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sexta-feira, outubro 21, 2011

A crise acaba hoje




Ia trabalhar mais um bocadinho enquanto não chega o fim do mundo que está marcado para hoje mas, pensando bem, acho que não vou. Se tudo correr conforme as previsões de Harold Camping amanhã já não haverá crise, a justiça estará garantida para todos, incluindo os nossos ex governantes, de forma célere e processualmente eficaz no Juízo Final, a Troika será desmantelada e a greve geral desconvocada, e o Orçamento Geral do Estado de 2012 arderá garantida e ecologicamente num canto qualquer do Universo. Este senhor Camping é que sabe. Claro está que já se enganou nas previsões de 1994 e de Maio deste ano. Mas dizem que à terceira é de vez. É hoje. Posso ir para casa descansada…

segunda-feira, outubro 17, 2011

Vão de vouguinha!

Entretanto (leia-se post abaixo), o Correio da Manhã noticiava ontem que a EMEF – empresa de manutenção de equipamento ferroviário, cujo accionista único é a CP, e que tem um buraquito nas contas de 71,7 milhões de euros, preparava-se para renovar a frota automóvel dos seus directores com treze carros topo de gama que iam ficar ao contribuinte por 237 120 euros. O concurso para essa aquisição, publicado em Diário da República, e perante a vinda a público da notícia, foi entretanto cancelado. É caso para dizer: não têm carro? Querem carro de luxo à nossa custa? Ora, vão de vouguinha!

Vouguinha


A linha ferroviária do Vouga vai encerrar porque, segundo o nosso Governo, não é rentável. Fiz o troço Aveiro-Águeda este fim de semana num exercício entre o revivalista e o nostálgico, e pude constatar que efectivamente as composições não iam cheias, a abarrotar, e que, feitas as contas é impossível que dê lucro. Mas, isso, só por si, não basta para tornar essa decisão economicamente racional ou sequer compreensível. O grande custo de uma linha ferroviária está na linha e no equipamento e esse investimento está feito. Mais. Devem ter sido gastos milhões naquela linha nestes últimos tempos porque a linha está nova, a estação de Águeda está em obras, e basta olhar para vários locais de passagem do comboio para ver o dinheiro que foi gasto no melhoramento das escarpas envolventes. Os ordenados do maquinista e do bilheteiro (os bilhetes são comprados dentro do comboio) não devem ser incomportáveis, e o bilheteiro mostrava surpresa com a decisão que ainda não sabia se ia avante, ou não. "Bem", dizia ele, "mas se for para fechar, vão-nos dizer de um dia para o outro. É sempre assim". Mais à frente, na estação e nos seus arredores, vários azulejos assinalavam os cem anos da linha do Vale do Vouga que se vê que foi uma grande conquista das populações. E faz impressão. Faz impressão pensar que há cem anos houve quem visse a abertura da linha como uma conquista pessoal, como motivo de empenho de avanço e de melhoria da vida das populações, e que, de repente, e sem mais, ela vai ser riscada do mapa ferroviário em beneficio de uma qualquer empresa ou linha de camionagem que fará o mesmo trajecto por estradas cheias de trânsito, desbaratando-se recursos, e atirando-se para a berma, condenado ao abate, o pequeno comboio regional de cor vermelha tão carinhosamente chamado “Vouguinha”….

quarta-feira, junho 15, 2011

É uma árvore do Norte..........!


Há mais ou menos seis anos comprei esta nogueira, na altura muito bem parecida, para oferecer. Era alta, direita, cheia de folhinhas, parecia promissora, nem eu sabia bem do quê, mas nunca chegou a ser entregue a quem se destinava. Foi para o fundo do quintal, condenada a passar aí o resto dos seus dias, que eu presumi fossem breves. Chegou o Inverno, perdeu as folhas, mas voltou a rebentar na Primavera. Mais um ano, e a história repetiu-se. A arvorezita, abandonada à sua sorte, ciclicamente parecia querer animar-se de vida e cobrir-se de folhas, até que há dois anos pareceu desistir. No dia em que deixei a minha casa um olhar de relance ao vaso confirmou-me a sua morte anunciada há muito. Lá se foi, pensei eu, até que um dos homens das mudanças me disse: atenção que não está morta, um golpe nos ramos e vê que ainda têm seiva. Vai ver, recupera. Lá a levei para a varanda da minha mãe onde voltou a dar uma ou duas folhas em 2009. E daí para cá, nada. Trouxe-a juntamente com os outros vasos para a nova casa, e quando me preparava para arrancar definitivamente o tronco seco e plantar lá outra coisa qualquer, eis que volta a dar uma folhinha. Foi há dois meses, e achei que estava finalmente na hora de cuidar dela. Está meia atarracada, não sei o que lhe vai acontecer daqui para a frente, até porque tem pouco espaço para crescer, mas não deixo de achar graça à história e imensa ternura pela forma como em seis anos uma arvorezinha nunca desistiu de viver…
Só pode ser do Norte....

