segunda-feira, maio 31, 2010
Quanto custa a Regionalização?

1. Em primeiro lugar, eu diria que é desejável e possível alcançar um Portugal Regionalizado a custo financeiro zero. Um tal resultado será ademais facilitado através da reorganização administrativa que deve decorrer em paralelo, reexaminando-se o mapa autárquico e reavaliando-se os modelos de gestão municipal que têm levado à multiplicação de empresas municipais, muitas das quais de duvidoso valor acrescentado.
A Região irá necessariamente, a prazo, substituir ou suceder (o que significa libertar e racionalizar) a maior parte da actual rede de dezenas de estruturas paralelas que funcionam como delegações periféricas do Governo da República. A Região contribuirá fortemente para pôr fim à sobreposição de serviços, missões, 'task-forces', comissões, observatórios, conselhos, fundações públicas, e toda a catrefa de delegações, balcões, antenas que pululam por esse país fora, quase se diria numa competição inter-ministerial para ver qual o departamento central que produz mais prolongamentos.
Está por fazer o cálculo da poupança em instalações, em encomendas de serviços e fornecimentos, em viaturas, em alugueres etc. etc., que uma transferência de competências para a Região pode trazer.Se considerarmos que apenas os membros da Junta Regional (5 pessoas?) serão remunerados e que os membros da Assembleia Regional apenas receberiam senhas de presença, admito que essa particular despesa seja mesmo inferior àquilo que já hoje se gasta com os vários Governadores Civis e os membros da CCR, estruturas obviamente a extinguir ou a transferir.
Além disso, a existência da Região criará, como o demonstra a prática e a experiência nos países europeus regionalizados, uma nova dinâmica nas relações inter-municipais enquanto facilitadora de acções e estratégias que hoje se duplicam e anulam por rivalidades tantas vezes acicatadas pelos partidos centralistas.
2. Em segundo lugar, penso ser hoje pertinente recolocar a questão ao contrário, ou seja, perguntar qual será o custo financeiro para o país da Não-Regionalização.
A experiência demonstra que a gestão centralizada dos recursos e dos investimentos, para já nem falar do modelo centralista de desenvolvimento económico, é um cesto a transportar água. A não-regionalização seria do ponto de vista de eficácia económica menos vantajosa para o próprio orçamento da República, pois além de refreadora de desenvolvimento, provou ser desadequada para a compreensão dos problemas, para a mobilização das energias e talentos locais, e ser corruptora e corrompida.
A Região, porque mais perto e mais controlada pelos cidadãos, é necessariamente mais transparente e mais eficaz.
3. Em último lugar, acrescentaria o óbvio: a Regionalização é uma questão política e, hoje mais do que nunca, uma questão de verdade democrática. Da mesma forma que se paga um preço ao garantir, por exemplo, que a União Europeia funcione a 20 línguas, da mesma forma que há um custo em assegurar regularmente eleições para as assembleias deliberativas e outros órgãos do poder, a instituição de Regiões, tanto mais quanto mais sentidas e queridas pelas populações, é um direito dos povos que não se regateia numa qualquer mercearia de bairro.
Ora, é precisamente por estarmos em período de grave crise orçamental e económica que a Regionalização é urgente. Desde logo, porque é a boa resposta à atrofia económica, mas é também a garantia de que há equilíbrio territorial nos esforços e sacrifícios a repartir.
4. Uma observação final:
É evidente que esta questão do custo da Regionalização exige estudo e trabalho de cálculos, exige pôr muita coisa na mesa, e que a própria reorganização administrativa pressupõe investigação e auscultação das populações. Mas a primeira medida a tomar é pôr de imediato cobro ao esbanjamento e ao nepotismo que medra à sombra de um modelo centralista ultrapassado.
De qualquer forma, se no fim do dia se chegasse à conclusão de que a Região traria um acréscimo transitório de custos (cenário em que não acredito), pois então eu arriscaria a dizer que isso é matéria para ser decidida pelos cidadãos da Região e estou convencido que os do Norte estariam dispostos a chamar a si esse encargo se tal fosse o preço para pôr fim à asfixia que os subjuga.
A Região irá necessariamente, a prazo, substituir ou suceder (o que significa libertar e racionalizar) a maior parte da actual rede de dezenas de estruturas paralelas que funcionam como delegações periféricas do Governo da República. A Região contribuirá fortemente para pôr fim à sobreposição de serviços, missões, 'task-forces', comissões, observatórios, conselhos, fundações públicas, e toda a catrefa de delegações, balcões, antenas que pululam por esse país fora, quase se diria numa competição inter-ministerial para ver qual o departamento central que produz mais prolongamentos.
Está por fazer o cálculo da poupança em instalações, em encomendas de serviços e fornecimentos, em viaturas, em alugueres etc. etc., que uma transferência de competências para a Região pode trazer.Se considerarmos que apenas os membros da Junta Regional (5 pessoas?) serão remunerados e que os membros da Assembleia Regional apenas receberiam senhas de presença, admito que essa particular despesa seja mesmo inferior àquilo que já hoje se gasta com os vários Governadores Civis e os membros da CCR, estruturas obviamente a extinguir ou a transferir.
Além disso, a existência da Região criará, como o demonstra a prática e a experiência nos países europeus regionalizados, uma nova dinâmica nas relações inter-municipais enquanto facilitadora de acções e estratégias que hoje se duplicam e anulam por rivalidades tantas vezes acicatadas pelos partidos centralistas.
2. Em segundo lugar, penso ser hoje pertinente recolocar a questão ao contrário, ou seja, perguntar qual será o custo financeiro para o país da Não-Regionalização.
A experiência demonstra que a gestão centralizada dos recursos e dos investimentos, para já nem falar do modelo centralista de desenvolvimento económico, é um cesto a transportar água. A não-regionalização seria do ponto de vista de eficácia económica menos vantajosa para o próprio orçamento da República, pois além de refreadora de desenvolvimento, provou ser desadequada para a compreensão dos problemas, para a mobilização das energias e talentos locais, e ser corruptora e corrompida.
A Região, porque mais perto e mais controlada pelos cidadãos, é necessariamente mais transparente e mais eficaz.
3. Em último lugar, acrescentaria o óbvio: a Regionalização é uma questão política e, hoje mais do que nunca, uma questão de verdade democrática. Da mesma forma que se paga um preço ao garantir, por exemplo, que a União Europeia funcione a 20 línguas, da mesma forma que há um custo em assegurar regularmente eleições para as assembleias deliberativas e outros órgãos do poder, a instituição de Regiões, tanto mais quanto mais sentidas e queridas pelas populações, é um direito dos povos que não se regateia numa qualquer mercearia de bairro.
Ora, é precisamente por estarmos em período de grave crise orçamental e económica que a Regionalização é urgente. Desde logo, porque é a boa resposta à atrofia económica, mas é também a garantia de que há equilíbrio territorial nos esforços e sacrifícios a repartir.
4. Uma observação final:
É evidente que esta questão do custo da Regionalização exige estudo e trabalho de cálculos, exige pôr muita coisa na mesa, e que a própria reorganização administrativa pressupõe investigação e auscultação das populações. Mas a primeira medida a tomar é pôr de imediato cobro ao esbanjamento e ao nepotismo que medra à sombra de um modelo centralista ultrapassado.
De qualquer forma, se no fim do dia se chegasse à conclusão de que a Região traria um acréscimo transitório de custos (cenário em que não acredito), pois então eu arriscaria a dizer que isso é matéria para ser decidida pelos cidadãos da Região e estou convencido que os do Norte estariam dispostos a chamar a si esse encargo se tal fosse o preço para pôr fim à asfixia que os subjuga.
INTERROGAÇÕES DE 2ª FEIRA
Porque carga de água haveria o Chico Buarque de querer conhecer José Sócrates?
Será que finalmente o PS conseguiu calar Manuel Alegre, aquele a quem ninguém calava?
Será que finalmente o PS conseguiu calar Manuel Alegre, aquele a quem ninguém calava?
Arte portuguesa em Roma

Makro (ala nova)
Tive a sorte de conseguir tirar uns dias de férias e de ir este fim de semana a Roma a convite do conselheiro cultural da embaixada portuguesa, Paulo Cunha e Silva, visitar a Feira Internacional de Arte Contemporanea e conhecer as mostras de Albuquerque Mendes e João Louro. Num fim de semana em que Roma fervilhava de actividade cultural e artistica, Albuquerquer Mendes recriou, na Igreja de Santo António dos Portugueses, os sete dias da Criação do Mundo em pequenas telas redondas expostas dentro de sete caixas de madeira em que o visitante tinha que entrar para ver com a ajuda de uma lanterna. A última das caixas (a sétima) colocada no meio das outras seis, era atravessada apenas por um feixe de luz, representando o Sétimo dia da Criação, apelando à reflexão e ao silêncio. João Louro, por sua vez, expôs numa sala própria na ala antiga do Makro, cuja nova ala também inaugurou este fim de semana, um conjunto de espelhos legendados ("My Dark Places") a partir das obras do Marquês de Sade e de James Elroy, e quatro telas monocromáticas que ocupavam o fundo da sala ("Clockwise from above"). Ali perto, nos jardins da embaixada portuguesa, uma instalação do mesmo artista usando sinais de trânsito para estabelecer a ligação entre a exposição do Makro e a poesia de Mário Sá Carneiro, chamava a atenção de quem passava na rua. Tudo isto (e muitas outras actividades) resulta do esforço que o nosso embaixador em Roma, Fernando Neves, tem vindo a desenvolver no sentido de chamar a atenção para a nossa arte, a nossa língua e a nossa cultura em Itália. Pelo que pude ajuizar este fim de semana, o seu trabalho está a ser bem sucedido.
De olhos em bico
As noticias que nos últimos dias têm surgido sobre uma fábrica na China que emprega 400.000 chineses, sim 400.000, deveria ser o derradeiro sinal para que a Europa e o mundo Ocidental colocassem um ponto final neste relacionamento "fraudulento" com a china. Claro que a hipocrisia de alguns está a ser e vai ser a desgraça de muitos. Alguns anos atrás foram as empresas desportivas o foco dos olhares com as noticias de mortes e condições desumanas nas fábricas na China. Lá rectificaram o tiro. Agora uma vez mais chegam ecos e como tal ficamos à espera das consequências.
Só que haverá sempre alguém (leia-se empresas) que tentarão aproveitar as vantagens chinesas, e a Europa perderá mais uns milhares de emprego, teremos novas crises e questionaremos o nosso sistema económico e social. Só que o erro não está no nosso sistema mas sim no sistema que os chineses praticam, desumano e esclavagista, e depois na falta de visão de politicos e empresários.
Mas a culpa não é só dos politicos que nos regem, mas de empresários e gestores ávidos em ganhar mais uns euros ou uns dolares e em agradar a accionistas sedentos de ganhos. Mas onde fica a responsabilidade social das empresas?
Uma reflexão que tem obirgatoriamente que ser feita.
Só que haverá sempre alguém (leia-se empresas) que tentarão aproveitar as vantagens chinesas, e a Europa perderá mais uns milhares de emprego, teremos novas crises e questionaremos o nosso sistema económico e social. Só que o erro não está no nosso sistema mas sim no sistema que os chineses praticam, desumano e esclavagista, e depois na falta de visão de politicos e empresários.
Mas a culpa não é só dos politicos que nos regem, mas de empresários e gestores ávidos em ganhar mais uns euros ou uns dolares e em agradar a accionistas sedentos de ganhos. Mas onde fica a responsabilidade social das empresas?
Uma reflexão que tem obirgatoriamente que ser feita.
domingo, maio 30, 2010
O cansaço já chegou à Islânida
Parece que pela Islândia continuam as erupções. Depois de lava e nuvem pelo vulcão de nome impronúnciável, chegou agora a vez da politica ser varrida por um novo furacão ao ver um comediante ganhar as eleições autárquicas e logo na capital. Lindo sem dúvida. E prometia coisas do arco da velha e avisava logo que não as cumpriria. Honesto pelo menos. Veremos se estas nuvens também se abatem sobre o resto da Europa.
O bater no fundo
O gabinete de Sócrates emite uma nota a informar que Chico Buarque pediu para ser recebido por José Socrates pois queria conhecê-lo.
Chico Buarque emitiu um comunicado que informava estar o nosso primeiro a mentir. Até lá fora já o conhecem. É triste.
Chico Buarque emitiu um comunicado que informava estar o nosso primeiro a mentir. Até lá fora já o conhecem. É triste.
sábado, maio 29, 2010
O mesmo país?
Mão amiga, marotamente masculina, fez-me chegar, electronicamente, alguns exemplares das fotos de uma professora lá para os lados de Bragança, publicadas em revista, como modelo. Não as coloco num "aqui", não porque elas possam envergonhar qualquer portuguesa, mas apenas por que as minhas habilidades informáticas a tanto (ainda) não mo permitem.
Não sei, nem tão pouco interessa saber, se o fez para complementar o seu salário de professora, se por pretender enveredar pela carreira de modelo, ou outra qualquer. É tudo matéria do seu foro pessoal.
Recordo-me, apenas, que tamanha "ousadia" lhe valeu a expulsão daquela sua escola.
Recordo-me ainda que tal foi notícia justamente na mesma semana em que foi aprovado o casamento gay.
E pergunto-me se falamos de um mesmo país.
Não sei, nem tão pouco interessa saber, se o fez para complementar o seu salário de professora, se por pretender enveredar pela carreira de modelo, ou outra qualquer. É tudo matéria do seu foro pessoal.
Recordo-me, apenas, que tamanha "ousadia" lhe valeu a expulsão daquela sua escola.
Recordo-me ainda que tal foi notícia justamente na mesma semana em que foi aprovado o casamento gay.
E pergunto-me se falamos de um mesmo país.
sexta-feira, maio 28, 2010
Eleições à vista?
A meio da semana o Diário Económico publicou um artigo de Marco António Costa que dava já o mote. Agora o líder parlamentar do PSD radicaliza o discurso, rumo à moção de censura.
Com isto no estado em que está, ainda vamos ter eleições antes de Setembro. Se calhar é melhor assim...
Com isto no estado em que está, ainda vamos ter eleições antes de Setembro. Se calhar é melhor assim...
quinta-feira, maio 27, 2010
Ana, aqui podes pôr a roupa a secar
Está lá?

