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sábado, janeiro 10, 2015

O fim do malfadado jacobinismo?


Por motivos óbvios, tenho reforçado a minha atenção à opinião que se tem publicado estes dias na Europa. É muito interessante ver que, depois da cruzada jacobina iniciada nos idos de 1789, e que a esquerda sua herdeira tem levado a cabo desde então com assinalável sucesso, se começa a falar do regresso imprescindível e urgente à matriz cristã da Europa. Foram anos e anos de luta tenaz e persistente que a esquerda jacobina empreendeu para subverter a familia tradicional, impor o relativismo ético, acabar com a sólida solidariedade cristã, dinamitar os alicerces do estável mundo ocidental que conheciamos.
Joseph Weiler e Roger Scruton andaram quase solitários a pregar no deserto durante anos. Curiosamente, nos últimos dois dias ganharam uma legião de seguidores, confessos ou não.
Não é muito dificil aceitar que uma Europa assumidamente ligada à sua matriz cristã, elemento fundador e agregador, cumprindo a sua vocação de tolerância, abertura, pluralidade e acolhimento, mas com uma identidade própria identificável e reconhecível, estaria muito mais capacitada para se posicionar e fazer respeitar no mundo confuso dos nossos dias.

quinta-feira, julho 21, 2011

A Paz e a Europa II

A mão Amiga do camarada Nortadas Farripas fez-me chegar o texto integral da Declaração de 9 de Maio de 1950, de Robert Schuman, ministro francês dos Negócios Estrangeiros. Aqui vai:

"A paz mundial não poderá ser salvaguardada sem esforços criativos à altura dos perigos que a ameaçam.
O contributo que uma Europa viva e organizada pode dar à civilização é indispensável para a manutenção de relações pacíficas. Ao assumir-se há mais de 20 anos como defensora de uma Europa unida, a França teve sempre por objectivo essencial servir a paz. A Europa não foi construída, tivemos que enfrentar a guerra.
A Europa não se fará de uma só vez, nem numa construção de conjunto: far-se-á por meio de realizações concretas que criem primeiro uma solidariedade de facto. A união das nações europeias exige que seja eliminada a secular oposição entre a França e a Alemanha: a acção deve envolver principalmente estes dois países.
Com esse objectivo, o Governo francês propõe actuar imediatamente num plano limitado mas decisivo:
«O Governo francês propõe subordinar o conjunto da produção franco-alemã de carvão e de aço a uma Alta Autoridade comum, numa organização aberta à participação dos outros países da Europa.»
Colocar em comum as produções de carvão e de aço garantirá imediatamente o estabelecimento de bases comuns de desenvolvimento económico, primeira etapa da federação europeia, e mudará o destino de regiões durante muito tempo condenadas ao fabrico de armas de guerra, das quais foram as primeiras vítimas.
A solidariedade de produção assim alcançada revelará que qualquer guerra entre a França e a Alemanha se torna não só impensável como também materialmente impossível. A criação desta poderosa unidade de produção aberta a todos os países que nela queiram participar permitirá fornecer a todos os países que a compõem os elementos fundamentais da produção industrial em condições idênticas, e lançará os fundamentos reais da sua unificação económica.
Esta produção será oferecida a todos os países do mundo sem distinção nem exclusão, a fim de participar na melhoria do nível de vida e no desenvolvimento das obras de paz. Com meios acrescidos, a Europa poderá prosseguir a realização de uma das suas funções essenciais: o desenvolvimento do continente africano.
Assim se realizará, simples e rapidamente, a fusão de interesses indispensável à criação de uma comunidade económica e introduzirá o fermento de uma comunidade mais vasta e mais profunda entre países durante muito tempo opostos por divisões sangrentas."

terça-feira, julho 19, 2011

A Paz e a Europa

Há dias, o Pedro Norton lembrava na Visão que os actuais líderes europeus não têm memória da guerra. Essa reflexão é importante, assim como é importante lembrar que a Europa é um projecto de Paz. Tudo nasceu com a colocação em comum dos elementos da guerra (o carvão, o aço e a energia atómica), e com a visão pacifista de grandes líderes europeus do pós-guerra.

O fim da Europa enquanto projecto económico tem evidentemente efeitos nocivos. Pode significar um retrocesso económico de 2 ou 3 décadas (quem sabe ao certo?). Mas se tudo ficar por aí, menos mal. O que causa angústia é que sem este projecto comum a Europa poderá cair novamente (como sempre aconteceu na História) em conflitos bélicos internos que são agora, para a nossa geração, inimagináveis. Nesse caso, a perda de capital físico e de vidas humanas terá proporções e efeitos impensáveis.

