quarta-feira, outubro 29, 2014

Questões de toponímia: Abaixo os Cabrais!


Se bem percebi, a actual Câmara do Porto decidiu reexaminar a questão de vir a dar o nome de José Saramago, o único Nobel português de literatura, a uma rua ou praça da cidade. Acho muito bem. Nestas coisas da toponímia há que pôr as simpatias e antipatias de lado e agarrarmo-nos a dados objectivos. Por muito que me possa incomodar a pessoa em si, reconheço no autor do “Memorial do Convento” um dos nossos maiores da língua portuguesa e o merecido galardoado do mais importante prémio da literatura mundial.

Mais a mais numa cidade que baptizou algumas das suas ruas com nomes da mais escassa honradez e da mais flagrante desonestidade. Um desses nomes é Costa Cabral.

António Bernardo da Costa Cabral terá sido sem dúvida um político marcante do liberalismo na primeira metade do século XIX mas poucos terão sido tão corruptos e trauliteiros como ele. Homem de uma ambição desmedida, assumiu todas as posturas, por mais contraditórias, que lhe fossem permitindo alcandorar-se ao poder. Ali chegado, e com a protecção de uma rainha D. Maria II complacente a ponto de constar uma relação equívoca entre os dois, locupletou-se a seu belo prazer com os dinheiros públicos fazendo sua a receita de impostos que criou e obrigando empresas públicas e privadas a oferecerem-lhe fortunas ( só entre 1842 e 1845 arrecadou para o seu património pessoal 15% da receita pública anual), tendo-se transformado em poucos anos num dos homens mais ricos de Portugal .

Costa Cabral cometeu e fez cometer todo o tipo de fraudes, falsificou resultados eleitorais, roubou, violentou a nação, fez-se conde e depois marquês, arbabatou-se com o Convento de Tomar, perseguiu e censurou, lançou o país numa guerra civil destruidora de tanta gente e de tanta riqueza, foi um verdadeiro campeão do nepotismo e da arbitrariedade, enfim, deixou o país na miséria e no caos.

Como dizia alguém seu contemporâneo, “ninguém lhe pode apertar a mão sem corar de vergonha”. Este homem esperto, alguns diriam brilhante, de uma vivacidade invulgar e de uma brutalidade única, que veio a morrer no Porto, mais precisamente na Foz do Douro, era afinal e apenas um ladrão e um cacique de baixo estofo.
Por isso atrevo-me a afirmar que a cidade do Porto não precisava deste insulto de dar a uma das suas vias mais importantes o nome de um desavergonhado perigoso e que este caso assenta em factos suficientes para que os serviços de toponímia da Câmara revejam a história e nos limpem desta desconsideração.


Abaixo o cabralismo! Mil vezes um Saramago!

terça-feira, outubro 28, 2014

Os auto-denominados anti-populistas


Andam por aí uns políticos a acusar os seus críticos de populismo.
É natural que os políticos profissionais se defendam e todos conhecemos o princípio de que na verdade não há que perder o bébé no despejo da água do banho. Nem todos os políticos são uns aldrabões ou uns calaceiros. Mas se a vox populi hoje desconfia da generalidade dos políticos a culpa é destes, que não souberam ou não quiseram arrumar a casa e limpar a soleira. E sobretudo não quiseram corrigir o regime que os serve e de que se servem.

É muito salutar e democrático que o povo questione os seus representantes. E esperar-se-ia que estes, se na verdade são, como se auto-denominam, campeões da democracia, aceitassem esse controlo como desejável e necessário. A verdade todavia é que preferem pôr o acento tónico e o dedo acusador numa alegada deriva populista que estaria a contaminar a sociedade. Nessa senda, despejam um discurso moralisante fastidioso cuja mensagem subliminar é a de que eles são o sal da pátria e os críticos uns fascistas em potência.

Nunca explicam bem o que é o populismo mas o que se conclui do seu pensamento é que se alguém defende a redução do número de deputados ou crítica a perda de soberania resultante da prática quotidiana das instituições europeias, esse alguém devia ser posto firmemente de quarentena, visto ser seguramente um populista-ébola que nos quer levar ao desastre. Um desses profissionais arautos do federalismo europeu classifica mesmo estes contaminados de ‘terroristas ideológicos’ embora, conceda-se, ainda não nos acuse de candidadtos à militância no Estado Islâmico.

Esta cruzada alegadamente anti-populista parece-me o negativo de uma outra cruzada que se limita a berrar contra o neo-liberalismo, outro saco roto onde pode cair tudo mas cujos contornos ninguém explica. É a mesma engrenagem, ainda que de outro sinal. Julgam que com anátemas destes liquidam o crítico mas o que fazem é fugir a sete pés do debate pelas portas do fundo, para se refastelarem nas suas poltronas protegidas de ‘europeístas convictos’ (outro cliché) e de beatos canonizados do situacionismo. E nós é que somos ‘terroristas’?

Ide pentear macacos.




Uma questão de números

Rui Moreira em entrevista ao Expresso disse que a coligação que tinha era com o PS e não com o CDS. Esta afirmação causou algum desconforto no CDS e disso mesmo tive ecos. Só que é claro que não existe nenhuma coligação com o CDS, partido que refira-se o apoiou desde a primeira hora e se envolveu activamente, tornado possível o preenchimento das listas nomeadamente paras as freguesias, sem que no entanto tenha alguma presidência. Mas Moreira sempre fez questão de frisar que apenas havia apoio o que era diferente de coligação. E os números não mentem. Basta consultar o site com os resultados eleitorais e verificar isso mesmo.

Aqui fica para prova "do algodão". 






















E continuando na questão dos números, é fácil constatar que o CDS no distrito do Porto vale 1% e tem apenas 1 vereador eleito em listas próprias no distrito todo. Na Póvoa de Varzim. Tendo concorrido em listas próprias em 9 concelhos, coligado em 7 e em dois concelhos apoiou candidatos independentes. Pouco sem dúvida. E aqui fica a prova "do algodão"


















Esta performance deveria fazer soar sinais de alerta e fazer mudar as estratégias até aqui seguidas. Mas não parece que seja isso que vai acontecer. 



segunda-feira, outubro 27, 2014

La Grande Belleza

                 

Um filme que me fascinou. 
Talvez a si também.

domingo, outubro 26, 2014

A bravata engravatada dos novos corvos velhos


Consta que em recente entrevista a uma televisão, o advogado Miguel Júdice anunciou o seu apoio a António Costa.
Esta esperteza de um dos advogados que mais dorme com o poder e com o Estado, seja este qual for, faz-me lembrar aquela história divertida contada pelo historiador romano Macrobius sobre Octávio César, mais tarde imperador Augusto, quando este regressava da sua vitória sobre Marco António (e as forças de Cleópatra) na batalha de Actium no ano 31 AC.

