sexta-feira, julho 31, 2009

A gripe dos outros

O Ministro da Saúde da Grécia, Dimitris Avramopoulos, acaba de anunciar que toda a população residente na Grécia (cerca de 11 milhões e até hoje 700 infectados) serão vacinados contra a gripe A.

Foge Vital , ou os riscos do TGV

quinta-feira, julho 30, 2009

Felgueiras

Desconfio que vamos ter a D. Fátima por mais uns tempos. E já agora com uma acção a exigir uma indemnização ao Estado, why not?
O que se apurou é que foram 2 milhões e tal dos cofres da Câmara para o clube de futebol, mas daí para a frente não aconteceu nada de mal e pronto, muito gosto em tê-la conhecido minha senhora e vá à sua vida mas tenha cuidado com os plebeus, que a senhora é muito nobre. Já agora, desculpe, qual é o seu cabeleireiro? É que a minha Zulmira sempre que a vê me diz para eu averiguar isso, que ela também quer um penteado assim.

Bom, que se segue? Prendem-se os tipos do Ministério Público? Ou ficamos todos órfãos?

A serpente


A serpente tem uma curiosa ambivalência icónica.

Na descrição bíblica, a serpente surge associada ao Mal e ao pecado. Foi a serpente quem deu origem ao primeiro pecado (o original), e por isso foi amaldiçoada entre todos os animais e condenada a rastejar.

A serpente, por outro lado, surge com frequência associada ao Conhecimento. Aliás, também na tradição bíblica, é a serpente que sugere o primeiro acto verdadeiramente científico: a experiência.


A serpente, nomeadamente quando representada a morder a própria cauda (o ouroboros), sugere a ideia de eterno retorno, do dia a seguir à noite, de renovação permanente do conhecimento. Por isso o novo símbolo de Coimbra, a Cidade do Conhecimento, uma notável criação de Francisco Providência.




A representação simbólica da Farmácia corresponde a uma taça com a serpente nela enrolada, representação com origens na mitologia grega.





Também com origem na mitologia grega surge a representação da Medicina: uma serpente enrolada num bastão (embora, ao que parece, se discuta também como válida a representação através de duas serpentes enroladas num bastão, em atitude amistosa).


Quando foi noticiada a hipótese de sabotagem de medicamentos na farmácia do Hospital de Santa Maria lembrei-me da serpente.

Espero que tudo se resolva.

Já chega

O drama dos doentes do Santa Maria que cegaram por incúria ou erro aflige-nos a todos. Mas por favor, poupem-nos aquelas constantes imagens de olhos a serem picados e trespassados e cortados e arreganhados.
Há muitos tele-espectadores que não aguentam isso. Já chega de nos torturarem.
Começo a ter medo de ir ao oftalmologista.

quarta-feira, julho 29, 2009

A cor do silêncio

Òleo de Manuel Amado, "Hall de entrada" - 1991

Na Morte de Merce Cunningham

Merce Cunningham esteve duas vezes no Porto. A primeira, em 1966, no Cine-Teatro Vale Formoso. A segunda, em 2001 no Rivoli-Teatro Municipal. Merce Cunningham morreu. O Vale Formoso e o Rivoli também.

Portugal no estrangeiro

Portugal tem embaixadores em 76 países.
Faz-se igualmente representar, a título permanente e residente, junto de várias organizações internacionais e de outras entidades, num total de 10 Missões.

Somam-se a isto 51 Consulados, 6 dos quais têm ainda antenas suplementares noutra cidade.
Confirme-se com esta lista do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Custa-me a compreender o que nos leva a ter embaixada em países como a Etiópia, o Paquistão, a Nigéria ou a Coreia do Sul. Mas se existe alguma razão imperiosa que nos obriga a ali manter uma embaixada, nada obstaria, penso eu, a que essa representação fosse acumulada pelo embaixador geograficamente mais próximo, o que além de ser uma prática corrente no mundo diplomático, entretinha alguns dos nossos embaixadores que devem morrer de tédio a dar voltas aos dedos.

Enfim, numa palavra, desconfio da racionalidade política, financeira e comercial deste estado de coisas, mas não tenho seguramente toda a informação para poder formular juízos definitivos.

Reparo, contudo, que o avanço tecnológico tão referido pelos actuais governantes tem fraca expressão nessa rede diplomática e consular: apenas 16 embaixadas e o Consulado em S. Paulo têm página na Internet. E mesmo estas têm por vezes o seu caricato, dada a manifesta desactualização da informação disponível: já referi o exemplo da página económica do site de Madrid mas posso dizer o mesmo da página económica do site de Brasília.

Hei-de voltar a este tema.

Os velhos ibéricos

Óleo de Honore Daumier, "Os dois advogados" - 1862
José Saramago ganhou ontem um novo aliado para a sua ideia "Ibéria": Ricardo Salgado, o patrão do Banco Espírito Santo.
Convenhamos que se trata de uma convergência curiosa: o chefe do banco que acaba de ser condenado em Espanha ao pagamento de uma pesada indemnização por práticas irregulares, junta a sua voz à do escritor das Canárias no obscuro projecto de diluição do país numa federação ibérica.
E com esta flor na lapela: Salgado quer o TGV, já.

Cada vez aprecio mais o Fernando Ulrich do BPI. E pergunto-me: que cadáveres estarão a ser descobertos pela equipe do Banco de Portugal nos armários do BES?

terça-feira, julho 28, 2009

Homem do Leme tem bandeira azul????

Vi ontem na televisão o Rui Rio e mais uns quantos com grande felicidade a verem ser desfraldada a bandeira azul na praia do Homem do Leme.

Para quem, como eu, não se deixou enganar por aquela noticia e conhece bem e desde pequeno as praias do Porto e aquela em particular,

importa dizer:


1- Rui Rio e os seus familiares não frequentam a praia do Homem do Leme;

2- Os Vereadores que lá estavam presentes também não frequentam aquela praia nem deixam os seus filhos frequentar aquela praia;

3- Rui Rio e demais Vereadores sabiam que estavam a fazer teatro (e que bons actores eles são);

4- Rui Rio e demais Vereadores sabem que durante estes anos podiam ter feito (mas não fizeram) um enorme trabalho em prol da qualidade ambiental das praias do Porto;

5- Rui Rio e demais Vereadores sabem que fizeram alguma coisa por isso mas que é manifestamente insuficiente;

6- Rui Rio e demais Vereadores sabem que o dinheiro gasto nas corridas de carros e aviões podia ter sido usado na melhoria da qualidade ambiental daquelas praias.

7- Rui Rio e demais Vereadores estavam preocupados era em fazer campanha;

8- A campanha promete atirar muita areia para os olhos dos eleitores que só espero tenham a paciência e o discernimento de ver para além das tempestades de areia.

a bem da Nação!!!

Para que serve um governador civil?


Há uns tempos atrás, que é como quem diz há uns anos, falou-se vagamente em acabar com a função dos "governadores civis". Não me lembro de como esse assunto desapareceu de cima da mesa mas talvez valha a pena recolocá-lo, até porque em vésperas de eleições está ali uma catrefa de postos a redistribuir ou a acenar a umas "Joanas" que alindem as listas.

Partilho a opinião de que nos tempos modernos e de comunicações fáceis, a função de representante do Ministro do Interior a nível local não tem mais razão de ser. E assim se recuperavam instalações que podiam ter mais utilidade, se poupavam verbas que podiam ter melhor destino, emagrecia-se um Estado obeso e despoluía-se esse cadinho de conivências em que se transformou a nomeação dos ditos governadores.


Foto de Tina Modotti, "Hands of the puppeteer"-1929
E, talvez ainda mais interessante, preparava-se o terreno para o debate sobre a regionalização.

Isto vale uma missa?

segunda-feira, julho 27, 2009

Amigos ou inimigos? Amigos. Como sabes? Vêm todos juntos.

