Que o ocidental é desconhecedor da cultura e tradições orientais, já o sabíamos. De resto, ficou bem explícito pelas declarações das eminências pardas de Taijicho.
Mas o que ainda não sabíamos era que o ocidental era estúpido que nem um cepo e que esta é a opinião não apenas dos seres importantes de Taijicho (onde quer que isso seja) mas de todo e qualquer japonês.
"O que os americanos e os franceses não sabem é que aqui no Japão, todos aqueles que matam animais para comer, sejam baleias, atuns, golfinhos ou vacas, vão ao templo todos os anos pedir o perdão divino! Os americanos e os franceses não fazem isso, não pedem perdão por matar vacas!"*
Aaaaahhhhh!Pronto. Então está bem.
Apeteceu-me dizer-lhe que o que eles não sabem é que os americanos e os franceses fazem criação de gado e que apesar de ninguém no ocidente pedir perdão, não há notícia de que as vacas e os porcos estejam para acabar. Aliás, nós matamos as vacas e os porcos que criamos, não os caçamos...
E tanto quanto sei, o único milagre da multiplicação envolvia pão e vinho (não me recordo de golfinhos ou baleias na história, nem tão pouco atum, nem sequer em lata) e foi obra do nosso Deus. Nem Budha nem nenhum dos deuses shintoístas, tanto quanto sei, tinha sido convidado para o casamento.
Mas como nesta altura da minha vida sou paga é para agradar, limitei-me a dizer-lhe "pois... são culturas muito diferentes e nem sempre é fácil pôr-mo-nos nos sapatos dos outros", que sempre dá para os dois lados e não me compromete.
Graças à nossa estupidez e relutância em compreender estas tradições orientais, tenho a certeza que no dia em que acabarem os atuns e as baleias a culpa será nossa por termos ousado matar a nossa criação sem nunca ter vindo ao Japão pedir perdão aos deuses japongas.
* nota: conversa com um membro da elite japonesa, antigo embaixador do Japão em Lisboa, num evento social.
Joana
Quarta-feira, Abril 07, 2010
Postal de Tóquio (3)
Palavras chave:
douro,
outras latitudes,
Tóquio
Precisamos mesmo de um novo aeroporto...

Diz que "dá", p'ra aí' 15 lugares de administrador. Com geitinho, dará para toda a descendência do ministro (ver aqui); logo, "não é um luxo, é uma necessidade".
E parece que dará para os madrilenos irem embora, depois de virem à praia no TGV, visitarem Beja para assitirem em loco à exportação de sardinha por avião, em conserva e "vivinhas da silva", tal como previa o nosso sapiente Augusto Mateus. Que não ganha bónus por cumprir objectivos, como o Mexia, mas sempre vai vendendo uns estuduzinhos sobre a imprescindibilidade do novo aeroporto. Há, e para aproveitarem as magnifícas vistas de Lisboa e da Margem Sul que proporcionará a travessia do Tejo na terceira ponte, bem sentadinho num "shuttle" hiper-rápido, só para sentir o que é andar a mais de 350km/h... Ah!, como é bom sonhar!!!
Depois, o aeroporto ainda serve para colocar Portugal no mapa. Dos hubs internacionais. Como o de Barajas, que o ministro visitou ontem. E onde aprendeu como é que estas coisas se fazem... certamente. Para ganhar quota do "lucrativo mercado intercontinental, com a África e o Brasil, para não dizer a América Latina". Nos termos do pensamento único do Centrão e do Mateus. E como é "consenso nacional" desde inícios da década de 70, do século passado, note-se. O que até daria jeito à Mota, se ela soubesse ganhar concursos desta dimensão...
A minha avó, coitada, pessoa pouco sabedora, costumava reflectir em voz alta: "COM AMIGOS DESTES, QUEM PRECISA DE INIMIGOS!"
E você!? Não acha que também precisa de um aeroportozinho? E três milhõezitos para cumprir objectivos que você "defina"?
Valha-nos Santa Agência de Rating!!!!!!!!!
Palavras chave:
aeroporto,
economia,
futuro de portugal,
Ventanias
Unidose ... e unitreta

Não sei a quem servem estes senhores do governo. Não parece é que seja aos portugueses.
Eu vivi 4 anos na Namíbia. Um país avançadíssimo, como toda a gente bem sabe.
