sexta-feira, abril 30, 2010

O futuro já não é como era de antes

Esta frase não é minha. Vai-me na memória que é do Baptista Bastos.

Mas vale bem ser meditada.

Estou cansado

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto - Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

Álvaro de Campos

Sair do euro?

Quando a discussão já é esta não há muito tempo para brincar aos investimentos.

Passos Coelho parece que foi enganado. Apareceu na fotografia, mas tudo continua na mesma.

Dizem eles que os grandes "investimentos" continuam, como se houvesse dinheiro. É o Governo a fazer bluff, com especuladores!...

This is Africa



Há qualquer coisa neste refrão que me faz andar uns 20 anos para trás...

O norte

Movimento a norte prepara-se para criar partido regionalista.

Entretanto, um blogue a consultar: aqui

Romper os tabús e pôr tudo na mesa



Será que vale a pena?
Recapitulemos:
Quando na zona euro estavam plenamente em vigor as regras limitando os déficits a 3% e o governo Guterres deixara o Estado num estado calamitoso, a Europa apertou-nos o gasganete e obrigou o governo Durão a executar uma política depressionista que nos afundou ainda mais.
Quando pouco depois a França e a Alemanha furaram o tecto dos 3%, a Europa olhou para o lado, mudou as regras e deixou andar.
Quando a economia na Alemanha estagnava, o Banco Central europeu manteve os juros baixíssimos, incentivando o consumo e o desvario na periferia. Agora que a economia exportadora alemã parece revigorar-se (vejam-se o crescimento da Siemens ou da SAP), o Banco Central irá mais cedo ou mais tarde subir os juros para conter uma inflação que o reaquecimento da economia alemã trará no seu ventre.

Entre uma Europa do norte (Alemanha, Holanda, Bélgica), que beneficiará da recuperação do comércio global, e a Europa do sul, atascada no pântano orçamental, o Banco Central europeu seguirá a política monetária que beneficie o norte, ou seja, penalizará duramente os países como o nosso que já estão endividadíssimos, que se vão endividar ainda mais e que ainda por cima terão de aguentar essas futuras subidas de juros.

Os mecanismos europeus não estão pensados nem preparados para gerir ciclos económicos distintos no espaço da zona euro e enquanto assim for o Banco Central optará pelas políticas que importam à economia alemã, com total desprezo pelas consequências que essa escolha acarrete para os países em recessão.

Ora das duas uma: ou a Europa encontra soluções para aplicar ao mesmo tempo terapias diferenciadas em função das patologias de cada um, ou então a permanência de países como o nosso na zona euro poderá revelar-se um suicídio a prazo.

quinta-feira, abril 29, 2010

Comentador vs Escriba

Esta coisa de passar de comentador a escriba é mesmo complicada.
De um momento para o outro, zás, o nome aparece na lista e recebo instruções de acesso.

Já esta noite fiz uma pequena experiência e, para espanto meu, funcionou mesmo. E logo à primeira!
Fiquei tão surpreso de ter sido capaz de tamanha habilidade informática que logo me apeteceu telefonar aos meus filhos a gritar, vejam do que eu fui capaz. E fi-lo por mim mesmo.
Mas contive-me, para evitar o habitual “oh pai, olha a grande coisa...”
Espero que, pelo menos aqui, me deixem acreditar neste meu feito e que ninguém apareça a esclarecer que o sistema de acesso ao nortadas é que é muito simples, muito “user frendly” ou outras coisas no género.

O problema agora é que a minha cabeça de comentador não consegue ser tão rápida quanto o meu pc e, com um simples clique, virar cabeça de escriba.

Ainda por cima, os calorosos votos de boas vindas de vários nortadas, e não só, que a todos aqui aproveito para muito agradecer, se por um lado me incentivam, por outro também me inibem, pois fazem-me temer pela rapidez da desilusão.

Ah, até já tenho saudades do farripas. Como era fácil fazer apenas uns pequenos comentários...

Afinal as bandeiras eram brancas


Uma desgraça nunca vem só.
Ontem assistimos ao definitivo requiem da Política em Portugal, naquela encenação deprimente em que o alegado dirigente da oposição foi dizer um ‘amén’ supostamente patriótico ao ‘engenheiro-zombie’.

O homem que ainda há semanas dizia querer substituir o Arquivador-Geral, que votaria contra o PEC e as medidas que se lhe seguissem, que falava em rigor e transparência e que rejeitava a “estabilidade” em direcção do abismo, despiu-se desses incómodos e pôs uma gravata escura para participar no seu próprio funeral.

No dia em que o Governo assina mais uma enorme despesa para a Mota-Engil espalhar alcatrão e o BES empochar uns juros, nos momentos em que a maltinha do Sr. Teixeira cozinha a entrega da Galp aos Santos e da ANA ainda não se sabe a quem, em que na Comissão parlamentar de inquérito se acumulam provas comprometedoras sobre a rapaziada do PS, o auto-proclamado chefe da oposição foi a S. Bento como se fosse um Egas, mas de guita no bolso. Que digo eu ? Desculpa-me Egas.

O país não tem governo nem governantes e agora ficou claro que não tem oposição nem Políticos. Há uns figurões que se assumem como figurantes de uma farsa pobre, e é tudo.

PORTO cidade de cultura


O MUNDO GIRA E OS DIPLOMATAS RODAM

Hoje constatei no DR que foram nomeados os nossos embaixadores em Moroni e em Ulan Bator. Eu que julgava que era uma pessoa informada fiquei esmagado com a minha ignorância, não fazia ideia onde é que ficavam estas capitais tão importantes que justificam a existência de um embaixador da Nação (ainda que presumo que em qualquer dos casos não sejam residentes).
Fiz a minha pesquisa e descobri: Moroni é a capital das Comores e Ulan Bator é a capital da Mongólia. De facto, tenho de reconhecer que se há coisa que temos organizada com pormenor é a cobertura mundial da nossa rede diplomática.

Gordon Brown - a gaffe

quarta-feira, abril 28, 2010

Mourinho


Durante tempos odiava o homem e o estilo. Hoje estou rendido ao homem, ao profissional e ao estilo. Devia servir de exemplo para todos os portugueses. Trabalhador incansável, profissional vencedor e confiante quanto baste. Temos homem e o mundo do futebol a seus pés. Até Guardiola o reconheceu hoje.

Atenas


Óleo de Frederic Edwin Church "The Parthenon" - 1871

Casa de Lordelo

A minha experiência autárquica, micro-experiência em Lordelo do Ouro, tem-me permitido acreditar que vale a pena acreditar no ser humano. Ou pelo menos em alguns deles. A Casa de Lordelo e a sua mentora, alma e impulsionadora nos 36 anos que leva de vida, é disso um bom exemplo. Maria do Carmo Roncon em 1974 decidiu dedicar muitas horas da sua vida, hoje são 24 em cada 24, a cuidar dos velhos, como ela faz questão de os chamar. Nada de eufemismos. Só que a luta que ela trava pelos velhos esbarra sempre na burocracia e no alheamento de alguns que por obrigação moral e profissional lhe deveriam agradecer todos os dias. Hoje, Maria do Carmo Roncon vende compotas com faz pessegos que traz da quinta dela, pinta quadros que vende, faz bordados que vende. Como ontem dizia na Assembleia de Freguesia de Lordelo do Ouro, só falta mesmo vender-se a ela. O mais caricato surge nos encruzilhados da burocracia. Há alguns anos atrás fez obras na casa. Umas por imposição da Segurança Social, outras pela comodidade e conforto dos seus utentes, 78 velhos por dia e 20 residentes. A obra foi cara e os apoios prometidos não apareceram. Não ficou parada.Avançou, hipotecou o que foi necessário e ficou a dever ao banco. Ela como fiadora. As tentativas para resolver o problema esbarraram em telefones não atendidos, cartas não respondidas ou na estupidez dos burocratas. Mas ontem dizia com alma, que não desistia apesar de se reformar daqui a 2 meses. Um bom exemplo num Portugal cada vez mais adormecido.

De quem é a culpa

Logo pela manhã a conversa era a queda da bolsa. Depois de uma noite dormida a correr, a conversa ao café incidia na crise. A minha de momento era mesmo "ressaca" mas havia quem discutisse a crise da bolsa, a classificação atribuída a Portugal por um grupelho de meninos vestidos de fato cinzento que nuns escritórios envidraçados resolvem lançar o caos nos mercados. Acordei. Na capa do Público umas setas coloridas chamavam-me a atenção. No Diário Económico uma palavra só: "entendam-se". Sim façam esse favor de uma vez por todas. Entendam-se. E não se aplica só aos politcos portugueses, aplica-se aos governantes europeus, aos governadores dos bancos centrais dos países e do banco central europeu. É que ouvimo-los dizer que nada de grave está em causa quando nos atiram pedras custa.Mas o certo é que nos querem fazer ver nuvens cinzentas num dia que se apresentou com sol e quente.

