quarta-feira, Agosto 20, 2014

Verão quente

Este é o verão quente de Barack Obama. As imagens que vemos estes dias mostram um presidente agastado, precocemente envelhecido. Foi-se o jovem, enérgico e optimista que surpreendeu a América e o mundo numa eleição que ficará para sempre na nossa memória colectiva. A esperança - HOPE! - que criou, tornou-se tão grande, tão exagerada, que ditou a injustiça da sentença do seu julgamento na opinião pública: Obama é um flop!
Obama não é um flop. Liderou o país na mais profunda crise das últimas décadas e, vistos os resultados, não se saiu nada mal. Geriu as relações internacionais com notável pragmatismo, sem os desvios liberais da intelectualidade Democrata. Manteve pulso de ferro na segurança interna. Fez reformas sociais absolutamente indispensáveis à contenção social em tempo de crise. Retirou do Iraque. Last but not least, pode dizer que capturou o maior inimigo da América, Osama Bin Laden. 
Nada disto lhe valeu no julgamento permanente da opinião pública. Dele esperava-se que restaurasse o welfare state com um new deal impossível de pobres com dinheiro e ricos sem ganancia, que promovesse a paz no mundo e substituísse com sucesso as armas pela diplomacia, que transformasse fanáticos em moderados penitentes, que encontrasse a cura para as mais preocupantes doenças, que desse inicio a uma nova elite de líderes globais benignos, altruístas e cheios de benesses para distribuir pelo povo. Se Obama tem responsabilidades na onda de optimismo que criou, a opinião pública não tem menos responsabilidades na sua alienação absoluta do mundo em que vive. Mas, em democracia a opinião pública manda, constrói e destrói os mitos ao sabor de cada momento. Obama sabia desde o principio as regras do jogo.
Como as ultimas impressões, se suficientemente fortes, são muitas vezes as que nos ficam na memória, este poderá ser o verão de Obama, apesar de escaldante.
O prolongamento e indefinição da instabilidade na Ucrânia ainda permite a Obama uma correcção de trajectória e um papel a sério na resolução da crise. Mais importante, um reenquadramento do papel de Putin. Difícil? Sim. Impossível? Não.
A guerra israelo-árabe, aparentemente fora de controlo e sem razão evidente de nenhuma das partes dá amplitude suficiente para uma mediação inovadora por parte da América, podendo aspirar a aproveitar a crise para uma solução de compromisso mais duradoura. Difícil? Sim. Impossível? Não.
A ofensiva do ISIS no Iraque e na Síria, a violência e o fanatismo extremos que finalmente começam a assustar os bem pensantes europeus, podem proporcionar uma frente unida de intervenção que recoloque os Estados Unidos na liderança da defesa do ocidente civilizado. Difícil? Sim. Impossível? Não.
Por fim, a questão interna. Ferguson a ferro e fogo, literalmente, é um desafio particularmente difícil para Obama. Falamos de sentimentos profundos, de feridas que o tempo demora a cicatrizar pela rudeza e violência do golpe, falamos do sempre lento processo de reconciliação entre iguais que são tratados de modo diferente, falamos da necessidade absoluta de objectividade e justiça na resolução deste caso concreto. Difícil? Sim. Impossível? Não, imprescindível.
Assim se explica facilmente o ar envelhecido de Obama. Ao mesmo tempo, na tragédia que o rodeia reside a sua oportunidade de redenção. O mundo mudou e finalmente, pela violência, dimensão e coincidência temporal destes acontecimentos, terá percebido que só um grande homem estará à altura de actuar em todas as frentes ao mesmo tempo com eficácia, determinação e sucesso. Difícil? Sim. Impossível? Não. 


À SOCAPA...