Tão avançado que as farmácias vendiam os medicamentos em unidose a todos os pacientes que deles necessitavam.
O processo, aliás, era simples, como é próprio dos países muito avançados. O farmacêutico abria a embalagem, separava ou recortava o número necessário de pastilhas, pílulas, etc., colocava-os numa pequena embalagem de plástico e imprimia, com ajuda dum simples computador (lá está, só para países muito avançados), uma etiqueta que colava à dita embalagem.
Se bem me lembro, nessa etiqueta constava o nome do remédio, da farmácia, e a dose diária, bem como o esquema da toma (8 em 8 h, após as refeições, por exemplo).
Evidentemente, em países menos desenvolvidos, como é o caso de Portugal, não é possível aplicar sistemas sofisticados destes. Diz que é preciso investir em máquinas. Que custam 150 mil euros cada. Que as farmácias não têm, evidentemente. Assim como não tem crédito, a não ser que seja para comprar carros, ou submarinos, alemães. E que o sistema não está preparado para isso. Que não vai ser possível cumprir essa "promessa" porque não há recursos disponíveis, nesta hora de crise...
Pois... Como dizia a minha avó, "ainda precisamos de comer muita sopa" para crescer até à sofisticação namibiana (sem desprimor). Esperemos que haja colheres para todos!!!
Palavras chave:
futuro de portugal,
saúde,
Ventanias
Segunda-feira, Abril 05, 2010
Nos tempos do Lucky Luke...
Segundo o Publico de hoje o PM, Inginheiro de "profissão", assinou vários projectos.
O PM limita-se a dizer que não recebeu dinheiro em troca.
O facto de o ter feito violando a exclusividade a que estava obrigado é mau.
O facto de o ter feito "de cruz" sem sequer acompanhar os projectos é ainda pior.
O facto de o ter feito e alguns projectos violarem regulamentos havendo inclusive um telhado que nem sequer podia ser construido não é de espantar.
O facto de ter ou não recebido dinheiro em troca é relevante de ponto de visto criminal principalmente se os referidos projectos lhe foram entregues como contrapartida de favores ou como favorecimento pelas funções politicas que exercia.
Moral da história:
O PM está-se a marimbar para o sentido de Estado, para a ética, para a moral pública, para o carácter.
O PM acha que vale tudo até ao limite da criminalidade.
O PM dorme de consciência tranquila se souber que o MP não lhe consegue deitar a mão.
E é assim porque a sociedade civil já não se indigna, já não acredita.
A causa das coisas está em centenas de politicos que se bebeficiaram em prejuizo do País.
Por isso os Portugueses ao fim de 36 anos de democracia já não acreditam. Acham que os politicos são todos "farinha do mesmo saco" e que o sistema os protege.
Como é que se pode aceitar que neste percurso de 36 anos de democraciae existam tantos e tantos politicos que não tinham onde cair mortos e que hoje estão ricos, gordos e anafados.
Foi este caminho que nos levou ao actual beco sem saida e são esses que deviam de ser investigados e deviam pagar o déficit em primeiro lugar.
A minha vontade era enche-los de piche e penas como faziam aos irmãos Dalton nos livros do Lucky Luke...
...a bem da Nação!!!
O PM limita-se a dizer que não recebeu dinheiro em troca.
O facto de o ter feito violando a exclusividade a que estava obrigado é mau.
O facto de o ter feito "de cruz" sem sequer acompanhar os projectos é ainda pior.
O facto de o ter feito e alguns projectos violarem regulamentos havendo inclusive um telhado que nem sequer podia ser construido não é de espantar.
O facto de ter ou não recebido dinheiro em troca é relevante de ponto de visto criminal principalmente se os referidos projectos lhe foram entregues como contrapartida de favores ou como favorecimento pelas funções politicas que exercia.
Moral da história:
O PM está-se a marimbar para o sentido de Estado, para a ética, para a moral pública, para o carácter.
O PM acha que vale tudo até ao limite da criminalidade.
O PM dorme de consciência tranquila se souber que o MP não lhe consegue deitar a mão.
E é assim porque a sociedade civil já não se indigna, já não acredita.
A causa das coisas está em centenas de politicos que se bebeficiaram em prejuizo do País.
Por isso os Portugueses ao fim de 36 anos de democracia já não acreditam. Acham que os politicos são todos "farinha do mesmo saco" e que o sistema os protege.