1 2 3 experiência

Hoje também foi dia de greve na AR.
Desta casa, só bons exemplos !!!...
FRF

Postal de Tóquio (6)


Ainda não estou habituada a ser chefe.
Aparecem-me aqui a falar de férias ou a dizerem que têm consultas e a minha primeira reacção é pensar "e que diabo tenho eu com isso?".
Acho que sou uma boa chefe porque, tirando a parte das queixinhas de colegas que de todo não me interessa resolver (sou chefe, não a professora de vigilância ao recreio), autorizo tudo.
"A minha mulher está prestes a parir e se calhar nem vou ter tempo de avisar que tenho de ir para o hospital". Sim homem, eu percebo que nessas alturas o simples carregar do botão com o meu nome no telefone é tarefa que exige demasiada coordenação motora e concentração. Vai lá que quando dermos pela tua falta havemos de perceber o que aconteceu.

"O meu pai está internado e eu tenho de ir para o outro lado do mundo". Vai lá e faz boa viagem e pega lá duas beijocas cheias de energia positiva.

"Estou com gripe e tenho uma consulta". Sai imediatamente do meu gabinete antes que me pegues isso que se há coisa que me assusta é ficar doente no Japão!

Resumindo, sou uma chefe impecável e como ninguém até agora abusou, continuo a ser uma porreira. Desde logo porque não me dou bem com este papel de chefe... menos ainda com o papel de chefe DE JAPONESES!

Ontem levei uma das minhas funcionárias, japonesa, a uma reunião aqui ao lado.
Foram 10 minutos de percurso a pé para lá e para cá e eu sempre com a sensação de que estava nos apanhados!
1) Logo à saída do nosso edifício ofereceu-se para pôr as pastas que eu levava na mão dentro da sua mochila, carregando ela com as ditas às costas. Esta coisa totalmente estapafúrdia já tinha acontecido no mês passado mas só ontem percebi que é mesmo coisa de serviçal. Eu sou chefe, ela é ralé e faz questão de o mostrar a cada passo. Literalmente!!!

2) A criatura insistia em andar meio passo atrás de mim. Primeiro achei que estava a caminhar demasiado depressa para as suas pequeninas pernas japonesas. Mas de cada vez que abrandava o passo, ela também o abrandava... lá está, eu sou chefe!

3) Ao aproximarmo-nos de uma porta, punha as pernocas a trabalhar e aí ia ela em grande sprint para me abrir a dita cuja. Era uma canseira...

A páginas tantas, farta de tanta vénia por causa de uma passagem estreita disse-lhe que passasse à frente.
"Não, não, não, a dôtora é dôtora!" e vai mais uma vénia....
Oh mulher, somos iguais! Passe lá e deixe-se de vénias que isso há-de fazer-lhe mal à coluna!
E aí foi ela a correr abrir a porta outra vez.

Se eu não fosse chefe dela, provavelmente seria mais uma das que me empurraria no metro sem dó nem piedade. Porque afinal de contas os japoneses tratam muitíssimo bem... apenas quem no seu entender está acima deles.

Joana

Novos vulcões



Ontem houve um vulcão que voltou a cuspir cinza: a declaração de que os títulos de dívida da Grécia equivalem a investimentos especulativos (junk bonds) e a de que os de Portugal também não são muito fiáveis. As respectivas bolsas vieram por aí abaixo e agora só podem voar os passarões de motor a hélice: um foi esta manhã a S. Bento levar milho a um outro pardal que por lá esvoaça.

Os piriquitos de Bruxelas agitaram-se mas não demasiado. Acham que é preciso uma reunião de "emergência", do género da emergência que sentiram quando havia 250.000 passageiros encalhados nos aeroportos e resolveram, passados 5 dias, macaquear por tele-conferência um esboço de qualquer coisa. Desta feita, e beneficiando da experiência 'calma e serena' de galinácios que se julgam falcões, marcam para 10 de Maio uma reunião extraordinária do Conselho Europeu. Tal é a emergência.

Claro que isso nada tem a ver com o facto de estarem previstas eleições na Alemanha para o dia 9. Cruzes canhoto, nada a ver. Entretanto, vamos ver quanto desce a bolsa hoje, para contentamento do "Grande Educador" de Luanda, que deve estar a esfregar as mãos de contente por abocanhar a Galp por tuta e meia.

SUBSÍDIOS DE FÉRIAS E DE NATAL

Em tempos sugeri, aqui e noutros locais, que os trabalhadores pudessem passar, querendo, a receber o valor dos subsídios de férias e de Natal através de duodécimos mensais distribuídos por cada um dos meses do ano.

Tal seria um benefício ao qual os trabalhadores podiam recorrer, mas também uma solução que podia trazer vantagens à gestão de determinadas empresas.

Não vingou.

O problema económico Português não é uma questão de ataque à soberania. É um problema relacionado com o que fizémos e com o que não fizemos. Pequenas e grandes coisas.

A solução, agora, parece passar pela abolição dos SUBSÍDIOS DE FÉRIAS E DE NATAL. Se não for já estará para perto. É o resultado da tal "turbulência" em plena comemoração dos 100 anos da República...

terça-feira, abril 27, 2010

Norte sim

http://www.grandeportotv.net/catalog/category.do?categoryId=41fe9187197c9a9e01199436eb4a0009&hasFlash=yes

ou

Só à espadeirada

Vir com a conversa de que nos estão a cercar ou de que os mercados nos estão a atacar é de uma estupidez e de uma cretinice inimaginável. Tiques de Chavez ou de Teerão. Só à espadeirada. Bando de incompetentes. Mas quem se vai lixar é o mexilhão, essa é que é essa.

Farripas

Farripas é nome de cão. Já aqui ficamos a saber um pouco da sua história através de um delicioso texto. Hoje tive a oportunidade de almoçar com o Farripas. Não o cão, mas o nosso habitual comentador. Conversa boa. O convite já lhe havia sido feito mas hoje era questão de oficializar a coisa. Desta forma o Nortadas vai ganhar mais um escriba, que salta para dentro da casa depois de tempos a olhar pela janela e a espicaçar-nos com os seus comentários. Caro Farripas, o que me esqueci de dizer no almoço foi que é da praxe o novato organizar o próximo jantar do blogue. Mas tive medo que se assustasse. Um abraço e boas postas.

Apaguem a luz

Está bom de ver que a malta lá de fora quer dar cabo de nós. O melhor é apagarmos a luz e fazer de conta que não está por cá ninguém. Assim como assim ninguém se incomodaria e sempre viviamos mais sossegados.

Memórias do Portugal Respeitado

Um amigo enviou-me este texto da Autoria do Luis Soares de Oliveira a quem não posso deixar de agradecer e de parabenizar (como dizem os nossos irmãos brasileiros)pois a mensagem que o mesmo contem vem bem a propósito dos nossos dias.

"MEMÓRIAS DO PORTUGAL RESPEITADO

Corria o ano da graça de 1962. A Embaixada de Portugal em Washington recebe pela mala diplomática um cheque de 3 milhões de dólares (em termos actuais algo parecido com € 50 milhões) com instruções para o encaminhar ao State Department para pagamento da primeira tranche do empréstimo feito pelos EUA a Portugal, ao abrigo do Plano Marshall.

O embaixador incumbiu-me – ao tempo era eu primeiro secretário da Embaixada – dessa missão.

Aberto o expediente, estabeleci contacto telefónico com a desk portuguesa, pedi para ser recebido e, solicitado, disse ao que ia. O colega americano ficou algo perturbado e, contra o costume, pediu tempo para responder. Recebeu-me nessa tarde, no final do expediente. Disse-me que certamente havia um mal entendido da parte do governo português. Nada havia ficado estabelecido quanto ao pagamento do empréstimo e não seria aquele o momento adequado para criar precedentes ou estabelecer doutrina na matéria. Aconselhou a devolver o cheque a Lisboa, sugerindo que o mesmo fosse depositado numa conta a abrir para o efeito num Banco português, até que algo fosse decidido sobre o destino a dar a tal dinheiro. De qualquer maneira, o dinheiro ficaria em Portugal. Não estava previsto o seu regresso aos EUA.

Transmiti imediatamente esta posição a Lisboa, pensando que a notícia seria bem recebida, sobretudo num altura em que o Tesouro Português estava a braços com os custos da guerra em África. Pensei mal. A resposta veio imediata e chispava lume. Não posso garantir a esta distância a exactidão dos termos mas era algo do tipo: "Pague já e exija recibo". Voltei à desk e comuniquei a posição de Lisboa.

