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quarta-feira, julho 28, 2010

Uma casmurrice


Custa-me a compreender esta jigajoga de dar ou não dar o nome de Saramago a uma rua do Porto.

Escolher nomes para ruas de cidade não é assunto que se deva discutir com base em simpatias ou antipatias pessoais.
Para o decisor em questão, a sua opinião pessoal sobre o mérito literário e mérito ou demérito político e cívico de José Saramago não importa um iota. O que importa é o reconhecimento público pela obra ou vida do cidadão em causa.

A não ser que algo de muito grave ensombre o percurso da pessoa em causa (mas nesse caso é preciso explicar tudo muito bem), creio que o mero facto de ser um dos autores mais lidos, mais traduzidos e, sobretudo, de ser até ao momento o único português laureado com um Nobel da Literatura são razões mais que suficientes para que uma proposta desse tipo seja positivamente acolhida pelo executivo camarário.

Há casmurrices que são meramente estúpidas.

segunda-feira, junho 21, 2010

Eu não gosto do Saramago

Nesta nacional porreirice em que vamos vivendo, a imprensa pátria passou o fim de semana a confundir o autor José Saramago, com o cidadão Saramago.

O primeiro é um grande escritor, está vivo nas suas obras e foi premiado com o Nobel pela grandeza da sua obra. Eu gosto. Mas sobretudo agradeço-lhe o contributo para a divulgação da nossa língua, cultura e história. Apreciava-lhe a capacidade de escrever claro com um uso muito pouco vulgar da pontuação; e a imaginação. Este autor merecia e devia ter tido a homenagem do Presidente da República.

O homem Saramago, era um crápula. Não foi nunca um herói da liberdade, como a nossa imprensa apregoa, ainda que possa ter sido um combatente do antigo regime fascisto-porreirista. Hipócrita, foi casmurro nas convicções políticas de juventude, não tendo vergonha de defender o indefensável. Persistiu na sua casmurrice até à morte, ainda para mais arrogando-se uma autoridade libertária que não tinha e em que não acreditava. Era de esquerda porque queria lá por a gente dele, mais nada. Usava os argumentos caridosos da esquerda, porque é sempre mais fácil falar do dinheiro dos outros do que do próprio. Felizmente, o povo nunca deu aos comunistas a hipótese de nos governarem, porque senão teria sido desmistificante ouvir Saramago a defender as asneiras deles...

Esta distinção entre o autor-romancista-escritor, aliás de profunda espiritualidade ainda que anti-católico e anti-crente, e o cidadão de extrema esquerda precisava de ter sido feita por alguém com autoridade. Nem que fosse apenas a autoridade do Estado. Poderia ter sido um Presidente da República de direita. Se houvesse.

Saramago

Eu não interrompi as minhas actividades profissionais e Cavaco as férias. Estivemos bem os dois.

sábado, junho 19, 2010

Sugestão de fim de semana

Este é um dos grandes textos de Saramago. É o discurso perante a Real Academia Sueca, e em que Saramago faz a história da sua vida e dos seus livros.

Vale a pena ler até ao fim.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Declarações I

Afinal Saramago admite que “A Bíblia tem coisas admiráveis do ponto de vista literário"...mas contrapõe, referindo-se aos episódios mais violentos do Antigo Testamento que "Deus não é de fiar"...É dificil de saber realmente qual a explicação a dar a tantas e tão desencontradas afirmações sobre Deus, a Biblia, o Inferno, que hoje, segundo as palavras do nosso Nobel, indagado em conferência de imprensa, já não é bem um castigo reservado pela Igreja como pena perpétua e sem remissão para aqueles que qualifica como pecadores, mas um lugar que ocupa espaço na nossa cabeça, mas a verdade, é que Saramago as faz de forma arrogante, desagradável e sem qualquer consideração ou respeito por ninguém ou pelas suas crenças. É curioso até como ao falar da Biblia não explica, coisa que me explicaram bem pequena, que há realmente uma diferença profunda entre o Deus de vingança do Antigo Testamento, de Abel e de Caim, a que evidentemente se refere, e a mensagem do Novo Testamento que vem acrescentar os dois mandamentos mais importantes: amarás a Deus acima de todas as coisas e o próximo como a ti mesmo. Bem. Mas hoje parece que estava em dia sim. É que, apesar de tudo, "a Biblia tem muita coisa que vale a pena ler". E deve ser o máximo de boa vontade que vamos conseguir....

quarta-feira, outubro 21, 2009

Foguetes de Outono

É seguramente uma deficiência minha, mas nunca consegui acabar de ler um livro do Saramago: às vezes até chego a meio mas antes ou pouco depois pouso-o e esqueço-o. Repito: devo ser um bruto.

O Saramago e/ou a sua editora ou agente sabem do negócio. Sabem que a melhor forma de suscitar curiosidade e compradores é apimentar cada lançamento com um desaforo qualquer. E se houver pretexto para umas tantas conferências de imprensa para alegadamente reagir a umas contra-declarações de um bispo ou de um político, tanto melhor. O euro-deputado Mário David e o bispo do Porto deviam perceber que estão a dar-lhe corda e a ajudar ao sucesso do "Caim". Mas eles lá sabem.

quarta-feira, julho 29, 2009

Os velhos ibéricos

Óleo de Honore Daumier, "Os dois advogados" - 1862
José Saramago ganhou ontem um novo aliado para a sua ideia "Ibéria": Ricardo Salgado, o patrão do Banco Espírito Santo.
Convenhamos que se trata de uma convergência curiosa: o chefe do banco que acaba de ser condenado em Espanha ao pagamento de uma pesada indemnização por práticas irregulares, junta a sua voz à do escritor das Canárias no obscuro projecto de diluição do país numa federação ibérica.
E com esta flor na lapela: Salgado quer o TGV, já.

Cada vez aprecio mais o Fernando Ulrich do BPI. E pergunto-me: que cadáveres estarão a ser descobertos pela equipe do Banco de Portugal nos armários do BES?