... em silêncio, pela calada, de mansinho, andando sobre ovos, como água em pena de pato... Assim se leva avante um projecto que envergonha a cidade! Vejamos,
1-Em 27 de Setembro de 2013, foi alterado, pelo anterior vereador GonçaloGonçalves, o alvará de loteamento onde será instalado o futuro supermercado Pingo Doce, na Av. Marechal Gomes da Costa - passando de moradia unifamiliar para comércio! Detalhe: tratou-se de um despacho emitido no último dia útil, sexta-feira, em que o vereador estava em funções, antes das eleições autárquicas que tiveram lugar no Domingo seguinte, dia 29 de Setembro...! Palavras para quê!?
Nota: jamais se soube de tal projecto porque, a saber-se, teria entrado nos argumentários da refrega eleitoral e os candidatos teriam que tomar posição...
2-Nos inícios de 2014, sabe-se da intenção da Jerónimo Martins levar a cabo o supermercado. Recordo, mais do que o choque, a incredulidade de todos quanto se confrontaram com a situação. Solicitadas algumas informações informais... Ninguém sabia de nada! Nem sequer se confirmava ou não a situação! Era tudo fátuo e vago... O projecto, porém, bem real!
A comunicação social, aos costumes, disse nada!
3-Durante alguns meses, o manto da invisibilidade cobriu, diafanamente, o caso!
4-Em pleno mês de Agosto, com a cidade adormecida e a banhos, eis que os trabalhos se iniciam, de supetão!
Até que, finalmente, nesta notícia do Público, ouve-se uma tomada de posição pela única instituição que interessaria ouvir nesta saga e que, até agora, tinha permanecido muda e queda: a Câmara Municipal!
Confirma-se o que já se sabia: que a decisão foi tomada pelo anterior edil do urbanismo! Constata-se, infelizmente, a total anuência do actual executivo a todo este processo! A candura com que justifica um processo estranho e bizarro de um deferimento à alteração de um alvará, efectuado dois dias antes das próprias eleições, é de truz! A tolerância e a total complacência com a decisão tomada é supina!
São pois legítimas as seguintes conclusões: a Câmara não sente este projecto como violador das características urbanísticas dominantes na Avenida e artérias adjacentes, de carácter maioritariamente unifamiliar(ainda que formal e legalmente admissível mas objectivamente inaceitável)! A Câmara conforma-se com o já decidido e considera que qualquer indemnização seria má política de gestão dos dinheiros públicos! No seu entender, presume-se, o interesse público não foi, flagrantemente, posto em causa e o putativo desvalor do projecto é inferior ao valor da estrita legalidade que o aprovou!
Nota: dado o silêncio da CMP, assoma-me a inquietação de que a mesma não tenha previsto a indignação séria e porventura irremediável de muitos munícipes!? É que os pressupostos do voto no actual executivo não faziam pressupor esta cândida complacência camarária com licenciamentos ofensivos não só das mais evidentes coerências urbanísticas mas, acima de tudo, resultantes de uma forma de actuação deplorável porque o que lhe sobrou em camuflagem falta-lhe em frontalidade! É que, más decisões, haverá sempre... E poderão ser sempre corrigidas, caso assim se entenda e queira. Mas decisões à socapa, pouco claras e que cujo impacto era previsivelmente expectável, justificadas pela política do facto consumado ... é que jamais poderão ser toleradas! Perdem os munícipes, perde a Câmara Municipal uma oportunidade de mostrar a radical diferença do seu " modus operandi". Mas quem perde é, sobretudo, a cidade! Uma desilusão inesperada e lamentável!http://www.publico.pt/local/noticia/arrancou-a-obra-de-supermercado-contestado-na-marechal-no-porto-1666839

domingo, Agosto 17, 2014

Leitura de férias para tomar posição no futuro


Para quem tem acompanhado As Cartas de Varsóvia no diário Público às segundas-feiras ou em outros projetos em que o autor participa, o nome de João Carlos Espada não é estranho.
A par da jornalistaTeresa de Sousa acabam por ser as minhas grandes fontes e formadores de opinião em relação à Europa (com certeza com enorme injustiça para outros pensadores, mas acabo por ser um mero leigo).
Os meus grandes inquietadores na perspetiva, em que me obrigam a refletir (e refletir é pôr em causa como Popper defendeu) o projeto europeu que se foi construindo.

Aconselho, então a leitura do livro Portugal, a Europa e o Atlântico (Aletheia editores) de João Carlos Espada.

Boas leituras! Boas férias!

quinta-feira, Agosto 14, 2014

Salas de chuto em período de silly season

A temática das salas de chuto voltou às primeiras páginas dos jornais.

O Bloco de Esquerda tinha que marcar a agenda política com os seus temas preferidos. Com efeito as manchetes estavam a ser ocupadas pela socialista Isabel Moreira mais as suas fotos na praia.

