Mostrar mensagens com a etiqueta BPN. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta BPN. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, abril 02, 2014

A coerência da lixeira


Que o ainda presidente da Comissão Europeia venha tarde e a más horas lançar uma suspeita sobre o ex-governador do Banco de Portugal, o tal que deixou passar debaixo do seu nariz os casos BPN e BPP, afirmando a propósito de coisa nenhuma e passados cerca de dez anos que o chamou 3 vezes para discutir o assunto, é de uma coerência exemplar: a coerência do oportunismo e da hipocrisia passa-culpas que o caracteriza. Uma coerência, aliás, que já manifestara ao afirmar que também avisara o actual primeiro-ministro para não ultrapassar certos limites na austeridade ou aquela com que afirmou há tempos que “sempre” entendeu que a nacionalização do BPN era uma decisão errada. Quem não o conheça que o compre.

Que o dito ex-governador do Banco de Portugal responda dizendo não se lembrar bem dessas reuniões e balbucie umas banalidades tais como afirmar que nunca então se falou de casos concretos de irregularidades nem ninguém lhe mostrou provas irrefutáveis sobre as fraudes em curso, é igualmente de uma grande coerência: a coerência da prosápia e da incompetência refastelada, as mesmas que demonstrou ad abundantiam aquando das audições parlamentares sobre o tema.

Que meia dúzia de teodoras saiam hoje a terreiro a defender o seu menino, que não senhor, sua excelência é de uma probidade e valência raras e que isto de o atacarem é uma maldade contra alguém a quem o país tanto deve, é outra forma de coerência: a coerência de clube ou de vizinhos de condomìnio, a mesma que explica que o consócio que matou o porteiro é uma pessoa bem educada que levava flores quando ia jantar lá em casa e até pedia licença para fumar um cigarro.

São todos tão coerentes que até metem nojo.

segunda-feira, outubro 24, 2011

Afinal há vida depois da dívida...

Ou pelo menos há esperança; nos outros, como sempre. Por pouca que seja, aqui fica o lembrete: a Comissão Europeia quer perceber melhor o que se passou no BPN, diz o Público.

Pode ser pouca (a esperança) mas, para já é melhor que nenhuma...

quarta-feira, julho 08, 2009

À manivela


Reza o dicionário de língua portuguesa da Porto Editora, que uma sanfona é um instrumento antigo de cordas de tripa, que se tange por meio de uma manivela.

Não confundir com marioneta ou bonifrate, que significa boneca articulada, pessoa delambida, fantoche.

Têm em comum necessitar de alguém para a tanger ou para a articular, mas uma dá a música que quiserem, de acordo com o ritmo do pandeiro, e a outra dá o que for. O cruzamento das duas pode dar um relatório.

quinta-feira, maio 28, 2009

Os brios do Briosa

O tal advogado avençado do BPN, por empenho, que se terá cobrado 190.000 por não fazer nada, foi o amigo barrosista Briosa e Gala, uma criatura e um protegido de longa data do presidente da Comissão Europeia, e que hoje é o seu representante para os assuntos africanos. Desvendado o “empenhado”, falta nomear o “empenhador”, mas isso é capaz de estar coberto pelo segredo de Estado da União. Ver aqui

quarta-feira, maio 27, 2009

O senhor que se segue


A frase do dia do sr. “Faro Fino”:
“O papel da supervisão não é ir para uma instituição ver se há lá fraudes”

E pur si muove

Finalmente…algo.
Aqui

Ser ou não ser, eis a questão

Sério, no caso do nosso Presidente.

Cavaco Silva sempre teve como um dos seus principais activos políticos, uma imagem de seriedade.

Quem tenha acompanhado com um mínimo de atenção os últimos anos do seu consulado como primeiro-ministro, não pode ter deixado de se interrogar sobre essa imagem, atendendo ao que se passava à sua volta. Acredito que muitos terão querido aceitar que Cavaco era a principal vítima do que se passaria.

O caso BPN de há muito que contribuíu para aumentar essas dúvidas, incluindo para os que quiseram manter essa fé.

A situação de Dias Loureiro é um teste definitivo à seriedade de Cavaco Silva.

O Sr. Presidente já retirou a confiança política, publicamente, ao seu Conselheiro de Estado, tendo colocado a questão ao nível da honorabilidade deste último ("não tenho razões para duvidar da sua palavra", disse Cavaco).