Lançada estava a confusão no Foggy Bottom: - não havia precedentes, nunca ninguém tinha pago empréstimos do Plano Marshall; muitos consideravam que empréstimo, no caso, era mera descrição; nem o State Department, nem qualquer outro órgão federal, estava autorizado a receber verbas provenientes de amortizações deste tipo. O colega americano ainda balbuciou uma sugestão de alteração da posição de Lisboa mas fiz-lhe ver que não era alternativa a considerar. A decisão do governo português era irrevogável.

Reuniram-se então os cérebros da task force que estabelecia as práticas a seguir em casos sem precedentes e concluíram que o Secretário de Estado - ao tempo Dean Rusk - teria que pedir autorização ao Congresso para receber o pagamento português. E assim foi feito. Quando o pedido chegou ao Congresso atingiu implicitamente as mesas dos correspondentes dos meios de comunicação e fez manchete nos principais jornais. "Portugal, o país mais pequeno da Europa, faz questão de pagar o empréstimo do Plano Marshall"; "Salazar não quer ficar a dever ao tio Sam" e outros títulos do mesmo teor anunciavam aos leitores americanos que na Europa havia um país – Portugal – que respeitava os seus compromissos.

Anos mais tarde conheci o Dr. Aureliano Felismino, Director-Geral perpétuo da Contabilidade Pública durante o salazarismo (e autor de umas famosas circulares conhecidas ao tempo por "Ordenações Felismínicas" as quais produziam mais efeito do que os decretos do governo). Aproveitei para lhe perguntar por que razão fizemos tanta questão de pagar o empréstimo que mais ninguém pagou. Respondeu-me empertigado: - "Um país pequeno só tem uma maneira de se fazer respeitar – é nada dever a quem quer que seja".

Lembrei-me desta gente e destas máximas quando há dias vi na televisão o nosso Presidente da República a ser enxovalhado pública e grosseiramente pelo seu congénere checo a propósito de dívidas acumuladas.

Eu ainda me lembro de tais coisas, mas a grande maioria dos Portugueses de hoje nem esse consolo tem."


...a bem da Nação!!!

Standard & Poor's baixa rating de Portugal

A Standard & Poor's baixa rating de Portugal, segundo o site do Público de há pouco.

A bolsa Portuguesa entrou em queda acentuada.

Tudo o resto se mantém "as usual". Por coincidência estamos hoje com a maior greve dos transportes dos ultimos anos que incomoda milhões de portugueses. Seguramente que, esta greve, resultará num dia em que o País produziu menos mas gastou o mesmo.

Não consigo ser optimista. Para qualquer pessoa se o que ganha é menos do que o que gasta é natural que os Bancos, a Mercearia, o barbeiro, etc, lhe cortem o crédito. No caso de um País o aviso que o crédito vai ser cortado chama-se reduzir a notação de rating.

O que qualquer pessoa faz nestas circunstâncias é reduzir as suas despesas.
O que o Estado fez foi aumentar os seus impostos.

Não nos admiremos que isto não corra bem.

Agora só falta culpar a Grécia e atirar pedras a quem nos avisa (as agências de rating).

Isto não são as arguras do capitalismo. Isto é a forma como as coisas funcionam.

"Quem, eu?"


Um dos métodos estalinistas de purgar os órgãos do Partido/Estado era inventar umas conspirações e encarregar o polícia Beria e o procurador Vyshinsky de "julgar", condenar e executar uns tantos parceiros.

Toda a gente sabia que os réus eram inocentes dos crimes de que eram acusados, mas aquilo era um espectáculo-ritual cujo desfecho estava de antemão decidido: o pelotão de fuzilamento e o degredo dos familiares.

No Portugal de 2010 revivem-se aquelas peças de teatro, mas desta feita os figurantes funcionam ao revés: toda a gente sabe que os Sócrates, Varas e outros Ruis mentiram, aldrabaram e conspiraram, mas os Vyshinkys de serviço ilibam-nos, arquivam-nos ou prescrevem-nos com pompa e circunstância.

Isto só pode acabar mal, muito mal.
E já agora, quem será o Krushchev do PS?

O cafarnaum belga ou a próxima presidência da União

Não esperas pela demora

A partir do momento que o FMI declarou que o crescimento português será inferior ao anunciado pelo governo, torna-se evidente que o país não sairá da berlinda tão cedo.

É verdadeiramente patética a insistência de certos responsáveis políticos em afirmarem que não somos gregos, pois não percebem que quanto mais o disserem mais se desacreditam e mais gregos nos tornamos aos olhos dos mercados.

Em boa verdade, a Grécia é que nos tem comprado tempo, permitindo-nos esse argumento de puto reguila do fundo da sala que aponta para o do lado e diz: "Ó sôtora, o Nelo nem o caderno trouxe".

A situação é de uma gravidade invulgar a que se acrescenta a tragédia de um Ministro incapaz e de um governo totalmente irresponsável e poltrão. Felizmente temos uma oposição lúcida que se mobilizou com grande coragem e clarividência para propor na Assembleia Municipal de Lisboa que a área urbana do Parque das Nações passe a ser uma freguesia da capital.
Uns valentões.

Greve nos transportes

Ainda LVB, agora para acalmar

A pedido do douro



Com condução de Herbert von Karajan, e legendas em inglês.

segunda-feira, abril 26, 2010

Hinos e Odes

Aproxima-se o fim do ano lectivo e, com ele, a cerimónia da entrega de diplomas na Escola Europeia Bruxelas II.
Um dos laureados será a minha filha mais nova, que este ano completa o secundário. Lá estarei para os aplaudir e para me emocionar, especialmente quando chamarem pela Maria da Luz. Nessa altura hei-de pôr-me em pé e gritar a plenos pulmões "Bravo!".

Já sei que a dado momento o mestre de cerimónias vai pedir à assembleia que se levante pois vai ser tocado a 'Ode à Alegria' de Beethoven, que ali teimam em considerar como "hino da Europa". E é claro que aí vou ficar ostensivamente sentado, perante o olhar curioso ou desagradado de alguns pais nas cadeiras vizinhas.

Não há hino da Europa!
O último andamento da 9° sinfonia de Beethoven é uma peça musical bonita, mas ambígua, que uns iluminados nos querem impingir como pauta sagrada, mas enquanto hino vale talvez menos que o do Salgueiros.

Por estranho que pareça, essa peça era, em 1938, o ponto alto do Reichsmusiktage e seria também tocada nos aniversários de Hitler. Na China maoísta e durante a "Revolução Cultural", a 'Ode à Alegria' foi uma das raras obras de música clássica ocidental a ser tolerada pois consideravam-na progressista por exprimir a luta de classes. Essa mesma Ode serviu de hino para os medalhados olímpicos alemães até 1970 e foi igualmente adoptada como hino nacional do regime branco de Ian Smith aquando da declaração unilateral de independência da dita Rodésia. Guzman, o sanguinário chefe do Sendero Luminoso peruano, elege a 'Ode' como a sua peça musical preferida.

Obviamente, Beethoven não tem nada a ver com isto nem culpa alguma, mas convenhamos que o dito "hino da Europa" é saco onde cabe tudo, nomeadamente o oportunismo dos iluminados de Bruxelas.

Tenho a certeza que Beethoven até me agradece por o ouvir de rabo sentado na cadeira. De pé só se for para cantar com a Tina Turner

The Queen and the Duke, para animar!

domingo, abril 25, 2010

A propósito dos festejos do 25/4

O rombo.

É aquela sensação que se tem quando se está a jogar flippers e aparece a mensagem "Game Over"...

Paris é nossa

A assembleia da república resolveu pagar a Inês de Medeiros as suas deslocações a Paris, porque equiparou com as deslocações dos deputados da Madeira e dos Açores. Vou ter que ensinar aos meus filhos que Portugal afinal além do continente e das duas ilhas que eles já conhecem tem também Paris. Espero que a Euro Disney também esteja na nossa alçada.

O país do 25

Hoje comemora-se mais um 25/4. Daqui a umas horas estarei nas comemorações oficiais na Junta de Freguesia de Lordelo do Ouro. Mas sinceramente que revolução comemoramos nós:

- a que promoveu Otelo como herói e esqueceu que tem as mãos sujas de sangue?
- a que permitiu que personagens como o boy da PT se ria de nós?
- a que criou uma justiça que demora anos a fio com um processo como o Casa Pia?
- a que criou uma justiça que iliba corruptos com o argumento que se enganou no corrompido?
- a que criou um sistema de compadrio e de interesses que mina a economia?

sinceramente não sei o que vou comemorar pela manhã. Lá estarei, mas garantidamente sem cravo na lapela.

sábado, abril 24, 2010

Cravos e espinhos



Esta foto é do dia 26 de Abril de 1974.
Esta gente juntou-se ali perto do Prado do Repouso, que era onde ficava a sede da Pide no Porto. Esta multidão que ali se juntou queria forçar o fim dessa polícia política, pois nessas horas ainda não estava claro se a Pide acabava mesmo ou se era recuperada pelo novo regime.

