Segunda-feira, Junho 07, 2010

O esférico ao centro


Vem aí o mundo da bola.
Vamos ficar a saber tudo, o pequeno-almoço do Liedson, os enjoos do Tiago e as revistas que o Deco lê. É o campeonato do mundo. Campeonato de futebol, mas não só.

Um dos campeonatos paralelos mais importantes mas menos badalados será o campeonato dos equipamentos. Serão centenas de milhões de euros só em camisolas a vender durante o evento e por isso há muito dinheiro a entrar nos cofres das federações de futebol vindo da parte das respectivas empresas.

A FPF recebe um cheque da americana Nike de cerca de 5,5 milhões de euros anuais desde 1997, juntamente com os equipamentos de borla para a rapaziada. Esta mesma Nike paga à federação brasileira de futebol 22 milhões anuais desde 1996, bem como outro cheque de 7,5 milhões à Holanda e um de 4,7 à Coreia do Sul. Mas a sua mais recente aposta foi comprar a Umbro britânica que é quem equipa a selecção inglesa com um cheque de 34 milhões.

A alemã Adidas começa a perder terreno (Alemanha, Japão, França, Espanha, México, Argentina, África do Sul, etc, ou seja, 12 das 32 equipes), embora continue dominante à custa de um total superior a 80 milhões por ano para as correspondentes federações. Mas talvez não por muito mais tempo, pois consta que a Nike já desembolsou uns 40M/ano para ficar com a França em 2014 no mundial do Brasil.

A Puma, a Joma (espanhola), a Brooks e a Legea vão fazendo o que podem, comprando os que aceitam e pagando os que recebem. Os norte-coreanos serão vestidos e calçados pela Legea e devem estar felizes pois vão poder regressar a casa com sapatilhas novas, peúgas, cuecas, calções, camisolas e casacos, que no mercado negro valerão o luxo de uns bifes de carne de vaca. O cheque de 4 milhões que a Legea pagou por isso terá o destino que o Kim-Il-Sung, na sua infinita sabedoria, decidir.

Entretanto, nós pagamos.
Oh Sr. Árbitro, pode apitar.

Domingo, Junho 06, 2010

Time Out

Numa época em que é mais fácil criticar e destruir do que elogiar e construir, gostaria de elogiar a revista Time Out e em especial a sua edição Porto. Em apenas dois números fiquei fã e percebi que não conheço a minha cidade. Desde hóteis novos (ok estes não costumo frequentar) a esplanadas ou exposições que dão vida e cor ao meu porto, tudo tem vindo nas suas páginas. É fácil gostar da revista e por isso espero que tenha vida longa.

Gaste e compre o que é nosso

Cavaco pediu que os portugueses passassem férias em Portugal. Depois alertou que nos deviamos preocupar com os gastos que obrigam a importações.

Essa é a grande luta que deveriamos ter tido há muitos anos. Ainda iremos a tempo? Será possível voltar a dinamizar o sector têxtil e impedir que a china nos invada?
Será possível voltar a dinamizar o sector do calçado e impedir importações dos paises asiáticos?
E a lista poderia continuar.

Só que aqui existem dois patamares de actuação: uma a nível europeu num boicote à china e depois uma acção estruturada do governo português, das associações e das empresas dos sectores em questão.

Quanto ao ministro da economia, de quem já esqueci o nome, o melhor era mesmo continuar calado. Bem sei que estava em Xangai a fazer papel de pedinte, mas escusava de falar e depois ouvir o "Professor" dizer que sabe e muito bem do que fala. Pimba.

Não há almoços grátis

O PS tem uma dívida pornográfica. Mas Lello preferiu ir almoçar em vez de explicar aos jornalistas como tal tinha sido possível. E lá deve ter engordado a dívida dos amigos do Lello e do Sócrates. E claro que no final das contas seremos nós a pagar. Alcatrão e penas vai ser um bom investimento a curto prazo.

Um conduto apropriado

Na RTP o jornalista Heldér Conduto fala sobre as refeições dos "navegadores". Uma boa escolha sem dúvida.

