segunda-feira, novembro 30, 2009

Sim ou não aos minaretes?


O referendo suíço sobre a construção de 4 minaretes, que culminou num rotundo "não" à construção dos ditos, levanta importantes questões sobre o que entendemos por democracia.

Numa concepção formal e meramente deliberativa do que é a democracia, diríamos que foi seguido um processo e um método legítimos e que uma maioria exprimiu em liberdade uma vontade política que deve, portanto, ser respeitada.

Numa concepção substantiva que realce os valores da democracia entre os quais o respeito pelas liberdades e garantias, nomeadamente das minorias, a proibição da construção de uns poucos minaretes em território suíço parece colidir com os princípios da liberdade religiosa e de associação.
A reflectir.

Does evil exist?

É de bradar aos céus

À pala da reunião de Copenhague, que é suposta estabelecer uma política a propósito das mudanças climáticas, há umas certas pessoas que tiraram do baú das velharias esse tique malthusiano de considerar que a origem dos nossos problemas assenta no facto de fazermos muitos filhos, de haver gente demais, ou seja, de a população mundial estar a crescer muito depressa.

Este relatório da ONU (Fundo das Nações Unidas para a População) revela, a meu ver, um ponto de vista completamente ultrapassado e reaccionário segundo o qual se deveria a todo o custo diminuir a natalidade para se assegurar a diminuição das emissões de CO2.

Ora, a história já deu exemplos suficientes (basta lembrar a esterilização forçada na Índia nos anos 70 e a política do filho único na China) de resultados desastrosos e injustos sempre que se pretende culpabilizar a maternidade como a fautora dos desequilíbrios económicos e sociais. Agora vêm estes maduros acenar também com os problemas ambientais e ecológicos.
É de bradar aos céus.

STARS FOUNDATION - Obrigado!!!

domingo, novembro 29, 2009

Ao domingo dão-me música

Assistir aos canais portugueses num domingo à noite é de doidos.
RTP 1 - Último passageiro, concurso inarranável
RTP 2 - Camara clara com que parece que levou dois murros nos olhos
SIC - Ídolos, com um júri supostamemte engraçado cuja única missão é tentar divertir os sádicos que vêem em casa
TVI - Uma canção para ti, exploração infantil no seu melhor e de noite
SICN - Comentários sobre futebol pelo mago da bola Rui Santos
Canal 6 - Comentários sobre futebol com JVPinto com novo visual
Porto Canal - Comentários sobre futebol com Mário Reis


O resultado é ir até ao AXN pois ainda me resta uma percentagem de racionalidade saudável.

Portugal é Lisboa

Joaquim Fidalgo escreve sobre um tema que me é caro: os jornalistas, e não só, darem de barato que existe apenas Lisboa e que o resto é insignificante. E dá os exemplos do Coliseu, ou da Avenida da Liberdade que nunca sofrem enquadramentos de local pois na cabeça de quem escreve apenas existem em Lisboa. Ou então o exemplo, este é meu, de Belmiro de Azevedo que é sempre apontado como o empresário do Norte. A visão redutora das cabecinhas é preocupante e é isso que faz com que Portugal não se desenvolva.

Défices de espinha

O assalariado do Sr. Oliveira que dirige o Jornal de Notìcias cumpre aqui o seu ofìcio de porta-recados do governo, desancando a oposição inteira por ter ousado suspender o Còdigo Contributivo e mais não sei que outras tropelias.
Quando estes moleques assim rabiam é sinal de que a oposição acertou.

A Sombra do Vento

"Ainda me lembro daquele amanhecer em que o meu pai me levou pela primeira vez a visitar o cemitério dos Livros Esquecidos. Desfiavam-se os primeiros dias do Verão de 1945 e caminhávamos pelas ruas de uma Barcelona apanhada sob céus de cinza e um sol de vapor que se derramava sobre a Rambla de Santa Mónica numa grinalda de cobre líquido.
- Não podes contar a ninguém aquilo que vais ver hoje, Daniel - advertiu o meu pai. - Nem ao teu amigo Tomás. A ninguém."
Começa assim este estranho livro de Carlos Ruiz Zafón que, coisa rara, conquistou ao mesmo tempo o público e a crítica!
Trata-se de um livro sobre outro livro, de uma obra que nos faz sonhar do princípio ao fim. Assim que o comecei a ler não consegui parar. Aliás, foi dos poucos livros que, num curto espaço de tempo, li duas vezes e sempre com redobrado prazer.
Zafón consegue hipnotizar-nos desde a primeira frase e, nas últimas páginas, impõe-nos o paradoxo de, por um lado, querermos chegar ao fim o mais rapidamente possível e, por outro, querermos prolongar a sua leitura.
Para além de uma magnífica homenagem ao poder místico dos livros, esta obra consubstancia o verdadeiro triunfo da arte de contar.
Tudo começa na Barcelona da primeira metade do século XX. Daniel Sempere está a completar 11 anos e, numa madrugada fantasmagórica é levado, por seu pai, ao “Cemitério dos Livros Esquecidos”, uma labiríntica e secreta biblioteca que funciona como depósito de obras abandonadas, à espera de serem descobertas.
É lá que Daniel encontra um exemplar de A Sombra do Vento, um livro misterioso do intrigante e enigmático Julián Carax. A leitura do livro desperta no jovem um enorme fascínio pelo desconhecido autor e pela sua obra. Obsecado, Daniel empreende uma busca pela obra de Carax e, para sua enorme surpresa, descobre que alguém a tem vindo a queimar…
Na verdade, o exemplar que Daniel tem nas mãos pode até ser o último existente. Daniel apercebe-se que, se não desvendar toda a verdade sobre Julián Carax, ele e aqueles que ama poderão ter um destino terrível.
A busca de Daniel marca a sua transformação de menino em homem, e desperta-nos num fascínio ímpar pelos livros e pelo seu poder. Na sua busca, Daniel acaba a conviver com os mistérios e segredos mais obscuros de Barcelona.
A esta empolgante e mística narrativa não falta sequer um personagem “sem rosto” que se vai assemelhando e identificando com um personagem do próprio livro de Carax e que, ao que tudo indica, saiu das suas páginas para o poder queimar!
A Sombra do Vento é fundamentalmente uma história de amor vivida por diferentes personagens, separadas no tempo, e que acabam por se confundir, tendo um livro como elo de ligação. Na verdade, o paralelismo entre o escritor maldito e o personagem, não sendo assumido, vai-se tornando assombrosamente evidente.
Trata-se, seguramente, de um dos melhores livros que algum dia li, daqueles livros que têm o poder de nos transportar para dentro de si!
Depois de o reler, senti que o deveria recomendar.
Para quem ainda não o leu, e tenha ficado curioso, os dois primeiros capítulos encontram-se disponíveis no site www.lasombradelviento.net

Oup, Oup là (3)

Foto "Marylin working it"

sábado, novembro 28, 2009

"A decisão é minha"

« A decisão é minha », foi com estas palavras que o presidente da Comissão assumiu a responsabilidade da distribuição dos pelouros na nova Comissão Europeia.
Obviamente que em Bruxelas e nas capitais europeias toda a gente sabe que o Durão Barroso não fez mais que tentar conciliar, a partir da sua paupérrima posição negocial, os apetites de uns e de outros. Mas se està disposto a assumir as escolhas feitas como coisa sua, não pode então escapar às eventuais crìticas sobre as decisões que afirma terem sido suas.

Do meu ponto de vista, hà desde logo duas observações graves:

a) A primeira decorre do facto de as pastas mais importantes terem sido atribuìdas a nacionais dos grandes Estados-Membros. Relações Externas, Mercado Interno, Concorrência, Indùstria e Energia caem no regaço de comissàrios oriundos respectivamente do Reino Unido, da França, da Espanha, da Itàlia e da Alemanha.
Se alguém ainda tivesse dùvidas sobre o tipo de União que se està a construir, dessa Europa directorial, carolìngia e bonapartista que o Tratado de Lisboa traz no ventre, tem aqui um sinal claro de que até na Comissão, orgão supostamente independente, os grandes reivindicam o seu estatuto.

b) A segunda observação é ainda mais preocupante: um dos dossiers mais decisivos e mais delicados para o futuro imediato e não tão imediato da Europa, o dossier da energia, é entregue a um nacional do Estado-Membro que mais se tem revelado agreste à concretização de uma verdadeira polìtica europeia da energia.
A Alemanha tem uma agenda pròpria e sò sua em matéria de energia e demonstrou ad abundatiam que não precisa nessa matéria da Europa para nada e que sabe desenvencilhar-se muito bem sòzinha com os russos e com o Sr. Putin.

