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quinta-feira, abril 02, 2009

Reinserção em tempos de crise


A crise trouxe para cima da mesa assuntos que até aqui passavam relativamente despercebidos. Por exemplo, os bónus e as indemnizações de rescisão de 'fat cats' de empresas que eles próprios tinham arruinado. E, muitas vezes, à custa de dinheiros públicos, se faz favor.

Ora, vale a pena virar também as luzes para as regras que os membros da Comissão Europeia se aplicam a si próprios no momento da partida.

Constata-se, então, que existe um regime curioso que atribui a cada membro da Comissão Europeia que deixe essas funções uma chamada "indemnização de reinserção" que varia entre 45% e 65% do seu salário, e isto durante 3 anos.

Da actual Comissão, já se foram embora o Peter Mandelson (para assumir o cargo de ministro do Comércio no governo de Gordon Brown), o Franco Fratini (para assumir a pasta dos Negócios Estrangeiros no governo de Berlusconi) e Markos Kyprianou ( para funções governamentais em Chipre). Vejam aqui.

A que título, então, recebem estes senhores durante 3 anos cerca de metade do seu salário de 20.000 euros de Comissário? Reinserção? Por terem saído de Bruxelas numa Sexta para serem ministros na Segunda?

Parece que há mais 5 membros da actual Comissão que já fazem as malas para saírem antes do fim do mandato directamente para postos nos seus países de origem. Mostrem lá os envelopes.

quinta-feira, março 26, 2009

Abram as janelas!


A Fundação Eng° António de Almeida tem sede no Porto e passa por ser uma das principais fundações do burgo, senão mesmo do norte do país.

A Fundação tem um site na net. Ao que parece, o site está escrito em 4 idiomas, embora eu tenha dúvidas, ao verificar a qualidade das versões, sobre a que línguas estrangeiras se refere. Adiante.

Vale a pena conhecer o site. É, a meu ver, um óptimo exemplo pela negativa. Porquê? Ora vejamos:

a) Nada sobre os fins da fundação; nada sobre os seus estatutos, objectivos ou preocupações;
b) Nada sobre um eventual plano de actividades a curto, médio ou longo prazo, excepção feita ao calendário de utilização das salas no mês em curso;
c) Nada sobre o seu organigrama, os seus corpos directivos, o seu pessoal, excepção feita à indicação do seu presidente;
d) Nada sobre as suas contas, as suas receitas, as suas despesas, o seu orçamento e eventuais subsídios;
e) Percebe-se que distribui prémios (178?), mas nada sobre quem os recebeu, quando os recebeu, nada sobre o que serão os ditos prémios (bolsas, passes?);
f) A lista de publicações inclui cento e tal obras da mais variada e desencontrada índole, de que se desconhecem as datas e os preços; quanto às 3 revistas que menciona, devem ter-se finado há muitos anos, com o escudo.

Tudo em branco, portanto, ou seja a mais completa opacidade, a não ser talvez a mensagem subliminar e implícita de “circulem que não há nada a ver” ou “não nos chateiem”.

De interesse, fica-se a saber que, entre outros eventos para Março, vai haver uma acção de formação para transformar executivos em lideres, bem como uma outra acção de formação de técnicos de apoio à vítima (“novas oportunidades”?). Se calhar são dirigidas para os da casa. Mais valia darem cursos de pin-pong chinês.

Em resumo, a Fundação Eng° António de Almeida aluga salas.
Está visto. Tanto mais que, como diz na página de entrada, está num local privilegiado, perto das auto-estradas e tem bom parqueamento. Confirme na planta.

O Eng° António de Almeida merecia melhor, muito melhor.