Domingo, Fevereiro 07, 2010

E agora?

Durante o fim de semana ouvi a mesma pergunta uma série de vezes: e agora? o e agora tinha como pano de fundo as escutas que o Sol divulgara somadas ao ataque a Mário Crespo. No fundo uma e outra história estão ligadas e denotam o tique de totalitarismo que se tem vindo a sentir em Portugal. Sócrates é o protagonista maior dos últimos tempos, mas o problema está mesmo no excessivo peso que o estado mantêm na economia. Já diz o ditado, que "a oportunidade faz o ladrão". E como a carne é fraca lá chegados ao poder poucos resistem. Usam e abusam das empresas públicas para distribuir tachos pelos amigos. Usam e abusam das empresas públicas para comprar mais empresas onde metem os amigos. Só que o que me entristece mesmo é o marasmo que nós portugueses vamos mantendo vendo esta gente a dar-nos cabo da vida. Os nossos brandos costumes levam a este estado de coisas, a este adormecimento perante o roubo, a um assobiar para o lado perante o ladrão que rouba a velhinha, a não aceitar que existem maus dda fita. E assim lá vamos vendo Portugal a ir ao fundo, esta malta a gozar connosco.

Almoço no Infante Sagres

Havia uma serenidade no estar daquele casal que incomodava sem se saber porquê.
Pediam invariavelmente uma mesa de 4 lugares junto à janela, a colocar de esguelha de molde a que se sentassem lado a lado mas ambos de costas semi-voltadas para a sala.

Não dialogavam, conversavam a um ritmo muito particular, calmo mas interessado. Via-se que se ouviam, ainda que nem sempre houvesse réplica do outro. Era evidente que se respeitavam muito, embora sem preconceitos, sem etiquetas e sem rituais. A escolha do vinho era debatida a dois e uma vez decidida havia um olhar recìproco que traduzia uma cumplicidade e uma ternura sinceras.

Seguiam com curiosidade o movimento da rua e deixavam a impressão que o maior ou menor movimento no salão lhes era absolutamente indiferente. Não sei se se pode hoje em dia chamar velhos a pessoas que se aproximam dos sessenta anos (devia ser a idade deles); senão, dir-se-ia que haviam envelhecido bem, individualmente e como casal.

Respiravam um amor sàbio o que pressupunha talvez uma paixão antiga, vivida com ardor e sem tabus. Riam às vezes, sem constrangimento mas sem espalhafato.
Adivinhava-se-lhes momentos de entrega total, de proezas loucas em camas desfeitas e talvez por isso havia ao mesmo tempo uma grande nostalgia naquele pousar de mão sobre a do parceiro quando chegava a bica cheia, o chà de camomilha e os bombons, a prenunciarem o fim da refeição.

Apetecia servi-los. Mas ficava-nos um desconforto pessoal, talvez porque parecesse conhecerem uma felicidade não egoìsta ou porque transportassem uma història que era jà um passado.

Quando partiam, deixavam saudade, como se tivessemos acabado de ouvir o “Je te veux” do Satie.

Sábado, Fevereiro 06, 2010

Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010

Tiro no pé!

A notícia de que pode ter sido organizada base da ETA em Portugal, mais concretamente numa casa de Óbiidos, com detalhes da operação é um verdadeiro tiro no pé.

Numa altura em que Portugal deve apresentar-se sereno, tranquilo, pacífico quem tem responsabilidades não resistiu à tentação do mediatismo. Não há quem mande calar?

O descalabro


Se derem uma caixa de fósforos a uma criança que brinca num palheiro é muito provável que a coisa termine mal. Se convencerem um bêbado a atravessar a pé a auto-estrada em hora de ponta é muito possível que não chegue inteiro ao outro lado.

Em Portugal, gostamos de pensar que "ao menino e ao borracho, põe-lhes Deus a mão por baixo". Na verdade, não põe. Em Portugal, gostamos de pensar como aquele que, ao cair do 30° andar do prédio, pensa, quando já vai no 10°, que "até agora tudo corre bem".

O que se está a passar nos mercados financeiros relativamente à credibilidade do Estado e da dívida portuguesas não é uma qualquer maldade de uns duros de coração ou de uns sádicos sanguinários que se comprazem em ver-nos de rastos. As agências de rating a quem o Ministro Teixeira aponta o dedo, estão a marimbar-se para os estados de alma dos charlatães lusitanos.

