terça-feira, Abril 08, 2014

Os donos do país

Alexandra Lucas Coelho ganhou o prémio APE. Não conheço o livro que a fez ganhar este prémio, mas de certeza que é merecido. Ao contrário de muita gente neste país não acho que haja escritores de primeira e de segunda. Posso gostar ou não, mas isso é outra questão.

O problema é quando não se limitam a escrever e acham que têm coisas a dizer para as quais não têm o mínimo de saber.

A opinião da escritora que vem hoje no jornal Público é o exemplo perfeito da ignorância do conceito de democracia.


Não, este país não é deste presidente. Não, este país não é deste governo.
Também não é meu.
E também não é seguramente da Alexandra Lucas Coelho e de quem pensa como ela.

Este país é de todos. Também dos que votam neste presidente e neste governo.

quinta-feira, Abril 03, 2014

Eleições europeias: a calvície política


O que significa um voto ou um não-voto na lista do governo para as eleições europeias?
Significa pura e simplesmente mandar para Bruxelas a Sra. Birrento, n° 8 da lista, ou deixá-la lá em Setúbal, entregue às burocracias da Segurança Social e sempre pronta a levantar o braço a favor do Sr. Portas nas raras reuniões da distrital do PP. Alguém conhece uma ideia que seja da Sra. Birrento sobre a Europa, a dívida, as sanções à Rússia, o Tribunal de Justiça, os golfinhos do Sado, o Metro de Coimbra, o ajustamento da Grécia, a União bancária, a rarefacção do carapau ou, para não sermos tão exagerados, se o Vitória fecha a secção de ping-pong?

O que significa um voto ou um não-voto na lista do Sr. Seguro para as eleições europeias?
Significa pura e simplesmente mandar para Bruxelas o Sr. Manuel dos Santos, que já por lá andou a fazer coisíssima nenhuma e actual desempregado político, ou, se calha, a Sra. Maria Amélia Antunes, n° 10 da lista, ex-autarca do Montijo cujos trabalhos teóricos e científicos sobre a integração europeia e as soluções para a saída do resgate são diariamente comentados nas universidades do Bangladesh e da Antártida.

Dispenso-me de comentar o que significaria um voto nas listas do PC ou do Bloco, pois deduzo que a experiência passada demonstra à saciedade que isso não aquece nem arrefece. Se dúvidas houvesse, verifique-se os extraordinários e históricos contributos que uns e outros têm dado para a animação parlamentar de Estrasburgo e para o aumento de ocupação dos aviões da TAP que ligam semanalmente Lisboa a Bruxelas. É a quanto monta.

Se falo em nomes é porque não há mais nada sobre que falar. Política? Mas qual política? Entre a coligação e os que se dizem socialistas não existe qualquer nuance que seja distintiva em relação à União Europeia. Dupont e Dupond! Ficam apenas as caras diferentes pois até os curriculos são parecidos: ex-ministros, autarcas cansados e os conselheiros do costume.

Se em vez de votação por listas tivéssemos a possibilidade de um voto preferencial ou circulos uninominais, ainda podia acontecer que no quintal onde voto aparecesse alguém de confiança que me conquistasse a ilusão e me convencesse na aposta. Mas estas fornadas de compadres que se escondem atrás das calças de um cabecilha são um engôdo e por isso me recuso a dar para uma freguesia para a qual já dei quanto baste. Já dei e viu-se o resultado.

Não, não me vou abster. Hei-de lá ir, mas para lhes deixar um recado escrito a anular o papel e a engrossar o desprezo que nos merecem. É que já não há shampoo que lhes recupere a careca.
 

quarta-feira, Abril 02, 2014

A coerência da lixeira


Que o ainda presidente da Comissão Europeia venha tarde e a más horas lançar uma suspeita sobre o ex-governador do Banco de Portugal, o tal que deixou passar debaixo do seu nariz os casos BPN e BPP, afirmando a propósito de coisa nenhuma e passados cerca de dez anos que o chamou 3 vezes para discutir o assunto, é de uma coerência exemplar: a coerência do oportunismo e da hipocrisia passa-culpas que o caracteriza. Uma coerência, aliás, que já manifestara ao afirmar que também avisara o actual primeiro-ministro para não ultrapassar certos limites na austeridade ou aquela com que afirmou há tempos que “sempre” entendeu que a nacionalização do BPN era uma decisão errada. Quem não o conheça que o compre.