Octávio cruzou-se na estrada com um homem que segurava um corvo/papagaio domesticado o qual saudava: “ Salvé o nosso César, o nosso comandante vitorioso”.
Octávio ficou tão impressionado que logo ali decidiu dar ao homem 20 mil sestércios de prémio. O problema é que o domesticador tinha um sócio que, não tendo recebido a parte do prémio a que se julgava com direito, foi ter com Octávio e sugeriu-lhe que este exigisse conhecer o outro corvo a que também tinham ensinado a saudar o Marco António, just in case.

Octávio achou graça ao assunto mas, excepcionalmente, não reagiu com violência embora tenha obrigado o primeiro a repartir o prémio com o segundo.

Estes escritórios de advogados não precisam de ensinar corvos. Eles próprios se assumem como papagaios a saudar o poder que julgam despontar ao longe na estrada, cientes de que a seu tempo haverá retorno de sestércios. E revelam outra coisa: é que, de facto, seja um Passos ou um Costa que assuma o poder, a dinâmica do regime mantém-se pois nada muda e as conivências sucedem-se. Salvé César!


sexta-feira, outubro 24, 2014

O orçamento hermafrodita


Amanhã, Sábado 25, reune-se a Comissão Política Nacional do CDS.
Consta que é para analisarem a proposta de orçamento já aprovada pelo governo de que aliás fazem parte. Assim sendo, o que vão lá fazer os comissários que aparecerem? Provavelmente debitar umas vacuidades do género “podia ser pior” ou “é melhor alguma coisa do que nada”.

Não há novidade nisto. O partido do irrevogável já nos habituou ao pisca-pisca que aponta para o lado contrário daquele para onde vira. O vermelho das linhas inultrapassáveis desbotou e fica-se pelo discurso do soldadinho disciplinado que mete a viola no saco depois de cantar um fado corridinho nas tabernas do bairro. Ou então encenam o “agarrem-me que senão eu bato-lhe”, pensando que o pagode vibra com o melodrama e não se dando conta do enorme e irónico bocejo que percorre toda a plateia.


Esta história do “Quem? Eu? Foi o outro” já cansa. E entretanto servem de colchão a este orçamento hermafrodita, excitados com a dupla sexualidade do bicho, uma confusão de tira aqui e põe ali, e ora diga lá onde está a bolinha escondida, debaixo de que copo. O apostador perde sempre, claro. O apostador somos nós, cidadãos aparvalhados com aquele jogo de mãos, crédulos na primeira impressão e desprevenidos, a tirar conclusões antes de bem verificar os dois lados da questão.

 É macho ou fêmea? Nem um nem outro: é hermafrodita. Irra! E há quem goste? Pelos vistos...


Nota: fotos da escultura romana do séc. II, exposta no Museu do Louvre, Paris ('O hermafrodita adormecido')

Novo postal de Pequim

Recentemente, durante uma  simpósio em Pequim, Xi Jingping, actual  presidente da China, fez um discurso centrado na importância da arte e dos valores culturais chineses. Fazendo eco a  citações de Mao Tsé Tung, referiu que a arte e o património cultural  devem servir o povo e a causa socialista.

Mas a realidade que encontro no terreno conta outra história:

 “Para que possa  perceber melhor a situação, imagine o pessoal dos armazéns do Museu do Palácio da Cidade Proibida que para comer as “noodles” durante o período de descanso, se serve das taças antigas em depósito no museu . E se e por pouca sorte parte uma, das 20 que existiam passam a existir 19, sem que haja qualquer reacção ou controlo por parte dos responsáveis .” -  comenta  o jovem restaurador Qian He com quem falo.

 « Existem 20.000 pinturas chinesas antigas nos armazénsdo Museu , armazenadas  em condições de manutenção  extremamente precárias e sem que haja especialistas suficientes para levar a cabo o trabalho de restauro.” - acrescenta Qian He, que procura apoios para a criação de uma escola de formação de restauradores  para trabalharem nos Museus na China e assim evitar que muito do património artístico e cultural se perca ou seja destruido.

O bisavô,  Liu Ting Zhi , era em Shanghai o restaurador mais solicitado e apreciado da dinastia Qing. Em 1949 , quando Mao chegou ao poder, a família foi obrigada a entregar  ao museu de Shanghai  a valiosa colecção de pinturas chinesas que possuía e em 1966, aquando da revolução cultural,  foi obrigada a ir trabalhar no campo .  Aí sobreviveu até que, ainda durante a revolução cultural,  Liu Ting Zhi foi  chamado para Pequim  para se encarregar do restauro das pinturas num túmulo . Por lá ficou com toda a familia , onde as gerações futuras continuaram a trabalhar como restauradores de pintura chinesa no Museu da Cidade Proibida. E agora Qian He , quarta geração desta familia , com um tio ainda a trabalhar no Museu, perante o desinteresse dos responsáveis no departamento cultural da administração pública da cidade face à urgência em melhorar as condições de restauro e conservação  deste património , projeta partir com a familia  para os EUA. A universidade de Michigan convidou-o para ir trabalhar no restauro das pinturas chinesas nos museus americanos.

Ao falar com Qian He e perante a  tristeza que sente face ao desinteresse das autoridades pela preservação de um património cultural tão importante como o que se encontra arquivado nos armazéns do Museu da Cidade Proibida , pergunto-me  como  interpretar o discurso do presidente Xi Jingping. 
Será que  o presidente Xi , na linha do presidente Mao, também agora projecta instrumentalizar cultura e património cultural numa nova campanha de controlo da criação artística em função dos interesses do Partido Comunista Chinês, para a qual o rico património de caligrafia e pintura tradicional chinesa  do Museu do Palácio da Cidade Proibida não são suficientemente importantes ?

