A Europa é um projecto fantástico e a sua construção foi acumulando muitos sucessos.
Talvez por isso, a Europa vem sendo motivo de tanta frustração e vem acumulando tanta decepção.
Um dos maiores fiascos europeus é a sua impotência e desnorte no que deveria ser uma das suas mais prementes prioridades: um mercado europeu de energia.
Por detrás do pomposo palavreado do costume, esconde-se o falhanço, a incompetência, o nepotismo e a total ausência de solidariedade, de real cooperação e de visão estratégica em matéria de produção, de aquisição e de distribuição de energia no espaço europeu.
Hoje é claro que em vez de uma política comum ou de uma comunidade da energia (de petróleo, de gaz ou nuclear), é o salve-se quem puder e, se for caso disso, à custa do vizinho. E não serão as eólicas ou os painéis que nos vão safar.
A Alemanha decidiu recentemente abandonar a sua cooperação com a Areva, companhia de energia nuclear francesa, para afinal privilegiar uma parceria com a Rosatom, uma sociedade russa de construção de centrais nucleares. A ambivalência alemã é sintomática do vácuo na liderança das instituições europeias no domínio da política de energia. Isto é bem mais grave do que parece e também nos diz respeito a nós portugueses.
Entretanto, a tenaz russa vai-se apertando.
Há algum candidato português ao Parlamento Europeu que tenha ideias sobre esta matéria?
Se sim, não se acanhem e falem claro, se faz favor.