sexta-feira, setembro 30, 2011

Outro charuto



Há 8 anos que se fala das trapalhadas do Isaltino.
Como se isso não bastasse, hoje fala-se da trapalhada sobre a prisão do dito indivíduo. Tudo por causa de um “milésimo” recurso que ainda falta aclarar porque o Tribunal Constitucional também precisa de tempo para os seus papéis. Entretanto, graças a um papel que de lá saíu, vai o Isaltino sair da pildra, provavelmente aos ombros dos imbecis que acham que pode roubar porque “fez obra”.
Lá mais para a frente, regressará aos calabouços, mas neste país nunca se sabe, pois é um país de muitos recursos.

quinta-feira, setembro 29, 2011

um coche atrasados

Não percebo a admiração do nosso amigo Douro. Neste nosso cantinho à beira mar plantado, os atrasos fazem parte do normal funcionamento das coisas.
Por isso, a empresa construtora tem razão:
Tudo decorre como previsto.

Museu dos Coches

No Público de hoje, lê-se, a propósito do Museu dos Coches, esta frase de antologia:
"Apesar dos atrasos,
a obra está a
decorrer como
previsto, diz a
empresa construtora"

Chamem-me conservador

Fui educado numa cultura de exigência, tendo-me sido explicado desde que me lembro que essa exigência era para meu próprio bem.

Sentar-me à mesa a horas, não questionar a sopa, o prato ou a fruta, não "abrir as asas", esperar pelo fim da refeição e pedir licença antes de me levantar era habitual e inquestionável na minha tenra meninice.

Cumprir horários, respeitar os mais velhos (quase todos, na altura...), ir à missa, à catequese, às aulas de música, ao cemitério com a avó e pereceber que houve muita família antes de nós que era preciso continuar a respeitar.

Esperar que os primos de fora chegassem para irmos todos juntos comprar a primeira bicicleta de cada um, com sorteio das cores para que houvesse plena igualdade. Saber que essa bicicleta teria de durar muitos anos.

Comprar a segunda bicicleta com dinheiro dos presentes da comunhão solene. Saber que essa bicicleta tinha de ser criteriosamente escolhida porque seria para a vida.

Usar a Parker 21 de tinta permanente só em provas importantes, porque os aparos gastam-se e uma Parker 21 era uma Parker 21. Ainda a tenho.

E assim foi em relação a muitas coisas e outras tantas atitudes. Felizmente!


Vem isto a propósito da decisão de Nuno Crato de suspender o prémio de 500 €uros dado aos melhores alunos.

Voltando ao meu caso pessoal, sempre me foi dito que tirar melhores notas, dar o melhor de mim, era a minha estrita obrigação. Nunca tive presentinhos de passagem de ano lectivo, louvores por boas notas, nada. Era suposto que cumprisse. Na altura não tinha outra missão senão investir no meu futuro.

E quem era o beneficiário do meu bom desempenho? Pois é, eu!

Se tirasse más notas, a história seria diferente. A malandrice não era nada bem vista pelas minhas bandas...


Talvez por esta deficiente formação, nunca vi com bons olhos esta coisa de darem os 100 contos à malta que cumpria o seu dever para seu próprio proveito, tudo em nome das sacrossantas motivação e competitividade.


Na sociedade individualista em que vivemos e com as necessidades que proliferam, a solução de Crato é interessante; estimula o sucesso e a consciencialização social ao mesmo tempo. Enaltece o acto de dar e liga o aluno a algo bem mais digno do que a mera ambição de ter. Pelo caminho, ajuda-se que mais precisa com a verba em causa.

Ainda estamos longe do regresso a uma cultura de exigência em que cada um sinta que deve a si e aos outros o cumprimento pleno das suas capacidades.

Era a verdadeira receita para o fim da crise.


Chamem-me conservador. I don't care.

quarta-feira, setembro 28, 2011

cem dias



Existe uma mania de analisar os cem dias dos governos. É sem dúvida uma data, como serão os 150 ou os 175. Mas por cá analisamos os "cem". Não os "sem". Mas a questão mesmo é que este governo deparou-se "sem" dias para resolver o problema. O buraco das nossas contas públicas é bem maior do que julgavamos e muitissimo maior do que o anterior PM nos queria fazer crer que era. E toda a actuação do governo tem sido nesse sentido. Não gosto nada de ver os meus impostos a aumentar e os meus rendimentos a diminuir. Não gosto mesmo nada de olhar para o lado e ver o desemprego a aumentar e muitos e muitos amigos a engordarem as suas estatísticas. Mas infelizmente em "cem" dias era impossível recuperar dinheiro e credibilidade perante os nossos credores e principalmente dos que agora nos iam emprestar dinheiro para manter a máquina em andamento. Olhe-se para a Grécia que já gastaram os trunfos todos. Essa foi claramente a grande preocupação de Passos Coelho e do seu governo.

Até ao final do ano faltam pouco menos que cem dias. Acredito, ou quero acreditar, que ultrapassado o nosso nó financeiro e que a grécia se vai querer ajudar e a europa os irá ajudar, entraremos em 2012 com os nossos esforços direccionados para a revitalização da economia. Aguardemos então por esses cem dias.

Pedro Lomba e a Palestina


Gosto de ler o Pedro Lomba.
No outro dia escreveu sobre o pedido palestiniano de adesão à ONU e exprimiu, fundamentando, a sua opinião de que se trata de uma mera manobra politiqueira de Abbas, a aproveitar uma fase de isolamento de Israel, e que o que é preciso é sentarem-se à mesa das negociações sem condições pré-definidas.

Se não me engano, a única condição que a Autoridade Palestiniana coloca para encetar negociações é o imediato congelamento de novas colónias israelitas nos territórios ocupados. As outras exigências ( fronteiras, Jerusalém leste, regresso dos palestinianos, etc.) são posições de partida e portanto objecto de negociação. É evidente que, por exemplo, o regresso de palestinianos é assunto que tem de ser matizado e que os próprios palestinianos terão cedo ou tarde de o moldar à realidade.

