domingo, janeiro 31, 2010

Fim de linha?


Monarquia ou República não é o problema.
Parlamentarismo ou Presidencialismo não é o problema.
Circulos uninominais ou circulos nacionais não é o problema.
Mais ou menos deputados não é o problema.

parece mesmo que o problema é o povo.

Porque hoje é domingo (3)

Sendo hoje domingo ontem foi sábado e houve futebol. O Sporting, o Benfica e o Porto foram uma vez mais ajudados pelas arbitragens. Tudo normal portanto.

Porque hoje é domingo (2)

O dia esteve intermitente. Entre uns raios de sol uns pingos de chuva mas acima de tudo um dia de descanso. Uma leitura pelos jornais que nos davam conta que hoje se comemorava qualquer coisa no Porto. Ah, e parece que o patusco do Manuel Alegre continua a dizer que não tem dúvidas que quer ser candidato. Com tanta necessidade de afirmação cheira-me que o homem tem dúvidas. Ao cair da tarde uma partida de ténis para fechar com chave de ouro um dia pastor, e no qual mais uma vez o meu Boavista não conseguiu ganhar.

Porque hoje é domingo (1)

Impulsionado pelos meus filhos tenho sido espectador atento do programa "Ídolos" na SIC. Acaba por ser um programa engraçado para ver em familia. Assim fui acompanhando as opiniões da criançada sobre os concorrentes, sobre as músicas que cada um canta e acima de tudo sobre as personalidades. E hoje mais um programa, a criançada a torcer e a ficar acordada até mais tarde. A democracia irá ditar o afastamento de um deles. Prognósticos só no final do jogo, mas entre eles Diana e o Carlos são, para mim, os mais écleticos e como tal os que melhor envergam a veste de Ídolos. Mas a fazer fé num grupo que existe no Facebook, o Carlos pode ir com as tias. Vejamos então.

Cidade Invicta

O regime republicano com a sua sede cada vez mais reforçada em Lisboa comemora, no Porto, Cidade Invicta, Sempre Leal, mui Nobre e Antiga, uma iniciativa frustrada. Foi isso o 31 de Janeiro que terminou ainda, como refere o "Expresso", com os conspiradores a acusarem-se uns aos outros de terem roubado o dinheiro da conjura.


Faz-me lembrar a música "com um sorrisinho nos olhos"....

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Curtas (3)

Numa aldeia beirã, o Sr. Padre, recém-chegado, encontrando um rapazito guiando uma vaca pela berma da estrada, abordou-o.
– Onde vais meu menino? - perguntou o padre em tom misericordioso.
– Vou levar a vaca ao boi - retorquiu o garoto.
– E porque não faz isso o teu pai? - questionou o padre, recebendo de imediato a resposta do petiz
– Porque cá na terra é costume ser o boi.

(retirado do Oje de 4ª feira, artigo de AA)

Curtas (2)

A jovem entra na Igreja nua da cintura para cima.
O Padre barra-lhe o caminho e diz-lhe:
- Um momento, minha senhora. Não pode entrar assim na Igreja.
- E porque não? Eu tenho o direito divino – responde a rapariga.
- E o esquerdo também, mas assim não pode entrar.

Deve ter sido graças à vacinação


Pior cego é o que não quer ver


De todo este folhetim do orçamento de Estado para 2010, retive três constatações:

A primeira diz respeito ao Governo e ao seu Ministro das Finanças: só verdadeiros aldrabões conseguem aparecer no próprio dia com um déficit de 9,3% em 2009, sem que nunca nem ninguém tenha previamente imaginado um tal valor. Houve grossa mentira antes ou mentira grossa depois. Este ministro e este Governo não são fiáveis.

A segunda constatação tem a ver com o montante previsto para o mero pagamento de juros da dívida pública: cerca de 5 mil milhões de euros. Uma barbaridade, sobretudo se se comparar com o montante previsto para o investimento público, outros 5 mil milhões. Ou seja, estamos perto de ter de pagar só em juros mais do que o que se gasta em investimento. Impressionante.

A terceira refere-se à actuação do CDS e do PSD. A meu ver, um desastre e uma decepção. Tanta conversinha, tanta exigência, tanto paleio "duro", tanta "responsabilidade" para afinal terminar tudo em água de malvas. A abstenção deles face a um orçamento mentiroso que se vai revelar rapidamente um fiasco é quase uma conivência cobarde e traidora. Não merecem a confiança do eleitor. Pelo menos com a minha não contem.

Eu sei que já ninguém liga ao PIDDAC, mas...

O PIDDAC para o Porto é um sexto do PIDDAC para Lisboa. Um sexto! Sem mais comentários.

Votar às cegas

Confirma-se: os portugueses votaram às cegas no Outono do ano passado. Enquanto o défice subia à razão de 1,8 milhões de euros por hora (!) o Governo garantia que tudo estava a correr normalmente e que as coisas não iam ser assim tão más. Afinal, são bem piores do que foi antecipado pelos mais pessimistas.
A dívida pública aumentou 10,2 pontos percentuais, para 76,6% do Produto Interno Bruto (PIB) e chegará a uns impensáveis 85,4% este ano de 2010. O défice público atingiu uns históricos 9,3% no ano passado e talvez desça (talvez) para 8,3 por cento este ano. O Fundo Monetário Internacional estima que o desemprego suba para 9,6% em 2009 e 11% em 2010.
Nada disto é propriamente novidade. O que espanta é que só agora, por força da divulgação do Orçamento de Estado para 2010, tenha ficado clarinho que a situação é muito difícil, e que isso mesmo tenha sido assumido finalmente pelo executivo de José Sócrates sob a pressão dos mercados internacionais e das agências de “rating”.
Voltando ao princípio: os portugueses votaram às cegas, sem conhecerem os dados necessários para formar o melhor juízo. Mas se tivessem tido estas informações confirmadas o desfecho das eleições teria sido diferente?
Repare-se: o desemprego subia, o PSD falava em asfixia democrática; o endividamento disparava, o PSD falava em asfixia democrática; o défice aumentava para números absurdos (serão reais, ou o Governo está a usar aritmética criativa de novo?) e o PSD ia ao Funchal dizer que Alberto João é o rei da liberdade de expressão.
Uma oposição distraída e um executivo com jeito para a ficção deu nisto: um país endividado, assustado, que mal se aguenta nas pernas. Oxalá alguém tenha aprendido alguma coisa com esta situação.

9,3%

9,3% de défice.

Significa que em cada 100 euros que o Estado gasta, 9,3 euros tem de ser pedidos a alguém.

As hipóteses são poucas. Ou nos pede a nós, contribuintes, rendimento-minimistas, funcionários públicos e pensionistas, ou tem de os pedir aos credores. Ao preço que estes estiverem dispostos a aceitar. E estes aceitam preços mais altos, quando consideram que a capacidade de pagar é mais duvidosa, quer dizer, quando o risco é maior.

Confuso? Não. Se um vosso primo vos pedir dinheiro emprestado, a primeira coisa que vos virá à cabeça é, naturalmente, a capacidade desse primo pagar (e, paralelamente, a credibilidade dele, que é como quem diz, se é pessoa de palavra, ou não). Depois, podemos pensar noutras coisas: para que é o dinheiro, a urgência do pedido, se é para investir ou para consumir, etc. etc.

Perante isto, custa a compreender como é que os projectos de despesa do governo se mantém quase inalteráveis, em especial nas obras públicas. Sobretudo, como é que não se reavaliam as consequências da crise que se está, ainda, a viver.

E, porventura mais importante, como é que não se filtram essas intenções de investimento pelo impacte que tenham na capacidade futura do País criar riqueza, mais riqueza e mais depressa, para poder deixar de pedir emprestados 9,3 euros por cada 100. E se possível, para poder criar algum excedente para pagar parte da dívida entretanto acumulada...

Ora, mesmo para quem considere que as intenções de investimento dos privados são praticamente inexistentes - e portanto que o Estado deve intervir para assegurar que alguém investe -, a verdade é que muitos dos investimentos que estão previstos não passam esse crivo. Pior ainda, muitos deles eram dificilmente justificáveis antes da crise e são completamente anti-económicos agora (auto-estradas sem procura e o novo aeroporto de Lisboa) ou não correspondem às soluções que poderiam maximizar a respectiva rentabilização (terceira travessia do Tejo e rede de Alta Velocidade).