Negritudes


« Tres décadas depois do golpe do xeneral Robles Godoy, por poñer un exemplo máis próximo, un funcionario galego escribía as respostas que unha comisaria europea debía dar a unha entrevista enviada por fax por unha revista española (na edicíon incluíanse fotos da comisaria, como que estava falando) e unha funcionaria bretoa redactaba o artigo de opinión que a mesma comisaria presentaba baixo a sua firma a un importante xornal madrileño.

Ninguén diría que a benquerida comisaria (tan idolatrada en toda a opinión pública) tiña « negros » ao seu servizo, pois aí se considera que é como deben actuar os funcionarios cos seus superiores, escribíndolles os discursos, os artigos, as entrevistas pactadas, respondendo a preguntas parlamentarias e fornecéndoos de argumentos fronte a eventuais preguntas nunha rolda de prensa ou un comité parlamentario.

Ou é que aínda hai quen pense que os directores xerais, os conselleiros e o celebradísimo Rei das Españas escriben todo ou parte do que asinan ? O dos « negros » na Administración pública é cousa de todos os días e socialmente asumida como norma. »

(continua)

In « Cartas Marcadas » de Xavier Queipo (Editorial Galaxia, 2010)

As mulheres que eu ouço (4)

Sábado, Junho 05, 2010

Porque hoje é Sábado

Óleo de Goya "Os pequenos gigantes" - 1791

O Norte, existe?

De Lisboa vai-se ao Norte. O que se faz pela auto estrada do Norte.
Do Porto, vai-se a Lisboa, mas seguindo pela A1.
De Lisboa também se vai ao Sul.
Do Porto, vai-se ao Alentejo ou ao Algarve, mas não ao Sul
De Lisboa vai-se ainda ao Oeste (buscar as alfaces que a caracterizam).
Do Porto vai-se ao Minho ou a Trás-os-Montes, mas não ao Norte.

De Lisboa o Norte parece longe.
Para uns, ir ao Norte é uma viagem.
Para outros, uma aventura que se conta aos amigos.
Do Porto, ir a Lisboa é uma normal deslocação a um serviço público.
Ou a uma qualquer reunião com a administração de uma empresa com sede no Norte.
Tudo, naturalmente, para tratar assuntos do Norte.

Ah! Vem do Norte? Ouve-se em Lisboa...
Só quando fui estudar para Lisboa percebi que era do Norte.
Será que o Norte existe apenas porque assim o chamam em Lisboa?
Ou existe mesmo e só andará algo desnorteado?
Isto já considerando o desnorte que hoje nortea todo o país.
De todo o modo, biba a penca, bibam as tripas e benha o simbalino...

Sexta-feira, Junho 04, 2010

VILLAS BOAS

Pois aí está o novo treinador do Porto. Ar novo!

Nova geração, experiência nacional e internacional, vontade de voltar a vencer, aposta a Norte de quem é do Norte.

Faz-me lembrar algo que está a acontecer...


Uma coisa é certa, jovens qualificados ausentam-se em trabalho, reforçam competências e têm oportunidade de colocá-las em prática na sua terra. Acreditam !

Bom mote do FCP e de Pinto da Costa.

Sorte a Villas Boas e ao FCP!

Quinta-feira, Junho 03, 2010

O rio cresce (3)

Mais afluentes : Veja ali
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt

Postal de Barcelona (4)

Anteontem caí de bicicleta. Ia ter com o Tiago para mandar fazer os óculos novos. Um dia lindo, iPod de serviço, e lá ia eu a rasgar o ar… Em milésimos de segundo, uma sucessão de acontecimentos fez com que eu passasse de Rainha do Mundo a Rainha do Esfolado (e só com muita sorte não me tornei a Rainha Sem Dentes).

Quando cheguei ao pé da estação das camionetas, onde a rua passa a ser exclusiva às bicicletas e aos peões, passou por mim, também de bicicleta, um jovem parecido com os indígenas que me acordam aos Domingos com a música do Titanic em versão flauta-de-pã. Ouvi um estalido e um pequeno estrondo e olhei para a direita. A bicicleta tinha-se desmontado toda e ele tinha caído ao chão, com uma cara muito aflita, o cabelo comprido todo desalinhado.