Óleo de George Bellows, "Stag at Sharkey's" - 1909

Não acredito na influência eleitoral dos nóveis blogues partidariamente alinhados e de bandeira à porta. São epifenómenos da campanha eleitoral que servem, concedo, para manter em tensão um lote de apaniguados e, talvez, para exibir uma lista de nomes.
Se ajudarem a clarificar os programas e as opções, tanto melhor, mas desconfio que vão ser ringues de pugilato e concursos de frases de belo efeito.
Gostava de me enganar.

Este "Nortadas" goza de uma certa imagem de navegar em águas pêpistas e, contudo, aceita um iconoclasta como eu e tem, julgo, outros apátridas políticos (quiçá transitoriamente) que pensam pela sua cabeça e não opinam por encomenda. E cada um é livre de dizer o que lhe vai na alma.
Gostava de não me enganar.

Bandeira Azul (Angola)


Rua Direita


Está oficialmente inaugurada a Rua Direita. Sem foguetes e sem bombos, mas com uma "Toponímia" que promete reunir CDS'S sejam eles "habitués" do Caldas, militantes encartados ou apenas votantes secretos. O denominador comum é lutar contra um centrão de ideias. Parece-me bem.

Madeira aos tiros


O tiro no Zepelim do PND da Madeira (e que fosse num do PS ou do MMS ou do MRPP ou do grupo de amigos da minhoca) devia ser um estrondo enorme nos ouvidos de todos os democratas.

O balão, ao que parece, tinha todas as autorizações legais, o que aliás paralisou as tentativas dos guardas policiais e florestais de o impedirem de subir. Vai daí, puxa-se da carabina e fura-se o zepelim.

Se alguém tinha dúvidas do que é o "combate" jardineiro contra as ideologias fascista e comunista, essas dúvidas ficaram com certeza também estilhaçadas com estes zagalotes.

Bem avisada esteve a Manuela Ferreira Leite em ter previamente adoecido. Poupou os seus tímpanos. Mas os meus, que estou a milhares de quilómetros, ainda sofrem. E os seus?

sábado, julho 25, 2009

Reorganização partidária

No editorial do último Grande Porto Manuel Queirós defendia a necessidade dos partidos politicos se reorganizarem tendo por base alguma lógica da organização territorial do país, sendo que esta também precisava de encontrar maior coerência entre si. Desde há muito que sinto a necessidade de haver uma reorganização no CDS, tendo defendido isso mesmo na moção que na altura subscrevi quando do XX congresso do CDS. (Não tão longe quanto gostaria mas o facto de ter sido a várias mãos a isso obrigou). E hoje mais do que nunca essa reorganização é fundamental. Só que os partidos tenderão a acompanhar o que o Estado fizer. Quanto ao CDS muito gostaria de o ver dar o primeiro passo. Ser pioneiro e assim partir na linha da frente. Acima de tudo a transmitir um sinal de que o caminho a seguir é mesmo o da regionalização. Só que ainda não é desta que o CDS será um partido a favor da regionalização. Mas que se deveria reorganizar é bem verdade.

Hoje a música é outra

Òleo de Norman Rockwell , "Shuffleton's Barbershop" - 1950

sexta-feira, julho 24, 2009

Porto, sempre

Foto de Stephanie Gilleron , "Porto - soirée d'été"

Efectivamente...

Viva a censura

O aparatoso 'site' da Câmara Municipal do Porto tem no activo uma sondagem cuja 'pérola perguntativa' é: "Concorda que a RTP censure as principais notícias sobre a Câmara do Porto?" O pressuposto inicial, ao contrário do que poderia parecer, não é que a RTP censura a Câmara do Porto. O pressuposto inicial é que a RTP é mais um órgão de comunicação social que, possivelmente não vislumbrando o alcance da bondade da gestão de Rui Rio, insiste em não tornar público aquilo que o presidente da Câmara considera publicável e de máximo interesse público. É pelo menos a terceira vez que Rio se considera publicamente como um dos melhores editores noticiosos do país - tendo pelos vistos falhado a vocação, uma vez que, que se saiba, não é editor de nenhum órgão de comunicação social (ou talvez seja da revista da câmara). Já sucedeu o mesmo com o Público e com o Jornal de Notícias. Rio, que tem a mania de insistir em que 'cada macaco esteja no seu galho', dá-lhe para estas coisas. É por isso que, desde aqui - e tal como eu próprio já fiz - apelo a todos para que vão ao 'site' da Câmara e votem 'sim' à descabelada pergunta (hoje somos 10%, amanhã seremos milhões).

Sem papas na língua


Fernando Ulrich, do BPI, salvou ontem a honra do convento ou, por outras palavras, disse o que mais nenhum banqueiro português ousou dizer até hoje sobre o caso BPP: trata-se de mais um falhanço clamoroso da supervisão e de uma trapalhada que este governo tem ampliado ao protelar a resolução do caso.

Ver pela rama


Nuno Rogeiro assina no Jornal de Notícias de hoje esta coluna.
Diz de sua justiça sobre o que se passa no Turquestão Oriental, vulgo Xinjiang, país dos Uigures, ocupado pelos chineses.

E presta um serviço inestimável às autoridades de Pequim: é tudo obra de uns "jihadistas" furiosos, manipulados pela al-Qaeda e cegos no seu fundamentalismo islâmico. O próprio Rogeiro falou com eles e percebeu tudo. Foi numa visita guiada a Guantánamo.

O Rogeiro nunca pôs os pés no Turquestão, como eu aliás, mas da sua poltrona lisboeta e dos seus livrinhos e fichas conseguiu resumir a situação: há ali dedo de Allah. Pequim vai concerteza convidá-lo brevemente, se alguém na embaixada chinesa se dispuser a dar por ele.

Estes escribas rápidos são um maná para os novos imperadores han.
E um alívio para os directores de jornais: enchem papel e não criam chatices com os poderosos.

quinta-feira, julho 23, 2009

O homem invisível existe, eu fotografei-o


Para variar, esta noite aconteceu outra descarga ilegal de efluentes suinícolas na Ribeira dos Milagres, concelho de Leiria. Não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira e, pelos vistos, não será a última vez que ali se comete mais um crime ambiental na total impunidade.

A gente de Leça e de Rio Tinto vê igualmente as respectivas ribeiras regularmente conspurcadas por crimes do mesmo tipo, mas Portugal é dos países europeus onde isso do ambiente é coisa para umas leis catitas cuja aplicação fica sempre adiada.

Aliás, com um ministro invisível como o actual, Nunes Correia, outra coisa não seria de esperar.

Um milhão de pobres na Região Norte


…é uma das conclusões do "Estudo sobre a Pobreza na Região Norte de Portugal", realizado pela Associação Nacional das PME.
Ou seja, onde em 2005 havia 693 mil pobres, hoje são 1 milhão. E isto apesar de terem sido disponibilizados, pela União Europeia, 7 mil milhões de euros entre 2000 e 2006 para a região.
Onde pára o dinheiro? Que entidades o geriram? A quem se pede contas?

Pelos vistos, não é apenas o nosso sistema judicial que se bulgariza, é também a máquina administrativa que se moldoviza.
Isto está bonito! Que bela medalha para pôr ao peito, senhor "engenheiro".

quarta-feira, julho 22, 2009

Está tudo previsto


Não se preocupem se tiverem de recorrer aos serviços de saúde do Hospital de Santa Maria.

Estão a ser preparados boletins de voto em braille.

Pede-se um mínimo de decoro

Está em curso o normal frenesim de formação das listas de candidatos às eleições legislativas.

aqui manifestei a opinião de que os eleitos na anterior legislatura que tenham abandonado a Assembleia da República para regressarem aos seus afazeres privados não têm autoridade política, moral e ética para se re-apresentarem em Setembro.

Fora com os vaselinas!

segunda-feira, julho 20, 2009

Vai rugir um dia?

Com um abraço ao Nuno Ramos e a toda a claque leonina

Boa viagem

Peca por tardia, depois de 8 meses a apanhar bonés.

Viva o Minho!

