Sábado, Março 07, 2009

A nossa justiça



No Blasfémias descobri que afinal o portuga que vive em França, tem a 4º classe e traduziu jogos do Magalhães também é Juiz.

O Magalhães do Carvalho


O "nosso" António José Barros (AJB) tem "atirado" sucessivamente sobre o José Paulo Carvalho (JPC) e o lugar de deputado que ele não "devolveu". No último post sobre o tema, lembrou uma entrevista do ex-deputado do cds ao DN em que este dizia "que só largaria o cargo se sentisse que não era útil" (cito de cor por isso admito erros). E AJB escrevia que o tempo se encarregara de demonstrar da inutilidade da presença de JPC. Pois hoje o Expresso prova que AJB falou cedo demais e que JPC até foi útil. A "prova" é os erros de Português que o Magalhães tem nos seus jogos e que JPC descobriu e questionou o governo sobre isso. A tradução foi feita por um voluntarioso portuga radicado em França e que tem apenas a 4º classe. E o Ministério da Educação não viu, o Sócrates não quer saber e a JPSá Couto utilizou sem o testar. E assim se educam as nossas crianças. Por isso espero que os 2 Magalhães que acabei de pagar me cheguem já limpos destas bestialidades. E agradeço ao JPC ter visto o que ninguém viu.

3 Quadras ao gosto popular


(Fernando Pessoa)

1

Maria, se eu te chamar,
Maria, vem cá dizer
Que não podes cá chegar.
Assim te consigo ver.

2
Tens um anel imitado
Mas vais contente de o ter.
Que importa o falsificado
Se é verdadeiro o prazer.

3

Vi-te dizer um adeus
A alguém que se despedia,
E quase implorei dos céus
Que eu partisse qualquer dia.


douro

Sexta-feira, Março 06, 2009

Gente de têmpera


A Wyeth Pharmaceuticals foi condenada na Quarta-feira a pagar uma indemnização de quase 7 milhões de dólares a uma pianista, Diana Levine, que se injectara no braço com Phenergan anti-náusea.

A injecção atingiu uma artéria, provocando uma gangrena cujas complicações ulteriores levariam à amputação do braço. O medicamento estava e está devidamente legalizado nos Estados Unidos, mas o Supremo Tribunal considerou que o folheto informativo não alertava suficientemente para o risco de um tal acidente.

Diana Levine continua a tocar piano, mas agora a uma só mão.

Uma história semelhante ocorreu com Paul Wittgenstein, o irmão mais velho de Ludwig, o filósofo. Paul era também um pianista em início de carreira quando partiu para a guerra de 14-18. Levou com um tiro no braço direito que acabaria por ser amputado, mas decidiu que havia de continuar a tocar piano.

Inventou uma técnica própria, aliando a sua extrema agilidade esquerdina a uma especial utilização dos pedais, o que lhe permitia tocar uma peça de Chopin para gáudio de auditórios admirativos. Mais tarde viria a encomendar composições de piano para mão esquerda a Hindemith, Prokofief, Briten, Strauss e Ravel.

Paul não pediu 7 milhões a ninguém (mas também não precisava, pois herdou uma fortuna colossal, a que o Ludwig renunciou). Eram outros tempos, mas era gente de têmpera.

Está tudo contado naquele livro da foto. Achei-o fascinante, mas hesito em recomendá-lo a almas sensíveis.

douro

Quinta-feira, Março 05, 2009

Falar claro e com verdade


Há semanas, o presidente da Câmara de Vila do Conde anunciava que andava por ali um investidor alemão interessado em pegar na Qimonda e que ele ia informar do facto o Ministro da Economia. Este diria, dias depois, que não havia nada em concreto.

É louvável a preocupação do Eng° Mário Almeida, mas depois do fiasco em Dezembro da montagem financeira entre o Land de Saxe e vários bancos para salvar a empresa, os trabalhadores da Qimonda dispensam concerteza o amadorismo entusiasmado dos que só espalham ilusões e semeiam frustração.

A indústria dos semi-condutores e circuitos integrados está num caos indescritível:
A Spansion, a maior produtora mundial de chips-memória para telemóveis e para automóveis, abriu falência no último fim-de-semana. A Micron pôs em Outubro 3000 empregados em lay-off e acaba de anunciar 2000 despedimentos. Entretanto, a Intel, a AMD e a Nvidia, que produzem chips para computadores, sofrem baixas dramáticas de vendas devido à diminuição da procura tanto de desktops como de lagtops ( menos 19% em Janeiro na H-Packard e menos 27%na Dell).