Pois agora essa honorabilidade foi definitivamente posta em causa. Já o sabíamos, pelas contradições em que Dias Loureiro se envolveu. Mas agora temos quem o afirme: o ex-companheiro Oliveira e Costa.

Se Cavaco é sério, não lhe resta senão afirmar publicamente que Dias Loureiro não tem condições para se manter como conselheiro de Estado. Se preferir não o fazer...

Eis a questão.

terça-feira, maio 26, 2009

Ainda o BPN

Esta audição de Oliveira e Costa na Comissão parlamentar tem sido um espanto em todos os sentidos, mas aprende-se imenso sobre como tem funcionado o nosso regime. Não é mais possìvel olharmos para o lado, ou pelo menos não mais podemos dizer que não sabiamos.
Não acredito que amanhã não se passe nada.

A seguir...

Imperdível

Do blogue "Portugal dos Pequeninos" (João Gonçalves):

"Oliveira e Costa, o velho chefe do BPN, regressa à comissão parlamentar presidida pela improvável Maria de Belém. Parece que pretende falar sem comprometer o segredo de justiça. Faz bem. Senão qualquer dia acontece-lhe como àquele comerciante que, no "antigamente", estava numa "casa de meninas" quando houve uma rusga. Pedida a identificação dos presentes, o pobre homem constata, estupefacto, que as "meninas" se declaram cabeleireiras, recepcionistas, manicures, vendedoras, etc., etc. Quando chegou a sua vez, virou-se para os polícias e disse: "Olha-me esta, querem ver que agora a puta sou eu?"

sexta-feira, novembro 28, 2008

A comissão de inquérito

O PSD quer que a comissão de inquérito analise as razões que levaram à nacionalização do BPN. É o que consta do Público.

Acho muito bem.

Tem sido verbalizado que a nacionalização se justifica por o BPN ser "um caso de polícia". Ora, insisto, a nacionalização não serve para punir. Para investigar e punir - também no caso do BPN - existem orgãos próprios (as polícias, o Ministério Público, os tribunais).

E se se provar que houve práticas criminais no BPN, espero que os culpados sejam condenados. Não pelo Governo nem pelo Parlamento, mas pelos tribunais. É a aceitação do velho princípio da separação de poderes.

domingo, novembro 23, 2008

A nacionalização do BPN

É importante reflectir sobre aquilo que esteve subjacente à decisão de nacionalizar o BPN, para correctamente avaliar a bondade dessa decisão (exclusivamente política).

Disse ontem Alberto Martins, líder do grupo parlamentar do PS:
"O grupo parlamentar do PS considera prioritário o esclarecimento de toda a verdade, e de todos os factos, que conduziram à grave lesão do interesse nacional e que levaram à intervenção do Estado e à nacionalização do BPN",

Também Paulo Portas, na sua “inquirição” ao Governador do Banco de Portugal, afirma, aproximadamente, o seguinte:
O BPN é um caso de polícia, e é por ser um caso de polícia que entendemos a solução drástica que foi tomada”.

Ambas as afirmações (a de Alberto Martins e a de Paulo Portas) são graves, pela concepção que revelam quanto à função das nacionalizações.
As nacionalizações que o mundo ocidental tolerou - e até promoveu - neste segundo semestre de 2008 têm como pano de fundo a crise (e não a fraude). Parece-me pois que, aproveitando o contexto da crise, foi utilizado de forma desvirtuada o conceito de nacionalização.

A nacionalização não é uma sanção. Não existe para sancionar prevaricadores. O governo e o legislador não podem assumir a função de juiz aplicador de penas, acabando com a imprescindível separação de poderes.
Não tem por isso sentido nenhum dizer que como havia irregularidades e fraudes está justificada a nacionalização...

O PS e Portas andam, assim, de braço dado num tema com uma invulgar relevância para definir o quadro programático e doutrinário de cada um.

A pergunta que, uma vez mais, fica por responder é se para Portas se trata de uma posição de convicção ou apenas de pura táctica política. É que a nacionalização do BPN pode ser comprometedora para o PSD. E perante isso, pode ser que Portas tenha optado, uma vez mais, por ser muito pragmático em vez de um pouco coerente.

Mas é por estas coisas que Paulo Portas é cada vez menos fiável e credível. E é também por coisas destas que o PP se vai tornando num partido incaracterístico, sem conteúdo programático, sem rumo doutrinário.