O CDS está contra a redução do número de deputados. Diz que é demagógico.
O PS também está contra. Diz que é uma ideia oportunista.
O PC desaprova em nome do pluralismo.
O Bloco está igualmente contra. Diz qualquer coisa.
Eles lá têm as suas razões. Imagine-se o que seria obrigar metade dos actuais deputados a arcarem com as tarefas da outra metade. Não pode ser. Ficavam sem margem para as outras ocupações.
Fico agora à espera das próximas propostas do Sr. Almeida, o Secretário-Geral do CDS. É que pelas minhas contas, a seguirmos esta proporção de 230 deputados num Portugal de dez milhões, o parlamento alemão (82 milhões) devia ter 1886 deputados em vez dos actuais 622 e, mais grave ainda, o Parlamento Europeu ( 491 milhões) devia reunir 11293 representantes em vez dos míseros 751 que lá se sentam entre Segunda e Quinta.
Querem ver que amanhã ou pr’à semana o Nuno Melo e o Diogo Feyo, depois de ouvirem o seu Secretário-Geral, apresentam uma proposta gorda para aumentar à grande o Parlamento Europeu ? Se isso der para arranjar assento em Bruxelas ao Sr. João Almeida, até sou a favor.
Postal de Tóquio (9)

Ultimamente tenho-me sentido mais cansada do que é habitual.
Ora bem, pensando bem no assunto, só viver em Tóquio já é cansativo, desgastante.
Cada dia é uma aventura, cada interacção com o próximo um salto no desconhecido e todos os sentidos estão em permanente alerta. A atenção ao que me rodeia é constante e isso cansa.
Tóquio é cansativo. O Japão é desgastante. Tudo é sempre uma incógnita.
Andar de metro, por exemplo, é das actividades mais arriscadas e nunca se sabe se a pessoa ao nosso lado tomou um pequeno-almoço mais ou menos substancial que lhe permita aromatizar o ambiente...
A aproximação do metro nem sempre significa que consigamos entrar nele: a massa humana que de lá sai é de tal ordem que já por duas vezes o perdi, na plataforma, com a porta à minha frente e um mundo de gente entre nós. As minhas visitas admiram-se quando lhes sugiro que, em hora de ponta, não há que pedir licença, muito menos esperar por uma aberta: é empurrar e com toda a força! Em Roma sê romano...
Ontem levei um valentíssimo empurrão que me fez recuar dois passos. Quando olhei para o agressor constatei com surpresa que era uma velhinha de 130 cm, 20 kg e uns bons 350 anos. Há muitos por aqui. São pessoas que morreram de velhas durante a Guerra mas como os japoneses estavam muito mais entretidos a esborrachar-se, mais os seus aviões, contra os americanos, ninguém deu por nada e consequentemente não avisaram as pessoas de que estava na altura de atravessarem o rio. Entretanto nunca mais actualizaram os registos e é vê-los por aí a cirandar por todo o lado. A de ontem era seguramente uma destas porque a força que saiu daquele corpo franzino não era deste mundo!
Joana
Joana
Os cônsules
Alguém sabe por onde anda este senhor?A última vez que deu notícias terá sido durante a campanha eleitoral para as legislativas em Setembro do ano passado. Se a memória não me falha, era o cabeça de lista do PSD pelo distrito de Aveiro. Terá ido também jogar golf com o distinto cabeça de lista do tal partido pelo distrito de Braga?Sei que é cônsul da Rússia. Ele bem dizia que estava mais próximo das pessoas, mas não dizia de quais. Vou falar ao Putin.
O rio cresce
Os de fora também têm palavra
quarta-feira, maio 26, 2010
Postal de Barcelona (3)

Ontem passei, mais uma vez, pela Casa Batlló.
Ia a caminho de uma entrevista de emprego e jurei a mim mesma que desta vez ia vestir inteiramente a pele do “inimigo” e não ia olhar para lá. Ia-me ser completamente indiferente, ia ser um passeio qualquer, numa rua qualquer de uma qualquer cidade. Ia passar pelo passeio, inundado de turistas, e dar encontrões a quem se pusesse à minha frente para tirar fotografias. Ia olhar com ar de piedade para os que esperassem na fila, especialmente para os últimos. Aos que estivessem sentados no banco, horas a fio, a perceber cada curva, cada pedrinha, ia deitar um olhar de “aposto que estás aí há horas, haja paciência, junta dinheiro e compra a porcaria do bilhete duma vez!”. Ia ser uma verdadeira barcelónica e desprezar todos os turistas que invadem a minha cidade.
Claro que não consegui.
Primeiro, porque aquela é, talvez, a esquina da minha predilecção nesta cidade.
Segundo, porque tenho plena convicção de que os turistas da Batlló são completamente diferentes dos turistas que invadem a minha praça e a (minha) Sagrada Família.
Terceiro, porque já estive, em diferentes ocasiões, no lugar de todos eles. Já fui dos que passam e levam encontrões dos locais quando tiram uma fotografia só p’ra poder acalmar a consciência e dizer que lá estiveram; dos que se sentam horas a fio no banco da frente de luvas a beber um chá ou de chinelos e água fresca na mão, só a olhar para cima até que lhes bata à porta o torcicolo; e dos que finalmente, sôfregos de desejo, fazem fila à porta com 12 € contados na mão para poder ver aquilo por dentro.
Ana
Contra a corrente...
...depressiva (ou até realista!) em que se anda - e eu confesso que ando muito realista - o Jornal de Negócios tem hoje uma edição auto-intitulada "anti-depressiva"! De facto, faz bem ver coisas bem feitas e conhecer casos de sucesso. Anima-nos a não deixar de lutar e a tentar remar contra o conformismo instalado.
Um abraço de parabéns ao Pedro Guerreiro por esta excelente iniciativa, de verdadeiro serviço público!
Um abraço de parabéns ao Pedro Guerreiro por esta excelente iniciativa, de verdadeiro serviço público!
Nunca de chapéu na mão
Nem ali
Agora?!
António Guterres está muito preocupado com a actual situação de Portugal, que, na sua opinião, se encontra numa posição vulnerável. «Este é um momento muito difícil, põe-nos numa posição de vulnerabilidade, que é necessariamente muito preocupante», afirmou, avisando também que a resposta à crise será prolongada. Ora, não sei o que pensam sobre o assunto, fico certamente muito sensibilizada com tais mostras de visão e de preocupação com o país, mas acho muito sinceramente que Guterres e outros deviam ser rigorosamente proibidos de dar palpites sobre uma situação para a qual muito contribuiram enquanto governantes. No outro dia, Medina Carreira dizia numa entrevista que deviam ser criados mecanismos de responsabilização de certos políticos e governantes pela forma como deixaram Portugal. E não é que, por acaso, se lembrou de Guterres e da forma como renunciou ao país e às suas funções uns anos atrás?!
Recebido por mail
"Hoje lá está em Nova Iorque a tropa fandanga (Teixeira dos Santos, Ricciardi, Santos Ferreira, Ricardo Salgado, Francisco Lacerda, António Mexia,
Ferreira de Oliveira, Zeinal Bava, Rodrigo Costa) para explicar aos investidores internacionais as medidas que estão a ser tomadas em Portugal.
Quem deve estar a rir é a Merkel porque a Merkel sabe e lê e a tropa fandanga não sabe nem lê.
A Merkel sabe isto: não se pode fazer capitalismo de Estado com um Estado falido. A não ser que se esteja na Rússia de Lenine ou de Estaline ou na
China de Mao. E esse tempo já se foi.
Que ridículo esta tropa fandanga!"
Ferreira de Oliveira, Zeinal Bava, Rodrigo Costa) para explicar aos investidores internacionais as medidas que estão a ser tomadas em Portugal.
Quem deve estar a rir é a Merkel porque a Merkel sabe e lê e a tropa fandanga não sabe nem lê.
A Merkel sabe isto: não se pode fazer capitalismo de Estado com um Estado falido. A não ser que se esteja na Rússia de Lenine ou de Estaline ou na
China de Mao. E esse tempo já se foi.
Que ridículo esta tropa fandanga!"
Vontade de trabalhar
Este fim de semana andei pelos lados de Ofir e estive na sempre simpática Estalagem Parque do Rio. Continua um bom local para um retiro, rodeada de pinheiros, uma excelente piscina e a um salto da praia. Ah, claro e o Pacha está quase a abrir. Mas este post não é para contar as minhas aventuras. Mas sim dar conta da dificuldade que o gerente me deu conta em conseguir gente para trabalhar na hotelaria. Bem se esforça por escolher os curriculum disponíveis no centro de emprego local, bem se esforça por traçar um perfil das suas necessidades. O problema que encontra é por um lado falta de vontade de trabalhar numa tarefa que implica não ter fins de semana, trabalhar de noite. E por outro lado a fraca qualidade de quem responde aos anúncios. A velha problemática portuguesa: falta de vontade e de profissionalismo. Ainda vai havendo uns trabalhos para ocupar, mas de facto é muito mais cómodo ficar no bem-bom a receber o subsidío. Claro que quanto mais protecção houver menos necessidade temos em lutar.
terça-feira, maio 25, 2010
Política