Confuso? Não. A minha avó resumia a coisa assim: quem não tem dinheiro, não tem vícios. Que é como quem diz, em época de aperto cortam-se as despesas inúteis, reduzem-se as necessárias e evitam-se as supérfluas; investe-se cautelosamente e rentabilizam-se os activos já existentes. Exactamente o que o Governo se propõe fazer... não é verdade!?!

A pergunta que todos nos devemos colocar, perante a situação actual, é a seguinte: QUANTO É QUE ESTOU, EU PRÓPRIO, DISPOSTO A PAGAR, DAQUI A UM ANO, CINCO, DEZ, 25 OU 50 ANOS, POR CADA 100 EUROS QUE O ESTADO VENHA A GASTAR agora (ou a induzir os privados a investir, que é o mesmo)?

Sublinhe-se que por cada 1 euro que o Estado projecta investir, irá estimular os privados a investir 3 euros, dizem muitos entendidos. Nos projectos de obras públicas. Fora do Orçamento de Estado - que é como quem diz, à margem do debate e controle parlamentar... (cerca de 6% do PIB, coisa pouca).

Privados esses que, como é evidente, o farão a bem da Nação!!!

E depois digam que a culpa é das agências de rating...

É possível um Portugal melhor. Mas é preciso querer.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

A força da música



Benjamin Zander esteve hoje na Casa da Música. Excelente iniciativa da Escola de Gestão do Porto.

Pensamento que recebi

Pensamento divulgado em 1931 por Adrian Rogers

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade.
Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber.
O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém.
Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.
É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."

Nós, os gregos


De repente, sem que nenhuma autoridade nos tivesse avisado, apura-se que o déficit em 2009 foi de 9,3%.
Tem razão Bagão Félix: "…ou o Governo já sabia e escondeu, permitindo que as eleições decorressem num país fictício, ou não sabia e isso também é grave".

quarta-feira, janeiro 27, 2010

POBRE UNIÃO EUROPEIA

A União Europeia (entenda-se os seus dirigentes) às vezes não tem noção do ridículo e acha-se dotada de uma superioridade moral que frequentemente não corresponde a coisa nenhuma.
Vi numa notícia que foi decidido, com fanfarras e trombetas, enviar 350 polícias para o Haiti, quase um mês depois do terramoto.
“O que é mais importante a visibilidade ou a presença no terreno?”, pergunta um Comissário comentando a não ida de C. Ashton ao Hati por comparação com a Secretária de Estado Clinton. Pelos vistos, nem uma coisa nem outra. Nem Obama consegue eliminar esta raiva que os burocratas europeus revelam contra os americanos. Estes são vítimas de todas as críticas e há duas semanas que enviaram milhares de soldados para manter a ordem e distribuir toneladas de água e ajuda alimentar, um navio hospital e dezenas de helicópteros. Se isto não é presença no terreno não sei o que será.

Curtas

A jovem abeira-se do cura e diz-lhe: "Sr. Padre, preciso de me confessar pois cometi um pecado".
-E que pecado foi esse, filha?
-Ontem dormi com o padre da paróquia vizinha.
-Ora isso é que está mal feito, muito mal feito, rapariga, porque esta é que é a tua paróquia.

Entre a dívida e o déficit, armar ao pingarelho

Novo Aeroporto de Lisboa

Os projectos de obras públicas preocupam-me.

Porque representam uma grande parte da capacidade de investimento do País, nos próximos anos, e porque serão feitos à custa do meu dinheiro e da minha capacidade de endividamento (o dinheiro e o crédito bancário também são bens escassos), além de me corresponsabilizar pelo seu reembolso, condicionando aquilo que posso esperar do futuro - crescimento económico, pensões e reformas, etc.

Porque tem, quase por definição, capacidade estruturante, ou desestruturante, do nosso País e do seu território.

Neste contexto, o projecto do NAL assume importância capital.

Desde logo, porque afecta o desenho de outros relevantes projectos: a 3ª travessia do Tejo (TTT), a linha da nova rede ferroviária (vulgo TGV) e, crucialmente, o potencial de plataforma logística do País.

Depois, porque o projecto se mantém apesar das alterações ocorridas nos últimos tempos e que não deviam ser ignoradas pelos decisores, como não serão ignoradas pelos investidores:
- o crescimento previsível da procura de tráfego aéreo para passageiros, reduziu-se substancialmente com a crise e será, provavelmente, ainda mais afectado pela retoma, por via dos aumentos de custos de combustíveis e de impacto ambiental;
- as dificuldades da TAP que, muito para além do aumento do número de passageiros, se reflectem na falta de capacidade de gerar receitas que cubram os custos;
- o triunfo das 'baixo-custo', cujo progresso nos últimos tempos tem sido espectacular, em Portugal, e tem permitido disfarçar a redução global da procura;
- o impacto das futuras linhas de alta-velocidade transfronteiriça na procura aérea, pelo menos intra-ibérica;
- o inesgotamento da Portela, aumentado pelas alterações da procura previsível, que lhe oferecem uma almofada de crescimento que alguns avaliam em 20 anos - que poderiam ser aumentados com alguns investimentos de (relativa) pouca monta e sobretudo se se abrisse o Montijo ao tráfego das low-cost...

Perante isto, só pode ser considerado surpreendente o "consenso" que começa a transpirar e que se estará a desenhar entre o PSD e o PS para se avançar com o projecto do NAL. Das duas uma, ou sabem alguma coisa que a generalidade dos especialistas do sector desconhecem ou então estão a privilegiar "outros interesses" em detrimento dos interesses específicos dos "transportes" e de Portugal nesta matéria.

Infelizmente, há fortes indícios neste último sentido - dificuldades de grandes empresas de obras públicas, agravados pelos interesses de grupos financeiros, etc.

No actual contexto, o NAL, que já era um investimento de risco, tem de ser necessariamente considerado um investimento de Alto, para não dizer altíssimo, Risco.

Que terá de ser pago. Por nós.

Que mais não seja, em contrapartidas aos futuros investidores. Nas remunerações garantidas do investimento (risco financeiro) e na privatização da ANA (perdas de receitas actuais - na venda - e futuras, nas taxas aeroportuárias; risco económico).

Ainda por cima com a transferência de um monopólio público, para o sector privado!!!

É possível um Portugal melhor. Mas é preciso querer!

A pouca vergonha no futebol

Gosto de futebol bem jogado e jogado dentro das quatro linhas. Acabo de chegar de mais uma partida entre amigos em que houve momentos dignos de champions. Mas o que não gosto mesmo é do futebol jogado fora das quatro linhas. Jornais desportivos leio muito pouco e quando o meu filho compra, programas na televisão nem vê-los com excepção na RTP onde João Pinto e Luis Freitas Lobo falam do que percebem. Mas hoje ao dar uma olhadela nos blogs verifico que existem mais umas trapalhadas com os túneis da Luz, umas histórias com uns seguranças e que os Hulk e Sapunaru só conhecem os castigos lá para os finais de Fevereiro. Uma vergonha das grandes. Ao melhor estilo do futebol português. Terça feira lá volto ao futebol. O jogado.

terça-feira, janeiro 26, 2010

As razões do CDS no OE

RAZÕES PARA O CDS NÃO VOTAR CONTRA:
• - Este não é o Orçamento do CDS, esta não é a política económica do CDS. A nossa viabilização é uma atitude de patriotismo e responsabilidade.
• - Na verdade, Portugal encontra-se, neste momento, sob advertência externa. O nível do endividamento e do défice atingiram tais proporções que o que está em causa é a credibilidade do Estado português no exterior. Votar contra seria piorar a situação. Os mercados internacionais e as instituições que avaliam a nossa situação penalizariam, imediatamente, a rejeição do Orçamento do Estado e a eventual queda do Executivo.
• - A maioria dos portugueses deseja um entendimento no Orçamento. O Presidente da República pediu isso mesmo. A Constituição não permite eleições antecipadas neste momento. O sentido comum é o de que, em tempos muito difíceis, o patriotismo deve prevalecer sobre o espírito de facção. Votar contra seria contribuir para a precipitação de uma crise política que é indesejável.
• - Com o OE viabilizado, o Primeiro-ministro não poderá dizer que não o deixam governar. É, simplesmente, falso, aos olhos de qualquer pessoa atenta. Se a estratégia do Governo é abrir uma crise, a viabilização do OE anula essa estratégia.
• - No decorrer da negociação, devemos notar que o Governo deu algumas garantias importantes e mostrou abertura a algumas matérias relevantes para o CDS.