Que o dito ex-governador do Banco de Portugal responda dizendo não se lembrar bem dessas reuniões e balbucie umas banalidades tais como afirmar que nunca então se falou de casos concretos de irregularidades nem ninguém lhe mostrou provas irrefutáveis sobre as fraudes em curso, é igualmente de uma grande coerência: a coerência da prosápia e da incompetência refastelada, as mesmas que demonstrou ad abundantiam aquando das audições parlamentares sobre o tema.

Que meia dúzia de teodoras saiam hoje a terreiro a defender o seu menino, que não senhor, sua excelência é de uma probidade e valência raras e que isto de o atacarem é uma maldade contra alguém a quem o país tanto deve, é outra forma de coerência: a coerência de clube ou de vizinhos de condomìnio, a mesma que explica que o consócio que matou o porteiro é uma pessoa bem educada que levava flores quando ia jantar lá em casa e até pedia licença para fumar um cigarro.

São todos tão coerentes que até metem nojo.

segunda-feira, Março 31, 2014

Da minha janela

Tenho por hábito cumprimentar o novo dia com o café matinal e umas baforadas à janela. Sei que é politicamente incorrecto dizê-lo mas penso que não haverá menores a visitar este blog, para os quais até ao Lucky Luke já substituíram o cigarro ao canto da boca por uma palhinha. Espero que nunca façam o mesmo ao Casablanca, pois que, sem aquele ambiente de fumo, o filme perderia toda a sua beleza.

Por vezes (não foi o caso hoje) exclamo: Que belo dia! Normalmente tenho como reacção: Tu queres-me matar? Não vês o frio que está? Fecha-me essa janela! Quanto viajo nunca falo a minha mulher com os habituais “cheguei bem”. Não, só quando cumprimento o novo dia com uma baforada matinal na janela do hotel e tenho como reacção apenas o eco das paredes é que ligo o telefone para lhe desejar um bom dia. A vida de casado também é feita destas pequenas coisas, mas que são bem melhores que o eco das paredes.

Tenho ainda como tique fazê-lo sempre na mesma janela virada a sul, donde avisto o jardim e o estacionamento do meu bairro. Normalmente avisto também a Teresa que, ainda noite, o atravessa para ligar as máquinas da confeitaria do bairro e distribuir apressados simbalinos matinais aos vizinhos.

Apesar de, desde a chegada da troika, o tempo já não ser o que era, o jardim ainda me vai dizendo que a Primavera já andará por aí. Falta-lhe no entanto um catavento, ou uma bandeira, pois que por vezes tenho alguma dificuldade em perceber donde sopra o vento, vício matinal que, vá lá saber-se porquê, também tenho.

Já o estacionamento nada me diz da época do ano. Mas mesmo frente a minha janela o carro que primeiro avisto é um que por ali está parado já desde Janeiro. Dá nas vistas não pela marca ou pelo tamanho, no que me parece vulgar e médio, nem por estar sempre no mesmo sítio, mas sim pela sua cor: é vermelho!

Não sei porquê mas no tempo dos meus pais os carros eram todos pretos. Havia ainda os do exército que eram verdes e, algures entre o civil e o militar, ficavam os táxis. Nos anos 60 os carros começaram a ficar bastante coloridos, alguns até com mais de uma cor (que o livrete sempre identificava como “e outra”). Apareceram também as cores claras para alegrar as ruas.

Mas nos últimos anos a cor predominante dos carros voltou a ser o preto. E, quando não, é o prateado (ou cinza metalizado, como também lhe chamam). Pelo meio alguns brancos ainda resistem a tamanha uniformidade. Claro que também os há azuis ou cinzentos, mas estes são tão escuros que, antes de o sol raiar, todos parecem pretos.

Nunca hei-de entender este apetite por caros escuros em países do Sul, pois que as cores claras, em particular o branco, reflectem os raios do sol, enquanto os escuros os absorvem, dando-nos a sensação de estar a entrar num forno quando parados ao sol. Ainda me recordo do que sofria no Verão nos táxis pretos de Madrid, agora felizmente já brancos.

