Gosto sempre de ler o Paulo Tunhas.
Há inteligência no que diz e no como o diz. E aprende-se. Não o conheço pessoalmente mas deduzo que é um homem de cultura e de reflexão.
Escreve (ali) umas linhas no jornal i: é sobre minaretes e islamismo.
Mas hoje não consigo concordar com ele. Talvez seja a primeira vez e provavelmente não será a última. Dito isto, continuarei a lê-lo com gosto, mesmo quando o não acompanho.
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quarta-feira, dezembro 16, 2009
terça-feira, dezembro 08, 2009
Reciprocidade? Foi o que disse?
À pala dos quatro minaretes suíços, que um referendo helvético decidiu que não seriam construídos, desencadearam-se algumas paixões.
Nem a comunidade judaica nem a comunidade muçulmana têm uma presença no nosso país que provoque atritos ou irritações especiais e essas mesmas comunidades, cientes da sua "menoridade", cosem-se pelas paredes e andam de pantufas, satisfeitas de que mal demos por elas. Mas os tempos sendo o que são, é natural que as polémicas que se vivem noutros espaços europeus também mexam com o nosso sentir e soprem sobre os nossos princípios.
O islamismo (bem como o judaísmo) é uma religião tão europeia como o cristianismo. As três compõem o que poderíamos chamar de religiões do ocidente, os monoteísmos mediterrânicos, por antinomia às religiões verdadeiramente orientais, como o hinduísmo, o budismo, o taoísmo e as suas variantes. De alguma forma, o judaísmo está teologicamente mais próximo do islamismo do que do cristianismo, cuja noção de Jesus como filho de Deus lhes era absolutamente inaceitável.
Partilhámos com outros europeus, embora nem sempre nas mesmas épocas ou com a mesma virulência, um anti-semitismo identitário que serviu essencialmente para cimentar uma noção de "nós". Ora, anda por aí uma islamofobia que mais parece um 'remake' daquela necessidade antiga de nos distinguirmos do "outro". O debate lançado em França sobre o que é ser francês bebe nesta ideia de que a afirmação de um povo ou de uma nação se faz pela negativa (não sou isto, não sou aquilo, não sou aqueloutro).
É óbvio que um país tem as suas leis e todo o cidadão lhes deve cumprimento. Seria, todavia, desastroso que, à pala de uns minaretes cuja legalidade ninguém põe em causa, se perca a alma, ou, dito de outra forma, se esqueçam os princípios democráticos da livre convivência e respeito pelo outro.
As recentes declarações (ler aqui) do cardeal Jean-Louis Turain, presidente do Conselho pontifical para o diálogo inter-religioso, soam equívocas quando ele fala na necessidade de reciprocidade de tratamento. Estas matérias não se enquadram em negociações de reciprocidade porque são, a meu ver, questões de princípios e de cultura. Não se troca um campanário por um minarete: que se construa este mesmo se algures proíbem aquele.
Nem a comunidade judaica nem a comunidade muçulmana têm uma presença no nosso país que provoque atritos ou irritações especiais e essas mesmas comunidades, cientes da sua "menoridade", cosem-se pelas paredes e andam de pantufas, satisfeitas de que mal demos por elas. Mas os tempos sendo o que são, é natural que as polémicas que se vivem noutros espaços europeus também mexam com o nosso sentir e soprem sobre os nossos princípios.
O islamismo (bem como o judaísmo) é uma religião tão europeia como o cristianismo. As três compõem o que poderíamos chamar de religiões do ocidente, os monoteísmos mediterrânicos, por antinomia às religiões verdadeiramente orientais, como o hinduísmo, o budismo, o taoísmo e as suas variantes. De alguma forma, o judaísmo está teologicamente mais próximo do islamismo do que do cristianismo, cuja noção de Jesus como filho de Deus lhes era absolutamente inaceitável.