Por solidariedade ciclista voltei para trás, para saber se precisava de alguma coisa. Quando comecei a dar meia-volta, reparei numa pomba (aqui são especialmente repugnantes) que debicava umas migalhas do chão enquanto perigosamente dela se aproximava uma gaivota gigante, que acabou por lhe morder a asa. Rebolaram mesmo para a frente da minha bicicleta, o que me obrigou a uma travagem brusca e fez com que me desequilibrasse.

Não me esborrachei propriamente no chão, porque a Divina Providência tinha colocado um poste mesmo ali à disposição. Mas ainda esfolei a perna no pedal, torci o pé que pousou no chão e o pulso que se agarrou ao poste ficou a doer até agora. O meu colega de queda, esse, estava tão irritado com as peças da bicicleta espalhadas por todo o lado que nem reparou no meu próprio drama…e eu fiquei ali, agarrada ao poste, a bicicleta aos pés, com os meus esfolados e a minha vergonha.

Em Barcelona, cair de bicicleta está ao nível daquelas mulheres que desfazem todos os carros à volta para poder estacionar o delas no espaço onde cabe um camião – a bicicleta aqui não é uma actividade de lazer, é um meio de transporte, uma necessidade, exactamente como um carro ou uma mota. Oh, infâncias infelizes, as de quem não andou de bicicleta sem o peso da responsabilidade!…

Eu como aprendi a andar de bicicleta ao mesmo ritmo em que aprendi a cair, mas também tenho vergonha na cara e não gosto de dar aos catalães motivos para se rirem de mim, pousei a bicicleta na primeira estação de bicing que encontrei e fiz o resto do caminho a pé. A mancar, mais precisamente. E furiosa com a borboleta japonesa que bateu as asas em Quioto e, de alguma forma que só a física quântica poderá explicar, provocou a minha queda.

Ana

Discurso

do Rui Moreira, no Palácio da Bolsa, no dia 1 de Junho, aqui.

...

Rene Magritte - L'Empire des Lumières, 1954

CDS Lisboa



Pois bem, não é só no Norte que a política se movimenta. Em Lisboa, Pedro Pestana Bastos, apresenta as suas ideias e vai a votos!

Os principais culpados

Os gajos da lista de baixo dizem que os verdadeiros culpados não são eles, mas sim outros que eram os chefes deles.

a lista sobre a quel devemos partir para o insulto é grande, como grande são os bigodes de alguns deles.

Impostos com retroactividade

O ministro das finanças declarou hoje que o interesse nacional se impoê à lei que proibe a retroactividade dos impostos.

Assim sendo nada me impede de insultar com retroactividade todos aqueles que nos levaram a esta situação.

