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quarta-feira, agosto 20, 2014

Verão quente

Este é o verão quente de Barack Obama. As imagens que vemos estes dias mostram um presidente agastado, precocemente envelhecido. Foi-se o jovem, enérgico e optimista que surpreendeu a América e o mundo numa eleição que ficará para sempre na nossa memória colectiva. A esperança - HOPE! - que criou, tornou-se tão grande, tão exagerada, que ditou a injustiça da sentença do seu julgamento na opinião pública: Obama é um flop!
Obama não é um flop. Liderou o país na mais profunda crise das últimas décadas e, vistos os resultados, não se saiu nada mal. Geriu as relações internacionais com notável pragmatismo, sem os desvios liberais da intelectualidade Democrata. Manteve pulso de ferro na segurança interna. Fez reformas sociais absolutamente indispensáveis à contenção social em tempo de crise. Retirou do Iraque. Last but not least, pode dizer que capturou o maior inimigo da América, Osama Bin Laden. 
Nada disto lhe valeu no julgamento permanente da opinião pública. Dele esperava-se que restaurasse o welfare state com um new deal impossível de pobres com dinheiro e ricos sem ganancia, que promovesse a paz no mundo e substituísse com sucesso as armas pela diplomacia, que transformasse fanáticos em moderados penitentes, que encontrasse a cura para as mais preocupantes doenças, que desse inicio a uma nova elite de líderes globais benignos, altruístas e cheios de benesses para distribuir pelo povo. Se Obama tem responsabilidades na onda de optimismo que criou, a opinião pública não tem menos responsabilidades na sua alienação absoluta do mundo em que vive. Mas, em democracia a opinião pública manda, constrói e destrói os mitos ao sabor de cada momento. Obama sabia desde o principio as regras do jogo.
Como as ultimas impressões, se suficientemente fortes, são muitas vezes as que nos ficam na memória, este poderá ser o verão de Obama, apesar de escaldante.
O prolongamento e indefinição da instabilidade na Ucrânia ainda permite a Obama uma correcção de trajectória e um papel a sério na resolução da crise. Mais importante, um reenquadramento do papel de Putin. Difícil? Sim. Impossível? Não.
A guerra israelo-árabe, aparentemente fora de controlo e sem razão evidente de nenhuma das partes dá amplitude suficiente para uma mediação inovadora por parte da América, podendo aspirar a aproveitar a crise para uma solução de compromisso mais duradoura. Difícil? Sim. Impossível? Não.
A ofensiva do ISIS no Iraque e na Síria, a violência e o fanatismo extremos que finalmente começam a assustar os bem pensantes europeus, podem proporcionar uma frente unida de intervenção que recoloque os Estados Unidos na liderança da defesa do ocidente civilizado. Difícil? Sim. Impossível? Não.
Por fim, a questão interna. Ferguson a ferro e fogo, literalmente, é um desafio particularmente difícil para Obama. Falamos de sentimentos profundos, de feridas que o tempo demora a cicatrizar pela rudeza e violência do golpe, falamos do sempre lento processo de reconciliação entre iguais que são tratados de modo diferente, falamos da necessidade absoluta de objectividade e justiça na resolução deste caso concreto. Difícil? Sim. Impossível? Não, imprescindível.
Assim se explica facilmente o ar envelhecido de Obama. Ao mesmo tempo, na tragédia que o rodeia reside a sua oportunidade de redenção. O mundo mudou e finalmente, pela violência, dimensão e coincidência temporal destes acontecimentos, terá percebido que só um grande homem estará à altura de actuar em todas as frentes ao mesmo tempo com eficácia, determinação e sucesso. Difícil? Sim. Impossível? Não. 


quarta-feira, abril 13, 2011

Change, change, change, Yes we can!

Quem não se recorda destes slogans repetidos até à exaustão pelo Sr. Barack Obama e que o conduziram a uma estrondosa vitória nas últimas presidenciais dos States?

Uma vez eleito, logo anunciou como primeiríssimo change o encerramento de Guantanamo, com um yes we can e um commitment agendado para final do ano seguinte, mas que tudo se traduziu num estrondoso no we couldn’t.

Um pouco por todo o mundo se geraram então fortes expectativas em tantos changes, até que a coisa se foi esfumando e o Sr. Obama se foi transformando num ilustre desconhecido.

Por cá ainda se falou do seu cão Bo e das vestes de sua mulher Michele.
Do Sr. Barack Obama pouco mais ouvimos, para além de um recente e inócuo apelo ao Sr. Kadafi, a ponto de o poder considerar o presidente americano mais apagado do meu tempo.

O Sr. Obama anunciou recentemente a sua recandidatura à presidência dos EUA, agora com o lema “tudo começa connosco”.

Resta saber se, com este, se pretende dirigir aos americanos, ou a si próprio.

terça-feira, março 15, 2011

Mais vítimas do tsunami


Imaginemos que amanhã o « nosso » primeiro, atrapalhado com as manifestações de desagrado, pedia aos espanhóis que mandassem uns tantos batalhões num total de mil soldados entrarem por Vilar Formoso, para o ajudarem a reprimir as tais manifestações.

Foi o que fez o Rei do Bahrain, ao mesmo tempo que declara o estado de emergência por 3 meses, ou seja, proibindo partidos, reuniões, manifestações, e pondo as forças militares a disparar contra o povo, nomeadamente os militares sauditas que chamou. À pala do tsunami japonês, que absorve todas as atenções, há poltrões que julgam passar despercebidos.