quinta-feira, junho 09, 2011

Livraria Fernando Machado



Estava fechada há anos e fazia falta. Por vezes, passava por lá e espreitava a montra intocada à espera do desfecho de um processo judicial que tardava, e cobiçava um ou dois livros que lá estavam, já com a capa amarelada e deformada pela luz, ilustrados por Laura Costa, cujas bonecas faziam as minhas delícias de criança, e que, de vez em quando, também apareciam no já saudoso Primeiro de Janeiro. Reabriu ontem, com a apresentação de uma monografia sobre Artur Barrio, e parece que se irá agora dedicar às artes. É bom ver a baixa renascer, e melhor ainda quando isso se consegue sem perder a memória das coisas e dos edifícios, sobretudo aqueles de que se gosta, e servem tão bem a cultura da cidade.

terça-feira, março 15, 2011

O momento certo

Na primeira página do Público on line pode ler-se: Fuga radioactiva aumenta estado de alerta. As explosões na central nuclear de Fukushima deram origem a níveis de radioactividade que poderão afectar a saúde humana, admitem as autoridades japonesas. O espaço aéreo em redor da central de Fukushima foi encerrado. Seguem-se seis links todos eles relacionados com a crise nuclear no Japão causada pelo sismo. São eles:
• Nova explosão na central de Fukushima
• Terceiro reactor de Fukushima com problemas
• Greenpeace critica falta de transparência em crise nuclear
• Projecto nuclear português pode ser reapresentado(http://www.publico.pt/Mundo/projecto-nuclear-portugues-pode-ser-reapresentado_1484747)
• Um sismo destes no Leste europeu seria "catástrofe nuclear mundial”
• Infografia: Alerta nuclear no Japão .
Um destes links parece-me revelar um sentido de oportunidade impressionante. Qual é? Qual é? É o português, pois....Num momento em que estão a ser evacuadas milhares de pessoas das suas casas e em que são detectadas radiações a centenas de quilómetros de distância das centrais em alertas máximos de segurança, é a altura certa para falar das vantagens do nuclear....só cá, mesmo....

segunda-feira, agosto 30, 2010

Cabras

A época de incêndios espera-se que a terminar - e é sempre mais longa do que o devido - e nada de novo a assinalar neste domínio. As habituais lamúrias acerca da ineficácia das medidas preventivas entretanto tomadas, as comparações com anos anteriores em termos de área ardida, a constatação de que os meios de combate aos fogos, apesar de terem vindo a melhorar, não são suficientes, de que as espécies que compõem a nossa área florestal não são as mais adequadas, a tentativa inglória, e tantas vezes teorizada, de identificar os responsáveis pelo ateamento dos fogos, em suma, tudo, igual. Ou até pior, tendo em conta que ano a ano vamos ficando sem floresta, e o que sucedeu no Parque Nacional da Peneda Gerês, que devia ser uma área natural inexpugnável e de controle reforçado. Devo reconhecer, no entanto, porque não fora isso e nem me valeria a pena estar a escrever este post, que fui agradavelmente surpreendida pela noticia, publicada em vários jornais diários, de que, a partir de 2011, as matas vão passar a contar com outro tipo de prevenção contra fogos: exércitos de cabras. Para ser mais precisa: a partir do ano que vem, 150.000 cabras vão passar a calcorrear as nossas florestas e campos, fazendo a limpeza da vegetação e garantindo a criação de uma série de postos de trabalho ligados à pastoricia e ao comércio de produtos tradicionais. Sabendo bem da eficácia das cabras para este tipo de trabalho até me atreveria a dizer que deviam ter sido contratadas mais :-), mas sempre é um bom começo. Habituados que já vamos estando a "políticas de alcatifa", e a medidas legislativas sem qualquer relação com a realidade e as necessidades concretas das pessoas, apraz-me verificar que neste país ainda se tomam de quando em vez decisões acertadas, sem custos exagerados, e - imagine-se! - capazes de resolver efectivamente os problemas.

quarta-feira, maio 26, 2010

Agora?!