Dizem que o Orçamento passa: ponhamos um esticador de lábios


segunda-feira, janeiro 25, 2010

Com um atraso mais ainda a tempo

A cobertura noticiosa do ferimento do jornalista da RTP Vítor Gonçalves, no Haiti, é um manifesto exagero. O Vítor, que é uma excelente pessoa e um bom jornalista, deve sentir-se bem pouco confortável ao ver um tornozelo fracturado e um galo na cabeça sobreporem-se à dor e sofrimento do povo haitiano, que, aliás, relatou com evidente profissionalismo e competência. O Haiti não é aqui? Às vezes parece.

Sulista, elitista e liberal quando dá jeito

Afinal, sempre vai haver um congresso extraordinário do PSD antes das eleições directas para a escolha de um novo presidente do partido? Ninguém sabe. Toda a gente fala, mas ninguém esclarece nada. No maior partido da oposição o poder está quase a cair na rua e palavras leva-as o vento.
Faça-se justiça a Luís Filipe Menezes. Há uns largos anos provocou comoção num congresso ao denunciar a existência de um eixo elitista, sulista e liberal que queria tomar conta do partido. Foi vaiado, insultado, impedido de falar. Acabou vexado mas, constata-se agora, estava carregadinho de razão.
Há no PSD um eixo elitista, sulista e mais ou menos liberal (depende de que lado sopra o vento) que encara o partido como sua propriedade. As figuras que o integram estão grávidas de Estado, com quem mantêm magníficos negócios através dos seus escritórios de advogados ou empresas, e tratam os militantes com a atitude paternalista de um colono.
Para eles, Lisboa é o centro do mundo e o resto é paisagem. Ou menos do que isso. Durante anos apoiaram Cavaco Silva porque este ganhava eleições e assegurava-lhes mais oportunidades de trabalho, mas zombaram do seu provincianismo em milhares de pequenas notas nos jornais. Quando alguém tentou resistir-lhes, como foi o caso de Menezes, trataram de o despachar e de colocar no seu lugar alguém mais dócil. Como a actual líder.
Esta gente, que vive em regime de casta, tem medo da mudança. Tem medo de perder privilégios, de perder palco, de falhar capas de revista. Por eles o partido pode ficar para sempre em banho Maria, realizando congresso extraordinário atrás de congresso extraordinário enquanto tentam cooptar alguém que não agite as águas. O importante, na sua perspectiva, é impedir que chegue alguém ao poder que lhes estrague o negócio.
Pobre PSD.

Bocejo verde

Quem escreveu o roteiro de Avatar? Um "gajo" da Quercus? O filme é uma coisinha chata, politicamente correcta, arranjadinha. Parece um interminável "Minuto Verde". Como foi possível desperdiçar aquela espantosa tecnologia num filminho destes? Ainda não foi desta que assisti a um filme de James Cameron que me agradasse.

A formiga no carreiro

Paulo Portas viabiliza OE e mostra ao PSD como se faz oposição. Partido com vocação de Governo, diz ele. Ou o PSD sai desta agonia, desta paz podre imposta por uma direcção moribunda, ou esvai-se para quem leva o trabalho político a sério. E querem apostar que Portas só avançou com a "abstenção construtiva" por temer que, à última hora, com a certeza de que os seus votos já não seria precisos para evitar uma crise, o PSD acabasse por votar contra? Assim à moda dos cucos, que chocam os ovos nos ninhos que os outros laboriosamente construíram?

Bem visto

A quem isto servir, sirva-se sff

A falsa pandemia


Há uma coisa que se chama Conselho da Europa.
Sim, ainda funciona e terá esta semana a sua sessão plenária.
Se aprovarem hoje a ordem de trabalhos que aqui se indica, então haverá uma discussão sobre a actuação da Organização Mundial da Saúde relativamente à Gripe A.

Vão ouvir-se vozes a questionarem o alarme criado à volta da "faked pandemics" e seria salutar que se abrisse uma investigação séria sobre as conivências com a indústria farmacêutica. Seria pelo menos uma maneira de provar que o Conselho da Europa ainda serve para alguma coisa.

Ficar descalço

Há alguém que já perdeu os sapatos no alcatrão do orçamento de Estado.

domingo, janeiro 24, 2010

O véu





A republicana França prepara-se para banir o uso da burqa em locais públicos, designadamente serviços públicos e transportes. Em Julho de 2009 foi constituída uma missão parlamentar cujo metier seria o de reflectir e propor medidas legislativas acerca do uso do véu integral islâmico.
O mais alto magistrado da República Francesa, o presidente Sarkozy, não enjeitou o mérito da proposta.
Ora, o que aqui releva não é o facto de se poder estar a estimular integrismos e fundamentalismos espúrios – questão de somenos.
Inquietante é a manipulação, por via legislativa, e em nome do povo, da autodeterminação de cada indivíduo. Se quero andar de chapéu, usar luvas, descalço, roto, de casaca, ou de nariz vermelho, é algo que só me diz respeito a mim. MAIS NINGUÉM.
Não se poderão tolerar integralismos republicanos e jacobinos, que forçam o legislador a ser o alfaiate, de haute couture, dos trajes com que a República se veste.
Há que atirar a toga ao chão.
Quer-se suprimir o uso da burqa substituindo-o por um véu de constrangimento da liberdade pessoal – em nome de um republicanismo asséptico. Há aqui, adivinha-se, uma qualquer deriva de um estado que quer ser confessionalmente neutro…!

Serralves


É excelente a notícia de que Serralves escolheu para Presidente do Conselho de Administração o Eng. Luís Braga da Cruz!

Sem mais

"Tenho sono

Eu sò quero a ùltima palavra
Aquela que fecha a pàgina
Apaga a luz
E sorri nos meus làbios
Antes de adormecer."

Maico, 2006 in 'As primeiras horas'

sábado, janeiro 23, 2010

Tripas à moda de là

A propòsito da candidatura do Sr. Vitor Constâncio à vice-presidência do Banco Central Europeu, repete-se à nàusea que se trata de alguém com uma competência técnica imbatìvel, não sò em Portugal mas também a nìvel europeu.

Quem sou eu para contestar uma tal competência? Mas como simples cidadão sinto-me plenamente legitimado a duvidar da dita ou pelo menos a questionar a sua servidão, à luz do desempenho de Sua Exa. à frente da entidade supervisora do sistema bancàrio nacional. E não me refiro apenas à sua total incapacidade para prevenir situações como as que se verificaram no BCP, no BPN e no BPP. Englobo ainda o grave e inexplicàvel arrastamento destes dois ùltimos casos, para grande prejuìzo dos respectivos clientes e do contribuinte. Se tomarmos como critério determinante as provas dadas no concreto e no terreno, o actual Governador do Banco de Portugal merece um chumbo redondo.

De qualquer modo, quem venha acompanhando as discussões sobre a escolha do novo vice-presidente do BCE apercebe-se de que os critérios que irão determinar a decisão final têm pouco a ver com o mérito intrìnseco de cada candidato, mas pautam-se sobretudo pelo equilìbrio polìtico-geogràfico de mùltiplos intervenientes cuja repartição nacional se pretende acautelar.

Ora, como os alemães entendem que vai chegar a sua vez de chefiarem o BCE e como jà hà um luxemburguês a presidir ao Conselho Euro, é natural que o Sr. Constâncio alimente a esperança de aproveitar essa boleia e assim ultrapassar os colegas do Benelux, invocando a sua antiguidade. È por essa porta baixa que o “nosso” Governador espera entrar e, como se trata de alguém sempre pronto a adequar a sua altura ao tamanho da entrada, é mesmo possìvel que lhe digam “avance”.

Nada disto tem a ver com comparação de competências ( para sua felicidade, à luz do seu fiasco nacional) e ainda menos com escolas desenvolvimentistas ou escolas anti-inflacionistas. Serà apenas prosaicamente mais um dos cozinhados rasteiros em que a União se especializou. Ponto final.

Eu prefiro as tripas à moda de cà.

