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quinta-feira, maio 08, 2014

A finlandização da Europa


Ora aqui está um artigo do EUObserver cuja leitura recomendo (obrigado Fernando) nesta época de bugigangada eleiçoeira.

Adenda: já agora, como trabalho de casa para os que pensam ir votar nessa coisa de listas em que o voto serve para pôr lá um desconhecido qualquer entre o 8° e 10°, espreite-se este outro artigo, para que os ‘federalistas’ não digam que não sabiam que é assim que a coisa funciona.

terça-feira, fevereiro 18, 2014

A politica do mete medo


O presidente da Comissão Europeia decidiu abotoar o casaco e meter medo aos suíços: suspende-se o programa Erasmus!

O mesmo presidente fez no Domingo declarações sobre o próximo referendo escocês prevenindo-os de que será praticamente impossível que a Escócia adira à União Europeia caso o voto independentista ganhe esse referendo. Há tempos declarára algo de semelhante para assustar os catalães.

Esta política do “mete medo” esconde afinal uma fragilidade patética. Esta Europa do bullying político desacredita-se e afunda-se. Não é por acaso, para além da sua diplomática grosseria, que uma embaixadora americana confidencia “Fuck the EU”. Por muito que o Berlaymont esbraceje, os ingleses encolhem os ombros e decidem o que lhes dá na gana quanto ao acesso dos emigrantes à segurança social. Os auxílios de Estado à indústria e aos bancos alemães prosperam sem que ‘Bruxelas’ mexa uma palha e os milhos geneticamente manipulados instalam-se com o faz de conta de uma Comissão ajoelhada.

Neste deserto de projecto e de propósitos, a Comissão usa o farisaico sermão da pretensa luta contra os egoísmos e aponta o dedo aos Estados-membros, duma forma abstracta, para sacudir o pó dos sapatos e entreter os media. Esta Europa está morta!

Alguns vão aplicar-lhe em Maio, nas eleições para o Parlamento Europeu, um boca-a-boca para ver se o coração volta a pulsar, só que já lá não está um corpo mas um daqueles bonecos de plástico com que os bombeiros treinam os noviços. E quanto mais alinharmos nesta mascarada, maior margem concedemos a uma extrema-direita que sabe que a natureza tem horror do vácuo e que quem se perde no mar, perde o lugar.

Que legado, Sr. Barroso!

segunda-feira, março 11, 2013

A desesperança


A primeira condição para que desponte uma luz lá longe é a de que o país perca de vez a esperança. A esperança de que nos falam os Vitorinos e os Machetes, a esperança que enche os sermões dos optimistas, a esperança cavaquista de que se não era em 2012, será em 2013, mas certo certo em 2014 ou então 2015. Essas esperanças são a tralha e o lixo tóxico que nos mantêem de joelhos a orar, a pedir, a resmungar, a encaixar, a aguentar, enfim, a morrer devagarinho, com respeitinho, educadinho, bem castradinho, amén.

Não há nada a esperar da Europa dos Barrosos, não há nada a esperar dos partidos do Governo, não há nada a esperar do PS, nada a esperar do PC ou do Bloco. Ainda menos há a esperar o que quer que seja de útil ou de interessante do Cavaco, do Cardeal, do Benfica ou do Ulrich. No momento, no dia ou na semana em que uma parte importante das pessoas se der conta de que não há nada a esperar de bom, então sim, pode ser que algo de bom comece a acontecer, pois essas pessoas, ao perceberem que esta tropa fandanga que nos embala são a tampa que nos impede de saltar da panela, essas pessoas arrebentarão com o tacho.