Aqui está uma iniciativa que, além de ter todo o mérito, ainda não caiu na parolice dos anglicismos.
Viva o Minho!

"I beg your pardon?"

Li no Diário de Notícias que a Estrutura de Missão do Douro (uma das ‘quinhentas’ estruturas burocráticas que sobrevoam o vale do Douro) vai promover as potencialidades da região, com recurso à marca “I Douro you”.

Eu já conhecia a publicação bimestral daquela Estrutura intitulada “Douro UP”( 5.000 exemplares gratuitos, a distribuir provavelmente nas salas de espera dos dentistas), em cujas páginas se dá conta, entre outras coisas, do ‘Sucesso UP’ e do ‘Énologo UP’ (sic) , que suponho querer dizer enólogo. Com tanto ‘UP’, pensei que o texto também estivesse disponível em inglês, mas não, está apenas em português sofrível, apesar destes ‘ups’ que, suponho, lhe dão modernidade e um ar machão (Veja aqui o n°4).

A fazer fé na notícia do DN, esta abencerragem do “I Douro you” é (agarrem-se à cadeira) uma “lovebrand” que resulta de um esforço conjunto do Turismo do Douro, do Museu do Douro e da Rota do Vinho do Porto. Tudo no âmbito do programa “Douro Vivo” (ou será ‘Douro Alive’?).

Cá para mim, acho que estas inteligências pensaram que aquilo do “Allgarve” merecia resposta nortenha, mas que fosse uma coisa à Pinho, mais consistente que aqueles ‘UPs’, e que mostrasse bem ao povo do sul que cá em cima também se fala inglês e do melhor, carago.

Quanto aos estrangeiros a quem a promoção se destina, nomeadamente os madrilenos e os parisienses, acho que vão sorrir com condescendência, desde que alguém lhes explique que aquilo não tem intenções maliciosas.

domingo, julho 19, 2009

Sonhar

1.

“Ayer soñé que veía
a Dios y que a Dios hablaba ;
y soñé que Dios me oía...
Después soñé que soñaba.”

2.

“Anoche soñé que oía
a Dios gritándome: Alerta!
Luego era Dios quien dormia,
y yo gritaba: Despierta!”

"Proverbios y Cantares" de António Machado in Campos de Castela
Foto de Madeleine Guenette

sábado, julho 18, 2009

Enquanto dura...

Há 4,6 mil milhões de anos que o sol brilha.
Ainda vai brilhar outros tantos. Mas chegará o momento em que se ‘apagará’.

Esse processo final começará por um aumento considerável da sua luminosidade e por uma enorme expansão (100 vezes mais) que chegará à órbita de Mercúrio. Nessa fase, que durará cerca de 1 milhão de anos, o sol produzirá tanta energia suplementar que a sua parte exterior expandir-se-à ainda mais de molde a atingir a órbita de Vénus e talvez mesmo a órbita da Terra. Atingirá assim a categoria de estrela vermelha gigante, fase que durará 500 milhões de anos.

Ficará então muito instável e irá perdendo, por falta de gravidade e por força dos ‘ventos cósmicos’, até 20% da sua massa exterior, indo progressivamente transformando-se numa névoa gazosa à medida que vai ejectando a sua matéria.

Hoje é a “Noite das estrelas”: apreciemo-las enquanto duram.
Um dia será tudo apenas um silêncio gélido e uma escuridão infinita.

Bom, e agora vou a Leça dar um mergulho: é uma maneira tão boa como outra qualquer de resistir. E com sorte, vejo um raio verde.

Que responderão os partidos

a isto?

E nós, como iremos responder?

Apelo à resistência



É o hino da Resistência francesa à invasão alemã. A voz é de Yves Montand.

Hoje em dia é preciso apelar ao espírito de resistência. Resistência à gripe e ao cansaço. Mas também aos totalitarismos e outras loucuras. Aos jardins, aos loureiros e aos sobreiros. Ao Lino, aos pinhos e outros que tais. Resistir.

E é como ele canta:

Ami, si tu tombes un ami sort de l'ombre à ta place

(hoje estou assim. Deve ser do Gurosan...)

FARC

Segundo o "El Pais" Jefe de las FARC asegura que la guerrilla financió a Correa
(http://www.elpais.com/articulo/internacional/jefe/FARC/asegura/guerrilla/financio/Correa/elpepuint/20090718elpepuint_2/Tes)

As FARC, organização de inspiração comunista, autoproclamada guerrilha revolucionária marxista-leninista, que opera mediante uso de métodos terroristas e de táticas de guerrilha Lutam pela implantação do socialismo (http://pt.wikipedia.org/wiki/FARC).

Não concordando com Alberto João Jardim, a presença de um grupo FARC, num stand de recrutamento na festa do Avante, do PC português, segundo foi noticiada há tempos revela que há medidas que devem ser tomadas.

OBRIGADO

Neste 18 de Julho queria agradecer a Deus estes anos de vida.

Parando e reflectindo, neste Verão, com este cheiro a terra, a campo minhoto, tenho muitas graças a dar a Deus. Aos meus Pais, Maria Ana, Joana e Madalena, Irmãos, Família e Amigos. A vida é bela!

Sei que não está na moda, que há sempre mais, mas só tenho uma palavra-Obrigado!

Bom fim de semana

sexta-feira, julho 17, 2009

A minha opinião

Amigo Ernesto podes manter-te calmamente por aqui. Poderia dizer que escrevi o post para te chamar à liça, poderia dizer que escrevi o post com excesso de sol na cabeça. Mas não. Escrevi o post apenas para defender que existem planos diferentes quando estão em confronto a direita e a esquerda. A esquerda extremista tem sempre direitos que a extrema direita não tem. A extrema esquerda é olhada com bonomia, e a extrema direita com desdém. A extrema esquerda são uns castiços, a extrema direita uns perseguidos. A extrema esquerda pode fazer humor nas suas campanhas coisa que à extrema direita está proibida. É permitido ao lider parlamentar comunista defender a coreia, mas cai o carmo e a trindade se alguém defender o Berlusconni.

Por princípio não gosto de proibiccionismos. Mas porque razão se proibe uns e não outros? Admito que o objectivo de Alberto João não seja proibir o comunismo, mas ir mais longe nos seus propósitos como defendem JAC e Ventanias em comentários ao post do Douro. Admito até que o homem o faça só para chatear, arte na qual é ele perito.

Mas volto ao principio do meu primeiro post: direita e esquerda.

Ar puro

Foto de Joel Meyerowitz, "The White Road" - 2002

Aguaceiro de Verão

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Outra opinião

O nosso amigo Carlos Furtado escreve num post abaixo que acha simpática a ideia avançada por Alberto João Jardim de proibir o comunismo, já que o fascismo também está proibido.

Eu acho que estes proibicionismos podem parecer simpáticos mas considero-os demagógicos e peregrinos. Pretender proibir ideologias, sejam elas quais forem, é uma impossibilidade óbvia que mais não pretende que perseguir os respectivos arautos. Estes podem prender-se, aquelas não.

Acho mais interessante que a Constituição defina com clareza as liberdades e os direitos inalienáveis dos cidadãos e daí decorrerá tudo o resto, ou seja, a ilegalidade de qualquer sistema ou regime político que as contrarie. Considero mesmo perigoso começarmos a proibir este ou aquele "ismo" e penso que muitas derrapagens anti-democráticas aconteceriam se cedêssemos a essa tentação proibicionista.

Para melhor ilustrar o meu sentir, adianto que não partilho a opinião de que se devem proibir certos símbolos, como por exemplo a cruz gamada, nem tampouco acho inteligente criminalizar o negacionismo sobre a Shoa. Posso compreender a preocupação de defender a verdade e de proteger os incautos, mas penso que em última análise tal desiderato se deve obter pelo confronto aberto e arejado de ideias e nunca pela declaração administrativa do que está certo ou errado. O disparate histórico ou científico estiola no debate mas a sua vitimização prolonga-lhe a vida.