È claro, que se o orçamento europeu a puder ajudar a financiar o seu north-stream, tanto melhor, mas é extraordinàrio que se entregue a chave do cofre ao ladrão com a mesma desfaçatez com que poderiam estar a falar de passarinhos.
O projecto do pipe-line Nabuco, o ùnico não dependente dos russos e que atravessaria a Turquia, bem pode apodrecer nas gavetas e nos imbròglios costumeiros e o Sr. Oettinger là estarà para garantir que isso aconteça.

E a decisão de tudo isto coube ao “nosso” Barroso. Ele o disse.

Porque hoje é Sàbado (2)

Òleo de John Brown "Watching the train" - 1881

sexta-feira, novembro 27, 2009

Expulsar o pus


Entre 1960 e 2004, pelo menos, a hierarquia católica da Irlanda encobriu e pactuou com todo um cardápio de crimes sexuais cometidos por membros da Igreja sobre crianças.
Segundo o jornal "Público", durante 60 anos, mais de 2000 crianças sofreram violações em instituições dirigidas pela Igreja.
Tudo isto não teria sido possível sem a correspondente indiferença conivente das autoridades públicas.

Há tempos atrás soubemos que a Igreja Católica nos Estados Unidos estava igualmente minada por práticas pedófilas e encobrimentos cúmplices a pretexto de se evitar escândalo.

É revoltante.
Este pus fétido tem de ser extraído onde quer que esteja. E ainda há muito.

As eleições do PSD em Lisboa

Anda aí uma peixeirada do camandro à volta das eleições para a distrital de Lisboa do PSD.

Considero isto uma óptima notícia. Devemos encorajá-los a contarem tudo, a revelarem os truques de uns e de outros, a desmascararem os joguinhos mesquinhos em que se têm perdido nos últimos anos.

Para além de tudo isso ser muito instrutivo sobre como funcionam ou têm funcionado estes partidos do regime, não deixa também de ser a condição necessária para que as coisas mudem. Embora já tenha poucas esperanças que mude o que quer que seja.
Mas ao menos vamo-nos divertindo.
Sim, sim, deitem o lixo todo cá para fora, arranhem-se e insultem-se, por favor. Isso vale mil vezes mais que o situacionismo podre na distrital do Porto do PSD.

Eleições no cds Porto

Foram ontem e UPS, capote. Paciência. Fico com a consciência tranquila. Agora volto para a toca e os que ganharam, a quem dou os parabéns, que trabalhem.

Nota: os assuntos internos ficam para debate interno.

quinta-feira, novembro 26, 2009

A verdade, às vezes, é como o azeite


Lembram-se disto aqui?
A coisa explica-se acolá.

Conselho do meu oftalmologista


A sucata tem cheiro

Tenho uns euritos no BCP.
Ao ler o "Público" de hoje, dou-me conta que eles não estão lá. Estão na Mota-Engil e noutras 5 empresas encostadas ao banco. Cheira-me a sucata. É tempo de mudar de banco.

Eleiçoes no CDS/PP Porto - um sinal dos tempos

Hoje é dia de eleiçoes no CDS Porto.

Nao podendo eu votar fica aqui publicamente assumida a minha preferencia pela lista B.

Mas se me perguntarem se na pratica tudo isto tem grande utilidade. Entao ai a minha resposta é nao!!!

Na verdade e em teoria as concelhias podiam desempenhar um papel interessante e muito importante.

Mas na verdade nao o tem feito. E sinceramente nao me acredito que va mudar seja qual for a lista vitorioso.

Fui membro de uma comissao politica e ja na altura o Afonso Rangel (actualmente um dos elementos da lista B) tambem fazia parte. E, bem sabemos que na realidade nada foi feito e cada proposta por mais valida que fosse ficava no limbo dos Deuses.
E, no mandato anterior pouco ou nada mudou.

A lista B é composta por algumas pessoas que ja estiveram no mandato anterior incluindo o Miguel Barbosa e por outras pessoas com qualidade e isso deixa-me uma restia de esperança de que algo possa mudar (caso vençam).

Mas este acreditar é desde ja e tambem um desacreditar. Pois na verdade bem sei que a vontade autentica que possa existir em alguns nao vai passar de isso mesmo.

Na realidade todos sabemos que estas pequenas eleiçoes acabam apenas por ser patamares que é necessario percorrer para quem deseja percorrer a escada do "carreirismo" politico.

é certo que nem todos os membros das listas terao essa intençao e muitos deles ate estarao pelos bons motivos

mas rapidamente irao concluir que assim é.

Sao formas de mediçao de forças e de avaliaçao de quem tem mais poder eleitorar que depois se pode traduzir ou nao noutros voos dentro do partido.

Sao peças que se movem num enorme xadrez que é a estrutura interna de um partido politico.

Na minha perspectiva tudo isto esta mal mas nao creio que va mudar.

Era necessario baralhar e dar de novo.

é importante reflectir se a estrutura partidaria com mais de 20 anos nao deveria ser radicalmente alterada.

Para que por exemplo a existencia de tantos orgaos? de tantas estruturas? qual a necessidade de uma distrital? ou ate mesmo das concelhias?

Na minha perspectiva esta visto que a forma como o CDS se organiza internamente esta desactualizada, nao contribui para se aproximar dos eleitores, nem para a diversidade e discussao de ideias, nem para a eficacia eleitoral.

E quem se convencer do contrario esta muito iludido.

O indicio esta desde logo nestas eleiçoes que deviam começar por nos convocar para uma serie de reflexoes e debate de ideias. O que uma vez mais nao aconteceu.

Porque o sistema é o do caciquismo, é o da angariaçao do voto.

Ganha quem fizer mais telefonemas e quem conseguir angariar mais apoios.

E é por estas e por outras que os partidos politicos e os politicos gozam da credibilidade que gozam junto dos eleitores.


a bem da Naçao!!!!

Baixa a bola

As notícias que vão surgindo sobre a formação da Comissão Europeia "Barroso II" deviam soar como um tiro de canhão para os que esperariam que o presidente da Comissão fosse o patrão da barca e assumisse com plenitude as suas prerrogativas e competências: cada capital dá ordens, publicamente, sobre os nomes que quer e as pastas que quer.

Auspicioso começo (e ainda a procissão vai no adro).

Sai uma Comissão, bem cheia, para a mesa do canto

Parece que vai nascer, sob os auspícios da Assembleia da República, uma Comissão de Acompanhamento da Corrupção.

Há quem receie que uma tal Comissão se sobreponha e/ou colida com o Conselho de Prevenção da Corrupção, algo que se esconde nas caves do Tribunal de Contas.
É bem possível que tenham razão, mas ainda assim sou dos que acolhem com agrado, embora sem grandes expectativas, essa comissão do parlamento, já que o tal Conselho de Prevenção não demonstrou até agora qualquer utilidade ou apresentou qualquer resultado digno de se ver.

Venha lá essa Comissão.

quarta-feira, novembro 25, 2009

TRATADO DE LISBOA






"Le traité de Lisbonne donne à l'UE ce que Henry Kissinger attendait depuis quarante ans: un numéro de téléphone, ou plutot un visage"

(sic)Pierre de Boissieu

Não te esqueças do boné

irracional ou racional?




Douch esta a ser julgado pelos crimes hediondos que cometeu enquanto responsavel da prisao S-21 na decada de 70.

Para alem das torturas e das condiçoes "animalescas" em que os prisioneiros eram mantidos é de registar os trabalhos forçados e os 12.380 cambodjianos que morreram devido as barbaridades que "Douch" cometeu sob a alçada do regime do Khmer Vermelho.

NO decurso do julgamento a acusaçao desistiu de pedir a prisao perpetua e pede agora 40 anos de prisao. Atenta a idade de Douch os 40 anos de prisao equivalem a uma prisao perpetua no entanto e para tamanha barbaridade parece-me muito pouco,

e, estas e outras atrocidades fazem-me questionar como é possivel que o ser humano seja capaz de fazer tao mal à sua propria espécie? como é possivel ser-se tao pouco humano com os nossos semelhantes?

a bem da Naçao!!!!

Em casa de ferreiro...


Quanto mais tempo vai ser preciso para concluir o processo disciplinar de Lopes da Mota?
É motivo de chacota no Euro-Just esta podridão do sistema judicial lusitano que arrasta há meses e meses um processo disciplinar sobre o ainda presidente daquele organismo.
Uma vergonha e mais um insulto.

Europa e chefias

Teresa de Sousa, hoje n'o Público, comenta, com a seriedade e profundidade que nos habitou, as escolhas europeias, e suas razões, para Presidente do Conselho Europeu e Alto Representante da Política Externa.


Sem prejuízo do respeito que a sua opinião me merece, creio que assenta num equívoco fundamental. Que, aliás, está plasmado no próprio Tratado de Lisboa, como estava já no projecto de Constituição da Convenção Europeia.