Como é que se pode aceitar que neste percurso de 36 anos de democraciae existam tantos e tantos politicos que não tinham onde cair mortos e que hoje estão ricos, gordos e anafados.
Foi este caminho que nos levou ao actual beco sem saida e são esses que deviam de ser investigados e deviam pagar o déficit em primeiro lugar.
A minha vontade era enche-los de piche e penas como faziam aos irmãos Dalton nos livros do Lucky Luke...
...a bem da Nação!!!
A estepe russa

Eduardo Lourenço é um pensador e gente assim deve ser acarinhada, pois é uma espécie em risco de extinção. Hoje explica certos pontos de vista seus no ‘Público’.
Insiste numa sua ideia antiga : a de que a Europa devia integrar a Rússia.
Discordo desta mania e desta quase-obsessão histórica de querer ‘converter’ aquele espaço e aquele caos, mas « à chacun sa marrotte ».
O meu tique é o oposto e a minha previsão é muito diferente : a Rússia entrou numa nova fase expansionista, de recuperação de influência e de novas fronteiras, seja a sul, no Cáucaso (Geórgia) e Ásia Central, seja a oeste (Bielorússia e Ucrânia). A próxima etapa será o cerco económico e político aos países bálticos, que quererá fora da Nato, o que conseguirá graças à letargia franco-alemã e à sua mão sobre a torneira do gaz. Será isso que provocará o fim da Nato e a enorme decepção das democracias da Europa de leste na União Europeia, com a convicção de que só devem contar com o apoio dos americanos.
Óbviamente que esse novo agitar russo ruirá como um baralho de cartas, insustentável num modelo económico que assenta apenas na exportação de matérias-primas e que priveligia a investigação militar em prejuízo de uma modernização do tecido industrial. Essa nova decadência ‘soviética’ de uma população demograficamente decadente e doente beneficiará a Polónia, que tirará todo o partido do novo caos a leste.
Há 100 anos ninguém acreditaria que 10 anos depois teriam desaparecido 4 impérios europeus : o otomano, o russo, o austro-húngaro e o germânico. Hoje custa a acreditar que a Europa dos próximos 20 anos será muito diferente da actual. Mas o mundo e a vida não tem contemplações para com os que persistem em ideias românticas e o olham pelo retrovisor. Sejamos realistas e admitamos o impensável.
Palavras chave:
douro,
Eduardo Lourenço,
Rússia,
União Europeia
Domingo, Abril 04, 2010
Sábado, Abril 03, 2010
A trindade impossível

Nos tempos da RDA, havia uma fórmula que me parece plenamente transponível para estes tempos socratinos. Rezava assim : sob um tal regime, das três características – honestidade pessoal, sincero apoio político e inteligência – só era possível combinar duas, nunca as três.
Escolha a sua combinação.
Escolha a sua combinação.
Valença
Os protestos contra o encerramento de mais um serviço de atendimento permanente (SAP), desta feita em Valença, são justos.
O País, parte dele, está a ser encerrado e abandonado por este governo socialista. A isto chamam os comunistas as políticas de direita. Nada mais errado.
Estas políticas de esquerda que minam o nosso País estão a pretender dar o sinal de que o melhor é vivermos todos no pólo mais urbano ou, em alternativa, abandonar Portugal. Mau seria para Portugal e para o dito.
Já não se mata só o interior, já chegamos às cidades do litoral!
E a estratégia nacional, a preocupação com todos e a solidariedade?
O argumento da racionalização, da melhor utilização dos meios disponíveis, mais para mais enquanto vemos o survedouro centralista a trabalhar no seu "melhor", não colhe.
E que tal cortar nos excessos da máquina governamental? E que tal apostar, numa política descentralizadora, conferir ao interior, por exemplo à Guarda tão fustigada com encerramentos de empresas, funções e meios até agora instalados na capital? Por exemplo o Tribunal Constitucional?
Lá está - falta que se cumpra a regionalização!
Dito isto, é lamentável a forma escolhida para os protestos em Valença!
O País, parte dele, está a ser encerrado e abandonado por este governo socialista. A isto chamam os comunistas as políticas de direita. Nada mais errado.
Estas políticas de esquerda que minam o nosso País estão a pretender dar o sinal de que o melhor é vivermos todos no pólo mais urbano ou, em alternativa, abandonar Portugal. Mau seria para Portugal e para o dito.