Os vírus morrem ao sol, não à sombra.

Eleições a ferro e fogo

Vão ser muitas as disputas autárquicas, mas julgo que nenhuma outra está e será mais acesa do que a do Marco de Canaveses. Manuel Moreira pelo PSD, Artur Melo pelo PS, Norberto Soares que primeiro ia pelo PS e agora é independente e claro Avelino Ferreira Torres que vai como independente. Fico apenas à espera de conhecer o candidato do CDS ou será que vamos assobiar para o lado e apoiar encaputadamente o Avelino? Faremos essa vergonha? Fico à espera.
Mas voltando há disputa dos 4, sigo com atenção o blogue Marco 2009 onde o meu amigo Coutinho Ribeiro vai escrevendo com paixão. Mas aprecio também José Carlos Pereira, que não o conhecendo mas do qual tenho recolhido boas impressões, que assume claramente o seu propósito de não ver o Marco voltar há era Avelino. Interresante ver como um PSD, Coutinho, e um PS, Oliveira,se unem num único propósito: o Marco. O primeiro já assumiu a sua quota de responsabilidade e é mandatário de Manuel Moreira. O segundo como ficará? apenas pelos apelos no blogue? Sigamos os acontecimentos que a procissão ainda vai no adro. Pela minha parte, e conhecendo de perto o trabalho de Manuel Moreira, mas mais em particular o de António Coutinho na Assembleia Municipal com quem já colaborei, não tenho dúvidas do que é melhor para os marcoenses.


Nr: Agradeço e corrigi. Ao Pereira as minhas desculpas por lhe chamar Oliveira. Mas era pior se lhe chamasse Cruz.

Uma questão de semântica?

Alberto João Jardim quer que na próxima revisão a constituição da madeira proiba o comunismo como o faz com os sistemas totalitários de direita. Ou seja, Jardim considera o comunismo um sistema totalitário de esquerda. Eu também. Jardim diz no entanto que preferia que a constituição não fizesse referência a ideologias, mas já que refere a direita que refira a esquerda. Eu não, mas o problema é que os sistemas totalitários por norma borrifam-se nas constituições. Pois bem, tenho que concordar no essencial com o que diz Alberto João. É sempre o problema da direita, ou da esquerda. Ou seja, estamos habituados a crucificar quem defende Pinochet mas a assobiar para o lado com os que defendem Chavez. Queremos proibir os partidos de direita no Parlamento Europeu mas achamos folclóricos os esquerdistas radicais que por aí pululam. Aplaudimos quem lutou contra a ditadura mas nunca lembramos os que impediram uma ditadura de esquerda em Portugal.Por exemplo Palma Inácio preconizou e por ela lutou,e barbaramente com o seu LUAR, mas hoje é recordado apenas por ter sido um resistente antes do 25 de Abril, pois tudo o resto lhe é desculpado. Mas é tudo semântica ou sol na cabeça? porque raio a esquerda tem uma espécie de direitos adquiridos que não são permitidos à direita? Porque raio a direita tem sempre medo de usar as palavras como elas são e desfaz-se em jogos de semânticas e de cintura?
Acredito que, nestes e noutros assuntos, o importante é defender sem medo aquilo em que acreditamos. Proiba-se então o sistema totalitário do comunismo.

Sol na cabeça?

Para a praia nada melhor do que o i, pensei eu pela manha. Agrafado, formato simpático e reflexão feita compra executada. Mas o meu espanto era logo na capa: João Loureiro lado a lado com Harry Potter. O mágico que encanta milhões pelo mundo fora e o mágico que levou o Boavista do céu ao inferno. Interessante paralelismo este. Fiquei ainda mais curioso mas no entanto João Loureiro só falava dos Bans e do novo projecto. No entanto deixou escapar duas ou três frases. A primeira Por isso, com algum custo pessoal, não respondi a coisas que li a meu respeito. Porque a responder revelaria certas verdades. Por respeito ao momento do Boavista, prefiro não o fazer" é a habitual nestas situações ficando toda a gente à espera de revelações que nunca surgem. Agarrem-me se não eu bato-lhe. E a segunda, assassina para quem lhe tem prestado um serviço: "Enquanto fui presidente do Boavista tive sempre solução para todos os problemas."

O certo é que o problema do Boavista mantêm-se e João Loureiro vai dar-nos mais música.

quinta-feira, julho 16, 2009

Jardinadas


Socorro!



Se os irlandeses votarem novamente contra o Tratado de Lisboa, este casal não ocupará a futura presidência da União Europeia.
Caros irlandeses, salvem-nos deste pesadelo.









































quarta-feira, julho 15, 2009

As merecidas férias


Pois meus amigos, a partir de hoje o meu espirito é mais banhos de mar e de sol. O Barril espera-me como de costume. Por isso serei ou mais intermitente ou mais profícuo se o sol me bater bem na cabeça.

Momentos

Foto de Edward Weston - "Nude" 1936

Vinhateiros da 25° hora

Vasco Graça Moura assina no 'Diário de Notícias' a sua coluna de opinião que hoje dá pelo título "Suar as estopinhas" (aqui).

É a propósito da União Europeia. Diz coisas interessantes, entre as quais a seguinte:

"Uma Europa que se pretende, agora, mais viável através do Tratado de Lisboa, quando o certo é que este, se adoptado, vai abrir a porta ao directório dos mais fortes e das suas alianças pontuais, ao sabor das conveniências…"

É a primeira vez que 'ouço' este tom a VGM, apesar de ter sido euro-deputado durante dez anos. Nunca é tarde para se ficar mais sábio e só posso regozijar-me com a sua nova clarividência. Mas não lhe ficava mal reconhecer que andou anos a alinhar nas loas à Constituição da UE e ao Tratado de Lisboa e que isso foi um erro de que se penaliza.

De qualquer forma, que Deus lhe pague.

A TAAG e os vendedores de tapetes


A notícia passou de pantufas e desapareceu rapidinho para um qualquer canto esconso: a companhia aérea TAAG foi autorizada pela Comissão Europeia a retomar os voos para Portugal (10 voos semanais para Lisboa).

Mas atenção: a TAAG continua na lista negra da União Europeia e os seus aviões não podem voar para qualquer outro aeroporto da União.

Dito por outras palavras: a Comissão Europeia aceita que um avião da TAAG caia sobre Lisboa mas não aceita que caia sobre outra qualquer cidade europeia. Mais: a Comissão Europeia aceita que os passageiros embarcados em Lisboa (na sua maioria, angolanos e portugueses) corram riscos a que a mesma Comissão não quer sujeitar os outros cidadãos europeus.

Não sei se isto diz tudo, mas acho que diz muito daquilo em que se tornou a Comissão Barroso: uma feira de vendedores de tapetes, um lounge de mármore de fancaria onde se compram e vendem influências e se traficam favores.

terça-feira, julho 14, 2009

ELISA FERREIRA: A humilde gastadora


Numa crónica que escreveu no Jornal de Notícias, Elisa Ferreira revela que é “a favor de campanhas humildes, baratas (…) sobretudo agora que estamos em tempos de crise”.

Nesta sua saga biográfica afirma que “há um princípio que tenho por fundamental: na política, como em tudo na vida, é preciso ser-se credível. Para isso, há que aceitar que ‘ninguém pode ser quem não é! (…) ou seja, uma figura incompreensível”.

Mas, não se fica por aqui. Acusa Rui Rio do “auto-elogio” e de hastear a bandeira de uma campanha barata, questionando se “será porque escassa em cartazes? Mas serão de facto, assim tão escassos os enormes painéis cinzentos (…) que marcam todos os lugares estratégicos da cidade? Painéis que se somam aos de Manuel Ferreira Leite, aos de Rangel”.

A terminar assina como Eurodeputada.

Eu vivo no Porto, esta senhora em Bruxelas ou Estrasburgo.