Há brutos e broncos.
Em italiano, bruto quer dizer feio.
O vilão da série ‘Popeye’ chamava-se Bluto, um alarve.
Nada sei sobre etimologia, mas não me surpreenderia que esses sentidos que hoje damos à palavra bebessem na imagem que fizémos ou nos fizeram de Marcus Brutus, o amigo de César. Um traidor, um conspirador, um falso, um dissimulado e, pior que tudo, o assassino de um general sempre vitorioso, sempre corajoso, sempre elegante e culto. Brutus teria necessariamente de ser um bruto, ou vice-versa. Ponto final ?
Mais devagar, se faz favor.
Brutus era um homem cultíssimo (talvez um estoico, mas seguramente um platonista), um político benevolente, um militar corajoso, um homem de reflexão.
Marco Aurélio, o imperador filósofo, escreveu sobre Brutus: “o culto constante da filosofia, da bondade, da generosidade, da esperança e da fé na amizade, a franqueza face aos de quem discordava e a total transparência face aos seus amigos ».
Shakespeare, na sua peça de teatro « Júlio César”, faz dizer a Brutus uma das mais belas tiradas que conheço:
If there be any in this assembly, any dear friend of
Caesar's, to him I say, that Brutus' love to Caesar
was no less than his. If then that friend demand
why Brutus rose against Caesar, this is my answer:
--Not that I loved Caesar less, but that I loved
Rome more. Had you rather Caesar were living and
die all slaves, than that Caesar were dead, to live
all free men? As Caesar loved me, I weep for him;
as he was fortunate, I rejoice at it; as he was
valiant, I honour him: but, as he was ambitious, I
slew him. There is tears for his love; joy for his
fortune; honour for his valour; and death for his
ambition.<>
Desta estirpe já não há.
Ou estarei enganado ?
Pelo Norte II
Eu também alinho.
Pelo Norte
A partir de hoje, também estou ali
Pelo Norte!
Pelo Norte!
segunda-feira, maio 24, 2010
Ricardo Reis
Anda na moda falar de Ricardo Reis. Não do heterónimo de Fernando Pessoa mas do "tuga" emigrado nos states. Algumas das suas pistas para ajudar Portugal a sair da crise parecem simples de dizer e simples de implementar.
- aumentar iva - tributar a despesa feita
- reduzir irs - aumentar disponibilidade das familias
- reduzir taxa segurança social - aumentar competitividade das empresas
Claramente a estas eu juntaria´
- certificados de aforro com melhores taxas
- subs ferias e de natal dividido ao longo do ano
mas que alguma coisa tem que ser feita ninguém tem dúvidas e não estou a ver nada de concreto.
- aumentar iva - tributar a despesa feita
- reduzir irs - aumentar disponibilidade das familias
- reduzir taxa segurança social - aumentar competitividade das empresas
Claramente a estas eu juntaria´
- certificados de aforro com melhores taxas
- subs ferias e de natal dividido ao longo do ano
mas que alguma coisa tem que ser feita ninguém tem dúvidas e não estou a ver nada de concreto.
Crise? Qual crise?
Nós os tugas somos um povo deveras estranho.
Passamos a vida inteira, sim não é nem o dia nem o ano é mesmo a vida inteira, a queixarmo-nos. Uns com dores nos calos, outros por causa das hemorróides e outros porque está sol e devia era chover.
Por outro lado não acreditamos nunca em quem nos governa. Se nos escondem a verdade e estamos em plena crise continuamos a gastar animadamente. Se nos tentam dizer a verdade e que estamos em crise e que blá blá, também não acreditamos pois por norma não acreditamos no que eles dizem.
Claramente os tugas são bipolares. Queixam-se dos calos mas não da crise. Por isso as agências de viagem vendem aos magotes e o Rock in Rio está cheio. Mas porra para os calos e para as hemorróides.
Passamos a vida inteira, sim não é nem o dia nem o ano é mesmo a vida inteira, a queixarmo-nos. Uns com dores nos calos, outros por causa das hemorróides e outros porque está sol e devia era chover.
Por outro lado não acreditamos nunca em quem nos governa. Se nos escondem a verdade e estamos em plena crise continuamos a gastar animadamente. Se nos tentam dizer a verdade e que estamos em crise e que blá blá, também não acreditamos pois por norma não acreditamos no que eles dizem.
Claramente os tugas são bipolares. Queixam-se dos calos mas não da crise. Por isso as agências de viagem vendem aos magotes e o Rock in Rio está cheio. Mas porra para os calos e para as hemorróides.
A caminho do Mundial
Hoje realizaram-se vários jogos de preparação e fiz zapping entre três deles. Os resultados foram os seguintes:
3º lugar ranking fifa - 0 V 117º lugar ranking fifa - 0
7º lugar ranking fifa - 5 V 63º lugar ranking fifa - 0
8º lugar ranking fifa - 3 V 17º lugar ranking fifa - 1
claro que são jogos de preparação e que o importante mesmo é quando chegarem os jogos a contar. mas que há uns que jogam sempre e outros que nem por isso é uma velha tradição dos moços que estão em 3º lugar do ranking da fifa.
3º lugar ranking fifa - 0 V 117º lugar ranking fifa - 0
7º lugar ranking fifa - 5 V 63º lugar ranking fifa - 0
8º lugar ranking fifa - 3 V 17º lugar ranking fifa - 1
claro que são jogos de preparação e que o importante mesmo é quando chegarem os jogos a contar. mas que há uns que jogam sempre e outros que nem por isso é uma velha tradição dos moços que estão em 3º lugar do ranking da fifa.
Piruetas por Vasco Pinto de Magalhães s.j.
A união de homossexuais e o Presidente da Republica
O título mais exacto do comentário que se segue seria “A pirueta da triste figura”.
Senti um arrepio, quase vómito, quando acabei de ouvir o Prof. Cavaco Silva. Que vergonha, senti. Por ele, claro. E pelo país. Assim ficou para a história como o padrinho (the best man) dos homossexuais, por incoerência da sua decisão, quando poderia ter passado à História como alguém que sem disfarce piedoso e paternalista segue as suas convicções, independente de votos e oportunismos. Seria bem preferível que, sem mais, tivesse promulgado o tal “casamento”, porque sim, porque assim o achava. Mas vir dizer a todo um país que ele pensou bem e não está de acordo e deu provas disso, que há outros modos e figuras jurídicas para o caso que são seguidas nos países que ninguém se atreve a chamar de atrasados; mais, que só uma minoria na Europa assumiu esta forma e, depois, num salto mortal, conclui ao contrário e promulga! O dito por não dito. Claro, arranjou duas “razões”. Falsas. E uma delas é ofensiva da dignidade e inteligência de um povo: estamos tão em crise e tão miseráveis que não nos podemos distrair com este tipo de debates! Ora, estes temas humanos é que são sérios, até porque a verdadeira crise é de valores. O Senhor Presidente pode ter a certeza de que o povo, “na sua menoridade” o que vai discutir é sobre futebol em África e o campeonato do Mundo. A outra razão também é “enorme”! A Assembleia vai aprovar outra vez e já não será possível vetá-lo. Pois não seria, se não houvesse outras coisas a fazer. Até dissolver a Assembleia seria possível. Aliás ninguém pode garantir em absoluto que uma lei passe (ou não) e que não haja mudanças de opinião, sobretudo quando a maioria não está assim tão garantida! De facto, usar tal argumento e agir assim com tal pirueta é como se alguém dissesse “vou-me suicidar porque é certo que dentro de algum tempo morrerei”.
Eis aqui um exemplo de um mau discernimento, do que é deixar-se levar pelas aparências de bem, do que é não clarificar nem assumir as verdadeiras motivações e arranjar “boas” razões, saídas airosas para proteger as próprias conveniências.
Enfim, não se podem julgar as pessoas, mas as piruetas, sim.
O título mais exacto do comentário que se segue seria “A pirueta da triste figura”.
Senti um arrepio, quase vómito, quando acabei de ouvir o Prof. Cavaco Silva. Que vergonha, senti. Por ele, claro. E pelo país. Assim ficou para a história como o padrinho (the best man) dos homossexuais, por incoerência da sua decisão, quando poderia ter passado à História como alguém que sem disfarce piedoso e paternalista segue as suas convicções, independente de votos e oportunismos. Seria bem preferível que, sem mais, tivesse promulgado o tal “casamento”, porque sim, porque assim o achava. Mas vir dizer a todo um país que ele pensou bem e não está de acordo e deu provas disso, que há outros modos e figuras jurídicas para o caso que são seguidas nos países que ninguém se atreve a chamar de atrasados; mais, que só uma minoria na Europa assumiu esta forma e, depois, num salto mortal, conclui ao contrário e promulga! O dito por não dito. Claro, arranjou duas “razões”. Falsas. E uma delas é ofensiva da dignidade e inteligência de um povo: estamos tão em crise e tão miseráveis que não nos podemos distrair com este tipo de debates! Ora, estes temas humanos é que são sérios, até porque a verdadeira crise é de valores. O Senhor Presidente pode ter a certeza de que o povo, “na sua menoridade” o que vai discutir é sobre futebol em África e o campeonato do Mundo. A outra razão também é “enorme”! A Assembleia vai aprovar outra vez e já não será possível vetá-lo. Pois não seria, se não houvesse outras coisas a fazer. Até dissolver a Assembleia seria possível. Aliás ninguém pode garantir em absoluto que uma lei passe (ou não) e que não haja mudanças de opinião, sobretudo quando a maioria não está assim tão garantida! De facto, usar tal argumento e agir assim com tal pirueta é como se alguém dissesse “vou-me suicidar porque é certo que dentro de algum tempo morrerei”.
Eis aqui um exemplo de um mau discernimento, do que é deixar-se levar pelas aparências de bem, do que é não clarificar nem assumir as verdadeiras motivações e arranjar “boas” razões, saídas airosas para proteger as próprias conveniências.
Enfim, não se podem julgar as pessoas, mas as piruetas, sim.
domingo, maio 23, 2010
Mourinho
Mourinho ontem foi uma vez mais genial. A forma como colocou o Inter a jogar, como aniquilou Robben e acima de tudo como consegue que os seus jogadores cumpram as suas ordens em campo é bem demonstrativo da sua enorme capacidade não só de leitura de jogo mas acima de tudo de comandante de homens. Depois de conquistar Londres e Milão parece que Madrid é o próximo posto deste general 5 estrelas.
Dúvidas
Hoje diziam-me:
Não será de operar com urgência uma reorganização da estrutura do governo?
Nos dias que correm, para que serve o Ministério das Obras Públicas?
E se o Ministro das Finanças fosse também o Ministro da Economia e do Ambiente?
E juntar a Educação à Cultura e ao Ensino Superior?
E se o número de ministros reduzir?
Não será de operar com urgência uma reorganização da estrutura do governo?
Nos dias que correm, para que serve o Ministério das Obras Públicas?
E se o Ministro das Finanças fosse também o Ministro da Economia e do Ambiente?
E juntar a Educação à Cultura e ao Ensino Superior?
E se o número de ministros reduzir?
Ministro das Finanças vs Sr. Ministro das Finanças
De um Ministro das Finanças espera-se rigor, não cosmética.
De um Ministro das Finanças espera-se verdade, não ficção.
De um Ministro das Finanças espera-se que perceba o que está por trás dos números e que tenha a capacidade de questionar e ajudar os seus colegas de governação.
E de lhes saber dizer NÃO sempre quando necessário.
De um Ministro das Finanças espera-se que não seja um “yes man” do seu chefe, antes que o possa orientar no sentido financeiramente saudável.
E que lhe saiba dizer NÃO sempre quando necessário.
Se eu fosse o chefe, tudo isto exigiria a um Ministro das Finanças.
Um tal Ministro das Finanças é credível. Quando não, é um boneco.
Infelizmente, de há algum tempo que o nosso Sr. Ministro das Finanças vinha, aqui ou ali, a falar de alguns números ao sabor dos interesses do seu chefe.
Por vezes posso até entender alguma meia verdade, posto que não a mentira.
Mas, as lamentáveis histórias do período pré e pós eleitoral ultrapassaram tudo quanto poderia ser minimamente considerado como razoável.
Aquela coisa de passar o verão de 2009 a jurar a pés juntos que a expectativa do défice para o final do ano continuava a ser de 5 e tal % do PIB, quando então já se sabia que assim não era e, o que é mais grave, quando então ele já sabia quanto era, minou a sua credibilidade.
Aquela coisa de no final do ano ainda lhe acrescentar mais 1% (cá para mim só para mostrar serviço no ano seguinte), caiu ainda pior.
E os mercados não gostam nada destas coisas, pois que as declarações de um Ministro das Finanças são mesmo para ser lidas como coisa séria.
Mas, nas actuais circunstâncias, o país está refém deste Sr. Ministro das Finanças e este Sr. Ministro das Finanças está refém do poder também. Por isso posso bem compreender as declarações do novo Sr. Governador do BdP (como mencionado na posta anterior). Que não serão de pura amizade, mas sim institucionais, para tentar, pelo menos internamente, recuperar um pouco a sua credibilidade perdida. Missão que se me afigura já como impossível.
De um Ministro das Finanças espera-se verdade, não ficção.
De um Ministro das Finanças espera-se que perceba o que está por trás dos números e que tenha a capacidade de questionar e ajudar os seus colegas de governação.
E de lhes saber dizer NÃO sempre quando necessário.
De um Ministro das Finanças espera-se que não seja um “yes man” do seu chefe, antes que o possa orientar no sentido financeiramente saudável.
E que lhe saiba dizer NÃO sempre quando necessário.
Se eu fosse o chefe, tudo isto exigiria a um Ministro das Finanças.
Um tal Ministro das Finanças é credível. Quando não, é um boneco.
Infelizmente, de há algum tempo que o nosso Sr. Ministro das Finanças vinha, aqui ou ali, a falar de alguns números ao sabor dos interesses do seu chefe.
Por vezes posso até entender alguma meia verdade, posto que não a mentira.
Mas, as lamentáveis histórias do período pré e pós eleitoral ultrapassaram tudo quanto poderia ser minimamente considerado como razoável.
Aquela coisa de passar o verão de 2009 a jurar a pés juntos que a expectativa do défice para o final do ano continuava a ser de 5 e tal % do PIB, quando então já se sabia que assim não era e, o que é mais grave, quando então ele já sabia quanto era, minou a sua credibilidade.
Aquela coisa de no final do ano ainda lhe acrescentar mais 1% (cá para mim só para mostrar serviço no ano seguinte), caiu ainda pior.
E os mercados não gostam nada destas coisas, pois que as declarações de um Ministro das Finanças são mesmo para ser lidas como coisa séria.
Mas, nas actuais circunstâncias, o país está refém deste Sr. Ministro das Finanças e este Sr. Ministro das Finanças está refém do poder também. Por isso posso bem compreender as declarações do novo Sr. Governador do BdP (como mencionado na posta anterior). Que não serão de pura amizade, mas sim institucionais, para tentar, pelo menos internamente, recuperar um pouco a sua credibilidade perdida. Missão que se me afigura já como impossível.
Galhardetes