Havia um grande entusiasmo e uma enorme excitação : a primeira prioridade e a primeira exigência era que se pusesse fim à polícia política e que se responsabilizassem os seus agentes em função dos actos que haviam cometido. Sem isso o 25 de Abril seria apenas um reles golpe de Estado de uma clique de oficiais do quadro que queria melhores salários.

Mas para mim esta foto tem uma outra curiosidade : é que eu estava lá, no meio dessa multidão (aliás, julgo reconhecer-me entre aqueles rostos), a ouvir-lhes os comentários, a gritar com eles, a acreditar com eles, a empurrar com eles. E apesar da miséria moral em que o país se atolou, sinto ainda hoje que naquele tempo cumprimos a tarefa que estava na ordem do dia : pôr fim a um regime injusto e abrir uma janela de esperança.

Às vezes é mesmo preciso sair à rua.
E se necessário, voltar a sair.

Tributação

Diz-nos hoje o "Público" que os fundos de investimento também podem ficar isentos.

O regime de tributação das mais valias dos fundos, o desnorte das opções, a confusão dos processos decisórios, a aparente ausência de medida das consequências tem criado a maior das apreensões.

Veremos o que o futuro reserva.

ADILO

A ADILO (Agencia de Desenvolvimento Integrado de Lordelo do Ouro) comemorou esta semana os 15 anos de existência. O trabalho que desenvolve em Lordelo do Ouro é fundamental para minimizar as carências que inúmeras familias apresentam. É um trabalho silencioso e que não merece os holofotes mediáticos, mas por isso mesmo de louvar. Parabéns por isso a todos aqueles que diariamente colocam o seu saber e entusiasmo em prol dos outros.

Porque hoje é Sábado


Óleo de August Macke "Homem lendo no parque" - 1914

sexta-feira, abril 23, 2010

Sim a medicamentos mais baratos

Ora aqui está:
Contrariamente ao que alguns pretendiam, o direito da União Europeia permite que as autoridades públicas criem incentivos para que os médicos promovam a prescrição de medicamentos mais baratos.
A quem interessar, Processo C-26/09.

"Só mais um, só mais um, só mais um"

Eh pá, então ainda não temos um Observatório destes?
Ai, ai; será que a ministra Canavilhas está a perder qualidades?

A aposta do Governo

quinta-feira, abril 22, 2010

Os malditos frangos

Evo Morales, um dos amigos de Soares, descobriu a pólvora. Ou melhor descobriu o porquê das carecas e do número de gays aumentarem a olho nú. Os frangos. Sim, para Evo Morales os culpados são os frangos mais as hormonas femininas com que os fazem engordar. Depois a malta come e fica careca e gay. Temos homem.

Já repararam?

Quando era menino ansiava tanto por esta altura do ano como um futebolista anseia a bola na pequena área.
O Inverno na Foz era muito rigoroso. Agora não sei como é, como já estou a ir para velho o meu corpo confunde tudo.
A minha casa, que já era velhota, deixava entrar vento e frio. Ainda me lembro que quando passei para um dos quartos do sótão, a minha melena (tinha melena na altura) esvoaçava quando as noites eram daquelas de meter medo. Só quem viveu frente ao Atlântico sabe do que falo.
Voltando ao assunto. Quando o tempo melhorava, vínhamos cá para fora famintos de sol. No meu caso era a possibilidade de poder voltar a andar nas rochas ao pé do aquário.
Quando agora olho para aquela congestionada e suja avenida não imagino como era possível sair de casa para as rochas apanhar mexilhões e ranhosas, tudo isto descalço.
Já uma vez aqui falei da barraquinha da Yoplait e de como a sua abertura iniciava a época balnear, mas isso era mais lá para a frente.
Até começarmos a tostar na Praia do Homem do Leme, tínhamos que fazer alguma coisa. E fazíamos, havia os carrinhos de rolamentos, que podiam finalmente sair da garagem e sofrer os melhoramentos da nova época de corridas.
Havia as bicicletas que corriam para o monte da ervilha, com os seus pequenos Kamikazes, dar saltos, partir uns braços e levar uns pontos.
E havia principalmente uma alegria contagiante das flores, dos animais, do mar, que nesta altura muda de cor.
Já repararam que o mar nesta altura muda de cor?

Habemus Governador

Carlos Costa conhece bem a banca portuguesa.
Desde os tempos do 'Conselho' (BCP), onde se destacou pelo seu profissionalismo e competência, tem sido um técnico discreto mas eficiente.
No breve interregno em que chefiou o gabinete do comissário Deus Pinheiro em Bruxelas, foi o valor seguro de uma equipe fraquíssima e de um comissário para esquecer.
Voltou ao BCP, conhece a CGD e estava desde há tempos no BEI.

Carlos Costa tem a vantagem e o inconveniente de tratar por 'tu' todos os patrões do sector, incluindo o ministro das Finanças, com quem tem laços de amizade antigos.
Mas quero acreditar que temos um Governador capaz de dar um murro na mesa e que a sua timidez relacional não será funcional. Sei que não é homem de favores nem aceita recados e, se mais não fora, só isso é já um óptimo começo.
Felicidades

O.N.2

A norte a luta faz-se e com trabalhos muito interessantes.

Na hora de enaltecer o esforço a CCDRN nomeia os projectos mais interessantes.

E bem.

Vale a pena dar uma vista de olhos quanto a Boas Práticas de Desenvolvimento Regional aqui http://www.ccdr-n.pt/premios/nomeacoes/

quarta-feira, abril 21, 2010

Seria possível em Portugal?



Esta foi a capa da Economist da semana passada.

Acho-a simplesmente fantástica.

Admiro a capacidade que a Economist tem em colocar humor nos temas de politica sem que isso belisque a sua credibilidade. Pelo contrário estou convencido que este facto é um factor de atracção da revista.

Pergunto se isto era possível em Portugal?

Imaginem a capa do Público, Expresso, Sábado ou Visão com estas fotos e esta mesma mensagem e formato.

Já estou a imaginar a onda de indignação e os qualificativos de "jornalismo de sarjeta" que apareceriam.

É uma pena. O Humor é uma medida de inteligência.

Ainda o Ex-Presidente da Câmara de Lisboa Sampaio

Que hoje se indignou com o facto de, e passo a citar, o que "alguns gestores" (quem serão eles?)ganham num ano um "trabalhador honesto" demorará um século a ganhar.
Duas notas sobre esta indignação.
A primeira é que dava mais jeito ao país que as atenções se focassem no facto de gastarmos mais do que produzimos e o ex-Autarca Sampaio se indignasse pela "letargia" em que vivemos.
A segunda é que esta filosofia socialista que não sabe distinguir o risco de quem arrisca capital do empregado por conta de outrem não nos leva a lado algum. Se há gestores muito bem pagos é porque os accionistas da empresa entendem que isso é justificável. O risco é deles. Dentro de limites (e a Banca é objectivamente um caso limite pelo facto de estarem em causa os depósitos dos aforradores) é uma decisão legitima.
Adicionalmente este tema encerra um risco de prevalecer uma filosofia que afasta o mérito e a recompensa por esse mérito que afasta os melhores. Não me parece que seja isso o que queremos.

Chá preto

Parece que o ex-Presidente Sampaio disse umas baboseiras sobre a qualidade da democracia portuguesa. Este ex-Presidente da Câmara de Lisboa gosta de falar, sobretudo quando não tem nada de interessante ou de original para dizer, o que abrange 100% das vezes que articula sons.

O ex-Presidente do PS, qual inocente personagem da nossa democracia, podia ir ao "Barómetro" entreter os barometreiros que por lá andam em part-time, ansiosos que estão por escrevinharem umas balelas sobre a pressão atmosférica da dita democracia.
Todos juntos, tomem chá e torradas.

Postal de Tóquio (5)

Ainda a nuvem

Os últimos dias mostraram bem o estado em que se encontra a Europa.
Não obstante haver um Regulamento que prevê a obrigação de prestação de cuidados a passageiros em terra, sem excepcionar para este efeito os casos de força maior, a Finnair escusou-se imediatamente a prestar qualquer tipo de auxílio aos passageiros em terra. Não prestou sequer qualquer informação e só tive a certeza que eles existiam mesmo quando ontem à tarde me plantei nos escritórios deles à espera de qualquer coisa que pudesse dizer aos meus portugueses.

