Em 1906, numa feira em Plymouth, 800 pessoas participaram num concurso para adivinhar o peso de um touro. Verificou-se então que a média (ou a mediana) divergia apenas 1% do peso exacto do animal.
Este é um exemplo clássico da sabedoria das multidões.
O tema, para quem tenha interesse, é tratado no livro Wisdom of Crowd, um best seller da gestão, e que desenvolve a teoria de que o conjunto dos julgamentos individuais de uma determinada multidão tem um elevado grau de probabilidade de conduzir a um resultado tão certeiro como o julgamento de um especialista. Isto aplica-se a várias áreas, da gestão à política. Parece que já Aristóteles falava da Sabedoria das Multidões.
É difícil gerir um país apenas com a aplicação deste método. Mas também parece que é impossível fugir àquilo que são os grandes anseios das populações. E, especulando com pouco risco, não é difícil adivinhar que aquilo por que muita gente espera é por uma alternativa ao actual sistema. Nos dias de hoje está especialmente em causa o sistema político, os políticos que o sistema gera, e os processos de decisão que são seguidos. Espera-se, na sequência, um novo tipo de protagonistas e uma nova maneira de encarar a vida política. O que existiu até agora é uma desilusão, e a forma como é encarada a carreira política teve resultados tenebrosos. Não há nenhum sentimentos de gratidão para com os políticos, precisamente porque se tem a ideia que não existe nenhum espírito de serviço ou de missão.
A questão é a de saber quem pode liderar esta transformação. O ideal seria o colapso do actual sistema partidário, com uma reconstituição de um novo modelo, democrático e partidário. Mas isso parece impossível, infelizmente.
Resta imaginar quem, dentro de cada partido, pode assumir este desafio.
Sigo com particular atenção o CDS. Portas é (sabedoria das multidões) um líder inteligente e sagaz, e que tem uma invulgar capacidade de comunicação. É também (sabedoria das multidões) um líder com um conjunto de seguidores, ligados mais ao carisma que à missão. É ainda (sabedoria das multidões) um político pouco confiável, envolvido desde há muitos anos em problemas judiciais. Apesar de nunca se ter provado nada, não existe (sabedoria das multidões) a certeza da sua inocência. Há até (sabedoria das multidões) a impressão que alguma coisa houve.
Naturalmente que não se pode dizer que é impossível que Portas tenha a sua estrada de Damasco. Mas ninguém acreditará que um dos agentes do actual sistema se transforme, de repente, num impulsionador de uma mudança. Mudança de estilo, de maneira de ser, de processos.
A saída de Portas e do portismo deve estar para breve. E não faltarão, nessa altura, comentadores a referir que se tratará de mais uma consequência do fim do BES. Resta saber o que irão pensar as multidões.
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sábado, dezembro 20, 2014
Submarinos II ou a Sabedoria das Multidões
sexta-feira, abril 25, 2014
João Lopes Porto II
Todos nós temos memórias. Nas minhas memórias mais longínquas está o camarada Nortadas João Porto. Temos exatamente a mesma idade, resultado da circunstância de termos nascido no mesmo dia.
Os nossos pais já eram amigos, e nós crescemos juntos. Brincámos juntos, passámos férias juntos, e andámos na mesma turma anos a fio. A certa altura até fui viver para casa do João. Fui tratado sempre como um filho. São coisas que não se esquecem.
Por tudo isto conheci bem o pai do João. Era muito inteligente, ponderado e sensato. Tinha ainda, marca relevante, um afinadíssimo sentido de humor. E como era um homem bom, não admira que tenha sido recrutado para o que de mais importante aconteceu, neste país e na cidade do Porto. Ajudou a fundar o CDS, foi membro do governo por 2 vezes e vereador na Câmara do Porto. Foi fundamental no lançamento do metro do Porto e em muitas outras coisas. E tudo isto com um envolvimento discreto e muito eficiente em várias obras ligadas à Igreja.
Como é próprio das pessoas desta dimensão, achava que não fazia nada de especial. Encarava com naturalidade, dedicação e sobriedade tudo o que fazia. E teve, no entanto, enorme relevo académico, político, cultural e social.
Como é próprio das pessoas desta dimensão, achava que não fazia nada de especial. Encarava com naturalidade, dedicação e sobriedade tudo o que fazia. E teve, no entanto, enorme relevo académico, político, cultural e social.
O camarada João Porto está triste, e nós aqui no Nortadas estamos com o João.
quarta-feira, dezembro 04, 2013
Já está a mudar
Há uns anos atrás, Pedro Burmester prometeu que não voltaria a tocar no Porto enquanto Rui Rio fosse Presidente da Câmara. Cumpriu a promessa. No domingo, pelas 18h, P Burmester voltará a tocar no Porto, na Casa da Música. Mal se soube, comprei logo 2 bilhetes. E na altura, há já umas semanas, só consegui a 2ª fila. A esta hora parece que a Casa está esgotada.