Já puseram uma cruz sobre o nosso país. Essa morte lenta será uma agonia, a menos que haja um sobressalto. As "crianças" que nos governam continuam a riscar fósforos e uma ou outra já querem fugir do palheiro para verem no pátio as labaredas tão lindas.

Mas nem tudo está irremediavelmente perdido. Contudo, se quisermos de verdade sair do coma teremos de aplicar uma terapia vigorosa e que passa por surrar os putos traquinas, castigar os cucos da política e desinfectar os parasitas que se instalaram na chaga. Dói, ooh, se dói. E é bom que doa pois é a única maneira de chamar o medo de volta, pois é preciso ter medo de novo, muito medo, que é, nos dias que aí vêm, um bom conselheiro.

Nunca mais esquecer a lição: não se dão fósforos a miúdos. Fomos nós os culpados.

Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

Inconsciências

É uma inconsciência se Teixeira dos Santos se demite.

Até porque não há quem o substitua, porque ninguém é inconsciente ao ponto de também querer ser Ministro das Finanças...

Com papas e bolos

Nasceu mais um Conselho Nacional.
Em boa verdade, não nasceu mas dizem que o ressuscitam.
Trata-se do Conselho Nacional de Cultura: dez personalidades que são supostas opinar junto da Sra. Ministra Canavilhas.

O país produz Observatórios, Conselhos, Comités e Comissões como se fossem coelhos em cio. Este, de Cultura, apareceu há 14 anos mas logo sofreu um ataque cardíaco que o deixou moribundo desde então, malgrado o electro-choque que lhe quiseram aplicar em fanfarra em 2006, para afinal continuar um zombie, que é um estado ainda mais pernicioso do que a morte cerebral.

Algumas das personalidades que o integram já por lá andavam, mas vêem-se agora refrescadas com a entrada de outros fantasmas como a do Conselho Nacional de Consumo, coisa que não tem morada certa nem n° de contribuinte, como é bom de ver. Mas nós temos. Temos porque é preciso sustentar estas ilusões.

Cuidado à esquerda

video

Contumaz

Sabia da existência de algumas personagens dessas. Nunca me tinha cruzado com nenhuma graças a deus. Mas tudo tem um fim e hoje foi o dia em que me cruzei com um contumaz. E quem com ele diz ter feito um negócio. Ou seja, um vígaro na melhor das classificações. Mas a história não pode ficar assim com os aldrabões a rirem-se de todos os outros.

Carnaval

A época das palhaçadas está à porta. O carnaval onde vamos ter todo o tipo de bobos, quase todos ininputáveis. Lembrei-me que esses pobres de espirito sempre podem comprar um fatinho e irem disfarçados no resto da corso que lhes resta e nada melhor do que o encontrar num portal de classificados grátis.

Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010

Puro spin

Ontem o país andou chocado com a notícia Mário Crespo. Twitter, blogs, facebook ou face to face, da realidade virtual à concreta o tema fervilhava e era incontornável... o regresso da rolha!
Providencialmente, hoje, os compatriotas acordaram com algo que lhes mexe no íntimo, digo, no bolso: o Governo quer publicar os rendimentos dos contribuintes. Eis a bondade da proposta: luta contra a corrupção. Traduzindo: se tens um Mercedes S e só declaras 20.000,00 € anuais, tás feito...és corrupto... por isso denuncio-te. De facto, a marca de água (in)visível deste Governo e deste Primeiro Ministro é - e já fez Doutrina... - a delação e o ataque (aos professores, aos juízes etc.)
Mas se o princípio se aplica aos cidadãos a inversa não é verdade. O Governo devolve o epíteto com outra mão. Se ontem todos nós eramos Crespo com o dedo apontado a São Bento... hoje somos todos, de volta, o Manuel, o Joaquim, o José ou o António...! Brilhante... de uma assentada só o ímpeto subversivo do Governo é lançado a cada cidadão, cada contribuinte. E do que se passou ontem... guardaremos uma pálida lembrança!!! Para, no final desta estória, o Exeutivo recuar, em nome dos bons princípios, e concluir que, afinal, não somos os contribuintes da Finlândia nem da Noruega.
Melhor é difícil...!
Já alguém um dia disse: "Querem pão?... dêm-lhes brioches!!!". Parece que terá ficado sem cabeça.
A nós ... dão-nos circo...!!!