Talvez por isso me tenha lembrado de uma grande senhora que tanta falta faz na politica." A vereadora do CDS-PP Maria José Nogueira Pinto é a única que contesta qualquer solução cujo objectivo seja o consumo de drogas em espaços autorizados. "

E ela era das que sabia do que falava, claramente uma profissional com provas dadas na área social. De 2006 até hoje passaram 8 anos e nada aconteceu. Em 2007 o tema foi falado e discutido na cidade do Porto e eu mesmo aqui abordei o assunto. Sete anos se passaram e a minha opinião continua a balancear para ser contra. Mas a questão não pode ser vista no prisma da chincana política.

Pode ser que em Setembro quando o PS resolver a sua questão da liderança e o bloco perceber o tamanho da sua insignificância se convençam que o tema do combate à toxicodependência deve ser prioritário mas nunca apenas na perspectiva do apoio a quem a ela se entregou voluntariamente.

E não me venham com o exemplo de Christiana em Copenhaga. Conheço-a pois já a visitei por duas vezes. Sim duas. A primeira vez tinha eu uns anos menos, estávamos em 82/83, e claro que a minha curiosidade era enorme. Acabei apedrejado quando tentava tirar uma foto ao placard na entrada do bairro. A experiência da visita é história para outros momentos.

Voltei a Copenhaga para apoiar a selecção Portuguesa para o euro 2012 e já com os meus cabelos brancos regressei a Christiana. Fotografei sem problema pois o telemóvel faz maravilhas e o negócio agora é visto com olhos da pubicidade/comunicação. .

Voltando a Christiana, não creio que os seus habitantes fossem os mesmos. Mas ainda assim aos meus olhos tudo foi diferente, pois com 18 anos e na altura em que foi tudo era novidade, tudo era liberdade e tudo era modernidade. Mas agora o meu olhar não foi o mesmo. Infelizmente já conheci muitos exemplos do que a droga é capaz de fazer

Hoje, sou capaz de, a custo muito custo, aceitar a bondade da defesa da não criminalização do consumo de drogas leves. (sei onde muitos acabam mas ainda assim.....), mas custa-me aceitar que a sociedade em geral tenha que suportar custos com a decisão de uns poucos. O direito das minorias não se pode sobrepor ao direito das maiorias.

Haja vontade de um combate sério e eficaz. Mas não vacilemos perante a demagogia e o negócio.


domingo, Agosto 10, 2014

DILUSION


Após uma ingressão ao universo de Harry Potter e regressado à nossa, aparente, realidade penso que o melhor é seguir o conselho da ilusória estrutura bancária potteriana - ler foto até ao fim, p.f.!
Nesta estória do Novo Banco e do mau banco, nada é o que parece! E a aparente convicção que está a ser criada é que, primeiro, os contribuintes não pagam a conta... segundo, o DDT e respectiva família foram desapossados do seu poder de influência... terceiro, os pequenos aforradores e accionistas são protegidos!
Mas há questões prévias a responder, primeiro, o Regulador andou a dormir? Então permite que alguém que foge aos impostos e se "esquece" de declarar milhões de euros em rendimentos, continue a tutelar o maior grupo financeiro português!? Não é o que dizem as regras do sector bancário! Segundo, porque é que Vitor Bento não assumiu logo a liderança do Novo Banco, dando-se uma moratória de 15 dias?! Terceiro, porque é que só agora se sabe que a solução preconizada já andava a ser "cozinhada" pelo Banco de Portugal cerca de uma semana antes!!! Quarto, será ignorância minha, ou serei naïf, mas a solução reconduz-se a uma grave entorse ao princípio da igualdade. Porque é que a lei do sector bancário foi alterada...? Não deveria ser geral e abstracta, ou é casuística e concreta!? E não me venham com o risco sistémico porque o Banco Mau aí ficou e a protecção dos aforradores poderia ser encontrada no âmbito da legislação geral! Com certeza os maiores credores do GES e BES são as próprias instituições de crédito contribuintes do Fundo de Resolução! Parece que a solução preconizada tem tanto de maniqueísta, que mais faz lembrar as estórias da carochinha, com "bons" dum lado e "maus" do outro!
Numa palavra, o caso não é o BPN, mas a opacidade neste processo não desapareceu! Portugal é um pais "pequeno", com uma pequena elite dirigente. O que o torna num pais hermético! E onde não se criam ilusões, mas fazem-nos acreditar que aquilo que sabemos serem ilusões são a realidade... Como dizem os anglo-saxónicos... DILUSION!
Só mesmo num universo paralelo poderemos estar a salvo: "whom can I trust?"... é que a realidade supera sempre a ficção!