Há dias saudei neste blogue a designação de Carlos Costa como o próximo Governador do Banco de Portugal. Hoje leio no Público on-line que o indigitado afirmou que nos devemos sentir muito satisfeitos por termos um tão bom ministro das Finanças, o qual, no dizer de Carlos Costa, goza de uma optima reputação e prestígio internacionais. Nas suas palavras, « estamos bem entregues ».
Eu sei que são amigos e até posso compreender que o Sr. Costa envie uma flor de gratidão ao Sr. Santos por este lhe permitir regressar ao país. Mas em assuntos de Estado esses estados de alma deixam-se no hall de entrada. O Sr. Carlos Costa começa mal se pensa que deve começar com baboseiras daquele calibre. Pede-se-lhe que exerça as suas funções de Governador do Banco central com competência e com independência e tanto basta.
Já temos D. Basílios que cheguem e não precisamos de mais Constâncios.
Fica em observação.
sábado, maio 22, 2010
Praia
Pois nesta época de crise, valha o bom tempo.
Está prá praia.
E enquanto podemos e não aplicam a taxa de acesso à praia tipo SCUT. Já esteve mais fria essa ideia...
Está prá praia.
E enquanto podemos e não aplicam a taxa de acesso à praia tipo SCUT. Já esteve mais fria essa ideia...
sexta-feira, maio 21, 2010
Conselho a Pacheco Pereira
"Face aos obstáculos que lhe têm criado para utilização das escutas, sugeria-lhe modestamente que solicitasse parecer jurídico ao Prof. Vital Moreira, que em tempos considerou naturalíssimo que qualquer pavão utilizasse para gozo pessoal e para o mais que bem entendesse as escutas efectuadas sobre um Presidente de um clube desportivo.
A não ser que Vital Moreira considere mais importante o Conselho Disciplinar da Liga do que uma Comissão de Inquérito dos Deputados à Assembleia da República sobre a possibilidade de um Primeiro-Ministro mentir despudoradamente à Nação, certamente que com todo o gosto o Professor lhe oferecerá parecer favorável semelhante."
do Vasco, no Mar Salgado
tem graça, e não ofende
A não ser que Vital Moreira considere mais importante o Conselho Disciplinar da Liga do que uma Comissão de Inquérito dos Deputados à Assembleia da República sobre a possibilidade de um Primeiro-Ministro mentir despudoradamente à Nação, certamente que com todo o gosto o Professor lhe oferecerá parecer favorável semelhante."
do Vasco, no Mar Salgado
tem graça, e não ofende
Fruta pôdre
Havia um método: chamava-se "procedimento comunitário".A ideia era: a Comissão Europeia propõe e o Conselho decide.
Só a Comissão podia apresentar propostas, embora nada obstasse a que os Estados-Membros convidassem a Comissão a preparar uma proposta.
Entretanto veio essa maravilha do Tratado de Lisboa que traria o telefone único que o Kissinger procurava: hoje há 3 presidentes, uma "ministra" para os Assuntos externos, um Governador do Banco Central, um 4° presidente para a zona euro, mais não sei quantos Vices, Adjuntos, comités de sábios, coordenadores, 4 Tribunais e vinte e tal agências.
Cada um faz o que quer. Todos propõem e ninguém se entende. A telefona a B, C diz mal de D, E diz que não paga, F diz que já não quer, G pede para entrar, H avisa que quer sair, I amuou, J prefere dançar com os russos, L grita enquanto M chora, etc.
O que tem esta gente de comum? O abecedário, tão só. Mas nem sequer conhecem o ABC da política ou o praticam. Apenas falam para os jornais: "Vou pôr isto na minha Constituição!"
A Comissão? Debaixo da mesa.
O tal novo Presidente? Trancou-se no WC.
O Governador? Rasgou as regras de direito.
A tal Ministra? Em viagem ao Burundi.
E o procedimento, o método comunitário? Eh pá, não chateies.
Postal de Barcelona (2)
A Yanira tem trinta e tal anos, mas aparenta bem mais de quarenta.Quarenta falsos anos que carrega como um fardo tão pesado quanto a distância que a separa dos três filhos há mais de seis anos. A mais nova tem 7 anos, deixou-a em El Salvador ainda bébé. Morreram os pais e o marido e ela pôs-se ao caminho para poder cumprir um velho sonho: ter os filhos na Universidade.
Os olhos rasgados, escuros e tristes, transformaram-se quando disse, em Catalão e perante toda a turma, em voz baixa e por entre sorrisos de insegurança: o meu filho mais velho formou-se de Ingeniero o mês passado; a minha segunda filha estuda para ser Enfermera.
De manhã, a Yanira (que na verdade, segundo me explicou, devia chamar-se Janira, mas a tia enganou-se quando a foi registar e fez um Jota que parecia um Ypsilon, então ficou) toma conta de uma senhora velhinha que adora. “Es muy cariñosa…tengo que levarla bajo el brazo para pasear porque és muy fragil”. Às tardes, trabalha à hora em casas que precisem dos seus serviços. Agora tem duas tardes livres – essa patroa mandou-a embora, recusou-se a dar-lhe a última hora do dia para o curso de Catalão – “a tarde toda ou nada”.
Ela precisa deste curso “para los papeles”. Perdeu duas tardes de trabalho. A minha nova amiga leva o curso muito a sério, guarda religiosamente todo o material e usa cada bocadinho livre do caderno – já lhe disse que não é preciso tanto, que assim não se percebe nada, mas ela diz que tem medo de chumbar e de precisar de mais caderno para repetir.
Ontem tivemos que fazer uma composição. A Yanira escreveu a dela de forma tão empenhada que partiu o bico do lápis três vezes. No fim, pediu-me para a corrigir, antes de entregar à professora.
Estava tudo certo, menos uma palavra, no feminino, que eu não percebi se acabava em “a” ou em “o”. A resposta dela foi sublime: “Ana, eu só tenho a 2a classe. Às vezes não sei bem como escrever uma palavra, se é com “a” ou se é com “o”. Então faço uma coisa assim-assim…dá p’rós dois lados.”
(continua ali)
Ana
Certificados de aforro
Está mais do que provado que gastamos mais do que podemos.
Está mais do que provado que quando gastamos importamos.
O aviso foi de resto deixado pelos presidentes dos bancos portugueses em recente seminário do Diário Económico. Eles que emprestam dinheiro e promovem o crédito.
A CIP vem defender que os subsídio de férias e o de natal sejam liquidados com certificados de aforro.
Dessa forma seriam limitadas as despesas e indirectamente as importações e permitiria aumentar a poupança, algo que parece esquecido por todos. talvez esta ideia também possa ir para a constituição da república.
Está mais do que provado que quando gastamos importamos.
O aviso foi de resto deixado pelos presidentes dos bancos portugueses em recente seminário do Diário Económico. Eles que emprestam dinheiro e promovem o crédito.
A CIP vem defender que os subsídio de férias e o de natal sejam liquidados com certificados de aforro.
Dessa forma seriam limitadas as despesas e indirectamente as importações e permitiria aumentar a poupança, algo que parece esquecido por todos. talvez esta ideia também possa ir para a constituição da república.
Chicotadas psicológicas
É prática comum no futebol despedir um treinador quando não consegue por a equipa a jogar bom futebol e a ganhar jogos. Claro que como não se pode mexer no povo mexe-se em quem tem que liderar o povo, ou que quem esteve na génese do problema não faz parte da solução.
parece que estas máximas não se aplicam na governação dos países. é pena. O futebol ainda poderia servir para mais alguma coisa do que apenas para festejar golos. É que no desporto o que conta mesmo é os resultados e não a boa imprensa.
parece que estas máximas não se aplicam na governação dos países. é pena. O futebol ainda poderia servir para mais alguma coisa do que apenas para festejar golos. É que no desporto o que conta mesmo é os resultados e não a boa imprensa.
quinta-feira, maio 20, 2010
Duvidas do dia de hoje
A informação e contra-informação é apanágio dos dias de hoje. E o de hoje em particular foi um grande dia e acabo com duas dúvidas:
- o que decidiram os espanhóis sobre o TGV. Adiam ou não adiam?
- quem vai ser o treinador do FCPorto. Sempre vem o Vilas Boas?
talvez amanhã haja mais versões. Nada como uma boa intriga para manter viva a chama-
- o que decidiram os espanhóis sobre o TGV. Adiam ou não adiam?
- quem vai ser o treinador do FCPorto. Sempre vem o Vilas Boas?
talvez amanhã haja mais versões. Nada como uma boa intriga para manter viva a chama-
Naked Short Selling
Até ao café matinal de hoje esta expressão não me dizia nada. Hoje passou a servir-me como bom exemplo da loucura em grau exponencial. Para quem não saiba esta expressão é aplicada a quem na bolsa vende fundos que não tem mas que promete entregar no prazo estipulado, e como tal vai ter que os comprar ainda no mercado. Ou seja, a bolsa deixa de ter aquela ideia mitica de que é o local onde as empresas se financiam e onde as pessoas aplicam os seus dinheiros, para ser uma espécie de roleta russa na sua mais perfeita aplicação.
Está bom de ver que tem que acabar mal esta ideia de vender o que não se tem. Como está bom de ver que convém colocar alguma ordemm nestas coisas estranhas e que permitem destorcer realidades, como por exemplo as famosas OffShore.
Pode ser que estas crises sirvam para arruumar a casa.
Está bom de ver que tem que acabar mal esta ideia de vender o que não se tem. Como está bom de ver que convém colocar alguma ordemm nestas coisas estranhas e que permitem destorcer realidades, como por exemplo as famosas OffShore.
Pode ser que estas crises sirvam para arruumar a casa.
Rever o que para nada serve para que serve?
Passos Coelho quer rever a constituição para salvar portugal
Luis Amando quer rever a constituição para lá colocar que o défice não pode ser superior a 3%
Se fosse por decreto que tudo se implementava e concretizava, já tinhamos a regionalização a funcionar à tempos.
Luis Amando quer rever a constituição para lá colocar que o défice não pode ser superior a 3%
Se fosse por decreto que tudo se implementava e concretizava, já tinhamos a regionalização a funcionar à tempos.
Empurrar com a barriga
Já parei de fumar umas três ou quatro vezes. Coisa de meses. Deixo de tossir pela manhã, afino o paladar, etc. etc. (é melhor não explicar tudo).
Até que um dia…uma festa, uma asneira da selecção, um discurso do PS, enfim, um desgosto ou uma alegria me dizem « tira uma passa ». E pronto, a rampa é sempre a descer, ou seja, na semana seguinte já estou como dantes, embora mais envergonhado de mim próprio.
Ao fazer o balanço, minto-me ao pensar que não era o bom momento, que devia ter esperado pelo fim dos exames dos pequenos, pelo fim da audiência naquele processo ou pelo fim das idas ao dentista. É evidente que quando tudo isso passou e o rio corre tranquilo o que quero é disfrutar e penso que não vale a pena estragar uma semana das férias a roer as unhas e a chatear a família.
Foi em tudo isto que eu pensei ao ler este texto do TAF no JN.
Diz ele que é melhor esperar pela acalmia financeira. Quando tudo estiver bem, então vê-se o que se há-de fazer. Entretanto, todos na toca, que o momento não é oportuno. Como eu o compreendo…Claro que esperar por Godot é um programa como outro qualquer, mas acho graça a essa mentira. É uma ternura envergonhada que me faz sorrir pela sua candura.
Até que um dia…uma festa, uma asneira da selecção, um discurso do PS, enfim, um desgosto ou uma alegria me dizem « tira uma passa ». E pronto, a rampa é sempre a descer, ou seja, na semana seguinte já estou como dantes, embora mais envergonhado de mim próprio.
Ao fazer o balanço, minto-me ao pensar que não era o bom momento, que devia ter esperado pelo fim dos exames dos pequenos, pelo fim da audiência naquele processo ou pelo fim das idas ao dentista. É evidente que quando tudo isso passou e o rio corre tranquilo o que quero é disfrutar e penso que não vale a pena estragar uma semana das férias a roer as unhas e a chatear a família.
Foi em tudo isto que eu pensei ao ler este texto do TAF no JN.
Diz ele que é melhor esperar pela acalmia financeira. Quando tudo estiver bem, então vê-se o que se há-de fazer. Entretanto, todos na toca, que o momento não é oportuno. Como eu o compreendo…Claro que esperar por Godot é um programa como outro qualquer, mas acho graça a essa mentira. É uma ternura envergonhada que me faz sorrir pela sua candura.
quarta-feira, maio 19, 2010
D. Basílio
O Sr. Basílio Horta, o canastrão que diz que anda a arranjar investimentos estrangeiros, insurgiu-se contra as declarações de ontem do Sr. Ulrich.
Que não pode ser, que isso de falar nas nossas dificuldades não é bom para o negócio, que avisar do desastre pode assustar o investidor, que o que faz falta é dizer que o país funciona bem e que se não for assim ele fica numa situação embaraçosa e coisa e tal.
D. Basílio deve ter razão. Eu sempre que o vejo a abrir as portas ao « engenheiro », salamaleque para aqui, salamaleque para acolá, enche-se-me a alma de fervor patrioteiro e apetece-me de imediato dar uma esmola para as obras de caridade da D. Maria Barroso.
Aquele Ulrich devia ser desterrado, o maroto. Não tem o direito de andar a atrapalhar o D. Basílio.
Oh D. Basílio, não lhe ligue, finja que não é consigo e vai ver que ainda arranja mais uns contratos do Chavez, aquele que os anula meses depois, ou do Santos, o que encomenda mas não paga.
Que não pode ser, que isso de falar nas nossas dificuldades não é bom para o negócio, que avisar do desastre pode assustar o investidor, que o que faz falta é dizer que o país funciona bem e que se não for assim ele fica numa situação embaraçosa e coisa e tal.
D. Basílio deve ter razão. Eu sempre que o vejo a abrir as portas ao « engenheiro », salamaleque para aqui, salamaleque para acolá, enche-se-me a alma de fervor patrioteiro e apetece-me de imediato dar uma esmola para as obras de caridade da D. Maria Barroso.
Aquele Ulrich devia ser desterrado, o maroto. Não tem o direito de andar a atrapalhar o D. Basílio.
Oh D. Basílio, não lhe ligue, finja que não é consigo e vai ver que ainda arranja mais uns contratos do Chavez, aquele que os anula meses depois, ou do Santos, o que encomenda mas não paga.
Dúvida
Será que Sócrates é engenheiro e médico? Dá cabo do que está bom, e não toca no que está mau?
Palavras chave:
coisas do arco da velha,
jac,
socrates
Postal de Tóquio (8)
Informaram-me que iria a uma escola falar sobre a União Europeia, que escolhia o sítio e podia escolher um sítio qualquer no Japão que "eles" pagavam a viagem.Lembro-me também de me dizerem que nessa tal ida à escola deveria usar calças porque muitas vezes sentávamo-nos no chão à japonês.Era uma Sexta feira e eu não tinha percebido nada de tanto que me disseram.
Na semana seguinte entrei em pânico: quando é que eu vou à tal escola mesmo? Era só em Maio, afinal, e a Naoko, minha secretária, trataria de me ir mantendo informada sobre tudo.
Escolhi Quioto mas deram-me Hyogo. "Não faz mal porque fica perto", disse-me a Naoko.
Com toda a informação que retive naquele primeiro dia em mente, fiz a mala para as escolas. Ainda ia passar em Quioto antes e como no dia em que empacotei faziam quase 30º em Tóquio, achei que deveria levar umas calças brancas que, por causa das bainhas que nunca arranjei por preguiça pura, exigem as sandálias (claro que entretanto começou a chover e passei um frio do caraças mas isso agora não interessa nada).
Dia 11 apresentei-me na primeira escola onde um director muito simpático me recebeu... de chinelos... tão prestável era que imediatamente sacou mais 3 pares de chinelos de quarto de 3 cacifos e nos indicou onde deveríamos guardar o sapatinho.
Note-se que, por causa da sandalete e para fazer boa figura na minha apresentação (afinal estava a representar não apenas Portugal mas toda a UE), tinha estado na véspera, e com bastante paciência, a arranjar a unhinha do pé... para no fim de contas estar duas horas em pé a falar, de calças com bainhas demasiado grandes para os meus parcos 165 cm e chinelo de quarto! Muito, muito digno!
O director explicou-me o que queria que eu explicasse, disse-me que tinham lá mais imprensa do que estavam à espera e que havia mesmo uma cadeia de televisão. Tremi mas nem dei parte de fraca. Qualquer baboseira que dissesse poderia perfeitamente ser culpa do meu intérprete.
No anfiteatro da escola esperavam-me 230 adolescentes de farda e... sim, chinelinho de quarto, todos iguais uns aos outros. E os professores que assistiam? Fato, gravata e chinelo de quarto. LIIIIIINDO!
Não sei se por causa da televisão, se impressionados pela minha postura 'digna' enquanto caminhava para o púlpito em chinelinho e calça a sobrar por baixo (sem tropeçar), o certo é que esses meus alunos se portaram às mil maravilhas e pareceu-me que apenas 3 ou 4 dormiam.
No fim das 2 horas ainda fizeram muitas perguntas (sobretudo sobre mim) e à noite apareci no telejornal. Eu era o supra-sumo da barbatana! Advogada, diplomata, 31 anos, a falar um carradão de línguas (nem o director fala inglês)!
"Oooooooohhhhh", diziam em uníssono.
Joana
Onde é que isso fica?
Já sabíamos que os tribunais portugueses são uma laracha.Ontem, em Bragança, um julgamento teve de ser adiado porque o Ministério Público faltou. Os 14 delegados e a sua hierarquia acharam que era melhor irem a uma formação em vez de cumprirem a tarefa e as funções para que foram nomeados e são pagos. Quanto aos outros intervenientes, ou seja, juízes, advogados, réus e outras partes, pois que se lixem. O Ministério Público do Arquivador-Geral tem outras prioridades. Imagino que a acção de formação tenha sido sobre " a melhor maneira de enterrar ainda mais a justiça nacional". Boa sucata.
Já sabíamos que os hospitais portugueses são perigosos.
Ontem um doente que devia ser operado ao braço esquerdo saiu da sala de operações com o direito operado e no esquerdo nem lhe tocaram.
Há meses, vários doentes oftalmológicos ficaram cegos na sequência de um rol de asneiras no manuseamento dos produtos que lhes injectaram nos olhos. O Estado deu-lhes uns euros para que comprem bengalas.
Já sabíamos que as escolas portuguesas são uma vergonha.
Não há respeito nem autoridade, o nível de exigência é baixo, os resultados são fraquíssimos, a complacência impera e os miúdos, quando não se esmurram uns aos outros, insultam ou agridem os professores. Vá lá que nem tudo é mau pois há escolas em que não cai uma telha todos os dias ou em que não rebenta um cano todas as semanas ou em que não há uma intoxicação alimentar todos os meses e nem todas estão ao lado de uma fabriqueta de pirotecnia, daquelas que explodem duas ou três vezes por ano.
Felizmente, há sempre uma antena regional do Terreiro do Paço a acompanhar estas minudências e não falta quem de chapéu na mão se prontifique para suspender de imediato um qualquer bota-abaixista que, a propósito destas insignificâncias, falte ao devido respeito ao nosso glorioso líder.
Você disse Bragança? Onde é que isso fica?
terça-feira, maio 18, 2010
A Fé do Sr. Inginheiro
Discordo totalmente do Sr. Fernando Ulrich. O problema não é de financiamento.
Discordo frontalmente do Sr. Daniel Bessa. A questão não é de tesouraria.
(confr. declarações insertas na posta anterior)
Ambas estas dificuldades (do momento), tanto a de financiamento como a de tesouraria, são apenas sintomas de um mesmo mal, o persistente défice público.
Sendo esta a verdadeira raiz do problema, é esta que tem de ser atacada. Já e em força.
É pois na solução deste problema que temos de concentrar as nossas atenções, o nosso trabalho e os nossos sacrifícios. O que implica um plano sério. E credível.
Um plano que aponte, em curto prazo, um nível de despesa pública contida na receita do estado.
Não na sua actual receita, mas naquela que existia uns dez anos atrás.
Um plano ainda que não considere qualquer crescimento da economia.
Depois é só implementar todas as medidas concretas do plano. Sem tergivações, nem tibiezas. Doa a quem doer. Haja o folclore que houver.
Uma vez elaborado este plano, então sim haverá que se colocar a questão da tesouraria e do financiamento necessários para se atravessar o caminho até ao objectivo traçado.
Mas um plano destes, se sério e credível, também ajudará a resolver estes dois problemas do momento. O do financiamento porque os mercados sentirão confiança. O da tesouraria porque o contribuinte sentirá que está a investir, e não a ser depauperado como até agora. Doutro modo tudo continuará como até aqui e, dentro de pouco tempo vão-nos pedir mais impostos, mais sentido de responsabilidade, mais blá, blá, blá, ...
Ao pretender o contrário, tanto o Sr. F. Ulrich como o Sr. D. Bessa, vão atrás daquela fé inabalável e inquebrantável que o nosso Sr. Inginheiro deposita no crescimento da nossa pobre economia. Vão-se lançando impostos, uns atrás dos outros, que entretanto a economia há-de cresçer. E exportar muito. E o problema resolve-se então por si próprio. E sem tocar na despesinha. E sem perda de votinhos.
Mas, meus caros senhores, isto não são questões de féses...
Discordo frontalmente do Sr. Daniel Bessa. A questão não é de tesouraria.
(confr. declarações insertas na posta anterior)
Ambas estas dificuldades (do momento), tanto a de financiamento como a de tesouraria, são apenas sintomas de um mesmo mal, o persistente défice público.
Sendo esta a verdadeira raiz do problema, é esta que tem de ser atacada. Já e em força.
É pois na solução deste problema que temos de concentrar as nossas atenções, o nosso trabalho e os nossos sacrifícios. O que implica um plano sério. E credível.
Um plano que aponte, em curto prazo, um nível de despesa pública contida na receita do estado.
Não na sua actual receita, mas naquela que existia uns dez anos atrás.
Um plano ainda que não considere qualquer crescimento da economia.
Depois é só implementar todas as medidas concretas do plano. Sem tergivações, nem tibiezas. Doa a quem doer. Haja o folclore que houver.
Uma vez elaborado este plano, então sim haverá que se colocar a questão da tesouraria e do financiamento necessários para se atravessar o caminho até ao objectivo traçado.
Mas um plano destes, se sério e credível, também ajudará a resolver estes dois problemas do momento. O do financiamento porque os mercados sentirão confiança. O da tesouraria porque o contribuinte sentirá que está a investir, e não a ser depauperado como até agora. Doutro modo tudo continuará como até aqui e, dentro de pouco tempo vão-nos pedir mais impostos, mais sentido de responsabilidade, mais blá, blá, blá, ...
Ao pretender o contrário, tanto o Sr. F. Ulrich como o Sr. D. Bessa, vão atrás daquela fé inabalável e inquebrantável que o nosso Sr. Inginheiro deposita no crescimento da nossa pobre economia. Vão-se lançando impostos, uns atrás dos outros, que entretanto a economia há-de cresçer. E exportar muito. E o problema resolve-se então por si próprio. E sem tocar na despesinha. E sem perda de votinhos.
Mas, meus caros senhores, isto não são questões de féses...
Portugal em Exame
Fernando Ulrich, que alerta para o risco de colapso.
Daniel Bessa, para se perceber por que razão a subida de impostos é inevitável.
Daniel Bessa, para se perceber por que razão a subida de impostos é inevitável.
Um champô
Aquela mão de Junker, a esfregar em frente às câmaras de televisão os cabelos de Teixeira dos Santos na reunião dos Ministros das Finanças da UEuropeia, diz muito sobre o ponto a que chegámos e o respeito que já não merecemos.
O riso amarelo do Santos ainda é mais patético.
Cambada…
O riso amarelo do Santos ainda é mais patético.
Cambada…
Cavaco e o casamento gay II