O verdadeiro objectivo da criação destes dois cargos nunca foi o de "dar caras à Europa". Bem pelo contrário, o que pretendiam os promotores desses cargos era nem mais nem menos do que "minar" a predominância da Comissão Europeia, e do seu Presidente (independentemente de ser o nosso José Barroso), na máquina institucional e decisória europeia. Pretendiam fazê-lo porque os grandes, que Teresa de Sousa considera, e bem, os autores materiais da escolha em causa, receavam perder influência, para a dita Comissão, numa União de 30 ou mais Estados.

Por conseguinte, o que está em causa para os que não são grandes (e nem todos os grandes o são, neste sentido; para aqui só "contam" a Alemanha, França, Reino Unido e, nalguns casos, a Espanha - apesar dos incómodos que a Polónia já tem conseguido criar, esta "regra" ainda é verdadeira) é saber se apostam na Comissão Europeia para defesa do interesse comum ou se, pelo contrário, preferem que esse interesse se limite às sobras dos jogos de interesse que, necessariamente, dominam as relações entre Estados; sabendo que nesse jogo uns são mais iguais que os outros. E, nesta perspectiva, as escolhas não são assim tão más para os que não são grandes. E se calhar para os próprios grandes. Tudo depende da capacidade que a Comissão, e em especial o seu Presidente Barroso, venha a ter para manter a centralidade da representação da Europa. Isto é, que seja a sua cara. Porque as escolhas "preservam", ou parecem fazê-lo, a predominância da Comissão.

No entanto, o verdadeiro problema da Europa, com a devida vénia, não passa por aqui. Passa isso sim, como bem apontava o Economist recentemente, pela falta de legitimidade dos seus decisores próprios. Em boa verdade, ninguém seriamente acredita que a fundamentação da legitimidade europeia resulta das reuniões de uma série de "princípes" europeus (neste caso até "princípes-eleitores), mandatados como estão para defenderem os respectivos estados, nações, governos e parlamentos.

Se quisermos uma Europa mais forte, onde a quisermos, teremos de pensar em dotar o Presidente da Comissão e a Comissão de uma legitimidade própria. Em regimes democráticos, isso passa por eleições. Directas ou indirectas, através do Parlamento Europeu.

O resto não é mais do que a repetição de modelos conhecidos da História europeia. Anteriores ao início, e sobretudo ao modelo (o famoso método comunitário), da integração europeia - pós duas guerras mundiais, três guerras franco-alemãs, duas intervenções americanas e tudo o mais que a história conta; com a "invenção" da supranacionalidade. Não pode surpreender.

terça-feira, novembro 24, 2009

Oup, oup là (2)

Foto de A. J. Hampton 'Hyde Park"

Recuperação económica ou reanimação?

Consta que o CDS vai apresentar um plano de reanimação económica. Ainda bem. O País bem precisa que apareçam por aí alternativas aos planos únicos do governo, baseados nas mega-obra-públicas, muito bem alavancadas em parcerias estratégicas que hipotecam o nosso futuro e arruinam as nossas finanças.

Convém termos presente que o País tem um problema de competitividade gravissímo. E ao contrário do que para aí corre, a falta de competitividade não está no trabalho. Está no capital.

De facto, grande parte dos nossos investimentos tem pouca rentabilidade. Por uma razão simples. Alimentam modelos de gestão que não são competitivos e que só sobrevivem pelo isolamento da nossa economia, em muitas das suas áreas. Nomeadamente, e até sobretudo, nos chamados sectores dos bens e serviços não transaccionáveis.

E esse é o principal problema dos planos do governo.

Porém, por outro lado, o País precisa urgentemente de um novo plano que lhe renove a capacidade de ser competitivo. Isto é, precisamos de investir para podermos aumentar o nosso potencial de crescimento, a amplitude dos nossos retornos, para poder sonhar em pagar as dívidas que nos tolhem. Não basta reduzir impostos e melhorar as condições gerais da contratação. As nossas empresas estão tolhidas, sobretudo, pela ineficiência do sistema judicial e pela falta de condições de custos competitivas.

E é aí que a ferrovia pode, e deve, assumir um papel de destaque. Oxalá o CDS o tenha percebido e o saiba incluir no seu plano.

O potencial de apoio às empresas exportadoras nacionais que reveste a ligação da rede ferroviária nacional às redes europeias, através da nova rede espanhola, é, provavelmente, a nossa melhor oportunidade para quebrarmos o ciclo vicioso e entramos noutro virtuoso.

Por causa da dependência do petróleo.
Por causa da ineficiência do transporte rodoviário.
Por causa do potencial, ainda inexplorado, dos nossos portos oceânicos.
Por causa dos baixos custos do transporte ferroviário de mercadorias.
Por causa do potencial de crescimento do transporte ferroviário de mercadorias, na Euriopa.
Por causa de implicarem grandes investimentos das empresas de obras-públicas.
Por causa de isso ser bom para o emprego, no curto prazo.
Por causa de permitir a oferta de transporte de massas, para passageiros.
Por causa da nossa necessidade de exportar mais, a melhores custos de transporte.
Por causa de oferecer retornos mais garantidos.

O que falta?

A coragem de encontrar modelos de financiamento alternativos, que permitam ultrapassar a falta de capacidade do Estado para investir. A coragem de abandonar fantasias aeroportuárias, terceiras travessias, terceiras auto-estradas e novas linhas ferroviárias em bitolas incompatíveis com o resto da Europa (precisamente a linha Sines-Madrid).

Parece que os espanhóis estão interessados nisso. E nós, será que acordamos a tempo?

Em defesa dos casamentos homossexuais...

... entre outras coisas, porque dão anedoras porreiras (a prioridade política é que é difícil de entender):
O filho adoptivo de um casal homossexual entra no quarto de banho na altura em que o pai está secar-se, e diz admirado:
- Ó pai, tens uma pilinha tão grande!
Responde o senhor:
- Ó meu filho, isto não é nada; havias de ver a da tua mãe!

Ai não!?!?!?


Que surpresa!!! Confirme aqui.

Se calha, manda-se fazer uma auditoria "interna" ao que já se descobriu lá por Aveiro, e ainda vamos concluir que os "magistrados-politicamente-motivados" se enganaram, "que todos os procedimentos foram respeitados" (menos os judiciais, obviamente) e que tudo não passou de um grande equívoco.

Ufa! Que alívio!


A vaca dos eventos

Aguém tem alguma ideia sobre quais são os objectivos polìticos e estratégicos e, sobretudo, quais têm sido os ganhos e resultados concretos dessa coisa chamada Cimeira Ìbero-Americana, que desta feita se reune no pròximo fim-de-semana no Estoril?
À falta de resposta, avoluma-se-me a impressão de que isto não passa de mais de uma vaca de eventos, pagos por nòs, para gàudio turìstico de uns tantos.

Desentendimentos

Esta malta não percebe mesmo o que está em causa. (Ou então, percebe até demais...)

Alguns, mais atentos, terão reparado que os Ministros das Obras Públicas ibéricos se juntaram em Lisboa. Anunciaram duas coisas.

Que a linha Porto-Vigo está atrasada dois anos, do lado espanhol (onde apenas se constróiem 25 dos 125 km), por causa da "orografia difícil". O que terá implicações para o traçado do lado português.

A outra coisa é que é a séria. Os dois terão concordado em criar uma comissão para estudar a possibilidade da linha ser apenas de passageiros, em lugar de mista como estava previsto até aqui.

O problema é simples: os espanhóis estão incrédulos desta vontade nacional de lhes entregar o transporte de mercadorias.
Quer dizer, o valor acrescentado que possa existir no transporte ferroviário de mercadorias.
Que é como quem diz, a área em que crescerá o transporte ferroviário, nas próximas décadas, na Europa.
O que significa, a maior parte do potencial de crescimento da actividade dos nossos portos atlânticos.
O que implica, muito provavelmente, uma parte significativa da competitividade das nossas empresas exportadoras. Nano-micro-pequenas e médias incluídas. Para já não falar das implicações energéticas e ambientais.

E tudo porquê?

Porque os artistas que tem tratado deste assunto, neste jardim à beira mar abandonado, estão convencidos que conseguem criar valor processando mercadorias a 50km dos portos, para as enviar por autovia para lá da fronteira, e mais importante, para lá dos Pirinéus. Nada de mais. Nem muito menos considerando os custos por contentor que implica cada ruptura de carga, cada movimento em gruas, etc. Nada disso é relevante. Por isso mesmo é que o transporte de mercadorias não lhes parece importante, podemos deixá-lo para os "lorpas" dos espanhóis. Pois.

Ah, quase me esquecia. E porque os mesmos artistas continuam convencidos que o futuro da ferrovia é por os passageiros a andar depressa. Pois. E dar-lhes um grande aeroporto intercontinental, ligado à ferrovia, para poderem vir de todo o sul da Terra experimentar os nossos comboios ultra-rápidos. Claro. "É já a seguir", diziam uns tipos que também percebiam do assunto...

