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sábado, junho 18, 2011

Temos Governo!

Quis o destino que começasse a escrever aqui no Nortadas no dia em que conhecemos o novo Governo de Portugal. É-me assim facilitado o tema, com a particularidade de me dar prazer escrever sobre o mesmo.
O modo como Passos Coelho e Paulo Portas conduziram o processo até aqui foi a todos os níveis exemplar. O recato, a responsabilidade, a solidariedade e, acima de tudo, a confiança com que se processaram as negociações, deixam antever o melhor para o futuro.
Nunca antes a formação de um governo tinha sido tão discreta e blindada. Provou-se que os oráculos dominicais e quejandos não passam de meros especuladores. Nenhum dos partidos da coligação caiu na tentação de “libertar informação” via opinion makers. Foi uma prova bem superada e um importante sinal.
Quanto ao governo propriamente dito, é uma excelente surpresa. A primeira boa surpresa prende-se com a novidade e a juventude; a receita de ir buscar quadros altamente qualificados e competentes, mas jovens, parece-me uma boa abordagem à revolução tranquila que o Estado tanto precisa. O afastamento de fórmulas já experimentadas parece-me avisado, porque se fossem eficazes não estaríamos onde estamos…
A segunda boa surpresa é que é um governo curto, mas operacional, com responsabilidades muito bem definidas e inovador na articulação das áreas da governação. Espera-se que seja um sinal claro e consequente para toda a máquina do Estado.
Por fim, é uma equipa muito equilibrada. É eminentemente uma equipa de trabalho e não um desfile de vedetas. A mim, assustaram-me alguns nomes que fui ouvindo nas especulações da imprensa, entendo que o governo neste momento do país não pode ser meio de satisfação de qualquer vaidade pessoal ou ambição de carreira; a hora é de trabalho, muito trabalho e de grande qualidade.
Se todos sabemos que este mandato vai ser a confirmação de Paulo Portas como grande homem de estado, deixo aqui uma palavra interessada, porque de amigo, na certeza de que a Assunção Cristas e o Pedro Mota Soares vão ser dois excelentes ministros por terem todas as qualidades que acima enunciei.
A sorte e sucesso que desejo ao novo Governo são provavelmente os votos mais egoístas de sempre, porque do sucesso deste Governo depende como nunca o nosso futuro colectivo, o futuro da Pátria.

quarta-feira, abril 13, 2011

A época dos convites

Quando chega a altura de fazer listas para eleições sejam elas autárquicas ou legislativas aparecem sempre cinco tipos de politicos: os que dizem ter sido convidados e que não aceitaram,os que foram efectivamente convidados e não aceitaram, os que foram convidados e aceitaram e os que querem ser convidados e não o são. E claro há uma quinta espécie que é os que foram convidados, não aceitaram e nada dizem.

Os primeiros normalmente são os politicos em "bicos de pé". Tanto tentam aparecer que qualquer coisa serve.

domingo, março 28, 2010

Cantores




É sabido que Pedro Passos Coelho é um praticante do canto lírico.

A propósito das eleições no PSD, lembrei-me desta crónica do José Manuel dos Santos, publicada em Setembro no Expresso.

"Cantores

Nessa noite, Plácido Domingo cantou no Teatro de São Carlos o "Otelo", de Verdi. Depois da récita, houve uma ceia no Palácio de Belém. Embora os aplausos sejam a moeda habitual com que se paga a felicidade de o ouvir, a verdade é que, mesmo quem os costuma receber, não fica indiferente ao recebê-los mais uma vez. E os daquela noite no São Carlos foram longos e vivos e vibrantes. Por isso, o cantor estava alegre e falador nessas horas da ceia.

Entrou no Palácio com uma desenvoltura de fidalgo e uma elegância de dandy. Sobre o fato de caxemira azul caía-lhe uma capa preta com alamares de prata. Mário Soares saudou-o com afecto e elogiou-lhe a veste, juntando à justiça que, sem favor nenhum, lhe fazia, o acolhimento de anfitrião e o à-vontade de quem está bem no mundo. Diga-se que a hospitalidade foi retribuída: passados alguns dias, o tenor mandou entregar, no Palácio de Belém, uma capa igual à sua, que Soares nunca usou, tão ostensiva e refinada ela era.

