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quarta-feira, maio 19, 2010

D. Basílio

O Sr. Basílio Horta, o canastrão que diz que anda a arranjar investimentos estrangeiros, insurgiu-se contra as declarações de ontem do Sr. Ulrich.
Que não pode ser, que isso de falar nas nossas dificuldades não é bom para o negócio, que avisar do desastre pode assustar o investidor, que o que faz falta é dizer que o país funciona bem e que se não for assim ele fica numa situação embaraçosa e coisa e tal.

D. Basílio deve ter razão. Eu sempre que o vejo a abrir as portas ao « engenheiro », salamaleque para aqui, salamaleque para acolá, enche-se-me a alma de fervor patrioteiro e apetece-me de imediato dar uma esmola para as obras de caridade da D. Maria Barroso.

Aquele Ulrich devia ser desterrado, o maroto. Não tem o direito de andar a atrapalhar o D. Basílio.
Oh D. Basílio, não lhe ligue, finja que não é consigo e vai ver que ainda arranja mais uns contratos do Chavez, aquele que os anula meses depois, ou do Santos, o que encomenda mas não paga.

domingo, março 07, 2010

O zen do JN

Ler os editoriais do assalariado do Sr. Oliveira que dirige o JN é para mim uma daquelas acções de escuteiro que me deixa aliviado quando chego ao fim por ter cumprido a tarefa que me impus, como se tivesse feito a boa acção cìvica de afastar do passeio um poio de cão, para que as senhoras de idade não o pisem ou nele não escorreguem.

Mas uma vez ou outra essa leitura deixa-me um bònus: o de hoje é de truz. Aqui:
“...o que ela sugere merece que se medite, embora seja obviamente impensável colocar os magistrados sob escuta”

Meditar sim, pensar não. E esta, hem?

segunda-feira, novembro 16, 2009

Baboseiras

Há um membro do gabinete do Presidente da Comissão Europeia que de vez em quando publica umas opiniões no "Diário Económico". Deve ser uma pessoa cheia de energia e ubiquidades pois afirma-se também como sendo professor universitário.

Na sua esporádica coluna, neste 16 de Novembro (lê-se aqui), protesta contra a ausência de Obama nas comemorações da queda do muro de Berlim. É uma opinião. Mas é sobretudo um pretexto para avançar com uma série de disparates que não podem ficar sem resposta. Ora vejamos:

a) Diz que o Reino Unido e a França, juntamente com os Estados-Unidos e a União Soviética, "desempenharam um papel central em todo o processo de reunificação". Trata-se de uma rematada falsidade, pois é matéria hoje em dia bem documentada que tanto a Sra. Tachter como o Sr. Mitterrand puseram todos os pauzinhos possíveis na roda da reunificação, que eles não queriam e de que desconfiavam. Admitamos que é a juventude do colunista que o leva a desconhecer o que se passou verdadeiramente na época.

b) Diz que a Europa "é um parceiro indispensável para os Estados-Unidos", como o prova o facto de por exemplo Portugal ter mais tropas no Afeganistão que a China. Eu não sei que aulas dá este jovem senhor e em que Universidade, mas talvez uma alma caridosa lhe possa explicar o que é a Nato e já agora outras coisas elementares como explicar-lhe que não foram os europeus que ajudaram os americanos na Bósnia e no Kosovo como diz, mas foram aqueles que nos vieram desenrascar quando foi evidente que não tínhamos dentes para aquele bife.

c) Enfim, ele vê o mundo pelos óculos dele mas há ali diopterias a precisar de novas lentes pois há algo de errado se ele pensa que são os europeus que fazem o favor de dar uma mãozinha aos americanos na desnuclearização do Irão, pois somos nós os primeiros interessados, apesar de impotentes, em que Teerão nunca tenha um balázio nuclear que nos aterre na testa. Por isso nos agarramos, nesse particular, às calças do Obama, e não o inverso.

Talvez seja tempo de o Almeida repensar ideias como "o declínio da Europa": é que esse declínio é uma evidência e não vale a pena ele pôr-se em bicos de pés lá no gabinete do presidente Barroso a repetir o contrário, pois não vão ser essas baboseiras que farão a Terra rodar em sentido inverso. E, por favor, dê as aulas que quiser ou que lhe pagarem na Universidade das Novas Oportunidades mas deixe as coisas sérias para quem sabe delas.