A Câmara Municipal também já normalizou as relações com o FC Porto. É o que é normal em qualquer parte do mundo.
Gosto mais assim, com a Câmara reconciliada com a cidade.
A Câmara Municipal também já normalizou as relações com o FC Porto. É o que é normal em qualquer parte do mundo.
Gosto mais assim, com a Câmara reconciliada com a cidade.
Palavras chave:
camara municipal do porto,
casa da música,
fcp,
jac,
rui rio
domingo, setembro 29, 2013
Parabéns ao Rui Moreira
Quero dar os meus sinceros parabéns ao Rui Moreira. E mais do que os parabéns, quero desejar felicidades para este novo desafio. A minha escolha era outra, e só espero ter-me enganado. O Porto dos últimos anos não resistirá aos próximos. Espero que isto mude rapidamente, e que em breve nos tenhamos esquecido de Rui Rio.
Como diz o Pena, a bem da Nação!
Como diz o Pena, a bem da Nação!
quinta-feira, julho 04, 2013
A reforma do Estado
Aquilo que o CDS deveria ter exigido a Portas era que apresentasse, finalmente, o guião da reforma do Estado. Sem isso, mais poder não resolve os interesses do País.
quarta-feira, julho 03, 2013
A fábula do sapo e do lacrau
E o sapo perguntou:
Porquê? Porquê? Porque me mordeste, sabendo que podíamos ir os dois ao fundo?
E o Portas respondeu:
Porque eu sou um lacrau, e essa é a minha natureza.
Porquê? Porquê? Porque me mordeste, sabendo que podíamos ir os dois ao fundo?
E o Portas respondeu:
Porque eu sou um lacrau, e essa é a minha natureza.
quarta-feira, maio 29, 2013
quarta-feira, abril 17, 2013
terça-feira, fevereiro 12, 2013
Bento XVI - 2
Há uma outra reflexão que nos pode ajudar a perceber a renúncia de Bento XVI. É uma perspectiva simbólica, porque deduzida através dos símbolos.
A imagem de João Paulo II é a imagem do sofrimento, da renúncia, da aceitação conformada dos desígnios de Deus.
João Paulo II escolheu como símbolo (se é que se pode dizer assim) do seu papado uma imagem de Cristo na cruz. A cruz vergada pelo peso do sofrimento. O sofrimento como caminho para a Santidade.
Bento XVI, pelo contrário, escolheu uma cruz sem Cristo. Cristo ressuscitado, sinal de Esperança, já não está na Cruz. Ressuscitou e está entre nós.
Bento XVI não quer que o caminho da Salvação esteja necessariamente associado ao sofrimento. A mensagem da Igreja é uma mensagem de Esperança, própria do Cristo-Rei ressuscitado.
O Papa não quer ser ele próprio um sinal de velhice, de sofrimento, de caminho para a morte. Principalmente não quer a ideia de que o caminho para o Céu (seja lá o que isso for) tem de passar pela dor.
A renúncia surge numa altura de lucidez plena. A lucidez de quem sabe que o sucessor de Pedro tem de ser portador de Esperança.
A imagem de João Paulo II é a imagem do sofrimento, da renúncia, da aceitação conformada dos desígnios de Deus.
João Paulo II escolheu como símbolo (se é que se pode dizer assim) do seu papado uma imagem de Cristo na cruz. A cruz vergada pelo peso do sofrimento. O sofrimento como caminho para a Santidade.
Bento XVI, pelo contrário, escolheu uma cruz sem Cristo. Cristo ressuscitado, sinal de Esperança, já não está na Cruz. Ressuscitou e está entre nós.
Bento XVI não quer que o caminho da Salvação esteja necessariamente associado ao sofrimento. A mensagem da Igreja é uma mensagem de Esperança, própria do Cristo-Rei ressuscitado.
O Papa não quer ser ele próprio um sinal de velhice, de sofrimento, de caminho para a morte. Principalmente não quer a ideia de que o caminho para o Céu (seja lá o que isso for) tem de passar pela dor.
A renúncia surge numa altura de lucidez plena. A lucidez de quem sabe que o sucessor de Pedro tem de ser portador de Esperança.
Bento XVI
Na minha muito humilde perspectiva, acho que é já possível tentar algumas reflexões sobre este papado de Bento XVI.