É ao que chegámos. Sim, eu sei, é tudo muito radical, é desconfortável e é sobretudo arriscado. Era tão bom confiar no euro e na bondade deles. Era tão bonito aquilo da solidariedade e do grande mercado e das quatro liberdades. Então e a Constituição? Não era ela uma das mais avançadas, mais progressistas, mais garantistas? E a nossa credibilidade externa tem crescido, ainda esta manhã ouvi dizer.  Pois...                                                                                                                                                            

Sabem onde está o contentor de lixo mais próximo da vossa casa, do vosso escritório, da vossa escola? Levem essa gerigonçada toda e deitem-na lá. Façam isso como medida de salubridade pública mental. Deitem lá as vossas crenças na moeda única e na dita honra de pagar a dívida, despejem junto às cascas de fruta e às embalagens amassadas os discursos da tal esperança, cheios do bom-senso morno e inútil e sublinhados de sorrisos a esconder a mentira e a fraude.

Mete medo? Claro que assusta, mas sentir-vos-eis mais aliviados, mais preparados e aparentemente mais sózinhos. Largai lá toda a esperança, como se tivésseis entrado no inferno. O camião há-de recolher esse lixo e levá-lo para onde ele deve morar, o aterro. E então, sim, regressai porque há tarefas que nos esperam e um recomeço que já tarda. E há-de ser um dia, e a seguir outro dia. Só haverá amanhã se deixares de esperar. Contra o desespero, a desesperança. Bora!

terça-feira, fevereiro 26, 2013

Toma lá um santinho


Discordo em absoluto e veementemente dessa conversa melíflua, pegajosa e infantilizante de que merecemos um prémio porque nos portámos bem. Trata-se de uma linguagem de jardim-escola que não tem lugar na política e ainda menos nas relações entre Estados e que aliás apenas reforça a ideia de que deve haver uma componente punitiva nos programas de ajustamento. Cumprimos – prémio; não cumprimos – castigo.

Surge na linha de uma outra figura de estilo cavaquiana que falava em ser-se bom aluno. Entre Estados ou entre povos ou entre nações pode haver relações de cooperação ou de dominação mas não há professores nem alunos.

Os que vestem tais peles podem ter ganho muitos santinhos na catequese mas agora enganam-se de púlpito. Depois admiram-se que, se e quando são apanhados “a copiar”, a mentir e a enganar, alguém lhes diga para baixarem as calças e se pôrem a jeito para umas palmadas no rabo. O problema é que se calhar até gostam, mas se assim é então dêem o rabo deles, não o nosso.

terça-feira, dezembro 04, 2012

Os amigos da onça


                      Afinal o que está a dar é ser mau aluno. Ou será que compreendi mal?

domingo, julho 01, 2012

"Faz o que digo, não o que eu faço"


Havia um consenso na União Europeia : os mais altos responsáveis políticos não assistiriam aos jogos do Europeu que se realizassem na Ucrânia, em sinal de protesto e para se demarcarem de um regime que vem perseguindo a oposição e que mantém na prisão, na sequência de um processo muito duvidoso, a ex-primeira-ministra Yulia Timoshenko.

Consterna-me, portanto, ver naquela bancada o primeiro-ministro italiano Mario Monti e o príncipe das Astúrias. É por estas e por outras que a União Europeia, que não sabe dar-se ao respeito, se vem transformando na chacota de muitos europeus e não europeus. Parece que aqueles estão em boa companhia: ao lado daquela figura patética que dá pelo nome de Platini.

Adenda : dou-me agora conta que também lá está em Kiev o primeiro-ministro espanhol Rajoy. Devem pensar que indo aos molhos passam despercebidos.

quinta-feira, junho 14, 2012

O economês bruxelense


Sabem o que é que quer dizer um banco com risco sistémico ?
Os bancos cuja eventual falência pônha em causa a boa perfomance dos bancos alemães ou franceses são bancos que comportam um risco sistémico; os bancos cuja falência pode ‘chatear’ muita gente mas se isso não belisca um banco alemão ou francês, então esses  bancos não envolvem risco sistémico. É esta a verdade crua que subjaz à nova semântica bruxelense.

Por outras palavras: quando, por exemplo, o Banif der o estouro, deixá-lo-ão ir ao charco, mais os seus depositantes, se com isso nenhum banco alemão ou francês perder penas.