João Carlos de Saldanha Oliveira e Daun
António Joaquim Vieira de Magalhães
António de Serpa Pimentel
Henrique de Barros Gomes
Lopo Vaz de Sampaio e Melo
Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro
Mariano Cirilo de Carvalho
Augusto José da Cunha
João Franco Ferreira Pinto de Castelo-Branco
José Eduardo de Melo Gouveia
Joaquim Pedro de Oliveira Martins
Augusto Maria Fuschini
Frederico Ressano Garcia
Manuel Afonso de Espregueira
Anselmo José Franco de Assis de Andrade
Fernando Matoso dos Santos
António Teixeira de Sousa
Rodrigo Afonso Pequito
José Capelo Franco Frazão
Ernesto Driesel Schröeter
Fernando Augusto Miranda Martins de Carvalho
João Soares Branco
Francisco de Paula de Azeredo Teixeira de Aguilar
Basílio Teles
José de Mascarenhas Relvas
Duarte Leite Pereira da Silva
Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais
António Vicente Ferreira
Afonso Augusto da Costa
Tomás António da Guarda Cabreira
António dos Santos Lucas
Álvaro Xavier de Castro
José Joaquim Pereira Pimenta de Castro
Herculano José Galhardo
José Jerónimo Rodrigues Monteiro
José Maria Teixeira Guimarães
Tomé José de Barros Queirós
Vitorino Máximo de Carvalho Guimarães
António José de Almeida
Artur Rodrigues de Almeida Ribeiro
António dos Santos Viegas
Francisco Xavier Esteves
Joaquim Mendes do Amaral
João Tamagnini de Sousa Barbosa
Ventura Malheiro Reimão
António de Paiva Gomes
Augusto Dias da Silva
Amílcar da Silva Ramada Curto
Francisco da Cunha Rego Chaves
António Maria da Silva
Francisco José de Meneses Fernandes Costa
António Joaquim Ferreira da Fonseca
Francisco de Pina Esteves Lopes
António Joaquim Granjo
Inocêncio Joaquim Camacho Rodrigues
Francisco Pinto da Cunha Leal
Liberato Damião Ribeiro Pinto
Francisco António Correia
Francisco Xavier Peres Trancoso
Albano Augusto de Portugal Durão
Eduardo Alberto de Lima Basto
Francisco Gonçalves Velhinho Correia
António Abranches Ferrão
João Teixeira de Queirós Vaz Guedes
Daniel José Rodrigues
Manuel Gregório Pestana Júnior
António Alberto Torres Garcia
Armando Marques Guedes
José Mendes Cabeçadas
António de Oliveira Salazar
Filomeno da Câmara de Melo Cabral
João José Sinel de Cordes
Manuel Rodrigues Júnior
João José Sinel de Cordes
Manuel Rodrigues Júnior
João José Sinel de Cordes
Artur Ivens Ferraz
Manuel Rodrigues Júnior
João José Sinel de Cordes
José Vicente de Freitas
António de Oliveira Salazar
João Pinto da Costa Leite
Artur Águedo de Oliveira
António Manuel Pinto Barbosa
Ulisses Cruz de Aguiar Cortês
João Augusto Dias Rosas
Manuel Artur Cotta Agostinho Dias
Vasco Vieira de Almeida
José da Silva Lopes
José Joaquim Fragoso
Francisco Salgado Zenha
Henrique Medina Carreira
Vítor Constâncio
José da Silva Lopes
Manuel Jacinto Nunes
Sousa Franco
Aníbal Cavaco Silva
João Morais Leitão
João Salgueiro
Ernâni Lopes
Miguel Cadilhe
Miguel Beleza
Jorge Braga de Macedo
Eduardo Catroga
António Luciano Pacheco de Sousa Franco
Joaquim Pina Moura
Guilherme d'Oliveira Martins
Manuela Ferreira Leite
António José de Castro Bagão Félix
Luís Campos e Cunha
Fernando Teixeira dos Santos


o pior disto é que insulta-los não me serve de nada. Nem mesmo me lava a alma pois não lhes chamei o que verdadeiramente me apetecia chamar-lhes.

Terça-feira, Junho 01, 2010

Uma formiga no dorso

Foi lançado um Movimento para a criação de um novo partido.
Temos assistido nos últimos anos ao nascimento de partidos assim e assado.
Normalmente ficam assados, em parte por falta de consistência própria e em parte pelo cerco legislativo, mediático e político que os trata como intrusos ou arrivistas.

Essa desconfiança é natural. A classe política, se é que se pode falar de uma tal coisa, tem-nos deixado estes reflexos defensivos: encostamo-nos de imediato a uma parede sólida e mão na carteira.

Mas parece-me haver uma novidade: fala-se num partido regional, num partido do Norte, que todavia quer ter uma política para o país. Pode ser um bluff. Mas se for exequível?
Ora é este "se" que faz cócegas ou que inquieta. A mim entusiasma-me, e mesmo que esse "se" fosse do tamanho de uma formiga no dorso de um elefante, é quanto me basta para não mais o perder de vista e para o acarinhar e lhe dar alento.

É que além do mais, fora isso, não há mais nada, absolutamente mais nada, a não ser um deserto e um desânimo de funeral, engendrado por um centralismo doente que castra o país.