Rendimentos brutos

Ouvi na rádio e confirmei pela Internet. O PS quer publicar lista dos rendimentos brutos de todos os cidadãos. Se a ideia for para a frente, teremos uma ficha dos rendimentos de cada um disponível na net de forma a alimentar a cusquice, a inveja e a maledicência alheia, comparações, comiserações indevidas, e sabe-se lá mais o quê. Devo dizer que considero a solução fortemente ameaçadora da intimidade privada e da dignidade dos cidadãos. A transparência fiscal deve existir, mas deve referir-se às próprias Finanças e ao Estado, não ao vizinho do lado, aos noivos dos filhos, ou a quem trabalha connosco. As finalidades que o Estado pretende atingir bastam-se com o conhecimento pelos serviços dos movimentos e rendimentos de cada um, sendo desnecessária, excessiva e desproporcionada (diria mesmo, fora do fim) a restrição dos direitos individuais que representa uma publicidade nestes moldes. E não desconfiem que fujo ao fisco ou que tenho rendimentos não declarados. Não gosto pura e simplesmente da solução em termos gerais e do que ela significa, a não ser que a ideia seja colocar o meu vizinho da frente como fiscal da minha obediência à lei...

Coincidências

o meu post de domingo intitulava-se fim da linha. Mário Crespo deu o mesmo título à sua explosiva crónica.

Ainda Mário Crespo



Já tinha comentado que o Mário Crespo se arriscava a perder o pescoço. Ele andava a colocá-lo muito a jeito. Ainda está na memória de todos o artigo do palhaço. (já retiraram os links para os artigos no JN). Com efeito, como diz o meu amigo Orlando no seu Alto Hama, Durante muitos anos o principal barómetro da liberdade de Imprensa era o número de jornalistas mortos no cumprimento do dever, hoje junta-se-lhe uma outra variante para a qual Portugal deu um notório e inédito contributo: os despedimentos. Isto, é claro, para além de haver um outro instrumento de medição que se chama corrupção..

Está bom de ver que o clima não anda fácil na comunicação social. E isso reflecte-se sem dúvida na qualidade do jornalismo que se faz. E uma verdadeira democracia necessita de uma comunicação social livre, independente, crítica e não instalada.

Mas a crise financeira acaba por condicionar muita coisa. Esperemos por melhores dias.

E querem que se acredite neste futebol?

Os túneis sempre foram coisas misteriosas e de assustar criancinhas. Mesmo na estrada aconselham-nos a ligar as luzes. Está bom de ver que os túneis são a tábua de salvação da luz. Depois do Porto agora é o Braga. Num jogo da 9ª jornada, portanto à nada mais nada menos do que 8 jornadas passadas, o que no dia 1 de Novembro. Ou seja passaram 3 meses. E só agora é que a Liga veio sancionar o Braga castigando 3 jogadores do Braga.3 meses depois a Liga actuou. Mete nojo este futebol, faz impressão perceber que o jogo debaixo da mesa é fundamental para manter alguns na tona. Calhandrices ao mais alto nível. Força Braga.
Nota final. Estranho mesmo é que tudo se passa nos túneis onde o Benfica está presente. Será coincidência? Não acredito.

Terça-feira, Fevereiro 02, 2010

Rita e os novos tempos

A Rita é bonita por dentro e por fora. Assim dizem os mais pequenos e concordam os mais velhos. Passaram 10 anos desde o seu nascimento e é tempo de festejar a data! Que orgulho!

Mas este é também um tempo de inquietações e de apreensões. Para os mais velhos e para os mais novos. Que década!

Como dizia ontem no Porto Canal:
-"Apreensão pelas tentativas de ocultação das verdades(déficit); Pela diminuição das liberdades individuais (vidas entregues ao crédito, ao trabalho dependente e ao flagêlo do desemprego) e de expressão (caso Mário Crespo); Pela dificuldade que as oposições sentem na imposição das suas propostas face ao discurso da estabilidade (problemas dos cadernos de encargos e dos orçamentos).

Uma manhã perdida


Hoje tive contacto com a justiça portuguesa como testemunha num processo de difamação. Éramos mais de dez os envolvidos. E o Tribunal na rua do Bolhão estava uma animação. Ele era advogados famosos enquanto causídicos e outros enquanto arquidos, ex-autarcas e jornalistas em processo de difamação e muita e muita gente mais, uns algemados e outros que o deviam estar. O meu julgamento acabou por não se realizar pois as partes chegaram a um acordo de um pedido de desculpas e uma verba para uma associação, depois de o juiz ter apresentado essa sugestão. Ao fim de 3 horas no tribunal regressamos ao trabalho. 10 almas que nada fizeram. Mas nas outras secções foram vários os julgamentos adiados, quer por erros processuais quer por falta de qualquer coisa mais. Ainda tentei fazer um levantamento para ter uma estatística mais fiável, mas fico-me pelos 50%. Assim vai a justiça portuguesa.