É preciso um Portugal melhor. Mesmo.

A corda vai apertando

Mais um dia passou e não vejo mais ninguém a juntar a voz ao CDS sobre o Código Contributivo que entrará em vigor no dia 1 d Janeiro.

Andamos entretidos com subidas e descidas da bolsa de Lisboa, a Assembleia Geral do Benfica e pouco mais. O certo é que faltam apenas 38 dias para a corda apertar de vez. E aí sim, vamos ver empresas a fechar, despedimentos e perda de rendimentos dos trabalhadores portugueses.

E mais interessante, ou preocupante, é falar com pessoas, algumas delas com responsabilidades na gestão de empresas, e que não fazem ideia nenhuma do que vai acontecer.

Não queria ser alarmista, mas a coisa vai ficar feia.

Sistema

A palavra sistema devia ser banida do léxico nacional.

No futebol a culpa é do sistema.
Na economia a culpa é do sistema.
Na politica a culpa é do sistema.

Só que o problema mesmo é das pessoas que vivem do sistema e como tal nada fazem para que ele seja um bom e limpo sistema.

É certo que os que não conseguem usar o sistema também o podem acusar para justificar derrotas.

Mas por norma o sistema só serve quem dele faz uso em proveito próprio. Por isso é que é sistema. Se fosse para proveito de todos chamava-se justiça ou algo do género. Só que os que de espinha só conhecem a do peixe adoram o sistema.

Moda que devia pegar

Uns bons exemplos são para ser seguidos e este devia ser desde já. Onde se viu alguém devolver o dinheiro porque defraudaram os seus? Foi o que aconteceu com a equipa do Wigan que decidiu devolver o dinheiro dos bilhetes aos seus adeptos depois de levar 9-1. Defraudou pagou.

As hipóteses de aplicação são várias, desde o futebol, até à politica. Era fantástico.

segunda-feira, novembro 23, 2009

É O QUE DÁ QUANDO SE ESQUECEM DA BOLA...

Tetro



Vale mesmo a pena ir ver. Eu já fui.

Apoteoses merecidas

O Governador que não governa

Vitor Constâncio foi nomeado para governador do Banco de Portugal e aí tem estado, como que colado por UHU. As suas funções são reduzidas e pouco mais lhe resta do que:
1) controlar os bancos
2) fazer previsões e calcular o PIB nacional

está bom de ver que sobre controlar a banca tudo lhe escapa, BPN, BPP e BCP.

quanto a previsões e com um gabinete de estudo dedicado só a isso, também aqui o senhor governador foi apanhado de surpresa pelos números.

Afinal que está lá a fazer? Fretes ao governo já nós tinhamos percebido. Só não imaginei que fossem assim tantos os favores a pagar.

domingo, novembro 22, 2009

Sem papas na língua


José António Saraiva conta a história como devem ser contadas as histórias: com nomes. JAS demonstra coragem e certamente que está a contar com as retaliações que esta entrevista vai desencadear. Mas é fundamental que se desmascare tudo. Não podemos pactuar com a corrupção, com a escória e com o jogo sujo. É preciso dizer basta.

Mais um

O Nortadas tem mais um escriba, Rui Pedrosa de Moura. Já se estreou mais abaixo com um excelente post. O Rui além de ser amigo de longa data partilha os ideais do CDS e da liberdade. Bem vindo sejas Rui.

O Amor nos Tempos de Cólera

Estreou no ano passado a adaptação cinematográfica do livro “o Amor nos Tempos de Cólera”, do escritor Colombiano Gabriel García Márquez.
Ainda não tive oportunidade de ver o filme, mas um anúncio que vi na internet trouxe-me o mote para o presente “post”.
Li esta obra tinha eu, talvez, 20 anos e reli-a 15 anos depois. Curiosamente, mantive na memória a primeira frase com que Gabriel García Márquez nos introduz no mundo de Florentino Ariza e Fermina Daza: “Era inevitável: o cheiro das amêndoas amargas lembrava-lhe sempre o destino dos amores contrariados”.
Magistralmente bem elaborado, este livro consubstancia um hino à escrita e, claro está, aos amores contrariados.
Gabriel García Márquez, conta-nos uma história simples, que nos toca na alma, das aventuras e desventuras da própria felicidade humana. Trata-se de uma obra envolvente, que nos faz sorrir e, sobretudo, nos faz ler.
A acção situa-se nos finais no século XIX e inícios do século XX; Florentino Ariza, telegrafista e poeta, conhece Fermina Daza, o grande amor da sua vida, à janela da casa de seu pai. Aos poucos, e à custa de cartas arrebatadoras, Florentino conquista o seu coração. O romance tem a férrea oposição do pai de Fermina. Também por isso, Fermina acaba por casar-se com aquele que entende ser a pessoa certa para si: o Dr.Juvenal Urbino, médico ilustre.
Mais de meio século depois, no dia de Pentecostes, Juvenal (que havia descoberto que os sintomas do amor são idênticos aos da cólera asiática) morre enquanto tenta apanhar um papagaio. Florentino ajuda no velório e no enterro de Juvenal mas, após o encerramento das exéquias, permanece na casa de Fermina para lhe declarar o seu amor eterno. Florentino Ariza esteve mais de cinquenta anos sem ver Fermina quando lhe repetiu o juramento de fidelidade eterna e de amor para sempre, na sua primeira noite de viúva.
Esta história não é uma simples história de amor. É uma descrição maravilhosa sobre os sentimentos humanos e sobre o que é envelhecer.
O final do romance é, pela surpresa e sentido de humor, simplesmente genial.
Em boa hora, o realizador Mike Newell (“Sete Casamentos e Um Funeral”), resolveu levar esta saga ao grande ecrã.
Um filme a ver e, claro está, um livro de leitura obrigatória.







E mais do mesmo?

Òleo de Ilya Repin "Vladimir Odoesvsky"

Afinal parece que a sugestão marcelista de reunir os ex-lìderes do PSD e mais uns quantos notàveis para discutirem o futuro da colectividade vai ser levada à pràtica por obra e graça do Instituto Sà Carneiro.

Onde é que tudo isso se passarà?
Em Lisboa, claro. E devagarinho, se faz favor: 8 encontros nas pròximas 16 semanas.

Entretanto, vão ocorrendo eleições internas a nìvel distrital com menos entusiasmo e discussão do que a escolha de direcção de uma qualquer fàbrica paroquial. A recondução recente do Sr. Marco Antònio à frente da burocracia distrital do PSD do Porto, sem que se vislumbrasse um esboço mìnimo de uma alternativa eleitoral ao aparelhismo desta estrutura, é, a meu ver, reveladora da anemia dominante nas hostes social-democratas.

Sou dos que ainda acham que o PSD pode ser um partido estruturante da nossa democracia, mas confesso-me cada vez mais decepcionado com o manobrismo egocêntrico e nombrilista de grande parte dos seus dirigentes, tanto a nìvel nacional como local.

Se o actual lìder parlamentar do partido pensa que pôr todos os seus deputados no facebook é a prioridade do momento, se o “Sebastião” RSousa opta por manter a prancha de surf debaixo do braço à espera da vaga de 5 metros, se a proposta dos auto-declarados basistas é um tal PCoelho, se até o vereador SLopes acha que ainda tem voz autorizada, se perante um paìs de còcoras e um Estado decrépito é apenas isto que nos podem oferecer, então façam como o MES em tempos fez: reunam-se todos num jantar e apaguem os candeeiros.

sábado, novembro 21, 2009

Jorge Ferreira


Hoje morreu Jorge Ferreira.
Sempre mereceu o meu respeito, nem sempre a minha concordância. Era um homem às direitas. E um blogger incansàvel e sempre atento.
Em sua memòria, o meu silêncio.

Porque hoje é Sàbado

Òleo de Eero Järnafelt "Carl Gustaf Swanin" 1889

sexta-feira, novembro 20, 2009

Anda aì a Gripe A: protejam-se




Outros penachos


O Governo nomeou os Governadores Civis.
Já aqui exprimi o ponto de vista de que considero que esta função não tem mais razão de ser e que a designação para estes cargos se transformou num mero pagamento de favores políticos. O Governador Civil é um regedor sem prestígio, sem autoridade e sem conteúdo.


Mas a lista de nomes hoje conhecida toca, a meu ver, as raias do insulto ao cidadão e ao eleitor. Vários derrotados nas últimas eleições recentes são promovidos a chefes dos chefes das esquadras de distrito, alguns deles preferindo aos amores então declarados o novo 'penacho' de serem valetes do Rui Pereira. O eleitor do concelho não os quis para presidente? Pois tomem lá, que o Governo pousa-os à frente do distrito. Cala e come!