Se bem me recordo, ainda não havia cartazes para as Eleições Europeias, e já tínhamos a cidade com um vírus de outdoors com a cara de Elisa Ferreira. Se bem me recordo, durante as Eleições Europeias, tínhamos uma dupla virose de Elisa Ferreira: a sua cara estampada nos cartazes dos candidatos europeus e da sua candidatura à CM Porto.

Para além disso, como pode ser ela uma figura tão compreensível, ao contrário do que acusa Rui Rio, se ela é duplamente candidata, será duplamente eleita (Eurodeputada e Vereadora), “ama” a sua cidade, quer prestar um serviço púbico ao município mas só no caso de a elegermos presidente.

Como pode ser ela uma figura tão compreensível, se gasta tanto ou mais que os outros, e depois afirma que ela é a poupadinha e os outros os gastadores.

Como pode ser ela uma figura tão compreensível, se quando era ministra era arrogante e autoritária e, actualmente, uma simpatia.

Como pode ser ela uma figura tão compreensível, se não abdica do seu grande ordenado em Bruxelas por uma grande causa, já que se apelida de tão humilde e poupada.
Como pode ser ela uma figura tão compreensível, se alerta para as múltiplas campanhas na rua do PSD (Ferreira Leite e Paulo Rangel) e não vê as centenas de cartazes de José Sócrates por toda a cidade.
Como pode ser ela uma figura tão compreensível, se Sócrates acabou com as candidaturas duplas, mas ela duplamente candidata.

Como pode ser ela uma figura tão compreensível, se escreve esta crónica sobre a sua candidatura ao Porto mas assina não como candidata mas como Eurodeputada.

Enfim, tenha moralidade e vergonha! Como não a tem, no próximo dia 11 de Outubro os portuenses vão dar-lha!

Maria José Azevedo: A rainha do Grande Porto

Apesar de já ter saído na sexta-feira, só ontem comprei o semanário Grande Porto.

Não sei se é o meu lado mais bairrista, mas sinceramente gosto do jornal e acho importante a sua existência, tal como o Porto Canal. Pelo menos, damos visibilidade às pessoas da nossa cidade e às suas opiniões.

No entanto, e nesta edição, o Grande Porto parece servir de jornal de campanha à candidata independente à Câmara Municipal de Valongo, Maria José Azevedo. Para além de lhe darem duas meias páginas, ainda teve direito a mais uma fotografia lançamento do semanário.

Depois, diz que a senhora foi a autora da proposta socialista que retirou ao presidente da CM Valongo as competências, quando ela o fez como vereadora independente, entre outras imprecisões benéficas para a candidata.

Já agora, aproveito para fazer uma “declaração de desinteresse”, visto que nada tenho a ver com Valongo, não tenho proximidade com nenhum candidato, nem sequer sou lá eleitor.
Estou curioso para a sondagem que o GP irá apresentar para Valongo…

Para comemorar o 14 de Julho


sugiro uma francesinha para o almoço.

Aqui há várias receitas, e algumas até levam Maizena...

Para sobremesa, um gelado de baunilha

Pecadilhos de Verão com uma pitada de Strauss

segunda-feira, julho 13, 2009

Um pormenor sobre o 'testamento vital'

A propósito da tal ideia do testamento vital, que parece ter sido retirada da agenda parlamentar, ouvi alguns responsáveis políticos (entre outros, Maria de Belém e Paulo Portas) referirem-se à noção de “encarniçamento” terapêutico.

A primeira vez que tal ouvi julguei que estavam a falar de um bife e veio-me a imagem de um cozinheiro, às voltas com um naco de carne mal passada, irritado e impaciente por esta resistir a se enfiar no espeto.

Finalmente percebi do que estavam a falar. Ora, eu acho que isso do “encarniçamento” é afinal uma tradução apressada e literal da noção francesa correspondente de acharnement thérapeutique. Em francês está perfeita e consagrada, mas em português o que se deve dizer é obstinação terapêutica.

Por favor, expliquem isso aos autores da proposta de lei quando e se ela voltar ao parlamento. Sei que sou um chato, mas não consigo deixar de pensar que as nossas leis devem ser escritas em português. Idiossincrasias minhas, claro.

Espetada de Lulas


Há 81 figurões com assento no Senado brasileiro.
Estes 81 senadores “precisam” de 10.000 (leu bem, dez mil) funcionários para os servir, assessorar, secretariar, conduzir, etc. e tal.

Só isto já diz muito do que ali se passa. O “Economist” de 11 de Julho chama-lhe a “Casa dos Horrores” e o jornal brasileiro “O Globo” dá hoje mais notícias (aqui) sobre o último escândalo envolvendo, nomeadamente, o seu presidente, José Sarney, que já foi presidente da república e que hoje é um aliado e um protegido do presidente Lula.

Um forrò!
Ou, como diria o já nosso conhecido Luis Carlos Prates (aqui), uns safados e uma orgia de gente que não tem vergonha na cara.

Juntas de freguesia por MFM

Maria Filomena Mónica é uma mulher interessante e inteligente. Atenta e de escrita fácil é lida e ouvida com atenção, por muitos e por mim inclusive. Só que por vezes, como os humanos, comete injustiças ao generalizar e isso aconteceu no artigo do dia 10 de Julho no i. Mas fica desde já convidada a vir assistir às Assembleias de Freguesia de Lordelo do Ouro,que são anuncidas, públicas e participadas. São de 3 em 3 meses é certo mas existem e o presidente sempre presta boass contas do que anda a fazer. Este humilde escriba assume ser o presidente da dita Assembleia. Com muita honra.

Grande Porto

Uma das coisas que sempre defendi foi a possibilidade/necessidade de os jornais, rádios e televisões fazerem a sua declaração de interesses. Isto claro se a tiverem. Em Portugal o único caso que me lembre de um jornal defender e assumir uma posição foi a Capital dirigida então pelo Luis Osório.

Por isso mesmo muito me agrada quando vejo um projecto editorial assumir-se e anunciar claramente que vai defender uma posição. E ainda mais me agrada que seja a Regionalização. É essa a batalha mais importante que os portugueses vão ter que travar nos próximos tempos.

O Grande Porto já era um duplo sinal de coragem, pois lançar um jornal não é fácil, lança-lo no Norte quase que diria ser um acto de loucura.

Esperemos agora que estes "loucos/corajosos" consigam arregimentar gentes nessa obra maior que é a regionalização.

Porto, Elisa e as trapalhadas socialistas


A vida não corre de feição para os lados do PS. A somar às dificuldades externas, leia-se crise, a rapaziada que tinha andado tão controladinha entrou em rota livre. São os erros de governo, as contradições dos ministros, os chifres do pinho e claro o resultado das europeias.

Mas o ponto mais dramático, ponto de vista socialista claro está, tem sido a candidatura de Elisa Ferreira à CMP. Durante anos foi apontada como a mulher de ferro para o Porto. Desejada pelos socialistas portuenses, conseguia ainda reunir a simpatia de alguns sectores da sociedade tripeira. Elisa Ferreira sempre recusou o desafio. E hoje deve estar arrependida de ter cedido aos pedidos que lhe fizeram. Mais ainda quando se sente no ar que o provérbio "o que torto começa, tarde ou nunca se endireita" encaixa plenamente neste filme.

E não precisamos de puxar muito pela cabeça para perceber bem o que está mal:
- uma concelhia que quer impor os seus nomes V uma candidata que quer distância dos nomes da concelhia

- uma candidata que teme em perder um emprego e por isso foi candidata primeiro ao Parlamento Europeu para segurar o "final de mês"

- e claro o final de festa socialista que se sente no ar como nunca

Elisa Ferreira vai cair do pedestal em que sempre se passeou. Falta saber o que vai acontecer a Orlando Soares Gaspar, presidente concelhio e perito na arte do tiro no pé, mais a mais agora que Sócrates veio cá puxar lhe com violência as orelhas.

domingo, julho 12, 2009

Corridas 2

Tal como o JGG andei pelas corridas. Este fim de semana e o anterior. E pude constatar que as gentes do Norte gostam de corridas de automóveis. Ou melhor dizendo, os Portugueses em geral são adeptos do desporto automóvel. Conhecem os nomes do pilotos, aplaudem as pericias na condução e claro que são mórbidos qb para gostarem das batidelas e de ver chapa amolgada.

