Terça-feira, Setembro 07, 2010

A vida que escolhemos

Estava a escrever uma prosa sobre a volta ao quotidiano, quando este sacana resume tudo numa frase só.

Os golpes da Galp


A Galp anuncia um posto experimental de abastecimento de gasolina e gasóleo em Setúbal.
A “experiência” consiste em vender mais barato.
Consta que há uma grande expectativa sobre qual será o resultado da experiência, pois parece que há sadinos que gostam de pagar mais caro. Que emoção!

Segunda-feira, Setembro 06, 2010

Imposto "circulante"

Paguei, contrariado, aquilo que por todos é conhecido como o "imposto de circulação".

Vejamos:
A circulação de pessoas e bens é livre. Grande conquista dos cidadãos reforçada e estendida a toda a Europa por força da adesão à, então, CEE.

É livre, mas não é!

A dupla tributação é proibida.

É e não é!

Pagamos IRS, as empresas IRC, IVA, mais uma data de impostos, designadamente ligados ao sector automóvel, como todos sabemos, e também o imposto de circulação.

Existem as auto estradas que são pagas.

Existem estradas sem custos para o utilizador, financiadas pelos grandes impostos como o IRS, pelo imposto acrescido sobre os combustíveis, uma tese ecológica.

Mas essas estradas sem custos para o utilizador agora serão SCUT´S pagas (?).

E não é que o IRS foi agravado, subsiste o imposto “circulatório” e agora o imposto utilizador pagador!?

Só para simplificar: então O IRS, parte dele com o financiamento às Estradas de Portugal, tem como justificação apenas a manutenção daquelas estradas amarelas e brancas que vemos nos mapas?

Sim, mas já não chega!


Mas, mas muitas dessas estradas brancas e amarelas, ou parte delas, não estão todas esventradas e, algumas não são já até municipais?

Sinto que os impostos me estão a “ circular “, ou será de mim?

E o burro quem é?

PAÍS DE BRINCADEIRA

José Sócrates, admito com benevolência que por razões ligadas a qualquer mecanismo psicológico de fuga da realidade insuportável, tem andado permanentemente em campanha eleitoral, inaugurando jardins infantis dia sim, dia não e assumindo-se como paladino da defesa daquilo a que chama estado social e que ninguém (mal ou bem) atacou. José Sócrates vive, portanto, numa dimensão virtual lunática, o que nos irá conduzir ao desastre mais mês menos mês.
Entretanto, na realidade concreta o Estado endivida-se a 5,5% (óptimo investimento para quem acreditar na solvabilidade do devedor) para pagar dívida anterior e a despesa pública sobre 4% (quando todos os outros países europeus sob vigilância reduziram significativamente a despesa). O Estado para além das receitas fiscais cujo valor vai paradoxal e perniciosamente aumentando em tempos de crise ainda vai sacar liquidez à economia real, retirando-a do investimento privado e do sistema bancário, assumindo um encargo que nunca iremos conseguir pagar se não se reduzir drasticamente a despesa pública.
É sobre isto que um Primeiro Ministro minimamente lúcido e responsável, que soubesse o que anda a fazer, deveria falar aos portugueses.
O Presidente da República, por seu turno, para nossa desgraça também anda em campanha eleitoral, mais discreta é certo, passando os dias a reivindicar mais atenção para a agricultura, mais dinheiro para os jovens e mais empregos para o interior. Sobre o problema de fundo da desgovernação, da aritmética das nossas contas públicas e como ultrapassar a fragilidade da economia, nem um murmúrio do Professor de finanças. A “direita católica e contra o casamento gay” talvez constitua uma franja eleitoral marginal, como disse Paulo Rangel neste Sábado ao I, e Cavaco até poderá viver bem sem esses votos (facto que para mim está longe de ser evidente). Todavia, creio que será porventura maior o número dos que esperavam muito mais deste Presidente e que terão reservas em lhe dar novamente o seu voto.

Tony Blair

Fiquei espantado com o artigo que li ontem no WSJ escrito pelo Tony Blair a propósito do seu novo livro.



Aquilo que tem vindo a ser destacado do livro diz respeito à sua posição quanto ao Iraque. Neste artigo ele vai mais longe e refere que a Europa e o mundo devem ser mais longe advogando uma posição de força com o Irão e tratando sem grandes cerimónias a questão religiosa.

"The extremism we fear is a strain within Islam. It is wholly contrary to the proper teaching of Islam, but it can't be denied that its practitioners act with reference to their religion. I feel we too often shy away from this assertion, as if it stigmatizes all Muslims. But if it is true—and it is—it has to be faced, not just because it is true, but because otherwise we don't analyze the problem or attain the solution properly. If it is a strain within Islam, the answer lies, in part at the very least, also within Islam. The eradication of that strain can be affected by what we outside Islam do; but it can only be actually eliminated by those within Islam."