EMABARAÇO

Eu não tenho nada a ver com o assunto, nem sou um entusiasta fundamentalista da União Europeia, mas todo este processo que conduziu à escolha destas estimáveis personalidades que vão inaugurar uma nova era institucional me parece um pouco ridículo. Calculo que no Brasil, na China, na Rússia, na Índia e, sobretudo nos Eua, se estejam todos a rebolar de riso perante tamanha paródia. Foi para isto que se fez o Tratado de Lisboa?

Varadas


Começou a campanha de desinformação. Tal como na imagem, alguém terá sugerido a Vara que nos ponha a "olhar" para coisas mais interessantes, para que a "máquina" possa trabalhar. Na sombra, como convém.

Vai daí, ele é Portas (nos submarinos, claro) a fazer o mesmo que o Governo (nas autoestradas, como seria de supor...); ele é esclarecimentos da PGR; ele é, sobretudo, "fontes" que consultam processos (da defesa, evidentemente, desinteressadas, como seria de supor) a garantir que "não há lá nada", etc.etc.

Só me surpreende que o Pacheco Pereira também colabore, com pronunciamentos sobre "vencedores" em soluções de problemas sérios do País... Ou me engano muito, ou a única questão que interessa é saber se o País fica a ganhar; se é por culpa do PS ou por responsabilidade do PSD, com franqueza, "who cares"!?!

O que não me surpreende, infelizmente, é a pobreza da nossa imprensa, e o servilismo de muita dela...

É preciso um Portugal melhor. E é preciso querer muito.

Europa e cargos: parabéns Zé Manel!!!

Ou muito me engano ou as nomeações do belga, van Rompuy, e da britânica, Ashton, são acima de tudo uma grande vitória para o Presidente Barroso.

O primeiro, por razões óbvias - a Bélgica é, quase por necessidade de sobrevivência, tradicionalmente federalista e integracionista. Além disso é politicamente irrelevante. Acrescendo que o senhor (embora eu apenas o acompanhe à distância) parece ser um bom "construtor de compromissos".

A segunda porque, antes de mais nada, é uma Mulher. Britânica, 'above all things'... O que, em política externa, tem o seu significado... Naturalmente será pragmática; naturalmente será, digamos, céptica, para não dizer desconfiada, da mais valia europeia sobre as diplomacias tradicionais. O que, não sendo pouco, lhe deverá permitir focar-se nos aspectos em que a Europa, ou a união europeia (na União Europeia) poderão representar verdadeira mais valia.

Por tudo isto, Parabéns Zé Manel!!!

Um alerta, contudo. O Sr Brittan, também chegou à Comissão com "ordens" para acalmar a besta. E depois acabou por ser o "pai" dos novos ímpetos integracionistas, com o renovado enfoque no "mercado interno"...

quinta-feira, novembro 19, 2009

Eleições no cds Porto

Já aqui expliquei que sou candidato nas eleições que no dia 26 de Novembro vão escolher os próximos órgãos do CDS/Porto.

A minha lista, a B, tem desde hoje um blogue que procurará dar a conhecer as suas principais linhas de orientação.

O link é http://cdsportodefuturo.blogs.sapo.pt/. Visite-o e saiba mais.

Kothbiro - Ayub Ogada - The Constant Gardener

Marradas

Aviso que ninguém partiu nada e dizem-me que estão todos rijos de saùde.

http://www.acorestube.com/video/1126/Marradas-com-Efeitos-Parte-4

PARAÍSOS SOCIALISTAS

Verdadeiramente aterradora a história que a Helena Matos conta hoje no Público sobre o destino dos jogadores norte coreanos que participaram no mundial de 1966.
Confesso que me emocionou e a mim hoje em dia poucas coisas me afectam.
O jogo de Portugal com a Coreia do Norte nesse mundial ficou nos anais como uma das páginas mais gloriosas da nossa selecção, que virou um resultado de 0-3 e acabou por ganhar 5-3. O problema é que essa vitória transformou a vida dos jogadores coreanos num inferno. O pobre desgraçado que marcou o primeiro golo passou a vida num campo de concentração a comer insectos, actividade em que se especializou.
A Coreia do Norte vai jogar outra vez no próximo mundial. Se perder, como é provável que aconteça, creio que a selecção inteira desaparecerá nas profundezas do sertão sul africano.

Cuidado eles vêm aí


Segundo noticias de hoje o Governo decidiu reprivatizar o BPN. Confesso que nunca pensei escrever a palavra reprivatizar aplicada aos dias de hoje mas com esta malta tudo é possível. A noticia dá igualmente conta que o banco angolano BIC pode estar interessado mas que pode não ser o único banco angolano a concorrer. Ora aí está.

Voo atrasado e direito a compensação

Vale a pena ficar a saber.
Disse-o hoje o Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias (aqui)

"Os artigos 5.°, 6.° e 7.° do Regulamento n.° 261/2004 devem ser interpretados no sentido de que os passageiros de voos atrasados podem ser equiparados aos passageiros de voos cancelados, para efeitos da aplicação do direito a indemnização, e de que esses passageiros podem, assim, invocar o direito a indemnização previsto no artigo 7.° desse regulamento, quando o tempo que perderam por causa de um voo atrasado seja igual ou superior a três horas, isto é, quando cheguem ao seu destino final três horas ou mais após a hora de chegada inicialmente prevista pela transportadora aérea. Todavia, tal atraso não confere aos passageiros o direito a uma indemnização, se a transportadora aérea puder provar que o atraso considerável se ficou a dever a circunstâncias extraordinárias que não poderiam ter sido evitadas mesmo que tivessem sido tomadas todas as medidas razoáveis, mais precisamente circunstâncias que escapam ao controlo efectivo da transportadora.

O artigo 5.°, n.° 3, do Regulamento n.° 261/2004 deve ser interpretado no sentido de que um problema técnico numa aeronave, que implica o cancelamento ou o atraso de um voo, não se enquadra no conceito de «circunstâncias extraordinárias», na acepção desta disposição, salvo se esse problema decorrer de eventos que, pela sua natureza ou a sua origem, não sejam inerentes ao exercício normal da actividade da transportadora aérea em causa e escapem ao seu controlo efectivo."

Sirvam a vichyssoise


Imagino que logo ao fim da tarde e depois de mandarem fechar as portas, os dirigentes europeus ataquem uma vichyssoise como entrada de um repasto agitado donde é suposto saírem os nomes do Presidente do Conselho Europeu e do Vice-Presidente da Comissão e Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança.

A pomposa designação dos novos cargos (só o segundo comporta mais de 10 palavras) espelha, a meu ver, esta tendência moderna de carregar no embrulho sem curar muito de saber o que se põe dentro. Aliás, a profusão de candidatos e a regateirice inter-pares que a tem acompanhado demonstra pelo menos duas coisas: que não há nomes óbvios, pois são todos de uma medíocre mediania, e que esta barafunda é apenas o prenúncio da confusão que se lhe seguirá relativamente ao exercício das competências de uns e de outros. Nessa, como noutras matérias, o Tratado de Lisboa cumprirá os seus objectivos, isto é, complicar mais e afastar ainda mais o cidadão.

O debate de ontem na Assembleia da República sobre o dito tratado foi igualmente esclarecedor: uma chatice que desmobilizou mais de metade dos deputados e onde o ministro Amado repetiu uns lugares comuns para contento de um hemiciclo quase vazio que desesperava por ir tratar de outras coisas.

A presidência sueca encomendou pequeno-almoço, pois receia-se que as "negociações" de logo se prolonguem pela noite adentro e chegue a hora matinal de café e croissants sem que haja fumo branco.

Como diria David (salmo XLII, 8): "Abyssus abyssum invocat"

Selecção

Finalmente apurados!

Para poder passar o Bojador foi mesmo preciso ir para além da dor.

Somos assim!

Não resisto:

--------------------------------
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!


Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa (Mensagem)

H1N1



Em Portugal tem-se discutido diariamente se as pesssoas se devem ou não vacinar contra o virus H1N1?
Não sou médico, nem tenho quaisquer conhecimentos cientificos sobre a matéria mas o simples de se tratar de uma vacina parece-me um forte indicio de que é benéfico para o utente e não o contrário.
Mas nada como dar uma vista de olhos aqui

ou fale com o seu médico.

De qualquer das formas em Portugal é muito importante e urgente uma campanha de informação ainda mais esclarecedora e eficaz sobre a questão da vacinação

Aqui por estes lados a coisa é mais pacifica e parece-me ser claro e inequivoco que quem pode deve vacinar-se.

Sendo que por aqui a vacinação dos grupos prioritários já lá vai e ja começaram a vacinar a população em geral.

