segunda-feira, setembro 30, 2013

Pessoal e Transmissível?

Depois de um dia, mais a noite eleitoral que o precedeu, de comentários sobre os efeitos nacionais das eleições locais aqui vai a minha achega. Percebo perfeitamente que ontem o PSD queira dizer que o que aconteceu não tem qualquer ligação à governação (nem foi provocado pela governação nem a afecta), como percebo que a esquerda diga o exactamente contrário. Como também percebo que o PSD diga o contrário quando esteve e há-de estar na oposição, o mesmo se aplicando ao PS.

Vamos tentando retirar essa "poeira" que por vezes tolda as análises e vamos à pergunta que se impõe. Nas eleições autárquicas tem mais influência no sucesso da eleição o partido ou a pessoa?

Se formos a casos concretos a nossa resposta é directa. A pessoa do candidato é determinante. E o teste do algodão é feito quando o candidato muda de cor (mais raro hoje em dia), muda de município ou se emancipa.

Mas a pergunta não se responde com casos particulares mas sim com a análise do agregado. Isto porque até estas eleições tinham pouco sucesso os "testes de algodão".
Mas algo está a mudar. Então vejam. Nestas eleições tivemos perto de 80 candidatos independentes. O maior número de que há memória. Destes, 13 tiveram sucesso. Mais 6 do que há quatro anos. Não tenho números mas diria que outros tantos disputaram a eleição com possibilidades de ganhar. Se somarmos a estes, os casos de candidatos que já tinham experiência anterior autárquica, temos um numero significativo de casos (adivinho que a maioria) em que a eleição se pode atribuir ao candidato.

Visto de outro modo, e olhando apenas para 3 Municípios (Gaia, Porto e Sintra), bastava que o PSD tivesse escolhido esses candidatos independentes como seus candidatos para que a noite eleitoral não fosse tão dura. E isso foi possível e em alguns casos foi até rejeitado pelo próprio partido. O mesmo aconteceu com o PS em Matosinhos e seguramente noutros locais.

Por isso o que me parece mais significativo destas eleições é exactamente a enorme importância pessoal e intransmissível do candidato. E isso vai alterar a forma como os partidos tomam as suas decisões.

Numa forma como nunca se viu são os partidos que irão atrás dos seus candidatos e não os candidatos a escolher os partidos por quem concorrem. Isto é uma alteração relevante que me parece que terá consequências na forma como os partidos deverão ver, pelo menos, estas eleições no futuro.

Resta saber se esta tendência que me parece irreversível é boa ou má para a nossa democracia. Se significar mudança na forma como funcionam os partidos, então valeu a pena. Se criar Caciques por tudo o que é sitio será uma pena. Mas aguardemos os próximos desenvolvimentos.

Parabéns ao Porto


Dissesse eu agora o que dissesse, seria chover no molhado.
Penso que o Porto ontem se engrandeceu.

Parabéns ao Porto! Parabéns à coragem e frontalidade do Rui Moreira e de quantos se levantaram e ‘encostaram a barriga ao balcão’. Parabéns a uma campanha digna e séria que honra a cidade  e que honra o Norte . A minha vénia e respeito aos derrotados que souberam aceitar democraticamente a decisão dos portuenses.

Agora é trabalhar pelo Porto e pela Região.

Rui Moreira

A vitória de Rui Moreira é sem sombra de dúvida uma vitória dele, pessoal e intransmissível. Claro que também o contributo de todos os que o acompanharam e conseguiram montar uma campanha digna e que ao nível de marketing político pode e deve ser analisada.

Espero sinceramente que seja um grande presidente da câmara do Porto, que una a cidade, una as suas gentes e as chamadas forças vivas.

O Porto é mais do que um simples concelho, uma simples cidade. Tem que ser o motor de toda a região norte, e estou certo que Rui Moreira assim o entende pois foram várias as vezes que defendeu os interesses estratégicos da região como o aeroporto ou o porto de Leixões.

No fim de um acto eleitoral são horas de guardar as armas e partir para o trabalho.


Parabéns a Rui Moreira II

Estou como o JAC.

Tendo outras ideias, pugnado por elas, não quero deixar de dizer que RM está de parabéns.

RM tem agora a oportunidade de "guiar" o Porto nos próximos anos.

