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sexta-feira, janeiro 15, 2010

Vem dormir no cais


Pagaram dezenas de milhões de euros pelo afretamento de uns navios que faziam de hotel durante a Expo-98. Os ditos hotéis terão recolhido receitas na ordem de umas duas centenas de milhar de euros. Em resumo, um buraco calamitoso.

Demorou 11 anos para começar o julgamento desta gentinha, sendo que o Januário Rodrigues era, antes de se meter nestes negócios faraónicos, Director no Banco de Portugal. Ou seja, sabia-la toda. Não sei o que mais me impressiona: se o caso de corrupção ou a inépcia da nossa justiça.

Como dizia alguém noutro contexto, estamos entregues à bicharada.

terça-feira, dezembro 15, 2009

Pouco barulho!

Ainda ontem disse à minha filha para baixar o som da música ou para pôr os auscultadores e tenho insistido com a Zulmira para que não buzine tantas vezes na ponte da Arrábida.

Acho que todos devemos contribuir para que o Sr. Pinto Monteiro, Procurador-Geral da República, possa reflectir com a máxima tranquilidade se vai ou não divulgar as escutas entre Vara e Sócrates.
Na semana passada o Sr. Monteiro disse que decidia esta semana mas afinal parece que é só no fim do mês. Eu ajudo o mais que puder e apelo a todos para fazerem o mesmo, ou seja, pouco barulho pois o senhor está a pensar. Mas também apelo ao Sr. Procurador para não abusar: é que tenho aqui um traque para sair e não sei se o aguento até 2010.

terça-feira, novembro 24, 2009

Ai não!?!?!?


Que surpresa!!! Confirme aqui.

Se calha, manda-se fazer uma auditoria "interna" ao que já se descobriu lá por Aveiro, e ainda vamos concluir que os "magistrados-politicamente-motivados" se enganaram, "que todos os procedimentos foram respeitados" (menos os judiciais, obviamente) e que tudo não passou de um grande equívoco.

Ufa! Que alívio!


sexta-feira, novembro 20, 2009

Varadas


Começou a campanha de desinformação. Tal como na imagem, alguém terá sugerido a Vara que nos ponha a "olhar" para coisas mais interessantes, para que a "máquina" possa trabalhar. Na sombra, como convém.

Vai daí, ele é Portas (nos submarinos, claro) a fazer o mesmo que o Governo (nas autoestradas, como seria de supor...); ele é esclarecimentos da PGR; ele é, sobretudo, "fontes" que consultam processos (da defesa, evidentemente, desinteressadas, como seria de supor) a garantir que "não há lá nada", etc.etc.

Só me surpreende que o Pacheco Pereira também colabore, com pronunciamentos sobre "vencedores" em soluções de problemas sérios do País... Ou me engano muito, ou a única questão que interessa é saber se o País fica a ganhar; se é por culpa do PS ou por responsabilidade do PSD, com franqueza, "who cares"!?!

O que não me surpreende, infelizmente, é a pobreza da nossa imprensa, e o servilismo de muita dela...

É preciso um Portugal melhor. E é preciso querer muito.

sexta-feira, novembro 13, 2009

Rede a sério, é isto...

Nesta notícia do sol, que o público também noticia, se indiciam redes sérias que não só vivem à custa do Orçamento do Estado, como se deleitam em nos ludibriar da forma mais descarada.

Na actual situação das finanças públicas nacionais, "oferecer" 200 milhões ou mais, "à cabeça", vale muito dinheiro e deve fazer toda a diferença numa proposta deste tipo; se for efectivamente pago. Se não for pago, as propostas deveriam ser reavaliadas face às ofertas dos demais concorrentes. Mesmo nas condições actuais, os juros desses valores fariam a felicidade de muito portugueses. Não são valores com que se possa ou deva brincar.

Pior ainda, se serviram de estratagema para afastar concorrentes. Como estratagema será atacar concorrentes na imprensa, por falta de argumentos no concurso. É o caso da proposta da FCC sobre o tgv e a TTT (terceira travessia do Tejo), que por aí anda a ser objecto de uma campanha mediática - certamente para criar condições para o chumbo dessa proposta.

Para estas redes, pouco importa se têm razão ou não. Se não tiverem, o Estado pagará a indemnização correspondente, em tribunal, anos mais tarde. As redes, entretanto, facturam o concurso, apresentam propostas mais caras e constróiem, da forma a que nos habituaram e com acréscimos de custos significativos, as obras com que nos iludimos.

Entretanto, entretêm-nos com "faces ocultas", escutas nulas ou inadmissíveis, conteúdos inutilizáveis das ditas escutas e outras quejandas políticas de combate à crise... em particular nas grandes obras públicas.

Nós, divertidos ou irritados, vamo-nos preparando para pagar a factura. Que será elevada.

Desenho de Bordalo Pinheiro, "descarregado" da Wikipedia

Pior, vamos fingindo que os nossos filhos não terão vidas piores porque também terão de pagar. E vamo-nos surpreendendo por haver cada vez mais filhos nossos que preferem ir trabalhar para fora do País.