O anúncio feito poucas horas depois do discurso do primeiro-ministro israelita na ONU de que não só continuarão a criar novos colonatos nos territórios ocupados como também irão construir de imediato 1100 novos alojamentos para judeus em Gilo/Jerusalém-leste é uma bofetada nos que, como o Pedro Lomba, honestamente desconfiam da boa-fé palestiniana e ainda acreditam na bondade do actual governo israelita.

terça-feira, setembro 27, 2011

Os bancos, esses especuladores imobiliários

É minha opinião de há vários anos, contra todos os muitos amigos que trabalham em bancos portugueses, que em Portugal houve uma bolha imobiliária. Bolha essa que os bancos promoveram, alegremente e com protecção das autoridades monetárias, em especial o Banco de Portugal.

Obviamente, como não somos espanhóis nem pegamos os touros em pontas, a nossa bolha foi lenta: inchou lentamente enquanto os bancos aumentavam os seus lucros e as benesses dos seus administradores e agora desincha lentamente enquanto os bancos protegem os seus administradores e se precavêm para a falta de lucros dos próximos tempos.

E então, perguntais intrigados (imagino eu, na minha solidão de escritor)?

Então, nesta estória como em todas, o problema é que há um mexilhão...

O mexilhão aqui são os desgraçados que, por falta de informação na maior parte dos casos, compraram casas que agora não conseguem pagar.

Contra a corrente, permitam-me.

Estou cansado de ouvir e de ler todos os ataques que, de há muito, são lançados contra a senhora Merkel, como se ela fosse a mãe de todos os nossos males e de todas as maleitas europeias, assim como me fatigam os suspiros de pré-alívio, com que normalmente se sufixam tais ataques, e unanimemente lhe prescrevem uma estrondosa derrota eleitoral que a sacudirá violentamente da cadeira de chanceler e, assim dela libertados, a Europa e o país poderão de novo respirar.

E tudo o que ouço e leio neste sentido não tem a mínima correspondência no que leio e ouço à dita senhora, nem nesta consigo vislumbrar as malévolas e obscuras intenções que a nossa opinião publicada, sistematicamente e em crescendo, lhe vem atribuindo.

A agressividade de Manuel António Pina, que acabei de ler no JN de hoje e que chega ao ponto de lhe atribuir a maquiavélica intenção de querer conseguir com os juros o que a Alemanha não conseguira antes com os panzer, foi a gota de água que me fez vir aqui teclar.

Na verdade, tudo quanto sinto é apenas que, no meio de uma Europa semi conformada, semi estonteada, e quase incapaz de reagir, a senhora Merkel é a única que, mantendo ideias claras e cabeça erguida, está a lutar em defesa do €uro.

Ao fazê-lo a todo o custo, inclusive para os alemães e para si própria, está ainda a defender a Europa, pois de há muito que ela percebeu que a queda do €uro acarretará consigo a da União Europeia.

Sem papas na língua

segunda-feira, setembro 26, 2011

Mais tarde


Como se explica que tenhamos aguentado 40 anos de um regime autocrático e esclerótico?
Como se explica que de 1910 a 1926 o país tenha suportado um caos político e social para afinal soçobrar à implantação da Ditadura Nacional?
Como se explica que um regime monárquico langoroso, vicioso e apático se tenha prolongado na segunda metade do séc. XIX para se arrastar pateticamente na primeira década do século seguinte?
Como se explica que as ditas revoluções liberais se tenham traduzido numa bagunça constante em que imperou a corrupção e o oportunismo?
Como se explica que as nossas “elites” se tenham escapado e escondido à primeira ameaça de tiros napoleónicos?
Como se explica que o país tenha aceitado durante tanto tempo a arrogância britânica e os Beresfords de pacotilha que nos trataram como cafres a precisar de chibata?
E é melhor ficar por aqui, pois a recuar igualmente encontraremos poucos oásis.

Há uma palavra que me parece um traço de união: conformismo.
É certo que esses apodrecimentos se superaram e algo de diferente os substituiu. Mas foi sempre preciso beber a última gota do cálice e mesmo assim contrafeitos.

Talvez isso explique este fatalismo de afinal não mexer na actual Constituição. Deixa correr.
Deixa apodrecer até cheirar mal. Alguém ou alguma coisa boa virá do nevoeiro. E entretanto pômos uns videos a mostrar que fazemos coisas boas, uns moldes e uns sapatos, ganhamos uns prémios e inventamos uns petiscos. Ainda temos as tripas e os pastéis de bacalhau, o Barroso e o Ronaldo. Se for preciso, bebemos o leite dos Açores e cuspimos em cima desses catastrofistas que só sabem dizer mal. Internem-se os Medinas e rumemos a Fátima.

A irrealidade desportiva da Madeira

Fala-se muito na Madeira. E quando paramos de com os nossos impostos pagar os desvaneios desportivos insulares? São duas equipas na primeira liga; é no basquetebol, masculino e feminino, equipas da Madeira a lutarem pelos primeiros lugares; no voleibol idem; no andebol igual... É escandaloso, mas tenho ouvido a oposição a Alberto João Jardim falar muito pouco ou nada sobre isto. Será que concordam?