Foi assim que os Portuenses decidiram.

Sorte e bom trabalho a RM! A bem do Porto!

Parabéns ainda ao Carlos Furtado pelo resultado feliz nas campanhas que, profissionalmente, dirigiu!

E, em especial, ao CDS que cresceu.

Podem dizer que foi pouco, mas foi muito importante, em tema importante, ainda para mais nesta fase. Quanto a Presidentes de CM, o CDS de bicicleta já nem cabe num táxi! O caminho é continuar a somar e assim será!


Que se passou no Porto?

Rui Moreira, na hora da sua eleição, desafiou os partidos a tentarem perceber o que se sucedera na nossa cidade.

Ao longo da noite ficou claro que nenhum partido, tal como a comunicação social e seus professores de serviço, o entenderam.

Em Sintra, o PS, pelo seu actual e patético porta voz, já declarou que o fenómeno não é para entender, mas tão só para abater.

Continuemem lá a enterrarem-se nas vossas aberrantes vitórias (hoje já constitucionais), que nós vamos seguindo em frente com a nossa autêntica bitória.

domingo, setembro 29, 2013

Parabéns ao Rui Moreira

Quero dar os meus sinceros parabéns ao Rui Moreira.  E mais do que os parabéns, quero desejar felicidades para este novo desafio. A minha escolha era outra, e só espero ter-me enganado. O Porto dos últimos anos não resistirá aos próximos. Espero que isto mude rapidamente, e que em breve nos tenhamos esquecido de Rui Rio.

Como diz o Pena, a bem da Nação!

sexta-feira, setembro 27, 2013

Porto, Nosso Partido

Neste momento torna-se difícil escrever sobre as autárquicas acrescentando algo de novo. Mas não posso deixar de o fazer por uma questão de consciência.

Há muitos anos que não acreditava tanto num projecto como o que o Rui Moreira nos propõe. E porque acredito que a cidade tem muito a ganhar com a sua eleição para presidente, quero apelar mais uma vez aos eleitores da Invicta para que não deixem de fazer parte deste momento histórico para a nossa democracia.

Queria relembrar algumas das propostas exequíveis do Rui Moreira para a cidade:

-Seguir uma linha de respeito pelos dinheiros públicos. Utilizando o que é de todos em benefício de todos.

-2 milhões de euros anuais para um fundo de solidariedade às famílias mais vulneráveis. Urgente e imprescindível nos tempos que correm.

-Continuar a reabilitação dos bairros sociais. Do meu ponto de vista a única obra que deixa marca dos mandatos de Rui Rio.

-Gestão inteligente dos manuais escolares. Cedendo livros às escolas e sendo elas a gerir a sua distribuição pelos mais carenciados.

-Reabilitar o Mercado do Bolhão. Mantendo a traça e os comerciantes actuais, mas criando residências universitárias e espaços culturais.

-Centro de Congressos no Palácio de Cristal. A cidade precisa urgentemente de uma sala para grandes eventos internacionais.

-Aumentar a rede de Metro. Candidatar aos fundos comunitários a construção da Linha Ocidental, ligando Aldoar até S.Bento. Um projecto do mais elementar bom senso.

-Utilizar a cultura como factor de desenvolvimento. Criando o Teatro Municipal do Porto no Rivoli, e abrido-o a todos os agentes culturais da cidade.


Estas são apenas algumas das ideias que podem ser postas em prática imediatamente, sem megalomanias e sem enganar os eleitores.

Está nas vossas mãos pôr a cruz no sítio certo.

quinta-feira, setembro 26, 2013

Até ao lavar dos cestos


Foi divulgada uma sondagem que aponta para Rui Moreira como beneficiando de mais intenções de voto que qualquer dos outros candidatos à Câmara do Porto.

Não confio em sondagens, embora não possa esconder o calor que esta me traz ao peito.

Sondagens são pequenos universos e intenções de agora podem não ser as intenções de daqui a bocado. É no Domingo que cada eleitor vai exprimir definitivamente a sua decisão e será lá para o fim da tarde que se fazem as contas.