Parece a um leigo como eu que estamos perante um problema monetário. É preciso dar os passos na resolução desse problema. Uma reserva europeia, um orçamento comum, a unidade das práticas fiscais e laborais. No fundo, o aprofundamento político, económico e monetário. Ou isso ou muito provavelmente o fim da Paz.

segunda-feira, maio 09, 2011

domingo, setembro 12, 2010

Os desafios da Europa

O problema com que a Europa se debate nos dias de hoje é grande e deveria merecer a nossa atenção. Pacheco Pereira no Público e no Abrupto foca alguns dos aspectos. "Não me sobram dúvidas que muitos aspectos da crise têm que ser combatidos a nível europeu. A minha dúvida está em saber até que ponto esse combate se faz pela conjuntura, ou se se é capaz de ir mais longe na percepção de que a crise de 2008 se manifestou na Europa por cima de muitos problemas estruturais que os governantes europeus têm cuidadosamente evitado defrontar: os custos incomportáveis do "modelo social europeu", que deu riqueza a duas gerações de europeus, mas que ameaça dar pobreza às seguintes; a perda de competitividade europeia face à globalização; a decadência de muitas instituições que estiveram na base do progresso europeu, como as universidades e centros de investigação; as dificuldades de a Europa servir de melting pot, como os EUA, para as suas populações imigrantes, em particular aquelas que, por razões religiosas e culturais, são mais distantes do padrão de vida laica das sociedades europeias, etc., etc. Uma Europa que gastou muito do seu orçamento a manter uma agricultura subsidiada para uma pequena parte da sua população, mostrou o peso dos interesses nacionais incrustados, que eram o outro lado do "motor franco-alemão"." Mas a critica que se faz aos governantes portugueses, de falta de visão de futuro e de definição de objectivos estratégicos, parece ser igualmente apanágio dos governantes europeus, que nem contabilistas querem apenas ver os Orçamentos e ver se os números batem certo. Não lhes interessa a estratégia, até porque essa tem interesses contraditórios numa europa que se diz unida. E como diz Pacheco Pereira depois de duas gerações ricas, a que vem a seguir e que é exactamente a dos nossos filhos, será pobre e enfraquecida.

quarta-feira, novembro 25, 2009

Europa e chefias

Teresa de Sousa, hoje n'o Público, comenta, com a seriedade e profundidade que nos habitou, as escolhas europeias, e suas razões, para Presidente do Conselho Europeu e Alto Representante da Política Externa.


Sem prejuízo do respeito que a sua opinião me merece, creio que assenta num equívoco fundamental. Que, aliás, está plasmado no próprio Tratado de Lisboa, como estava já no projecto de Constituição da Convenção Europeia.

O verdadeiro objectivo da criação destes dois cargos nunca foi o de "dar caras à Europa". Bem pelo contrário, o que pretendiam os promotores desses cargos era nem mais nem menos do que "minar" a predominância da Comissão Europeia, e do seu Presidente (independentemente de ser o nosso José Barroso), na máquina institucional e decisória europeia. Pretendiam fazê-lo porque os grandes, que Teresa de Sousa considera, e bem, os autores materiais da escolha em causa, receavam perder influência, para a dita Comissão, numa União de 30 ou mais Estados.

Por conseguinte, o que está em causa para os que não são grandes (e nem todos os grandes o são, neste sentido; para aqui só "contam" a Alemanha, França, Reino Unido e, nalguns casos, a Espanha - apesar dos incómodos que a Polónia já tem conseguido criar, esta "regra" ainda é verdadeira) é saber se apostam na Comissão Europeia para defesa do interesse comum ou se, pelo contrário, preferem que esse interesse se limite às sobras dos jogos de interesse que, necessariamente, dominam as relações entre Estados; sabendo que nesse jogo uns são mais iguais que os outros. E, nesta perspectiva, as escolhas não são assim tão más para os que não são grandes. E se calhar para os próprios grandes. Tudo depende da capacidade que a Comissão, e em especial o seu Presidente Barroso, venha a ter para manter a centralidade da representação da Europa. Isto é, que seja a sua cara. Porque as escolhas "preservam", ou parecem fazê-lo, a predominância da Comissão.