Passageiro da Finnair em terra não teve direito sequer a uma senha de refeição.
A British, por outro lado, ofereceu a primeira noite de hotel aos passageiros retidos.
O Regulamento é o mesmo e aplica-se em toda a UE mas a Finnair interpretou o artigo 9.º à sua maneira explicando que a obrigação de prestação de cuidados existia apenas quando, havendo uma rota alternativa, o passageiro prefere ficar em terra. WHAT?????

Ora, como a Finnair não tem rotas alternativas nem freta aviões a outras companhias, ao passageiro não resta outra alternativa senão ficar em terra. E não havendo outra alternativa, a Finnair não lhe oferece nem sequer um cafézito. Faz sentido.

No meio de tudo isto, há que tirar o chapéu ao Governo Japonês que se portou acima do que qualquer pessoa esperaria, para desespero dos japoneses que, não compreendendo a noção de solidariedade, não esperaram muito tempo para desancar no PM.
Assim, e desde Segunda-feira, o Governo alugou salas no aeroporto que ficaram transformadas em camaratas para os passageiros em terra, distribuiu água e refeições, sacos cama e cobertores, senhas gratuitas para os chuveiros do aeroporto, acesso à internet, um cartão de telefones e vários computadores espalhados pela zona de descanso dos passageiros.
Também o aeroporto de Narita se uniu a esta causa e organizou excursões gratuitas para distrair os passageiros em espera. De louvar!

Joana

O escândalo da Ana

O governo acaba de atribuir à ANA-Aeroportos de Portugal a concessão, por 40 anos, da exploração de todos os aeroportos de Portugal, incluindo os que venham a ser construídos (leia-se, o novo de Lisboa).

Leu bem: 40 anos!
Confirme aqui: Decreto-Lei 33/2010 de 14 de Abril (D.R. n°72, 1° série), que inclui em anexo as "Bases da concessão".

Será isto um 'remake' da concessão dos contentores em Alcântara? Se não é, parece.
Quanto tempo vai desta vez demorar o Ministério Público para levantar a questão?
Será que a Comissão Europeia também vai olhar para o lado, como o fez no caso da barragem do Sabor?

E o que é espantoso é que no próprio Decreto-Lei citado se confessa que essa exploração fora inicialmente concedida em 1998 mas que "…contudo, o contrato de concessão aí previsto não chegou a concretizar-se…". Ou seja, a ANA nunca teve, desde 1998, base jurídica e contratual para andar a cobrar taxas e serviços, tendo portanto actuado na mais completa discricionariedade, mas obtém agora, sem concurso público e por 40 anos, a exploração de tudo o que há e do que ainda não há.

É óbvio que uma imediata vítima desta habilidade será o aeroporto Sá Carneiro que a ANA usará como vaca leiteira para lhe alimentar os desvarios de Alcochete.

E é óbvio que nada disto interessa aos Passos Coelhos da nossa praça, e ainda menos ao consul da Bielorússia, porque infelizmente temos em Portugal uma oposição de opereta.

terça-feira, abril 20, 2010

Tranquilito, hombre

A próxima crise de que ninguém fala.
Aqui

Nós, os gregos (2)


Vinte anos de 'socialismo' (da dita Internacional Socialista) na Grécia, nas décadas de 80 e de 90, foram o almofariz ideal para a instalação de um dos sistemas político-económicos mais corruptos no espaço europeu.

Se a isso acrescentarmos o rotativismo das dinastias Karamanlis (Partido da Nova Democracia, integrado no PPE) e Papandréou (IS), está explicado como é que se consolidou a ideia de que a corrupção é uma coisa normalíssima e que um em cada cinco cidadãos declare que no último ano pagou um suborno a um médico, a um advogado ou a um funcionário para poder receber mais depressa um qualquer serviço.

Tudo isso seria uma mera curiosidade se não ficássemos com a impressão, ao ler os relatórios da 'Transparency International" sobre a Grécia, que a diferença não é muita, pelo menos na área dos negócios encostados ao Estado, com o que se passa no nosso país.

Talvez por isso tenha sido instituído a nível internacional um prémio para os heróis anti-corrupção, o que por si só é bem revelador dos tempos que correm. Ou seja, premeia-se quem não infrinje a lei pois deixou-se de punir o criminoso. Se se quiser candidatar, informe-se aqui.

Foge cão que ainda te fazem barão

Óleo de Sidney Goodman "Free Fall" - 1991

A dívida total da Espanha equivale a 400% do seu PIB.
Metade dessa dívida é privada e há 350.000 famílias (ver aqui) que já não conseguem pagar as suas hipotecas.
Sorria, pois está em Espanha (o país dos Zapateros).

segunda-feira, abril 19, 2010

de mansinho...

Já sabemos que o nosso primeiro não prima pela boa educação. Também já sabemos que uma boa parte deste PS tem um problema sério de falta de nível, ver exemplos de Santos Silva, José Lello, José Junqueiro, etc…

Agora o que não sabíamos é que no nosso Parlamento há quem tenha que pedir desculpa por qualquer coisinha, e há quem passeie a sua má-criação impunemente.

Parece-me que quem é manso neste caso está sentado acima dos seus pares.

E continua...

Os peritos, os especialistas são quem devem explicar os factos e os riscos. Mas é preciso factos e uma clara e tão rigorosa quanto possível avaliação de riscos. Compete depois aos políticos decidir. Estes não se podem esconder atrás dos peritos e os peritos não devem matar moscas com canhões para evitarem eles próprios o risco de se enganarem.

As nuvens islandesas têm sido um revelador da vulnerabilidade dos nossos sistemas e dos nossos tempos. E mais uma vez a Europa age atabalhoadamente e o poder político demora 5 dias para começar a debater a situação. O pandemónio não podia ser maior e a descoordenação cresce hora a hora.

Os peritos avisaram que às 24h de 31 de Dezembro de 1999 ia ocorrer um desmoronamento informático, que não aconteceu. Os especialistas propuseram a matança de centenas de milhares de vacas que seriam responsáveis por uma doença cerebral que dizimaria milhares de humanos, os quais felizmente ainda cá andam. Uns e outros anunciaram uma perigosa pandemia gripal que afinal fez menos vítimas que uma epidemia sazonal. E ainda recentemente apurou-se que um painel de peritos manipulou factos e modelos sobre o ambiente de molde a influenciar certas opiniões.

A IATA (ver aqui) representa os interesses das companhias de aviação e é normal que estas não estejam nada satisfeitas com o desenrolar dos acontecimentos. Mas a IATA deve ser escutada e o que diz merece ser ponderado. Com tanto perito passado a anunciar tragédias que não ocorreram e com tanto exagero profilático que ia matando o doente mas enriqueceu uns tantos, é legítimo questionar o bom senso de uma aplicação paranóica do princípio de precaução.

domingo, abril 18, 2010

Portagens

Fazer pagar o utilizador é um princípio que parece sempre justo. Quem usa paga, quem não usa não gasta. É liberal está tudo dito.

Em momento de crise, pedir ao interior que, produza, venda, que se desenvolva para seu bem e para bem do País, criando-lhe ainda mais dificuldades, é o mesmo que dizer ao esfomeado:

- Tens que comer, mas é melhor não, pode fazer-te mal".

sábado, abril 17, 2010

Porque hoje é Sábado

Óleo de Eero Jomefelt

"Fait Divers"

Acho espantosa importância dada ao formalismo das coisas.
Ontem Sócrates respondeu com a expressão "Manso é a tua tia!" a uma intervenção de Louçã em que, em tom jocoso, este dizia que o notava "mais manso".
Acho que não preciso de explicar. Algumas palavras doem e é justo que sejam respondidas.
E foi o que aconteceu. Não vejo nada de especial. A resposta é até muito branda, tendo em conta a expressão e o próprio Louça, que é particularmente irritante.
Louça usa propositadamente uma linguagem e uma agressividade para que o seu oponente perca a compostura. Depois de alcançado o objectivo, faz-se de vitima. Foi assim com os "cornos" do Ministro Pinho e foi assim neste caso. Já devíamos ter aprendido e dar-lhe a mínima importância.
Com toda a franqueza eu não sei se me segurava.

sexta-feira, abril 16, 2010

Eis o video!

Ólhó nível...