Já não se mata só o interior, já chegamos às cidades do litoral!
E a estratégia nacional, a preocupação com todos e a solidariedade?
O argumento da racionalização, da melhor utilização dos meios disponíveis, mais para mais enquanto vemos o survedouro centralista a trabalhar no seu "melhor", não colhe.
E que tal cortar nos excessos da máquina governamental? E que tal apostar, numa política descentralizadora, conferir ao interior, por exemplo à Guarda tão fustigada com encerramentos de empresas, funções e meios até agora instalados na capital? Por exemplo o Tribunal Constitucional?
Lá está - falta que se cumpra a regionalização!
Dito isto, é lamentável a forma escolhida para os protestos em Valença!
Sexta-feira, Abril 02, 2010
Anda aí um torpedo

Os dois submarinos ainda não acostaram e já há torpedos nas nossas águas, à procura de alvos. Os do costume tentam manobras de última hora, do género « o carro é da minha mulher » ou « não fui eu, foi o outro », em golpes de rins ‘corajosos’ a ver se o torpedo passa ao lado e o raspão não faz muitos estragos.
Há um prejuízo maior que se insinua em artigos de opinião e que me parece superior aos milhões que se foram distribuindo por capelas várias : a ideia de que não vale a pena velarmos pelas nossas águas porque nunca estaremos à altura de uma tarefa dessa grandeza ou porque os ‘maus’ já não o são ou perderam os dentes.
Não sei se dois submarinos são o instrumento necessário para garantir a nossa soberania no mar territorial. Deixo isso para os especialistas, que, diga-se de passagem, não são os Tavares que sabem de tudo e falam de qualquer coisa desde que tal venda papel. Mas seria desastroso que à conta da nossa revolta pela corrupção que mais uma vez contamina outro negócio do Estado, se deixe escapar a nossa vontade de assumirmos o nosso território, o nosso mar, os nossos recursos, o nosso país. Substituir isso pela impotência daquele ministro-advogado de Guterres que deixou a Marinha no cais por falta de combustível seria o maior crime e o mais desgraçado resultado deste caso de aldrabões e de vigaristas.
Palavras chave:
defesa nacional,
douro,
submarinos e torpedos
Quinta-feira, Abril 01, 2010
Um pouco de sol, sff
Palavras chave:
douro,
pintura americana
Paciência de Job (2)

Desta vez decidi que havia de ter uma ligação internet enquanto estivesse em Portugal. E aí venho eu com o meu laptop que tem os bons acentos, que foi o que se salvou da bagagem « perdida », pois levei-o comigo para dentro do avião.
Fui à loja oficial da Vodafone na Rotunda da Boavista comprar uma pen recarregável para acesso móvel em banda larga : 49 euros e picos. Regresso a Penafiel para constatar que aquilo não funciona. O dito apoio técnico por telefone explica-me que deve ser um problema do meu computador. Volto ao Porto com a pen e o pc para afinal o fulaninho da loja me dizer que a pen não funciona com o sistema operativo Windows 7, que é o sistema que vem instalado em todos os computadores recentes. Haveria uma solução mas o técnico apto a resolver isso está noutra loja e tem de ser por marcação.
Exijo a devolução dos 49 euros e deixo reclamação escrita, pois parece-me irreal que vendam material obsoleto sem sequer avisarem o consumidor. Aceitam a devolução e a reclamação e eu vou à loja da Optimus quase ao lado onde me vendem esta pen toda catita que funciona com Windows 7 e onde um eficiente empregado me instala tudo e testa tudo com toda a diligência e profissionalismo.
Portugal às vezes funciona, mas é preciso procurar e insistir.
Cuidado com os produtos da Vodafone.
Palavras chave:
douro,
portugal no seu melhor
Preces
A propósito dos escândalos de pedofilia com membros da Igreja, o Papa pediu na quarta-feira que se reze pelos padres. E quem reza pelas vítimas?
Assim vai o mundo
O Correio da Manhã é um manancial de notícias bizarras. Leiam só estes títulos, recolhidos em apenas dois dias:
Homem 'tenta' suicidar-se com courgette".
Matou marido ao apanhá-lo a ver mulheres em topless
Agência oferece implantes mamários
Menino chinês com 31 dedos
Adolescente britânico leiloa mãe na internet
Manuela não vai para a reforma
Apanhados a fazer sexo em câmara municipal.
