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quarta-feira, março 06, 2013

Ponham-se a pau


1. A ponte que populares construiram sobre um riacho em Forjães, Esposende, perante a inércia da autarquia e das outras entidades responsáveis, é bem o sinal dos tempos que vivemos neste país de farrapos institucionais. Apesar dos impostos que pagam e da obra que não é feita por quem deve, os cidadãos meteram do seu e ergueram uma alternativa provisória. A Câmara já deve ter mandado os fiscais e a GNR já deve ter feito o relatório a dizer que faltam as autorizações e que é preciso multar A, B e/ou C por tamanho despautério, pois nessas coisas são muito eficazes e tiram logo o rabo da cadeira, mas, claro, nenhum deles fala em encontrar uma solução que sirva as populações.

2. Todos os partidos da Assembleia da República concordaram que é melhor deixar a lei da limitação dos mandatos tal como está, ou seja, a permitir duas leituras. O curioso é que uns entendem que a lei é clara a autorizar os ‘menezes’ (PSD, CDS, PS) enquanto outros dizem o contrário (PC e BE) mas todos os 5 decidiram que é melhor deixar estar a confusão tal como está.

3. Tudo indica que esses mesmos 5 partidos vão rejeitar a petição de milhares de cidadãos para que sejam autorizadas candidaturas à Assembleia da República que não provenham dos próprios partidos. Vai ser curioso ouvi-los brevemente defender no parlamento o monopólio da representação e perceber até que ponto vão imaginar argumentos para nos proteger de nós próprios e velar pela democracia deles. Consta que o deputado Ribeiro e Castro vai desalinhar-se dessa manada e pugnar pela possibilidade de candidaturas extra-partidárias às legislativas. Felizmente ainda aparece de vez em quando um justo em nome do qual se pode pedir que Sodoma não seja destruida.  Mas começo a recear que já não escapem ao destino final de Nínive.

sexta-feira, julho 17, 2009

Outra opinião

O nosso amigo Carlos Furtado escreve num post abaixo que acha simpática a ideia avançada por Alberto João Jardim de proibir o comunismo, já que o fascismo também está proibido.

Eu acho que estes proibicionismos podem parecer simpáticos mas considero-os demagógicos e peregrinos. Pretender proibir ideologias, sejam elas quais forem, é uma impossibilidade óbvia que mais não pretende que perseguir os respectivos arautos. Estes podem prender-se, aquelas não.

Acho mais interessante que a Constituição defina com clareza as liberdades e os direitos inalienáveis dos cidadãos e daí decorrerá tudo o resto, ou seja, a ilegalidade de qualquer sistema ou regime político que as contrarie. Considero mesmo perigoso começarmos a proibir este ou aquele "ismo" e penso que muitas derrapagens anti-democráticas aconteceriam se cedêssemos a essa tentação proibicionista.

Para melhor ilustrar o meu sentir, adianto que não partilho a opinião de que se devem proibir certos símbolos, como por exemplo a cruz gamada, nem tampouco acho inteligente criminalizar o negacionismo sobre a Shoa. Posso compreender a preocupação de defender a verdade e de proteger os incautos, mas penso que em última análise tal desiderato se deve obter pelo confronto aberto e arejado de ideias e nunca pela declaração administrativa do que está certo ou errado. O disparate histórico ou científico estiola no debate mas a sua vitimização prolonga-lhe a vida.

Os vírus morrem ao sol, não à sombra.