Novos vizinhos no Farmville


Hà duas pessoas com alguma lucidez no Conselho Superior do Ministério Pùblico. Ora, isto é uma grande notìcia porque eu não fazia a mìnima ideia que ainda là estavam duas testas, as mesmas que votaram contra a recondução da Dona Cândida.
Não me interessa nada saber as razões desse voto esclarecido, podem ter sido as piores razões do mundo como a de ela ter entornado a chicara de café no colo de um e ter entrado no elevador antes do outro. Foram dois votos, dois entre 16, o que significa que por cada 8 conselheiros hà uma inteligência. Nada mau. Nos dias que correm, podia ser bem pior.
Assim sendo, hà esperança e vou jà convidar esses dois votos para meus amigos no facebook e quero-os como vizinhos no farmville, que bem preciso estou pois de outra maneira não consigo fazer um upgrade e comprar uma casa anti-sismica para as vacas. Sim, porque hà vacas que merecem o meu respeito, nem todas, claro, mas umas.

Porque hoje é Sàbado (7)

Òleo de Karl Wilhelm Hahn -"Uma pausa" 1860

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Vale tudo?


Cabotinos

"Comissão Eventual para a Análise Integrada das Soluções Inerentes ao Processo de Regionalização Administrativa" – é assim que se auto-intitula a comissão criada na Assembleia da República para preparar a Regionalização.

Que nome abominável!
Será um mau prenúncio?

Vantagens de um tele-comando

Ontem mandaram-me um sms a perguntar: "Que pensas da entrevista que o Passos está a dar na RTP?". A minha resposta foi rápida e curta: "Zapei logo ao princípio".

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Apito verde

Acrilico sobre tela de Inos Corradin "O Goleiro"

Um director desportivo envolve-se à pancada nos balneàrios com um jogador e temos assunto de abertura de dez minutos para os telejornais. Mais valia pôrem isso no Youtube e pouparem-nos a irrelevância do assunto; faria companhia às escutas que là estão sobre fruta e outras maravilhas.
Valha-nos S. Sebastião.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Nelson Mandela no Nun'Álvares

Será brevemente exibido (consta que a partir de 28 de Janeiro) no cinema Nun'Álvares (à Rua Guerra Junqueiro no Porto) o filme "Invictus" , uma produção de Clint Eastwood sobre a vida de Nelson Mandela.

Seja pelo tema, seja pela qualidade que antecipo, seja pelo apoio a uma sala que renasceu e merece vingar, ouso recomendar : ide ao Nun'Álvares.

Berluscraxi

O "establishment" italiano decidiu revisitar a imagem de Bettino Craxi, um já falecido ex-Primeiro Ministro socialista que, quando percebeu que ia ser condenado por corrupção, fugiu para a Tunísia e ali se instalou nas praias de Hammamet. Mário Soares, numa visita oficial à Tunísia na sua qualidade de Presidente da República, achou por bem ir visitar o seu amigo criminoso.

Hoje, dez anos depois da morte do fugitivo, Berlusconi acha bem reabilitá-lo. De facto, há coerência no gesto, se compararmos a personagem do actual Primeiro italiano com a do reabilitado, e por isso já alguns designam o 'consiglieri' de Berluscraxi.

terça-feira, janeiro 19, 2010

Pobreza

Dizem que é o Ano Europeu de Combate à Pobreza.
Pois, pois…, mas eu confio mais no meu cão.

Contamos tê-lo connosco na próxima viagem

Os tempos estão ventosos para as companhias de aviação.
A Japan Airlines acaba de abrir falência (15.000 despedimentos e um valor de mercado inferior ao preço de um Jumbo).

Leite talhado (2)


Prosseguem as audiências (recuso-me a falar em "audições") no Parlamento Europeu dos comissários designados para o colégio Barroso II.
A búlgara Jeleva, a quem aqui nos referíramos há dias, decidiu abandonar tudo e já regressou a Sófia. Não é possível dizer se isto encerra o assunto, pois há quem reclame retaliações no PPE. É,contudo, provável que as pessoas de bom-senso calem o Sr. Mário David e percebam que o melhor é encaixarem sem mais alaridos os prejuízos políticos a que se expuseram.
Nas próximas horas se verá se o 'Nortadas' tinha razão quando afirmava que havia um plano B em que entrava o ministro búlgaro da Defesa, o Sr. Mladenov.

Entretanto, verifico que os 'media' portugueses continuam a falar em apoios "comunitários" disto e daquilo. Convém talvez explicar que um tal adjectivo foi definitivamente enterrado com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa: agora é só União.

Impostos e justiça...

O Al Capone também caiu por causa de alguns impostosinhos; será que o Boavista ainda pode ter alguma esperança?

A notícia é clara, fala de apenas alguns factos que certamente não teriam, por si sós, colocado o Boavista na situação que conhecemos. Mas talvez tenham sido a origem do problema e talvez permitam começar a desvendar o novelo...


Força Boavista!!!

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Recomenda-se

Há distracções que não se perdoam.
Desde Maio de 2009 que dá à estampa todos os 15 dias uma nova publicação que julgo merecer a nossa simpatia: trata-se do "As Artes entre as Letras", dirigida por Nassalete Miranda. Li os últimos 3 ou 4 números e arrisco a dizer que seria bom que vingasse. Até porque no seu estatuto editorial diz, entre outras coisas, "Cultura- nosso Mundo; Porto- nosso berço".
Será que o patusco também o lê?

O patusco


Tem graça esta repetida ideia de Manuel Alegre querer ser presidente da República.

Alegre não gosta muito da figura do presidente interventor, que se preocupa com o défice e com o endividamento. Simpatiza mais, certamente, com o regime parlamentarista próprio das monarquias. Aliás, como figura decorativa, Manuel Alegre vai muito bem com o seu ar aristocrático e o gosto pelas artes. E o povo gosta disso. O nosso povo gosta de verdadeiros aristocratas. E Manuel Alegre parece um príncipe!. Tudo em Alegre nos convoca para a realeza. Até a paixão pela caça, que Manuel Alegre alimenta, remete para a boa memória que guardamos do nosso Rei D. Carlos I...

Alegre acha que tem perfil republicano e lança vivas à República.

É um patusco!

Anda, Pacheco

Assim vai o país

O expresso este fim de semana dava conta de verbas extraordinárias que a Seg Social pagou indevidamente. Custava-me a acreditar apesar de vir no Expresso. Mas estava eu a preparar-me para ler a noticia quando me fala uma pessoa amiga. E a conversa não podia vir mais a propósito. Ela tinha sido despedida da empresa onde trabalhava e como lhe competia entregou os papéis a requerer o subsdídio de desemprego. Só que pelos vistos ela e a empresa chegaram a um acordo e ela dirigiu-se ao centro de emprego para anular o processo e também à segurança social para onde já tinha transitado. E aqui pasme-se e acreditem que é verdade. A zelosa funcionária disse-lhe que como já tinha sido despachado ela iria receber o primeiro mês. E que o podia depois devolver em prestações. A minha amiga dizia que não, que devolveria tudo mal recebesse, mas a simpática funcionária lembrou-lhe que poderia querer aproveitar e comprar alguma coisa e que as prestações não têm juros. Louco país este.

domingo, janeiro 17, 2010

Delírio dominical contra os empatas

Nunca me dei bem com muita criança à volta; duas já são canalha a mais.

A Zulmira bem me disse, há não sei quantas semanas, que acedera em fazer lá em casa a festa dos 8 anos do Nelinho, o mafarrico da calista do 2° andar. Senti de imediato um aperto no mindinho do pé esquerdo, mas pensei, sem me dar conta de que aquilo seria neste Sábado, que me havia de escapulir para os bilhares e assim foi que não dei mais importância ao assunto.

A transmissão começava às 6h e eu já me aviara com o kit “dragão”: um pacote de super-bocks e três sandes de fêbras. Ao entrar no hall do prédio dei com um garoto a chorar, todo besuntado de chocolate nas orelhas. Topo que a porta do meu rez-do-chão está escancarada e, ao entrar, sou atropelado por outros dois gândulos, aos berros: parte-se-me a alça do saco das cervejas e, pimba..., 3 super a menos e uma sujeira de espuma. “ Zulmiraaaaa!”.

“Oh, filho, ainda bem que chegas. Acude aqui que não sabemos o que fazer com o Nelinho. O miúdo amuou e fechou-se no banheiro com o bolo de anos”.
Arrombei a porta a tempo: o estuporzito abrira as torneiras todas antes de se pirar pela janela e depois de esmifrar pastas de dentes, shampôs, creme da barba e outras porcarias pelo chão e pelos azulejos das paredes.

A loira do 2° andar desata num histerismo: “Neliiiitooo, o meu Nelinho desapareceu, raptaaaram-no”. Acalmei-a com dois gestos firmes mas no acto foram-se as fêbras, que ainda estavam no saco da esquerda agarrado ao pulso, e ficaram imprestáveis num chão empapado em água, cremes e chocolate.