O mercado está saturado de chips-memória, os preços fundiram (só em 2008 baixaram 60%), os investimentos para novos produtos dispararam e o crédito está indisponível por falta de garantias. Perante uma tal conjuntura, também não ajuda nada que haja muitas dúvidas sobre a oportunidade comercial do DDR3, o mais recente produto-farol da Qimonda.

É evidente que, apesar da redução da procura, continuará a haver em 2009 um mercado importante para os circuitos integrados, mas todo o sector, que já estava em sobreprodução antes da crise, vai ter de passar por uma dolorosíssima reestruturação.

Oxalá a Qimonda de Vila do Conde reencontre um futuro.
Mas é preciso falar com verdade e ter os pés assentes na terra.

douro

Crise e calendário eleitoral

O governo não toma as medidas que a crise exige, porque teme as eleições. As eleições estão programadas lá para o final do ano. Entretanto o estado do País degrada-se de forma muito preocupante.

Resta a Sócrates, no interesse do País, provocar eleições antecipadas, formar um governo, e começar já a enfrentar a crise. Como sugere o Dr. Silva Lopes.

Ou me engano muito ou vem aí um Inverno rigoroso. E é já em Agosto.

Alexandre Soares dos Santos

Em momentos de crise e dúvida nada melhor do que ouvir Senhores. E sem dúvida que Alexandre Soares dos Santos pertence ao restrito lote de grandes empresários Portugueses. Claramente já extravasou as nossas fronteiras como o prova, por exemplo, os negócios na Polónia. Mais recentemente tem sido noticia pela positiva:
- criação de uma fundação para ajudar a compreender Portugal
- que não haveria despedimentos no seu grupo onde emprega 2400 pessoas

e hoje na SIC Noticias dava gosto ouvi-lo. Solto, pausadamente como o fazem os sábios, mas acima de tudo bem acutilante nas frases curtas mas directas:
- no BPN só o Banco Central é que não conhecia o que se passava
- o BPP foi a jogo e perdeu
- os sindicatos portugueses são de fricção e não de colaboração
- os tempos deveriam fazer com que o parlamento e os partidos discutissem os grandes temas e não os casamentos, as adopções ou outros temas menos oportunos
- a CGD deveria apoiar empresas e não emprestar dinheiro para jogos de poder
- a oposição de esquerda enerva-o e preocupa-o (foi a única altura em que se enervou)
- portugal mudou vezes demais de ministros das finanças, da economia e da educação
- portugal precisa de uma maioria absoluta no governo e não de crises governamentais


Era preciso que outros como ele falassem. Falassem e fossem exemplos admirados e não os que com "chico-espertices" ganham um gel novo na cabeça e uns fatos com melhor corte e são vistos como exemplos a seguir.

Portugal precisa, como Alexandre Soares dos Santos referiu, de empresários que façam por Portugal o seu melhor. Criando riqueza, fomentando o desenvolvimento e apostando na educação. Mas não abundam por aí.

Rir é o melhor remédio

Mitos


Damos por certas , coisas que o não são. Pensamos conhecer assuntos e afinal ignoramos a verdade porque alguém , algures, em algum momento, lhe acrescentou um ponto ou lhe retirou um elemento e assim consolidou uma asneira , que é o que as meias-verdades são sempre. E a asneira ou inverdade transforma-se com o tempo , que lhe dá uma patine, que lhe empresta uma credibilidade e... pronto, entra no nosso património do 'conhecimento' embora seja moeda falsa. Mas como tem valor de mercado, a gente troca-a sem se dar conta sequer de que aquilo é apenas um mito, uma lenda, uma inverdade.

Estamos rodeados e entulhados em mitos. Proponho-me desmontar alguns e hoje começo pelo que reza que os algarismos e o nosso sistema numérico foram inventados pelos árabes. Em boa verdade, isso é inteiramente falso.

Os algarismos 0 a 9 vêem da Índia e o mito da sua origem árabe decorre do facto de terem sido conhecidos e a seguir utilisados por um 'árabe' ( se calhar nem sequer era árabe, mas apenas muçulmano) chamado Abu ‘Abd Allah Muhammad ibn Musa al-Khwarizmi, matemático e astrónomo que viveu no séc. IX na Ásia Cerntral ( nasceu algures no que hoje é o Uzbequistão). O seu mérito foi o de ter adoptado essa simbologia originária da Índia e que se viria a transmitir ao mundo ocidental através expansão do mundo islâmico.

O seu a seu dono!

douro

Quarta-feira, Março 04, 2009

Do cartão do cidadão

já não consta o estado civil.

A propósito da Guiné

Um canal de televisão passava em rodapé que uma missão da CPLP se iria encontrar com o Presidente Uterino...