Mas também por aqui as pessoas em principio respeitam as regras e não me consta que por aqui os médicos andem a dar uns jeitos à Portuguesa e a vacinar prioritariamente os seus amigalhaços...

a bem da Nação!!!!

quarta-feira, novembro 18, 2009

Word of the year 2009

A palavra unfriend acabou de ser escolhida a palavra do ano pelo New Oxford American Dictionary inspirada na experiência facebookiana de milhões de pessoas. Quer dizer desamigar, ou seja, designa o acto de eliminar um amigo da nossa lista pessoal carregando no botão delete do computador. É assim. Desamiga-se com mais facilidade do que se bebe um copo de água. Já não gosto de ti. Desamigo-te. Acorda-se com vontade de eliminar um ou dois, e desamigam-se da noite para o dia, nem eles dão bem conta do que lhes sucedeu. É limpo, prático, eficiente, permite eliminar muito chato das nossas vidas, mas faz-me muita confusão. Ainda somos do tempo em que ter um amigo dava muito trabalho, implicava muito esforço e muita deslocação, moedas para telefonemas, noites de conversa e tardes de estudo, arranhões nos joelhos, segredos, bilhetinhos debaixo das escadas, uns tantos amuos e arrufos, mas não dava a ninguém a hipótese de desamigar-se! Claro que havia zangas, mas eram coisas em condições e que valiam a pena, com ameaças e troca de olhares fatais, aliciamento de apoiantes e debate das cláusulas de uma eventual e remota reconciliação que quase sempre acabava por suceder. Agora, desamigar? Não gosto. Gosto muito mais da palavra funemployed aplicada ao desempregado que aproveita o tempo para se divertir, e da palavra locávoro. Esta confesso que adorei. O locávoro, que mais parece uma categoria de insecto, é aquele que apenas consome comida produzida localmente, o que, no que diz respeito aos cidadãos do Porto, não sei exactamente o que significa. Tenho pena. Gostava de ser considerada locávora. Maria Paula Ribeiro de Faria, locávora. Muito prazer. :-)

O CONTABILISTA, O ALEIXO e no dia em que vi correr "pardaus" por cabeceiras de baixo


Esta terça feira (18/11/2009) foi aprovado na Assembleia Municipal do Porto o contrato de constituição de um Fundo de Investimento Imobiliário (FEII).

Significa isto que as torres do Aleixo têm os dias contados? Sim embora não se tenham dignado a dar uma estimativa de quando isso acontecerá.

Significa isto que o Bairro do Aleixo terá os dias contados? A minha resposta é não.

Passo a explicar:

O problema do Aleixo é o mesmo do Bairro do Cerco do Porto, dos Guindais, da Sé, da Ribeira, de Campanha, do Bairro Pinheiro Torres.

O problema do Aleixo é um problema de miséria, de exclusão social, de vidas sem perspectiva, de toxicodependencia, de alcool, de marginais, de trafico de droga, de insucessos...

Não compreender isto é não compreender nada.

Não compreender isto é nao conhecer a realidade da miseria que existe na Cidade do Porto.

Não compreender isto é não saber que a maior parte da miséria na cidado do Porto não é visivel. Foi sendo escondida, para não ser um incómodo.

Não compreender isto é não compreender que durante 2 mandatos o mesmo contabilista foi incapaz de atacar o problema do Aleixo.

Não compreender isto é não compreender que esta medida só tem a motivação do lucro.

Não compreender isto é não compreender que o Aleixo se tornou incómodo porque é particularmente visivel.

Não compreender isto é não compreeender que o problema do Aleixo existe há anos e que a CMP nada fez até ao dia em que nasceram à volta condominios de "luxo"

Não compreender isto é não perceber que assim se caminha a largos passos para uma situação de miséria e insegurança como a que existe no Brasil.

Não compreender isto é não ter o sentido humanista que devia presidir à actuação de qualquer poder público.

Não compreender isto é ter uma coligação com um partido que se diz democrata cristão e que tem na sua matriz o humanismo cristão e se esquece do mesmo em nome de interesses menores.

Não compreender isto, é, uma vez mais, não compreender nada!

Não me parece que a assinatura de um contrato de constituição de um fundo imobiliária seja a soluçao para o problema que representa o Aleixo.

Para um contabilista a assinatura daquele contrato resolve muitos problemas e problemas para muita gente

mas não resolve os problemas daquela gente!

No dia em que os poderes publicos se juntam aos privados, o interesse publico cede e aqueles que deviam agir enquanto poderes publicos, vendem-se às prebendas dos poderes privados pois esse é o mesmo dia "...em que vi correr "pardaus" por cabeceiras de basto.

a bem da Nação!!!!

Árvores que crescem direitas

Cabeça feminina de mármore, Grécia +/_ 350 AC

Quando ouço um responsável político ou leio as suas declarações na imprensa escrita, confrange-me a falta de elevação, de rigor, de postura, de conteúdo, de pensamento, de humildade, de sentido de serviço, enfim, de cultura.

Cada vez mais me convenço que é preciso voltar às origens, estudar, ler e reflectir. E contra mim falo, pois já me sinto contaminado por aqueles ventos da época, vergado aos seus caprichos e conivente com os seus saltos de direcção.


Nada está em risco....

Nada está em risco

A leitura das primeiras páginas dos jornais diários de hoje afixados na montra do meu café deixaram-me confiante de que o país segue o seu rumo, e de que não deixa desviar a sua atenção do essencial. Fiquei a saber que a mãe da Bárbara Guimarães não pretende ter mais netos, declarando-o com o pleno domínio da situação, que a Maya está a envelhecer bem, e que se sujeitou a uma operação estética, amplamente documentada pelo close up das áreas cirúrgicas intervencionadas que é fornecido ao leitor na mesma publicação, que um jogador de futebol cujo nome não sei mantém um romance tórrido com a ex mulher, que a polícia conseguiu apanhar uma senhora que fazia striptease de dia e assaltava carros à noite (ou seria ao contrário?), que a Alexandra Lencastre adiou o casamento mas que nada está em risco, e que já existe um manual da corrupção capaz de dar resposta às interrogações mais frequentes do cidadão comum sobre uma das formas de realização criminal mais fashionable desta época Outono/Inverno, o que é bom, nos mantém informados e cultivados, e nos dá a exacta medida das preocupações que nos afligem, pelo menos, no dia de hoje… :-)

Seria desejável...



1- Não tenho qualquer fobia quanto à demolição das torres do aleixo.

2- O que não concordo é que se faça um interessante negócio imobiliario sendo a CMP parte interessada no negocio. E, por isso deixa de poder agir de forma desinteressada e usa os poderes publicos que tem não para satisfazer interesse publico mas sim interesse privado.

3- Seria desejável que a CMP se preocupasse em 1ª mão em resolver os problemas sociais que existem no Bairos do Aleixo e nos demais locais problemáticos.

4- Seria desejável que a CMP e o Estado não tivessem reduzido o apoio às instituições privadas de solidariedade social que são as únicas no terreno na cidade do Porto. O que seria destas pessoas sem aquelas instituições?

5- Seria desejável que a CMP se preocupasse mais em resolver aqueles problemas do Aleixo do que no negócio imobiliário

6- Seria desejável que a CMP já soubesse de que forma vai resolver o problemas das pessoas que vivem no Aleixo e informasse pormenorizadamente os cidadãos.

7- Seria desejável que os deputados se tivessem recusado a aprovar a assinatura de um contrato quando ainda não conhecem o projecto imobiliario nem a forma e processo de realojamento daquelas pessoas.

8- Seria desejável que o contabilista em vez de dizer "que aquelas de quem for possível arranjar prova que se dedicam ao tráfico de droga «não serão realojadas».
Tivesse dito que aquelas de quem for possivel arranjar prova que se dedicam ao tráfico de droga serão denunciadas ao MP e presas.
Mas pelos vistos para o contabilista a coisa resolve-se por não ter de as realojar.

9- Seria desejável que o País caminhasse no sentido do desenvolvimento e não no sentido dos Países subdesenvolvidos.

10- Seria desejável que os cidadãos saissem do estado amorfo em que se encontram e que fizessem ouvir as suas vozes.

a bem da Nação!!!!

Menos revistas

Hoje fomos informados que mais duas revistas vão acabar. Auto Magazine e Maxi Tunning. São 28 jornalistas que vão para o desemprego. Aos meus amigos um abraço de amizade e de esperança. Fecha-se uma porta abre-se outra ou entra-se mesmo pela janela.

Um PM e dois paises

Já se percebeu à muito que Sócrates vive num país que é só dele e nós tristes portugueses continuamos a viver em Portugal.

Sócrates tem leis próprias. Nós, os outros, as da República.

Sócrates espera diminuição do desemprego em 2010. Nós, os outros, tememos o aumento do desemprego em 2010.


Não sei quem é o realizador deste filmes, mas nós os figurantes começamos a ficar cansados. Eu estou.

