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sábado, outubro 26, 2013

Papéis ao chão


Hoje escrevo para os que compraram o ‘Expresso’.
Comparem a foto da página  8 do suplemento ‘Economia’, com a da página 10. Ambas alindam a entrevista ao Sr. Pires de Lima, o disciplinado e muy leal ministro da economia.
Reparam naquelas folhas A4 espalhadas no chão? Ora voltem, por favor, a comparar as fotos. Já perceberam, não é verdade? É tudo encenado, claro, para dar um arzinho de espontaneidade dinâmica e empenhada. E o Sr. Ministro alinhou e alinha nestas coisas: “...e se puséssemos assim uma de lado, mas uma que tenha um gráfico qualquer?”

 Estes detalhes parecem relativamente inócuos. Pois eu acho que não o são.
Os peritos de imagem e de comunicação podem ser muito espertos e conseguir que certas mensagens subliminares nos toquem quando vemos um político saltar dois degraus por passada ou pousar o cotovelo de uma certa maneira. Mas há sempre o risco de se perceber a montagem e nesses casos é pior a emenda que o soneto. Se fossem só meia dúzia de papéis no chão, do mal o menos, mas o que estas folhas ali hoje revelam é que a política destes senhores desceu ao soalho. E lendo-se, confirma-se que a entrevista está ao nível.

 

quinta-feira, julho 04, 2013

A reforma do Estado

Aquilo que o CDS deveria ter exigido a Portas era que apresentasse, finalmente, o guião da reforma do Estado. Sem isso, mais poder não resolve os interesses do País.

quarta-feira, julho 03, 2013

A fábula do sapo e do lacrau

E o sapo perguntou:
Porquê? Porquê? Porque me mordeste, sabendo que podíamos ir os dois ao fundo?
E o Portas respondeu:
Porque eu sou um lacrau, e essa é a minha natureza.

terça-feira, maio 07, 2013

É claro!



“ Como é que se ficou à espera da bancarrota ? E qual é afinal o papel da Comissão Europeia, com o português Barroso, nisto tudo?
- Exactamente. O presidente da Comissão Europeia é, na parte económica, um desastre. Nas outras, faz o que lhe é pedido, sem pensamento próprio nem competência técnica, o que me aflige. Na Europa, deviam ser mais inteligentes.”
 
João Ferreira do Amaral na entrevista da última Revista Expresso “É claro que vamos sair do euro”

segunda-feira, abril 08, 2013

Pois...


Não me apetece comentar o chumbo pelo Tribunal Constitucional de 4 artigos do orçamento de Estado. Para o fazer teria de ler as 200 páginas e sinto-me sem forças anímicas ( também tu, Miguelito? ) para tal. Bem sei que a esmagadora maioria dos comentadores disse imediatamente imensas coisas sobre a matéria sem todavia ter lido uma linha do acordão. Por isso, também não me peçam para comentar os comentários ou os comentadores (também tu, Aníbal?).

Ouvi por aí umas narrativas (também tu, Zézito?) a clamarem que se pegue fogo à Constituição ou ao Tribunal. Acho-as engraçadas. Já pensei se tudo isto não terá sido um golpe genial de lançamento do livro do Vitor Bento “Euro forte, euro fraco” ou um remake daquele filme divertido “Courage, fuyons”. Daqui a bocado vem mais um em bicos de pés analisar a situação em nome da principal agremiação que nos trouxe aqui ( também tu, Tozézito?). E desconfio que a seguir voltam os outros todos a comentar esse comentário.

Tudo isto consolida a minha admiração pelo Carlos que consegue estóicamente ir até ao Porto Canal dizer de sua justiça sobre o passado, o presente e o futuro. Vá lá que entretanto a tarefa simplificou-se-lhe pois consta que deixou de haver futuro, mas em contrapartida parece que há vários e diferentes passados. Como diz o meu barbeiro: “passaram-se”.

Passem bem!

segunda-feira, março 11, 2013

A desesperança


A primeira condição para que desponte uma luz lá longe é a de que o país perca de vez a esperança. A esperança de que nos falam os Vitorinos e os Machetes, a esperança que enche os sermões dos optimistas, a esperança cavaquista de que se não era em 2012, será em 2013, mas certo certo em 2014 ou então 2015. Essas esperanças são a tralha e o lixo tóxico que nos mantêem de joelhos a orar, a pedir, a resmungar, a encaixar, a aguentar, enfim, a morrer devagarinho, com respeitinho, educadinho, bem castradinho, amén.