Catástrofe

A propósito de uma falha de energia eléctrica que teve lugar ontem de madrugada, ao que penso, no hospital de Almada, discutia-se hoje de manhã na Antena 1, a segurança dos nossos estabelecimentos hospitalares e a sua preparação para enfrentar situações de catástrofe. Ora, o que se ouviu foi, no mínimo, assustador. Trinta por cento das unidades não dispõe de quaisquer planos de emergência, e os hospitais que têm planos de emergência obrigatórios não estão em condições de dar informação acerca do respectivo estado de aprovação, o que pode significar, na prática, que estão em rigoroso incumprimento da lei. Mais. Só sete hospitais em todo o país dispõem de plano avalizado pelos bombeiros ou pela protecção civil. Mas o fórum deu alguma tranquilidade ao ouvinte em alguns aspectos. Ficou a saber, por exemplo, que havia algures no nosso Portugal uma enfermaria inteira cujo acesso era garantido exclusivamente por um elevador, o que podia dar algumas complicações em caso de incêndio ou catástrofe, mas que agora já dispõe de outros meios de evacuação e de acesso....CÉUS!!

Terça-feira, Março 03, 2009

PORTUGAL NA CHACOTA DA EUROPA

Vejam bem até onde vai a patetice dos nossos Governantes e que deu origem a esta noticia no Le Figaro


http://www.lefigaro.fr/flash-actu/2009/03/03/01011-20090303FILWWW00328-le-portugal-n-a-pas-besoin-d-aides-de-l-ue.php
www.lefigaro.fr



Já não lhes chega andarem a mentir aos Portugueses ainda têm de nos ridicularizar perante o mundo.Afinal de contas que patetice é esta?

Tá gente!


Mão amiga demonstrou-me que esta ideia de cobrar a utilização dos lavabos nos aviões da Ryanair se inspira seguramente numa das mais célebres frases de Deng Xiao Ping (ou Teng Siao Ping), preocupado com a penúria de toilettes na China de então.

Essa frase, que se transformou (acreditem que é verdade) na primeira palavra de ordem de lançamento da campanha de modernização na República Popular da China, reza assim:

"Todos os que ocupam as retretes, mas não sabem como cagar nelas, devem sair cá para fora e ceder o lugar aos outros".

douro

Mário Crespo

Mário Crespo vive possivelmente o seu melhor momento de jornalista. Na televisão e nas crónicas no JN. A sua independência e análise das "coisas" são um sinal de esperança neste Portugal atolado na mediocridade. Basta ler a sua última crónica no JN e em especial este parágrafo:

Enquanto Oliveira e Costa se mantiver calado está seguro na zona dos privilegiados da prisão dos ricos. Quando falar (e ele acabará por falar), provavelmente, cai o regime. É materialmente impossível ser ele o único responsável pela infinita complexidade das urdiduras financeiras nos Second Lives do BPN e da SLN. Logo, ao assumir toda a culpa, Oliveira e Costa mente e encobre. Pelos montantes envolvidos ele não pode ter sido o único beneficiário dos dinheiros que saltaram continentes, vindos sabe-se lá de onde para a maior operação de Dry Clean na história de Portugal, e foram parar…sabe-se lá onde. O certo é que se traduziram em compras de poder e de influência que conseguem transtornar o normal funcionamento das instituições. O problema não é da justiça.


Mais Mários Crespos houvesse e esperança não era palavra vã.

Chão que deu uvas



Vicente Moura foi eleito pela quarta vez para dirigir o Comité Olimpico Português. Em lista única. Estas unanimidades cheiram-me sempre mal. Após os jogos olimpicos de Pequim, e das suas vergonhosas declarações, apareceram vários nomes como possiveis candidatos. Mas em Portugal não há coragem para apresentar candidaturas. A podridão do sistema leva a que se façam pontes e equilibrios para que os mesmos não percam o poder que conquistaram. Assim sendo, o homem tem que escrever na lei o que não consegue fazer por si mesmo, criando mecanismos de limitação de poder. Devia passar a fazer parte da Constituição da República. Lá nos veriamos livres de uma série de figuras da nossa vida, seja ela desportiva, politica ou associativa.

Só que o problema está no facto de fazer leis quem delas vai beneficiar.

Segunda-feira, Março 02, 2009

Cui bono?


O "Expresso" de 22 de Fevereiro contava que o DIAP do Porto notificou o advogado Artur Anselmo de Castro para uma determinada diligência judicial. Acontece que o Dr. Anselmo de Castro morreu há 24 anos.

O DIAP justifica-se dizendo que não foi avisado da morte do advogado. Admitamo-lo.
Mas então notifica-o para quê? Para diligências numa queixa de há mais de 25 anos e em que só agora o DIAP está a fazer diligências.

