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quarta-feira, janeiro 13, 2010

Há Baile


O Club Portuense é uma instituição (é um club, não um clube nem um ateneu).
Tem instalações agradáveis, um restaurante correcto e ressurgiram actividades interessantes que o animam e animam os seus sócios.
Mas o Club Portuense mantém alguns tiques que lhe advêm provavelmente da sua antiguidade e do seu carácter elitista. De qualquer forma, trata-se de um clube privado e cada um é livre de fazer o que muito bem entender.

Neste fim-de-semana que se aproxima realiza-se ali o baile de apresentação das jovens meninas filhas de sócios (o "début"). É todo um cerimonial com as suas tradições e um protocolo próprio. Fato comprido para as senhoras e casaca para os cavalheiros. E muita valsa. Pais e filhas já lá andam a ensaiar os passos.

Há poucos anos, a Direcção do Club decidiu que os cavalheiros teriam de se apresentar de casaca, quando em edições anteriores se exigia "smoking". Um alfaiate estabelecido na Rua Cândido dos Reis, mesmo em frente à entrada do Club, anunciou de imediato casacas a rigor a preço abordável e deve ter feito o negócio da vida. Confesso que tenho dificuldade em perceber este surto tardio de formalismo cerimonioso. Mas o problema deve ser meu, que sou um resistente ao jaquetão, ao fraque e ao redingote e sempre achei estas vestimentas datadas e presunçosas.

Curioso é que apesar das casacas e das vénias, muitas jovens levam nuns saquinhos de plástico do Pingo Doce umas sapatilhas confortáveis para calçarem depois da meia-noite e que são muito mais adequadas aos ritmos da madrugada. Imagino que os de tacão regressem no dito saquinho ou se percam na escadaria de saída para que um príncipe os devolva no dia seguinte à Gata Borralheira da véspera.

Quanto aos rapazes, não sei a que horas penduram a casaca.