António Guterres está muito preocupado com a actual situação de Portugal, que, na sua opinião, se encontra numa posição vulnerável. «Este é um momento muito difícil, põe-nos numa posição de vulnerabilidade, que é necessariamente muito preocupante», afirmou, avisando também que a resposta à crise será prolongada. Ora, não sei o que pensam sobre o assunto, fico certamente muito sensibilizada com tais mostras de visão e de preocupação com o país, mas acho muito sinceramente que Guterres e outros deviam ser rigorosamente proibidos de dar palpites sobre uma situação para a qual muito contribuiram enquanto governantes. No outro dia, Medina Carreira dizia numa entrevista que deviam ser criados mecanismos de responsabilização de certos políticos e governantes pela forma como deixaram Portugal. E não é que, por acaso, se lembrou de Guterres e da forma como renunciou ao país e às suas funções uns anos atrás?!

quinta-feira, abril 15, 2010

Litoral de Ovar





A primeira fotografia é da praia do Furadouro em 1920. Do lado direito da fotografia está uma capela que foi deitada abaixo e reconstruída mais perto da costa para evitar a destruição pelo mar. Anos depois, essa capela foi de novo ameaçada, e deslocada então para a saída do Furadouro em direcção a Ovar. A segunda fotografia foi tirada nos anos quarenta. Ainda havia dunas no areal e o mar estava bem longe. Hoje a subida das águas já obrigou a retirar os miradouros da praia e o Atlântico já chegou perto dos muros da avenida em tempo de marés vivas. Diz quem sabe, e vai frequentemente até lá, que na praia da Maceda, ali perto, as árvores vão tombando sobre a areia por falta de sustentação à medida que o mar avança, dando origem a um cenário verdadeiramente apocalíptico. A autarquia de Ovar pediu agora uma reunião de trabalho com a Ministra do Ambiente para resolver os problemas do avanço do mar nestas praias bem como outras questões relativas à erosão no litoral daquela zona. Infelizmente, não parece que o problema do desaparecimento dos nossos areais se coloque só ali. E fala-se bem pouco disso.

segunda-feira, abril 12, 2010

Almoço do Nortadas

Foi ontem (já passa da meia noite, o que quer dizer que afinal já foi anteontem) o nosso almoço do Nortadas. Como não podia deixar de ser foi a Norte, na maravilhosa Casa de Abbades, em Ponte de Lima, e não podíamos ter sido todos mais bem recebidos. O Carlos já postou fotografia de uma bem fornecida travessa, o Zé Mexia de cada um dos Nortadas em convívio, agora eu posto uma do Zé Graça desempenhando com desembaraço as suas funções de anfitrião e distribuindo os lugares entre os convivas! Obrigada, Zé e Mariana! E força, Nortadas!

quinta-feira, março 04, 2010

Saída para a crise

Frank Schäffler, membro da comissão parlamentar de finanças, citado pelo jornal "Bild", recomendou à Grécia a venda de algumas ilhas para enfrentar o grave endividamento económico do país: "O Estado grego deve desprender-se de forma radical das suas participações em empresas e também vender terrenos, como, por exemplo, as suas ilhas desabitadas". Vejamos. Nós temos as Berlengas, a ilha do Pessegueiro, a Ínsua…

quarta-feira, março 03, 2010

Come "chicolates" pequena, come "chicolates"...