Por um lado, a escolha pelo Cardeal Ratzinger do nome Bento tem de ter um significado. Em especial, conhecendo o seu perfil altamente intelectual, a invocação de São Bento deve ser vista como um sinal. São Bento é o padroeiro da Europa. E a Europa apresenta-se, nos dias de hoje, como portadora de um conjunto de valores com vocação universal. Há, de facto, visões europeias que se espera que tenham acolhimento noutras zonas do mundo. O ponto é o da dignidade da pessoa humana. E é a partir daqui que, por exemplo, nasce a proibição da pena de morte e a igualdade entre homens e mulheres. Este é um património europeu, assente e construído sobre os valores (e a tradição, culturalmente falando) judaico-cristãos. Acho que foi a este património a que o Papa quis dar relevo quando escolheu ser Bento XVI.
Para o primeiro ano do seu papado, Bento XVI escolheu a figura exemplar de São Paulo. Sinto que é uma escolha que se insere na lógica da escolha do nome. São Paulo é o primeiro teólogo, com uma teologia verdadeiramente actual e, diria, europeia. O "não há grego nem romano" porque somos todos filhos de Deus, é um apelo forte à igualdade entre todos e, por isso mesmo, há defesa da dignidade da pessoa humana.
Neste ponto diria que Bento XVI esteve verdadeiramente na vanguarda.
Um outro ponto que pode ser objecto de balanço é que havia o receio de um retrocesso nas posições da Igreja. Dizia-se que este Papa era um radical, que era o guardião das posições radicais, e que se temia o pior. A verdade é que tivemos um Papa tolerante, embora firme.
A isto não é indiferente o seu elevado perfil intelectual. Ratzinger há muito que defende uma conciliação entre Fé e Razão, e coloca essa visão em prática. Sugiro, só para ter um cheirinho, o diálogo entre Ratzinger e Habermaas sobre os fundamentos do poder no Estado. Eu tive a oportunidade o de ler numa edição da Revista Estudos, do CADC. E vale a pena poder ver o elevando nível de uma discussão entre Ratzinger e um dos símbolos máximos do racionalismo contemporâneo.
Tivemos um Papa de grande profundidade de pensamento, e altamente consciente da realidade que o rodeia. É, provavelmente, essa consciência que provoca esta sua decisão.
Por fim, parece que ainda é cedo para medir todo o significado actual e futuro de uma renúncia papal, assente na avançada idade. Mas sinto que a partir de agora as coisas mudaram. Sinto que as escolhas recairão sobre cardeais mais jovens, e que a renúncia passará a ser a regra.
Por um lado, a escolha pelo Cardeal Ratzinger do nome Bento tem de ter um significado. Em especial, conhecendo o seu perfil altamente intelectual, a invocação de São Bento deve ser vista como um sinal. São Bento é o padroeiro da Europa. E a Europa apresenta-se, nos dias de hoje, como portadora de um conjunto de valores com vocação universal. Há, de facto, visões europeias que se espera que tenham acolhimento noutras zonas do mundo. O ponto é o da dignidade da pessoa humana. E é a partir daqui que, por exemplo, nasce a proibição da pena de morte e a igualdade entre homens e mulheres. Este é um património europeu, assente e construído sobre os valores (e a tradição, culturalmente falando) judaico-cristãos. Acho que foi a este património a que o Papa quis dar relevo quando escolheu ser Bento XVI.
Para o primeiro ano do seu papado, Bento XVI escolheu a figura exemplar de São Paulo. Sinto que é uma escolha que se insere na lógica da escolha do nome. São Paulo é o primeiro teólogo, com uma teologia verdadeiramente actual e, diria, europeia. O "não há grego nem romano" porque somos todos filhos de Deus, é um apelo forte à igualdade entre todos e, por isso mesmo, há defesa da dignidade da pessoa humana.
Neste ponto diria que Bento XVI esteve verdadeiramente na vanguarda.
Um outro ponto que pode ser objecto de balanço é que havia o receio de um retrocesso nas posições da Igreja. Dizia-se que este Papa era um radical, que era o guardião das posições radicais, e que se temia o pior. A verdade é que tivemos um Papa tolerante, embora firme.
A isto não é indiferente o seu elevado perfil intelectual. Ratzinger há muito que defende uma conciliação entre Fé e Razão, e coloca essa visão em prática. Sugiro, só para ter um cheirinho, o diálogo entre Ratzinger e Habermaas sobre os fundamentos do poder no Estado. Eu tive a oportunidade o de ler numa edição da Revista Estudos, do CADC. E vale a pena poder ver o elevando nível de uma discussão entre Ratzinger e um dos símbolos máximos do racionalismo contemporâneo.
Tivemos um Papa de grande profundidade de pensamento, e altamente consciente da realidade que o rodeia. É, provavelmente, essa consciência que provoca esta sua decisão.