Bons exemplos

Escrevi aqui há umas semanas sobre o bofetão de Buffett. As consequências da sua boa consciência já se fazem sentir de forma concreta nos Estados Unidos e podem ajudar à recuperação da credibilidade de Obama.
Por todo o mundo se sentiu o abanão de Buffett, menos em Portugal. Os ricos declararam-se pobres sem um pingo de pudor e assobiaram para o lado. Ficamos a saber que são de facto pobres, de espirito.
Finalmente, numa entrevista televisiva pouco vista, surgiu um rico nacional!
André Jordan, numa entrevista em que revelou ideias lúcidas e pragmáticas, demonstrou com simplicidade que ainda sobram razões para acreditar no futuro.
É uma lufada de ar fresco ver um homem da craveira de Jordan resistir à facilidade dos prognósticos catastrofistas, ao sofisma das eternas queixas e lamurias.
No final da entrevista, quando instado sobre a onda Buffett, diz que de facto muitos dos que se afirmaram ricos em Portugal não o são, que uma taxa especial sobre as grandes fortunas não resolveria a crise, mas teria o importante condão de confortar os mais desfavorecidos nos seus árduos sacrfícios. Terminou com um desassombrado "Eu pagaria!".

Como diz o Carlos Furtado num post abaixo, o nosso problema são os patos-bravos, não são os ricos.

domingo, setembro 25, 2011

Errar é humano

Ao longo da vida todos nós erramos e muitas vezes nos arrependemos de uma ou outra afirmação que fizemos. E quando na vida pública há sempre o risco de vermos uma frase publicada fora de contexto. Espero que tenha sido isso que aconteceu a D. José Policarpo com a frase que hoje faz título à sua entrevista. A generalização é sempre perigosa e acaba sempre por atingir e manchar quem o não merece. A politica é uma causa nobre quando é praticada pelos melhroes, mas tal como em outras áreas existem bons e maus exemplos. Por isso mesmo não vou dar muita relevância a esta frase de D. José Policarpo e lembrar-me isso sim das muitas e boas medidas que fez ao longo da vida. Mas esperar que não volte a generalizar desta forma.

O "progresso" dos musseques



O regime angolano assenta, como se sabe, numa oligarquia corrupta que distribui umas alcagoitas ao povo enquanto coloca em off-shores milhares de milhões de comissões em contas privadas. Há semanas, o “Economist” denunciou a opacidade dos negócios ligados à venda de petróleo aos chineses e o papel que nessa rede sinistra desempenha o Sr. Vicente, que consta ser o sucessor dinástico do Sr. Santos.

Na cidade de Luanda, onde 90% da população ainda não tem sequer água canalizada, saíram à rua algumas centenas de pessoas que justamente se indignam contra um status quo pôdre e autocrático. As autoridades tudo têm feito para intimidarem esses manifestantes e lançam mão de provocadores para tentarem desacreditar o movimento. Ainda não há tiros, talvez porque a experiência recente na Síria, na Líbia, na Tunísia e no Egipto sugere que o primeiro a disparar não será o último a rir-se. Mas os próximos meses vão ser agitados.

Os actuais dirigentes angolanos podem vestir os melhores fatos e calçar sapatinhos de verniz mas só cegos ou oportunistas é que não querem ver a verdadeira natureza cleptomaniaca, desavergonhada e criminosa da clique no poder. Quando um dia vier a público, por exemplo, o papel das autoridades no tratamento dos refugiados congoleses na fronteira leste (milhares de violações das mulheres, espancamentos, torturas e todo o tipo de humilhações), quero ver o descaramento dos que em Lisboa vão dizer: “ não fazia ideia”.

sexta-feira, setembro 23, 2011

A Palestina



Há alguém que tenha percebido qual é a posição oficial portuguesa face ao pedido dos palestinianos de serem admitidos como Estado-Membro das Nações Unidas?

Ouvi no outro dia o Ministro Portas dizer umas coisas a esse propósito, mas a única conclusão que tirei é a de que ele está à espera de saber o que é que os franceses, ingleses e alemães irão decidir, para depois ir atrás. A nossa política externa é assim: não temos (em boa verdade não temos nenhuma há muitos anos), até que outros digam qual é.

De nada vale ir a Bengazi dar umas palmadas nas costas de uns tipos se a seguir nos escondemos debaixo dos calções de outros.

Não sei se a Autoridade Palestiniana segue o melhor caminho ao apresentar aquele pedido, mas uma vez que decidiu apresentá-lo parece-me inacreditável que certas democracias ocidentais ainda hesitem em apoiá-lo.

Arranjo de pestanas





Demorou cerca de um ano a assumir-se o óbvio: a Grécia está à beira do incumprimento.
Os envergonhados criativos que há meses empastelam e embrulham a evidência, com receio do que acontecerá ao sistema bancário logo que a coisa ficar patente aos olhos de todos, vão contudo re-inventar novas síntaxes para dourar a pílula: onde antes se falava em “participação do sector privado”, vai agora falar-se em “incumprimento controlado” e outras coisas do género, de molde a manter a ilusão de que há pilotos no cockpit e de que está tudo previsto.

quinta-feira, setembro 22, 2011

Júlio Resende

342 dias...

A única solução aceitável é a que respeita os princípios da universalidade e da simultaneidade: em todas as SCUT, ao mesmo tempo. Já lá vai quase um ano, e os actuais não se distinguem dos anteriores. O JN dá hoje nota disso aqui.

terça-feira, setembro 20, 2011

Tresler

Quando com gosto vou dar aulas à Universidade do Minho, uma das minhas provocações que mais espanto causa aos jovens alunos é quando lhes digo que eles não sabem ler as notícias. Sim porque infelizmente não basta juntar as letras e soletrar as palavras que elas juntas formam. Há muito mais e mais interessante. Em especial o que está nas entrelinhas. Infelizmente esta prática prolifera em Portugal e não só diga-se em abono da verdade. Por isso mesmo o grande desafio é saber ler o que lá vem, ou então esperar que alguém nos explique. O Gabriel Silva fez isso tomando por base as recentes eleições na Dinamarca e na Alemanha. É duro mas a verdade por vezes é crua. Aqui fica:

Tresler



Toda a impensa escreve: «Partido de Merkel perde eleições regionais em Berlim».


Jornalisticamente falando, «perde eleições» quem está no poder. Não era o caso. Logo, a notícia correcta seria «SPD renova vitória em Berlim». Ou ainda mais factual: «Coligação de esquerda vence em Berlim mas perde maioria».