Para que conste: eu não votei Cavaco!
Para minha consolação:
EU NÃO VOTEI CAVACO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
É a diferença entre a "ética da responsabilidade", de que falou o PR Cavaco Silva, e a "responsabilidade ética" com que o traduziram alguns canais televisivos...
A primeira, sacrifica a ética aos interesses responsáveis: neste caso o argumento da "crise" para justificar a possível reeleição.
A segunda sacrifica, ou obriga, a responsabilidade aos interesses éticos. Neste caso, teria sido o de ser coerente com as crenças próprias e uma certa visão, política, da sociedade portuguesa.
Cavaco e o casamento gay
O presidente Cavaco Silva decidiu promulgar a lei do casamento gay.
Fez, pois, o que constitucionalmente lhe competia.
Mas o presidente Cavaco Silva também fez o que o senhor Aníbal Cavaco Silva não faria.
Ambos, senhor Aníbal Cavaco Silva e presidente Cavaco Silva, falaram ontem nas tv's.
O primeiro, em tempo de antena pago pelo segundo, disse que só o fazia por ser agora presidente. O segundo meteu a explicação (ou a coragem) naquele saco sem fundo a que chamou crise.
Mais lhes valia terem ficado calados, até porque a posição pessoal daquele era já conhecida.
Quem não quer correr o risco de promulgar algo com que, pessoalmente, não concorda, nem tem a coragem para se lhe opor, também não se deve candidatar a presidente.
A nova lei do casamento gay, como é regra cá no sítio, será ainda objecto de rectificações, de alterações, de revisões, de republicações, de repristinações, de mais rectificações e de rectificações das rectificações.
Mas, para a história, ficará para sempre, na primeira, a assinatura do senhor Aníbal Cavaco Silva. Naturalmente como presidente Cavaco Silva!...
Fez, pois, o que constitucionalmente lhe competia.
Mas o presidente Cavaco Silva também fez o que o senhor Aníbal Cavaco Silva não faria.
Ambos, senhor Aníbal Cavaco Silva e presidente Cavaco Silva, falaram ontem nas tv's.
O primeiro, em tempo de antena pago pelo segundo, disse que só o fazia por ser agora presidente. O segundo meteu a explicação (ou a coragem) naquele saco sem fundo a que chamou crise.
Mais lhes valia terem ficado calados, até porque a posição pessoal daquele era já conhecida.
Quem não quer correr o risco de promulgar algo com que, pessoalmente, não concorda, nem tem a coragem para se lhe opor, também não se deve candidatar a presidente.
A nova lei do casamento gay, como é regra cá no sítio, será ainda objecto de rectificações, de alterações, de revisões, de republicações, de repristinações, de mais rectificações e de rectificações das rectificações.
Mas, para a história, ficará para sempre, na primeira, a assinatura do senhor Aníbal Cavaco Silva. Naturalmente como presidente Cavaco Silva!...
Bitolas
Quem acompanhou o Prós e contras de hoje à noite, compreenderá facilmente o que escrevo a seguir.
O erro maior dos TGVs deste País foi a ideia peregrina de tirar das empresas existentes e do Estado as competências de pensar o futuro em transportes. Essas NAL, RAVE e outras que tais, servem de taxos para muita gente, mas serviram essencialmente para poluir a discussão com argumentos espúrios que desacreditaram tudo quanto fosse grande projecto de transportes.
Uma das grandes vítimas dessa destruição foi a NECESSIDADE URGENTE de modernizar a ferrovia nacional, nomeadamente para permitir a ligação dos nossos portos oceânicos, em especial Sines, à Espanha e por ela à Europa.
Por isso é que os especialistas sentiram necessidade de voltar a explicar conceitos básicos. Como o da bitola europeia e do seu significado.
Parece que, finalmente, esses argumentos começam a colher.
Creio que é um bom sinal quando se discute a construção de linhas para mercadorias (questão de fundo e estratégica para o País) e não apenas os tempos de percurso para passageiros (questão artificial e enganadora, para enganar o povo) ...
Mesmo se os recursos são escassos, caros e de difícil alcance. Ou talvez por isso mesmo...
Há muito que defendo que é preciso renegociar as auto-estradas já concessionadas; recalendarizar a sua execução para prazos mais consentâneos com a procura; e repriorizar a construção da rede ferroviária, aproveitando a capacidade construtora libertada nas fases anteriores. Inch'Allah!!!
É possível um Portugal melhor. Mas é preciso querer. Muito
segunda-feira, maio 17, 2010
Tentar ver melhor
É possível que o seu oftalmologista lhe peça um dia para espreitar para o interior de uma caixa através de dois orifícios. "Feche o olho esquerdo: o que vê? – Vejo uma andorinha; Feche o olho direito: o que vê? – Vejo uma gaiola; Abra os dois olhos: o que vê? Vejo uma andorinha dentro de uma gaiola".A sociedade civil exprime interesses, ideias e objectivos, muitas vezes contraditórios mas que se conjugam, se compensam ou se anulam entre si e dos quais resulta uma determinada dinâmica social. É a "expressão".
A democracia é uma forma ou um método para, através da arrumação da "expressão", encontrar a solução para o exercício do poder político, ou seja, o exercício de uma autoridade legitimada. É a "representação".
Podemos organizar petições, convocar manifestações, escrever, discursar, debater, fundar associações de solidariedade, de cultura, de formação. É a "expressão".
Mas para a verdadeira 'passagem ao acto', se queremos realmente transformar um poder político que se enredou no seu autismo e se divorciou da sociedade, então é na arena da "representação" que temos de entrar.
Não nos iludamos: pensarmos que a mera "expressão" leva a andorinha à gaiola é como o engano do teste do oftalmologista. E é deixar que lá dentro continuem os papagaios do costume.
Curiosidades, ou talvez não!...
"Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá... vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par, a Grécia e Portugal".
Eça de Queirós, 1872, in "As Farpas"
Eça de Queirós, 1872, in "As Farpas"
sábado, maio 15, 2010
Porque hoje é Sábado
sexta-feira, maio 14, 2010
O Norte não se rende
A paisagem política clarificou-se.
A crise ajudou a decantar os vinhos.
Hoje já não há nevoeiro, o ar está límpido e o horizonte está bem definido.
Essas agremiações que redigiam programas e levantavam estandartes arrumaram-se a um canto e deixam-nos um deserto.
O PC e o Bloco querem mais despesa já, mais Estado e mais disparate. Sempre que o « engenheiro » corre o risco de ficar isolado, eles acorrem, apoiam, pantominam.
O PSD socratizou-se de abstenção em abstenção, gesticula para abraçar, palreia para aceitar.
Colabora e pede desculpas…
Este leque partidário e este sistema eleitoral, clientelista, bonacheirão e centralista, já não esconde a sua esclerose acelerada e a sua impotência, a sua incapacidade. O regime finou-se, está morto, apesar de uns fantasmas que ainda esperneiam. Os vinhos eram zurrapas e as zurrapas viraram vinagre.
É necessária outra maneira, outra gente, outra energia. Não há deserto que dure. O Norte não se rende.
Mãos à obra !
A crise ajudou a decantar os vinhos.
Hoje já não há nevoeiro, o ar está límpido e o horizonte está bem definido.
Essas agremiações que redigiam programas e levantavam estandartes arrumaram-se a um canto e deixam-nos um deserto.
O PC e o Bloco querem mais despesa já, mais Estado e mais disparate. Sempre que o « engenheiro » corre o risco de ficar isolado, eles acorrem, apoiam, pantominam.
O PSD socratizou-se de abstenção em abstenção, gesticula para abraçar, palreia para aceitar.
Colabora e pede desculpas…
Este leque partidário e este sistema eleitoral, clientelista, bonacheirão e centralista, já não esconde a sua esclerose acelerada e a sua impotência, a sua incapacidade. O regime finou-se, está morto, apesar de uns fantasmas que ainda esperneiam. Os vinhos eram zurrapas e as zurrapas viraram vinagre.
É necessária outra maneira, outra gente, outra energia. Não há deserto que dure. O Norte não se rende.
Mãos à obra !
E porque não irem à .....