Rui Veloso, O Pai do Rock

Ao ler que Rui Veloso se ia retirar dos palcos tive sentimentos contraditórios. Fiquei triste e contente. Triste porque significa que o "PAI DO ROCK" se sente sem vontade de continuar a cantar as suas muitas e boas músicas. Contente pela decisão de abandonar os palcos ser de sua iniciativa. E a justificação é muito simples. Assisti recentemente ao seu concerto em Oliveira de Frades.

Quanto distância de concertos no Coliseu. Foi penoso, enquanto seu admirador, perceber que no palco estava um Rui Veloso sem chama. Um Rui Veloso que não agarrou o público presente nem o tentou sequer cativar. Parecia que as suas músicas que outrora tinham vida e "enchiam" corações eram agora simples cançonetas. Mas "Rapariguinha do Shopping", "Ai Quem Me Dera Rolar Contigo num Palheiro", "Bairro do Oriente", "Afurada", "Chico Fininho", "Sei de Uma Camponesa", "Saiu Para a Rua" (todas elas do 1ª albúm Ar de Rock) ou então os hinos Porto Côvo e Porto Sentido ficarão para sempre na memória de todos bem como muitas mais. 

A história da música Portuguesa não existe sem o Rui "Beloso". Obrigado Rui.


sexta-feira, Agosto 01, 2014

Os amigos de Barrabás


A propósito de uma certa forma de entender a amizade, sobretudo quando vem embrulhada com aromas de afabilidade, de berço e de nome, recordo um episódio interessante relativo ao processo de Charles Keating que foi condenado, em 1992, a dez anos de prisão pelas malversações financeiras (uma maneira suave de nos referirmos a descarados roubos) no banco americano Savings and Loans.

No auge do sucesso da sua carreira de ladrão, o Sr. Keating deu muito dinheiro (cerca de milhão e meio em duas tranches) à Madre Teresa de Calcutá, a qual julgou adequado endereçar, durante o processo, uma carta ao tribunal declarando que o Sr. Keating era uma pessoa muito amável, que sempre ajudara os pobres, e que era importante que o tribunal fizesse como Jesus faria em tais circunstâncias.

O Procurador-Geral de Los Angeles respondeu à Madre Teresa explicando-lhe que o Sr. Keating roubara a 17.000 individuos um montante calculado em 252 milhões de dólares. E que as vítimas dessa fraude eram pessoas do mais variado espectro social, alguns ricos mas na maioria pessoas de modestos recursos que viram as suas parcas economias evaporarem-se.

Pegando nas palavras da Madre Teresa, o Procurador perguntava-lhe o que faria Jesus se lhe tivessem dado os frutos de um roubo, adiantando que ele imaginava que Jesus os devolveria a quem fora roubado. Convidava, por isso, a Madre Teresa a devolver a cada um dos espoliados, tal como constavam da lista que lhe enviaria a seu pedido, o montante pro rata dos donativos que recebera do vigarista Keating. Nunca a lista foi pedida nem o dinheiro devolvido.

Um outro caso interessante e que nos toca mais de perto diz respeito ao Dr. Mário Soares quando era Presidente da República. Numa visita de Estado à Tunísia achou por bem e em nome do tal conceito de amizade visitar o seu amigo, ex-primeiro ministro italiano Bettino Craxi, que fugira para Hammamet para escapar à justiça que o queria condenar por corrupção no âmbito da operação Mani Pulite. Consta que degustaram ambos um lauto jantar na luxuosa residência tunisina do fugitivo.

Uma coisa é denunciar a hipocrisia dos lambe-botas, outra coisa é levantar nevoeiros para dar nuances aos crimes e distrair-nos do essencial: que a justiça seja eficaz, rápida e implacável. Mas sendo a natureza humana o que é, não espanta que haja sempre quem prefira o Barrabás, sobretudo se este sabe sentar-se à mesa e comer com a boca fechada.