Esperamos a reacção europeia, bem como a americana, a este assomo democrático de sua Excelência al-Kahlifa (o figurão do canto).

quarta-feira, dezembro 02, 2009

GREAT SPEECH

ONCE MORE
THE WORLD IS IN DEBT

THANK YOU US TROOPS
THANK YOU MR. PRESIDENT
THANK YOU AMERICA

segunda-feira, novembro 16, 2009

Baboseiras

Há um membro do gabinete do Presidente da Comissão Europeia que de vez em quando publica umas opiniões no "Diário Económico". Deve ser uma pessoa cheia de energia e ubiquidades pois afirma-se também como sendo professor universitário.

Na sua esporádica coluna, neste 16 de Novembro (lê-se aqui), protesta contra a ausência de Obama nas comemorações da queda do muro de Berlim. É uma opinião. Mas é sobretudo um pretexto para avançar com uma série de disparates que não podem ficar sem resposta. Ora vejamos:

a) Diz que o Reino Unido e a França, juntamente com os Estados-Unidos e a União Soviética, "desempenharam um papel central em todo o processo de reunificação". Trata-se de uma rematada falsidade, pois é matéria hoje em dia bem documentada que tanto a Sra. Tachter como o Sr. Mitterrand puseram todos os pauzinhos possíveis na roda da reunificação, que eles não queriam e de que desconfiavam. Admitamos que é a juventude do colunista que o leva a desconhecer o que se passou verdadeiramente na época.

b) Diz que a Europa "é um parceiro indispensável para os Estados-Unidos", como o prova o facto de por exemplo Portugal ter mais tropas no Afeganistão que a China. Eu não sei que aulas dá este jovem senhor e em que Universidade, mas talvez uma alma caridosa lhe possa explicar o que é a Nato e já agora outras coisas elementares como explicar-lhe que não foram os europeus que ajudaram os americanos na Bósnia e no Kosovo como diz, mas foram aqueles que nos vieram desenrascar quando foi evidente que não tínhamos dentes para aquele bife.

c) Enfim, ele vê o mundo pelos óculos dele mas há ali diopterias a precisar de novas lentes pois há algo de errado se ele pensa que são os europeus que fazem o favor de dar uma mãozinha aos americanos na desnuclearização do Irão, pois somos nós os primeiros interessados, apesar de impotentes, em que Teerão nunca tenha um balázio nuclear que nos aterre na testa. Por isso nos agarramos, nesse particular, às calças do Obama, e não o inverso.

Talvez seja tempo de o Almeida repensar ideias como "o declínio da Europa": é que esse declínio é uma evidência e não vale a pena ele pôr-se em bicos de pés lá no gabinete do presidente Barroso a repetir o contrário, pois não vão ser essas baboseiras que farão a Terra rodar em sentido inverso. E, por favor, dê as aulas que quiser ou que lhe pagarem na Universidade das Novas Oportunidades mas deixe as coisas sérias para quem sabe delas.

sexta-feira, outubro 09, 2009

Wishful thinking

A propósito da atribuição do Prémio Nobel da Paz a Obama, fui à Wikipédia ver este conceito:

Wishful thinking é uma expressão inglesa que por vezes se utiliza na língua portuguesa devido a ser de difícil tradução, e que significa tomar os desejos por realidades e tomar decisões, ou seguir raciocínios, baseados nesses desejos em vez de em factos ou na racionalidade.

quarta-feira, março 25, 2009

terça-feira, janeiro 20, 2009

A segurança e as liberdades

A justiça penal do mandato Bush ficou marcada por uma série de exageros e atropelos dos direitos humanos como os que vimos em Abu-Ghraib. No dia em que se inicia o mandato de um presidente americano em que se depositam tantas esperanças – eu deposito, embora cada homem seja muitas vezes a sua circunstância, e não se possa saber ao certo quais as circunstâncias com que Obama vai poder contar – pergunto-me que evolução irá ter o direito e o processo penal da América, e que influência ela poderá vir a ter no nosso velho Continente. O mandato Bush caracterizou-se pela necessidade de combater o terrorismo e os riscos de ataque contra bens jurídicos fundamentais dos cidadãos, instaurando uma espécie de estado de guerra penal, que levou a tratar como “fora da lei” aqueles que representassem um risco para a segurança do Estado e dos seus cidadãos. Em Julho – com o voto a favor de Obama - foram ampliados os poderes de investigação governamental pelo FISA, (Foreign Intelligence Surveillance Act) que já existia desde 1978, mas que passou a permitir de forma muito mais ampla, sempre que se verifique risco para a segurança nacional e com base numa causa provável de crime, a realização sem aviso prévio e sem necessidade de autorização judicial, de escutas telefónicas, leituras de emails e buscas, sendo que o processo na maior parte dos casos corre perante um tribunal secreto, e não permite recurso das decisões proferidas. Não há dúvida de que os perigos que nos rodeiam em matéria de terrorismo e de outro tipo de criminalidade como os tráficos de armas e de pessoas, são imensos, e que se legitima reforçar o combate e a reacção a esses riscos, mas ao mesmo tempo não só se sabe como em matéria de risco tudo é arriscado e presumido (lembram-se do Fiel Jardineiro em que todos os indícios apontavam num sentido e afinal a conclusão era outra?), como o estabelecimento de presunções de perigo directamente associadas a certas pessoas ou a certos grupos também permite a sua perseguição e a sua exclusão, e representa um outro grave risco que é o fim da tutela de certas liberdades e dos direitos fundamentais das pessoas como a conhecemos. Até que ponto estamos dispostos a sacrificar um dos lados da balança? Benjamin Franklin afirmava que aqueles que são capazes de sacrificar as liberdades essenciais para obter uma segurança temporária não merecem nem a liberdade nem a segurança. Mas Benjamin Franklin também não se defrontou com um ataque às torres gémeas que custou milhares de vidas, ou com o ataque à estação de caminho de ferro de Atocha na vizinha Espanha que tirou a vida a duas centenas de pessoas e fez quase dois mil feridos…