Uma das publicidades mais estranhas que aí anda é a do Minipreço que resolveu colocar um Pessoa azul desmaiado no centro dos outdoors para chamar a atenção das suas lojas. Bem sei que ele escreveu sobre o comércio, mais concretamente sobre ovos :-), e sobre a forma como os alemães conseguiram expulsar os ingleses do comércio das taças de ovos quentes na Índia porque adaptaram as dimensões das taças que vendiam ao tamanho dos ovos indianos, o que é seguramente um indicio do interesse que Pessoa mantinha por víveres e pelo negócio alimentar, já para não falar da menção explicita a chocolates que faz na Tabacaria, mas será que foi por isso que o associaram à publicidade do Minipreço? Parece que não. A razão pela qual Pessoa consta dos outdoors publicitários tem a ver afinal com a necessidade de uma espécie de homenagem nacional póstuma por ter figurado nas notas de escudo, razão que deve levar todo o português consciente e saudoso a percorrer os corredores do Minipreço em jeito de romaria consumista que também inclui o D.Pedro V e o Santo António de Lisboa. É caso para dizer: Santo Antoninho nos valha!

segunda-feira, março 01, 2010

Faltam três dias....



Alguém disse a propósito desta estreia que não se trata de uma "Alice in Wonderland", mas de uma "Alice in Underland", de tal forma o filme é escuro e pouco adaptado ao gosto infantil. Como sempre adorei Lewis Carroll e os seus contos estou morta por ir ver. E acerca de gosto infantil, temos conversado...pois qual é o conto de Grimm e de H.C Andersen que é mesmo para crianças? Estou a lembrar-me da menina dos fósforos e do patinho feio e da violência das histórias....venha a Alice, pois! :-)))))

Representação política

Um estudo sobre representação política concluiu que os portugueses estão descontentes com a democracia e com quem os representa, não gostam de maiorias absolutas, e vêem com desconfiança quem os governa. Não me parece que as conclusões sejam surpreendentes dado o que todos os dias vem a público, e a forma como em geral se comporta a nossa classe política, mas o que já me parece interessante é a forma como as pessoas esperam comportamentos diferentes num país que ao longo de trinta anos investiu mais em grandes superfícies do que em educação e que sempre se preocupou mais em incentivar o crédito ao consumo e as aparências do que a postura cívica e o respeito pelos outros. E também me parece interessante que se espere, supondo que nem todos os políticos são iguais, e que existem pessoas sérias e capazes no nosso país, que estes poucos se dediquem, ou continuem a dedicar, à causa pública, sabendo com quem têm que privar, os maus juízos a que se expõem, e o desgaste na imagem e da vida privada a que se sujeitam…

sábado, fevereiro 27, 2010

Mau tempo

Isto está mau. Já não chegava o país estar como está, e agora anda tudo pelos ares. Já caíram 2.000 árvores desde a manhã de hoje, há carros capotados, estão cortados os acessos ao Maia Shopping e a muitos outros locais, os vidros da Torre das Antas estão a estilhaçar e a cair para a rua, e os comboios já não passam perto de Santarém. Sei que de manhã ainda passavam devagarinho no meio de um lençol de água mas a meio da tarde o Alfa que vinha para o Porto voltou para Lisboa porque a linha estava cortada. No princípio da rua de Fez uma árvore tombou pela raiz para cima de um muro e de uma casa, e o mar está alto e cinzento. Já não me lembro de um ano em que desejasse tanto o Verão como este....

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Quem é amigo, quem é...?

Hoje às nove e meia da manhã, à porta do café do Sr Pinto, a confusão do costume: carros estacionados em cima do passeio, carros em segunda fila, carros na esquina, carros em cima da passadeira. De repente, alguém dá o alarme:....a polícia! E lá ficaram carteiras para trás, cafés a meio, jornais dobrados à pressa, enquanto os clientes voavam porta fora…. Não sei quem voltou primeiro, mas sei que vinha com cara de caso, vagamente desorientado. Não era nada, disse. O agente da polícia que ali passara para entregar uma notificação ou outro aviso na loja do lado, perante todo aquele desassossego, limitou-se a levantar as mãos, e em tom de surpresa, quase escandalizado, terá dito: não se preocupem, não se preocupem, então…!? Eu não estou aqui para os multar…