Não há nada a esperar da Europa dos Barrosos, não há nada a esperar dos partidos do Governo, não há nada a esperar do PS, nada a esperar do PC ou do Bloco. Ainda menos há a esperar o que quer que seja de útil ou de interessante do Cavaco, do Cardeal, do Benfica ou do Ulrich. No momento, no dia ou na semana em que uma parte importante das pessoas se der conta de que não há nada a esperar de bom, então sim, pode ser que algo de bom comece a acontecer, pois essas pessoas, ao perceberem que esta tropa fandanga que nos embala são a tampa que nos impede de saltar da panela, essas pessoas arrebentarão com o tacho.

É ao que chegámos. Sim, eu sei, é tudo muito radical, é desconfortável e é sobretudo arriscado. Era tão bom confiar no euro e na bondade deles. Era tão bonito aquilo da solidariedade e do grande mercado e das quatro liberdades. Então e a Constituição? Não era ela uma das mais avançadas, mais progressistas, mais garantistas? E a nossa credibilidade externa tem crescido, ainda esta manhã ouvi dizer.  Pois...                                                                                                                                                            

Sabem onde está o contentor de lixo mais próximo da vossa casa, do vosso escritório, da vossa escola? Levem essa gerigonçada toda e deitem-na lá. Façam isso como medida de salubridade pública mental. Deitem lá as vossas crenças na moeda única e na dita honra de pagar a dívida, despejem junto às cascas de fruta e às embalagens amassadas os discursos da tal esperança, cheios do bom-senso morno e inútil e sublinhados de sorrisos a esconder a mentira e a fraude.

Mete medo? Claro que assusta, mas sentir-vos-eis mais aliviados, mais preparados e aparentemente mais sózinhos. Largai lá toda a esperança, como se tivésseis entrado no inferno. O camião há-de recolher esse lixo e levá-lo para onde ele deve morar, o aterro. E então, sim, regressai porque há tarefas que nos esperam e um recomeço que já tarda. E há-de ser um dia, e a seguir outro dia. Só haverá amanhã se deixares de esperar. Contra o desespero, a desesperança. Bora!

sexta-feira, março 08, 2013

Fia-te no azul!



http://videos.sapo.pt/fFRChFy3CrFoBRzZ4FhO

Estas declarações de António Vitorino sobre a necessidade de esperança e de azul devem fazer as delícias de todos os beatos e almas pequeninas que acham que não é bom só dizermos mal e que importa realçar os casos de sucesso para nos afagar a auto-estima e curar a ressaca do desastre.

Trata-se obviamente de uma conversa da treta, com a particularidade que é sempre dita por quem está bem na vida e a quem a crise passa ao largo.

Esta esperança de que o Vitorino fala é a ilusão, o engano e o engôdo. E transporta em si o apelo a que as pessoas desistam de resolver os problemas e esperem que alguém trate do assunto, até porque esta esperança é sempre a miragem de que o tempo e uma outra qualquer terceira entidade vão aparecer com as soluções.

É um “tenham paciência, que o mal não dura sempre”. Se hoje não estás bem, amanhã vai ser melhor, e se não puder ser já amanhã, não te esqueças que de qualquer maneira há umas 80 virgens à tua espera e um prémio (lá está a conversa do prémio) de um vale de mel eterno entre as nuvens (lá está o tempo de volta) depois de te enterrarem no chão.

Fia-te no azul!

quinta-feira, junho 14, 2012

O economês bruxelense


Sabem o que é que quer dizer um banco com risco sistémico ?
Os bancos cuja eventual falência pônha em causa a boa perfomance dos bancos alemães ou franceses são bancos que comportam um risco sistémico; os bancos cuja falência pode ‘chatear’ muita gente mas se isso não belisca um banco alemão ou francês, então esses  bancos não envolvem risco sistémico. É esta a verdade crua que subjaz à nova semântica bruxelense.

Por outras palavras: quando, por exemplo, o Banif der o estouro, deixá-lo-ão ir ao charco, mais os seus depositantes, se com isso nenhum banco alemão ou francês perder penas.

Sabem o que quer dizer, no quadro da imaginada união bancária, a garantia de um fundo europeu para os depositantes de um banco em apuros?

Significa que só os depositantes de um banco com risco sistémico poderão beneficiar desse fundo de garantia. Os outros, passem bem...