Maria
Outubro de 2014



quinta-feira, outubro 23, 2014

Rui Moreira 1 ano

Faz agora um ano que Rui Moreira foi eleito para a Câmara Municipal do Porto.
Como seu apoiante da primeira hora fartei-me de ouvir que nunca iria fazer isto ou aquilo, não ia ter força para alterar não sei o quê, ia ser igual aos outros, etc… todos falando num futuro cheio de objecções e nunca no projecto em si. Disse na altura que no fim é que se fazem as contas. Ainda não é o fim, mas creio que já se pode fazer um balanço deste primeiro ano.

Começo pelo menos bom.

O Bolhão. Não consigo compreender em que pé está. A comunicação do município tem falhado na divulgação do andamento desse dossier o que nos faz pensar que está parado. Para mim é uma prioridade, principalmente porque foi uma bandeira do movimento que se gerou à volta da candidatura independente.

O cancelamento do circuito da Boavista, quer se queira quer não, gostando dos pópós ou não, é uma perda para a cidade. Sei que foi uma promessa não entrar em aventureirismos económicos, mas penso que se houvesse mais vontade política talvez se conseguissem os apoios necessários para colmatar o abandono do Turismo de Portugal. Os números das mais-valias que o circuito trazia são avassaladores e não só no campo hoteleiro. Gostava de saber que actividade realizada Portugal tem uma audiência de 450 Milhões de pessoas em mais de 40 países. O WTCC está quase a ultrapassar a Formula 1 em termos de espectadores. É daquelas oportunidades que o Porto não podia perder.

O bom.

O turismo. Embora seja uma tendência anterior a este mandato, é uma onda que não pára de crescer. O apoio à campanha como melhor destino europeu deu o primeiro lugar à cidade e uma notoriedade “lá fora” que não se pode subestimar. A optimização dos transportes, como por exemplo os percursos criados para o Primavera Sound prova que o que a cidade precisava é de inteligência. Inteligente também a promessa de levar o eléctrico até ao novo terminal de passageiros de Leixões.O lóbi bem sucedido para trazer a base da EasyJet para o Porto é sinónimo de quem sabe as prioridades da região. São vários os exemplos, e os mais importantes estão os ligados à cultura.

O muito bom.

A cultura. Começo pela feira do livro, evento que a vereação anterior achou que não valia a pena apoiar. A câmara tomou o pulso “à coisa”, e não só alterou o modo de funcionamento, que agradou a todos, como potenciou o Palácio de Cristal, resgatando-o novamente para a cidade. Resolveu a questão do Rivoli de forma racional e que entrega verdadeiramente este teatro aos portuenses.

A questão social. Rui Moreira disse que iria aproveitar o que de bom ficou dos anteriores mandatos, está a cumprir. O investimento em Campanhã é a prova que pensa a cidade como um todo e não em medidas avulsas. Ao todo creio que são perto de 18 milhões de Euros afectos à reabilitação dos bairros sociais desta zona da cidade.

Com certeza há muito mais para dizer, mas o mais importante é os tripeiros saberem que há alguém que está a trabalhar para o bem da cidade. Ponto.

quarta-feira, outubro 22, 2014

Sínodo dos Bispos sobre a Família

D. Manuel Clemente, de acordo com uma notícia no JN realçou "a nova realidade familiar", e citou o Evangelho para afirmar: "Temos de conciliar coisas novas com coisas velhas".
 
A verdade é que o Papa Francisco promoveu um tempo novo para a Igreja.
 
O seu discurso de encerramento do Sínodo da Família é extraordinário!

“Desde o tempo de Jesus, é a tentação dos zelosos, dos escrupulosos, dos cuidadosos e dos hoje chamados tradicionalistas e também dos intelectualistas”, precisou.
O Papa advertiu ainda para a “tentação do facilitismo [buonismo, em italiano] destrutivo, quem em nome de uma misericórdia enganadora enfaixa as feridas sem primeira as curar e medicar”.
“É a tentação dos facilitistas, dos medrosos e também dos chamados progressistas e liberais”, realçou como exposto aqui.

terça-feira, outubro 21, 2014

Uma aberração

Já diz o ditado que "o que torto nasce, tarde ou nunca se endireita". E as ex-SCUTS hoje batizadas de "AQUALQUERCOISA" nasceram tortas, muito tortas.




A falta de justificação para algumas e que hoje continuam a ver um carro de quando em vez seria por si só razão para um levantamento popular.

Só que não contentes com tamanha asneira passaram a ser cobradas quando na génese eram para ser grátis.


Mas eis que não contentes ainda se conseguiu tomar a decisão de instalar uns pórticos e um sistema de cobrança perfeitamente anacrónico.

E um outro absurdo existe. As coimas  e os juros aplicados são dignas das melhores histórias de extorsão da máfia siciliana.

O resultado é dramático e claro que são milhares os que não pagam gerando milhões de prejuízo. Os nossos vizinhos espanhóis que o digam. Mas esses nunca irão pagar.

Mas os portugueses não se livram de mais uma absurda decisão, a quinta envolvendo as scuts, e o estado passa a cobrar valores que dizem respeito a uma relação entre entidades privadas. O fisco congela contas, ataca e ameaça.  Numa posição de força nunca vista.

É sabido que os portugueses dificilmente se revoltam, mesmo quando SElhes mexe no bolso.

Finalmente alguém se mexe. O que merece o nosso apoio. A ver se conseguimos pelo menos poupar umas penhoras e parecer que somos um país civilizado governado por gente de bem.


segunda-feira, outubro 20, 2014

Fiscalidade Verde

Que lindo nome!
Dá mesmo vontade de pagar, não dá?
Já estou ansioso por Janeiro para poder começar a fazê-lo.
Como habitualmente, com saudável alegria fiscal.
 
E a sua apresentação ao pessoal?
Que bonito, e até comovente, ver aquele sorridente ping-pong dos dois governantes na conferência de imprensa. Um, com a mão da fiscalidade, que em 2015 deixaria umas migalhas no meu bolso, outro, com a mão verde, que lhas retiraria. Essas … e mais algumas!
 
