finalmente encontrei a boa notícia do dia: aqui
Se o voto irlandês de 2 de Outubro for um segundo "não" ao Tratado de Lisboa, eu ofereço uma garrafa de Murganheira Vintage Pinot a cada um dos membros activos do Nortadas.
Isto não é uma promessa, isto é um compromisso.
Olarilolé!

quinta-feira, julho 16, 2009

Socorro!



Se os irlandeses votarem novamente contra o Tratado de Lisboa, este casal não ocupará a futura presidência da União Europeia.
Caros irlandeses, salvem-nos deste pesadelo.









































quarta-feira, julho 15, 2009

Vinhateiros da 25° hora

Vasco Graça Moura assina no 'Diário de Notícias' a sua coluna de opinião que hoje dá pelo título "Suar as estopinhas" (aqui).

É a propósito da União Europeia. Diz coisas interessantes, entre as quais a seguinte:

"Uma Europa que se pretende, agora, mais viável através do Tratado de Lisboa, quando o certo é que este, se adoptado, vai abrir a porta ao directório dos mais fortes e das suas alianças pontuais, ao sabor das conveniências…"

É a primeira vez que 'ouço' este tom a VGM, apesar de ter sido euro-deputado durante dez anos. Nunca é tarde para se ficar mais sábio e só posso regozijar-me com a sua nova clarividência. Mas não lhe ficava mal reconhecer que andou anos a alinhar nas loas à Constituição da UE e ao Tratado de Lisboa e que isso foi um erro de que se penaliza.

De qualquer forma, que Deus lhe pague.

quarta-feira, julho 01, 2009

Ainda não há champagne


Ontem, 30 de Junho, o Tribunal Constitucional alemão aprovou um acórdão sobre a compatibilidade do Tratado de Lisboa com o quadro jurídico-constitucional da República Federal da Alemanha. Pode ler aqui.

O procedimento de ratificação fica suspenso até que o legislador alemão introduza determinadas alterações nas leis vigentes. Consta que, para esse efeito, o Parlamento alemão se reunirá em Agosto.

Há Estados-Membros que levam estas coisas com alguma seriedade e rigor.

quarta-feira, junho 03, 2009

Bye-bye


Esta notícia (aqui e aqui) pode transformar-se, ainda antes de Domingo, num terramoto político a nível europeu. Amanhã, 4 de Junho, os britânicos votam para o Parlamento Europeu e o mais tardar no fim-de-semana conhecer-se-ão esses resultados.

Brown, empurrado ou por antecipação, pode estar fora do baralho em poucos dias.
Se houver a decência de convocar eleições gerais, é certo que o novo governo conservador recolocará em questão a ratificação do tratado de Lisboa.

Isto está catita.

Bater o pé!

Aos que nos querem vender gato por lebre, aos que nos propõem um imposto europeu, aos que nos querem enfiar um tratado pelas traseiras,

VAMOS BATER O PÉ!

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Tratado de Lisboa

Vai ser hoje assinado o Tratado de Lisboa.

Apesar de ninguém ainda me ter pedido opinião, vou avançar com a minha reflexão.

O Tratado é um documento importante para Portugal, para a Europa, e para o papel da Europa no Mundo.

Sou favorável ao novo Tratado Europeu, apesar de tudo. E o “apesar de tudo” é principalmente a diminuição da nossa importância relativa resultante do alargamento, e a criação de “hierarquias” entre estados membros.

Mas a Europa precisava de se adaptar e de se tornar mais ágil. É bom haver mais decisões por maioria, e menos por unanimidade. É bom, também, haver a Carta dos Direitos Fundamentais. Sou, pois, favorável ao Tratado.

O Tratado sucede à fracassada constituição europeia. É um documento diferente, mas igualmente complexo. E talvez por ser denso, e tecnicamente complexo, rapidamente a discussão se concentrou no tema acessório da forma de ratificação: ou no Parlamento ou através de referendo. É mais fácil, e dá menos trabalho.

A única forma que vejo de o Tratado ser discutido é termos um referendo. Se se optar pela ratificação parlamentar, nunca mais se discute o Tratado.

E não é só o Tratado. É que a própria opção europeia nunca foi verdadeiramente legitimada. E é uma opção que necessita de legitimação.

Bem sei que quer o Tratado de Mastricht quer o de Nice (porventura bem mais relevantes) não foram referendados. Mas isso não confere, por si, legitimidade à opção europeia. É que pode bem acontecer (se é que não está já a acontecer) que um dia isto comece a correr mal, e para as medidas necessárias vem a desculpa anunciada: “é que Bruxelas não deixa”. Mas quem é que deixou Bruxelas não deixar?

O problema da legitimidade é central, não para agora mas para um dia de crise no futuro. A Europa, mais que um projecto político ou económico, é um projecto de Paz. E quero que Portugal esteja inequivocamente nesse projecto, recheado de legitimidade popular.

Há ainda uma outra razão para haver referendo: é que o PS, o PSD e o CDS inscreveram nos seus programas eleitorais o compromisso de realização de referendo. Ou seja, os seus deputados foram eleitos com base nesses compromissos, e até para exercer esse mandato popular. Ora, não me parece bem que estes partidos desbaratem desta forma a confiança que neles depositaram os seus respectivos eleitores.

Em resumo: sim ao Tratado, e sim ao referendo.