Sabem o que quer dizer, no quadro da imaginada união bancária, a garantia de um fundo europeu para os depositantes de um banco em apuros?

Significa que só os depositantes de um banco com risco sistémico poderão beneficiar desse fundo de garantia. Os outros, passem bem...

Engraçado, não é?


quarta-feira, junho 13, 2012

Dâmasos e Gouvarinhos

O Sr. Gaspar diz que não conhece as condições do resgate espanhol. Aliás, ao que parece, ninguém conhece ao certo as condições e juros desse pacote de 100 mil milhões. Mas o ministro alemão diz que há condições, embora o Sr. Rajoy queira fazer crer o contrário.

Tudo isto já diz em si  alguma coisa sobre como se decidem os dossiers na União Europeia. Se as pessoas soubessem metade de como tudo se passa, deitavam as mãos à cabeça e agarravam estes políticos pelos colarinhos. Mas há sempre uma imprensa benévola e uns correspondentes simpáticos que por ingenuidade, preguiça, conivência ou mera incompetência vendem uma imagem profissionalizada do que não passa de uma feira de garnisés.

A ideia “mágica” do momento é a de uma “união bancária”. O que é isso e quem e como tal se organiza e se dirige ninguém explica porque no fundo ou não sabem ou sabem bem demais.  Mas que importa? Fala-se nisso como se falava em “mais europa”, ou em “união fiscal”, ou outras boutades do género. E há os que fingem que percebem para não parecerem parvos, há os que julgam que percebem por serem ingénuos e os que percebem mas calam por serem uns rematados sabujos.


segunda-feira, junho 11, 2012

"Quando o dinheiro fala a verdade emudece"

Há anos que ouvimos responsáveis políticos falarem da crise com afirmações que a seguir são desmentidas pela realidade. Entretanto, os dirigentes europeus dizem ir reunir 100 mil milhões para entregar a Espanha, cujo sistema bancário está muito fragilizado, para não dizer falido.

Nos últimos dois anos a Comissão Europeia pilotou, por duas vezes, uns ditos stress testes aos bancos europeus que em conclusão afirmaram que estava tudo sólido com excepção de umas três ou quatro Caijas. Na altura, houve quem afirmasse que aqueles testes eram uma fantochada. Hoje percebe-se que quem tal disse tinha inteira razão. Hoje percebe-se sobretudo que não se pode nem se deve acreditar nem nos responsáveis políticos europeus nem nos responsáveis políticos nacionais, sobretudo os “entendidos” que ainda há meses afirmavam que as coisas em Espanha estavam todas resolvidas.

terça-feira, março 27, 2012

Se acha, entregue ao dono


Do meu ponto de vista, o melhor embaixador que Portugal teve desde sempre na União Europeia chama-se Álvaro Mendonça e Moura, hoje colocado em Madrid. Sucedeu-lhe o Sr. Manuel Lobo Antunes (na foto, à esquerda do SEI e do administrador do Banif) , que fora Secretário de Estado dos Assuntos Europeus no consulado socratino, e que agora troca o circo de Bruxelas pelo Coliseu de Roma.

Eu, que vi passar todos os Reper desde 1985, considero que o Sr. Antunes foi o menos culto, o menos competente e o menos prestigiado de todos. Digo-o não porque me mova alguma má-vontade especial contra o sujeito, que até é simpático e pouco pretensioso, ou porque não seja capaz de lhe perdoar o facto de em cada despacho escrever erros de português, mas porque
me faz comichão ouvir um recém-chegado deslumbrado eurodeputado do PSD afirmar solenemente o contrário.

Aquela solidariedade da loja dos federalistas encanita-me.


sábado, março 17, 2012

A nova Cartago


« O declínio de Cartago » - Turner
1817

Do Presidente da República ao mais modesto organismo público lusitano, vinga um discurso e um comportamento comercial descaradamente proteccionista e alegadamente patriótico. Não deixa todavia de ser curioso que esta conversa do “faça férias cá dentro” ou do “compre nacional” alterne, nos mesmos actores, com apelos à solidariedade europeia ou à boa vontade merkeliana para que aliviem a pressão dos mercados financeiros e se disponham a mutualizar as dívidas públicas.