Por fim, parece que ainda é cedo para medir todo o significado actual e futuro de uma renúncia papal, assente na avançada idade. Mas sinto que a partir de agora as coisas mudaram. Sinto que as escolhas recairão sobre cardeais mais jovens, e que a renúncia passará a ser a regra.
segunda-feira, janeiro 28, 2013
Sugestão
Sugiro que a próxima conferência sobre a reforma ou reorganização do Estado seja organizada fora de Lisboa. Por exemplo em Guimarães.
quarta-feira, julho 18, 2012
quarta-feira, maio 30, 2012
Relatórios
Eu estava relativamente tranquilo com o facto de poder andar a ser espiado. Mas as notícias sobre o Ricardo Costa deixam-me preocupado. Se eles vão até aos tempos do liceu pode ser que encontrem qualquer coisa...
Inocência
Não tenho grandes dúvidas quanto à inocência de Relvas. É inocente, no sentido em que se sente inocente. O problema é precisamente esse sentimento de inocência, essa falta de consciência dos limites. Tem de ser demitido, e de preferência ainda esta semana.
quinta-feira, março 22, 2012
O melhor vinho do Mundo
Lá em casa os melhores vinhos do Mundo são os do Douro.
Há quase todos os dias espaço para um tawny. Se for do Vallado chega um 10 anos. Ou então do Noval. E por falar em Noval, diz o Gardini que o Noval Vintage 2003 é o melhor vinho do Mundo.
O Gardini tem bom gosto, e ainda não provou o Palato Reserva...
Há quase todos os dias espaço para um tawny. Se for do Vallado chega um 10 anos. Ou então do Noval. E por falar em Noval, diz o Gardini que o Noval Vintage 2003 é o melhor vinho do Mundo.
O Gardini tem bom gosto, e ainda não provou o Palato Reserva...
terça-feira, março 20, 2012
A 2ª descoberta da roda
terça-feira, fevereiro 14, 2012
Esta é repetida
Não devemos brincar com o que se passa no Sporting. É uma questão de respeito pelo próximo...
terça-feira, fevereiro 07, 2012
Deep Purple & Led Zeppelin & Eric Clapton & The London Symphony Orchestra
Smoke on the water
sugestão do Vasco, do Mar Salgado
segunda-feira, fevereiro 06, 2012
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O Público dedica hoje uma página inteirinha ao assunto do Manuel Gonçalves e à reunião da Câmara do Porto, amanhã dia 7 de fevereiro.
A história, em si mesma, não vale um caracol. Todos nós nos enganamos, ou atropelamos o emaranhado de leis que se cruzam no nosso caminho. O inocente, e certamente sincero, “não sabia” resolveria o assunto em três penadas. Por isso, vai daqui um abraço ao Manuel Gonçalves, que merecia melhor sorte.
O que é estranho é o comportamento do CDS, partido onde tudo se passou e continua a passar. Agora já ninguém pode, com sinceridade, dizer “não sabia”. E os dias continuam a passar, num comprometimento crescente entre todos. Esse silêncio coloca Rui Rio em sérias dificuldades, e representa uma falta de lealdade que é, aos olhos do cidadão comum, indecente.
É também muito curioso reparar no silêncio comprometedor de Paulo Portas, ou dos 6 vice-presidentes, ou do porta-voz do partido. Trata-se afinal de contas do secretário-geral adjunto, figura nacional do PP.
A história, em si mesma, não vale um caracol. Todos nós nos enganamos, ou atropelamos o emaranhado de leis que se cruzam no nosso caminho. O inocente, e certamente sincero, “não sabia” resolveria o assunto em três penadas. Por isso, vai daqui um abraço ao Manuel Gonçalves, que merecia melhor sorte.
O que é estranho é o comportamento do CDS, partido onde tudo se passou e continua a passar. Agora já ninguém pode, com sinceridade, dizer “não sabia”. E os dias continuam a passar, num comprometimento crescente entre todos. Esse silêncio coloca Rui Rio em sérias dificuldades, e representa uma falta de lealdade que é, aos olhos do cidadão comum, indecente.
É também muito curioso reparar no silêncio comprometedor de Paulo Portas, ou dos 6 vice-presidentes, ou do porta-voz do partido. Trata-se afinal de contas do secretário-geral adjunto, figura nacional do PP.
Palavras chave:
camara municipal do porto,
cds no seu melhor,
jac
sexta-feira, janeiro 27, 2012
...
Nunca pensei chegar ao ponto de ter pena de Rui Rio
Palavras chave:
camara municipal do porto,
cds no seu melhor,
jac,
rui rio
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