Vale tudo? (2)


Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

Mais um estudo sobre o TGV

Hoje foi conhecido mais um estudo sobre o TGV. Não sei bem em quantos já vamos, mas está visto que nascem para todos os gostos. Agora apareceu um que dá apenas viável o troço Lisboa-Madrid e inviáveis as linhas Porto-Lisboa e Porto-Vigo. O estudo aparece feito pela Universidade do Minho. Com esta origem o governo pensa que as vozes do Norte já não podem atacar este estudo como tendo sido emanado do centralismo lisboeta. Bem visto. Falta acrescentar que esta estudo foi feito em parceria com o Ministério das Finanças e o seu autor já tinha colaborado no programa do governo. Ah, e por acaso esteve na sexta passada no Expresso da Meia-Noite. Não acredito em bruxas mas que as há...e claro que o aeroporto de Lisboa é um grande investimento defende o mesmo estudioso..

Que vos parece?

O Jornal de Notícias era suposto publicar hoje este texto do Mário Crespo.
Mas sendo o jornal que é, dirigido por quem é e pertencendo a quem pertence, não o quis publicar e recambiou o articulista para casa. Censura? Decidam vocês.

Eu decidi publicar aqui o texto:



"Título: O Fim da Linha

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil ("um louco") a necessitar de ("ir para o manicómio"). Fui descrito como "um profissional impreparado". Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como "um problema" que teria que ter "solução".

Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): "(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)". É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade.

Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser "um problema" que exige "solução". Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos "problemas" nos media como tinha em 2009. O "problema" Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi "solucionado". O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser "um problema". Foi-se o "problema" que era o Director do Público. Agora, que o "problema" Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais "um problema que tem que ser solucionado". Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada. "

Assumir


Artur Santos Silva discursou nas cerimónias de abertura das comemorações do centenário da República. Entre as frases redondas sobre a regeneração do regime democrático, faltou-lhe uma tomada de posição clara sobre a questão da Regionalização.

Um dos antepassados de Artur Santos Silva (Eduardo Ferreira dos Santos Silva) foi um republicano de combate que não hesitou em criar uma dissidência no seio do então PRP para defender um modelo de organização do Estado que pusesse fim ao centralismo jacobino do poder da época.
Esse outro Santos Silva, médico, professor e presidente do Senado Municipal do Porto, foi quem entregou em mão, na mesa de um dos congressos mais agitados de um partido em polvorosa, a "Declaração dos 39" de que foi co-autor e que estaria na base da constituição em 1920 do Núcleo Republicano Regionalista do Norte.

Outros tempos ou outros carácteres?

...e a caravana passa


Os 'soi-disant' ataques do Ministro das Finanças às agências de rating seriam patéticos se fossem para ser levados a sério. Faço a justiça ao Sr. Ministro de saber que ele fala apenas para consumo interno e para entreter uns tantos jornalistas que se excitam logo com estas declarações domésticas.
Para nossa infelicidade, brevemente se verá a atenção que as tais agências dão ao que esse ministro terá dito: uma desclassificação com o consequente agravamento dos spreads.

Mas talvez o Sr. Ministro nos possa falar sobre as iniciativas que tomou ou pensa tomar para que a nível europeu se constituam agências de rating com pelo menos a mesma pouca ou muita credibilidade das que ele criticou. Melhor do que discordar do que outros fazem, seria fazer o que fazem melhor do que eles. O Sr. Teixeira dos Santos não tem assento no EcoFin?

Vá lá propor medidas em vez de ladrar cá dentro.

O disco riscado


O Primeiro-Ministro foi hoje, pela manhã, debitar a sua cassette a uma Assembleia denominada "Conferência Orçamento de Estado 2010".

Fez o seu discurso julgando que estava a dar uma aula, mas não quis ouvir mais nada e pirou-se da sala antes que o segundo orador, João Salgueiro, chamasse a atenção dos participantes para o curioso facto de o "engenheiro" não ter feito uma única referência ao que realmente importa: a falta de competitividade da economia e os problemas estruturais que a afectam.

A chamada crise internacional tem as costas largas, então não tem?