É compreensível que o taxista de Campanhã não perceba que a bota não diz com a perdigota, mas é inadmissível que haja responsáveis políticos que contrabandeiem a lógica e naveguem sorridentes nas contradições do mais abjecto populismo e da mais rasteira demagogia. Verdade se diga que essa duplicidade se alastra por todos os países membros da União Europeia, sendo que a campanha presidencial francesa vem constituindo um bom exemplo desse desmoronar da ideia base de construção de um espaço comum e de um mercado único.

E ainda há uns líricos que falam na federalização da coisa. Dir-se-ia que as palavras perderam todo o sentido, se esvaziaram de qualquer significado e se transformaram numa mera ladainha incoerente para exorcizar o fiasco e o declínio.

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Tens aí um lenço?

Consta que a Comissão Europeia declarou hoje que quer que a Grécia permaneça na zona euro. Não sei se foi uma declaração pessoal do SEI (Sua Excelentíssima Irrelevância), também conhecido por Presidente Barroso, ou uma afirmação de um dos trinta e quatro mil porta-vozes da dita.

Ele há cínicos para tudo, mas o que chateia é que nos façam passar por atrasados mentais. Ora se estão todos satisfeitos com esse novo tratado, a que chamam pacto (até das palavras têm medo...), que obriga a déficits que não ultrapassem 0,5% do PIB (coisa absolutamente impossível para os gregos como para nós), tratado que será invocado a seu tempo para apontar a porta de saída aos tinhosos das pontas, porque é que hão-de persistir nesta pantominice de largarem umas lágrimas de crocodilo sobre Atenas?

Adenda: à luz do acordo ortográfico de má memória, será que é mais pato do que pacto?


terça-feira, janeiro 31, 2012

Há rochedos sob as Concordias




Aquando das discussões preparatórias do Tratado de Nice, surgiu a ideia de criar a figura do juiz-residente do Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias, a quem incumbiria, em cada país, uma primeira filtragem das questões prejudiciais a serem enviadas àquele tribunal.

A gestão dos fundos estruturais na Bulgária revelou um tal nível de corrupção e de ineficácia que surgiu a ideia de criar a figura de um Alto Responsável europeu, instalado em Sofia, que acompanhasse e vigiasse in loco a aplicação daqueles dinheiros, com direito de veto sobre as medidas legislativas e administrativas nacionais conexas.

Na semana passada ouvimos falar dessa inspiração prussiana de nomear um Comissário “orçamentário” que teria a última palavra na aprovação e execução dos orçamentos nacionais dos países assistidos. Aliás, Mathias Moors, o funcionário que representa a Comissão na troika grega, já passa mais tempo em Atenas do que em Bruxelas.

Estas diferentes manifestações de centralismo europeísta revelam, a meu ver, a mais perversa derrapagem dos mecanismos da União e deveriam funcionar como alerta para os mais ingénuos que ainda não compreenderam a dinâmica bismarckiana em que estamos embarcados.

É certo que o diabo está nos pormenores e estes não são acessíveis ao comum dos mortais. Mas os dirigentes políticos têm obrigação de saber o que se passa e não podem enxutar a sua responsabilidade nessa deriva. Se houver Gauleiters, há igualmente quem lhes sirva de Stellvertretender.

quinta-feira, dezembro 08, 2011

Mais uma

A cimeira que hoje começa não vai resolver nada mas vai complicar tudo.
Mesmo que saia dali um consenso vago e um Comunicado cheio de adjectivos catitas, nem os mercados e muito menos as populações vão acreditar e ainda menos aderir.