E, no entanto, ninguém se revolta. A sério, que é como quem diz, para exigir mudanças.

Para que conste: falo, perdão, escrevo contra mim, que ainda não encontrei uma forma útil de me revoltar.

quarta-feira, novembro 11, 2009

O manto diáfano da suspeição...

Pode até ser que o PGR se tenha enganado; pode até ser que o Presidente do STJ tenha razão, formalmente.

Onde nenhum tem razão é em chutar para o outro as eventuais explicações a prestar. É vergonhoso o espectáculo que proporcionam quando o fazem.

O que importa, contudo, é outra coisa. Não conheço as leis, neste particular. Mas sei que não é sensato descartar suspeitas que possam resultar das escutas feitas a determinado investigando, porque essas suspeitas recaiam sobre um alto dignitário do País, para quem as escutas obedecem a outro formalismo.

Não é sensato porque, para além de tudo o mais que possamos adivinhar, reagir desta forma enche o oceano de desconfiança que se instalou em Portugal quanto à isenção da Justiça.

Não é sensato porque retira ao objecto das suspeitas os mecanismos próprios para se defender, legitimamente, do que possa estar em causa.

Não é sensato porque se o conhecimento de crimes é oficioso, para qualquer funcionário público, e de denúncia obrigatória, muito mais deveria ser para os magistrados que conduzem escutas legalmente autorizadas. Como o confirmam as certidões e o envio do PGR ao STJ.

Não é sensato porque quando se autorizam escutas a "altas personalidades" não se pode adivinhar, nem muito menos exigir, que se preveja com quem irão os ditos conversar, especialmente se calharem de telefonar a, ou receber telefonemas de, "altos dignitários". Falar, em casos destes, em autorizações prévias é, evidentemente, tapar o sol com uma peneira. Dessa suspeita, nenhum dos autores nem dos escutados se livra. Para sempre.

Não é sensato porque, aposto, brevemente aparecerão por aí "conteúdos" das escutas agora em processo de destruição, que não serão investigadas, que não serão confirmadas nem desmentidas e que permanecerão na nossa memória colectiva como "provas" da injustiça em que vivemos...

Assim, não dá. Os brandos costumes também tem limites. A história, a nossa, confirma-o.

terça-feira, agosto 04, 2009

Esperança para ...

Oeiras.

A condenação de Isaltino de Morais merece ser sublinhada, por ser a primeira em muitos anos de um autarca de uma cidade importante e por acontecer pouco tempo depois da absolvição de Fátima Felgueiras. Demorou e ainda vai ser contestada, mas aconteceu.

Significa, pelo menos, que a Justiça é lenta mas também é cega (perante os poderosos, que é como devia ser). Pelo menos nalguns casos.

E que os oeirenses (não sei se é a expressão correcta, mas não encontrei outra) poderão agora escolher com maior conhecimento de causa.

Portugal.

Se é possível condenar Isaltino, certamente não há-de ser impossível condenar outros. Resta-nos essa esperança.

Por outro lado, Isaltino deixou obra. Na grande urbe lisboeta, porventura, a melhor obra das últimas décadas. Por isso mesmo, pode acontecer que os oeirenses venham a dar votos em quantidade significativa ao condenado da justiça.

O que significa duas coisas: primeiro, que muita da legislação aplicável, e pela qual se regem, os nossos municípios é totalmente desadequada. Convida ao abuso. Depois, que a cedência à corrupção não é necessariamente o melhor critério para destrinçar os autarcas: há corruptos que nada fazem e outros que fazem demais; há incorruptos que nada fazem e outros que fazem alguma coisa.

O que o País precisa, portanto, é de uma melhoria - leia-se simplificação - da legislação e de muito mais e melhor fiscalização. Até à condenação, como no caso vertente.

E o que os partidos precisam, não é de uma lei a proibir os autarcas condenados de se candidatarem. Precisam é de retirar o apoio aos autarcas que cedem à corrupção, muito antes de vir a conhecimento público - ou da Justiça - o que se passa nos respectivos municípios. O verdadeiro problema é esse: o que as direcções partidárias pactuam com os autarcas corruptos, por causa dos votos que possam significar. Não houvesse isso e muitos dos autarcas de que agora se fala, condenados ou absolvidos, há muito que já não seriam candidatos. Pelo menos pelos respectivos partidos.

É possível um Portugal melhor. Basta querer.

quinta-feira, julho 30, 2009

Felgueiras

Desconfio que vamos ter a D. Fátima por mais uns tempos. E já agora com uma acção a exigir uma indemnização ao Estado, why not?
O que se apurou é que foram 2 milhões e tal dos cofres da Câmara para o clube de futebol, mas daí para a frente não aconteceu nada de mal e pronto, muito gosto em tê-la conhecido minha senhora e vá à sua vida mas tenha cuidado com os plebeus, que a senhora é muito nobre. Já agora, desculpe, qual é o seu cabeleireiro? É que a minha Zulmira sempre que a vê me diz para eu averiguar isso, que ela também quer um penteado assim.

Bom, que se segue? Prendem-se os tipos do Ministério Público? Ou ficamos todos órfãos?