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sexta-feira, março 23, 2012

O ùltimo a rir


O Tribunal Mahon, na Irlanda, deu finalmente a conhecer as suas conclusões sobre o nível de corrupção na classe política irlandesa e em especial no Fianna Fail, partido de centro-direita que esteve 61 anos, dos últimos 79, no poder. Afinal o popular Bertie Ahren (na foto, ao lado do SEI), primeiro-ministro de 1997 a 2008, era um refinado mentiroso, e até o ex-Comissário europeu Padraig Flynn desviou fundos para comprar uma quinta onde gozar a reforma de uma vida de falcatruas. As três mil e tal páginas do Mahon Report são uma vergonha e um susto mas bem reveladoras da cultura política predominante naquele país.

Mas pelo menos houve ali um tribunal, ouviram-se mais de 600 depoimentos e fez-se alguma luz sobre a promiscuidade entre os empreiteiros activos à volta de Dublin nos anos 80 e 90 e uma classe política muito beata e muito corrupta.

Nós cá nem sequer isso podemos dizer: dezenas de dirigentes políticos multiplicaram os pães e os peixes desde que chegaram perto da caixa registadora, acumulam contas bancárias dentro e fora e arruinaram a Câmara, a empresa, o banco ou o país sem que nada lhes aconteça, a não ser talvez um convite para a administração da PT ou para o Conselho da EDP ou outra do género.

No outro dia cruzei-me com o Isaltino: ia próspero e penteado. Parece que em Paris anda um outro a roçar-se nas esplanadas do Quartier Latin. Palavras para quê? Somos o país da pasta
medicinal Couto.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Vem dormir no cais


Pagaram dezenas de milhões de euros pelo afretamento de uns navios que faziam de hotel durante a Expo-98. Os ditos hotéis terão recolhido receitas na ordem de umas duas centenas de milhar de euros. Em resumo, um buraco calamitoso.

Demorou 11 anos para começar o julgamento desta gentinha, sendo que o Januário Rodrigues era, antes de se meter nestes negócios faraónicos, Director no Banco de Portugal. Ou seja, sabia-la toda. Não sei o que mais me impressiona: se o caso de corrupção ou a inépcia da nossa justiça.

Como dizia alguém noutro contexto, estamos entregues à bicharada.

terça-feira, novembro 17, 2009

As malas pretas


Vale a pena confirmarem aqui o que vem sendo a percepção da Transparency International sobre a evolução da corrupção em Portugal.

Desde 2005 que Portugal vem caindo na tabela, afastando-se dos menos corruptos e aproximando-se dos mais pôdres. Se em 2005 estávamos na 26° posição, com um índice de 6,5 (numa escala de 1 a 10), em 2009 já vamos na 35° posição, com um índice de 5,8.

Qualquer investidor estrangeiro que leia o relatório que acaba de ser publicado pela TI compreenderá que, por detrás do discurso magalheiro e modernaço do Governo, há uma central de negócios e um polvo viscoso a que se adere ou então o melhor é não entrar e abandonar o país.

Em 2009, o país socratino consegue ficar atrás, por exemplo, da Espanha, da Eslovénia, dos Barbados, do Qatar, de Santa Lúcia, do Uruguai, de Chipre, da Estónia, dos Emiratos Árabes Unidos, e da Rep Dominicana.

De 2008 a 2009 foi mais um trambolhão de 3 posições. É obra
Mas somos bons no salto à vara.

Vídeos a destruir imediatamente, já!

quarta-feira, novembro 11, 2009

sexta-feira, novembro 06, 2009

Um país em pontas (3)

Um juiz decidiu suspender um funcionário da REFER, arguido no caso "Face Oculta".
O primeiro-ministro acha que não é politicamente necessário ou recomendável demitir ou suspender o presidente da REN, igualmente arguido na mesma sucataria.
É isto a separação de poderes?
Entretanto, o mesmo primeiro-ministro faz uns telefonemas ao Armando Vara, outro arguido, para o animar em nome da "amizade e da carreira política que fizemos juntos". Compreende-se: são as mesmas carreiras e não se separam mais.

quinta-feira, novembro 05, 2009

Um país em pontas (2)

Paulo Morais afirma que os angariadores de fundos para os partidos cobram-se 40% da colecta. Medina Carreira afirma no seu recente livro "Portugal que futuro?" que de cada 1000 euros recolhidos pelos ditos angariadores apenas chegam ao destino 150.

Haverá por aí alguém que seja capaz de desmentir estas afirmações?
Ou isto da sucata é já areia suficiente para as nossas camionetas?