Partilhámos com outros europeus, embora nem sempre nas mesmas épocas ou com a mesma virulência, um anti-semitismo identitário que serviu essencialmente para cimentar uma noção de "nós". Ora, anda por aí uma islamofobia que mais parece um 'remake' daquela necessidade antiga de nos distinguirmos do "outro". O debate lançado em França sobre o que é ser francês bebe nesta ideia de que a afirmação de um povo ou de uma nação se faz pela negativa (não sou isto, não sou aquilo, não sou aqueloutro).
É óbvio que um país tem as suas leis e todo o cidadão lhes deve cumprimento. Seria, todavia, desastroso que, à pala de uns minaretes cuja legalidade ninguém põe em causa, se perca a alma, ou, dito de outra forma, se esqueçam os princípios democráticos da livre convivência e respeito pelo outro.
As recentes declarações (ler aqui) do cardeal Jean-Louis Turain, presidente do Conselho pontifical para o diálogo inter-religioso, soam equívocas quando ele fala na necessidade de reciprocidade de tratamento. Estas matérias não se enquadram em negociações de reciprocidade porque são, a meu ver, questões de princípios e de cultura. Não se troca um campanário por um minarete: que se construa este mesmo se algures proíbem aquele.
segunda-feira, novembro 30, 2009
Sim ou não aos minaretes?

O referendo suíço sobre a construção de 4 minaretes, que culminou num rotundo "não" à construção dos ditos, levanta importantes questões sobre o que entendemos por democracia.
Numa concepção formal e meramente deliberativa do que é a democracia, diríamos que foi seguido um processo e um método legítimos e que uma maioria exprimiu em liberdade uma vontade política que deve, portanto, ser respeitada.
Numa concepção substantiva que realce os valores da democracia entre os quais o respeito pelas liberdades e garantias, nomeadamente das minorias, a proibição da construção de uns poucos minaretes em território suíço parece colidir com os princípios da liberdade religiosa e de associação.
Numa concepção formal e meramente deliberativa do que é a democracia, diríamos que foi seguido um processo e um método legítimos e que uma maioria exprimiu em liberdade uma vontade política que deve, portanto, ser respeitada.
Numa concepção substantiva que realce os valores da democracia entre os quais o respeito pelas liberdades e garantias, nomeadamente das minorias, a proibição da construção de uns poucos minaretes em território suíço parece colidir com os princípios da liberdade religiosa e de associação.
A reflectir.
Palavras chave:
Democracia,
douro,
islamismo,
minaretes,
Suíça
terça-feira, junho 09, 2009
Proselitismo islâmico
Sò hoje me dei conta, por pura distracção e uma deficiência neurològica que me perturba os azuis, que este Nortadas, tem ali ao lado um link (permanente?) que nos conduz supostamente a saber como nos convertermos aos ensinamentos do Corão.
A minha dùvida é: esta minha distracção também é vossa?
A minha dùvida é: esta minha distracção também é vossa?
sexta-feira, janeiro 23, 2009
Polémicas
A reportagem da Sábado sobre os casos de portuguesas casadas com islâmicos que foram espancadas, ou viram os filhos raptados, é impressionante. É claro que só deixa ver um lado da questão – o lado do extremismo e da violência – sendo certo que haverá sempre outro lado, o dos casamentos mistos com finais felizes, mas uma vez que estes relatos existem e são verídicos, e uma vez que correspondem a uma realidade que as leis do Islão autorizam (basta ver a caixa da mesma reportagem), e que todos conhecem, será que não permitem ver a outra luz as palavras do Cardeal Patriarca de Lisboa que se limitou a aconselhar as moçoilas casadoiras a ter algum cuidado nas suas escolhas? Retirando alguma eventual falta de habilidade ou tacto político da parte do representante da nossa Igreja, será que não houve – e não há – muito empolamento na controvérsia que se gerou, e algum aproveitamento da questão por parte da comunicação social? Às vezes é cansativo ver como se transforma uma coisa escrita em letras pequenas numa coisa escrita em letras gordas, e como se pode dar um sentido ofensivo e quase dramático a afirmações de senso comum.
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