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terça-feira, julho 17, 2012

Voando sobre um ninho de cucos


Um cortejo de quatro limousinas BMW levou hoje o Sr. Kofi Annan a uma reunião com o Sr. Putin para conversarem sobre a situação na Síria.

Há meses que o Sr. Annan se desloca de hotel de 5 estrelas para hotel de 5 estrelas, a passear um dito “plano de paz” que já deve ir na terceira versão de uma imaginada “transição” em que ninguém acredita. Nunca o Sr. Annan pôs um pé numa aldeia destruída ou numa cidade sitiada ou num bairro bombardeado.

O comunicado do Sr. Annan, a seguir à reunião desta tarde com o Sr. Putin, é mais um daqueles textos vazios em que não se diz absolutamente nada. Entretanto, os massacres sucedem-se uns aos outros e de cada vez o Sr. Annan ajeita os punhos da camisa e verte duas linhas de pomposas lágrimas, enquanto aguarda luz verde para um enésimo chá no palácio presidencial de Damasco. Ainda o havemos de ver, qual Chamberlain revisitado, a acenar um papel ao vento como se o mesmo fosse uma garantia real. 

Este baile indecoroso começa a ser indecente.


quarta-feira, setembro 28, 2011

Pedro Lomba e a Palestina


Gosto de ler o Pedro Lomba.
No outro dia escreveu sobre o pedido palestiniano de adesão à ONU e exprimiu, fundamentando, a sua opinião de que se trata de uma mera manobra politiqueira de Abbas, a aproveitar uma fase de isolamento de Israel, e que o que é preciso é sentarem-se à mesa das negociações sem condições pré-definidas.

Se não me engano, a única condição que a Autoridade Palestiniana coloca para encetar negociações é o imediato congelamento de novas colónias israelitas nos territórios ocupados. As outras exigências ( fronteiras, Jerusalém leste, regresso dos palestinianos, etc.) são posições de partida e portanto objecto de negociação. É evidente que, por exemplo, o regresso de palestinianos é assunto que tem de ser matizado e que os próprios palestinianos terão cedo ou tarde de o moldar à realidade.

O anúncio feito poucas horas depois do discurso do primeiro-ministro israelita na ONU de que não só continuarão a criar novos colonatos nos territórios ocupados como também irão construir de imediato 1100 novos alojamentos para judeus em Gilo/Jerusalém-leste é uma bofetada nos que, como o Pedro Lomba, honestamente desconfiam da boa-fé palestiniana e ainda acreditam na bondade do actual governo israelita.

sexta-feira, setembro 23, 2011

A Palestina



Há alguém que tenha percebido qual é a posição oficial portuguesa face ao pedido dos palestinianos de serem admitidos como Estado-Membro das Nações Unidas?

Ouvi no outro dia o Ministro Portas dizer umas coisas a esse propósito, mas a única conclusão que tirei é a de que ele está à espera de saber o que é que os franceses, ingleses e alemães irão decidir, para depois ir atrás. A nossa política externa é assim: não temos (em boa verdade não temos nenhuma há muitos anos), até que outros digam qual é.

De nada vale ir a Bengazi dar umas palmadas nas costas de uns tipos se a seguir nos escondemos debaixo dos calções de outros.

Não sei se a Autoridade Palestiniana segue o melhor caminho ao apresentar aquele pedido, mas uma vez que decidiu apresentá-lo parece-me inacreditável que certas democracias ocidentais ainda hesitem em apoiá-lo.

quinta-feira, outubro 14, 2010

Vitórias de Pirro

Houve alguma excitação com a notícia da eleição de Portugal para o Conselho de Segurança da ONU. Alguma. Em termos meramente diplomáticos, seria assunto para deitar muitos mais foguetes dos que estouraram.

Mas se essa excitação foi tímida, não o terá sido por acaso.
De facto, seria preciso muito cinismo para nos pedirem que saíssemos para a rua com bandeiras a festejar um sucesso desses quando o país está como está, o governo é o que é e o futuro será o que vai ser. Esperar, neste contexto, regozijo por um assento naquele Conselho de Segurança seria o mesmo que enviarem-nos, encurralados no fundo duma mina, uma televisão para vermos o Portugal-Islândia com a promessa de que daqui a dois anos nos tirariam do buraco.

De qualquer forma, falta ainda conhecer toda a factura com que se conquistaram certos apoios. Já se conhece uma parte: o voto do Ministro Amado a favor das importações sem direitos de 78 artigos pautais de têxteis oriundos do Paquistão. E se a OMC vier a decidir que essa suspenção de direitos tem de ser alargada a outros países (Índia, China, Bangla-Desh, Tailândia, Sri-Lanka, etc.) bem podem as empresas têxteis do norte esperar o pior.

O drama nem sequer advém do facto de que essa dita vitória não nos traz um único emprego. O drama é saber quanto mais desemprego ela nos traz.

segunda-feira, novembro 30, 2009

É de bradar aos céus

À pala da reunião de Copenhague, que é suposta estabelecer uma política a propósito das mudanças climáticas, há umas certas pessoas que tiraram do baú das velharias esse tique malthusiano de considerar que a origem dos nossos problemas assenta no facto de fazermos muitos filhos, de haver gente demais, ou seja, de a população mundial estar a crescer muito depressa.

Este relatório da ONU (Fundo das Nações Unidas para a População) revela, a meu ver, um ponto de vista completamente ultrapassado e reaccionário segundo o qual se deveria a todo o custo diminuir a natalidade para se assegurar a diminuição das emissões de CO2.

Ora, a história já deu exemplos suficientes (basta lembrar a esterilização forçada na Índia nos anos 70 e a política do filho único na China) de resultados desastrosos e injustos sempre que se pretende culpabilizar a maternidade como a fautora dos desequilíbrios económicos e sociais. Agora vêm estes maduros acenar também com os problemas ambientais e ecológicos.
É de bradar aos céus.

segunda-feira, outubro 05, 2009

34°

Vale a pena dar uma vista de olhos neste relatório da ONU sobre o desenvolvimento humano em 2009, país a país. Portugal consegue estar à frente da Bulgária, embora atrás da Eslovénia.