Claro que hoje até os carros pequenos têm ar condicionado, o que minimizará o efeito da cor que afinal mais não será que uma questão moda ou de gosto pessoal. E estes não se discutem, antes se respeitam. Mas não me importo que o raio do carro vermelho por ali se vá mantendo, fazendo uma alegre diferença no meio daquela massa de carros pretos e prateados que dorme sob a minha janela e antes só intervalada por alguns brancos.

domingo, Março 23, 2014

Adolfo Suárez



Fechou-se um ciclo, um tempo e um modo de fazer política em Espanha. Suarez foi o grande obreiro da paz, da reconciliação - improvável - entre falangistas e republicanos. Juntamente com o Rei Juan Carlos, construiu a Espanha de hoje e muito provavelmente, determinou a Espanha de amanhã. Foi, juntamente com Sá Carneiro, uma das minhas primeiras referências, que permaneceu perene e incólume pelo exemplo de austera virtude a que se reservou, antes que a doença o tornasse uma sombra corpórea da sua imagem. É curioso mas há quase um afecto próximo que me liga Suarez! Talvez pela coincidência com que coexistiu no meu despertar para o Mundo! Indefinível, pela força do seu carácter e exemplo! Só Lorca para cantar tamanha perda:
ALMA AUSENTE
No te conoce el toro ni la higuera,
ni caballos ni hormigas de tu casa.
No te conoce el niño ni la tarde
porque te has muerto para siempre.
No te conoce el lomo de la piedra,
ni el raso negro donde te destrozas.
No te conoce tu recuerdo mudo
porque te has muerto para siempre.
El otoño vendrá con caracolas,
uva de niebla y monjes agrupados,
pero nadie querrá mirar tus ojos
porque te has muerto para siempre.
Porque te has muerto para siempre,
como todos los muertos de la Tierra,
como todos los muertos que se olvidan
en un montón de perros apagados.
No te conoce nadie. No. Pero yo te canto.
Yo canto para luego tu perfil y tu gracia.
La madurez insigne de tu conocimiento.
Tu apetencia de muerte y el gusto de tu boca.
La tristeza que tuvo tu valiente alegría.
Tardará mucho tiempo en nacer, si es que nace,
un andaluz tan claro, tan rico de aventura.
Yo canto su elegancia con palabras que gimen
y recuerdo una brisa triste por los olivos.

terça-feira, Março 18, 2014

Produtos estrela ou a rotunda AEP

A notícia de que Mário Figueiredo foi hospitalizado após o carro em que seguia ter sido abalroado na rotunda AEP, no Porto, não sei porque motivo, fez-me lembrar outra notícia, aqui

"It's mainly to show people in Hong Kong that Beijing is the boss and they do not want Hong Kong people to have the illusion that they can force the hand of Beijing,"

Assustador!!!

quinta-feira, Março 13, 2014

Co-adopção e o voto CDS



Está agendada para amanhã mesmo a discussão do projecto-lei do PS que consagra a possibilidade de co-adopção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo e a votação final global  em plenário.
Ao que parece, como diz Miguel Alvim, aqui a direcção da bancada do CDS-PP vai dar uma “orientação firme de voto contra” o projecto-lei do PS, que será votado sexta-feira. Disse-o em Madrid, Nuno Magalhães, líder da bancada centrista.
Para quem o quis ouvir, o líder da banca centrista explicou que essa posição “é diferente da disciplina de voto” e que a direção argumentará a favor do voto contra, ouvindo depois a posição dos deputados.
Em que ficam os eleitos pelo CDS?
Há muito que não devíamos ter dúvidas que o VOTO CDS é NÃO!

terça-feira, Março 04, 2014

segunda-feira, Março 03, 2014

Pinto da Costa e os Ruis


Rui Rio criou alguns anticorpos na cidade. Um deles com Pinto da Costa.

Rui Moreira logo se apressou a saná-los. O que fez já com Pinto da Costa.