A ideia subjacente mas não dita é a de que há países que não podem estar no euro. Vai daí, pensam que podem construir um esquema que leve esses países a terem de abandonar o euro mais cedo ou mais tarde. Tudo isto se passa e se passará com a maior das arrogâncias e indiferença em relação ao sentir dos povos. Há gente demais a falar de “mais europa”, sem saber o que é isso, nem para o que serve e sobretudo como e para quem serve.

Volta EFTA, que estás perdoada.

terça-feira, outubro 25, 2011

Detergentes pouco ecológicos

Muita gente concorda que os líderes europeus não têm estado à altura da situação.
Mas esta história dos líderes europeus está a transformar-se numa abstração. A categoria “líderes europeus” é o outro, um outro. E dela se escapulem prazenteiramente os que o foram, pois acham que o caso apenas diz respeito aos que agora lá estão. Veja-se a forma como o nosso Presidente ralha aos ventos: ele, que teve assento durante uma década no Conselho Europeu, é rápido a apontar o dedo, achando que esta situação caiu do céu e que ele não tem nada a ver com a arquitectura monetária europeia de que é co-autor pelos diferentes tratados que negociou e assinou.

O mesmo se diga dos sucessivos primeiros-ministros que de Soares a Sócrates incensaram o tratado de Lisboa, aplaudiram o tratado de Nice, concluiram o de Amesterdão e festejaram o de Maastricht, mas ajudaram a aumentar os problemas com as respectivas políticas esbanjadoras. Todos falam na irresponsabilidade do tal “outro”, enquanto tiram as castanhas do lume. Seria igualmente importante que o nosso Primeiro-Ministro também não se pônha fora da carroça, ou será que ele pensa que não é um líder europeu?

Pela mesma ordem de razões, tenho uma imensa dificuldade em ouvir o Presidente da Comissão apelar à responsabilidade dos “líderes europeus”. Em que cacifo se arruma ele? Qual foi ou é o seu plano para a saída da crise? Quando a Alemanha e a França sabotaram o Pacto de Estabilidade, estaria ele de baixa?

E tudo assim se afunila na Sra. Merkel, como se esse afunilamento também fosse obra do Espírito Santo (não menciono o Sr. Sarkozy pois o seu papel de “supporting actor” não o diferencia suficientemente dos outros figurantes). As reuniões de amanhã já nem sequer são verdadeiramente convocadas pelo Presidente Van Rompuy, mas pela Chanceler, assim como o “plano” a aprovar será aquele que apenas o parlamento alemão ontem discutiu.

Enfim...o "outro" que apague a luz.

sexta-feira, julho 22, 2011

A nova sintaxe



De repente, a generalidade dos comentadores e analistas que falam nas televisões tugas descobriu que a cimeira europeia aprovou o que eles próprios já defendiam há não sei quantos meses. A verdade é que eu não me lembro de ouvir muita gente propôr a reestruturação das dívidas ou denunciar a abusiva diferença de juros, mas o problema deve ser do meu Alzheimer galopante e não da desvergonha intelectual destes iluminados caseiros.

Entretanto impôs-se a evidência da necessidade de um perdão parcial da dívida, embora a coisa venha embrulhada num chorrilho de mecanismos e de palavrões. O curioso é que aqueles europeístas de pacotilha insistem em deixar bem claro que o ovo é exclusivamente grego e que o petisco não estará disponível para mais ninguém. Ainda há quem diga que a União é uma comunidade de Direito.

Eles dizem tanta coisa...

terça-feira, maio 10, 2011

Importa-se de repetir?


Ontem, 9 de Maio, a União Europeia, num daqueles actos viris para os quais acumula energias e viagra entre duas comemorações do dia da Europa, decidiu impôr um embargo à exportação de armas para a Síria, “armas que poderiam ser utilizadas para a repressão interna”.

