Quis o destino que começasse a escrever aqui no Nortadas no dia em que conhecemos o novo Governo de Portugal. É-me assim facilitado o tema, com a particularidade de me dar prazer escrever sobre o mesmo.
O modo como Passos Coelho e Paulo Portas conduziram o processo até aqui foi a todos os níveis exemplar. O recato, a responsabilidade, a solidariedade e, acima de tudo, a confiança com que se processaram as negociações, deixam antever o melhor para o futuro.
Nunca antes a formação de um governo tinha sido tão discreta e blindada. Provou-se que os oráculos dominicais e quejandos não passam de meros especuladores. Nenhum dos partidos da coligação caiu na tentação de “libertar informação” via opinion makers. Foi uma prova bem superada e um importante sinal.
Quanto ao governo propriamente dito, é uma excelente surpresa. A primeira boa surpresa prende-se com a novidade e a juventude; a receita de ir buscar quadros altamente qualificados e competentes, mas jovens, parece-me uma boa abordagem à revolução tranquila que o Estado tanto precisa. O afastamento de fórmulas já experimentadas parece-me avisado, porque se fossem eficazes não estaríamos onde estamos…
A segunda boa surpresa é que é um governo curto, mas operacional, com responsabilidades muito bem definidas e inovador na articulação das áreas da governação. Espera-se que seja um sinal claro e consequente para toda a máquina do Estado.
Por fim, é uma equipa muito equilibrada. É eminentemente uma equipa de trabalho e não um desfile de vedetas. A mim, assustaram-me alguns nomes que fui ouvindo nas especulações da imprensa, entendo que o governo neste momento do país não pode ser meio de satisfação de qualquer vaidade pessoal ou ambição de carreira; a hora é de trabalho, muito trabalho e de grande qualidade.
Se todos sabemos que este mandato vai ser a confirmação de Paulo Portas como grande homem de estado, deixo aqui uma palavra interessada, porque de amigo, na certeza de que a Assunção Cristas e o Pedro Mota Soares vão ser dois excelentes ministros por terem todas as qualidades que acima enunciei.
A sorte e sucesso que desejo ao novo Governo são provavelmente os votos mais egoístas de sempre, porque do sucesso deste Governo depende como nunca o nosso futuro colectivo, o futuro da Pátria.
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sábado, junho 18, 2011
quarta-feira, abril 13, 2011
A época dos convites
Quando chega a altura de fazer listas para eleições sejam elas autárquicas ou legislativas aparecem sempre cinco tipos de politicos: os que dizem ter sido convidados e que não aceitaram,os que foram efectivamente convidados e não aceitaram, os que foram convidados e aceitaram e os que querem ser convidados e não o são. E claro há uma quinta espécie que é os que foram convidados, não aceitaram e nada dizem.
Os primeiros normalmente são os politicos em "bicos de pé". Tanto tentam aparecer que qualquer coisa serve.
Os primeiros normalmente são os politicos em "bicos de pé". Tanto tentam aparecer que qualquer coisa serve.
domingo, março 28, 2010
Cantores

É sabido que Pedro Passos Coelho é um praticante do canto lírico.
A propósito das eleições no PSD, lembrei-me desta crónica do José Manuel dos Santos, publicada em Setembro no Expresso.
"Cantores
Nessa noite, Plácido Domingo cantou no Teatro de São Carlos o "Otelo", de Verdi. Depois da récita, houve uma ceia no Palácio de Belém. Embora os aplausos sejam a moeda habitual com que se paga a felicidade de o ouvir, a verdade é que, mesmo quem os costuma receber, não fica indiferente ao recebê-los mais uma vez. E os daquela noite no São Carlos foram longos e vivos e vibrantes. Por isso, o cantor estava alegre e falador nessas horas da ceia.
Entrou no Palácio com uma desenvoltura de fidalgo e uma elegância de dandy. Sobre o fato de caxemira azul caía-lhe uma capa preta com alamares de prata. Mário Soares saudou-o com afecto e elogiou-lhe a veste, juntando à justiça que, sem favor nenhum, lhe fazia, o acolhimento de anfitrião e o à-vontade de quem está bem no mundo. Diga-se que a hospitalidade foi retribuída: passados alguns dias, o tenor mandou entregar, no Palácio de Belém, uma capa igual à sua, que Soares nunca usou, tão ostensiva e refinada ela era.