 

 

Os Amigos

Resisto a escrever sobre o BES e o universo Espírito Santo, dada a avalanche de peritos, analistas, comentadores e a nova classe espiritossantólogos que assola o país. Todos sabem tudo sobre tudo. Todos conhecem e estudaram as organizações em causa. Todos tem deduções que lhe permitem prever o futuro. Eu, ante as limitações do meu conhecimento do caso, limito-me a esperar que tudo corra o melhor possível para bem de todos nós. 
Cruzei-me com Ricardo Salgado talvez menos de meia dúzia de vezes. Retive a imagem de um homem cortez, afável, elegante. Palavras de circunstância não definem uma pessoa, encontros casuais não criam uma relação (a não ser na morte do Eusébio ou de um qualquer artista famoso e, ainda assim, nunca comigo).
Quanto ao resto, à justiça o que é da justiça. Que seja imparcial, em tempo útil e eficaz.
Por isto, neste post Ricardo Salgado e o BES são pretexto, não o centro. O centro são os Homens que se dão a conhecer nas dificuldades.
Há uns anos, tive um amigo que muito prezo a passar por um terrível período. Vítima de violação de segredo de justiça, viveu, como a sua família, acossado pela imprensa, condenado pelo povo, ignorado pelos amigos.
Antes do fatídico telejornal e do circo montado, não lhe faltavam amigos. Pobres e ricos, de esquerda e de direita, portugueses e estrangeiros. Era natural que assim fosse, sempre cultivou amizades, cativava pelo espírito, a inteligência e o refinadíssimo humor. Tinha dinheiro, poder, os conhecimentos certos, berço e nome. Um homem do mundo com o carisma de poucos. Não resistia a tentar sempre estender a mão a todos aqueles, e tantos, que procuravam a sua ajuda influente.
Na altura, para além dos contactos pessoais, não resisti a escrever um post sobre o homem que eu conhecia, e conheço, sobre as suas muitas qualidades e sobre o enorme privilégio de ser seu amigo. Foi um desabafo, um mínimo ético de manifestação de amizade.
Passou-se o tempo, e um dia recebo deste amigo uma mensagem que ainda guardo: "Raul, infelizmente só agora li seu escrito. Logo você que nunca me pediu nada. Ou talvez por isso mesmo. Imagina a solidão dessas horas? Cadê todo o mundo? Não te agradeço porque sei que te ia ofender. Puta de vida essa, né?"
Ultimamente, este episódio da minha vida não me sai da cabeça.
Curiosamente, até há dias havia tanta gente a dizer-se amiga de Ricardo Salgado, como há hoje gente a julgar Ricardo Salgado. A bajulação parola rapidamente dá lugar a uma vendeta mesquinha.
Restam uns poucos, muito poucos, que não renegam, não se intimidam, não desviam sequer a conversa. Gostei muito de ler aqueles poucos que escrevem sobre o seu amigo, que não esqueceram repentinamente as qualidades e méritos que forjaram essa amizade, que se indignam com julgamentos precipitados ou ignorantes, que se revoltam com a ingratidão de tantos, que gozaram com Salgado bons momentos, mas estão prontos a apoia-lo nas tribulações actuais. 
Ironicamente, se não teve a sabedoria de o fazer ao longo da vida, Salgado compreenderá estes dias, pela via mais penosa, quem são os seus verdadeiros Amigos. A esses, a quem não passa pela cabeça que à Amizade se sobreponham os interesses de ocasião, deixo registo da minha admiração.

segunda-feira, Julho 28, 2014

Teoria de segunda de manhã

TAP

As avarias, os atrasos e as peças que recentemente caíram antecederam a "aparição" de Pais do Amaral que veio uma vez mais dizer que proximamente apresentaria uma proposta pela TAP.

As más línguas diriam que esta sucessão de acontecimentos da TAP seriam para baixar o seu valor.



MARCELO REBELO DE SOUSA E O BES

O mesmo Pais do Amaral veio dizer que o caso de Ricardo Salgado impedia Marcelo de se candidatar a Belém, dando o exemplo do caso Maddof. Já anteriormente João Rendeiro escreveu o mesmo no seu blogue. (a minha dúvida é se foi dentro ou fora da prisão)

As más línguas diriam que estaria a fazer um favor a Passos Coelho e a Santana Lopes.