“Ensandeceste ou estás bêbado? Não podes fazer assim à D. Lucinda: não vês que o pequeno fugiu?” (olha a novidade). E continuava a Zulmira : “Vamos à polícia”.
Claro que o desvario transformou-se no hall em abraços e beijos ao Nelinho pródigo e achocolatado, no meio de uma cohorte de gaiatos aos saltos, a bater palmas e aos gritos de “Binde ber istu”.

Fugi. Quando cheguei aos bilhares, molhadinho até ao tutano por me ter esquecido do chuço, já o Paços tinha metido um golo... e nós a patinar. E eu, trabalhador do comércio que não quiz ter filhos para não ter chatices, tenho que aturar os dos outros? Oh meça!!

sábado, janeiro 16, 2010

Constâncio, Nuno Melo e Paulo Rangel


O facto de Vitor Constâncio poder ir para vice-presidente do BCE é muito bom para Portugal. Mas não pelo facto de ele ficar como vice-presidente do BCE mas sim por ele deixar de ser Presidente do Banco de Portugal, função que está mais do que provado foi um fiasco absoluto.

Nuno Melo preocupado com Portugal e a Europa continua a morder os calcanhares ao socialista.

Paulo Rangel mais preocupado com Portugal apoia em absoluto a sua ida para o BCE certamente na esperança de que ele não mexa em nada.

Mas o apoio à ida de Constâncio não pode nunca ser vista na perspectiva do apoio a um português sendo ele incapaz para um cargo.

Nós também

"Pó

Nas estantes os livros ficam
(até se dispersarem ou desfazerem)
enquanto tudo
passa.O pó acumula-se
e depois de limpo
torna a acumular-se
no cimo das lombadas.
Quando a cidade está suja
(obras, carros, poeiras)
o pó é mais negro e por vezes
espesso. Os livros ficam,
valem mais que tudo,
mas apesar do amor
(amor das coisas mudas
que sussurram)
e do cuidado doméstico
fica sempre, em baixo,
do lado oposto à lombada,
uma pequena marca negra
do pó nas páginas.
A marca faz parte dos livros.
Estão marcados. Nós também."

Pedro Mexia, in "Duplo Império"

Porque hoje é Sábado (6)

Óleo de A.V.Serov "Crianças"

sexta-feira, janeiro 15, 2010

O que outros dizem

Não fui eu que escrevi este texto, e tenho pena. É a opinião de Manuel António Pina, no JN:

"Eles têm a solução

O ex-presidente da Associação Portuguesa de Bancos pediu para ser recebido em Belém onde foi levar a solução que a brigada bancária de minas e armadilhas tem para a tal "situação explosiva".

Para pagar a factura económica dos milhões dos contribuintes que o Estado meteu nas mãos da banca tentando apagar o fogo que ela, banca (e as agências de "rating" que agora dão conselhos aos governos para superar a "crise") atearam, a solução da banca é a de sempre: trabalhadores e classe média que paguem.

Também o governador do Banco de Portugal, cuja desregulação permitiu entre nós situações como a do BPN e BPP, tirou ontem o coelho de sempre da pouco imaginativa cartola, o da contenção salarial. Obviamente, nem a Salgueiro nem a Constâncio ocorreram as escandalosas taxas de IRC que a banca continua a pagar, os prémios não menos escandalosos que os banqueiros continuam a atribuir-se ou a tributação das mais-valias da especulação bolsista e imobiliária.

Diz despudoradamente Salgueiro que os governos "deram menos aos portugueses do que estes gostariam".
É fácil imaginar de que portugueses fala."

É urgente (2)


Nuno Melo


Isabel Arriaga da Cunha é a correspondente em Bruxelas do jornal "O Público". Hoje publica um artiguinho sobre a audiência de Vítor Constâncio no Parlamento Europeu, no âmbito da candidatura do "nosso" Faro-Fino ao posto da vice-presidência do Banco Central Europeu.

Desde o título até ao ponto final, a Sra. Cunha não esconde a sua antipatia pelo eurodeputado Nuno Melo, conseguindo a proeza de só ter recolhido opiniões críticas quanto à intervenção do homem do CDS na comissão que confrontou o Governador do Banco de Portugal.

aqui manifestei o meu apoio à coragem e firmeza de atitude que o Nuno Melo tem demonstrado nas suas novas funções bruxelenses, não se intimidando com os microfones europeus e imune ao acefalismo dos que apoiam sem reservas tudo o que é lusitano porque sim. Espero que o Melo não largue o osso e não esmoreça apesar das cunhas e pauzinhos que lhe ponham ao caminho.

Os nossos óscares


Gostava de perceber qual o verdadeiro conteúdo dos "destacados serviços prestados ao país" no exercício de funções públicas que fundamentam a condecoração e a atribuição a Santana Lopes da Grã-Cruz da Ordem de Cristo, pelo Presidente Cavaco.

Começo a recear que estejam um para o outro.
(foto-montagem do blogue wehavekaosinthegarden)

Os novos Kwanzas da corrupção e do despotismo


Os escritórios de advogados lisboetas que representam os interesses da "magna empresária" Isabel dos Santos podem dormir descansados que tão cedo não terão mais nenhuma visita da polícia judiciária a propósito de alguma investigação criminal.

Isto porque na próxima semana haverá uma nova Constituição em Angola que elimina definitivamente a fantochada de democracia que ali se representava, para a substituir por uma óbvia ditadura do pai da "magna empresária". A eleição indirecta de um presidente de um regime presidencialista em que tudo depende desse fulano põe fim ao faz de conta que alguns mais envergonhados da nossa praça afivelavam quando negoceiam com a máfia de Luanda.

A D. Isabel vai contar com a estabilidade de cemitério que o seu pai impõe em Angola e sobretudo com os euros e dólares cujo câmbio compra de barato as consciências de certos "democratas" portugueses.

Vem dormir no cais


Pagaram dezenas de milhões de euros pelo afretamento de uns navios que faziam de hotel durante a Expo-98. Os ditos hotéis terão recolhido receitas na ordem de umas duas centenas de milhar de euros. Em resumo, um buraco calamitoso.

Demorou 11 anos para começar o julgamento desta gentinha, sendo que o Januário Rodrigues era, antes de se meter nestes negócios faraónicos, Director no Banco de Portugal. Ou seja, sabia-la toda. Não sei o que mais me impressiona: se o caso de corrupção ou a inépcia da nossa justiça.

Como dizia alguém noutro contexto, estamos entregues à bicharada.

Espreitar pelo binóculo


Vem aí mais um Observatório. Seguramente, para fazer companhia às dezenas de outros Observatórios que medram como cogumelos depois das chuvas e dão pluri-emprego a uma catrefa de burocratas ou secretários de Estado em gestação.

Desta feita a coisa chama-se (não se riam) "Barómetro da Qualidade da Democracia em Portugal". Este aborto nasce em Lisboa (não na serra da Estrela) e vai por lá vegetar, como é costume em tudo o que é gasto e despesa pateta à conta do contribuinte. Os barometreiros são artitas conhecidos: António Costa Pinto, Luís de Sousa e o inefável e omnipresente Pedro Magalhães.

Dizem que a União Europeia paga parte da despesa para os relatórios bi-anuais, sinal de que encontraram umas notas nas gavetas nobres, pois a dos ossos perdeu um, depois de o terem lançado ao cão, lá no Haiti.

Recomendo-lhes que andem depressinha, pois pelo andar da carruagem não sei se a democracia consegue sobreviver dois anos para ser observada.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

maldita lesão

Dar um osso ao cão

Diz a imprensa que a Comissão Europeia disponibilizou 3 milhões de euros para ajuda ao Haiti (ou seja, um euro por cabeça dos 3 milhões de habitantes da cidade de Port-au Prince; o país tem mais de 8,5 milhões). Obrigadinho!
Seria interessante comparar este valor com a despesa que a Comissão prevê para a mera instalação do Sr. Presidente do Conselho Europeu.

Afinal o leite parece talhado

As audiências no Parlamento Europeu dos Comissários designados têm demonstrado a impreparação de vários candidatos e revelado uma crispação crescente entre os grupos parlamentares. As declarações do Sr. Mário David, recentemente eleito um pêso pesado no PPE, ao estilo " se eles (PSE) querem guerra, haverá guerra", são despropositadas e desproporcionadas.