No entanto, o verdadeiro problema da Europa, com a devida vénia, não passa por aqui. Passa isso sim, como bem apontava o Economist recentemente, pela falta de legitimidade dos seus decisores próprios. Em boa verdade, ninguém seriamente acredita que a fundamentação da legitimidade europeia resulta das reuniões de uma série de "princípes" europeus (neste caso até "princípes-eleitores), mandatados como estão para defenderem os respectivos estados, nações, governos e parlamentos.

Se quisermos uma Europa mais forte, onde a quisermos, teremos de pensar em dotar o Presidente da Comissão e a Comissão de uma legitimidade própria. Em regimes democráticos, isso passa por eleições. Directas ou indirectas, através do Parlamento Europeu.

O resto não é mais do que a repetição de modelos conhecidos da História europeia. Anteriores ao início, e sobretudo ao modelo (o famoso método comunitário), da integração europeia - pós duas guerras mundiais, três guerras franco-alemãs, duas intervenções americanas e tudo o mais que a história conta; com a "invenção" da supranacionalidade. Não pode surpreender.

sexta-feira, novembro 20, 2009

Europa e cargos: parabéns Zé Manel!!!

Ou muito me engano ou as nomeações do belga, van Rompuy, e da britânica, Ashton, são acima de tudo uma grande vitória para o Presidente Barroso.

O primeiro, por razões óbvias - a Bélgica é, quase por necessidade de sobrevivência, tradicionalmente federalista e integracionista. Além disso é politicamente irrelevante. Acrescendo que o senhor (embora eu apenas o acompanhe à distância) parece ser um bom "construtor de compromissos".

A segunda porque, antes de mais nada, é uma Mulher. Britânica, 'above all things'... O que, em política externa, tem o seu significado... Naturalmente será pragmática; naturalmente será, digamos, céptica, para não dizer desconfiada, da mais valia europeia sobre as diplomacias tradicionais. O que, não sendo pouco, lhe deverá permitir focar-se nos aspectos em que a Europa, ou a união europeia (na União Europeia) poderão representar verdadeira mais valia.

Por tudo isto, Parabéns Zé Manel!!!

Um alerta, contudo. O Sr Brittan, também chegou à Comissão com "ordens" para acalmar a besta. E depois acabou por ser o "pai" dos novos ímpetos integracionistas, com o renovado enfoque no "mercado interno"...

quarta-feira, novembro 18, 2009

Árvores que crescem direitas

Cabeça feminina de mármore, Grécia +/_ 350 AC

Quando ouço um responsável político ou leio as suas declarações na imprensa escrita, confrange-me a falta de elevação, de rigor, de postura, de conteúdo, de pensamento, de humildade, de sentido de serviço, enfim, de cultura.

Cada vez mais me convenço que é preciso voltar às origens, estudar, ler e reflectir. E contra mim falo, pois já me sinto contaminado por aqueles ventos da época, vergado aos seus caprichos e conivente com os seus saltos de direcção.


segunda-feira, novembro 16, 2009

Baboseiras

Há um membro do gabinete do Presidente da Comissão Europeia que de vez em quando publica umas opiniões no "Diário Económico". Deve ser uma pessoa cheia de energia e ubiquidades pois afirma-se também como sendo professor universitário.

Na sua esporádica coluna, neste 16 de Novembro (lê-se aqui), protesta contra a ausência de Obama nas comemorações da queda do muro de Berlim. É uma opinião. Mas é sobretudo um pretexto para avançar com uma série de disparates que não podem ficar sem resposta. Ora vejamos:

a) Diz que o Reino Unido e a França, juntamente com os Estados-Unidos e a União Soviética, "desempenharam um papel central em todo o processo de reunificação". Trata-se de uma rematada falsidade, pois é matéria hoje em dia bem documentada que tanto a Sra. Tachter como o Sr. Mitterrand puseram todos os pauzinhos possíveis na roda da reunificação, que eles não queriam e de que desconfiavam. Admitamos que é a juventude do colunista que o leva a desconhecer o que se passou verdadeiramente na época.

b) Diz que a Europa "é um parceiro indispensável para os Estados-Unidos", como o prova o facto de por exemplo Portugal ter mais tropas no Afeganistão que a China. Eu não sei que aulas dá este jovem senhor e em que Universidade, mas talvez uma alma caridosa lhe possa explicar o que é a Nato e já agora outras coisas elementares como explicar-lhe que não foram os europeus que ajudaram os americanos na Bósnia e no Kosovo como diz, mas foram aqueles que nos vieram desenrascar quando foi evidente que não tínhamos dentes para aquele bife.