Um país em pontas

Óleo de Fernando Botero "Bailarina sul-americana"

Frases de antologia:

1."A auto-suspensão de Armando Vara é um gesto que o dignifica" (Faria de Oliveira, presidente da Caixa Geral de Depósitos;

2. " O visto prévio do Tribunal de Contas pode ser dado depois da adjudicação do contrato e as obras vão continuar apesar da recusa do tal visto prévio" (Almerindo da Silva Marques, presidente de Estradas de Portugal);

3. "Não se devem fazer reformas ou mudar leis sobre pressão da conjuntura" (Paulo Pedroso, deputado, ex-arguido no processo Casa Pia).


terça-feira, novembro 03, 2009

Tratar o cancro com aspirinas

Foto de Ralph Clevenger "Hidden Dephts"

Julgava que tinhamos batido no fundo aquando das audições do caso BPN.
Afinal, não há fundo e, mais grave ainda, a queda é já antiga, contínua e parece endémica.
Esta história do sucateiro vai muito para além do ferro-velho e permite-nos duvidar de como são geridos todos os departamentos de compras das empresas participadas pelo Estado.

Fica-nos um amargo de boca insuportável, um desconforto pegajoso e um enorme sentimento de revolta. Olha-se para o sistema judicial e é a impotência que vem de volta em mais uma demão dessa tinta pôdre que cobre o caso da Casa Pia, que safou os vivaços da UGT, que arrasta o processo disciplinar do Lopes da Mota, que atravanca o Freeport e a Cova da Beira, que iliba a Felgueiras e larga os valentins e quejandos, que deixa em banho-maria a operação furacão, etc, etc.

Para gato escaldado, a pergunta que se põe é esta: este caso Godinho serve para nos distrair de que outros casos ainda mais sinistros? Destapem tudo de uma vez, caramba, e revelem-nos a face oculta do regime. Já chega de tratar o cancro com aspirinas.


quinta-feira, outubro 29, 2009

Conselhos paternais de esquerda

Paizinho, gostava de ser administrador de um banco.
Telefona a um sucateiro, filho.

Paizinho, gostava de ter um rolex.
Rouba traves da linha do Tua e vende-as ao Godinho, filho.

Paizinho, quero ser engenheiro.
Mas não temos um fax em casa, filho.

Paizinho, é difícil ser ministro?
Não, filho, basta ir para o PS.

Paizinho, tenho um colega que quer comprar o teu carro.
Diz-lhe que só vendo os do Instituto.

segunda-feira, agosto 03, 2009

O envelopezinho do costume, senhor presidente

Demorou vários anos para que houvesse uma sentença, o que por si só devia ser considerado um escândalo, mas estamos de tal forma habituados a esta pouca-vergonha em que se vem transformando a justiça portuguesa que já nem se dá a importância devida ao facto.

Provavelmente, o Isaltino vai recorrer e vai esticar a coisa por mais uns anos. Mas a ideia de que o videirinho irá um dia bater com os costados numa cela de Alcoentre ou de Pinheiro da Cruz dá alento à esperança e permite-nos pensar que em cada 500 corruptos há um que tropeça e que em cada 1000 processos iniciados há um que escapa às prescrições.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

FREEPORT

O caso Freeport tem sido foco de atenção dos media nos últimos tempos e até já há por aí uns comentadores a dizerem que "há mais vida para além do caso Freeport" e que não é isso que nos deve preocupar neste momento.

Ora, nada mais errado!

Meus caros,

Com o caso Freeport deixamos de ter noticias sobre as falências, o desemprego, os assaltos, o deficit, a crise financeira e, por momentos, até julgo que terá acabado a guerra e a fome no mundo.

Enquanto tivermos o caso Freeport garantimos que Portugal continua a ser um óasis à beira mar plantado.

José Socrates sabe disso e é por isso que resolveu colaborar nesse dossier desde o inicio, pedindo, inclusive ajuda aos seus familiares mais próximos.

Direi mesmo que foi porque José Sócrates conseguiu antever a importância que o caso teria para os destinos do País que desde cedo decidiu fazer exame de Inglês por correspondência e até decidiu implementar o ensino obrigatório do Inglês nas escolas.

...a bem da Nação!!!

segunda-feira, setembro 29, 2008

História da Vida Real

A é vereador de uma camara e director de uma associaçáo local. B presta serviços à associação e tem um cheque para receber. A tem que assinar esse cheque.A telefona a B e diz que tem o cheque mas que merece receber uma comissão. B nega. O cheque não sai. Aparece C no meio. Vem dizer a B que aquele cheque só sai mediante uma comissão de 10%. B nega. A lembra a B que C é amigo e ele, B, devia estar atento às necessidades de C. B nega qualquer vontade de estar atento ás necessidades de C. O cheque continua sem sair. É assim que os A e os C deste país vão vivendo. Faz bem B que não aceita untar mãos de gente assim. Fossem todos os empresários desta estirpe e o mundo viveria melhor. Infelizmente assim não, basta olhar para os negócios com a venezuela ou com Angola, sem falar noutros que mais.