Tomados os aperitivos, foi-se para a mesa. Plácido Domingo mostrou-se muito carinhoso com Amália, dizendo a grande admiração que tinha por ela. Os dois chegaram mesmo a trautear um fado em conjunto. Depois, a conversa continuou viva. Plácido lembrou figuras que conhecera: reis e presidentes, maestros e cantores, escritores e artistas, futebolistas e mundanas. Tão bom contador de histórias como Soares, entre eles houve um despique e a noite tornou-se ágil e leve como tudo o que nos tira do tempo.
Não querendo parecer o que não é, Mário Soares, a certa altura, confessou-lhe que não tinha 'ouvido musical' e que não era melómano. Revelou-lhe os gostos e as preferências, simples e comuns (algumas árias das mais conhecidas), e falou-lhe de Piaf, desafinando o refrão da 'Vie en Rose'. Mas ia à ópera quando entendia que o Presidente aí não devia faltar. Fora o caso naquela noite! O cantor agradeceu-lhe redobradamente a homenagem; depois, as histórias continuaram e o fim de cada uma era continuado por gargalhadas.
Plácido Domingo contou então uma história inesquecível. Com um magnífico poder evocativo, narrou-a assim: numa pequena cidade da província italiana, havia um velho teatro, com uma grande tradição. O público, embora modesto de condição económica, era sabedor e exigente de gosto musical. Uma noite houve em que se representava uma ópera, na qual, num dos actos, se sucedem duas árias: uma cantada por um tenor; outra, por uma soprano. Os cantores daquela companhia eram todos muito maus e o público estava furioso com isso. À medida que a récita decorria, as reacções dos que a ela assistiam tornavam-se mais impacientes, mais hostis, mais ruidosas. Quando chegou a altura das duas árias sucessivas o tenor entrou em palco e começou a cantar. Cantava e desafinava. Mas habituado ao desastre que era, não se intimidava. Cheio de desfaçatez, continuava a cantar com um à-vontade e uma arrogância que nem ao melhor cantor do mundo (Soares interrompeu neste momento e disse a Domingo: "Está a falar de si!") se perdoaria. O público agitava-se, aguardando o fim com ar feroz e ameaçador. Mal foi dada a última nota (até essa desafinada), desatou a patear furiosamente. O tenor fitava com ar desafiador aqueles que uivavam e batiam freneticamente os pés. Essa atitude insolente ainda os enfurecia mais e a vaia aumentava de intensidade e vigor. Parecia que a sala vinha abaixo. Então, o cantor começou a fazer gestos, sacudindo as mãos lentamente. Quando os espectadores compreenderam que ele estava a pedir-lhes que se acalmassem, a pateada ainda se tornou mais agressiva. Mas o cantor continuava a mover as mãos, agora com humildade forçada ou fingida, pedindo que escutassem o que tinha para dizer. Pouco a pouco, com contrariedade e desconfiança, o público lá foi diminuindo a sua fúria sonora. Quando o silêncio era total, o tenor fez o seu olhar viajar da plateia aos camarotes e dos camarotes à plateia, encarando os rostos dos que o fitavam. Tossiu para aclarar a voz e, nesse momento solene, disse, alto e bom som: "Não pateiem já tudo. É que a soprano que canta a seguir ainda é muito pior do que eu!..."
Comemoram-se agora 40 anos do lançamento da carreira internacional de Plácido Domingo, na Arena de Verona. A "Babelia" ("El País") pôs, na capa, uma fotografia dele, desse tempo ido, legendando: "Él es la ópera". Ao ler esta evocação, lembrei-me daquela noite de Belém e da história que então lhe ouvi contar e que agora vos contei. E, ao lembrá-la, pensei: afinal, esta é uma história que tem muitos ensinamentos úteis para o tempo que estamos a viver... "
quarta-feira, outubro 14, 2009
Separados à nascença


Não sei qual dos dois vai mais longe, mas em termos de níveis de audiência e aparecimento na tv devem estar muito aproximados. Mal surge uma camara aparecem, posicionam-se e agitam-se para serem vistos. Um já é contratado para animar excursões de finalistas a espanha, o outro tem servido para animar o grupo de excursionistas em que virou o PSD.
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