Mas Marcelo Rebelo de Sousa hoje mostrou ter coragem e sem medo disse na TVI que continuava a ser amigo de Ricardo Espírito Santo. E que não faz como uns e outros que lhe mandam sms a dizer que agora não querem aparecer ao lado dele. E lá foi dizendo que nunca dependeu de nunca "capitalista" com excepção de Balsemão nos tempos do Expresso. Recados.

Está visto que as presidenciais já mexem pelos lados do PSD. Falta saber com quantos danos colaterais. 

quinta-feira, Julho 24, 2014

BEST EUROPEAN COUNTRY Chosen by readers of USA TODAY


http://www.10best.com/awards/travel/best-european-country/

Portugal

Much underrated Portugal has all the trappings of a pretty European country: cobbled villages beneath the shadows of medieval castles, sun-kissed beaches, a delectable culinary tradition and plenty of history to explore. Whether swimming in the turquoise waters of the Algarve, sipping a glass of port at a Porto cafe or listening to the melancholy lament of a fadista in Lisbon, Portugal’s understated beauty becomes obvious.

sábado, Julho 19, 2014

11 anos

O Nortadas começou a dar os seus passos há 11 anos. Na altura apenas com este escriba mas logo nos primeiros dias o José Mexia entrou para o barco. Depois foram-se juntando um grupo de amiga e amigos.A Paula Faria, Bernardo Lobo Xavier, Daniel Brás Marques, Ernesto Serna, Francisco Rangel da Fonseca (Farripas), Francisco Sousa Fialho (douro), Francisco Vellozo Ferreira, João Anacoreta Correia, João Maria Porto, José Gagliardini Graça, José Marcelo Mendes Pinto, Miguel Lume, Nuno Ortigão, Raul Almeida, Rui Baptista, Rui Pedrosa de Moura, Tó Zé Barros, Ventanias. Por ordem alfabética e não por ordem de entrada.

Hoje apesar do número de escribas ser maior a produção acaba por ser intermitente, para não dizer menor.

As razões serão várias e têm merecido reflexões em variados animados almoços. Saímos com amizade reforçada, intenções bem definidas mas poucas concretizações. Parecemos a selecção portuguesa de futebol.

Mas foi um gostinho voltar atrás. 11 anos é muito tempo. Muita coisa se passou mas quase que arriscava em dizer que tudo está igual.

Encontrei posts meus em que desancava no Pacheco Pereira, actividade que ainda hoje pratico. (apesar de ser por causa dele que me iniciei nos blogues)
Encontrei posts meus em que defendi amigos de acusações falsas, actividade que ainda hoje pratico. Encontrei posts que hoje não teria escrito não por me envergonhar mas porque mudei de opinião, e outros que tendo escrito me orgulho de os ter feito pois eram e ainda são verdade.

Enfim, são onze anos em que muito mudou na minha vida. Menos uma coisa: a falta de ritmo.

Hoje já não tenho que dar biberons, mas as tarefas são igualmente imensas. Penso que a de motorista ganhou maior protagonismo.

Mas 11 anos passados, e algum alheamento da escrita, de uma coisa tenho a certeza: a motivação para colaborar num portugal melhor mantêm-se bem viva. As formas serão possivelmente diferentes. Veremos o que o tempo nos reserva, mas sei bem que não vivemos tempos para comodismos e egoísmos.

Está na hora de tocar a reunir os bons. Aqueles que apenas se movimentam por interesses colectivos e não por pequenos interesses ou intrigas. Desses têm sido os últimos tempos.

O momento é de férias e de reflexão. A rentrée será em grande. Fica a promessa.




domingo, Julho 13, 2014

Final: Coreia do Norte / Portugal


A imaginação do regime norte-coreano não tem limites.
Desconfio que vamos perder esta final da Copa do Mundo.

quinta-feira, Junho 26, 2014

Lisboa, um certo olhar ou um olhar certo


Lembram-se de vos falar nos « City Books » ?

Este sobre Lisboa inclui um conto (a meu ver, uma pérola) de Sus Van Elzen e fotos (um olhar muito especial) de Maria Fialho.
O conto está disponível em várias línguas e as fotos em língua universal. Tudo ali

terça-feira, Junho 24, 2014

Por que a economia não cresce? IX - A César o que é de César...

Porquê então? O que a impede?
 