História para as criancinhas

O processo "face oculta" já interessa ao meu filho que anda intrigado com estas noticias e nao percebe nada e por isso está muito preocupado pois deve ser pouco esperto. Sosseguei-o dizendo-lhe que eu também não percebo nada e não é por isso que me considero pouco esperto. É certo que há uns que são mais espertos, ou que se julgam mais esperto do que eu e como tal andaram e andam a gozar com um país inteiro. Mas tal como nos filmes de cowboys em que os bons ganham sempre também neste filme espero que o final seja o mesmo. Mas como o enredo se está a desenvolver temo muito. Muito mesmo.

Já se percebeu a enorme trapalhada em que esta malta está metida:

a) suborno
b) financiamentos partidários ao arrepio da lei
c) aproveitamento de banco privado conquistado de forma suspeita para tomadas de poder
d) aproveitamento de banco privado conquistado de forma suspeita para silenciar media e ajudar amigos


só isto já chegava para alcatrão e penas e para os accionista do banco tomarem uma posição. Mas vivemos num país de faz de conta.

terça-feira, novembro 17, 2009

Gato escondido...

DRAGON & ROSE GARDEN - ART AND POWER IN CHINA



Este livro tem ele proprio uma historia e fez-me companhia no comboio de Bruxelas para o Luxemburgo.
E, posso-vos dizer que é excelente. Muito interessante e importante para se perceber muito do contexto do realidade mundial e daquilo em que a China ja se transformou e vira a ser nos proximos tempos.
é verdadeiramente surpreendente!!!
Nao deixem de ler!!!!
Um obrigado muito especial a quem me o ofereceu e um abraço ao seu Autor.
Fantastico!!!

Sinologist Simon Leys: "The reading of this book is an indispensable introduction for everybody desiring to approach and understand the formidable ferments at work in the Chinese artistic world at this moment."

In this book Sus Van Elzen investigates the transformation of China and the city of Beijing from 1949 up to the 2008 Olympics and beyond, with a particular focus on the role of artists and architects. The transformation of an urban environment, driven by economic and demographic forces but also by the cultural and political agenda of the government. The dynamic relationship, often thorny, between a powerful centralized government and an emerging group of free thinking artists.

É só mais uma coisinha (2)

Faz como eu digo, não como eu faço.

Eu candidato

Um post na primeira pessoa e em causa própria, mas entendo que o momento o permite. Desde ontem que sou candidato nas próximas eleições da concelhia do CDS Porto, liderando a lista à mesa da Assembleia Concelhia. Foi como que um acordar, adormecida que estava a participação activa nas disputas eleitorais.

Entendi-o fazer por um dever cívico de participação e por entender ser necessário dar um novo dinamismo à participação dos militantes do CDS nomeadamente aqui no Porto.

Um dos compromissos que assumo desde já é aumentar os momentos de discussão e participação dos militantes, trazê-los de volta como de resto a própria direcção nacional do partido tem tido como lema.

A lista da mesa que apresentei é composta pelo José Mexia e pelo João Porto, que dispensam apresentações.

Por fim e para que tudo fique claro, a lista de apresentamos é solidária com a que foi apresentada para a Comissão Poltica pelo Miguel Barbosa.

Espero que este momento seja aproveitado por todos para um diálogo sério e proveitoso.

As malas pretas


Vale a pena confirmarem aqui o que vem sendo a percepção da Transparency International sobre a evolução da corrupção em Portugal.

Desde 2005 que Portugal vem caindo na tabela, afastando-se dos menos corruptos e aproximando-se dos mais pôdres. Se em 2005 estávamos na 26° posição, com um índice de 6,5 (numa escala de 1 a 10), em 2009 já vamos na 35° posição, com um índice de 5,8.

Qualquer investidor estrangeiro que leia o relatório que acaba de ser publicado pela TI compreenderá que, por detrás do discurso magalheiro e modernaço do Governo, há uma central de negócios e um polvo viscoso a que se adere ou então o melhor é não entrar e abandonar o país.

Em 2009, o país socratino consegue ficar atrás, por exemplo, da Espanha, da Eslovénia, dos Barbados, do Qatar, de Santa Lúcia, do Uruguai, de Chipre, da Estónia, dos Emiratos Árabes Unidos, e da Rep Dominicana.

De 2008 a 2009 foi mais um trambolhão de 3 posições. É obra
Mas somos bons no salto à vara.

Vídeos a destruir imediatamente, já!

segunda-feira, novembro 16, 2009

Que nunca falte a sede!

Outras feiras

Acrílico de Alba de Faro Barros "Feiras"

Baboseiras

Há um membro do gabinete do Presidente da Comissão Europeia que de vez em quando publica umas opiniões no "Diário Económico". Deve ser uma pessoa cheia de energia e ubiquidades pois afirma-se também como sendo professor universitário.

Na sua esporádica coluna, neste 16 de Novembro (lê-se aqui), protesta contra a ausência de Obama nas comemorações da queda do muro de Berlim. É uma opinião. Mas é sobretudo um pretexto para avançar com uma série de disparates que não podem ficar sem resposta. Ora vejamos:

a) Diz que o Reino Unido e a França, juntamente com os Estados-Unidos e a União Soviética, "desempenharam um papel central em todo o processo de reunificação". Trata-se de uma rematada falsidade, pois é matéria hoje em dia bem documentada que tanto a Sra. Tachter como o Sr. Mitterrand puseram todos os pauzinhos possíveis na roda da reunificação, que eles não queriam e de que desconfiavam. Admitamos que é a juventude do colunista que o leva a desconhecer o que se passou verdadeiramente na época.

b) Diz que a Europa "é um parceiro indispensável para os Estados-Unidos", como o prova o facto de por exemplo Portugal ter mais tropas no Afeganistão que a China. Eu não sei que aulas dá este jovem senhor e em que Universidade, mas talvez uma alma caridosa lhe possa explicar o que é a Nato e já agora outras coisas elementares como explicar-lhe que não foram os europeus que ajudaram os americanos na Bósnia e no Kosovo como diz, mas foram aqueles que nos vieram desenrascar quando foi evidente que não tínhamos dentes para aquele bife.

c) Enfim, ele vê o mundo pelos óculos dele mas há ali diopterias a precisar de novas lentes pois há algo de errado se ele pensa que são os europeus que fazem o favor de dar uma mãozinha aos americanos na desnuclearização do Irão, pois somos nós os primeiros interessados, apesar de impotentes, em que Teerão nunca tenha um balázio nuclear que nos aterre na testa. Por isso nos agarramos, nesse particular, às calças do Obama, e não o inverso.

Talvez seja tempo de o Almeida repensar ideias como "o declínio da Europa": é que esse declínio é uma evidência e não vale a pena ele pôr-se em bicos de pés lá no gabinete do presidente Barroso a repetir o contrário, pois não vão ser essas baboseiras que farão a Terra rodar em sentido inverso. E, por favor, dê as aulas que quiser ou que lhe pagarem na Universidade das Novas Oportunidades mas deixe as coisas sérias para quem sabe delas.

domingo, novembro 15, 2009

Joseph Stiglitz

Este mês, no Courrier Internacional, vem a tradução de um artigo interessante da revista Newsweek escrito em Julho passado sobre este famoso economista e prémio Nobel. O artigo pode ver visto no site da newsweek http://www.newsweek.com/id/207390 (ao contrário do que acontece com o Courrier infelizmente).
Destaco uma frase deste economista que me deu para pensar:

"Temos de lhes dizer (aos Bancos) que se são demasiado grandes para falirem, são demasiado grandes para existirem"

Bom ponto, bem observado.
Para mim, que sou adepto da livre economia, esta é uma observação muito interessante. O que se passou no sistema financeiro no ano passado foi uma clara prova que não há racionalidade na tomada de decisões. Um dos conceitos mais fortes nos negócios e em especial na Banca é dispersão de risco. Como diz o povo "não colocar todos os ovos na mesma cesta".
Foi exactamente isso mesmo que a Banca não fez, colocando ainda por cima a "cesta" em posição de cair e partir os ovos (investiu em activos de risco elevado).
Desta crise não resultou nada de concreto para se evitar uma nova. A não ser uma série de iniciativas de regulação bancária pouco eficazes e a extrema preocupação com os salários dos gestores. Pior do que isso, abriu-se a porta para uma série de disparates deste a nacionalização da Banca à ideia que uma qualquer regulação "mais forte" resolve. Estamos a falar de decisões mal tomadas, mal medidas, pensando no curto prazo apenas. Vão me convencer que os políticos, cujas decisões são normalmente da mesma qualidade que estas, vão resolver alguma coisa?
Por isso me questiono:
Será que a dimensão dos Bancos é um problema? Será que a coisa se resolve limitando a sua dimensão e não permitindo que invistam uns nos outros (fundos de pensões incluídos)?
Se assim for, a sua falência não será um tema sistémico. Os depositantes avaliarão os Bancos não só pelas suas ofertas mas também pela sua capacidade financeira. Resultará?
Para pensarmos.