E este circuito parece-me apertado e com poucas zonas para ultrapassagem. Isso sentiu-se no fim de semana passado com os carros do WTC que andavam claramente a baixo das suas potencialidades, ou este nas espectaculares corridas dos Clássicos mas que não proporcionaram muitas ultrapassagens apesar da pericia de Paes do Amaral (vencedor da primeira) de Carlos Barbot (vencedor da segunda) e de Joaquim Jorge verdadeiro Ás da condução.

Mas voltando ao gosto pelos automóveis, é incompreensível como se permite que não se tenha realizado o campeonato nacional de Karting, habitual escola de formação de pilotos, alegadamente por falta de verbas, mas se anda a patrocinar corridas em Espanha.

Espero ainda assim que as corridas voltem e que a cidade se volte encher de animação. E já agora que volte o troféu datsun, bem mais interessante que o troféu Uno, que nunca foram carros muito menos para corridas.

Corridas-1

Gostei da edição deste ano das corridas no Porto.
Torci quanto pude pelo corredor da família, mas não foi o suficiente.

20m bem passados




Benjamin Zander em Música e Paixão

Sugestão do Paulo, para quem vai um abraço

Nem 8, nem 80

Em Portugal, com a gripe A está a passar-se qualquer coisa que me parece um déjà vu: ao princípio, isso era com os outros, lá longe, e aqui um oásis; agora, cai o Carmo e a Trindade de cada vez que há notícias de mais 7 ou 10 infectados.

Os noticiários televisivos abrem com dez a quinze minutos sobre o assunto, o “Expresso” dá-lhe primeira página com a polémica sobre quem paga os salários dos doentes, e o resto da imprensa estica o tema, à falta, suponho, de mais uma menina em vias de adopção contestada ou de um novo arguido numa bronca em curso.

Confesso as minhas reservas sobre a nossa preparação para os cenários mais pessimistas e sou dos que não se sossegam com o tom pausado da Ministra, até porque acho que ainda há muita pergunta por responder. Mas começa a chatear o pendor alarmista que de repente se empresta à questão. Isto assim não vai a bom porto, como o prova o entupimento do correspondente serviço de informações.

Nem oito, nem oitenta.
Temos de poupar algum pânico para quando houverem mais de 100 contaminados por dia.

Allah-o-akbar


Entretanto, à noite, nos telhados do Irão:
Aqui

sexta-feira, julho 10, 2009

Bom fim-de-semana

Acrìlico de David Hockney 1971 "Portrait of an Artist (Pool with two figures)"

Para matar saudades




Walk on the Wild Side

A alhada

O novo semanário Grande Porto explica bem a alhada em que se meteu Elisa Ferreira.

Não é preciso ser grande cientista para perceber que quem queira ser candidato à Câmara do Porto contra Rui Rio tem de aparecer com uma candidatura mais abrangente que a dos partidos.

No caso, Elisa tem de deixar para trás a tralha socialista e fazer valer a sua independência.

O grande erro de Elisa foi apresentar-se com Sócrates ao lado. Agora quer sacudir a água do capote e o PS é que não está pelos ajustes.

Simpatizo com Elisa Ferreira, e acho que tem capacidades que fazem falta à cidade e à região. Infelizmente o PS não está à altura da candidata que escolheu.

Cancelamentos



Os Depeche Mode cancelaram o concerto marcado para o Porto. Diz que um deles está com problemas de saúde.


Ao ex-Velvet Lou Reed aconteceu o mesmo, mas a culpa foi do São João. Já lá vão uns anos...

Ora bem...


Donde não se esperaria, uma reflexão bem interessante. Aqui.
Há placas tectónicas a moverem-se.
Ora bem...

A "coragem" dos bandalhos


Hoje, 10 de Julho, é julgada pela enésima vez, Aung San Sun Kyi.

O regime militar e sanguinário birmanês soma e segue.
A coragem destes generais é própria de bandalhos e a complacência dos europeus é a do costume.

quinta-feira, julho 09, 2009

E a louça, senhores...?

No outro dia, li uma crónica do Miguel Esteves Cardoso em que ele falava da conclusão de um investigador estrangeiro que afirmou que o mal de Portugal são os portugueses. E perguntava a rir: e como se pode resolver esse problema? Hoje, que estou aqui à beira de uma apoplexia, afirmo eu, e não quero saber se tenho ou não competência científica para o fazer, que o mal de Portugal são mesmo os portugueses, e que enquanto o problema dos portugueses não se resolver, começa a ser melhor, para quem não se identifica com a cultura e genética dominante, emigrar. Eis o motivo de raiva: a minha mãe, que é como diziam os antigos, uma santa senhora, comovida e sensibilizada com a história de vida que lhe contou um seu jornaleiro da Póvoa de Lanhoso, que tinha um neto de pouca saúde, a precisar de um transplante de rim que nunca mais lho faziam, inscrito em listas de espera desde tenra idade, que não crescia, sem pai nem mãe que se importassem com ele, que precisava muito de quem intercedesse por ele mas não sabia a quem se dirigir na cidade, pediu-me ajuda, e eu, burra, que não sou santa, nem para lá caminho, resolvi falar a um médico amigo, que se disponibilizou a atendê-lo no serviço de urologia do Hospital de S. João, hoje de manhã. Então, lá fui eu, madrugadora e pouco jovial, a tempo da chegada do carro dos bombeiros da Póvoa, aviso o médico amigo que cheguei, instalo-me, mais avós e neto no corredor do hospital em frente ao serviço, e disponho-me a esperar e a perder a minha manhã de trabalho. Por volta das dez, vem a avó do neto dizer afoitamente que não sabia bem ao que vinha, que concerteza tinha havido confusão da mãezinha, porque o rapaz do que padecia não era bem rim, não senhor que esse problema já estava resolvido, que era mais fígado, isso sim é que lhe dava cuidados, e eu a ouvir estupefacta, mas a pensar, mais vale ser visto de qualquer das formas, vamos esperar. Entretanto, chegaram as onze e começaram as lamúrias, que havia na terra muito que fazer, que o homem do carro dos bombeiros não podia esperar tanto, que a filha tinha muita loiça para lavar e ela ali…Até que ao meio dia menos um quarto declararam-me que não podiam esperar mais. Iam embora. Se a minha mãe não se tinha esquecido de mandar o envelopinho para pagar o carro, que tinha dito que ajudava. Entreguei o envelopinho e vi-os ir. E fiquei mais meia hora no corredor do hospital para explicar ao médico amigo que afinal não era bem o rim, mas o fígado, e que a louça não podia esperar mais…

Pergunta ingénua (5)

Os 70 mil carros que o Fisco vai pôr à venda vêm com o controlo técnico feito ou é melhor desconfiar?

Pergunta ingénua (4)

O Falcão vem jogar no FCP ou é só conversa para chatear o Benfica?

Pergunta ingénua (3)

A ideia de o PP propor a D. Teresa Caeiro para vice-presidente da Assembleia da República é coisa séria ou é contra-informação de jornalistas engraçadinhos?

Pergunta ingénua (2)

O Barroso vai ser designado quantas mais vezes ainda ?

Pergunta ingénua

O processo disciplinar ao presidente da Eurojust, Lopes da Mota, é para ser concluido nesta década ou terá ido pelo bueiro?

quarta-feira, julho 08, 2009

As duplas

O PS, que tinha o pássaro na mão, anda desorientado.

O PSD consagrou que quem é candidato a presidente de uma CM não pode ser candidato a deputado.

Eu percebo e concordo.

o PS assobiou para o lado, mas viu que JAMAIS o podia fazer. Foi tarde.

