
Peso as minhas palavras ( que, diga-se de passagem, são mais leves que o ar; ainda ontem botei as consoantes todas na balança que a Zulmira utiliza para os bolos e o fiel nem se mexeu): os discursos de fim-de-noite eleitoral dos candidatos a Chefe Soprano das Forças Armadas foram mais deslavados que a ladainha que a minha cunhada entoa no fim do Terço.
Então aquela de que o eleitor derrotou a calúnia, parecia chá requentado no micro-ondas de uma confeitaria de Felgueiras. E em vez de açúcar, meteram-lhe um Canderel quando falaram em ‘vitória expressiva’. Dizem que vai ser mais activo na próxima rodada? Oh messa! É caso para perguntar o que lhe faltou para ser activo no primeiro serviço, mas nestas coisas quem sabe é a patroa que me está sempre a chamar a atenção: o refugado deve ir duas vezes ao lume.
Não, não houve chama nenhuma. Um arrastar soporífico de números e palpites. Ele aparece cada um a teorizar e a explicar que um tipo até sente uma azia a subir-lhe à garganta e nem um palavrão consegue dizer. Uns deles estão mais envelhecidos, outros mais gordinhos, alguns com menos cabelo ou mais esbranquiçados, mas reconheçamos que vêm todos, excepto talvez o Maltês, com ar lavado e penteado, e falam, falam, e falam ainda.
Desta feita a Zulmira não precisou de me chamar. Ainda era Domingo quando entrei nos lençóis e sabem que mais? Até me esqueci de tomar a tisana verde e afinal dormi como um santinho. Valha isso.