Alguém devia dizer ao Sr. Mário que o próprio primeiro-ministro búlgaro já tem em marcha um plano B (provavelmente o seu actual ministro da Defesa Nikolaj Mladenov) para o caso de se confirmar que a designada Sra. Jeleva é manifestamente inadequada para as funções.

É urgente!


Assistir impotente ao desmoronar de um país, à agonia de um povo, à dor física e cruel de tanta gente, ao desespero, aos gritos, aos cheiros que se imaginam, à escuridão, à fome, à sede, à morte lenta e solitária de crianças e velhos, assistir a tudo isso, sabendo que vai durar, que ainda vai piorar e que não é possível premir no "rewind", então assistir implica ajudar.
É urgente ajudar o povo haitiano!

quarta-feira, janeiro 13, 2010

O truque do Socrates

Socrates ja se sabe ser adepto de artimanhas e jogadas engenhosas. E parece que está a ponto de nos dar mais um nó cego. A nós portugueses e acima de tudo à democracia e ao respeito pelo parlamento. Se for verdade que este projecto de lei que foi feito à pressa e para despachar tem aspectos inconstitucionais e que para compor a coisa o ps aprovará a adopção por casais homosexuais, está bom de ver que Sócrates nos enrolou uma vez mais. A ver vamos até onde vai a desfaçatez.

Por decreto talvez


Enquanto me delicio com a classe e a magia de Messi dei por mim a pensar porque não podemos ser todos "magos" da bola. Foi assim que nascemos, foi assim que fomos criados, como de resto rapidamente constatei. Mas talvez por decreto se possa fazer alguma coisa, sendo que neste caso como a maioria é tosca de bola, tenha que ser o messi a sujeitar-se. Basta o PS colocar isso lá no meio de um programa que ninguém lê e a coisa fica resolvida.

Petiscar perù frio e um copo de vinho

Òleo de Pierre Bonard "O terraço em Vernonnet" - 1939

A nossa língua


Joaquim Pinto da Silva, tripeiro dos 4 costados, publicou este artigo no quinzenário "As Artes Entre as Letras" (Dezembro de 2009).
Porque merece ser lido e discutido, aqui o pouso:

"Portugal e Galiza, do interdito ao crucial - um texto incómodo (a Norte e Sul do Minho) de cultura, de política


1.


Para o comum dos portugueses, o galego e a Galiza representam uma particularidade étnica e uma região entre outras, em que uma gaita-de-foles, as Rias Baixas e um bom marisco fazem quase toda a distinção para com o restante do Estado espanhol.Para alguns outros compatriotas, com alguma formação escolar, trazer-lhes-á uma remota ideia de uma literatura comum (a poesia trovadoresca), de algum relacionamento actual num tal de Eixo Atlântico, entremeado de alguns clichés sociais (o aguadeiro em Lisboa, o carregador na Ribeira, o trabalhador incansável) e talvez um preconceito histórico ligado a uma Mãe galega, Teresa, que perdeu uma batalha com o filho insubordinado que assumia pela primeira vez essa condição "superior" de português fundador, o "primeiro".


2.


Uma ditadura iníqua no século XX, uma Inquisição sanguinária (ainda que o Porto apenas tivesse tido um Auto-de-Fé, contrastando com as centenas em Lisboa e, sobretudo, de Évora e Goa) e um nacionalismo centralista afirmado sempre contra a imperial Castela, poderosa e ali ao lado, ajudaram a criar e a manter alguns dos grande mitos fundadores "nacionais", todavia vigentes, apoiados num desconhecimento que se encosta mais ao comodismo intelectual das ideias feitas do que a uma ignorância, também verdadeira, etária, geográfica e socialmente alastrada.


Portugal, na sua vertente histórica de Condado Portucalense, despega-se do restante da Galiza por um acto, comum à época, de afirmação senhorial em relação a um suserano de quem não poderia já tirar vantagens, antes pelo contrário, já que toda uma Reconquista para sul prometia terras a perder de vista e levas de vassalos contribuintes. Com essa independência (do Reino de Leão), que dura há quase 900 anos, em que desenvolve as suas capacidades próprias sociais, estruturais, psicológicas e linguísticas, chega ao que é hoje: senhor de uma História rica e de uma língua pluricontinental de poder crescente.


Mas a questão que sobra, ignota de muitos e relegada (por medo das consequências que poderia produzir e secundarizada pela iletrada tecnocracia vigente) é saber qual é nossa matriz cultural essencial?


Nascemos do nada? Temos Viriato (que viveu seguramente a maior parte da sua vida em território hoje de Espanha) e os lusitanos (povo do qual nem sequer sabemos a língua que falava) apresentados como substrato nacional, porquê?


Talvez a necessidade de afirmação nacional do ex-condado e do Portugal da altura obrigasse a um "desvio" no rigor dos nossos historiadores, comum a muitos povos, para fugir a uma verdade que poderia ainda abalar a nossa frágil independência? Talvez?


A "lusitanização" de que se fala com muita frequência ao norte e ao sul do Minho, foi uma etiquetagem. Os portugueses encontraram no termo "lusitano" o mito genético para construírem uma independência mais segura. Pensariam que mantendo o cordão umbilical galego estariam mais sujeitos a uma intervenção da Grande Espanha (com Castela dominadora), que tinha absorvido a Galiza a norte do Minho, pois poderia induzir-se pretensão anexionista futura.


Creio que foi esta a astúcia que permitiu justificar um Portugal, nascido do "nada" e "inventor" de uma língua que "sem origem" (a não ser o latim, apagando quase mil anos de História), e, por isso, Castela não tinha justificação nenhuma para impedir um povo/língua/cultura tão "diferente" do resto da Península, de ser independente. Recordemos, de passagem, que é o Cisma do Ocidente (1378-1417) que impondo a adaptação das estruturas eclesiásticas às estatais da altura, provoca de facto a separação política "final" entre as duas regiões.


Mas porque é que hoje, integrados numa Europa que nos garante, valha-nos isso!, a paz e a segurança internacional, não retomamos o caminho da ciência e da verdade históricas e não afirmamos sem peias que Portugal é de matriz cultural essencialmente galega?


Porque não se diz claramente que o galego é a nossa língua de partida, aquela de onde brotou a nossa variante, desenvolvida, apurada e internacionalizada, chamada português?


Porque se persiste em não explicar desde a instrução primária essa origem comum, insistindo-se em "escavar sinais" de vontade autonómica nos séculos anteriores?


As simples manobras de aproximação transfronteiriça, como muito bem assinalou Camilo Nogueira (um dos galeguistas mais esclarecidos na actualidade e que citamos aqui várias vezes), são um processo acomodatício, válido é claro para um relacionamento económico mais forte, mas que não basta para cumprir as nossas obrigações históricas e actuais, e defender o nosso passado e os nossos interesses.


3.


Nascidos antes mas estruturados nos movimentos liberais do século XIX, os Estados-nação já culminaram a sua função destruidora da diversidade política e nacional interna (CN). O conceito de que a um Estado, de fronteiras reconhecidas, corresponde uma nação de per si, com a lógica da jacobina igualdade cidadã e uma imposição de jure de uma língua comum, "aprofundando" assim a necessidade dessa comunidade linguística, "naturalmente " aceite, isto é, imposta por uma centralização, levaram, por exemplo, na França, à quase destruição, pelo menos ao aniquilamento político, da Bretanha, da Alsácia, da Córsega, do País d'Oc, e de outras nacionalidades, mais umas que outras, sobrevivendo ainda uns restos de sentimento nacional "recuperável" na ilha mediterrânica.


Em Espanha, pese os esforços de Castela, três nações conseguiram resistir até hoje, mantendo não apenas as suas línguas nacionais, mas também acesa a chama nacional e a vontade de perseguir os desígnios próprios a cada nação, a soberania à cabeça.


A ideologia "nacionalista" do Estado-nação (o pior dos "nacionalismos", porque disfarçado de supranacional) projecta sobre as nações internas a acusação de pretenderem a constituição de nações etnicamente uniformes, contrapondo a ideia de povo à de território, que seria a própria de Estados como o espanhol, que teriam assim os atributos da pluralidade, da diversidade e, incluso, da mestiçagem e da democracia (CN).