É que os factos podem ser chatos chatos, mas não há volta a dar-lhes.


1. O governo estadual de Berlim era formado pela coligação entre SPD e a extrema-esquerda do Die Lieken.
2. Os partidos da coligação perderam votos e deputados: 6 deputados o SPD e 4 o Die Liken.


3. «O Partido de Merkel» ganhou votos e deputados: +2% e + 2 deputados.
4. Os 2 partidos de esquerda que até agora governavam em maioria, perderam-na e provavelmente terão de chegar a um entendimento com o Verdes.


Aliás, é já uma tradição nacional qualquer leitor mais avisado ter de se socorrer de fontes não-portugueseas para saber verdadeiramente o que se passa na maior parte dos países. Veja-se também o caso das recentes eleições eleições na Dianamarca.


Pergunte-se a qualquer pessoa e todos dirão que os sociais-democratas ganharam as eleições naquele país. Errado.
Na verdade, foram o segundo partido mais votado. Perderam votos e um deputado. Tiveram o pior resultado eleitoral nos últimos 100 anos.


O partido do primeiro-ministro cessante subiu votos e teve mais um deputado.
Apesar disso, a líder social-democrata será primeira-ministro. Porque os partidos mais á esquerda aumentaram a sua votação e os parceiros conservadores do actual governo desceram muito. A esquerda formou uma coligação com maioria parlamentar. Normal. Já por cá ainda haveria um chiliques e desmaios de raiva se um segundo partido mais votado fosse chamado a governar em maioria. Mas é o que há….
Ainda um pormenor: os jornalistas portugueses, para além dessas omissões, ainda condimentaram as peças com referência a uma eventual penalização governamental por causa das restrititivas leis de imigração. Azar: a nova primeira-ministro e o seu partido são defensores intransigentes dessas mesmas leis e nem pensam sequer em as rever….

segunda-feira, setembro 19, 2011

Patos bravos


"Em antes" os patos bravos eram uns pobres de uns empreiteiros que através de muito suor e de mãos calejadas exibiam uns mercedes......

"Em hoje" os patos bravos têm mãos sem calos, unhas arranjadas e gozam na nossa cara pois devem milhões que ninguém lhes cobra e sabem que nunca terão que os pagar.

"Em antes", esses patos bravos podiam andar de cabeça erguida apesar dos sorrisos alheios. "Em hoje" os patos bravos andam de cabeça erguida e ainda têm uns papalvos que lhes dão pancadinhas nas costas e os apoiam.

Prefiro de longe os anteriores patos bravos pois ganhavam dinheiro à custa deles enquanto os novos ganham à nossa custa.

A lista é infindável e só temo que a rapaziada que anda a investigar as contas dos bancos e os seus principais credores não pense que este país não tem remédio. É que vão descobrir que uns emprestam para outros comprar aquilo que eles depois vão gerir. Ou melhor ainda, que o banco emprestou dinheiro para ser comprado. E que o homem deu como garantia as acções do banco que ia comprar. Nem walt disney se lembraria de uns desenhos animados com tantos otários: dez milhões de portugueses menos uns poucos.



Pode ser que abra a caça ao pato....

Conversa de garotos


Falam nos custos das indemnizações e em pressões de Madrid e de Bruxelas para justificar que o TGV Poceirão-Caia afinal é para avançar. Ora tudo isso tem de ser muito bem explicadinho, designadamente sobre as razões que os impediam anteriormente de conhecer essas condicionantes.

Em Outubro de 2008, a editora Almedina publicou um texto do Prof. Manuel Porto (“O ordenamento do território num mundo de exigência crescente – das ambições do PNPOT à contradição de investimentos em vias de concretização”)
que me ajudou a compreender o erro histórico do traçado do TGV Lisboa-Madrid e sobretudo, para lá do seu sobre-custo absurdo, o desastre financeiro que a exploração dessa ligação nos trará no futuro.

Fico siderado com esta nova conversa de que não mais seria possível safarmo-nos desse elefante branco. Pura e simplesmente não acredito. E pura e simplesmente passo a desconfiar da bondade e lhanesa da política económica governamental.

domingo, setembro 18, 2011

Madeira conta com a solidariedade nacional

O mais recente buraco orçamental da Madeira é mais um fardo para a nossa já muito sacrificada sociedade e um rude golpe na nossa credibilidade externa . A dívida de cada madeirense é mais do dobro da de cada português vivendo no continente.

Assistiram-se a múltiplas reacções nos media, muitas das quais, a meu ver, compreensíveis.

Uns relativizaram, dizendo que tal conduta orçamental foi igualmente prática corrente ao nível do Governo Central. Outros acharam que era altura da Madeira expiar os seus "pecados" de há longo tempo e sacrificar-se ainda mais que o continente. Dizem eles: "viveram acima das suas possibilidades". No geral, perpassa pelos media um grande desconforto com o comportamento irresponsável de um verdadeiro dinossauro político sobre o qual (e seu séquito) paira recorrentemente uma incómoda suspeita (injusta?) sobre os negócios com empresas de construção. Há, aliás, uma certa incompreensão em relação ao comportamento quer do eleitorado madeirense, quer do PSD Madeira.

A Madeira é, com muito orgulho nosso, parte integrante de Portugal. É lógico manifestarmos total solidariedade com esta região autónoma. Mas é igualmente, não só legítimo como imperioso, o Governo Central delinear regras muito rigorosas e transparentes de controlo de despesa das regiões autónomas e que impeçam qualquer tentativa de ocultação de dívida.

Da mesma forma que a Europa Setentrional tenta com os países mais endividados.

Ficamos, entretanto, a aguardar o comportamento eleitoral dos madeirenses e do próprio PSD Madeira. Será que vai haver lugar a uma regeneração política? Ou o partido está irremediavelmente preso ao passado?