Mas apesar de a conferência ser conjunta, lá tentaram vender a ideia que os bolsos de destino seriam diferentes, que a vantagem da fiscalidade era só para mim, o bom, o votante, e que o custo do verde era apenas para o outro, o mau, o poluidor, o não votante. O que os jornais e tv’s logo compraram, tratando me de simular a fiscalidade para 2015 e estimando-me o potencial ganho. Mas sem me dizerem que não chegaria para pagar o custo do novo verde…
 
Um pouco por todo o mundo os governos estão ávidos de impostos, já lhes faltando imaginação para que o pessoal os compre sem protesto. Embrulhá-los numa capa verde tem sido um maná. Fora já assim com o IUC de Sócrates. Que era só uma reformulação para verde, mas não um aumento. Com a crise todos os outros perderam receita e baixaram as vendas de novos carros, mas o IUC disparou em flecha. Ao pra cima, por estranho acaso!
 
Siga, pois, a receita do costume (+impostos; -pensões) e adiemos, uma vez mais, as reformas de fundo para o pós eleições! Onde a história se repetirá…

domingo, outubro 19, 2014

FLOPETEGUI

Depois de uma época desastrosa, o FCP fez um enorme investimento em jogadores e na recuperação do moral e do espírito da equipa, confiando que, uma vez mais, o fracasso era um acidente de percurso e que rapidamente se voltaria ao percurso normal de vitória.
Desta vez parece que não e temos até ideia de uma espécie de canto do cisne.
Falta alma a grande parte da legião estrangeira e o treinador mais parece um alucinado arrogante, sem  noção de coisa nenhuma a não ser da sua teimosia apesar da abundante mão de obra de qualidade a que não sabe dar destino.
Ainda se vai sofrer muito se o homem continuar a mostrar que não aprende com os erros. Lopetegui rapidamente e por culpa própria transformou-se em flopetegui. Quem me dera estar enganado.

sábado, outubro 18, 2014

Plágios

Plágio é coisa fraca. E lamentável também. Tanto mais quando provem de quem tem a especial obrigação de não o fazer. Mas sempre existiu e, provavelmente, sempre existirá.

João Grancho, secretário de estado do ensino básico e secundário, plagiou. Pela sua específica responsabilidade de então tinha a especial obrigação de não o fazer. Mas fê-lo.

No meu tempo de estudante, o copianço nos exames escritos já existia. Mas depois havia que passar pelas provas orais e aí a coisa piava mais fino. Porém, com a massificação do ensino, foram-se as orais.

Mas com o advento da internet a coisa ficou muito mais facilitada para os plagiadores. Todavia, e como reverso, muito mais dificultada para quem tem de avaliar, em particular teses de mestrado ou de doutoramento. Claro que os avaliadores já encontraram alguns truques para tentar despistar o plágio, como seja a introdução de algumas frases no Google. Como muito do plágio nestas teses é tradução de língua inglesa, têm primeiro de reconverter aquelas frases para inglês. Mas nem sempre o avaliador, ou o Google, identifica um texto plagiado, havendo casos, como sucedeu tempos atrás com a tese de um governante alemão, em que só uma qualquer casualidade futura o vem pôr a nu.

Foi também este o caso de João Grancho em que só agora o Público lhe veio desmascarar uns textos por ele plagiados em 2007. A coisa só não teve, formalmente, maior gravidade por não ter usado tais plágios em publicação sua, mas apenas numa comunicação que apresentou num seminário académico em Múrcia, Espanha, onde então participou na qualidade de presidente da associação nacional de professores.

Segundo o Público de ontem, João Grancho disse recusar a acusação, pois que “pretender associar um mero documento de trabalho … a um plágio, é totalmente inapropriado.

O curioso de tudo isto é que tema do tal seminário académico era “A dimensão moral da profissão de docente” e os textos plagiados referiam-se, um à importância da deontologia no prestígio social da função docente, e outro à necessidade da escola afirmar a sua missão intelectual na sociedade.

Segundo o Público de hoje, João Grancho demitiu-se da sua actual função governativa…

quinta-feira, outubro 16, 2014

Circuito da Boavista I


Uma péssima notícia para a cidade do Porto.

O desporto automóvel tem no norte do país uma adesão muito grande além de uma tradição de séculos. Confesso que desde a primeira hora sou defensor do circuito da boavista e via o dinheiro usado pela câmara não como uma despesa mas como um investimento cujo retorno não teria que ser necessariamente financeiro. A projecção conseguida através do WTCC ou mesmo do Gentlemen Drivers posicionava o Porto como uma cidade do automobilismo. Admito que haja prioridades e que quem decide o faça na posse de todos os dados. Mas infelizmente acho que este fim estava traçado desde as eleições autárquicas do ano passado. Rui Moreira não era um grande defensor das provas e Manuel Pizarro era contra, embora disfarçado numa suposta necessidade de encurtar prazos de montagens. Assim a mudança de postura do ministério da economia, via secretaria de estado do turismo que dá preferência na publicidade no exterior e no apoio a companhias low cost para captar turistas, apenas veio dar o argumento final para que esta decisão fosse tomada e tivesse enquadramento. Mas já se imaginou a loucura que seria ver esta cidade cheia de turistas e com as corridas a decorrer? É pena. Vou sentir saudades do roncar dos carros. Só espero que em sua substituição seja encontrada igual acção de promoção da cidade.

Adeus Pópós

Hoje a Câmara Municipal do Porto anunciou que em 2015 não se realizarão as corridas de carro na cidade
Os adeptos dos carrinhos, dizem que são contra e que os carrinhos deviam continuar.
Rui Rio, o Presidente que não era despesista ficou triste porque pelos vistos há quem recuse pagar 3 milhões de euros pelas corridas de carrinhos. E ficamos a saber que afinal de contas a brincadeira ficava cara, matéria que o executivo anterior  sempre procurou escamotear.
O executivo actual para não ficar com o odioso da decisão tenta empurrar a responsabilidade da questão, numa fantasia Norte /Sul e a ala da maioria PS que governa o Município tenta, com isso, dar mais uma facada no governo PSD/CDS.
E enquanto a populaça ulula ao som de populismos baratos.
Eu cá aplaudo a decisão!!!
Não estamos em tempo de brincadeiras.
Se querem fazer as corridas que as façam os privados de forma rentável e sem dinheiro do estado.
Se não é rentável que não se faça.