Na Galiza - ou não fosse tão igual a nós - existe uma situação de impasse, motivada, é certo, pela pressão terrorista de um centralismo avassalador, mas sobretudo por um movimento nacionalista preso a um esquerdismo - que é a doença infantil do galeguismo - que recusa abrir-se a outras camadas sociais ou que indistingue luta nacional e luta social, prejudicando gravemente um objectivo próprio, horizontal e acima de qualquer outro (acima, disse bem!), dando a volta, mas cedendo no fundo (e ainda com C. Nogueira) ao marxismo dogmático de Hobsbawn que qualifica os nacionalismos das nações sem Estado, como um fenómeno historicamente transitório, identificável com os interesses das burguesias, à maneira do que, em Portugal, deve ser o pensamento de um Bloco de Esquerda sobre esta questão, ou de outra "esquerda", mais larga e novo-rica que confunde o ser do mundo com a perda empobrecedora da personalidade própria (CN).


4.


Na Galiza, o eixo principal pelo qual a luta nacional tem de passar, e que "beneficiou" neste momento do ataque desenfreado do espanholismo linguístico (que acusou os nacionalismos de querer impedir o bilinguismo, quando o problema é exactamente o inverso) é o da língua.


O nacionalismo, presa ainda do conceito maximalista atrás citado e, nalguns sectores, ainda de um isolacionismo (bem burguês (pequeno), aliás) hesita em tomar a peito esta questão, armando-se da coragem dos Pais Nacionais do galeguismo político (primeira metade do Século XX).


Se ser nação é assumir a possibilidade de construir um Estado. mais verdade ainda é ser nação é que a língua própria seja indiscutivelmente a língua nacional" (CN). E esta, o galego só a pode cumprir cabalmente, se for aglutinadora e cimento de um povo, se se lhe der a continuidade histórica necessária, aquela que o galego enquanto tal, remetido durante muitos séculos a língua apenas oral e rural, não pôde beneficiar, mas que o galego, enquanto português, se temperou, tornando-se não apenas língua literária de larga produção mas ainda língua pluricontinental, a quinta mais falada no mundo (maternal).


Citamos o mais conhecido galeguista português, até hoje, Rodrigues Lapa:


Certos indivíduos, arvorados em linguistas, ignoram ou fingem ignorar a diferença entre vários tipos de língua: a que falamos no trato quotidiano, propriamente a fala; a que empregamos na escrita; e a que é mais elaborada e usamos na literatura. As duas pontas desta cadeia são obviamente a fala e a língua literária. Não é lícito confundi-las. O processo da língua oral é simples: uma vez lançada a mensagem, o signo é esquecido; mas o enunciado literário não morre por ter servido, "está feito expressamente para renascer das suas cinzas e tornar a ser indefinidamente o que acaba de ser", assim escreveu Paulo Valéry.A recuperação literária do galego padece de um erro fundamental: a transplantação pura e simples da fala corrente para o texto dos livros. Não é assim que se forja uma literatura.


Considerar o galego como parte integrante do sistema linguístico galego-português-brasileiro, com o nome internacional de português, aproximar radicalmente (em sentido próprio) o galego escrito da norma portuguesa-brasileira, enriquecer a nossa língua comum dos milhares de vocábulos e expressões galegas, eis o caminho a percorrer: o que falta.


Bruxelas, 17 de Dezembro de 2009


Joaquim Pinto da Silva (galego do sul, português do norte)"

Há Baile


O Club Portuense é uma instituição (é um club, não um clube nem um ateneu).
Tem instalações agradáveis, um restaurante correcto e ressurgiram actividades interessantes que o animam e animam os seus sócios.
Mas o Club Portuense mantém alguns tiques que lhe advêm provavelmente da sua antiguidade e do seu carácter elitista. De qualquer forma, trata-se de um clube privado e cada um é livre de fazer o que muito bem entender.

Neste fim-de-semana que se aproxima realiza-se ali o baile de apresentação das jovens meninas filhas de sócios (o "début"). É todo um cerimonial com as suas tradições e um protocolo próprio. Fato comprido para as senhoras e casaca para os cavalheiros. E muita valsa. Pais e filhas já lá andam a ensaiar os passos.

Há poucos anos, a Direcção do Club decidiu que os cavalheiros teriam de se apresentar de casaca, quando em edições anteriores se exigia "smoking". Um alfaiate estabelecido na Rua Cândido dos Reis, mesmo em frente à entrada do Club, anunciou de imediato casacas a rigor a preço abordável e deve ter feito o negócio da vida. Confesso que tenho dificuldade em perceber este surto tardio de formalismo cerimonioso. Mas o problema deve ser meu, que sou um resistente ao jaquetão, ao fraque e ao redingote e sempre achei estas vestimentas datadas e presunçosas.

Curioso é que apesar das casacas e das vénias, muitas jovens levam nuns saquinhos de plástico do Pingo Doce umas sapatilhas confortáveis para calçarem depois da meia-noite e que são muito mais adequadas aos ritmos da madrugada. Imagino que os de tacão regressem no dito saquinho ou se percam na escadaria de saída para que um príncipe os devolva no dia seguinte à Gata Borralheira da véspera.

Quanto aos rapazes, não sei a que horas penduram a casaca.

terça-feira, janeiro 12, 2010

Dúvida

Agora que está aprovado o casamento entre pessoas do mesmo sexo, será que vai ser questionado o sexo entre pessoas do mesmo casamento?...

Mea culpa?


A Assembleia da República empossou uma nova comissão encarregue de acompanhar a luta contra a corrupção. Vamos esperar para ver o que sai dali, mas se houver resultados é uma boa surpresa.

Em Portugal, a corrupção tem sido uma constante ao longo de décadas, senão mesmo de séculos. Os trabalhos de Vasco Pulido Valente sobre os "devoristas", o rotativismo e a I república são esclarecedores sobre essa esperteza manhosa com que certos amassaram fortunas e reputações. Alguns dos apelidos sonantes do país actual têm nos seus alicerces crimes banais de furto e de desvio de fundos públicos. A venda dos "bens nacionais" do liberalismo do século XIX foi um festival de compadrios e de pura extorsão.

O Estado Novo tampouco passou incólume pelo tráfico de influências e por milhares de negócios duvidosos. O post-25 de Abril tem servido igualmente a vilanagem, amplamente. E como somos um país pequeno, entre a esquerda e a direita do actual regime há mil laços e mil primos, numa camaradagem tolerante onde um BPN compensa um Freeport ou uma Felgueiras ombreia um Isaltino. Tudo boa gente.

O que é preocupante neste cenário é a habituação anestesiante, a familiaridade que vamos estabelecendo com estas práticas, que já são usos e costumes, "é a vida" e toca em frente, "quem sabe, sabe", e parvos são os que não percebem que é preciso exigir fruta.

Quando é assim, a coisa torna-se endémica e não é fácil tratá-la. Veja-se, por exemplo, a Itália onde seria necessário uma revolução para limpar a podridão. Vejam-se, em geral, os países tradicionalmente católicos, do sul europeu, onde contrariamente aos de tradição protestante em que não há confissão a redimir os pecados, um crime cura-se no confessionário e a 'patine' do tempo dá razão à fraude. É um mundo submarino que, se vem à superfície, procura a sombra de um sobreiro.

Mas, como costuma dizer um outro bloguista do Nortadas, é possível um Portugal melhor.

Pouca vergonha

"Violação dos direitos humanos" – é assim que advogados do caso Casa Pia classificam o processo em curso.
Julguei que falavam dos menores, mas não, trata-se dos violadores que, ao que parece, estão a ser violados. Os algozes afinal são vítimas? Nem mais, segundo o ex-Secretário de Estado do Eng° Guterres. É certo que já lá vão mais de seis anos de processo, graças, nomeadamente, às manobras dilatórias do mesmíssimo representante do Senhor Cruz, mas convenhamos que é preciso um descaramento sem fim para afirmar que é o Cruz que leva a cruz.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Buracos negros


Um artigo do Finantial Times de Domingo, actualizado hoje, alerta para o facto de Portugal estar em risco de ver o seu 'rating' uma vez mais degradado se o orçamento de Estado não fornecer uma indicação clara de que o governo está seriamente empenhado em pôr ordem nas contas.

O artigo faz referência ao relatório do Banco BPI e cita Fernando Ulrich: "Portugal foi avisado dos riscos e dos desafios que enfrenta. Se formos irresponsáveis e nada fizermos, acabaremos como a Grécia".

