O primeiro é um grande escritor, está vivo nas suas obras e foi premiado com o Nobel pela grandeza da sua obra. Eu gosto. Mas sobretudo agradeço-lhe o contributo para a divulgação da nossa língua, cultura e história. Apreciava-lhe a capacidade de escrever claro com um uso muito pouco vulgar da pontuação; e a imaginação. Este autor merecia e devia ter tido a homenagem do Presidente da República.
O homem Saramago, era um crápula. Não foi nunca um herói da liberdade, como a nossa imprensa apregoa, ainda que possa ter sido um combatente do antigo regime fascisto-porreirista. Hipócrita, foi casmurro nas convicções políticas de juventude, não tendo vergonha de defender o indefensável. Persistiu na sua casmurrice até à morte, ainda para mais arrogando-se uma autoridade libertária que não tinha e em que não acreditava. Era de esquerda porque queria lá por a gente dele, mais nada. Usava os argumentos caridosos da esquerda, porque é sempre mais fácil falar do dinheiro dos outros do que do próprio. Felizmente, o povo nunca deu aos comunistas a hipótese de nos governarem, porque senão teria sido desmistificante ouvir Saramago a defender as asneiras deles...
Esta distinção entre o autor-romancista-escritor, aliás de profunda espiritualidade ainda que anti-católico e anti-crente, e o cidadão de extrema esquerda precisava de ter sido feita por alguém com autoridade. Nem que fosse apenas a autoridade do Estado. Poderia ter sido um Presidente da República de direita. Se houvesse.