Mas o que não tem sido destacado e que me surpreendeu (talvez culpa minha pela falta de informação) foi a posição dele relativamente á crise e á forma como o mundo está a procurar tratar dela. Vejam este excerto:

"To summarize: I profoundly disagree with the statist, so-called Keynesian response to the economic crisis; I believe we should be projecting strength and determination abroad, not weakness or uncertainty; I think now is the moment for more government reform, not less; and I am convinced we have a huge opportunity for engagement with the new emerging and emerged powers in the world, particularly China, if we approach that task with confidence, not fear."

E este foi lider do Labour que é, habitualmente, quem advoga e pratica "mais estado" na economia.

A posição dominante relativamente a esta crise é que o Estado é que nos salvou de consequências mais graves. Aquilo que vemos agora é que é o Estado que tem de ser salvo. No nosso país o Estado vai ser salvo pelos nossos impostos enquanto eles existirem. Noutros países o Estado será salvo pela iniciativa, inovação, criatividade, trabalho de uma economia livre e cheia de iniciativa.

É esta "lufada de ar fresco" vinda de quem eu não esperava que tanto me agradou.

Domingo, Setembro 05, 2010

A prova de como isto vai mesmo ao fundo

Ao ler o JN que nos diz que 5 milhões de almas portuguesas vivem às custas do estado ficamos a perceber como dificilmente este país tem salvação. Entre reformados, os RSI e funcionários públicos chegamos a este lindo número. E somos cada vez menos os que trabalhamos e que dessa forma pagamos impostos para sustentar a máquina.

Os números são elucidativos:

3,5 milhões de reformados
675 mil funcionários públicos
390 mil no RSI
150 mil com subsidio de doença
550 mil desempregados

temos os tais cinco milhões.

depois o artigo diz que a trabalhar "já somos menos de 5 milhões" o que pressupôe que andaremos na casa dos 5 milhões.

Ao que juntaremos os estudantes que são 2.434.982 segundo Pordata sendo que destes 1.902.183 andam no sistema público.

Ou seja, no fundo os tais "menos de 5 milhões" têm que contribuir para quase 7 milhões. Esta piramide têm que dar mau resultado, está bom de ver.

Sabão macaco, precisa-se

Tudo começou uns dias antes quando uma revista cor de rosa anunciava a nossa necessidade de saber como viveu Carlos Cruz os dias antes da sentença, onde se refugiou, e com quem partilhou as suas angústias, o que é no mínimo insólito tratando-se de um processo por crimes de pedofilia e existindo probabilidade de condenação. O que se tem passado depois da leitura da sentença nem merece descrição. Carlos Cruz dá uma conferência de imprensa, multiplica-se em entrevistas onde tece considerações várias sobre a sua concepção de justiça – ou falta dela - e mantém um site onde ameaça revelar nomes de outras pessoas envolvidas no processo que não chegaram a ser investigadas por razões obscuras ou, pelo menos, pouco abonatórias para a justiça portuguesa. Ferreira Diniz também teve direito à sua conferência de imprensa. Hugo Marçal vai lançar um best seller chamado “sabão azul e branco” onde revela como decidiu comer o sabão que se encontrava na casa de banho do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa onde estava a ser sujeito a interrogatório, como única forma de o interromper. Não há dúvida que a todos estes senhores assiste o legítimo direito de contestar a decisão que os condenou por via de recurso, e o direito de dizerem o que têm a dizer, mas toda esta cobertura mediática e esta exposição democrática de pontos de vista parece-me estar a ir bem para lá do que permite qualquer limite de decência e de consideração pelas próprias vítimas. Porque afinal há vítimas neste processo, ou não há? Houve crimes sexuais contra menores internados numa instituição, ou não houve? E por ora estes senhores foram condenados por decisão judicial proferida contra eles, ou não foram?!

Sábado, Setembro 04, 2010

Selecção nacional

Não vi o jogo contra o Chipre. Fiquei triste com o resultado. Mas há males que vêm por bem, e pode ser que sirva para se perceber que o nosso futebol está podre. No mesmo dia dissemos adeus ao europeu sub 21 e empatamos com uma equipa de terceira categoria. Não há piloto automático que salve estado e podridão.

A culpa não é só da Federação, é também da Liga ou seja de toda a estrutura que comanda o futebol nacional. E já não chegavam estas estruturas organizativas, o último actor desta palhaçada chamasse Laurentino Dias, bem demonstrativo da trapalhada em que estamos enredados.

Mas claro que adormecidos como andamos todos, também aqui vamos ficar a ver a destruição lenta e vagarosa em que vamos cair. Lá se vai mais um anel.

Sexta-feira, Setembro 03, 2010

Emissão de dívida com valor recorde em Agosto

Percebe-se daqui que isto está sem treinador, e em piloto automático...

Spill over

Segundo o Público de hoje, citando a Lusa, os deputados do PSD/Porto questionaram o governo sobre o desvio para Lisboa de verbas "comunitárias"* destinadas ao Norte. Já é alguma coisa, apesar do recato com que se questiona. Questionar parece protestar, embora não se assuma o protesto...