Foto de padre nu no altar
Padre bêbado tenta realizar funeral.
Exposição de Barbies transexuais cancelada.
Sangue de porco em filtros de cigarros.
Galinha motiva tiro na mulher.
Conclusão: O Correio da Manhã conhece muito bem os seus leitores,
Homem 'tenta' suicidar-se com courgette".
Matou marido ao apanhá-lo a ver mulheres em topless
Agência oferece implantes mamários
Menino chinês com 31 dedos
Adolescente britânico leiloa mãe na internet
Manuela não vai para a reforma
Apanhados a fazer sexo em câmara municipal.
Foto de padre nu no altar
Padre bêbado tenta realizar funeral.
Exposição de Barbies transexuais cancelada.
Sangue de porco em filtros de cigarros.
Galinha motiva tiro na mulher.
Conclusão: O Correio da Manhã conhece muito bem os seus leitores,
Todas as pessoas são normais até as conhecermos melhor
As televisões mostraram esta semana um caso chocante. Na América, uma ama foi apanhada por câmaras escondidas a maltratar um bebé de 11 meses. Perante o olhar horrorizado do mundo, a mulher esbofeteou pelo menos trinta vezes a criança, atirou-lhe objectos, arrastou-a pelo chão, abanou-a e pontapeou-a.
A mulher, esta ama do inferno, tinha sido recomendada aos pais por amigos. Descrita como uma ama de confiança, com vasta experiência no contacto com crianças, trabalhava para a igreja local e era considerada um pilar da comunidade.
Há grande dificuldade em perceber o que a levou a agir assim, e até os especialistas receiam avançar com explicações. O que pode levar uma mãe extremosa, temente a Deus e perfeitamente integrada na sociedade a agir como um demónio, torturando um ser indefeso?
Falar aqui em banalização do mal é quase um abuso da nossa paciência. A mulher fez o que fez porque podia, e porque estava convencida de que nunca seria apanhada. Perante o silêncio da criança, a indiferença inicial dos pais e a complacência da comunidade permitiu-se agir de uma forma desumana.
É este sentimento de impunidade que ajuda a explicar os casos de abusos de crianças no seio da Igreja Católica, que levaram o papa a abordar o tema em carta pastoral inédita. O que está aqui em causa nada tem a ver com o celibato dos sacerdotes. Tem a ver, isso sim, com o manto de silêncio que as autoridades eclesiásticas sempre estenderam sobre o abuso, com a complacência da comunidade, com o pavor e a vergonha de quem sofre abusos por parte de quem devia ser de confiança. Por parte de quem exerce da pior maneira, da maneira mais reles e desprezível, o seu pequeno poder.
Os abusos não terminam simplesmente porque um sacerdote é admoestado entre as quatro paredes de um mosteiro e depois mudado de paróquia. Impõe-se aqui a justiça dos Homens.
A mulher, esta ama do inferno, tinha sido recomendada aos pais por amigos. Descrita como uma ama de confiança, com vasta experiência no contacto com crianças, trabalhava para a igreja local e era considerada um pilar da comunidade.
Há grande dificuldade em perceber o que a levou a agir assim, e até os especialistas receiam avançar com explicações. O que pode levar uma mãe extremosa, temente a Deus e perfeitamente integrada na sociedade a agir como um demónio, torturando um ser indefeso?
Falar aqui em banalização do mal é quase um abuso da nossa paciência. A mulher fez o que fez porque podia, e porque estava convencida de que nunca seria apanhada. Perante o silêncio da criança, a indiferença inicial dos pais e a complacência da comunidade permitiu-se agir de uma forma desumana.
É este sentimento de impunidade que ajuda a explicar os casos de abusos de crianças no seio da Igreja Católica, que levaram o papa a abordar o tema em carta pastoral inédita. O que está aqui em causa nada tem a ver com o celibato dos sacerdotes. Tem a ver, isso sim, com o manto de silêncio que as autoridades eclesiásticas sempre estenderam sobre o abuso, com a complacência da comunidade, com o pavor e a vergonha de quem sofre abusos por parte de quem devia ser de confiança. Por parte de quem exerce da pior maneira, da maneira mais reles e desprezível, o seu pequeno poder.
Os abusos não terminam simplesmente porque um sacerdote é admoestado entre as quatro paredes de um mosteiro e depois mudado de paróquia. Impõe-se aqui a justiça dos Homens.
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