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quinta-feira, novembro 20, 2014

2° Novo Postal de Pequim


Na esplanada da universidade onde ensinou literatura e onde ainda tem o seu escritório , o Prof Zha , guarda vermelho quando estudante de liceu e manifestante na praça Tian An Men em 1989, explica -me : “Quando nos referimos aos detentores de poder na China, importa distinguir entre a Segunda Geraçao de Vermelhos (Hong Er Dai) e a Segunda Geraçao de Ricos (Fu Er Dai) .Estes são os os dois grupos  da sociedade únicos detentores do poder politico e económico “. E insiste:
“Mas a Segunda Geração de Vermelhos, geralmente designados como “princelings” (pequenos principes) , filhos de dirigentes da  primeira geração do partido comunista, heróis da revoluçao, são em ultima instancia os únicos verdadeiros detentores do Poder.”

Por isso , quando na recente reunião plenária do comité central do partido comunista , as resoluções apelam à reformulação do sistema judiciario e insistem no combate à corrupção, parece oportuno analizar o caminho percorrido pelo partido desde a condenação o ano passado de Bo Xilai , “princeling” , filho de herói da revolução ,e antigo dirigente do partido em Chongqing. 
Desde a sua condenação nenhum outro “princeling” foi perseguido ou condenado por corrupção.

Bo Xilai foi o unico. Qual a razao? Muito simplesmente, foi o unico entre os princelings que fez campanha e  se propos ao cargo hoje ocupado por Xi Jinping: Presidente da Republica!

Proibir aos membros do partido o jogo do mah-jong, os hoteis de cinco  estrelas, ou jantares nos restaurantes mais luxuosos de Pequim,Shanghai ou Chongqing, e procurar assim mostrar à grande massa da população chinesa a vontade  por parte do grande dirigente  Xi Jingping, de combater os excessos da corrupção parece ser uma resolução  necessária e bem aceite por toda a população. Para além de ser uma resolução que se impôs  como essencial para a sobrevivência do partido.
No entanto, ninguém na China tem muitas ilusões sobre os resultados e objectivos de todo esta campanha e do combate à corrupção anunciado pelos altos dirigentes do partido.

Pois ,muitos sabem decifrar  o objectivo principal para além desta campanha : Manter o poder nas maos do pequeno grupo de dirigentes ligados à primeira geração de vermelhos, isto é manter o poder na mao da Segunda Geraçao de Vermelhos.

Dois exemplos ilustram bem a relatividade dessa campanha tao anunciada pelo Presidente Xi Jinping nos seus discursos:

Numa conversa com um membro de uma NGO que ensina jornalismo a redactores de jornais oficiais, este mesmo referiu-me como se admirara dos salarios extremamente ridículos que recebiam . Face ao seu espanto um redactor explicara-lhe : “ O salário que recebemos é suposto ser completado com os “envelopes “que somos suposto ir recebendo no decurso do trabalho que fazemos para o jornal !” 

Recentemente os jornais anunciaram a tentativa de compra do hotel Waldorf Astoria em Nova Iorque pelo grupo de Seguros Anbang, . Ora este grupo tem como dirigente principal  um membro da familia de Deng Xiaoping. 

A pergunta que o Prof.Zha e muitos outros se fazem é a seguinte: “Mas donde lhe vem todo esse dinheiro que lhe permite fazer esta compra?”

Maria
Novembro 2014

sexta-feira, outubro 24, 2014

Novo postal de Pequim

Recentemente, durante uma  simpósio em Pequim, Xi Jingping, actual  presidente da China, fez um discurso centrado na importância da arte e dos valores culturais chineses. Fazendo eco a  citações de Mao Tsé Tung, referiu que a arte e o património cultural  devem servir o povo e a causa socialista.

Mas a realidade que encontro no terreno conta outra história:

 “Para que possa  perceber melhor a situação, imagine o pessoal dos armazéns do Museu do Palácio da Cidade Proibida que para comer as “noodles” durante o período de descanso, se serve das taças antigas em depósito no museu . E se e por pouca sorte parte uma, das 20 que existiam passam a existir 19, sem que haja qualquer reacção ou controlo por parte dos responsáveis .” -  comenta  o jovem restaurador Qian He com quem falo.

 « Existem 20.000 pinturas chinesas antigas nos armazénsdo Museu , armazenadas  em condições de manutenção  extremamente precárias e sem que haja especialistas suficientes para levar a cabo o trabalho de restauro.” - acrescenta Qian He, que procura apoios para a criação de uma escola de formação de restauradores  para trabalharem nos Museus na China e assim evitar que muito do património artístico e cultural se perca ou seja destruido.