Que se saiba, dos outros partidos e dos outros distritos até agora ainda nada...

Quinta-feira, Setembro 02, 2010

O CIGANÃO FESTEJA REVOLUÇÃO LIBIA




O ciganão ao lado de Muammar Kadhafi foi figura no aniversário da revolução libia.
O Ciganão foi para onde devia e está com quem merece e deve lá ficar.
Mas nem o sinistro e assasino Muammar Kadhafi o quer por lá para outra coisa que não seja usar o ciganão como bobo da corte.
Diz a sabedoria popular - diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és!

...a bem da Nação!!!

Adiposidade Mental

Muito do que aqui se diz mais não é do que o ar dos tempos, o fio que une muitas inquietações:
«O prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que
revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.
Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito
em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade
moderna.
«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do
excesso de gordura física por uma alimentação desregrada.
Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e
conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»
Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que
de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono.
As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos
tacanhos, condenações precipitadas.
Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.
Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e
comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e
realizadores de cinema.
Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e
romances são os donuts da imaginação.»
O problema central está na família e na escola.
«Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem
apenas doces e chocolate.
Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta
mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e
telenovelas.
Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance,
violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida
saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os
Abutres", afirma:
«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de
reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações
humanas.
A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e
manipular.»
O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade
fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante.
«Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.
«O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades.
Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy.
Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é
que ela serve.
Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê.
Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto».
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.
«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes
realizações do espírito humano estejam em decadência.
A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a
cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal
ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo.
Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da
civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade.
O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
Precisa sobretudo de dieta mental.»
Por João César das Neves

Quarta-feira, Setembro 01, 2010

Jogar para o lado ou chutar à baliza?


A Região Norte é mais uma vez espoliada de verbas da União Europeia que lhe seriam em princípio destinadas. Três quartos dos 178 milhões de euros que a União envia para o país ficarão em Lisboa sob a alçada de um chamado SAMA (Sistema de Apoios à Modernização Administrativa) e a pretexto de que o benefício do investimento na capital se difunde por artes mágicas pelo resto do país.

O centralismo doentio deste Estado caquético mas voraz já não se cura a aspirinas.
De nada valem as declarações enfáticas dos responsáveis políticos que papagueiam descentralização para afinal serem cúmplices condescendentes desta mascarada cínica.

O crime tem autores confessos: os governos PS e PSD/CDS que a seu tempo congeminaram essa fraude do “spill-over”, bem como a Comissão Europeia que assume o seu papel de Pilatos ao mesmo tempo que nos vende discursos sobre a coesão e a não discriminação.

A Regionalização do país estragaria estes arranjos. É por isso que ela é mais urgente que nunca. Para salvar o país e escorraçar os vendilhões.

Spill-over

Não me acredito em efeito de spill over. Aliás, ninguém acredita, nem sequer quem o usa como argumento justificativo para o descarado esbulho que significa a divisão proposta dos fundos europeus pelas várias regiões do país. Quando Lisboa retém 109 milhões de euros para projectos próprios, mais 28 milhões que representam mais de metade do dinheiro conjuntamente atribuído a mais três regiões nacionais, alguém tem ilusões que o faz para beneficiar, ainda que reflexamente, o resto do país, ou essas mesmas regiões? A riqueza lisboeta nunca se deixou reproduzir, nem contagiou em momento algum o interior do país, ou a região Norte, ou o Alentejo, que assim se vêem sistematicamente privados dos fundos vitais para o seu desenvolvimento. De resto, devia ser proibido aos nossos governantes usar estrangeirismos e designações opacas de política económica que invertem a realidade. Neste caso, o efeito de spill over significa um efeito de sangria sobre as zonas mais pobres do país, ou inversamente, o engordamento da nossa capital que ainda se move e decide como quem tem império. O que pode acabar efectivamente por desencadear um gigantesco efeito de spill over, mas no sentido usado a propósito do desastre no Golfo do México: o do alastramento da mancha negra...

Spill over

Perante este escândalo, a situação cala-se. Da esquerda à direita ouve-se um silêncio cumplice, prova de que - lá em cima - está tudo de acordo.

Claro que o spill over, a existir, funciona também ao contrário: aplique-se o dinheiro no Norte para se sentir o efeito difusor em Lisboa.

A modernização está à vista: encerramento de tribunais, de escolas, de urgências. Encerramento da esperança pelas novas gerações, e aposta firme na migração. Fuga do interior para o litoral, e, uma vez no litoral, rumo a Lisboa.

Com a complacência geral, assistimos - serenos, venerandos e obrigados - à total ausência de uma política de território, e à implementação efectiva das práticas de despovoamento.

A população vai consentindo. É o regime que somos. Um regime apático, tolerante e subserviente.

Encolhemos os ombros e pensamos "o que será o almoço?"