Estava bom de ver que estes dois ficam mesmo bem é fundidos. São feitos da mesma massa. Agora que nos vão à massa pedem desculpas, gozam connosco e ainda querem que acreditemos neles. Merda é o mínimo que posso escrever e dessa forma completar o título deste post.
a foto foi roubada no Minoria Relativa.
quinta-feira, maio 13, 2010
Quem te avisa....
Sobem todos os impostos, cortes drásticos na despesa in DN
Só me posso lembrar das palavras sempre mal recebidas de uma senhora sempre muito mal ouvida. Afinal a realidade ainda se tornou mais crua e séria do que as "profecias" a quem o país...em uníssono...fez ouvidos de mercador. A Manuela Ferreira Leite a "força normativa dos factos" encarregou-se de lhe prestar o justo tributo e merecida homenagem....infelizmente!!!
Só me posso lembrar das palavras sempre mal recebidas de uma senhora sempre muito mal ouvida. Afinal a realidade ainda se tornou mais crua e séria do que as "profecias" a quem o país...em uníssono...fez ouvidos de mercador. A Manuela Ferreira Leite a "força normativa dos factos" encarregou-se de lhe prestar o justo tributo e merecida homenagem....infelizmente!!!
Chegou com 6 minutos de atraso

Há políticos criativos: são capazes de produzir uma ideia por semana e, se não houver cinzas no ar e o bacalhau da véspera não esteve muito salgado, podem mesmo produzir duas.
Com tal fartura, acontece-lhes esquecerem as ideias que pariram dois meses antes e assim encavalitam a sorrir uma nova ideia sobre os destroços de uma antiga que tinha a aborrecida característica de ser completamente oposta à recém-nascida.
Hoje há croissants e sumo de laranja ao dispor de dois desses criativos. Reúnem-se em S. Bento. Deve ser por influência papal. Limpem as mãos à parede e não se engasguem.
O €uro e €u
Quando o €uro cá chegou €u fiquei satisfeito. Por duas razões:
A primeira, algo egoísta, por facilitar um pouco a vida ao €u viajante europeu.
A segunda, já como €u português, por o meu nariz sentir então o perfume do €uro como a solução mágica para a tão necessária disciplina das nossas finanças públicas.
Efectivamente, deixando o estado de ter o poder de emitir moeda própria e perdendo instrumentos de política monetária, ficaria obrigado a trocar a ficção pela realidade, assim se impondo, pensava €u, a tal disciplina financeira que de outro modo nunca seríamos capazes.
Aquela coisa de iludir permanentes défices com recurso às rotativas do BdP e contínuo definhamento do escudo tinha mesmo de acabar. Ou acabaríamos nós.
Na verdade, não fomos capazes (ainda?) de impor disciplina nas contas públicas. Mas, pelo menos, o martelinho da zona €uro continua bem em cima das nossas cabeças. O que muito ajuda...
Mas, não sendo €u economista nem financeiro, com a chegada do €uro, o m€u nariz também ficou algo intrigado.
É que, sendo a emissão de moeda (e as ferramentas de política monetária que lhe estão normalmente associadas) um dos elementos ditos de soberania, como gerir uma moeda comum (e apenas a alguns dos países da UE) sem soberania?
A resposta veio do pacto de estabilidade acordado pelos e para os países da zona €uro: (1) o défice público nunca poderia exceder 3% do PIB e (2) a dívida pública nunca poderia ser superior
a 70% do PIB.
Estas 2 regrasinhas, que continuo a pensar como simples e inteligentes, tinham porém um pequeno defeito. Não havendo soberania da zona €uro, a responsabilidade pelo seu cumprimento ficava com cada um dos estados.
Para o garantir foram então acordadas penalizações para os relapsos.
Porém, torneando a aplicação destas penalizações, a zona €uro passou a considerar cumpridor quem apresentasse um plano de regressar ao bom caminho em poucos anos, o que, ao invés de resolver o problema, agravou-o, pois que outros deixaram de se sentir pressionados, ou obrigados a cumprir também.
E, agora, o €uro é que paga...
Não obstante, e apesar de preocupado, €u continuo a acreditar no €uro.
A primeira, algo egoísta, por facilitar um pouco a vida ao €u viajante europeu.
A segunda, já como €u português, por o meu nariz sentir então o perfume do €uro como a solução mágica para a tão necessária disciplina das nossas finanças públicas.
Efectivamente, deixando o estado de ter o poder de emitir moeda própria e perdendo instrumentos de política monetária, ficaria obrigado a trocar a ficção pela realidade, assim se impondo, pensava €u, a tal disciplina financeira que de outro modo nunca seríamos capazes.
Aquela coisa de iludir permanentes défices com recurso às rotativas do BdP e contínuo definhamento do escudo tinha mesmo de acabar. Ou acabaríamos nós.
Na verdade, não fomos capazes (ainda?) de impor disciplina nas contas públicas. Mas, pelo menos, o martelinho da zona €uro continua bem em cima das nossas cabeças. O que muito ajuda...
Mas, não sendo €u economista nem financeiro, com a chegada do €uro, o m€u nariz também ficou algo intrigado.
É que, sendo a emissão de moeda (e as ferramentas de política monetária que lhe estão normalmente associadas) um dos elementos ditos de soberania, como gerir uma moeda comum (e apenas a alguns dos países da UE) sem soberania?
A resposta veio do pacto de estabilidade acordado pelos e para os países da zona €uro: (1) o défice público nunca poderia exceder 3% do PIB e (2) a dívida pública nunca poderia ser superior
a 70% do PIB.
Estas 2 regrasinhas, que continuo a pensar como simples e inteligentes, tinham porém um pequeno defeito. Não havendo soberania da zona €uro, a responsabilidade pelo seu cumprimento ficava com cada um dos estados.
Para o garantir foram então acordadas penalizações para os relapsos.
Porém, torneando a aplicação destas penalizações, a zona €uro passou a considerar cumpridor quem apresentasse um plano de regressar ao bom caminho em poucos anos, o que, ao invés de resolver o problema, agravou-o, pois que outros deixaram de se sentir pressionados, ou obrigados a cumprir também.
E, agora, o €uro é que paga...
Não obstante, e apesar de preocupado, €u continuo a acreditar no €uro.
quarta-feira, maio 12, 2010
Deixem passar o Lulu