Ainda a legítima defesa

Voltando uns posts atrás, eu nunca sustentaria que alguém pudesse ser absolvido (ou numa fase anterior ver o seu processo arquivado) quando por vingança decidisse atirar a matar sobre um assaltante em fuga. A questão é que o ourives da Trofa foi acusado de homicídio privilegiado porque não se podia considerar a figura da legítima defesa e um eventual excesso capaz de lhe excluir a culpa. Uma vez que o assaltante (relativamente às ameaças já não podia reagir) levava consigo valores patrimoniais elevados que lhe pertenciam, poder-se-ia aceitar que ao disparar sobre ele o que o ourives pretendia era evitar a perda dos seus bens. Ter-se-ia excedido seguramente, mas a intenção era uma intenção de defesa. Sucede que, a partir da entrada em vigor da lei que regula o uso das armas de fogo pelas forças policiais (DL nº 457/99, de 5 de Novembro), tem se entendido que a defesa de bens patrimoniais não justifica ofensas corporais graves ou o homicídio, mesmo tratando-se de particulares, pelo que não se pode invocar a legítima defesa nestes casos. Não havendo legítima defesa, também não há excessos desculpáveis, e o que eu discuto em sede geral é se não os poderia haver....

Pinheiro Manso

Quando caiu a “àrvore de grande porte” como se limitou a chamar-lhe o Público (Público de 23/12/2009), que era o Pinheiro Manso que juntamente com outros dois dava o nome à zona em que passei grande parte da minha infância e juventude, além da pena que senti, a minha alma maledicente adivinhou que tão cedo nenhuma outra árvore lhe ocuparia o lugar, tão pouco preocupados que somos entre nós com espaços verdes, árvores e afins. Pois é com satisfação que venho reconhecer que me enganei redondamente, e que já lá estão dois pinheirinhos mansos bem simpáticos, à espera de crescer. A quem actuou tão depressa, os meus parabéns e o meu muito obrigada. Aos pinheirinhos, as maiores felicidades! ;-)

"A cura sou eu"



Depois de semanas de ensaio, o resultado esteve à vista no recinto do Norte Shopping neste sábado de tarde. Um grupo de cidadãos generosos e empenhados decidiu sensibilizar a opinião pública para a necessidade de ser dador de medula óssea e veio fazê-lo de uma forma simpática, alegre e barulhenta, porque a solidariedade não tem que ser cinzenta nem enfadonha. Parece que felizmente funcionou, e que o número de dadores no centro de recolha móvel do Norte Shopping aumentou na mesma tarde. Para os que não souberam, ou que não sabem, que essa recolha existe, para que a generosidade e empenho de todas estas pessoas não se perca, e por todas as crianças como a Carmen que precisam de um dador compatível, vão lá de 9 de 16 de Janeiro e inscrevam-se como dadores de medula óssea! Não custa nada! E não se esqueçam: "a cura somos nós"!

Para os asnos que por aí andam

No Curso de Medicina, o professor dirige-se ao aluno e pergunta:
- Quantos rins nós temos?
- Quatro! Responde o aluno.
- Quatro? - Replica o professor, arrogante, daqueles que têm prazer em gozar sobre os erros dos alunos.
- Traga um molho de feno, pois temos um asno na sala - ordena o professor ao seu auxiliar.
- E para mim um cafezinho! - Replicou o aluno ao auxiliar do mestre.
O professor ficou irado e expulsou o aluno da sala.
Ao sair da sala, o aluno ainda teve a audácia de corrigir o furioso mestre:
-O senhor perguntou-me quantos rins 'nós temos'. 'Nós' temos quatro: dois meus e dois seus.
Tenha um bom apetite e delicie-se com o feno.

domingo, janeiro 10, 2010

Regresso ao passado


Hoje voltei ao Bessa. Para o topo sul, no meio dos panteras negras. Foi um regresso ao passado, um regresso com mais de 20 anos seguramente. É certo que mais gordo e com menos voz, mas senti as emoções do passado. Festejei os 2 golos com que o Boavista venceu um importante jogo. Contra o Padroense. Ao que isto chegou. Mas a alma boavisteira ainda existe apesar de todas as dificuldades. Regressei a casa rouco. Soube-me bem. No próximo jogo lá regressarei ao Topo Sul.

Uma parede de quarto


“Não sei onde estàs, se falas
ou se apenas olhas o horizonte,
que pode ser apenas o de uma
parede de quarto. Mas sei que
uma sombra se demora comigo,
quando me pergunto onde estàs:
uma inquietação que atravessa
o espaço entre mim e ti, e
te rouba as certezas de hoje,
como a mim me dà este poema.”


Nuno Jùdice in 'Movimento do mundo' - 1996

sexta-feira, janeiro 08, 2010

quinta-feira, janeiro 07, 2010

...

Título de notícia no Público on line

"Sócrates apresentará proposta para o casamento no Parlamento gay"

Não se passa nada

Òleo de Georges Inness "The coming storm" - 1878

O geyser islandês


Os clientes do BPN e do BPP, que há mais de um ano vêm sendo embalados pelas respectivas administrações e pelas autoridades do sector, deviam acompanhar de perto o que se passa na Islândia, na sequência da bancarrota dos principais bancos islandeses.

Os depositantes estrangeiros, nomeadamente ingleses e holandeses, que lá meteram o seu dinheiro em busca de remunerações fantásticas (e arriscadíssimas) foram ressarcidos pelos seus governos respectivos, os quais entretanto exigem ao Estado islandês o reembolso desse adiantamento. Ou seja, o contribuinte islandês teria de pagar milhares de milhões aos depositantes estrangeiros por causa da falência de bancos que eram privados e foram geridos e supervisionados ao estilo do nosso Faro Fino do Banco de Portugal.

Um terço da população exige um referendo sobre o assunto e as sondagens apontam para uma vitória da recusa ao tal pagamento aos governos estrangeiros. A Comissão Europeia já ameaça com represálias, o FMI torce o nariz e todo o mundo financeiro internacional prepara medidas para fazer ajoelhar e esmifrar um desgraçado país de pouco mais de 300.000 habitantes.

A acompanhar.

À pala do ourives


Ainda o assaltante não estava enterrado quando comentei aqui os tiros da Trofa.
E mais não digo.

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Casamento gay

Já o disse, e penso que o PSD me "imitou", que admito que os homosexuais possam ter um contrato civil que lhes permita uma série de coisas.

Não concordo no entanto com a adopção. Gostava no entanto de ver o processo de adopção por casais normais (sim escrevi normais em contraponto a anormais) ser mais célere e eficaz.

Quanto ao mais quero mesmo é que acabem com esta palhaçada e vão ver as filas que estão nos centros de emprego.

Incongruências partdárias

Na comissão parlamentar PS e PSD conseguiram mostrar para o que servem: para atrapalhar.

O CDS tinha apresentado dois requerimentos que só pecam por tardios: o pagamento do iva ser a 30 dias e o estado pagar juros de mora. Os empata-f#$% do costume uniram-se e uma vez mais estas questões ficam sem discussão.

E é tão básico perceber a bondade destas duas propostas e a necessidade da sua aplicação. Os juros de mora do estado é fazer com que este passe a reger-se pelas mesmas regras pelas quais nos regemos todos nós.

O Iva a 30 dias tem duas vantagens imediatas, pois o estado arrecada mais cedo os valores e as empresas recuperam mais depressa. Mas uma outra vantagem não aparece descrita mas merece reflexão de todos e ser encarada como um forte motivo para enfrentar a fraude. As micro e pequenas empresas vão acumulando iva a restituir ao estado, mas quando escasseiam recursos financeiros é uma tentação deitar a mão ao "pote do iva" e não pagar ou adiar o envio. Se o prazo fosse mais rápido os valores não cresciam tanto e como tal a verba não era tão "apetitosa".

Mas claro que a malta do bloco central não está preocupada em facilitar a vida das empresas mas sim em ver quem mais disparate vai fazendo.

O Ourives da Paula

Uns posts abaixo, ainda do ano passado, a Paula Faria escreveu sobre o Ourives que é acusado pelo Ministério Público de ter morto uma pessoa. Assim dito parece perfeito e enquadrada a situação. Só que o morto é um assaltante que instantes antes tinha ameaçado de morte e assaltado o ourives. Ele e mais 3 amigos preparavam-se para fugir com 200 mil euros do desgraçado ourives. Que como qualquer ser humano com dois dedos de testa resolveu responder na mesma moeda a quem o tinha ameaçado. É este ou não o enquadramento? é esta ou não a realidade dos factos?

Não percebo por isso algumas almas que vêm com bons olhos que a lei o puna. Mas parece que não sou só eu a pois no facebook já está criado um movimento de apoio.