Engraçado, não é?


quarta-feira, junho 13, 2012

Dâmasos e Gouvarinhos

O Sr. Gaspar diz que não conhece as condições do resgate espanhol. Aliás, ao que parece, ninguém conhece ao certo as condições e juros desse pacote de 100 mil milhões. Mas o ministro alemão diz que há condições, embora o Sr. Rajoy queira fazer crer o contrário.

Tudo isto já diz em si  alguma coisa sobre como se decidem os dossiers na União Europeia. Se as pessoas soubessem metade de como tudo se passa, deitavam as mãos à cabeça e agarravam estes políticos pelos colarinhos. Mas há sempre uma imprensa benévola e uns correspondentes simpáticos que por ingenuidade, preguiça, conivência ou mera incompetência vendem uma imagem profissionalizada do que não passa de uma feira de garnisés.

A ideia “mágica” do momento é a de uma “união bancária”. O que é isso e quem e como tal se organiza e se dirige ninguém explica porque no fundo ou não sabem ou sabem bem demais.  Mas que importa? Fala-se nisso como se falava em “mais europa”, ou em “união fiscal”, ou outras boutades do género. E há os que fingem que percebem para não parecerem parvos, há os que julgam que percebem por serem ingénuos e os que percebem mas calam por serem uns rematados sabujos.


segunda-feira, junho 11, 2012

"Quando o dinheiro fala a verdade emudece"

Há anos que ouvimos responsáveis políticos falarem da crise com afirmações que a seguir são desmentidas pela realidade. Entretanto, os dirigentes europeus dizem ir reunir 100 mil milhões para entregar a Espanha, cujo sistema bancário está muito fragilizado, para não dizer falido.

Nos últimos dois anos a Comissão Europeia pilotou, por duas vezes, uns ditos stress testes aos bancos europeus que em conclusão afirmaram que estava tudo sólido com excepção de umas três ou quatro Caijas. Na altura, houve quem afirmasse que aqueles testes eram uma fantochada. Hoje percebe-se que quem tal disse tinha inteira razão. Hoje percebe-se sobretudo que não se pode nem se deve acreditar nem nos responsáveis políticos europeus nem nos responsáveis políticos nacionais, sobretudo os “entendidos” que ainda há meses afirmavam que as coisas em Espanha estavam todas resolvidas.

terça-feira, junho 05, 2012

Bonds, not James...


Os (agora) chamados ‘project bonds’ são uma farsa pobre.
Em primeiro lugar, não têm novidade nenhuma pois nada impede um dado consórcio de emitir obrigações para financiar a execução de um projecto. Aliás, já há o BEI e o BERD.

Em segundo lugar, reflectem uma vez mais a ideia gasta de que com mais uma auto-estrada ou um comboio que ande a 200 à hora a Europa cresce e o desemprego diminui. Como diria a Ferreira Leite, talvez o desemprego de ucranianos ou moldavos e o que crescerá sem dúvida é a dívida.

Em terceiro lugar, a crise económica, financeira e bancária que nos assola não se resolve com outro túnel sob a Mancha ou uma ponte entre Roma e Marselha. O que é necessário é uma política, não são uns tiros avulsos.
Em quarto lugar, ninguém explica quem e como se decide que projectos merecem ser assim financiados: a triste experiência diz-nos que são os centralistas a nível europeu e os seus arautos locais que têm a exclusiva sabedoria de saber onde importa investir, o que normalmente ocorre à porta deles.

Em quinto lugar, a gente compreende que a indústria francesa ou alemã ou italiana gostaria bem de encontrar uns tolos que lhe escoem os stocks de carruagens ou de candeeiros ou de cimento e que depois lhes fiquem prisioneiros por décadas por razões de manutenção e de peças sobressalentes. ‘Obrigadinho, mas bata na porta ao lado’.

Os proponentes de ‘project bonds’ são os vendedores reciclados de enciclopédias que têm bonecos e tudo. Quem avisa, amigo é.

sexta-feira, junho 01, 2012

bratach na hÉireann

Daqui a duas horas deve haver notícias mais definitivas sobre os resultados do referendo irlandês sobre o chamado “Pacto Orçamental”.
Às 14.47h só faltava contar os votos de 4 circunscrições (há 43).
Do contado àquela hora, concluia-se que a abstenção rondaria os 50% e dos votos expressos 60% serão a favor e 40% contra o tratado.