As manifestações de rua contra a ditadura policial do oftalmologista-presidente Bashar al-Assad duram há longas semanas, com um rasto de mais de 700 mortos e cerca de 8.000 presos ou desaparecidos. E a coisa já não vai só a tiro de metralhadora, pois o regime pôs os seus tanques nas ruas. Repito: isto dura há semanas, mas a UE precisaria de um oftalmologista que não presida coisa nenhuma mas seja capaz de receitar pelo menos uns pares de óculos para os estrábicos europeus, já que a experiência demonstra que não há otorrino que lhes valha, tal a surdez face aos gritos dos torturados (talvez por estarem ao mesmo tempo ocupados a negociar um acordo Síria/UE).

Parece que também há uma lista de 13 nomes de responsáveis que a partir de hoje já não poderão ir aos desfiles de moda a Paris ou aos saldos de Milão, mas isso faz parte da fantochada habitual de contas ditas congeladas de uma dúzia de apaniguados: se calhar um deles é o motorista e uma outra a mulher-a-dias. Mas uma coisa é certa: nenhum é o al-Assad. Isso de chatear o Bashar vai mais devagarinho.

Se tudo isto não é uma pantominice, o que é que poderá ser?

quinta-feira, abril 14, 2011

ÚLTIMA HORA

E tudo começou a acelerar, e de que maneira.

A reestruturação da dívida grega parece iminente, ou pelo menos é hoje claramente apontada como muito provável.
Schaueble, o ministro das finanças alemão fez declarações ao “Die Welt” (entretanto desmentidas por um qualquer funcionário), que aumentaram a carga dramática da situação, visto admitirem que uma reestruturação da dívida grega implicaria um acordo de credores, dando a entender que uma parte é para colar ao tecto. Peritos da Standard & Poors declararam ao “Die Zeit” que o perdão de dívida precisaria de corresponder a um mínimo de 50%.

Perante tudo isto, os ‘credit default swaps’(CDS), uma espécie de seguros contra o não-pagamento, dispararam relativamente à Grécia, e sobem relativamente a Portugal e Espanha.
Espanha pede socorro aos chineses. Juros aumentam.
Na Europa ninguém se entende e há pânico.

Por cá, a notícia de primeira página do JN é que o Renato Seabra mudou de cadeia. Pois...

Bartolomeu, por onde andas?

segunda-feira, abril 11, 2011

É preciso ler isto

Hoje, no International Herald Tribune:

http://www.nytimes.com/2011/04/09/world/europe/09portugal.html?_r=2&ref=stevenerlanger

"...the indebted countries are not really getting bailouts, he (Simon Tilford, chief economist for the Center for European Reform in London) said, but loans at high interest rates. For these to be a real bailout, there would have to be a default."

e ainda

"...it is the taxpayers of Greece, Ireland and Portugal who are bailing out British, French and taxpayers and depositers - not the other way around"

sábado, abril 09, 2011

O tanas!


A “Europa” diz que não deve ser feita nenhuma auditoria pública às contas públicas portuguesas.

A “ Europa” diz que quer o programa de austeridade aprovado até meados de Maio, ou seja, antes dos resultados eleitorais, recusando-se a conceder um empréstimo-ponte.

A “Europa” diz com toda a clareza que esse programa será baseado naquele que o parlamento português rejeitou.

A “Europa” considera que isso de se tratar de um governo de gestão é assunto que não lhe diz respeito.

A “Europa” considera, portanto, que os eleitores portugueses:
a) Não têm nada de saber o que se passa nem qual é a real situação do país;
b) E que se querem brincar às eleições, que brinquem, mas o programa de governo é ela que decide.

Que esta “Europa” tenha estes genes democráticos não constitui para mim surpresa alguma. Que o ‘tuga’ que lá anda a fingir que preside a uma comissão qualquer alinhe neste despautério, tampouco me surpreende.

Mas que a globalidade da classe política portuguesa encaixe estes insultos como fruto de um destino (sem dúvida merecido) e sem uma palavra de repúdio e de desmascaramento já é revelador da choldra a que chegámos.

Que ao menos isto sirva de lição para os ingénuos que ainda julgavam que a União era democrática. O tanas!