Ainda não se sabe se os queixosos também já morreram, mas tudo é possível.


douro

Pudera


Encontrado morto o macho do único casal de águia-imperial que nidificou no país.

As contas do futebol





As noticias de hoje não são animadoras para a economia do futebol nacional. FCPorto, Sporting e Benfica com contas em vermelho. Cada vez menos espectadores nos estádios. Jogos menos interessantes e mais transmissões televisivas. Daí menos gentes nos estádios, jogos menos emotivos. Daí a televisão ir perdendo telespectadores e daí pagar menos aos clubes e aumentar os prejuízos dos clubes de futebol.

A solução não é de via única, mas estou em crer que tem que começar por algum lado. Já aqui escrevi que deveria haver limitação de ordenados, tal como na NBA, que permitam equilibrar as contas dos clubes.

A escolha da imagem deste post não é inocente, pois a decisão tem que ser tomada a nível europeu e por acordo dos principais campeonatos. Mas nós por cá deveriamos dar o primeiro passo e a Liga dar o exemplo obrigando os clubes a cumprir os orçamentos que apresentam. Bem sei que não haveria campeonato este ano, mas poderia ser a salvação no futuro.

Africa

Os pobres dos países ricos, já para não falar dos ricos dos países ricos, contentam-se bem com o mal dos outros. Para dormirem descansados, basta-lhes a ideia de que eleições são sinónimo de democracia. E, sobretudo (mas não só) em África, eleições são quase sempre sinónimo de ditadura.

Frase avisada de um conhecedor da politica africana. Orlando Castro no Alto Hama.

Voto Roubado (V): A hora da prometida análise por José Paulo Carvalho

Já se passaram quase 3 meses desde que o deputado “não inscrito” José Paulo Carvalho levou para a cadeira e gabinete dele na Assembleia da República o meu voto!

Passado este tempo e indo ao encontro do que ele afirmou numa entrevista ao DN que a sua opção “era discutível” até para ele próprio e que “só fará sentido continuar se for para ter um papel e uma intervenção relevante, nomeadamente na área da Educação” e “ se chegar a meados de Fevereiro e constatar que sozinho é impossível… que o trabalho não tem reflexos nem no Parlamento nem no exterior, é óbvio que não vou ficar”.

Fevereiro terminou e está na altura dessa análise Pois cá estamos na hora da reflexão, e não há dúvida nenhuma sobre a visibilidade de José Paulo Carvalho neste últimos meses. E como José Paulo Carvalho é um homem sério, defensor da família, da palavra e do bom carácter, e que não viola jamais a sua consciência (motivo que o levou a passar a independente), está na altura de concluir o que ainda duvidava:

1) Sozinho foi impossível;
2) O seu trabalho não tem reflexos nem no Parlamento nem no exterior;
3) Não tem, nem teve, uma intervenção relevante na área da Educação (aliás, num debate muito importante na Assembleia da República sobre avaliação dos professores ele não falou, não teve posição, enfim, a avaliação dos professores foi certamente um tema fora da sua agenda política).

Desta forma, ele que não é “agarrado” ao lugar de deputado, que honra a sua palavra, vai certamente este mês marcar uma nova conferência de imprensa a anunciar o que prometeu, ou seja: “ se chegar a meados de Fevereiro e constatar que sozinho é impossível… que o trabalho não tem reflexos nem no Parlamento nem no exterior, é óbvio que não vou ficar”.

ressaca da segunda


O fim-de-semana foi profícuo em reuniões magnas:

1.Houve a cimeira da Asean que, como era de esperar, terminou com umas promessas genéricas de “...Vamos fazer todos os possíveis para não cairmos no proteccionismo”.
Pois, pois..., Cuidado com o degrau.

2.Em Bruxelas, os 27 membros da União Europeia reuniram-se para almoço no
Domingo, com o claro objectivo de mostrar ao mundo que a Europa está viva e faz
coisas. A Comissão ofereceu o aperitivo: a sua luz verde para o plano francês de ajudas à Renault e à Citröen-Peugeot. O Sarkozy terá dito ao Topolanek, o checo:
“Passe-moi le sel”.

Sabendo do que a casa gasta, Tusk, o polaco, reuniu prèviamente com os 9 colegas de leste, um gesto simpático para verificar se tinham todos os mesmos palitos. O caddy participou. E viva a União!

3.Em Espinho houve um chorrilho de discursos que, como se sabe, é um mero
movimento de ar através de cordas vocais. Tanto sôpro deu em apagão, claro. Mil e tal pessoas numa missa cujo verdadeiro prato “forte” foi a revelação apoteótica do seguinte fantástico e moderno programa político: “O Vital connosco!”.
Queriam lagosta, não? É a crise, meu.


douro