Dir-se-ia que nunca a participação foi tão baixa. Há um perfume de desistência, de rendição neste voto, um voto sem entusiasmo e mais resignado que aderente.  
Quando se forçam os povos desta maneira, o resultado a prazo não pode ser bom. A Europa vai de vitória em vitória até ao desastre final. Nem podia ser de outra maneira, quando se promove e espalha o medo do medo.

quarta-feira, maio 30, 2012

O sistema boomerang


Embora o Banco Central Europeu não divulgue os números, consta que terá acumulado entre 35 a 55 mil milhões de euros em bonds da dívida grega. A esmagadora maioria desses bonds foram comprados nos últimos dois anos com grande desconto, dado o risco envolvido.

Mas o BCE cobra todos os meses os juros que lhe são devidos pelos bonds gregos que vão a vencimento. Ou seja, calcula-se que o BCE esteja neste momento a receber um juro global de cerca de 10% sobre aquele valor, tendo em conta o preço de desconto com que comprou aqueles títulos. Nada mau.

É interessante perceber quem paga esses juros. É claro que é o Estado grego. Mas como? Com o dinheiro que a Troika, ou seja UE+FMI+BCE, lhe envia. A coisa funciona assim: a Troika deposita periodicamente os montantes parcelares da “ajuda” numa ‘escrow account’ de um banco grego (um tipo de conta vinculada, género fideicomisso), onde ficam uns 3 a 4 dias para logo voltarem para trás a título de juros. Cerca de 2/3 dos cerca de 141 mil milhões que desde Maio 2010 foram ‘ajudar’ a Grécia apenas lá fizeram uma curta escala técnica pois rapidamente voltaram para os titulares dos bonds gregos de que ¾ estão hoje nas mãos da própria Troika. Como diria o Pessa, e esta hem?

Já agora, talvez não fosse despiciendo que os que no Terreiro do Paço falam muito em transparência nos contassem os números e os caminhos da “ajuda” da Troika a Portugal. Já agora...apenas para saber se é um Frog ou um Dubee.
Ai não? Não pode ser? Pronto, pronto não se fala mais nisso

sexta-feira, maio 11, 2012

'Ninguém pode partir , nós é que podemos expulsar'


E se a Grécia sair do euro e isso se revelar um sucesso para a própria Grécia?
Os políticos alemães que agora admitem abertamente que se a Grécia for embora daí não vem mal ao mundo do euro serão os mesmos que, nessa situação, tudo farão para que os gregos amarguem duramente e longamente e sirvam de exemplo aos que tenham a veleidade de partir.

O maior risco que corre o euro nesta fase não é, a meu ver, que este ou aquele membro se separe. O maior risco é que, em tal acontecendo, essa ida se transforme a curto prazo (3 a 5 anos) numa história de sucesso. Sucesso nesse caso significa não apenas voltar a crescer mas voltar a crescer mais que os países da zona euro. É esse o medo escondido, silencioso e perverso que pesa entre as palavras das falsas alternativas que são afinal falsas distrações.

sábado, março 17, 2012

A nova Cartago


« O declínio de Cartago » - Turner
1817

Do Presidente da República ao mais modesto organismo público lusitano, vinga um discurso e um comportamento comercial descaradamente proteccionista e alegadamente patriótico. Não deixa todavia de ser curioso que esta conversa do “faça férias cá dentro” ou do “compre nacional” alterne, nos mesmos actores, com apelos à solidariedade europeia ou à boa vontade merkeliana para que aliviem a pressão dos mercados financeiros e se disponham a mutualizar as dívidas públicas.

É compreensível que o taxista de Campanhã não perceba que a bota não diz com a perdigota, mas é inadmissível que haja responsáveis políticos que contrabandeiem a lógica e naveguem sorridentes nas contradições do mais abjecto populismo e da mais rasteira demagogia. Verdade se diga que essa duplicidade se alastra por todos os países membros da União Europeia, sendo que a campanha presidencial francesa vem constituindo um bom exemplo desse desmoronar da ideia base de construção de um espaço comum e de um mercado único.

E ainda há uns líricos que falam na federalização da coisa. Dir-se-ia que as palavras perderam todo o sentido, se esvaziaram de qualquer significado e se transformaram numa mera ladainha incoerente para exorcizar o fiasco e o declínio.

sábado, dezembro 10, 2011

Here comes the sun...

Não será (por ora, espero) ao nível do Tratado que a UE inscreverá as regras necessárias para dar ao €uro a paternidade que tanto carece. Continuará a ser um clube de sócios, posto que agora com novos estatutos anunciados para fins de Março próximo. Mas a coisa mexe. E desta feita com medidas que vão no sentido, não da defesa do país A ou B, mas duma real defesa do €uro, pois que tocam já a raiz do seu problema. Confiemos, assim, na sobrevivência da nossa moeda.