O preço



Há muito boa gente que entende urgente que a União Europeia se federalize ou que de alguma forma institua uma governação económica que lhe reforce a integração e assim lhe resolva globalmente os problemas de déficit, de dívida, de emprego e de desenvolvimento.

Tenho as maiores reservas sobre o fundado técnico de um tal raciocínio e de qualquer maneira suspeito que a maior parte dos seus arautos falam disso sem uma percepção clara da carne que colariam a esse esqueleto de ideia. No fundo, desconfio de que apenas vêm nisso uma maneira de somar ‘misérias’, de repartir erros e de aliviar aflitos, e que quanto ao resto depois se verá.

Mas admitamos que tecnicamente isso seria a boa solução, ou seja, admitamos que objectivamente a situação de estagnação europeia e de crise financeira e bancária com que a União se confronta exige que se abra essa porta e se relance uma dinâmica federadora no quadro dos Estados-Membros enquanto tais.

A questão que se colocaria seria então a de saber se existem condições subjectivas para essa transformação política. Ou seja, se as populações europeias, no seu conjunto, compreendem, aceitam e desejam esse futuro. Todos os indicadores apontam no sentido de que não o desejam e não o aceitam, talvez porque não o compreendam ou talvez porque o compreendam.

Se assim é, insistir em dançar no deserto para que chova parece-me ilusório e por isso mesmo perigoso, a não ser que regressemos definitivamente a um iluminismo autocrático e suspendamos a democracia como coisa desadequada aos tempos presentes. Esse preço, eu não o pago.

sábado, setembro 17, 2011

O fim da festança?

O que se passa na Madeira não é surpresa para ninguém. Durante 30 anos Alberto João Jardim fartou-se de gozar à nossa custa. O regime madeirense é infelizmente o pior exemplo que se pode ter quando se discute a regionalização ou o reforço do poder autárquico. Jardim transformou a Madeira numa coutada sua onde reina a seu belo prazer, pondo e dispondo dos dinheiros públicos mas acima de tudo condicionando a democracia com os 30.000 funcionários públicos que dele dependem. Agora parece que a careca foi descoberta. Ou melhor, colocada a nú. Falta saber se o povo madeirense tem coragem suficiente para daqui a um mês lhe tirar o poder. Mas com ou sem vitória de Jardim temos todos que pagar o desvario dos que nos têm governado nos últimos anos.
Gostaria por isso que o fim da festança fosse não só aplicada na Madeira mas em todos os organismos do estado que gastam como se fosse o último dia. Camaras, institutos e demais locais onde muitos boys param sem que tenham habilitações ou mesmo funções a desempenhar.

Porque hoje é Sábado

Óleo de Pieter de Hooch "Um pátio em Delft" - 1658

sexta-feira, setembro 16, 2011

Basta!

Sai um fino, bem tirado


A Caixa Geral de Depósitos emprestou uma pipa de massa a um aventureiro para este comprar acções num banco concorrente. Entretanto, passou-se o que se passou e o então presidente da Caixa é hoje o presidente do banco concorrente e o aventureiro é quem fixa a remuneração daquele. Consta que o buraco é de 300 milhões, mas isso que importa?
Consta igualmente que ontem, ao fim da tarde, a GNR de Sever do Vouga prendeu um larápio que saía da mercearia sem pagar uma mini Super-Bock que levava escondida no bolso. Olhó o bandido!

Fugato


O PS lá cumpriu, sforzando, o seu calendário e o seu congresso.
Bem tentaram um piacevole, mas saiu-lhes um fugato, rallentando.

Remarcável terá sido o total branqueamento do desastre para que arrastaram o país e o partido. Ninguém fez nenhum balanço sobre o passado e todos puseram palas para só verem futuro, como se este nascesse do nada e fosse tudo um bando de virgens.

Essa memória selectiva é um péssimo augúrio e um sério aviso para os que pensam que aquele PS se pode regenerar. O partido permanece exactamente o mesmo que há poucos meses atrás gritava ululante que estava com o Sócrates. Pensa igual e age igual, apesar do novo verniz e polimento que o Seguro lhe vai tentar dar. E chegará o tempo em que, regressado de Paris ou de outro esconderijo qualquer, o “engenheiro” desembarcará, prestissimo, nos braços outra vez ululantes dos mesmíssimos caciques e dos mesmíssimos videirinhos.

Entretanto, os que estão bem intencionados, se persistirem em alijar responsabilidades e em assobiar para o lado, serão apenas os idiotas úteis mas os cúmplices objectivos de um interregno do pesadelo. Então sim, será o finale, no esplendor da sua homofonia

PALAVRAS PARA QUÊ?

"Nunca, em quase 50 anos, conheci um político que se aproximasse tanto de não ser nada como António José Seguro", diz Vasco Pulido Valente hoje no Público. Até me faltou o ar.

quinta-feira, setembro 15, 2011

Folhas de videira


Periodicamente surge um ou outro governante a prometer novas iniciativas contra a fuga aos impostos.

A primeira condição para o respeito da legalidade fiscal pelos cidadãos e operadores económicos é a percepção de que o imposto é justo e equitativo e de que a receita é bem administrada. Ora muito haveria a dizer sobre as arbitrariedades do nosso sistema fiscal e ainda mais sobre a forma desleixada e corrupta como o Estado despende a receita cobrada.

Mas há ainda um tabu na nossa sociedade que igualmente contribui para a ineficácia da cobrança: o segredo fiscal.

Sociedades avançadas como as nórdicas há muito ultrapassaram esse preconceito e admitem que qualquer cidadão consulte on-line as declarações de rendimentos de qualquer outro compatriota. Um dia perguntei a um colega sueco se não via nisso uma invasão da privacidade individual e um convite à delacção. Olhou-me com ar de espanto e respondeu-me que achava natural que cada um assumisse publicamente a sua quota-parte para o erário comum e que pudesse conhecer o contributo dos outros. “No fundo, tudo aquilo é nosso”, rematou.

