Mostrar mensagens com a etiqueta golden shares. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta golden shares. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, julho 09, 2010

Mostrem tudo

O acordão do Tribunal de Justiça da União Europeia que condena a República Portuguesa por manter uma golden share na Portugal Telecom contém o resumo da argumentação das partes na fase escrita e oral do dito processo.

Mas seria ainda mais interessante que os cidadãos tomassem conhecimento directo das peças escritas com que o Estado português se defendeu, já que materialmente lhes é muito difícil assistir à audiência pública que se desenrola a milhares de quilómetros de distância. Infelizmente em Portugal existe este preconceito majestático de que esses documentos são assunto reservado e de que o cidadão não tem nada que saber o que é que o seu Estado anda a dizer em seu nome nas instâncias internacionais.

A legislação portuguesa e a legislação da União sobre o acesso a documentos permitem todavia que qualquer cidadão interessado requeira cópia das peças em questão. Não há razão para, após proferida a sentença, recusar um tal pedido. Em nome da transparência e da democracia, é importante passar das palavras aos actos e requisitar essas peças, até porque pela amostra que se lê na sentença, os escritos da República Portuguesa neste processo devem ser de antologia, senão mesmo de risota.

Se o Estado português ou a Comissão Europeia (pode-se pedir a um e a outro) rejeitarem o pedido de cópia das peças escritas do processo, é possível introduzir de imediato uma acção junto dos tribunais administrativos portugueses ou do Tribunal da União e posso garantir, à luz da jurisprudência, que o requerente teria ganho de causa.

Nos Estados Unidos as peças escritas que o seu Governo apresenta, por exemplo, nas instâncias da Organização Mundial do Comércio em Genebra, são imediatamente publicadas on-line, mesmo antes do termo do processo. E está muito bem, pois é inadmissível que um Governo fale às escondidas em nome da nação e dos interesses nacionais para poder alegar todos os disparates que passem pela cabeça dos seus mandatários.

Ontem mesmo se realizou uma audiência num outro processo envolvendo a PT, relacionado com o incumprimento por Portugal da legislação da União sobre as obrigações de Serviço Universal e tudo indica que virá uma outra condenação da qual será muito interessante não só analisar o acórdão mas igualmente conhecer os escritos do Estado Português.
É mais que tempo de passarmos a um nível superior de rigor e de exigência, nem que seja para nos pouparmos ao chorrilho de asneiras que gente impreparada anda por aí a dizer a propósito da condenação da golden share.

quinta-feira, julho 08, 2010

PT - Portugal condenado


Como se previa, o Tribunal de Justiça da União Europeia condenou esta manhã a República Portuguesa por manter uma 'golden share' na Portugal Telecom (Processo C-171/08).

Acórdão aqui

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Golden Shares


A propósito da golden share do Estado na PT, diz um articulista do Expresso que seria um desastre para Portugal se a PT caísse nas mãos da Telefónica ou doutra multinacional, e acrescenta: "…é para evitar isso que existe a golden share e é por isso que ela deve continuar a existir".

Convinha talvez explicar ao Sr. Nicolau Santos, caso tal lhe interesse, três coisinhas de somenos:

a) O condicionamento industrial foi tique do Estado Novo e vai sendo tempo de mudar de mentalidade;

b) A golden share do Estado na PT (assim como outras, Galp e EDP) está condenada a desaparecer pois o Tribunal de Justiça da União Europeia já prepara uma sentença a condenar Portugal, como o indicam as Conclusões de 2 de Dezembro de 2009 do Advogado-Geral no processo C-171/08 (aqui). É, aliás, por isso, que, à semelhança das nomeações apressadas dos Vales, o Governo acelera estas manobras a cavalo de golden shares que ele sabe destinadas a desaparecerem;

c) A única forma eficaz de a PT ou outra empresa qualquer resistir às eventuais OPAs, declaradas ou sorrateiras, é velar pela sua própria eficácia produtiva, solidez financeira e transparência nas decisões estratégicas. Negócios e truques de saguão, como os que vão afundar a Cimpor, é o caminho mais curto para o desastre.

Os que pensam que as golden shares são uma apólice de seguro contra a incompetência são os principais coveiros do nosso desenvolvimento.