D. Cameron fica (ou vai ficando, espero) de fora. Falhou a sua tentativa de criar, e liderar, um hipotético grupo de 10 (os “out”) que gostaria de contrapor ao grupo dos 17 (os “in”). Fica sem grupo e isolado dos 26, liderando apenas a sua ilha, mas liderado ainda pela sua querida “city”, embora continuando a usufruir do seu “single market” europeu.

Mas, deixemo-nos de tretas, a crise continua a ser a da dívida e, nesta matéria, só pelo trabalho de casa de cada estado membro ela poderá vir a ser controlada. Trabalho que, naturalmente, só é feito quando ditado pela necessidade, como ora sucede.

Neste sentido, também por cá a coisa vai mexendo. Temos já orçamento para 2012 que, por mais que isso desgoste ao Sr. Cavaco Silva (e seu porta-voz Marcelo R. Sousa) toca, finalmente, na despesa. Temos também maioria com vontade política para o cumprir. O que será ainda facilitado se as medidas ora anunciadas na Cimeira da União acalmarem, como também espero, a turbulência que tem pairado sobre os mercados.

Quem poderia imaginar que algum dia a UE iria conseguir vender uma harmonização orçamental aos seus membros? Quem poderia imaginar que algum dia o nosso Estado iria fazer cortes em despesas com pessoal, consideradas como “conquistas irreversíveis”?

É caso para dizer: Bendita Crise!

quinta-feira, dezembro 08, 2011

Mais uma

A cimeira que hoje começa não vai resolver nada mas vai complicar tudo.
Mesmo que saia dali um consenso vago e um Comunicado cheio de adjectivos catitas, nem os mercados e muito menos as populações vão acreditar e ainda menos aderir.

A ideia subjacente mas não dita é a de que há países que não podem estar no euro. Vai daí, pensam que podem construir um esquema que leve esses países a terem de abandonar o euro mais cedo ou mais tarde. Tudo isto se passa e se passará com a maior das arrogâncias e indiferença em relação ao sentir dos povos. Há gente demais a falar de “mais europa”, sem saber o que é isso, nem para o que serve e sobretudo como e para quem serve.

Volta EFTA, que estás perdoada.

quinta-feira, novembro 10, 2011

Falem baixinho...




George Provopoulos é o governador do Banco central grego. Ontem declarou que a situação naquele país exige uma clarificação urgentíssima. Na verdade, um outro banqueiro grego afirma que só na semana passada os gregos retiraram dos bancos 5 mil milhões de euros (isto é, 3% do total dos depósitos). Quem pode, põe o dinheiro no estrangeiro. A isto chama-se “run”, mas a palavra só pode ser dita em surdina, pois está proibida.
Viva a liberdade de movimento de capitais!

sexta-feira, novembro 04, 2011

On a marre!

Ao ler-se o Comunicado Final da reunião de Cannes do G20, percebe-se que este grupo se deixou contagiar pelo vírus que há muito infecta as cimeiras europeias: a vacuidade, o relambório de coisa nenhuma, um palavreado interminável (95 pontos extensos) para dizer que em Fevereiro é que vai ser, enfim, uma estupada e uma chatice cheia de vento e de nada.

Muitos parabéns!

(http://www.g20-g8.com/g8-g20/g20/english/for-the-press/news-releases/cannes-summit-final-declaration.1557.html)

quinta-feira, novembro 03, 2011

Erros de paralaxe

A força da Europa e por causa desta Europa:

a) O primeiro-ministro espanhol vai-se embora dentro de um mês;
b) O primeiro-ministro italiano está por um fio e duvida-se que dure até ao Natal;
c) A primeira-ministra dinamarquesa assumiu funções há muito pouco tempo;
d) O esperado primeiro-ministro belga ainda não assumiu funções;
e) O primeiro-ministro holandês não sabe se consegue manter a coligação;
f) O presidente francês perde, nas sondagens, para o candidato socialista;
g) O primeiro-ministro grego talvez não se aguente mais duas semanas;
h) O primeiro-ministro luxemburguês já só pensa na reforma;
i) A primeira-ministra eslovaca demitiu-se há poucas semanas;
j) O primeiro-ministro finlandês esgota-se a tentar gerir a sua coligação;
l) A chanceler alemã perde votos em cada eleição estadual;
m) O primeiro-ministro inglês sobrevive a uma revolta dos seus backbenchers;

etc; etc.

Como diz alguém que prezo: "tamos juntos"