O ridículo é mortal.
A França quer impôr uma quota mínima para a presença de mulheres nos Conselhos de Administração das principais empresas privadas estabelecidas no seu território.
Vai daí, as agências de caça-talentos estão submergidas de pedidos : no prazo de 6 anos há 170 cadeirões nesses ‘boards’ que terão obrigatoriamente que ser ocupados por outras tantas senhoras.
E eis que uma medida aparentemente bem intencionada se transforma numa mascarada caricata : a LVMH (Louis Vuitton Moet Hennessy – artigos de luxo) vai integrar Madame Bernadette Chirac, mulher do ex-Presidente francês, a qual nos seus 76 anos de idade não tem qualquer experiência de gestão.
O patrão da Aviation Dassault não esteve com meias medidas e apresentou a sua mulher Nicole Dassault para alegrar o seu Conselho e dar assim cumprimento ao preceito legal. Md. Nicole, que vai completar 80 anos brevemente, receberá provavelmente no seu aniversário uma miniatura de um avião que a ajude a perceber de que é que os outros estão a falar.
Estamos conversados sobre esta mania das quotas que chega a ser insultuosa para as suas próprias destinatárias. O conselho que dou às minhas filhas é claro : fujam das muletas, afirmem-se por vós.
Ventos de Leste
Em Espanha, Zapatero vai à nossa frente: os saláros vão ser reduzidos.
Nós vamos ter de rever a nossa noção de direitos adquiridos.
Nós vamos ter de rever a nossa noção de direitos adquiridos.
Gaffe?
Sócrates, à saída do encontro com Bento XVI acaba de se referir a Sua Santidade o Papa como "Sua Eminência".
Enfim,
não sei se foi intencional ou se foi incompetência tratar o Papa por Sua Eminência.
Inclino-me para a segunda ....
Enfim,
não sei se foi intencional ou se foi incompetência tratar o Papa por Sua Eminência.
Inclino-me para a segunda ....
Papa
A visita do Papa começou da melhor forma. Para aqueles que gostam de atirar pedras e enxovalhos, julgo que a frase “maior perseguição à Igreja” não vem de “inimigos de fora, mas nasce do pecado da Igreja”. diz tudo.
A multidão que hoje se reuniu em Lisboa é bem sinal de que a fé e os valores da igreja católica estão bem vivas num Portugal à deriva.
Bem apelou Bento XVI aos católicos para se envolverem na politica. Com os valores da igreja e não com os valores do dinheiro...
A multidão que hoje se reuniu em Lisboa é bem sinal de que a fé e os valores da igreja católica estão bem vivas num Portugal à deriva.
Bem apelou Bento XVI aos católicos para se envolverem na politica. Com os valores da igreja e não com os valores do dinheiro...
A nossa selecção
Ainda não tinha arrumado o cachecol do boavista e já desenterrei o da selecção. valha-nos isso para nos alegrar.
Mas ao olhar para os convocados do Carlos Queirós fico com algumas dúvidas:
- quem é o Fernandes que vai à baliza? temos um scolari II em relação a Quim?
- não havia mais defesas para convocar?
- tendo o deco um azar quem é que o substitui? não poderia ter sido chamado o carlos martins em vez de um defesa central?
Claro que não se pode convocar todos os que gostariamos, são só 23 e "mai nada". Ok está lá o zé castro para o caso do pepe não deixar de cochear.
Ok, vamos lá apoiar a nossa selecção.
Mas ao olhar para os convocados do Carlos Queirós fico com algumas dúvidas:
- quem é o Fernandes que vai à baliza? temos um scolari II em relação a Quim?
- não havia mais defesas para convocar?
- tendo o deco um azar quem é que o substitui? não poderia ter sido chamado o carlos martins em vez de um defesa central?
Claro que não se pode convocar todos os que gostariamos, são só 23 e "mai nada". Ok está lá o zé castro para o caso do pepe não deixar de cochear.
Ok, vamos lá apoiar a nossa selecção.
terça-feira, maio 11, 2010
Tempos velozes
Há alguns anos atrás (seguramente ainda no século passado) tive ocasião de assistir em Lisboa a uma conferência de um desses gurus americanos em gestão, de seu nome Tom Peters.
Conferência talvez não seja o termo correcto, pois aquilo mais parecia um espectáculo em palco, no caso o do hotel Ritz, perante uma concorrida assistência que, tal como eu, ainda pensava poder aprender algo sobre gestão de um artista que nunca tinha gerido coisa alguma.
Mas o homem trazia algumas provocações bem organizados que nos faziam meditar (e dar por bem empregue o preço pago). Numa delas, em que alertava para a velocidade da inovação tecnológica do nosso tempo, contou a seguinte história:
Farto de ser o único passageiro a voar em 1.ª classe sem ter um pc portátil no colo, decidi comprar um (sempre dava para fazer umas paciências). Investigado o mercado, fiz a minha opção de compra. Quando cheguei a casa mostrei a minha aquisição ao meu consultor particular, o meu filho Ron de 15 anos, orgulhoso do meu feito. O meu filho olhou para o pc e disse-me: Oh pai, compraste um dos antigos. Aquele aparelho só tinha 4 meses no mercado e o meu filho já lhe chamava antigo!
Seguramente que, nos dias que correm, esta velocidade de evolução tecnológica já foi ultrapassada pelo ritmo com que se vão alterando os indicadores macroeconómicos...
Conferência talvez não seja o termo correcto, pois aquilo mais parecia um espectáculo em palco, no caso o do hotel Ritz, perante uma concorrida assistência que, tal como eu, ainda pensava poder aprender algo sobre gestão de um artista que nunca tinha gerido coisa alguma.
Mas o homem trazia algumas provocações bem organizados que nos faziam meditar (e dar por bem empregue o preço pago). Numa delas, em que alertava para a velocidade da inovação tecnológica do nosso tempo, contou a seguinte história:
Farto de ser o único passageiro a voar em 1.ª classe sem ter um pc portátil no colo, decidi comprar um (sempre dava para fazer umas paciências). Investigado o mercado, fiz a minha opção de compra. Quando cheguei a casa mostrei a minha aquisição ao meu consultor particular, o meu filho Ron de 15 anos, orgulhoso do meu feito. O meu filho olhou para o pc e disse-me: Oh pai, compraste um dos antigos. Aquele aparelho só tinha 4 meses no mercado e o meu filho já lhe chamava antigo!
Seguramente que, nos dias que correm, esta velocidade de evolução tecnológica já foi ultrapassada pelo ritmo com que se vão alterando os indicadores macroeconómicos...
Foi você que perguntou o que é o centralismo?

O número de estudantes do ensino superior por mil habitantes é em Bruxelas de 71,1 e na Bélgica de 35.
Em Praga esse número é de 83 e na República Checa de 25,4.
Em Munique o mesmo número é de 73 e na Alemanha é de 25,3.
Em Portugal, o número de estudantes do ensino superior por mil habitantes é de 37,4 mas em Lisboa esse número é de 239 (duzentos e trinta e nove).
(fonte : « O papel das Cidades no desenvolvimento de Portugal », Ernâni Lopes, pág 74)
Pergunta : quem é que está errado ?
Postal de Tóquio (7)
Hakone é uma terreola a 140 km de Tóquio. Famosa pelos seus onsens (hot springs/águas termais), é um dos destinos favoritos dos Japoneses e um dos sítios onde se vai ver o Monte Fuji.
A Agência Meteorológica Japonesa previa sol e temperaturas amenas para esse fim de semana mas assim que lá chegamos, e sobretudo à medida que nos aproximávamos do nosso hotel, o cenário que encontrávamos era ligeiramente diferente do esperado...
Para que a experiência fosse o mais "native" possível, decidimos ficar num ryokan, alojamento tradicional japonês, onde se paga o dobro para se dormir e comer no chão :D
Tinha lido muito sobre ryokans e queria muito experimentar um, mas nada me preparara para o que viveríamos naqueles 3 dias.
Ao contário do que indicava a página da reserva, o recepcionista dizia duas ou três palavras apenas em inglês... o que já não era mau... Conseguimos ainda assim marcar um "private bath" no onsen do hotel, às 10 da noite. O jantar seria servido no quarto às 6 da tarde!!!
O quarto era maior que o meu apartamento (e que os apartamentos da maioria dos japoneses, presumo) e tinha um grande hall com sofás, uma sala de estar que se transformaria em quarto de dormir mais tarde e uma sala de jantar. Tirando a temperatura (semelhante à que se sentia na rua), tudo aquilo nos fazia brilhar os olhos. Estávamos no Japão profundo, no meio de uma montanha, a vários quilómetros da vila. E nevava lá fora...
Enquanto a sala não aquecia, fiz-nos um chá para espantar o frio. Mal nos tínhamos instalado quando nos entra uma velha de quimono e meiinha branca pela casa adentro.
"Konnichiwaaaaa!", dizia a velha sorridente, enquanto largava os quimonos que trazia na mão ao meu lado.
Perguntou se falávamos japonês e murmurou qualquer coisa na sua língua quando eu respondi que não.
Sei hoje que estaria com toda a certeza a dizer "vamos ter um problema porque não vais perceber nada do que eu vou dizer mas eu nem quero saber". E assim foi.
Imediatamente começou a vomitar uma série de palavreado japonês do qual eu percebia um décimo talvez. O João ria que nem um perdido perante o meu ar de desespero e esforço sincero para perceber a velha. E tirava fotografias. A senhora ria com ele e dizia qualquer coisa que deveria significar "não estás mesmo a perceber nada, né?", entre duas gargalhadas.
Percebi que os quimonos eram para mim, para usar quando fosse ao banho. Os do meu "marido" eram outros e por cima ainda deveríamos vestir mais um casaquinho por causa do frio.
Continuou a dar-nos indicações em japonês que a muito custo ia compreendendo. Viria trazer-nos o jantar às 6.00h e o pequeno almoço do dia seguinte às 8.30h, como éramos honeymooners oferecia-nos o vinho mas não o saké, e deixou-nos os números úteis. Disse-me o nome dela e escreveu-o num papel para que não me esquecesse... em kanji!!! Fez umas quantas vénias e partiu para nosso grande alívio.
Joana
Antes que o céu nos caia na cabeça
Depois de dias com as bolsas a cair, com previsões catastróficas, eis que os governos da UE se decidem de uma vez por todas falar a uma só voz e criam um fundo financeiro nunca antes imaginável. O resultado foi uma euforia nas bolsas, europeias e americanas, e uma queda abrupta do indice do medo. Mas será que tudo isto chega para afastar as nuvens? Não, apenas indicia que vêm aí medidas duras para que as contas públicas portuguesas endireitem de uma vez. Fala-se em aumentos de iva e cortes no 13º mês. Para já acabou a loucura do aeroporto e da terceira travessia sobre o tejo. Mas mais do que cortes, era importante acabar com um modelo de sociedade e de economia clientelar e acomodada.Mas mudar mentalidades não se consegue por decreto. É pena.
segunda-feira, maio 10, 2010
Coisas da bola
Neste rescaldo do campeonato algumas coisas que me despertam a curiosidade:
- porque raio andam uns benfiquistas a incomodar a memória do pedroto?
- como é que o filipe vieira consegue fizer que a vitória do benfica foi a vitória de portugal? sou eu grego?
- porque será que estavam o antónio costa e o vereador fernandes de cachecol do benfica? Não existe dignidade?
E algumas notas sobre coisas que me agradaram:
- ver o nuno gomes a abraçar o cardoso, jogador que lhe ocupou o lugar
- ver o rui costa feliz, jogador que muito admiro
- a corrida de Jorge Jesus, era mesmo de uma "criança" feliz
- porque raio andam uns benfiquistas a incomodar a memória do pedroto?
- como é que o filipe vieira consegue fizer que a vitória do benfica foi a vitória de portugal? sou eu grego?
- porque será que estavam o antónio costa e o vereador fernandes de cachecol do benfica? Não existe dignidade?
E algumas notas sobre coisas que me agradaram:
- ver o nuno gomes a abraçar o cardoso, jogador que lhe ocupou o lugar
- ver o rui costa feliz, jogador que muito admiro
- a corrida de Jorge Jesus, era mesmo de uma "criança" feliz
Bragança