c) Enfim, ele vê o mundo pelos óculos dele mas há ali diopterias a precisar de novas lentes pois há algo de errado se ele pensa que são os europeus que fazem o favor de dar uma mãozinha aos americanos na desnuclearização do Irão, pois somos nós os primeiros interessados, apesar de impotentes, em que Teerão nunca tenha um balázio nuclear que nos aterre na testa. Por isso nos agarramos, nesse particular, às calças do Obama, e não o inverso.

Talvez seja tempo de o Almeida repensar ideias como "o declínio da Europa": é que esse declínio é uma evidência e não vale a pena ele pôr-se em bicos de pés lá no gabinete do presidente Barroso a repetir o contrário, pois não vão ser essas baboseiras que farão a Terra rodar em sentido inverso. E, por favor, dê as aulas que quiser ou que lhe pagarem na Universidade das Novas Oportunidades mas deixe as coisas sérias para quem sabe delas.

terça-feira, maio 19, 2009

What?


Berlaymont a arder

Em rigor, a notícia não é de hoje.

Apesar dos grandes ideais em que assentaram as Comunidades Europeias, a União de hoje está a ser construída nas costas dos europeus. E, claro, nas nossas também. Que nós, os portugueses, também somos europeus.

Claro que deveria ter havido referendo ao Tratado de Lisboa. Mas não pelo argumento (formal) de que havia essa promessa. A verdadeira razão é que a União necessita dessa legitimação, e foi-nos roubada essa oportunidade por estes oportunistas.

Berlaymont está a arder porque se sente falta de democracia.

Mas também se sente ainda muita falta de transparência, muito peso burocrático. Muita necessidade de equilíbrar interesses. Estas nuvens negras sobre a sede da Comissão só desaparecerão com incremento de políticas de transparência. E vai demorar anos.

A Europa é também um continente envelhecido. E esse é um fogo que nos vai consumindo lentamente, sem que demos conta. Aparentemente não há políticas de urgência no combate a este fogo.

domingo, março 25, 2007

A alma da Europa

A União Europeia festeja hoje os 50 anos do Tratado de Roma sem que exista consenso acerca da possibilidade do seu alargamento e sem que se saiba bem qual vai ser o futuro da Constituição Europeia ou da moeda comum. Diz-se que a Declaração de Berlim não se quer confrontar com questões fundamentais, e que é por isso que se limita a sublinhar a identidade cultural europeia e a torná-la matriz da ideia de Europa, o que talvez seja verdade. Talvez se trate apenas de uma forma de fugir aos problemas, e de os evitar, e pode ser que o denominador comum encontrado seja fraco ou escasso demais para se poder prosseguir numa lógica de união. Mas será que é assim? Será que a identidade cultural europeia de que fala este documento vale assim tão pouco? Ou será que chegou finalmente a hora de colocar as coisas no lugar, e de fazer justiça aos ensinamentos de Steiner quando afirmava, na sua “Ideia de Europa”, que se estava a correr um grande risco ao dar mais importância às preocupações com os factores económicos e políticos da união do que ao seu património de humanidade comum, já que por ali nunca se conseguiria o vínculo, o traço de ligação, ou simplesmente o entusiasmo necessário para fazer andar para a frente a visão da Europa, ou para lhe dar futuro? Há decerto problemas e questões práticas que têm que ser resolvidas, elas interferem com a própria sobrevivência da comunidade, mas não há dúvida de que o génio da Europa está noutro sítio, na natureza irrepetível e única das suas praças e dos seus cafés, nos acordes de Mozart ou de Bach, nas partituras de Schubert ou do imortal Beethoven, nos poemas de um Goethe, na obra de um Cervantes ou de um Brugel, na especificidade da sua paisagem, no sofrimento que lhe trouxeram duas guerras mundiais, que mais não foram que guerras civis europeias, no seu pensamento humanista, na sua religião e na sua consciência, na sua diversidade cultural e linguística. É por aí que anda a ideia fundamental de Europa, a ideia de Europa que a Declaração de Berlim parece quer reafirmar e preservar, e que se mantém, apesar de tantos outros desencontros, e de tão pouca "união".