Sim – admitiu – ao princípio houve alguma curiosidade em conhecer os ganhos de certas vedetas, fossem artistas ou desportistas, bem com de certos políticos e empresários, para já não falar do vizinho que mudara de carro ou instalara uma parabólica. Mas isso não trouxe mal ao mundo e quem não deve não teme.

Hoje acredito que a transparência fiscal é um requisito da sua eficácia e que a nossa estranheza e incómodo face ao que percepcionamos como uma devassa à nossa intimidade é afinal um falso pudor, apesar de ser útil para alguns. Mas ainda vivemos num país em que uma escritura pública afinal não é pública e em que a maior parte dos nossos conterrâneos tem medo ou tem vergonha, seja de ser rico, seja de ser pobre. É talvez por isso que a parra não cai.

quarta-feira, setembro 14, 2011

Movimentos (de) capitais


Novos e frescos adeptos vêm aderindo à ideia de criar um imposto sobre as transações financeiras, vulgarmente conhecido como taxa Tobin. Consta que a Comissão Europeia se converteu ao projecto e que congemina uma proposta qualquer nesse sentido. Importa perceber quem recolheria a receita e se esta ficaria consignada a algum objectivo específico. Em matéria de impostos é indispensável colocar todas as questões e tomar todas as cautelas.

Mas quase ninguém fala na verdadeira urgência: repensar os moldes em que se processa a liberdade de movimento de capitais.

Quando há vários anos certos fundos soberanos (russos e chineses, para falar nos mais emblemáticos) começaram a comprar empresas estratégicas americanas e europeias, houve quem se engasgasse e se socorresse do requisito da reciprocidade para travar algumas daquelas ambições. Similarmente, quando uma empresa pública de um Estado-Membro da União assume posições accionistas numa empresa de um parceiro vizinho, não se trata apenas de uma eventual questão de concorrência a ser convenientemente analisada mas também de se saber se e em que medida capitais públicos, estatais, podem beneficiar da mesma liberdade de movimentos que capitais privados, e com que objectivos.

O Brasil sofre há algum tempo um afluxo exponencial de capitais estrangeiros que lhe sobre-aquecem a economia, aumentam as tensões inflaccionistas e lhe atiram a moeda para cumes históricos, diminuindo-lhe a competitividade das exportações. A Suíça experimenta neste momento, e com grandes amargos de boca, as angústias dos europeus que, receando o desmoronamento do euro, se refugiam no seu franco.

Inversamente, a Grécia (e um dia o mesmo nos pode acontecer, se é que já não está a acontecer) assiste impotente a uma fuga de capitais de aforradores, de instituições e de empresas que entendem assim precaver-se de uma eventual expulsão grega da zona euro.

É urgente que as instituições monetárias internacionais, nomeadamente o FMI e o Banco Mundial, deitem cá para fora os estudos que vêm fazendo nesta matéria e é fundamental que a União Europeia, se for verdade que ainda o quer continuar a ser, encare estes assuntos com frontalidade e compreenda que vai ser necessário recolocar atempadamente controlos estritos na movimentação dos capitais, sob pena de sangrar até à exaustão vários cordeiros no altar do seu dogmatismo acobardado.

terça-feira, setembro 13, 2011

play fair ou fair play

o FCP jogou e ganhou na CL, mas demosntrou que tem ainda muito trabalho pela frente.

Realmente a figura da noite, o homem do jogo, foi o treinador adversário. A reprimenda que deu em pleno "banco" ao seu jogador por não jogar na bola, mas ao homem-

fica para a história.

Hiperactivos


Algumas pessoas pensam que a inscrição formal na Constituição de um limite ao déficit seria uma medida útil. Convinha que explicassem onde está a utilidade: na responsabilização civil e penal dos autores políticos que violassem a norma? Na nulidade dos actos legislativos e/ou administrativos que a desrespeitassem? Como, então, sancionar aqueles e como identificar os actos? Como estabelecer o quantitativo de um tal limite?

Essa proposta revela, a meu ver, o desnorte político face a uma crise que já ninguém controla.
Porque não, então, constitucionalizarem um limite para a inflação, um limite para o desemprego, um limite para a dívida, uma taxa mínima de crescimento económico, um prazo limite para a resolução judicial dos litígios, o prazo máximo para as listas de espera no Sistema Nacional de Saúde, um tecto para a criminalidade, uma fasquia para a Educação?

O Cavaco às vezes fala demais e às vezes fala de menos, mas, entre as omissões e os apelos, às vezes acerta. Desta feita e nesta matéria concordo com ele: constitucionalizar um limite para o déficit pode ser um rebuçado para entreter papalvos ao som de um “danke schön”, mas não acrescenta nada a não ser mais barafunda e mais atrapalhação. É tão só uma juvenil manifestação de um outro déficit: o déficit de atenção/ hiperactividade.

...

na Grécia só vão ficar de pé as ruínas

DESREGIONALIZAÇÃO

Extinção das Direcções Regionais de Educação, das Direcções Regionais da Economia e dos Governos Civis.
Bem sei que é tudo em nome da redução da despesa mas isto também traduz o reforço da centralização e o esvaziamento das regiões. Qualquer dia nem um posto dos CTT cá temos.

segunda-feira, setembro 12, 2011

TSU, única para quem?

Do que por aí se vai comentado sobre o memorando de entendimento com a Troika, sem dúvida que a discussão da chamada Taxa Social Única (TSU) é a campeã.

Mas única para quem? Naturalmente que apenas para a sua cobradora, no caso a Segurança Social.

Porém, como todos sabemos, esta taxa social não cobre a protecção no caso de acidente de trabalho, cuja taxa é paga às seguradoras. E embora esta tenha valores variáveis, não andarei longe da verdade se disser que, em média, ela rondará os 1,25% dos salários.