A bem da Nação!!!

quarta-feira, outubro 15, 2014

ISTO E UMA EXPERIÊNCIA

Após muitos meses sem escrever no Nortadas, sendo que grande parte da culpa e imputável a minha azelhice informática, faço agora uma pequena incursão apenas para ver se isto funciona.
Breve nota: ainda não percebi porque e que o PS não gosta deste orçamento, nem o que é que faria diferente. Eu também não gosto mas ao menos sei bem porque.
Se o PS não quer reduzir os impostos, como disse Ferro Rodrigues, não pretende reduzir a despesa e aquilo a que chama estado social e considera que deve manter os compromissos com a União Europeia em matéria de finanças públicas, este e claramente também o seu orçamento.

Sebastianismos

Vivo mal com a ideia de Sebastianismo. E Portugal também. Basta olhar para a sua história. Mas vamos aos dias de hoje.

O PS teve o seu D. Sebastião, anunciado e reanunciado até que António Costa conseguiu conquistar o poder. Num processo inicial de claro ataque ao castelo, algo que não sendo muito bonito é infelizmente prática corrente nos partidos políticos, á conseguiu os seus intentos e é ver voltar os socialistas que nos levaram a este belo estado. Mas a sua prova de fogo ainda agora começou, apesar de ir continuar a viver em estado de graça, mais a mais que não estando no parlamento não se vai desgastar nos debates com Passos Coelho. Mas está longe de ser um ser superior pois esses não existem. E mesmo na banda desenhada já ninguém acredita neles.

Vivo portanto mal com todo o frenesim que alguns têm feito em volta de Rui Rio e, pelas declarações de hoje, o próprio também. Rui Rio foi um bom presidente de câmara do Porto. Pode ambicionar a ser líder do PSD e ser Primeiro-Ministro e até Presidente da República. Claro. Conquistou esse direito por mérito próprio e como qualquer ser humano tem direito a ter ambições e sonhar com elas. Mas não façam dele um super-herói, pois se há pessoa que vive mal com tanta euforia é exactamente Rui Rio, discípulo de uma espartana cultura germânica.

E acaba por ser caricato ler declarações de um seu apoiante que "o PSD apresenta um défice democrático em comparação com o PS pois o seu líder não foi eleito em directas". Que pretende o senhor? Eleições na próxima semana? Ou ainda antes da apresentação do orçamento que é já esta quinta feira, só sobrando portanto o dia de hoje? Se entramos por este estado de delírio coletivo ainda acabamos os portugueses, e gatos incluídos, simpatizantes de todos e de cada um dos partidos.

A estratégia de Sebastianismo serviu a Costa na guerra com Seguro e agora são também os"apoiantes" de Rio que pretendem posicionar Costa como um super-sumo e que portanto só Rio estaria a altura de Costa? É isto? Para ver se eu percebo.

Recorrendo a uma frase que ficou célebre no CDS, diria que até o rato mickey ganhará a Costa nas próximas eleições legislativas. Basta recordar o seu passado socrático. E é a essa imagem que os apoiantes de Rio querem colá-lo?

Tenho dúvidas que seja a melhor estratégia. E Rui Rio também e por isso mesmo se desmarcou. Até porque as tempestades que aí vêm ainda são muitas e bravas.



segunda-feira, outubro 13, 2014

O Salgado de lá


O Público de Domingo dá notícia de mais uma especialidade do regime político vigente na Madeira: a prorrogação antecipada e sem concurso da concessão ao grupo Sousa da ligação marítima Funchal-Porto Santo, apimentada por novos benefícios e regalias para o empresário.

Há dias soube-se que o Ministério Público decidira arquivar o processo relativo às manobras denunciadas a seu tempo pelo Tribunal de Contas de escamoteamento da dívida da Madeira.
Com o Jardim é um bailinho constante e o dano que ele vai deixar aos madeirenses será assunto que há-de manchar todos os dirigentes nacionais que se foram sucedendo no PSD assobiando para o lado enquanto lhe davam umas palmadinhas nas costas.


Às vezes pergunto-me se o papel dele não será o de, pelo seu exemplo, dar aos centralistas da capital um bom pretexto para adiarem a regionalização no espaço continental do país.

domingo, outubro 12, 2014

O urinol


Portugal participa com a colossal fortuna de 25 mil euros para a reconstrução de Gaza.

Consta que o Presidente Cavaco vai ser convidado para inaugurar o urinol que as autoridades de Gaza vão reconstruir com tão generoso donativo. Difícil vai ser decidir se a placa a assinalar o evento é fixada por cima ou por baixo da louça. Eu diria em baixo.

sexta-feira, outubro 10, 2014

Um(a) artista português(a) 1


A ministra da Justiça diz que os « transtornos » estão em vias de resolução.
Uma jornalista pergunta-lhe: “Já foi visitar algum tribunal desde que o Citius bloqueou?”
A ministra responde: “Não lhe vou dizer qual é a minha agenda privada”
A jornalista insiste: “Mas a visita a tribunais é assunto de agenda privada?”
A ministra remata: “Já lhe disse que não falo da minha agenda privada”


Palavras para quê, é uma artista portuguesa!

quinta-feira, outubro 09, 2014

Rui Moreira na 2

Rui Moreira hoje (9/10/2014) na RTP 2 esteve bem. Falou de meritocracia, de descentralização, de partidocracia, de consensos e de normas de educação na conduta política (quando questionado sobre as primárias do PS).

O Norte precisa de uma voz culta, educada e livre. Rui Moreira veste bem esse papel mas, a meu ver, precisa de ser mediaticamente mais ativo e mais eficaz. Fica o apelo.

Sorrir faz bem

O telefone toca e a dona da casa atende:
- Estou?!
- Queria falar com a Sra. Silva, por favor.
- É a própria.
- Daqui é o Dr. Arruda, do Laboratório de Análises. Ontem, quando o médico do seu marido enviou a biópsia aqui para o laboratório, chegou também uma biópsia de um outro Sr. Silva, com o mesmo nome, e agora não sabemos qual é a do seu marido... e infelizmente, os resultados são ambos maus...
- E o que é que o Sr. Dr. quer dizer exactamente com isso?
- Um dos exames deu positivo para Alzheimer e o outro deu positivo para HIV.. Nós não sabemos qual é o do seu marido.
- Que horror! E vocês não podem repetir os exames?
- Não, a Segurança Social só paga estes exames caros uma única vez por paciente.
- Bem, o que é que o Senhor me aconselha a fazer?
- A Segurança Social sugere que a senhora leve o seu marido para um lugar bem longe de casa e o deixe por lá. Se ele encontrar o caminho de volta.... não faça mais sexo com ele.

quarta-feira, outubro 08, 2014

Ano 1 do executivo do Rui Moreira (achegas 2)


Completado o primeiro ano do executivo camarário, anda por aí um discurso que assenta nesta interrogação curta: onde está a obra?