De vez em quando, os partidos centralistas e o Governo de Lisboa lembram-se de Bragança ou lá desembarcam na aeronave que os há-de devolver à capital ao fim da tarde, escassas horas depois de lá terem ido em turismo político.
Há cerca de 30 anos que fazem esse número.
Se tudo correr bem, têm os funcionários do Governo Civil, os polícias e uns tantos do partido à espera, a empurrarem uma menina com um ramo de flores.
Com sorte, o Ministro ou o « engenheiro » destapa uma placa qualquer em que gravaram o seu nome e que "no tantos de tal sua excelência abriu o Centro de saúde ou o asilo renovado".
Quando meses depois o fecharem, não põem placa nem há discurso ou câmara da RTP : afixam de noite uma folha A4 com letras pretas gordas a dizer que a partir daí o utente que vá a outro lado.
Bragança tem cerca de 22.000 habitantes, ou seja, 60% do concelho. Um terço da população do concelho é constituida por pensionistas. Os jovens de Bragança olham sem ilusões para as auto-estradas que diziam trazer-lhes progresso : sabem que se nada mudar, é por elas que partirão.
Dá que pensar...
Este artigo de John Hooper, no Guardian, lança pistas já há muito faladas, sobre as várias causas da actual crise financeira, que afecta, de forma mais aguda, os países do sul da Europa.
A novidade está, pois, na sistematização sucinta que usa, que nos permite realizar e compulsar melhor os múltiplos factores que nos fizeram chegar até aqui.
A novidade está, pois, na sistematização sucinta que usa, que nos permite realizar e compulsar melhor os múltiplos factores que nos fizeram chegar até aqui.
Parabéns ao Braga

O único canal de televisão a que tenho acesso é a RTPi.
Compreendo que a vitória benfiquista entusiasme os seus adeptos e estes devem ter plena liberdade de manifestarem a sua alegria e o seu orgulho. Compreendo ainda que o facto de dezenas de milhares de portugueses saírem à rua seja notícia e mereça reportagem e entrevistas.
Não compreendo nem aceito que a televisão pública gaste horas com as comemorações da vitória de um clube de futebol, seja ele qual for. Ontem, foi demais. Portugal não é o Benfica, como o Norte não é o Porto.
Aquele excesso da RTP não é inocente. Bem sei que somos feitos de sentimentos e de afectos e que a nossa própria racionalidade e inteligência é mais emocional do que julgaríamos. Mas uma televisão pública não pode ser cúmplice de uma estratégia de circo sem pão.
Vale a pena ler...
JMF escreve um artigo onde coloca a questão essencial: já não se trata de ter Fé ou não; cuida-se da preservação dos nossos valores, do nosso mundo, da nossa Cultura. Bento XVI percebeu, há muito, o momento crucial dos dias em que o Velho Continente vem decaindo...em relativismos...ou não fosse S. Bento o evangelizador da Europa...!
Um testemunho muito lúcido sobre os perigos do multiculturalimo militante e do "laicismo radical."
domingo, maio 09, 2010
O estado da nação
Portugal é aquilo que os portugueses quiserem que ele seja. Por isso mesmo temos Sócrates como 1º ministro e cavaco como presidente. E antes deles Santana, Durão, Guterres, Cavaco, Soares e uma lista infindável de nomes uns mais respeitáveis que outros. Claro que com eles passaram uma série de ministros das finanças, alguns que recordamos outros que nem por isso. Ou seja, basicamente esta gente toda é responsável pelo estado a que chegamos. E nós também pois votamos neles. (a bem dizer não votei em nenhum dos que aqui escrevi)
Mas a nossa culpa vai para além do voto. O nosso habitual encolher de ombros e culpar terceiros pelas desgraças que nos calham em sorte é a nossa principal culpa. Mas quando saem sondagens ficamos a saber que afinal queremos que fique tudo na mesma. O que comprova que os portugueses continuam a não se preocupar e não ter noção do estado da nação. E isto porque continuam a ouvir o que querem e não aquilo que alguns lhes dizem, pois o nosso primeiro até hoje dizia que eramos o óasis no deserto. Haverá remédio para isto? sinceramente começo a duvidar.
Mas a nossa culpa vai para além do voto. O nosso habitual encolher de ombros e culpar terceiros pelas desgraças que nos calham em sorte é a nossa principal culpa. Mas quando saem sondagens ficamos a saber que afinal queremos que fique tudo na mesma. O que comprova que os portugueses continuam a não se preocupar e não ter noção do estado da nação. E isto porque continuam a ouvir o que querem e não aquilo que alguns lhes dizem, pois o nosso primeiro até hoje dizia que eramos o óasis no deserto. Haverá remédio para isto? sinceramente começo a duvidar.
Parabéns aos vencedores
O SLB venceu o campeonato com justiça. Foi quem jogou melhor futebol nos relvados.
O SCBraga conseguiu um brilhante 2ª lugar e com isso direito a participar na Champions. Este resultado é fruto de um trabalho que tem sido desenvolvido nos últimos anos. Um trabalho muitas das vezes silencioso, mas meticuloso e profissional. Tenho o grato prazer de acompanhar o esforço que é feito e por isso mesmo torci pelo êxito grande do Braga, apesar de saber que dessa forma ocupa o lugar do meu boavista.
Aos meus amigos que trabalham nos dois clubes, um abraço de parabéns e que tenham umas merecidas boas férias.
O SCBraga conseguiu um brilhante 2ª lugar e com isso direito a participar na Champions. Este resultado é fruto de um trabalho que tem sido desenvolvido nos últimos anos. Um trabalho muitas das vezes silencioso, mas meticuloso e profissional. Tenho o grato prazer de acompanhar o esforço que é feito e por isso mesmo torci pelo êxito grande do Braga, apesar de saber que dessa forma ocupa o lugar do meu boavista.
Aos meus amigos que trabalham nos dois clubes, um abraço de parabéns e que tenham umas merecidas boas férias.
Um apelo (que, espero, soe lancinante...)
Caro Zé,
Aqui num post mais abaixo, aliás nos comentários ao dito, "ameaças" nunca mais escrever sobre cozinhados...
Por Amor de Deus, homem, não faças isso!!!
Escreve, escreve com frequência. Apenas te sugiro que não termines com reptos provocadores do tipo "vocês não apareceram"...
Certamente terá havido boas razões para não termos aparecido; o que não queremos é deixar de ler sobre os teus "cozinhados". Por exemplo, ontem o que foi?
Os manequins

« Os homens dividem-se, na vida prática, em três categorias – os que nasceram para mandar, os que nasceram para obedecer, e os que não nasceram nem para uma coisa nem para outra. Estes últimos julgam sempre que nasceram para mandar ; julgam-no mesmo mais frequentemente que os que efectivamente nasceram para o mando.
O característico principal do homem que nasceu para mandar é que sabe mandar em si mesmo.
O característico distintivo do homem que nasceu para obedecer é que sabe mandar só nos outros, sabendo obedecer também.
O homem que não nasceu nem para uma coisa nem para outra distingue-se por saber mandar nos outros mas não saber obedecer.
……………………………………. »
Fernando Pessoa in « Preceitos práticos »
A próxima quinzena
Aproximam-se tempos difíceis, mas muito interessantes.
Além dos cortes para reduzir a despesa corrente do Estado, seria bom que se fosse pensando nas reformas a implementar, para que isto não caía no mesmo daqui a uns tempos. Uma dessas reformas é a regionalização. No Blasfémias há quem tenha reparado, e muito acertadamente, em mais um argumento.
Não ficaria espantado se antes do final do mês de Maio surgisse a constatação da nossa incapacidade de solver compromissos assumidos. As movimentações europeias fazem supor que se aproxima o momento de ajudar o nosso País.
Além dos cortes para reduzir a despesa corrente do Estado, seria bom que se fosse pensando nas reformas a implementar, para que isto não caía no mesmo daqui a uns tempos. Uma dessas reformas é a regionalização. No Blasfémias há quem tenha reparado, e muito acertadamente, em mais um argumento.
Palavras chave:
crise financeira,
jac,
regionalização
Nas últimas semanas, os telejornais nacionais invadem-nos a toda a hora com a festa antecipada do proto campeão benfica. Já de nada adianta mesmo mudar de canal.
Hoje é a última jornada da liga e tudo aí vai ser decidido. A crise que se dane, pois que a festa encarnada é que é notícia. E, dizem os entendidos, se não for encarnada será vermelha...
O fcp não costuma deixar estas definições para o derradeiro dia. Este ano não foi excepção, pois de há muito que assegurou já o seu 3.º lugar.
Porém, não me recordo de ter assistido a tamanha insistência televisiva com alguma das muitas recentes vitórias do fcp.
O que, jornalísticamente, não será de estranhar, pois que, afinal, notícia é apenas um homem morder um cão. Não o inverso.
Boa sorte para os amigos benfiquistas!
Boa sorte para os amigos bracarenses!
Hoje é a última jornada da liga e tudo aí vai ser decidido. A crise que se dane, pois que a festa encarnada é que é notícia. E, dizem os entendidos, se não for encarnada será vermelha...
O fcp não costuma deixar estas definições para o derradeiro dia. Este ano não foi excepção, pois de há muito que assegurou já o seu 3.º lugar.
Porém, não me recordo de ter assistido a tamanha insistência televisiva com alguma das muitas recentes vitórias do fcp.
O que, jornalísticamente, não será de estranhar, pois que, afinal, notícia é apenas um homem morder um cão. Não o inverso.
Boa sorte para os amigos benfiquistas!
Boa sorte para os amigos bracarenses!
sábado, maio 08, 2010
Porque hoje é Sábado
sexta-feira, maio 07, 2010
Maria Jose Nogueira Pinto
Ontem li no DN um artigo da Maria Jose Nogueira Pinto. Confesso que ja me tinha esquecido que era deputada do PSD nesta legislatura. Este é mais um caso de uma pessoa do CDS que emigrou para o PSD. Mas este é também mais um caso - alias igual a todos os anteriores - de uma pessoa que desapareceu e perdeu todo o protagonismo politico. E é pena, porque pessoa como a MJNP fazem falta à politica portuguesa, porque são realmente mais-valias para o pais.
Podia estar num partido mais pequeno, mas foi nesse partido que desenvolveu um trabalho muito importante, nomeadamente com o projecto de revitalização da Baixa-Chiado de Lisboa. Mas foi também a sua opção politica de apoiar o PS e Antonio Costa para a Camara de Lisboa que "matou" esse mesmo projecto, porque depois das eleições entre ela e Sa Fernandes ele escolheu dar ouvidos aos segundo.
Enfim, que pena que as suas qualidades intelectuais sejas tantas como a sua desorientação nas suas opções politicas...
Podia estar num partido mais pequeno, mas foi nesse partido que desenvolveu um trabalho muito importante, nomeadamente com o projecto de revitalização da Baixa-Chiado de Lisboa. Mas foi também a sua opção politica de apoiar o PS e Antonio Costa para a Camara de Lisboa que "matou" esse mesmo projecto, porque depois das eleições entre ela e Sa Fernandes ele escolheu dar ouvidos aos segundo.
Enfim, que pena que as suas qualidades intelectuais sejas tantas como a sua desorientação nas suas opções politicas...
A nossa língua
Um desses enviados residentes da RTPropaganda dizia, no outro dia, que os britânicos podiam ficar com um novo Parlamento pendurado. Também já ouvi outro 'profissional' falar em Parlamento suspenso.
No Reino Unido o termo utilizado é "hung parliament". Aqueles nossos conterrâneos pegam no primeiro dicionário de bolso que encontram no alfarrabista da esquina e, zás, inovam. Uns criativos. Eu sei que é mais comprido ter de dizer em português correcto 'um parlamento sem uma maioria absoluta', mas ou falamos a nossa língua ou criamos outra língua de macacos.
E então o 'portajar'?
Sim, refiro-me à imposição de portagens em certas estradas.
Como é que se conjuga esta aberração? Até o jornal "Público" portaja.
Irra! E não há quem os portaje?
No Reino Unido o termo utilizado é "hung parliament". Aqueles nossos conterrâneos pegam no primeiro dicionário de bolso que encontram no alfarrabista da esquina e, zás, inovam. Uns criativos. Eu sei que é mais comprido ter de dizer em português correcto 'um parlamento sem uma maioria absoluta', mas ou falamos a nossa língua ou criamos outra língua de macacos.
E então o 'portajar'?
Sim, refiro-me à imposição de portagens em certas estradas.
Como é que se conjuga esta aberração? Até o jornal "Público" portaja.
Irra! E não há quem os portaje?
Subscrever:
Mensagens (Atom)










