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terça-feira, maio 28, 2013

Passes de mágica


À falta de melhor, puz-me a ouvir a parte final dos comentários de Domingo do Marcelo RS, em que ele opinava sobre o caso “palhaço” que vem entretendo tanta gente. Não vou perder um grama de energia e de tempo a entrar nessa polémica de galinhas até porque acho que, uma vez mais, o João Miguel Tavares estoura com o assunto na última página do Público de hoje. Se ele me deixasse, acrescentava ali a minha rubrica.

O Marcelo citou “en passant” o Pulido Valente, dando a entender que este partilhava a opinião que a Presidência tinha necessariamente de reagir à ‘boutade’ do filho da Sofia. O Prof., que é como gosta de ser chamado, ou não sabe ler ou é um manipulador, pois o VPV escreveu preto no branco nesse mesmo jornal exactamente o contrário. A alternativa entre analfabeto ou mentiroso parece fácil de deslindar, mas se dúvidas ainda houvesse a esse respeito bastava escutar a amálgama que fez de seguida entre “gatunos” e “palhaços” para se poder concluir em definitivo que estes malabaristas dos factos não passam de entertainers que cobram cachet.

Ouvi-o até ao fim, à espera que o lente de Direito informasse os telespectadores que a jurisprudência consolidada dos tribunais portugueses definiu que, no combate político, apelidar o adversário de ‘palhaço’ não constitui injúria, mas sem surpresa verifiquei que essas coisas não interessam ao jurista que ele diz ser. Assim, concluo que nas nossas auto-proclamadas elites há personagens de verniz estaladiço, que ao primeiro arranhão revelam o “chavismo” sul-americano que os estrutura. Aliás, não foi no outro dia o actual MNE depôr respeitosamente uma coroa de flores na campa do “eterno” em Caracas? Carago!

 

 

terça-feira, março 16, 2010

Um momento MRS

Acreditei que poderia haver uma surpresa no congresso do psd por parte de Marcelo Rebelo de Sousa. O seu discurso a isso permitia. Como li algures, faltava uma folha em que ele diria, por isso aqui me apresento. Deve tê-la perdido algures...

Ao não se apresentar a líder do PSD o professor pode ter estar a pensar em duas coisas:

a) cavaco não se recandidata e ele apresenta-se como líder natural do psd até porque durão está preso em bruxelas

b) sócrates não se demite e cavaco não o demite pois como afirmou não demite por falta de confiança politica. vai daí o escolhido no dia 26 como presidente do psd será consumido em lume brando mais a mais porque as hipóteses mais fortes são PPC e PR que não vão estar no parlamento.

falta saber com qual destes dois cenários é que MRS mais vibra.

terça-feira, outubro 27, 2009

Barões,notáveis e padrinhos


Marcelo Rebelo de Sousa diz que não vai ao ringue, pois ninguém ligou às suas ideias sobre como unir o partido. Acrescenta que se as bases fossem consultadas elas responderiam que queriam essa unidade de que Marcelo fala. Marcelo acha portanto que está com as bases e que foram os "barões" que torpedearam o seu método para unir o PSD.

E que método era esse? Reunir uns tantos barões (como ele é um tanto distraído ainda não se deu conta de que agora denominam-se "notáveis" e que pelo andar da carruagem ainda um dia se chamarão “padrinhos”) para discutirem as divergências e encontrarem uma plataforma de unidade e de distribuição de postos. No fim, supõe-se que haveria um fumo branco a sair por uma qualquer chaminé e que as bases de que Marcelo fala, mas que teriam ficado cá fora ao frio, lançariam urros de alegria e foguetes de contentamento ansiando aplaudir o herói que apareceria na varanda laranja: "habemus dux".

Tudo isto parece à primeira vista tão disparatado que merece uma segunda leitura: Marcelo está-se burrifando para o futuro do PSD pois já há muito tempo que na sua agenda riscou S. Bento e o substituiu por Belém. Com a escorregadela de Cavaco no caso escuteiro, Marcelo percebeu que a sua oportunidade podia estar próxima, com a vantagem de assim se antecipar ao regresso de Barroso. Aguentar ficar à cabeceira do adoentado partido durante uns pares de meses seria a missa necessária para lhe revigorar a imagem de unificador e lhe garantir um apoio e uma tesouraria suficientemente abrangentes e úteis para a próxima batalha eleitoral: a presidencial.

Entretanto, os tais barões saberiam que de entre eles nasceria o eleito para lhe suceder no partido na Segunda-feira seguinte ao voto, quer ele ganhasse ou perdesse.

Bem se vê que Portugal, no meio destes cálculos, é apenas um incómodo.

terça-feira, outubro 20, 2009

Os bota-abaixo e os bota-fogo


A ideia avançada por Marcelo Rebelo de Sousa de se convocar uma reunião de ex-líderes do PSD e de chefes de "sensibilidades" de molde a encontrar-se uma plataforma de unidade no partido parece-me uma ideia peregrina de alguém que apenas pretende criar uma imagem de mediador habilitado ou de apaziguador encartado.

Marcelo Rebelo de Sousa é suficientemente inteligente para saber que uma tal "cimeira" não tem qualquer cabimento e que, para todos os efeitos, os interessados são livres de conversarem entre si onde e quando quiserem. Falar do assunto em público é, aliás, a melhor maneira de o impossibilitar.

Marcelo entrou decididamente em campanha mas, pelos vistos, arrisca-se a transformar-se no bombeiro pirómano que provavelmente nunca deixou de ser.