Será a globalização? Será o euro? Será o custo energético? Será a dívida e o crónico défice? Será a UE ou a Sr.ª Merkel? Será, na palavra da moda, a crise? Será tudo junto e algo mais?
 
Cuido que, embora circunstâncias destas possam sempre afectar mercados, logo a economia, mais não são que problemas ou situações conjunturais. A economia é um processo dinâmico. Uma economia saudável sempre reage e se adapta às evoluções conjunturais, encontrando o caminho da continuidade, do progresso tecnológico e do crescimento.
 
O problema é que a nossa economia não é saudável. Nem nunca o será enquanto não se conseguir libertar das garras das elites partidárias que lhe sugam o sangue.
 
É, pois, condição base que estas elites deixem de concentrar o poder político, permitindo a sua real descentralização e que deixem de interferir abusiva e directamente na economia, permitindo o seu normal desenvolvimento. Ao Estado o que é do Estado e à Economia o que é da Economia. Que as instituições económicas passem a estar ao serviço da economia e não dos interesses das mesmas elites. Que o estado cumpra a sua missão de a regular e de lhe prestar serviços de qualidade. Em resumo, que a democracia seja efectivamente transportada do papel para a vida e os partidos postos apenas ao seu serviço, garantindo-lhe o imprescindível pluralismo.
 
Como tal poderá acontecer é pois a questão central. Há quem argumente que apenas por via duma revisão constitucional. Ou tão só pela revisão do sistema eleitoral. Ou ainda por mais limitações de mandatos. Ou mesmo por uma maior regulação de interesses conflituantes.
 
Tenho para mim que nestas coisas não há respostas, mas tão só percursos. A democracia também é um processo dinâmico e em permanente evolução. Uma democracia evoluída é a que consegue criar e consolidar formas de contrariar e de limitar os abusos do poder. Alguns remendos legislativos poderão ajudar, mas tudo terá de porvir em primeiro lugar da pressão social sobre as elites políticas.
 
Neste particular, sentem-se positivos indícios no ar. Desde logo o pessoal já começou a tomar consciência que a presente crise tem origem nos desmandos das elites políticas que nos têm desgovernado e a perceber que a factura da “obra feita”, com que lhe compravam os votinhos, a final lhe foi cair nos bolsos. Voltando a sentir que o voto já poderá alterar algo, vai saltando da abstenção para branco/nulo ou para pequenos partidos de protesto.
 
Mas a crise trouxe ainda a vantagem de estreitar os percursos possíveis, assim limitando as guloseimas às mesmas elites partidárias. Um claro sintoma disto é-nos dado pelos chamados barões, baronesas ou baronetes das elites partidárias, que publicamente vemos hoje de mãos dadas a vociferar contra tudo o que lhes faz recear pela não recuperação das benesses e influências do passado. Quem há 3 anos poderia imaginar Marques Mendes e João Semedo, Soares e Jerónimo de Sousa, Bagão Félix e António Seguro, Ferreira Leite e Sócrates, Marcelo e Louçã, António Costa e Pacheco Pereira, todos em uníssono contra a actual governação?
 
Outro sintoma está ainda patente na presente luta de galos no PS em que as suas velhas elites, percebendo que o bolo está a ficar reduzido, tentam desesperadamente garantir fatias para si, aliciando para tanto as suas bases de apoio com a perigosa ilusão que, com eles, a distribuição de benesses do estado poderá ser continuada e o inerente endividamento poderá ser facilitado, tanto pela renegociação como pela europeização da dívida.
 
O mesmo faz P. Portas quando anuncia a saída da troika como o novo 1º de Dezembro. Claro que, num país em que mais de metade da população come à mesa do orçamento do estado, tudo isto é ainda um risco. Mas, como esta crise também afecta o euro, igualmente este risco, para além dos limites das reformas internas já produzidas, começa ainda a ficar balizado pelas recentes reformas europeias, tanto no controlo do sistema financeiro como o tratado orçamental.
 
O caminho a percorrer será duro e lento, pois mesmo que a democracia evolua, a economia tem ainda de ultrapassar os desmandos do passado, nomeadamente o peso das dívidas que as elites partidárias sobre ela fizeram recair e a sua pequena dimensão, resultante do empobrecimento a que a foram sistematicamente condenando.
 
Mas se a política assim o permitir, a economia acontecerá!