O bisavô,  Liu Ting Zhi , era em Shanghai o restaurador mais solicitado e apreciado da dinastia Qing. Em 1949 , quando Mao chegou ao poder, a família foi obrigada a entregar  ao museu de Shanghai  a valiosa colecção de pinturas chinesas que possuía e em 1966, aquando da revolução cultural,  foi obrigada a ir trabalhar no campo .  Aí sobreviveu até que, ainda durante a revolução cultural,  Liu Ting Zhi foi  chamado para Pequim  para se encarregar do restauro das pinturas num túmulo . Por lá ficou com toda a familia , onde as gerações futuras continuaram a trabalhar como restauradores de pintura chinesa no Museu da Cidade Proibida. E agora Qian He , quarta geração desta familia , com um tio ainda a trabalhar no Museu, perante o desinteresse dos responsáveis no departamento cultural da administração pública da cidade face à urgência em melhorar as condições de restauro e conservação  deste património , projeta partir com a familia  para os EUA. A universidade de Michigan convidou-o para ir trabalhar no restauro das pinturas chinesas nos museus americanos.

Ao falar com Qian He e perante a  tristeza que sente face ao desinteresse das autoridades pela preservação de um património cultural tão importante como o que se encontra arquivado nos armazéns do Museu da Cidade Proibida , pergunto-me  como  interpretar o discurso do presidente Xi Jingping. 
Será que  o presidente Xi , na linha do presidente Mao, também agora projecta instrumentalizar cultura e património cultural numa nova campanha de controlo da criação artística em função dos interesses do Partido Comunista Chinês, para a qual o rico património de caligrafia e pintura tradicional chinesa  do Museu do Palácio da Cidade Proibida não são suficientemente importantes ?

Maria
Outubro de 2014



terça-feira, outubro 26, 2010

Um tanque na horta



Ontem o preço do algodão subiu, num só dia, 4,2%.
Dizem alguns entendidos que este ano o clima foi rude na China e que a colheita será menor.
Mas o que se verifica é que vários países produtores e exportadores de algodão estão a criar dificuldades tarifárias e outras para a saída dessa matéria-prima, preferindo exportar produtos acabados que competirão com o sector têxtil-algodão europeu. Para isso, forçam o desarmamento tarifário na Europa e fecham tanto quanto podem a saída de algodão bruto.

A recente benesse dada ao Paquistão de suspensão dos direitos de importação em 78 artigos pautais do sector, sob a capa de ajuda a um país confrontado com inundações, ocorreu ao mesmo tempo que esse mesmo país já vinha ensaiando limitações à exportação de algodão.

Agora é a China. A China vem usando este método de fechar torneiras como arma política na cena internacional. O caso mais recente foi o da suspensão de exportação para o Japão de metais raros que a indústria nipónica precisa como de pão para a boca. Reabriram a torneira quando os japoneses se ajoelharam e devolveram o barco de pesca que haviam apreendido em actividade ilegal nas suas águas territoriais. A própria Alemanha e os Estados-Unidos já se deram conta da asfixia que a China está a montar ao mundo ocidental na área estratégica dos metais raros.

Os comunistas chineses nunca esqueceram que a mera ameaça à Sra. Tatcher de fecharem a torneira de água a Hong-Kong foi suficiente para recuperarem esse território.
Mas vá lá alguém explicar estas coisas ao nosso Amado. Desde que lhe dêem uma poltrona em Nova Yorque, o mundo pode rolar como bem entender, pois é-lhe indiferente saber em que toalha seca as mãos. Quanto às nossas operárias do Vale do Ave, que lavem a cara no tanque da horta.

quarta-feira, julho 28, 2010

Acertar o passo

Estas meninas são tão militares como eu sou chinês. Foram escolhidas a dedo, pela aparência e pela altura, para que ficasse tudo bem nivelado, até na mini-saia. Treinaram meses e uma das que comanda já regressou ao estúdio de cinema onde trabalha. Os adidos militares das embaixadas presentes ficaram todavia alarmados. Batalhões assim são um perigo, mesmo que só levem fisgas.

terça-feira, novembro 17, 2009

DRAGON & ROSE GARDEN - ART AND POWER IN CHINA



Este livro tem ele proprio uma historia e fez-me companhia no comboio de Bruxelas para o Luxemburgo.
E, posso-vos dizer que é excelente. Muito interessante e importante para se perceber muito do contexto do realidade mundial e daquilo em que a China ja se transformou e vira a ser nos proximos tempos.
é verdadeiramente surpreendente!!!
Nao deixem de ler!!!!
Um obrigado muito especial a quem me o ofereceu e um abraço ao seu Autor.
Fantastico!!!

Sinologist Simon Leys: "The reading of this book is an indispensable introduction for everybody desiring to approach and understand the formidable ferments at work in the Chinese artistic world at this moment."