Por isto que, ao invés de TSU, no orçamento cá do quiosque, eu as inscrevo como ESO (Encargos Sociais Obrigatórios). E os calculo com 25% dos salários, acescidos ainda do custo daqueles burocráticos exames médicos, hoje também obrigatórios.

Ainda ontem o Público noticiava que igualmente António Borges, hoje um dos homens fortes do FMI para a Europa, juntava a sua voz aos que defendem a importância da redução da dita TSU para a nossa economia.

Não sei se o será ou não. Em teoria talvez, mas na prática...

O que sei é que uma eventual redução da TSU, compensada por IVA, é, no mínimo, uma transferência de um encargo patronal para os trabalhadores, na medida em que serão estes a pagar o tal IVA que a irá compensar.

Mas o que me faz pasmar é que, no meio desta discussão para eventual descida da TSU, esteja hoje a haver uma outra, em que Governo, Patrões e Sindicatos discutem, com estranha ligeireza, um novo aumento dos custos sociais do trabalho em mais 1% ainda para uma treta chamada fundo de despedimento.

Ao que dizem só para novos trabalhadores, o que não deixará de ser também mais um forte desincentivo a novas contratações, que cuido conviria antes incentivar.

Vá lá a gente entender esta gente!

sábado, setembro 10, 2011

À procura de uma nova pele




Mais jarrão, menos jarrão, entre beijocas e palmadinhas nas costas, volta a reunir-se o clan da rosinha lá para os lados de Braga. Parece um velório de caixão escondido. Um fungagá sem vergonha.

Porque hoje é Sábado

Óleo de Frederic Edwin Church "Icebergs" - 1861

sexta-feira, setembro 09, 2011

Bring me sunshine

Toca a arrebitar, enquanto o IVA não sobe!




dica do Miguel Sousa Otto

... das tripas coração

Aconselho, para este fim de semana, a leitura da Fora de Série, a revista que à Sexta Feira acompanha o Diário Económico. É sobre o Porto, a cidade que nunca dorme (e não é nova Iorque). Além das sugestões, ao estilo de um roteiro, vale a pena ler o texto do António Freitas de Sousa (um abraço!).

As novas estrelas




A propósito da crise, há todos os dias alguém a sugerir isto ou aquilo.
Não deixa de ser um espectáculo curioso: a maioria mantém-se no discurso único de que é preciso salvar o euro e de que a saída do mesmo acarretaria uma catástrofe de dimensões impressionantes, sem contudo explicarem como é que é possível manter a ficção de que não há que reestruturar dívidas nem perdoar créditos.

E nesse mainstream há sempre lugar para umas palhaçadas castiças de uns iluminados que se julgam originais. Hoje a medalha da cretinice vai para o Comissário europeu (alemão) Günther Oettinger que manifestou a brilhante ideia de que os Estados-Membros da União Europeia que mantenham uma dívida soberana muito alta teriam a bandeira a meia-haste nos correspondentes postes que embelezam os edifícios da União.

Não falta muito e ainda nos obrigam a andar com algo na lapela.

Angola começa a ficar quente

As coisas em Angola podem estar a mexer. Ou talvez não. A familia Santos não costuma brincar em serviço. Tem normalmente os trunfos, sejam eles dolares ou chumbo na malta. Veremos se estas manifestações têm continuidade.

Crises e comparticipações

Vivemos tempos extraordinários e que têm originado cortes em muitos dos direitos adquiridos. O esforço que está a ser pedido a todos os portugueses é enorme. A todos não. Pelo menos para já quem faz abortos ainda mantem um direito. E que direito. E se o fm da comparticipação na pílula levar a gravidezes não desejadas que depois originam abortos? Só neste pais é que se subsidiava tudo: anti-conceptivo e aborto. O fim de um e outro é o caminho lógico.

quinta-feira, setembro 08, 2011

OS RICOS QUE PAGUEM A CRISE

Quanto mais ricos existirem menos pobres haverá. Não percebo porque é que esta evidência é tão difícil de entender.

Em Portugal fala-se de ricos a torto e a direito como se por cá existissem muitos. Infelizmente não é verdade.

Já não há herois

O espião apareceu, surpreendentemente, sem gabardine...

rtp (3)

Privatize-se já!
Nuno Gouveia diz o que tem de ser dito no Cachimbo de Magritte.

Índios e Cowboys

Carlos, por favor actualiza a lista de blogues aqui ao lado.
Cheira-me que o Forte Apache vai dar que falar.

Mais um escriba

Os ventos andam fracos aqui pelo Nortadas mas a rentrée promete ser agitada. O mês de Setembro começa com a aquisição de Miguel Lume. As suas crónicas já por aqui andaram pela mão amiga do José Graça. Agora ganham vida própria. Força Miguel, sejas bem vindo.

quarta-feira, setembro 07, 2011

Almoços antes que o IVA suba

Ao ver os noticionários da noite fiquei a saber que 2 restaurantes do centro de lisboa, sim não eram da periferia, foram alvo de almoços mediáticos. Um sentou à mesma mesa Passos Coelho, Paulo Portas, Miguel Relvas e Lula da Silva. No outro Luis Filipe Vieira, Godinho Lopes e Luis Duque. No primeiro certamente que falaram sobre a crise mundial e as relações de dois paises irmãos. No segundo discutiram como parar a máquina do FCPorto e como se podem unir os clubes da 2ª circular. O certo é que a restauração lisboeta ganhou mais uns euros.

terça-feira, setembro 06, 2011

rtp (2)

Hoje no público dá-se conta das preocupações do PS relativamente do suposto serviço público estatal de televisão (coisa dos anos setenta).
Leio a notícia e pasmo como em tão poucas linhas se pode aldrabar tanto a realidade, vejamos:

"Para os socialistas, o “carácter obrigatório da existência de uma estrutura do Estado”, no caso a RTP, que presta esse referido serviço, sempre foi tido “como um instrumento essencial para assegurar a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e o poder económico”.
Com todos os casos que se têm passado nos últimos anos nos jornais e televisões, falar em liberdade e independência dos orgãos de comunicação social, é tentar fazer de nós analfabetos.

