Quem não tem dinheiro não tem vícios e é natural que quem o tem não queira pagar os vícios dos outros. Mas a Europa tinha um projecto de união e de solidariedade que se supunha garantir a coesão económica e uma cada vez mais fortalecida unidade política, sobre o signo da igualdade soberana dos povos.
Amanhã e Sexta, em Bruxelas, o "tesoureiro" do projecto prepara-se para ditar as suas condições: processo sancionatório acelerado? Perda de direito de voto do infractor? Expulsão da zona-euro?
Vão falar muito da Grécia, mas é com o olho na gente que vão estar pois sabem-nos o próximo cordeiro. E seria interessante saber qual vai ser a posição portuguesa nesse Conselho Europeu e sobre aquelas condições alemãs. Infelizmente, à saída das reuniões de hoje dos partidos com o "engenheiro" ninguém falou nisto e ficaram-se todos pelas balelas do costume, como se tudo isto fosse uma bizarria grega e não nos diga muito respeito.
Amanhã e Sexta, os europeus vão, ao que parece, ajoelhar-se face ao altar germânico.
O "engenheiro" e os Srs. Amado e Teixeira vão regressar a Lisboa com ar satisfeito e com um papel branco na mão, a anunciar a nova paz monetária.
Se calhar, nem percebem que estão sentados na sala de espera e que vão ser os próximos chamados ao novo tratamento. Mas como já baixaram as calças, a coisa vai passar-se num instante.