Não sei se será politicamente correcto dizê-lo, mas, muito sinceramente, eu gostava mais do FCP da era Rui Rio que deste fcp do tempo de Rui Moreira.

sábado, Março 01, 2014

Ucrânia - Crimeia


O que é uma urgência ?
Para a ONU é já: o Conselho de Segurança reune-se este Sábado, ou seja hoje.
Para a UE é “logo que seja”: o Conselho dos Ministros dos Negócios Estrangeiros reune-se na Segunda-feira.

É preciso dizer mais alguma coisa?

Contra os velhinhos marchar marchar!


Esta semana a malfadada CES voltou a ser notícia: pela mão do PR não irá ao TC. Também não iria lá fazer nada, pois que o TC já no ano anterior a acarinhara.
Em tempos, seguramente há mais de 30 anos, colaborei com uma empresa de raiz holandesa, que praticava um complemento de pensão para os seus trabalhadores em Portugal, na feitura de um contrato de seguro que os autonomizasse (na altura ainda não existiam fundos de pensões).
Tive assim necessidade de meter o nariz no assunto, o que fiz tanto dentro como fora do país. Do que então apurei, falava-se por essa Europa fora em matéria de pensões na chamada teoria dos três pilares.
O primeiro pilar consistia na pensão pública. Era então por demais sabido que, a prazo, os Estados (aqui os da Europa ocidental) não poderiam continuar a suportar o crescimento dos seus elevados custos, pelas razões demográficas já então de todos por demais conhecidas (o pessoal vivia mais, reproduzia-se menos e ainda se reformava mais cedo). Por assim ser era mister a revisão em baixa do cálculo da pensão pública, ou mesmo de limitar esta a um valor de base igual para todos, como já vinha a ser feito.
O segundo pilar eram os fundos de pensões das empresas. Para compensar as quebras que, inelutavelmente, estavam (e iriam continuar a) afectar as pensões públicas, as empresas organizavam fundos de pensões para os seus trabalhadores.
O terceiro pilar seriam os planos individuais de poupança reforma. Ou seja, em cima da pensão do Estado e da dos fundos de pensões cada um tratava de si, como quisesse e pudesse.
Por cá ainda se veio a legislar sobre fundos de pensões e a incentivar PPR’s, mas sem mais, pois que na realidade a grande pensão continua a ser a pública, limitando-se as demais ao papel de meros complementos voluntários, quando não apenas ao de benefício fiscal (caso dos PPR).
Que me recorde a Segurança Social ainda reduziu o cálculo da pensão de 2,2 para 2% da média dos últimos 5 anos de contribuições, depois dos últimos 10 anos e que em 2015 passariam (?) a considerar a toda acarreia contributiva. Já nas pensões CGA foi o regabofe de todos conhecido.
No mais, para além da total ausência de uma política global nesta matéria, a falta de coragem dos nossos políticos (sempre o votinho, pois então) para introduzir verdadeiros factores de sustentabilidade e de equidade no sistema tem sido de uma total irresponsabilidade (para não dizer criminalidade, coisa que parece não se poder aplicar a quem governa), tendo agora, à boleia duma crise, chegado ao ponto de efectuar cortes nas pensões já em pagamento, coisa que seria impensável (ou mesmo impossível) em qualquer país que se queira civilizado.
Não bastasse, ataca-os também com a CES. Mas para além das inúmeras dúvidas constitucionais que esta possa levantar há ainda algo de perverso nela e que normalmente não vejo denunciar. É que a CES incide sobre tudo quanto é pensão, renda vitalícia ou qualquer outro nome parecido. E é pelo conjunto destas que se afere também a sua taxa.
Ora, se o problema está apenas nas pensões públicas (Seg. Social e CGA), ou seja, as que são pagas pelo Estado, por que razão há-de o Estado vir também cobrar uma CES nas pensões privadas, que não paga nem para elas conrtribui (como é o caso das pagas pelos tais fundos privados, das resultantes de aplicações privadas nos ditos PPR´s, ou mesmo das atribuídas por caixas particulares que vivem só das contribuições privadas dos seus membros - caso da CPAS)?
Bom, como o voto dos velhinhos já está perdido…
Mas a CES não se traduz apenas num ataque aos velhinhos. Antes tem o contra-senso de atacar também a mencionada teoria dos três pilares e que justamente visava aliviar o Estado dos altos encargos com as pensões públicas!