"Acrescentam que existe um “vasto consenso europeu” no que à pertinência do serviço público de comunicação social respeita, em requerimento endereçado hoje ao presidente da Comissão de Ética, Cidadania e Comunicação, Mendes Bota".
Acham que ninguém sabe o que se passa lá fora(tirando o Reino Unido), onde se debate sériamente a democraticidade de o estado controlar, sim controlar, as notícias, os jornalistas, em suma a realidade. Todos sabemos como o anterior executivo conseguiu criar uma realidade parelela em alguns orgãos de comunicação que controlava.
Vai ser igual com este, e com todos os que se sucederem.

“O actual modelo de serviço público de televisão, em Portugal, apesar de semelhante ao existente na maioria dos restantes países europeus é no entanto também dos que, comparativamente, menor fundos públicos recebe”.
Aldrabice, mais uma vez. Todos sabemos que a RTP recebe por "vias travessas" muito mais do que o "oficial". Este ano por exemplo vendeu ao estado o arquivo por 150 milhões de Euros.

Quando se parte para uma discussão com estes argumentos, a coisa não vai correr bem.

sábado, setembro 03, 2011

sexta-feira, setembro 02, 2011

A culpa foi da porca


Há seis anos, mandaram reparar o portão de 500 Kilos do Museu da Chapelaria, que umas semanas depois caíria sobre um funcionário do museu, matando-o. Ainda se discute nos tribunais de S. João da Madeira quem é o responsável por esse trágico acidente. Tudo indica que não haverá culpados a não ser uma porca mal colocada aquando da re-instalação. Consta que o tribunal se prepara para ‘condenar” a porca. Seis anos depois é esta a nossa porca justiça.

Nunca visitei o Museu da Chapelaria, que ao que parece é gerido pela respectiva Câmara Municipal. Mas gostava de saber se se trata de uma iniciativa e encargo dos industriais do sector ou se é mais uma daquelas espertezas municipais para safar instalações falidas, dar emprego às primas e estourar dinheiros públicos. Estou cansado de tropeçar aqui e ali em pretensos museus disto e daquilo, na maior parte das vezes às moscas ou com horários anti-turistas, reunindo meia dúzia de tarecos pindéricos cujas legendas são anedóticas, senão mesmo deseducativas.
Ainda há muito portão que não cai sobre quem devia.

quinta-feira, setembro 01, 2011

Águas turvas


Tenho as maiores reservas sobre a privatização da empresa Águas de Portugal.

É certo que também tenho sérias dúvidas sobre a competência e a seriedade dos que actualmente a gerem e não esqueço aquela decisão recente da sua administração em renovar a sua frota automóvel com 400 novas viaturas, decisão que provocou a compreensível indignação de muitos cidadãos a ponto de a mesma administração e respectiva tutela concluirem que era melhor emendarem o disparate. Mas isso é outra conversa.

A água é como o ar: são bens naturais sem os quais não há vida. E assim como ainda não pagamos para respirar, também não deveriamos pagar para beber. É evidente que se quisermos usufruir da comodidade de ter água potável na torneira da nossa casa, é curial que paguemos esse serviço, que nos poupa o tempo e a maçada de carregar a bilha da fonte.

A ideia de entregar à lógica de mercado a gestão dos nossos aquíferos incomoda-me. É verdade que o Estado português é um péssimo gestor e deixou de ser uma pessoa de bem, mas o que importa é corrigi-lo em vez de o demitir das suas funções essenciais. As águas portuguesas pertencem aos portugueses e, portanto, à falta de melhor, devem ser entidades públicas a assumir a responsabilidade da sua gestão sustentável.

Privatizar a água que bebemos e com que nos lavamos é admitir que um dia destes eu tenha de pedir licença ao Sr. Eduardo dos Santos para matar a sede ou à D. Isabel para tomar um duche. Por favor, não turvem a água.

Regra dos 30%


Na Holanda há um benefício fiscal que visa atrair os melhores especialistas mundiais a virem trabalhar em empresas do país, especificamente em áreas em que haja falta de mão-de-obra especializada.


Se determinado trabalhador especialista for contratado por uma empresa holandesa vindo do estrangeiro, numa área em que é difícil encontrar trabalhadores dentro do país, os impostos sobre o rendimento só incidem sobre 70% do seu ordenado, ou seja, recebe 30% do ordenado livre de impostos.


Claro está é necessário que tanto a empresa como o trabalhador provem que este tem as características que o tornam único e essencial no mercado de trabalho nacional, mas a partir do momento em que é aceite, esta regra vale por 10 anos!


E se o nosso governo fizesse uma coisa parecida, de modo a atrair os bons e os melhores de volta ao nosso país? Era uma maneira de aumentar a produtividade e as receitas dos impostos (sim, porque mais vale receber 70% do que 0%). Voltar a reunir todo conhecimento e experiência acumulada por portugueses emigrados e espalhados pelo mundo fora, que estão à procura de uma maneira de voltar ao seu País, não seria uma má jogada.


Tudo bem, poder-se-á dizer que não é justo para quem cá ficou, mas ficamos todos mais pobres por não ter capacidade de atrair quem saiu. Passamos a ter pessoas altamente competentes e especializadas, com uma experiência internacional que trarão uma mais-valia à nossa economia (por juntarem as melhores práticas dos outros países ao nosso engenho), para além de serem mais uns consumidores (e contribuintes) a gastar dinheiro em Portugal.


Este mercado do conhecimento é algo que nos está a escapar, mas é o que torna e mantém as grandes economias assim tão grandes.


Será possível aplicar algo parecido em Portugal?

Kito