In this book Sus Van Elzen investigates the transformation of China and the city of Beijing from 1949 up to the 2008 Olympics and beyond, with a particular focus on the role of artists and architects. The transformation of an urban environment, driven by economic and demographic forces but also by the cultural and political agenda of the government. The dynamic relationship, often thorny, between a powerful centralized government and an emerging group of free thinking artists.

quinta-feira, outubro 01, 2009

60 anos de imperialismo


Completam-se hoje 60 anos desde a fundação da República Popular da China.
Logo vamos ter seguramente direito a imagens das paradas em Pequim e a comentários embasbacados sobre o progresso chinês, com uns salpicos de lamentos enlatados sobre as violações aos direitos do Homem.

Importa contudo dizê-lo claramente: esta China é uma ditadura violenta que esmaga qualquer veleidade de liberdade de expressão, que controla a Internet e os media, que proíbe o direito de reunião e de associação, que prende, tortura e mata. Esta China é a ditadura de um partido único, corrupto e sinistro, cujos títeres locais imperam na mais absoluta impunidade, roubando, violando, raptando e assassinando. Esta China é um apartheid gigante em que os camponeses são desprezados e discriminados em relação à população urbana e em que os milhões que emigram para as cidades são marginalizados por sistemas burocráticos opressivos e explorados miseravelmente.

Esta China é o desequilíbrio dramático entre homens e mulheres, na sequência da política do filho único, é o desastre ecológico e ambiental, na sequência de uma industrialização anárquica e corrupta, é a miséria escondida mais degradante ao lado de uma opulência de fancaria. Esta China é um imperialismo han sanguinário que se abateu e se abate em cada dia sobre o povo tibetano, sobre o povo uigur do Turquestão Oriental, sobre o povo mongol e sobre tantas outras minorias cuja cultura é desprezada e esmagada.

Dizem que tanto faz que o gato seja preto ou branco desde que apanhe o rato.
Pois eu acho que há-de haver um 'cão' que tratará da saúde a este gato pardo: os povos da China e dos territórios e países ocupados.

quinta-feira, agosto 06, 2009

Onde a corrupção é um segredo de Estado


Huang Qi terá começado a ser julgado ontem por ter denunciado no seu blogue a péssima qualidade de construção das escolas chinesas sob as quais morreram milhares de crianças aquando do terramoto de Maio de 2008 em Sichuan. Os novos imperadores han acusam Huang Qi de ter revelado segredos de Estado ao ter posto a nú o sistema generalizado de corrupção em vigor nas autarquias chinesas.

Tan Zuoren será julgado a 12 de Agosto, entre outras razões por ter feito uma lista com os nomes das cerca de 6000 crianças soterradas nos escombros das escolas que se desmoronaram como castelos de cartas durante aquele terramoto. É acusado de subversão.

A "Human Rights Watch" dá conta aqui do que ali se passa.
Serve-nos para relembrar a verdadeira natureza do regime de Pequim.

sexta-feira, julho 24, 2009

Ver pela rama


Nuno Rogeiro assina no Jornal de Notícias de hoje esta coluna.
Diz de sua justiça sobre o que se passa no Turquestão Oriental, vulgo Xinjiang, país dos Uigures, ocupado pelos chineses.

E presta um serviço inestimável às autoridades de Pequim: é tudo obra de uns "jihadistas" furiosos, manipulados pela al-Qaeda e cegos no seu fundamentalismo islâmico. O próprio Rogeiro falou com eles e percebeu tudo. Foi numa visita guiada a Guantánamo.

O Rogeiro nunca pôs os pés no Turquestão, como eu aliás, mas da sua poltrona lisboeta e dos seus livrinhos e fichas conseguiu resumir a situação: há ali dedo de Allah. Pequim vai concerteza convidá-lo brevemente, se alguém na embaixada chinesa se dispuser a dar por ele.

Estes escribas rápidos são um maná para os novos imperadores han.
E um alívio para os directores de jornais: enchem papel e não criam chatices com os poderosos.

segunda-feira, julho 06, 2009

As revoltas orientais


Pode consultar neste site algumas imagens sobre o que se está a passar em Xinjiang, a região uigur ocupada pela China, também conhecida como Turquestão Oriental.
O Nortadas já editara este post, em que se referia à instabilidade da região.

A revolta uigur pode ser esmagada ( nas útimas 24 horas já houve 140 mortos) mas não vai desaparecer. A repressão han há-de sair derrotada.

Ver também esta notícia no ‘Público’

sábado, fevereiro 10, 2007

Uma imagem vale mais do que mil palavras II

O primeiro ministro a fazer jogging bem equipado com uma camisola da Adidas é mais um pontapé na industria e na marca "Portugal". Nem há memória que a Adidas subcontrate em Portugal nem tenho informação que a multinacional tenha centro de decisão em Portugal. Fica mal, muito mal a um primeiro ministro usar uma marca tão visivel em especial estrangeira. Queriam exportar para a China? era essa a missão não era? porque não usar uma polo da Salsa ou da Mike Davis? Fica mal.