Paulo Rangel e política de educação em Portugal

Gostei de ler a entrevista do Paulo Rangel ao I, e o que diz sobre política de educação: “Estar cinco anos a dizer que o problema da educação em Portugal é o problema da avaliação dos professores é pura e simplesmente estar a falar ao lado. O problema é a transmissão de conhecimentos”. A transmissão de conhecimentos, diz, só pode ser garantida eficazmente através de um modelo que privilegie o rigor e a exigência, a autoridade e a disciplina, e que acabe com o facilitismo em que a escola portuguesa se foi afundando em nome de um vão princípio de igualdade que passa todos, e não distingue ninguém, sem se preocupar verdadeiramente com as consequências que um tal modelo tem para o país e para a formação das futuras gerações. Por outro lado, o que considero de aplaudir, tal é a evidência da falha que a abolição do ensino profissional significou para o país nos últimos trinta anos, defende a introdução da via profissionalizante mais cedo – porventura cedo demais, embora o modelo que defenda seja um modelo misto que não significa a irreversibilidade da opção a favor do ensino técnico – a partir do sétimo ano de escolaridade como forma de travar o abandono escolar, e de dar preparação e formação adequada aos alunos que não querem, ou por qualquer razão não se mostram aptos, a seguir o caminho puramente académico. Acerca de educação, estamos de acordo.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Rendimentos brutos

Ouvi na rádio e confirmei pela Internet. O PS quer publicar lista dos rendimentos brutos de todos os cidadãos. Se a ideia for para a frente, teremos uma ficha dos rendimentos de cada um disponível na net de forma a alimentar a cusquice, a inveja e a maledicência alheia, comparações, comiserações indevidas, e sabe-se lá mais o quê. Devo dizer que considero a solução fortemente ameaçadora da intimidade privada e da dignidade dos cidadãos. A transparência fiscal deve existir, mas deve referir-se às próprias Finanças e ao Estado, não ao vizinho do lado, aos noivos dos filhos, ou a quem trabalha connosco. As finalidades que o Estado pretende atingir bastam-se com o conhecimento pelos serviços dos movimentos e rendimentos de cada um, sendo desnecessária, excessiva e desproporcionada (diria mesmo, fora do fim) a restrição dos direitos individuais que representa uma publicidade nestes moldes. E não desconfiem que fujo ao fisco ou que tenho rendimentos não declarados. Não gosto pura e simplesmente da solução em termos gerais e do que ela significa, a não ser que a ideia seja colocar o meu vizinho da frente como fiscal da minha obediência à lei...

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Ainda a legítima defesa

Voltando uns posts atrás, eu nunca sustentaria que alguém pudesse ser absolvido (ou numa fase anterior ver o seu processo arquivado) quando por vingança decidisse atirar a matar sobre um assaltante em fuga. A questão é que o ourives da Trofa foi acusado de homicídio privilegiado porque não se podia considerar a figura da legítima defesa e um eventual excesso capaz de lhe excluir a culpa. Uma vez que o assaltante (relativamente às ameaças já não podia reagir) levava consigo valores patrimoniais elevados que lhe pertenciam, poder-se-ia aceitar que ao disparar sobre ele o que o ourives pretendia era evitar a perda dos seus bens. Ter-se-ia excedido seguramente, mas a intenção era uma intenção de defesa. Sucede que, a partir da entrada em vigor da lei que regula o uso das armas de fogo pelas forças policiais (DL nº 457/99, de 5 de Novembro), tem se entendido que a defesa de bens patrimoniais não justifica ofensas corporais graves ou o homicídio, mesmo tratando-se de particulares, pelo que não se pode invocar a legítima defesa nestes casos. Não havendo legítima defesa, também não há excessos desculpáveis, e o que eu discuto em sede geral é se não os poderia haver....

Pinheiro Manso

Quando caiu a “àrvore de grande porte” como se limitou a chamar-lhe o Público (Público de 23/12/2009), que era o Pinheiro Manso que juntamente com outros dois dava o nome à zona em que passei grande parte da minha infância e juventude, além da pena que senti, a minha alma maledicente adivinhou que tão cedo nenhuma outra árvore lhe ocuparia o lugar, tão pouco preocupados que somos entre nós com espaços verdes, árvores e afins. Pois é com satisfação que venho reconhecer que me enganei redondamente, e que já lá estão dois pinheirinhos mansos bem simpáticos, à espera de crescer. A quem actuou tão depressa, os meus parabéns e o meu muito obrigada. Aos pinheirinhos, as maiores felicidades! ;-)