Durante o debate quinzenal no Parlamento, Louçã questionava o primeiro-ministro sobre as remunerações e prémios dos gestores públicos. A certa altura comentou: 'Sr. Primeiro-Ministro, vejo que de intervenção em intervenção vai ficando um pouco mais manso'. Ao que, de microfone desligado, o nosso Primeiro Ministro respondeu: 'Manso é a tua tia, pá!'. Penso que são dispensáveis quaisquer comentários. Em todo o caso, junto foto. O video já anda por aí a circular.

O DITADOR LOUÇÃ E O PARTIDO DO SEU REGIME

O Francisco Louçã e o BE são a vergonha da classe política em Portugal. A um processo por difamação e calúnia que Paulo Teixeira Pinto moveu contra ele, o BE veio classificar como "uma ameaça sem significado e inaceitável, que pretende limitar a liberdade de expressão".

A queixa em causa tem por base uma iniciativa da Causa Real - o desembarque no Terreiro do Paço e um cortejo nocturno aos gritos de "Viva a Monarquia" – que Louçã comentou como sendo “uma acção patusca promovida por um banqueiro milionário associado ao período do colapso da liderança do BCP”.

Ora, Louçã não só respeita a liberdade de outros cidadãos que não pensam como ele, e ainda por cima acusa quem tem o direito de entrepor uma acção contra ele como uma tentativa de limitar a sua liberdade de expressão.

Mas o cúmulo disto tudo é que, entretanto, escudou-se na imunidade parlamentar para não responder ao processo em tribunal, o que também vem reforçar o significado muito personalista que ele tem da liberdade.

E fala ele em transparência. E critica ele toda a gente mas recusa-se a responder perante outros.

Enfim, é um frustrado porque os tempos dos ditadores e dos regimes totalitários de esquerda na Europa já terminaram, e ele ainda convive mal com isso.

As nuvens que param a Europa


Não há favas contadas

Vi ontem a prestação de Louçã na "Grande Entrevista" da RTP.
Por muita comichão que isso nos faça, Louçã marcou pontos.
Trata-se de um político com espessura, claro no seu discurso e firme nos seus propósitos.

Ideologicamente é um desastre, naquele trotskismo embrulhado em celofane e em demagogia populista de sinal contrário à demagogia de Portas. Mas isso não basta para o sacudirmos. Qualquer cidadão médio pode perfeitamente concordar com muitas das críticas de Louçã ao regime. Porquê? Porque ele tem razão em boa parte dessas críticas. Ora isso é meio caminho para se admitir que as soluções que propõe são boas e é aí que está a casca da banana, até porque algumas das medidas que propõe são pertinentes e parecem provir de alguém que tem as mãos limpas, o que hoje em dia é uma extraordinária vantagem.

A queda livre que nos espera e o desemprego que se agrava são terra fértil para qualquer Louçã e não é a leveza de um Coelho ou o verniz de um Marcos que poderão desmontar a falsa esperança dos novos profetas. Os milhares de licenciados que nos próximos anos procurarão em vão um posto e um caminho estarão disponíveis para ouvir esses profetas.
Subestimá-los seria um erro. Não há favas contadas.

Uma nova revolução tecnológica

A desilusão

Depois disto tudo, a desilusão é o Figo. Quanto ao resto, já não havia ilusões...

quinta-feira, abril 15, 2010

Litoral de Ovar





A primeira fotografia é da praia do Furadouro em 1920. Do lado direito da fotografia está uma capela que foi deitada abaixo e reconstruída mais perto da costa para evitar a destruição pelo mar. Anos depois, essa capela foi de novo ameaçada, e deslocada então para a saída do Furadouro em direcção a Ovar. A segunda fotografia foi tirada nos anos quarenta. Ainda havia dunas no areal e o mar estava bem longe. Hoje a subida das águas já obrigou a retirar os miradouros da praia e o Atlântico já chegou perto dos muros da avenida em tempo de marés vivas. Diz quem sabe, e vai frequentemente até lá, que na praia da Maceda, ali perto, as árvores vão tombando sobre a areia por falta de sustentação à medida que o mar avança, dando origem a um cenário verdadeiramente apocalíptico. A autarquia de Ovar pediu agora uma reunião de trabalho com a Ministra do Ambiente para resolver os problemas do avanço do mar nestas praias bem como outras questões relativas à erosão no litoral daquela zona. Infelizmente, não parece que o problema do desaparecimento dos nossos areais se coloque só ali. E fala-se bem pouco disso.

O triunfo dos ginetes socialistas

Vale a pena ler o Vasco, no Mar Salgado

Para reflexão

Não sei ainda o suficiente para ter uma opinião final sobre o nuclear em Portugal. Tendo a achar que essa é uma necessidade incontornável na nossa política energética.

Este artigo é uma boa base para um início de reflexão sobre o tema.

Apertem os cintos

João Garcia partiu já rumo ao pico da montanha Annapurna.

Nós por cá estamos no pico. Em 2009 os salários subiram acima da inflação, e os juros nunca foram tão baixos. Parece-me que nunca estivemos tão em cima.

O Público de hoje revela que em Maio o Estado precisará de pagar € 7 mil milhões. Dentro de dias vamos começar a cair, em direcção a 2013.

Apertem os cintos que vamos começar a descer...

Nortadas cada vez mais forte

Uma das decisões do almoço do "Nortadas" na magnífica Casa de Abbades foi a de convidar o comentador 'Farripas' a integrar o grupo dos 'nortadeiros'.
Imagino que já estão em curso negociações com quem de direito para pôr o seu nome na coluna da direita e para lhe dar o código de acesso. Mas entretanto coube-me publicar em seu nome este post abaixo.
O Francisco Rangel da Fonseca não é apenas um amigo pessoal de longa data. O Chico é uma pluma esclarecida, um polemista de primeira água, um homem bom e de coragem que nos honra. Bem-vindo "Farripas" e que a nortada nunca esmoreça.

O Farripas

Permitam-me começar por apresentar aqui o verdadeiro Farripas.
O Farripas é o cão d'água de uma amiga minha. Esta amiga, amante do desporto, do ar livre e de tudo quanto mexe, permite amplas liberdades ao Farripas, para desespero de seu marido e amigos.
É, sem dúvida, o cão mais bruto e deseducado que conheço, mas ao mesmo tempo de uma meiguice que enternece.

Moram no Porto, mas têm uma casa de campo perto de Castelo de Paiva, onde passam muitos fins-de-semana. Aqui as suas amplas liberdades permitem-lhe ainda chafordar em tudo que tenha alguma água, poças e esgotos incluídos, para depois distribuir os respectivos salpicos pelos presentes ou mergulhar na pequena piscina e pôr fim ao nosso refrescante banho.
Já conta 13,5 anos, mas nem a idade o faz mais urbano.
Porém, há dois anos atrás aconteceu algo que me fez olhar o Farripas com mais condescendência e alguma admiração.

A minha amiga, e marido, iam de viagem, pelo que foi o Farripas estacionado num assim chamado hotel para canídios, na zona do Marco de Canavezes. Lá se encontraram com o hoteleiro a meio do caminho, onde o Farripas foi transferido para o jeep deste com a habitual choradeira da separação.
Já lá tinha estado antes mas, na primeira oportunidade, fugira. As buscas só tiveram sucesso ao fim de 3 dias.
Mas, desta feita, apesar dos cuidados redobrados, fugiu logo no primeiro dia, tendo-se as buscas iniciado na manhã seguinte. Ao final do dia, mesmo com a ajuda de cães pisteiros dos bombeiros locais, tudo quanto haviam encontrado foi o local onde o Farripas havia pernoitado.
Retomadas as buscas no segundo dia, nada. Até que, quando a minha amiga já regressava ao Porto, a meio da tarde, recebe um telefonema de uma vizinha em Castelo de Paiva, que lhe costuma guardar e cuidar da casa, a dizer: Oh minha senhora, está aqui o Farripas. Pode lá ser! Oh minha senhora, então eu não conheço o Farripas?
Meia volta na estrada e toca a rumar a Castelo de Paiva.

Entretanto outro telefonema, agora de um alemão a quem ela tinha arrendado a casa para uns dias de férias: Está um cão na piscina a brincar com os meus filhos, mas que não nos deixa entrar na água! Já estou a ir para aí, retorquiu ela enquanto acelarava excitada com a ideia de poder reencontrar o seu Farripas.
Ali chegada, lá estava o Farripas ainda todo molhado do relaxante banho na piscina, em amena brincadeira com os filhos do casal de alemães, a quem o Farripas frustava qualquer tentativa de entrar na piscina com ameaçadores latidos.
Estava pois confirmado. Apesar de visivelmente cansado, esfomeado e com as patas um pouco maltratadas, era mesmo o Farripas.
Mas como o Farripas nada diz, ficarei sempre com as minhas dúvidas:
O que fez o Farripas, então já com 11 anos de idade, ir para Castelo de Paiva (casa de fins-de-semana) e não para o Porto (sua residência habitual)?
Como se orientou?
Como percorreu os cerca de 50 Kms entre o Marco de Canavezes e Castelo de Paiva? Por estrada ou a corta-mato?
Como atravessou o Tâmega? E o Douro? A nado ou por pontes?
Na ausência de respostas e não percebendo eu nada de cães, ainda hoje considero esta aventura do Farripas um enorme feito.
A ponto de o considerar digno de um pseudónimo...
Cumprimentos,
Francisco Rangel da Fonseca

A caminho do Sabor (3)

Trailer Cinema "Pare, Escute, Olhe" from Pare, Escute, Olhe on Vimeo.