Eu penso que a equipe do Rui Moreira já fez muito num só ano mas, como seu apoiante de antes da primeira hora, sou seguramente suspeito e por isso deixo a outros a tarefa de a explicarem.
Tal facto não me impedirá de fazer os reparos ou críticas que me pareçam justos ou oportunos e daí as “achegas” que serão sobretudo contributos menores para que as tarefas avancem.

Mas voltando à obra, acho curioso que sejam normalmente os críticos das rotundas e pavilhões gimno-desportivos que afinal venham reclamar que ainda não se rasgou uma nova avenida ou se ergueu um novo viaduto. E quando a requalificação da Av. da Boavista avança, pois serão talvez os mesmos que “aqui d’el rei, que os desvios são uma maçada”. Como outros, reparei que as chuvas torrenciais que há dias deixaram Lisboa num caos, escorreram pelo Porto sem alaridos. Ora aí está uma obra.

Entendo que uma autarquia tem essencialmente por missão garantir que as estruturas funcionem, os fornecimentos circulem, os jardins se arrumem, as indicações informem e os serviços satisfaçam. Quanto menos se der pela autarquia tanto melhor pois isso significa que o essencial se passa noutro lado, ou seja, no dinamismo das pessoas e das empresas, na vivacidade das agremiações e clubes, na labuta dos agentes económicos. A autarquia está lá para os servir e de preferência para os servir em silêncio e com eficácia. Não precisa de trombetas, mas deve dar respostas. Para usar uma imagem, os serviços limpam as bancas de noite para que a cidade viva bem o dia.


Voltaremos.

segunda-feira, outubro 06, 2014

Emilio Biel, um alemão que o Porto adoptou


Hoje descobri num alfarrabista do Porto esta fotografia de Emilio Biel.
Vou oferecê-la ao JAC, a quem dou as boas revindas ao blogue, e para lhe matar as saudades deste Norte, a ele que está mais a norte, 'perdido' entre finanças e planos quinquenais.

Emilio Biel, bávaro por nascimento, estabeleceu-se no Porto em 1860 e aqui morreu cinquenta e cinco anos depois. O Porto, o Norte, o país deve-lhe imenso.

Quem ainda não o conheça, que se informe ali: http://pt.wikipedia.org/wiki/Em%C3%ADlio_Biel

Ano 1 do executivo do Rui Moreira (achegas)

Confesso a minha ignorância sobre as competências das polícias municipais mas era capaz de apostar que, entre outras atribuições, lhes cabe a regulação e fiscalização do trânsito rodoviário e pedonal na área de jurisdição municipal.

Passado um ano de gestão do novo executivo camarário da cidade do Porto, permito-me questionar certos aspectos que se relacionam com a qualidade de vida no burgo que o Rui Moreira se comprometeu em melhorar.

Sendo a nossa cidade muito antiga e tendo-se territorialmente estendido de uma forma muito anárquica ao longo de décadas, é natural que as suas vias e eixos principais já não respondam cabalmente ao desenvolvimento económico que exigiria artérias amplas a permitir um trânsito fluído. Tratam-se de condicionantes estruturais muito difíceis de alterar.

Dito isto, há regras e normas que importa estabelecer e fiscalizar para que aquelas condicionantes sejam atenuadas ou, pelo menos, não sejam agravadas. Ora, constata-se na cidade em geral, e sobretudo nos eixos principais que ligam a parte alta à parte baixa, uma total anarquia de circulação, agravada por um estacionamento caótico que rouba faixas ao trânsito, afunilando-o ainda mais.

Eu já nem falo nos riscos amarelos cujo desrespeito parece ser um desporto local ou nas placas de proibição sem efeitos práticos, mas gostava de perceber onde param as autoridades da tal polícia municipal quando tropeçamos constantemente em estacionamentos em paralelo que bloqueiam a fluidez e a viatura de dentro. Há zonas e locais em que estas situações são crónicas e todavia nada acontece ou se altera.


Será que isto não diz nada ao executivo camarário? 

Nota: a foto acima diz respeito a uma outra cidade, mas no Porto pode ser ainda pior.

domingo, outubro 05, 2014

A República

Tenho lido as notícias com a atenção usual. Daqui de longe, a quase 2 mil km de distância, as coisas parecem fazer sentido.  Até que surge S. Exa. o Senhor Presidente e alerta para o risco de implosão do sistema partidário.
Não há na implosão do sistema um verdadeiro risco. Seria, isso sim, uma coisa boa e aquilo que, verdadeiramente, a grande maioria dos portugueses deseja. Não são todos os portugueses, porque há ainda uma pequena parte que dele necessita.
Mas a esperança que este 5 de Outubro trouxe é esta: pode ser que o actual sistema partidário rebente por dentro. Cavaco Silva deve estar bem informado. Nessa altura poderá ser possível preparar uma coisa nova, apresentavel e mais limpinha.


Caminhada pela Vida


Fomos um mar de gente a desfilar pelas ruas de Lisboa em defesa da vida hoje! Fomos milhares, sem entrar no delírio sindical de contagem de cabeças em cada manife ou greve. A imprensa escolheu outros assuntos bem mais candentes do que a vida humana e tentou apagar esta impressionante revolução pacifica. É o mundo em que vivemos. As não-noticias sobrepõe-se à realidade.
Por gentileza e generosidade da organização, fui convidado a falar a esta multidão. Deixo-vos as palavras que lhes disse.

Quando me desafiaram a dirigir-vos estas palavras, pensei em dizer-vos: Nós temos um sonho!
Dada a estatura, a vida, de quem proferiu esta frase originalmente, não me sinto à altura de o fazer. Mas, olhando para nós, pensando no que fazemos aqui hoje, não hesito em comparar-nos a cada um dos que marchou ao lado de Martin Luther King contra o preconceito, contra a injustiça e a favor dos direitos humanos. Na altura, mulheres, homens e crianças como nós, tinham menos direitos por causa da cor da sua pele. Hoje, o bebé na barriga da mãe, o ser humano em formação, a vida já gerada, tem o seu direito a existir limitado porque não tem voz. É preciso que sejamos nós, todos nós a sua voz!