Tomados os aperitivos, foi-se para a mesa. Plácido Domingo mostrou-se muito carinhoso com Amália, dizendo a grande admiração que tinha por ela. Os dois chegaram mesmo a trautear um fado em conjunto. Depois, a conversa continuou viva. Plácido lembrou figuras que conhecera: reis e presidentes, maestros e cantores, escritores e artistas, futebolistas e mundanas. Tão bom contador de histórias como Soares, entre eles houve um despique e a noite tornou-se ágil e leve como tudo o que nos tira do tempo.

Não querendo parecer o que não é, Mário Soares, a certa altura, confessou-lhe que não tinha 'ouvido musical' e que não era melómano. Revelou-lhe os gostos e as preferências, simples e comuns (algumas árias das mais conhecidas), e falou-lhe de Piaf, desafinando o refrão da 'Vie en Rose'. Mas ia à ópera quando entendia que o Presidente aí não devia faltar. Fora o caso naquela noite! O cantor agradeceu-lhe redobradamente a homenagem; depois, as histórias continuaram e o fim de cada uma era continuado por gargalhadas.

Plácido Domingo contou então uma história inesquecível. Com um magnífico poder evocativo, narrou-a assim: numa pequena cidade da província italiana, havia um velho teatro, com uma grande tradição. O público, embora modesto de condição económica, era sabedor e exigente de gosto musical. Uma noite houve em que se representava uma ópera, na qual, num dos actos, se sucedem duas árias: uma cantada por um tenor; outra, por uma soprano. Os cantores daquela companhia eram todos muito maus e o público estava furioso com isso. À medida que a récita decorria, as reacções dos que a ela assistiam tornavam-se mais impacientes, mais hostis, mais ruidosas. Quando chegou a altura das duas árias sucessivas o tenor entrou em palco e começou a cantar. Cantava e desafinava. Mas habituado ao desastre que era, não se intimidava. Cheio de desfaçatez, continuava a cantar com um à-vontade e uma arrogância que nem ao melhor cantor do mundo (Soares interrompeu neste momento e disse a Domingo: "Está a falar de si!") se perdoaria. O público agitava-se, aguardando o fim com ar feroz e ameaçador. Mal foi dada a última nota (até essa desafinada), desatou a patear furiosamente. O tenor fitava com ar desafiador aqueles que uivavam e batiam freneticamente os pés. Essa atitude insolente ainda os enfurecia mais e a vaia aumentava de intensidade e vigor. Parecia que a sala vinha abaixo. Então, o cantor começou a fazer gestos, sacudindo as mãos lentamente. Quando os espectadores compreenderam que ele estava a pedir-lhes que se acalmassem, a pateada ainda se tornou mais agressiva. Mas o cantor continuava a mover as mãos, agora com humildade forçada ou fingida, pedindo que escutassem o que tinha para dizer. Pouco a pouco, com contrariedade e desconfiança, o público lá foi diminuindo a sua fúria sonora. Quando o silêncio era total, o tenor fez o seu olhar viajar da plateia aos camarotes e dos camarotes à plateia, encarando os rostos dos que o fitavam. Tossiu para aclarar a voz e, nesse momento solene, disse, alto e bom som: "Não pateiem já tudo. É que a soprano que canta a seguir ainda é muito pior do que eu!..."

Comemoram-se agora 40 anos do lançamento da carreira internacional de Plácido Domingo, na Arena de Verona. A "Babelia" ("El País") pôs, na capa, uma fotografia dele, desse tempo ido, legendando: "Él es la ópera". Ao ler esta evocação, lembrei-me daquela noite de Belém e da história que então lhe ouvi contar e que agora vos contei. E, ao lembrá-la, pensei: afinal, esta é uma história que tem muitos ensinamentos úteis para o tempo que estamos a viver... "

quarta-feira, outubro 14, 2009

Separados à nascença



Não sei qual dos dois vai mais longe, mas em termos de níveis de audiência e aparecimento na tv devem estar muito aproximados. Mal surge uma camara aparecem, posicionam-se e agitam-se para serem vistos. Um já é contratado para animar excursões de finalistas a espanha, o outro tem servido para animar o grupo de excursionistas em que virou o PSD.