O que eu não entendo é o que se passa com o PS. Tanta ética republicana propalada e neste caso esquecida, tanta disciplina apregoada e agora Manuel Alegre chama a atenção para o tema e estala o verniz, designadamente, a Ana Gomes, a socialista que quer ter os dois pássaros na mão.

Há coisas que o povo percebe bem. E ESTÁ VISTO QUE O PS ESTÁ EM FIM DE CICLO.

O Homem do Leme


Homem do Leme, escultura de Américo Gomes, 1934

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»

De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»


Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»

À manivela


Reza o dicionário de língua portuguesa da Porto Editora, que uma sanfona é um instrumento antigo de cordas de tripa, que se tange por meio de uma manivela.

Não confundir com marioneta ou bonifrate, que significa boneca articulada, pessoa delambida, fantoche.

Têm em comum necessitar de alguém para a tanger ou para a articular, mas uma dá a música que quiserem, de acordo com o ritmo do pandeiro, e a outra dá o que for. O cruzamento das duas pode dar um relatório.

O assaltante do BES

O estrangeiro que tentou assaltar o BES de Campolide ouviu finalmente a sentença.

De acordo com a imprensa, foi condenado à pena de 11 anos de prisão, e à pena acessória de - após cumprir a pena de prisão - expulsão do nosso País com proibição de regressar pelo período de 8 anos.

A sanção acessória de expulsão do País está prevista na nossa lei há muitos anos. O juiz, analisando cada caso concreto, o crime praticado, a integração do estrangeiro na comunidade, etc pode aplicar a sanção da expulsão.

Eu concordo com este sistema. E (não me canso de o repetir e relembrar) não concordo com aquilo que a certa altura foi tentado, de expulsar automaticamente (se me não engano por via administrativa, sem julgamento) os estrangeiros que praticassem um qualquer crime.

Esta sentença do assaltante do BES veio recordar-me como a lei em vigor parece equilibrada, é sensata, e é aplicada pelos tribunais quando é necessário.

Diga 33


Há cerca de um mês, o Nortadas deixou ali certas perguntas sobre a preparação do país para a pandemia da gripe A.

Ontem ficámos a saber que o governo tenciona fazer uma pré-reserva de vacinas para 30% da população. Não sei bem o que é uma pré-reserva mas imagino que seja uma espécie de encomenda. Parece, todavia, claro que tal vacina nunca chegará antes do fim do ano, mas posso compreender que hajam condicionantes técnicas que justifiquem essa ‘demora’.

Ainda assim, fica a impressão desconfortável de que esta decisão de pré-reserva, de que se falava há meses, surge na sequência de uma aceleração de casos confirmados no país e não de uma reflexão ou calendário devidamente pensado. Enfim, uma oportunidade polìtica. Seja.

O que verdadeiramente me inquieta é não saber como estamos em matéria de stocks de anti-virais. Se é certo que os estudos indicam que 25% da população pode vir a ser contaminada, imagino que pelo menos 50% dos nossos concidadãos terá, num momento ou outro, de ser medicado com Tamiflu. Ou seja, pelo menos 5 milhões de doses, sendo que cada ‘dose’ é composta de dez comprimidos. Acrescento que este medicamento tem um dado prazo de validade, o que implica que stocks antigos podem estar caducados.

Ora, ainda não ouvi da Ministra ou de outras autoridades sanitárias nenhuma informação clara sobre isto. Até porque é evidente que produzir e distribuir o medicamento também leva o seu tempo e não vale a pena pensar que será no pico da pandemia no hemisfério norte que os laboratórios responderão prontamente à encomenda portuguesa.
Atchim!

Pare, escute e olhe

A propósito de TGV, valeu a pena ver o debate de ontem na SIC Notícias sobre investimento público. Apesar se encontrar em inferioridade numérica, o seu grande vencedor foi indiscutivelmente Rui Moreira, ao sublinhar a necessidade de se adquirir uma visão global das obras cuja concretização está em causa, impedindo, por exemplo, que os defensores do TGV afirmem, e não necessariamente por má fé, que a obra é rentável porque existe clientela para ela, desconsiderando que essa clientela é a mesma que será cobiçada pelo reforço das ligações aéreas Porto-Lisboa, e a mesma que eventualmente poderá vir a usar a terceira auto-estrada de cuja construção ultimamente tanto se fala. Não diminuindo a importância do investimento público, chamou à atenção para a necessidade de o estruturar segundo uma visão estratégica definida, e não ao sabor de apetências políticas voláteis e interesses privados vários, tomando em conta o seu valor total, e não meramente parcelar, ou referido a obras singulares, o que, no fundo, mandam as regras do mais elementar bom senso que qualquer um toma – ou deveria tomar – para gerir os seus próprios negócios e os seus próprios assuntos. Neste sentido, foi mesmo curioso ver como valores que não eram significativos em termos de investimento público quando apontados de um dos lados da mesa por Luís Nazaré, referidos a obras com nome próprio, logo se multiplicavam exponencialmente onde eram tomados como parcelas de um valor global que ascendia aos 30 mil milhões de euros, tornando claro o montante astronómico que implica a concretização de todos estes projectos, sendo certo que a conjuntura não é famosa, e que a evolução da crise é imprevisível.
Devo dizer-lhes, e esta sensação em mim não é nova, que quando ouço certas pessoas e políticos a falar, fico sempre com a sensação de que somos mesmo muito, muito, ricos

terça-feira, julho 07, 2009

O que é que sabemos sobre AV (TGV) ?

Que a Alta Velocidade é um conceito recente, que se começa a divulgar por essa Europa (e Mundo) fora, pelas potencialidades que oferece em alternativa aos meios tradicionais do carro (auto-estradas) e do avião. Resumindo, permite poupar muito tempo (=ganhos de produtividade para cidadãos e empresas, para a economia), poupar muitas vidas (=ganhos de contribuição para a sociedade) e diminuir substancialmente a poluição por km percorrido, quer por cidadãos, quer por bens transportados (=ganhos substanciais na competitividade das exportações e na sustentabilidade do modelo económico, para já não falar na dependência energética e no combate às alterações climáticas. (Entre parêntesis as chamadas externalidades dos investimentos em AV; em regra, positivos, senão mesmo muito positivos)

Que muita da AV na Europa não é em TGV. Aliás, a maior parte é em Velocidade Elevada (VE), do tipo do Alfa Pendular ou outro, que permite andar muito depressa (220-250km/h), mas não tão depressa como o TGV (300km/h ou mais).

Que a AV é substancialmente mais cara do que a VE. No material circulante (locomotivas e carruagens), na manutenção, na operação e muito especialmente na construção das linhas.

Que a AV, muito mais do que a VE que também o faz eficazmente, é particularmente vocacionada para ligar grandes centros urbanos (destinos, para simplificar) situados a distâncias entre 200 a 300 km e 1000 km. Isto porque para distâncias superiores, nas velocidades que se conseguem praticar hoje comercialmente, as vantagens da AV desaparecem face ao avião.

Crucialmente, sabemos que a AV circula em bitola europeia, que é diferente da bitola usada em Portugal (a dita bitola ibérica, larga ou convencional) e à qual está associado um novo, e harmonizado, sistema de sinalização e electrificação - qualquer um deles diferente do actualmente usado em Portugal, pese embora, em muitos casos, a compatibilidade da voltagem utilizada.

Que a bitola europeia é a que está a ser utilizada para "ligar" os sistemas ferroviários nacionais e, crucialmente, que por causa disso a Espanha tomou a decisão de construir a sua rede de AV nessa bitola e, para além disso, de "migrar" o restante da sua rede, no horizonte 2020, da bitola ibérica para a bitola europeia. Por isto mesmo:

Que Portugal não pode ficar de fora da "migração" para as redes de bitola europeia - possivelmente, algumas em AV.

Que a AV para passageiros se justifica entre destinos que oferecem procura suficiente ou com potencial suficiente para alimentar a operação da linha.