é particularmente importante perceber-se e denunciar a atitude e comentários do PM Jose Socrates...aquele que já foi Minisrtro do Ambiente mas que pelos vistos gosta é de cimento.

...a bem da Nação!

em bom portugues


Assim se escreve...

quarta-feira, abril 14, 2010

Pedofilia

A prática da pedofilia deve ser punida de forma exemplar, seja ela praticada por quem for. Mas querer confundir a árvore com a floresta é algo com que não posso concordar e demonstra bem a má fé de alguns que aproveitam a maré para atacar a Igreja Católica. O passado tem que ser desmascarado mas para isso é preciso coragem, coragem que efectivamente tem sido demonstrada pelo actual Papa. Infelizmente o ser- humano tem defeitos, seja ele um padre, bispo, arquitecto ou qualquer outra profissão. É certo que esperamos, os crentes pelo menos, que os membros da igreja católica tenham um comportamento quase sobre-humano. Mas quem vem acusar a igreja no seu todo são exactamente aqueles que não acreditam nela e que diariamente a atacam com os mais ignóbis comentários. Que não acreditam em Deus e olham os padres e bispos como portadores de uma mensagem de charlatice. Que bela contradição que os "arautos da verdade" pregam.
Hoje está bom de ver que existem situações criadas por pessoas individuais que a igreja enquanto entidade condena.
Assim, deixemos em paz a igreja e deixar que cumpra a sua missão, e acuse-se os homens pelos crimes que eles cometeram.

E agora?

O ministério Público confirma envolvimento de Rui Pedro Soares no polémico negócio entre Luis Figo e a Taguspark. Definitivamente a vida não corre bem a este boy do PS, mas Luis Figo sai igualmente muito chamuscado desta história. É pena que assim seja. Figo é um ídolo desportivo e este novo papel não lhe fica bem. E não há coincidências na vida que expliquem estas trapalhadas.

Taça de Portugal

Chaves e Porto vão disputar a Final da Taça numa altura em que Oeiras, o seu Parque e a FPF têm andado nas primeiras páginas dos jornais.

Bem sei que a opinião publicada vai dar muito mais destaque e cobertura por muito, muito tempo ao campeonato nacional.

A verdade é que a Taça ficará de novo a Norte. Essa é que é essa!

Canalhas consagrados, corruptos...pelos vistos é cá e lá

Anda gente muito esquisita fora dos manicómios.

Renato Teixeira no 5dias escreve isto.

Aqui vai uma pitada assustadora:

“O cheiro nauseabundo que emerge da cumplicidade com a pedofilia torna ainda mais irrespirável o ar de uma organização que sempre primou por estar do lado da matança. Não houve um carniceiro fascista que não contasse com o silêncio cúmplice dos gestores da cruz de Cristo. Não há nenhum credo com mais sangue derramado. Não há nenhuma organização que uma vez julgada obtivesse maior cumulo jurídico. A meia dúzia de padres progressistas nunca serão suficiente para ocultar os pecados dos carrascos da ciência, dos terroristas da fé, dos traficantes do medo, dos agiotas da virtude e dos especuladores da vida eterna.”

Esperar sentado


A dita renovação geracional deu nisto: o consul da Bielorússia é vice-presidente do PSD.
Deixa-te estar sentado, João, que eu vou ali ao barbeiro.

Imprescindível

Ratzinger sem ilusões de FNV no mar salgado.

Postal de Tóquio (4)

Há dois tipos de japoneses: aqueles de quem eu gosto imenso e aqueles a quem me apetece esbofetear até à exaustão.
Eles não têm culpa, coitados. São o produto típico da sociedade do consumo e percebo que devem ser pessoas que não se encontraram ainda. São a geração mais nova, a geração do pós-guerra em geral que foi piorando à medida que o mundo se aproximava do século XXI. São os japoneses de carapinha e caracóis louros (tipo anúncio ao Restaurador Olex), as japonesas que usam molas para afunilar o nariz e tentam ser o mais americanas possível sem no entanto quererem sequer falar uma palavra de inglês.

Depois há os outros. Aqueles japoneses a quem me apetece encher de beijinhos e aprender a falar japonês só para poder passar tardes inteiras com eles.
São os comerciantes de Ameyoko e Tsukishima, são os velhinhos do metro e do supermercado que dormem em foutons em chão de tatami, os que escolhem o templo ou o santuário porque acreditam no budismo ou no shintoismo e não porque um é mais perto de casa que o outro. Gosto das velhinhas sorridentes de kimono. Gosto dos velhotes de andarilho.
E gosto dos japoneses que falam inglês, em qualquer idade.

Joana

Uma nova casa

Resolvi ter uma casa de férias. Ou melhor, de trabalho. Aqui no Nortadas, a minha primeira e verdadeiramente casa de familia, continuarei a escrever sobre tudo e mais alguma coisa. Mas aqui no Wordofmouse sobre trabalho, ou seja sobre comunicação. Quem quiser passar por lá é bem vindo.

Norte de Portugal, candidato a ex-maravilha

Numa das próximas edições, outro candidato a ex-maravilha é o Norte de Portugal.

As notícias desta semana confirmam o estado decrépito da região, perante a apatia dos governos, de todos os partidos (e também dos líderes cá da terra...).

Isto já só lá vai com a regionalização, como aqui se conclui. E já nem quero saber quais são as outras regiões. É urgente a regionalização do Norte. Isto é assim: cada um que trate de si...

Acho que nesta coisa da distribuição podemos dar o exemplo, e partilhar com Lisboa os aviões. Eu isso até acho bem. E acho, para começar, que se deve alargar o método ao Estoril Open e ao Rock in Rio.

Uma coisa é certa: estamos todos a ficar fartos...

terça-feira, abril 13, 2010

Rio Sabor, candidato a ex-maravilha





Infelizmente, este concurso vai, numa das próximas edições, contar com o Rio Sabor.

Aqui vai o primeiro parágrafo da petição que está a circular:

O rio Sabor é considerado o último rio selvagem de Portugal devido à ausência de barragens ao longo dos mais de 120 km do seu percurso através de Trás-os-Montes, ao isolamento do seu vale e à grande diversidade de habitats naturais e espécies que aí ocorrem. Contudo, paira sobre este santuário natural o peso da possível decisão de construção de uma grande barragem no seu troço inferior, que submergirá cerca de 50% da extensão nacional do rio.

Para ler o texto integral e assinar a petição, clicar aqui

Ismos a eito

Em pouco mais de uma dúzia de parágrafos curtos, Luís Filipe Menezes identifica no PSD (ver aqui) uma catrefa de correntes: o cavaco-barrosismo, o nogueirismo, o mendismo e o menezismo. Não sei se é por maldade que LFP não menciona um marcelismo ou um ferreirismo, mas deve ser por já terem passado muitos anos que também não refere um pintismo, um balsemismo ou um guerreirismo.

Convenhamos que esta queda para os ismos de apelido convida à risota, mas cada um faz a análise política de que é capaz e a mais não deve ser obrigado. Deve ser isso o menezismo.

Podia ser hoje, podia ser cá...

Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que nunca
reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma turma
inteira.

Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente
funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria
igualitário e 'justo. '
O professor então disse, "Ok, vamos fazer um experiência socialista
nesta turma. Ao invés de dinheiro, usaremos as suas notas nas provas."
Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e
portanto seriam 'justas. ' Isso quis dizer que todos receberiam as
mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso
também quis dizer, claro, que ninguém receberia um "A"...


Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam
"B". Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não
se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.
Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda
menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que
tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se
aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra
suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como um
resultado, a segunda média das provas foi "D".
Ninguém gostou.