Fazemo-lo pacificamente, fazemo-lo com enorme convicção, fazemo-lo com a alegria que só o dom da vida inspira!

Fazemo-lo porque não entendemos, não é possível entender, que o mesmo Estado que enfrenta o drama do inverno demográfico, seja o mesmo Estado que usa o dinheiro dos contribuintes numa política de aborto sem critério nem controlo.

Fazemo-lo porque não é possível continuar a equiparar o aborto à maternidade. O aborto é a negação, a interdição da maternidade. Não faz sentido que esta prática que vai contra os mais elementares direitos, e atenta contra o interesse geral da sociedade, seja contemplada com direitos e regalias que só fazem sentido na maternidade.

Fazemo-lo porque não ignoramos a elevadíssima taxa de reincidência de aborto nas mulheres que recorrem a esta prática. O que prova a banalização que prevíamos, o que sublinha a realidade de mulheres abandonadas à sua sorte, a negarem a sua natureza, a acumularem episódios de vida traumáticos, a destruírem a sua saúde, a porem em risco a sua própria vida.

Fazemo-lo porque sempre acreditamos, e hoje a ciência prova-o, há em cada aborto uma vida humana que é negada. Que se perde no livre arbítrio de um adulto, que na maior parte das vezes está condicionado pelas circunstâncias no seu discernimento sobre o acto irreversível que pratica.

Fazemo-lo porque queremos mais medidas de apoio à família, queremos apoio eficaz às mães e pais em dificuldade. Queremos que a grávida sob pressão, em dificuldades, encontre na sociedade e no Estado acolhimento, respostas e enquadramento que a possam ajudar a construir o seu projecto de vida. Passa por aqui, exigir que o chamado consentimento informado o seja de facto. Que a mãe, o pai, os intervenientes do processo tenham conhecimento de todos os riscos e consequências do grave acto a que se propõem, riscos para eles pelo terminar da vida do filho que abrigam e que uma ecografia pode facilmente mostrar.


A nossa marcha é uma marcha de paz. É sinal visível de uma revolução tranquila.

Somos portugueses.

Fomos pioneiros na abolição da escravatura, quando tantos diziam: “Mantenha-se! Os estados fortes todos a mantêm!”

Fomos pioneiros na abolição da pena de morte, quando tantos diziam: “É essencial! Os estados modernos precisam de ordem, a pena de morte garante-o!”


O aborto é um sinal, um mau sinal, de um tempo passado. É um excesso de uma revolução que dizia querer libertar a mulher e paradoxalmente lhe garantiu esta via que só conduz à dor, ao sofrimento, ao abandono. É um sinal de um tempo em que a ignorância da ciência de então, permitiu fazer da moral e da ética tábua rasa em nome de princípios de uma revolução que ao contrário da tranquilidade da nossa, se pautou pelo excesso, pela amargura, pela desconstrução social. É um sinal que hoje, em tantos e tantos casos, é uma forma de chantagem, de pressão, de clara violência sobre as mulheres.

A nossa revolução, a revolução de que vos falo, é a da conquista do futuro! Se a sustentabilidade é palavra de ordem, a família é o pilar de toda a sustentabilidade.
Se a ecologia é palavra de ordem, toda a vida deve ser preservada!
Se a ciência deve ser tida em conta, ela mostra-nos hoje claramente o ser humano que somos desde o início!
Se a paz é um imperativo social e ético, todas as formas de violência sobre o ser humano devem ser evitadas, sobre os filhos que ainda não nasceram e sobre as mães desesperadas!
Se o mundo se empenha em melhorar, só com a consciência profunda do valor da vida, o fará!

Abandonemos os dogmas velhos e redutores do passado!
Nós estamos aqui pelo futuro!
O futuro só valerá a pena enquanto celebração da vida!

Viva a vida!

sábado, outubro 04, 2014

vespa asiatica


 
 
 
 
 
Uma praga que existe na região de Entre Douro e Minho,
mas que ameaça alastrar.
 
É verdade que o Ministério da Agricultura está em cima do tema, aqui, mas o alarme como aqui
anda aí!  Há muito!


sexta-feira, outubro 03, 2014

Alpoim Calvão

Morreu Alpoim Calvão um dos oficiais mais condecorados das Forças Armadas portugesas.
 
Disse:

"Fui formado na luta contra a ideia, a filosofia e a forma do comunismo, contra a ditadura do proletariado, contra o espezinhamento do homem e as nomenclaturas vivendo nas suas 'dachas', só se fosse insensível é que não partiria para esta guerra", 



Ler mais: http://expresso.sapo.pt/morreu-alpoim-calvao-o-operacional-anticomunista=f891638#ixzz3F5jKG6D8

As florestas

Ser secretário de estado ou membro do governo deve ser um cabo dos trabalhos. O das florestas já vai na segunda demissão, o que nessa lógica seria um duplo cabo dos trabalhos. Primeiro foi Daniel Campelo que cumpriu cerca de ano e meio de mandato e agora temos a demissão de Francisco Gomes da Silva.

O PS claro que veio dizer que esta demissão é por uma questão de desvalorização das florestas por parte do governo.

Não me parece que assim seja, mas que é estranho isso é. No entanto estou certo de que este governo tem dado uma grande importância ás florestas.

Foram várias as iniciativas que a ministra Assunção Cristas lançou e participou.

Foi possível ver a senhora ministra a limpar florestas, Promoveu o investimento, E penalizou quem prevarica.

Sendo certo que é impossível agradar a gregos e a troianos, estou certo que é uma larga maioria das pessoas que estão contra a mudança da paisagem florestal com uma diminuição clara do pinheiro em detrimento de um eucalipto, que seca tudo em seu redor mas que tem um crescimento e rentabilidade a curto prazo superior à do pinheiro. Mas não estaremos a tomar decisões de curto-prazo? não estaremos nós a hipotecar gerações vindouras em troca de euros de curto prazo?

Espero que este assumir da ministra possa ainda permitir uma alteração na lei que vai permitir uma eucaliptização rápida do nosso país.