Que os investimentos nas infra-estruras, como as linhas de AV - mas igualmente nas estações, catenárias, etc. -, não são recuperáveis nem no médio nem no longo prazo. O que significa que também sabemos:

Que as parcerias público-privadas (PPP) de que se fala para suportar os investimentos nas linhas de AV, não investirão nessas infra-estruturas a não ser que alguém os compense por isso; nestes casos, terá de ser o lado "público" da parceria, que é como quem diz o Estado, ou melhor, Nós.

Que a criação de uma linha de AV, necessariamente, afecta a procura esperada quer para as auto-estradas paralelas, quer para os aeroportos servidos por essas linhas.

Que a ligação de Portugal à Europa não passa necessariamente pela AV. Passa, outrossim, imprescindivelmente pela bitola europeia. Que poderá ser em AV ou VE, para passageiros. Mas que terá de ser para mercadorias, para bem dos nossos portos e das nossas empresas. Que é como quem diz da nossa economia, e por isso mesmo, da nossa sociedade - nós e os nossos filhos e netos, que serão quem a pagará.

Que a criação de uma rede, ou a substituição da actual, em bitola europeia não poderá ser feita de uma assentada. Poderá passar por linhas novas, mas terá sobretudo de passar por uma calendarização, que deveria estar subordinada a uma prioritização, das várias realizações, de modo a fazermos o que podemos, à medida que podemos e de forma a pagarmos os investimentos tanto quanto possível com o retorno que possam gerar - mais uma vez, as mercadorias assumem preponderância nestas matérias.

Fundamentalmente, que os argumentos que nos tem vindo a ser apresentados pelas RAVE's, REFER's e outras CP's, NAL's etc., infelizmente estão sistematicamente enviesados por prioridades que nos são escondidas e por pressupostos que não são próprios das preocupações naturais de quem planeia, gere, constrói e explora redes ferroviárias. Em consequência, também sabemos:

Que falta debater com profundidade e frontalidade as vantagens e desvantagens entre a AV e a VE; nomeada e especialmente em matéria de custos vs tempo e outras valências ganhas (por exemplo, enquanto o TGV é uma tecnologia francesa que só é produzida em França e Espanha, a VE beneficia de várias tecnologias produzidas em diversos países europeus e outros o que, para além de baixar os custos do material circulante permite a negociação em clima de concorrência e, pormaior, a mais fácil transferência de competências para Portugal).

Que falta debater o "encaixe" entre a AV e a rede ferroviária, em particular na perspectiva da ligação de Portugal à Europa - muito especialmente à Europa além Pirinéus, para mercadorias; e o seu impacte nos nossos portos e nas nossas empresas.

Que falta debater as alternativas ao traçado das linhas de "TGV" de que o governo fala - não só na perspectiva dos custos de construção, mas igualmente no impacte ambiental e, crucialmente, sobre o ordenamento do território (em especial a travessia do Tejo e a opção por fazê-la mista para ferrovia e autovia, mas também o percurso entre Porto e Lisboa e, crucialmente, a travessia do Douro, entre outras).

Que o País, se não equacionar muito bem o que está em causa, integrada e globalmente, corre o sério risco de não ter recursos para o investimento necessário; de se endividar ainda mais no exterior; de asfixiar as empresas, em especial as PME, no acesso à liquidez necessária para o investimento; de optar por priorizar soluções luxuosas, não rentáveis, em detrimento de outras de mais rápido retorno (em particular para a exportação de mercadorias e para o desenvolvimento e aproveitamento dos nossos portos atlânticos - os primeiros da Europa, nunca é demais sublinhar).

Quando for grande quero escrever assim

Òleo de Mary Cassatt - 1900


Um tipo lê isto e apetece logo calçar o chinelo e ir ao parque beber um capilé ao som duma mùsica catita. Que maravilha!

Tiros na Trofa

Relata o « Jornal de Notícias » de hoje que um ourives de S. Romão do Coronado (Trofa) trocou tiros com um gangue de assaltantes, tendo baleado dois deles, um dos quais morreu, alvejado nas costas.

O ourives, ex-GNR, foi constituído arguido e alega legítima defesa. Não me surpreenderia que venha a ser considerado um herói por alguns comerciantes vizinhos, por ter resistido e enfrentado, a tiro de caçadeira, um grupo de meliantes.

Os tribunais apreciarão as circunstâncias do acontecido e decidirão sobre o caso.

Importa, todavia, deixar claro o seguinte, mesmo que tal seja polémico ou impopular: a defesa da propriedade não legitima o ataque à vida humana. É dramático que a insegurança cada vez mais sentida pelos cidadãos perturbe ou confunda as pessoas sobre o que devem ser os valores e os princípios inabaláveis de uma sociedade civilizada.

Uma coisa é a legítima defesa, outra a vingança ou o justicialismo populista. Confundi-los é dar um tiro nas costas de uma sociedade de direito.

Mais "RUMORES"

Saìu o n° 4, de Julho.
Aqui

segunda-feira, julho 06, 2009

Cristiano

Cristiano conquistou Madrid. Florentino quer conquistar os Portugueses e daí dá-lhes com Xutos e Pontapés e saúda-os. O espectáculo foi pobre mas impressionou pelo estado de hipnose de 80.000 ao vivo e não sei quantos milhões na TV. (ok eu também vi mas era para depois poder criticar.)O sinal é mesmo este: o miúdo foi barato pois vai dar para conquistar milhões, quer de adeptos quer de cash.

As revoltas orientais


Pode consultar neste site algumas imagens sobre o que se está a passar em Xinjiang, a região uigur ocupada pela China, também conhecida como Turquestão Oriental.
O Nortadas já editara este post, em que se referia à instabilidade da região.

A revolta uigur pode ser esmagada ( nas útimas 24 horas já houve 140 mortos) mas não vai desaparecer. A repressão han há-de sair derrotada.

Ver também esta notícia no ‘Público’

domingo, julho 05, 2009

Domingo

Um copo de névoa ao pequeno-almoço;

Um rumor de vento com o pão;

Um muro por detràs do ladrar do cão.

"Manhã" de Nuno Jùdice in "O movimento do mundo"- 1996

Foto de Sylwia Ozdzynski

sábado, julho 04, 2009

Lua cheia! Lua grande?


Nestas noites de Verão vai ser possível, uma vez ou outra, ver a Lua cheia (6 a 8 de Julho, 5 a 7 de Agosto e 4 a 6 de Setembro). E se esta estiver perto da linha do horizonte, vai-nos parecer bem maior do que quando a vemos no céu alto.

Trata-se obviamente de uma ilusão. Nem a Lua muda de tamanho, nem nós a vemos maior ou menor. O que acontece é que quando ela está perto da linha do horizonte o nosso campo de observação, quando a olhamos, abrange certos objectos da Terra, sejam árvores, casas, montes ou uma linha de água, e isso dá-lhe um termo de referência que a “engrandece”. Pelo contrário, quando temos de levantar bem a cabeça para a ver no zénite dos quase 180° do universo visível, ela está lá “perdida” nesse negro imenso, só, sem comparação possível com qualquer outro objecto que nos seja familiar. E, portanto, parece mais distante e mais pequena.

Se me permitirem a transposição desta experiência para a realidade política da iminente “silly season”, diria o seguinte: a oposição que se desiluda se julga que a deliquescência do governo PS “engrandece” a imagem que o eleitorado faz das alternativas possíveis. Pode dar essa impressão, mas as impressões são voláteis.

O eleitor de 27 de Setembro avaliará com rigor nesse momento se, entretanto, as alternativas arrumaram verdadeiramente a casa e se varreram bem à porta, rompendo com os vícios antigos, chamem-se eles submarinos, fotocópias, casinos, sobreiros, loureiros ou jardineiros.

Por muito que o governo PS pareça estar a ajudar, há ainda muito trabalho pela frente e muito sheltox e coragem a usar para que a alternativa democrática se apresente credível. Temos muito trabalho de casa.

É que além do mais, a Lua está pouco tempo perto do horizonte.