O embrulho e o conteudo

Há uma semana que se discute o embrulho e pouco se diz sobre o conteúdo. Ainda por cima o embrulho é jurídico, algo pouco compreensível à luz do bom senso e sempre com muitas interpretações.
Agora do conteúdo, nada. Isto apesar de, na essência, o conteúdo ser mais importante que o embrulho. Mas mesmo assim, nada.
O PM diz-se indignado com o embrulho (foi escutado e não devia ter sido, diz ele), um dos seus ministros até acha que existe um "embrulho espião". O Presidente do Supremo, preocupado com o conteúdo, mandou acabar com o embrulho antes de este ser desembrulhado. O Procurador diz que embora o embrulho não seja famoso o conteúdo não tem importância.
Mas afinal qual é o conteúdo? Há ou não há conversas sobre ajudas ao Joaquim Oliveira, planos que envolvem a Ongoing e a compra de parte da TVI?
Posso concordar que o conteúdo será de muito fraco nível, mas por melhor que seja o embrulho eu gostava de saber e gostava que existissem consequências. Para "desembrulhar" tudo isto.

sexta-feira, novembro 13, 2009

A simpatia


Dizem-me que hoje é o dia internacional da simpatia, uma celebração imaginada pelos japoneses em 2002. Assim sendo, aqui vai um abraço ao Joaquim e ao seu blogue muito especial
http://jsilvarodrigues.blogspot.com/ , cheio de histórias deliciosas e de viagens incríveis.

Rostos de Mediocridade

Estamos a poucas semanas da reuniao mundial sobre as alteraçoes climaticas em Copenhaga.

Em Portugal, curiosamente (ou talvez nao), ninguem fala no assunto...
deve ser porque ha temas da actualidade mais importantes.

E esta é tambem uma forma de percebermos a ausencia de dimensao de pensamento em Portugal.

Com efeito, entre a Camara de Lisboa e o Dr. Antonio Costa, os carrinhos e avioes do Dr Rui Rio, a economia nacional (que esta, esteve e sempre estara) em crise, o deficit das contas publicas a que podemos acrescentar alguns escandalos politicos

para alem do futebol - esse elixir da estupidez humana - estes sao os unicos temas em Portugal...

Mas que é feito dos nossos pensadores?

das nossas elites intelectuais?

foram-se embora. Bateram com a porta, voltaram as costas e foram-se embora....

e o que é feito dos problemas do mundo e da posiçao de Portugal em relaçao aos mesmos???

ahhhh..isso? isso nao interessa para nada...deixa mas é ver o Benfica e o Porto

é também este o rosto da nossa mediocridade!!!

para mal da Naçao!!!!

Rede a sério, é isto...

Nesta notícia do sol, que o público também noticia, se indiciam redes sérias que não só vivem à custa do Orçamento do Estado, como se deleitam em nos ludibriar da forma mais descarada.

Na actual situação das finanças públicas nacionais, "oferecer" 200 milhões ou mais, "à cabeça", vale muito dinheiro e deve fazer toda a diferença numa proposta deste tipo; se for efectivamente pago. Se não for pago, as propostas deveriam ser reavaliadas face às ofertas dos demais concorrentes. Mesmo nas condições actuais, os juros desses valores fariam a felicidade de muito portugueses. Não são valores com que se possa ou deva brincar.

Pior ainda, se serviram de estratagema para afastar concorrentes. Como estratagema será atacar concorrentes na imprensa, por falta de argumentos no concurso. É o caso da proposta da FCC sobre o tgv e a TTT (terceira travessia do Tejo), que por aí anda a ser objecto de uma campanha mediática - certamente para criar condições para o chumbo dessa proposta.

Para estas redes, pouco importa se têm razão ou não. Se não tiverem, o Estado pagará a indemnização correspondente, em tribunal, anos mais tarde. As redes, entretanto, facturam o concurso, apresentam propostas mais caras e constróiem, da forma a que nos habituaram e com acréscimos de custos significativos, as obras com que nos iludimos.

Entretanto, entretêm-nos com "faces ocultas", escutas nulas ou inadmissíveis, conteúdos inutilizáveis das ditas escutas e outras quejandas políticas de combate à crise... em particular nas grandes obras públicas.

Nós, divertidos ou irritados, vamo-nos preparando para pagar a factura. Que será elevada.

Desenho de Bordalo Pinheiro, "descarregado" da Wikipedia

Pior, vamos fingindo que os nossos filhos não terão vidas piores porque também terão de pagar. E vamo-nos surpreendendo por haver cada vez mais filhos nossos que preferem ir trabalhar para fora do País.

E, no entanto, ninguém se revolta. A sério, que é como quem diz, para exigir mudanças.

Para que conste: falo, perdão, escrevo contra mim, que ainda não encontrei uma forma útil de me revoltar.

MENTIROSO????

Pelos vistos ainda é novidade para alguns que o Primeiro Ministro mentiu na Assembleia da República www.publico.pt

quando, se descobrissem o contrário é que seria uma grande novidade...

a bem da Nação!!!!

quinta-feira, novembro 12, 2009

Diferentes mas parecidas

Òleo de Sarah Afonso "As meninas" - 1928

A padronização

Aqui vai uma boa notícia, interessante para simplificar as nossas vidas.

Nisto das escutas, também pode vir a haver uma padronização. Em tempos vigorou a tese de que "Não me pronuncio sobre escutas ilegais". E não ficaria espantado se agora fosse outro o líder partidário a adoptar esse singular padrão de comportamento.

Não são escutas mas tirem certidões

A crise

Entretidos que andamos com as escutas telefónicas e o casamento dos homosexuais, esquecemos que a crise ainda aí anda e vai andar por mais uns bons tempos. Na Alemanha o índice de confiança dos consumidores voltou a baixar e Angela Merkel já veio avisar que a crise ainda vai fazer mais estragos. Por cá temos um horizonte negro com data marcada a 1 de Janeiro. Nesse dia entrará em vigor, se se mantiver o que o governo tem estipulado, um novo código contributivo. Código esse que vai asfixiar as pequenas e médias empresas ao tributar violentamente em sede de Segurança Social. Mas parece que isso não tem muita importância. Só que no estado em que estão as finanças das nossas empresas será mais um aperto asfixiante e em muitas delas o golpe final.

Familia incómoda

A familia pode de facto ser um incómodo. A de José Sócrates está bom de ver é um grande incómodo. Não sei quantos primos o senhor terá, mas cada vez que lhe conhecemos um vem logo acoplado a uma história menos digna. Mas a "familia" de Sócrates parece que tem ramificações para além das sanguíneas. E isto não está a ficar nada bonito. O melhor mesmo é sabermos de uma vez por todas quantos primos e outros tipo de familiares o nosso PM tem. Assim ficamos a saber quantos capítulos pode ter este folhetim.

quarta-feira, novembro 11, 2009

o tanas!



Escusam de me pôr em escutas, que eu falo ao Zé e fica tudo nulo.

O manto diáfano da suspeição...

Pode até ser que o PGR se tenha enganado; pode até ser que o Presidente do STJ tenha razão, formalmente.

Onde nenhum tem razão é em chutar para o outro as eventuais explicações a prestar. É vergonhoso o espectáculo que proporcionam quando o fazem.

O que importa, contudo, é outra coisa. Não conheço as leis, neste particular. Mas sei que não é sensato descartar suspeitas que possam resultar das escutas feitas a determinado investigando, porque essas suspeitas recaiam sobre um alto dignitário do País, para quem as escutas obedecem a outro formalismo.

Não é sensato porque, para além de tudo o mais que possamos adivinhar, reagir desta forma enche o oceano de desconfiança que se instalou em Portugal quanto à isenção da Justiça.

Não é sensato porque retira ao objecto das suspeitas os mecanismos próprios para se defender, legitimamente, do que possa estar em causa.

Não é sensato porque se o conhecimento de crimes é oficioso, para qualquer funcionário público, e de denúncia obrigatória, muito mais deveria ser para os magistrados que conduzem escutas legalmente autorizadas. Como o confirmam as certidões e o envio do PGR ao STJ.

Não é sensato porque quando se autorizam escutas a "altas personalidades" não se pode adivinhar, nem muito menos exigir, que se preveja com quem irão os ditos conversar, especialmente se calharem de telefonar a, ou receber telefonemas de, "altos dignitários". Falar, em casos destes, em autorizações prévias é, evidentemente, tapar o sol com uma peneira. Dessa suspeita, nenhum dos autores nem dos escutados se livra. Para sempre.

Não é sensato porque, aposto, brevemente aparecerão por aí "conteúdos" das escutas agora em processo de destruição, que não serão investigadas, que não serão confirmadas nem desmentidas e que permanecerão na nossa memória colectiva como "provas" da injustiça em que vivemos...

Assim, não dá. Os brandos costumes também tem limites. A história, a nossa, confirma-o.