Depois da terceira prova, a média geral foi um "F".
As notas não voltaram a patamares mais altos mas as desavenças entre
os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da
atmosfera das aulas daquela turma. A busca por 'justiça' dos alunos
tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de
injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das
contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala.
Portanto, todos os alunos repetiram o ano... Para sua total surpresa.
O professor explicou que a experiência socialista tinha falhado porque
ela foi baseada no menor esforço possível da parte de seus
participantes.
Preguiça e mágoas foi o seu resultado. Sempre haveria fracasso na
situação a partir da qual a experiência tinha começado.
"Quando a recompensa é grande", disse ele, "o esforço pelo sucesso é
grande, pelo menos para alguns de nós.
Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos
outros sem o seu consentimento para dar a outros que não batalharam
por elas, então o fracasso é inevitável."


"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações
que punem os ricos pela prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem
trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não
pode dar a alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade
da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a
outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade
entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira
metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.
É impossível multiplicar riqueza dividindo-a. "


Adrian Rogers, 1931

Cigarras e formigas


Hoje o Tesouro grego leiloa títulos de dívida num montante de 1,2 mil milhões de euros, em duas tranches, por seis meses.
Não é um valor muito importante mas não deixa de ser um teste. À hora a que escrevo já se deve saber que tudo correu bem, até porque este tipo de títulos costuma ser arrematado por bancos locais e alguns particulares que dessa forma beneficiam de isenções fiscais.

Mas seria um erro pensar-se que o problema grego está resolvido. Nem de perto nem de longe. Na verdade, já não é um problema grego mas um problema europeu, que tem posto a nú a inexistência de uma liderança política na União Europeia.

Cinzia Alcidi do "Centre for European Policy Studies" diz:
"The image of the monetary union is weakening. The way the Greek crisis is managed and resolved will be crucial to the future of the euro zone and, if the euro survives, to the EU's future," .

Um outro economista , Simon Tilford do "Centre for European Reform" acrescenta:
"The rest of the world is looking with concern at the lack of strategic thinking and the lack of political leadership. There is still nothing clear about how they will get growth going and address economic imbalances."

segunda-feira, abril 12, 2010

10 Simple Google Search Tricks

Vale a pena ler este artigo do NYT.

PSD

Este fim-de-semana foi o congresso do PSD. Do discurso de Passos Coelho fica uma clara intenção de mudança. Há muito que não ouvia objectivos como "tirar o Estado das empresas", apelidar de "promiscuidade" esta relação que cria clientelas. Tem sido raro colocar a iniciativa empresarial como a base da nossa economia e ainda mais raro ouvir a proposta de colocar os que recebem prestações sociais a fazer trabalhos para a comunidade.
Tudo isto é muito interessante porque radicalmente diferente do que temos visto no PSD.
Vou estar muito atento a este discurso. Primeiro porque ele é contrário a uma lógica clientelar (menos estado é menos "jobs" para a rapaziada) e depois porque pouco ouvimos de concretização destas intenções.
O passado e o tempo tornou-me mais céptico. Aguardemos.

Almoço do Nortadas

Foi ontem (já passa da meia noite, o que quer dizer que afinal já foi anteontem) o nosso almoço do Nortadas. Como não podia deixar de ser foi a Norte, na maravilhosa Casa de Abbades, em Ponte de Lima, e não podíamos ter sido todos mais bem recebidos. O Carlos já postou fotografia de uma bem fornecida travessa, o Zé Mexia de cada um dos Nortadas em convívio, agora eu posto uma do Zé Graça desempenhando com desembaraço as suas funções de anfitrião e distribuindo os lugares entre os convivas! Obrigada, Zé e Mariana! E força, Nortadas!

domingo, abril 11, 2010

Almoço do Nortadas V


Paula Faria

(Continua amanhã)

Almoço do Nortadas IV


João Anacoreta Correia, Carlos Furtado, Francisco Vellozo Ferreira.

Almoço do Nortadas III


José gagliardini graça, João Maria Porto, Daniel Brás Marques.

Almoço do Nortadas II


Bernardo Lobo Xavier, Francisco Sousa fialho, Francisco Meireles.

Almoço do Nortadas


Casa de Abbades, Ponte de Lima.
Muitíssimo bem recebidos pelo Zé Graça e pela Mariana.

Foi ontem

Que bom!

Dia, encontro, almoço, lanche e tudo até ao anoitecer!

O "Nortadas" está renovado e reforçado! Não com ventoinhas, mas com ventos mais fortes e temas mais difíceis como o lançado por Guerra Junqueiro em "Pátria":

- " E eis aí, a ligeiros traços, a vera efígie de Sua Magestade o Senhor D. Carlos. Quem a olhar, exclamará por força: Viva a república! Nesta agudíssima crise nacional a república é mais do que uma simples forma de governo. É o último esforço, a última energia, que uma nação moribunda opõe à morte. Viva a república! É hoje sinónimo de viva Portugal!".

E a república ainda é?

sábado, abril 10, 2010

Polónia

A minha relação com a Polónia limita-se a uma boleia que dei a duas jovens entre Porto e Lisboa. Ainda hoje espero o email prometido. Mas não posso ficar indiferente a uma tragédia como a que hoje afectou o povo polaco. A sua história continua a ser de dor e sofrimento. Mas estou em crer que uma vez mais serão capazes de dar a volta e ultrapassar mais esta dificuldade.

O almoço do Nortadas



Hoje foi dia de reunião magna do Nortadas. Casa cheia apesar de algumas ausências. O local do encontro foi na região minhota, mais propriamente em Ponte de Lima, onde fomos principescamente recebidos pelo JGraça.

Os temas e as conversas giraram como de costume na melhor forma de salvar Portugal e já agora o mundo. Estou em crer que no final haverá um relator com um documento a ser entregue ao comité de sábios que o PPCoelho quer criar.

Quanto a fotos esta foi a única que a minha máquina registou.

Mas uma coisa é certa, o nortadas continua bem vivo. E promete novidades nos próximos tempos.

Vale a Pena Ver

Porque hoje é Sábado

Óleo de Gustave Caillebotte "Perissoires" - 1877

sexta-feira, abril 09, 2010

A CULPA É DELES

Não deixa de ser curioso o alvoroço que certos iluminados têm feito acerca da influência das agências de rating na tomada de decisões por parte do Governo e da Assembleia, designadamente no que toca à aprovação do PEC, chegando a dizer-se que está em causa o interesse nacional e mesmo a própria independência.
Ao anunciar a possibilidade de baixarem a classificação de Portugal, as agências de rating estariam a fazer uma pressão ilegítima e intolerável sobre um estado soberano.
A tese defendida por alguns comentadores de esquerda é a de que quem manda em Portugal é o seu governo democraticamente eleito e não o tenebroso capitalismo internacional em quem não votámos. O Doutor Salazar também dizia coisas parecidas.
Não digo que o princípio não esteja certo, naturalmente, o que me preocupa é a atribuição de responsabilidades estar errada.
A verdade é que o capitalismo internacional, pelo menos neste caso, não tem culpa absolutamente nenhuma no que à fragilidade do Governo da República diz respeito, a qual tem uma explicação muito simples: a culpa é nossa. Sim, porque o que está em causa é o facto de não termos dinheiro suficiente para pagar as nossas despesas e, por isso, termos de o pedir emprestado. A quem? Ao capitalismo internacional. Então, será estranho que quem nos empresta dinheiro se preocupe com a nossa solvabilidade? Não sabemos todos nós que quem precisa de dinheiro emprestado para viver perde independência?
Os maus da fita não são as agências de rating ou o malvado "capitalismo internacional", sem o qual o Estado não conseguria pagar os salários aos funcionários, a responsabilidade decorre única e exclusivamente da nossa incompetência.

Arejar o sotão


Há 450.000 pessoas no mundo com mais de cem anos.
Dizem que dentro de 20 anos serão mais de um milhão.
É muito ancião. Não sei se o mundo aguenta tanta sabedoria e tanta experiência, na pressuposição de que estas pessoas estão lúcidas e não se babam demais.

Repito aos meus filhos que não esperem por sapatos de defunto, que façam pela vida e que não contem nem com baús nem com contas a prazo. Até porque não vai haver nada disso : isto é chapa ganha e chapa gasta, sobretudo gasta com eles, a tentar dar-lhes o melhor dos saldos.

Além do mais, arriscavam-se a esperarem como uns príncipes de Gales, pois apesar do tabaco e dos Quintas do Carmo, quem sabe se não terei o CEPT, esse genes que dizem ser responsável pela longevidade e que a indústria farmacêutica quer copiar pelo amor que nos tem. Façam-me netos e talvez um deles fique com um par de botões de punho e uns livros velhos, embora nem saibam que serventia lhes dar.

Mas amanhã faço-lhes um jeito : vou ali a Ponte de Lima trabalhar para o colesterol e exercitar o bota-abaixismo. Dizem que faz mal ao coração, mas eu acho que oxigena o sotão.
Olarilolé !