Em tempos defendi que o estado deveria atuar forte sobre o uso indevido das florestas ou mesmo do seu abandono que acaba por ser um uso indevido. Fui criticado mais a mais sendo eu um liberal diziam. Só que acima de tudo defendo que a minha liberdade acaba quando colido com a de um terceiro e mais a mais neste caso das florestas, elas sendo propriedade privada acabam por contribuir para um bem comum. É-me completamente indiferente a cor das paredes da casa do vizinho, ou se ele compra um quadro manhoso achando que tinha comprado um Van Googh. Mas meus caros com a natureza não se brinca e ela tem-nos ensinado isso, e sempre das piores maneiras.

Por isso fico contente ao ler que o governo se prepara para penalizar quem não cuida desse bem comum. É sem sombra de dúvida um primeiro passo, que gostaria de ver complementado com as restrições do eucalipto e uma defesa intransigente do pinheiro, que tantas e tantas vezes foram as nossas companhias numa soneca após um piquenique,


quinta-feira, outubro 02, 2014

Os bustos da Assembleia e o rosto da estupidez

A exposição no parlamento dos bustos dos presidentes da república está a por a nu a estupidez intelectual de certas pessoas. Nem sei bem por onde começar.

Compreendo que os republicanos tentem baralhar os portugueses, é assim há décadas, sobre a natureza do regime do Estado Novo argumentando que aquilo não foi bem uma república.

Um dos argumentos mais utilizado é que esse período não foi uma democracia, que os presidentes não foram eleitos e que as eleições eram aldrabadas.

Ora bem… vamos começar por Outubro de 1910. Passados 100 anos da instauração da república creio que já podemos fazer uma análise desapaixonada desse período conturbado. Nos últimos anos avançou-se imenso na desmistificação dessa época, mesmo os republicanos mais empedernidos enfiaram a viola no saco quando perceberam que não podiam mais reescrever a história como vinham fazendo. É hoje comum falarmos de períodos da I república como sendo ditaduras imprestáveis, Afonso Costa é um dos mais ilustres facínoras da nossa história. Ninguém põe em causa que o universo eleitoral foi sendo reduzido depois da queda da Monarquia, além de que temos presidentes impostos, um deles foi mesmo o melhor, Sidónio Pais, por isso falar em legitimidade democrática da república é atirar areia para olhos dos portugueses.

Compreendo as renitências de alguns deputados em ter os presidentes do Estado Novo num corredor qualquer do Parlamento. A luta comunista sempre foi na tentativa de colar o regime bacoco de Salazar aos outros regimes ditatoriais da Europa. Por mais que custe, e com isto não estou a fazer a apologia do regime, não é tudo a mesma coisa. Comparar o nosso caso, dizendo que na Alemanha são proibidos os símbolos nazis e em França não se pode fazer a apologia de Vichy, é ainda não ter percebido que muito do antigo regime continuou neste, incluindo deputados.

Se querem discutir os chefes de estado então discutam algo mais interessante: Que papel tiveram os presidentes da república em toda a nossa história, e se grande parte deles não ficará apenas na wikipedia.

quarta-feira, outubro 01, 2014

Ponto

Um ano após a tomada de posse o novo executivo da CMP apresentou uma nova imagem gráfica para a cidade. Só que não é apenas uma imagem gráfica, um simples logo ou um novo site. É um posicionamento estratégico, uma assinatura, um modo de ser.

Como sempre que há mudanças há resistências a vencer. E contentar a 100% é uma impossibilidade que penso nem estar ao alcance do Euromilhões, pois até aqui há os que acham que é sempre muito ou pouco dinheiro.

Porto. 

É uma afirmação de identidade, de ser. Quantas e quantas vezes dizemos nós "é assim ponto". 

Na segunda feira vi e meditei. Gostei do que vi mas queria ver mais pois como referi no início esta mudança não se esgota num "símbolo fálico da câmara" ou num site em construção. 

Fui "ver mais longe". E gostei ponto. 

Fui ver uma outra proposta que terá sido igualmente apresentada. Tinha um posicionamento interessante, mas perdia em termos de utilização gráfica, apesar de fazer uso de uma palete cromática mais alargada, ao contrário desta que, pelo que se tem visto, se baseia no azul, o que leva alguns a procurarem identidades e semelhanças, umas óbvias outras rebuscadas. Ao FCP ou à monarquia. É mesmo assim a vida e a mudança. Ponto. 

Mas o mais interessante desta mudança não é tanto ela em si, mas o que quebra. Quebra com um passado graficamente "cinzento" e pouco apelativo e muito datado. Mas essencialmente quebra com uma falta de identidade da cidade enquanto colectivo. 

E aqui reside o grande ganho. A identidade que hoje se sente das pessoas com a sua cidade. Não necessariamente com o poder executivo, que não é disso que este post trata, mas sim com a cidade no que ela representa.

O que no passado era defeito hoje sentimos como identidade. O que no passado era defeito hoje é feitio assumido. O cinzento das pedras é sinal de perseverança, de querer, de nosso. Ponto. O não ser capital de portugal nem do norte nem do noroeste peninsular não é pejorativo mas condição natural. Ponto.. Hoje a cidade recuperou o seu orgulho, a sua vontade de se afirmar sem medo de o fazer. 

Daí o ponto. Ponto. 

Esperemos que esta identidade colectiva vá ganhando mais e mais força. Se alargue a outros setores e nos transforme naturalmente numa grande cidade, pólo aglutinador de uma vontade maior de quebrar barreiras e alargar fronteiras. Ponto.

Adenda:
aqui fica uma das propostas não vencedora:

https://www.behance.net/gallery/19950165/Porto-City-Identity-and-Branding-Proposal




Il Gattopardo




Estas primeiras 48 horas do novo Partido Socialista mostram-nos que nunca esteve tão velho como hoje. A velha aristocracia do Rato deu um chega para lá aos arrivistas da província, e Lisboa mostrou quem manda e porque manda. O friso dos pais do PS, tão bem captado num retrato que circula por aí, confunde-se com o epíteto da moda, eles parecem ser mesmo os donos daquilo tudo, e incomodam-se supinamente com o povo tresmalhado quando não são os donos disto tudo. 
Costa, alegre e saltitante, propõe-se federar as diferentes clientelas, a arranjar um lugar à mesa para as diferentes famílias. Já terá começado lá dentro, para reunir forças para o fazer cá fora; às nossas custas. É o ardiloso Príncipe de Falconeri, convenceu a aristocracia e a clientela do Rato que era preciso mudar tudo para que tudo pudesse continuar na mesma. E assim se fez.