Quando na minha juventude me inscrevi num curso de paraquedismo, aprendi que era sobretudo no momento de aterrar que mais força se tinha de fazer nos cabos do lado de onde soprava o vento. Naquela época os páraquedas eram uma espécie de cogumelos pesadões e nada tinham a ver com os de agora em que basta puxar uma cordita para a asa dar meia volta e tu pousares como um passarinho. Mal me atirava do avião e a ‘mochila’ se abria, aplicava toda a minha fraca força muscular pensando prevenir uma secante a um poste de alta tensão ou uma tangente a uma árvore distante. Ora a coisa tem o seu tempo e se não doseias o esforço em função disso, quando mais precisas dele é quando te vai falhar. E catrapuz: alombas com os joelhos na pedra e vais de arrasto a coçar o costado. À conta disso ganhei um brevet, é certo, mais uma série de nódoas negras a medalharem-me o corpo.

Hoje, amanhã e depois ainda vai soprar o vento. A ‘aterragem’ no firme ainda não aconteceu mas é precisamente nestas últimas horas que mais força se tem de despender. Não larguem os cabos. Mantê-los caçados pois vêm aí a últimas e mais traiçoeiras rabanadas.  A vitória do Rui Moreira está ao alcance mas ainda não é. O Porto não pode perder. Voto a voto, taco a taco, aguenta, aguenta, puxa, sim dói, ainda não, espera, fala, telefona, acompanha, leva, participa, vem connosco, vamos a isto. Ah carago! Até Domingo, à noitinha.

quarta-feira, setembro 25, 2013

Rui Moreira, porquê?


Chegado às portas da refrega eleitoral do próximo Domingo, suscitam-se algumas dúvidas que, de forma sibilina, nos inquietam. Por formação, por princípio e quanto mais não fosse, por bom senso, não poderia deixar de ser um defensor, embora desiludido, da democracia de partidos. Subscrevo, integralmente, a vulgataChurchilliana de que é, realmente, o pior dos sistemas com excepção de todos os outros.
Confesso, porém, que estranho não me ter suscitado qualquer dúvida a adesão, sem rede, ab initio e quase instintiva, a uma candidatura desenquadrada da lógica de partidos. Dei o Porto ao manifesto. Contudo, como não poderia deixar de saudar a oportunidade, ímpar, que é dada aos portuenses de suscitar algo novo no horizonte político-regional e nacional como, de resto, foi sendo apanágio da cidade ao longo da sua milenar história.
 O nosso partido é o Porto – é mais que um mero movimento de cidadãos. É uma candidatura, um projecto, que surge e se impõe como uma reacção mas, sobretudo, que se assume pelo seu valor intrínseco.
Como reacção, porque se insurge contra a degenerescência da partidocracia, contra tudo o que há de expediente difuso e ilegítimo, que manieta e deixa cativo o sistema político. Contra um modus operandi, contra um simples estaronde a virtude não se revê, mas se indigna. E é muito mais do que um fenómeno de caciquismo ou de controleiros, é todo um programa de assalto ao poder que anquilosou a sociedade, a economia, e que minou os pilares do nosso estado de direito.Não se sobe num aparelho partidário com o objectivo de servir – já seria pedir demais -  ou para governar e exercer o poder por ele próprio, sobe-se para alcançar o poder. E não há qualquer outro meta-objectivo que motive a sua manutenção que não a sua própria conservação. É uma serpente que, autofagicamente, se devora, com uma força centrífuga viciosa que inquina quem se lhe aproxima e que afasta os que se lhe opõem.
É contra este modo de estar que surge o nosso partido é o PortoPorque não se pretende substituir aos partidos, mas impondo-se-lhes, os obrigue a mudar. Há aqui, claramente, uma militância cívica que pretende dizer basta!
Mas se já valeria a pena um movimento com tal objectivo, ele transcende –o, largamente. A candidatura de Rui Moreira não surge só para resgate de uma cidade que poderá ficar sitiada mas porque tem um projecto sério, consistente e credível, para os portuenses.
Este movimento, atento o estado de necessidade em que os poderes públicos se encontram, sejam os locais ou centrais, assumiu-se como é, sem rodriguinhos, sem panaceias: um conjunto de cidadãos do Porto que se sobressaltaram e encontraram o rosto, o perfil, o carácter que personifica os valores que os unem: Rui Moreira. O candidato do nosso partido é o Porto, sem escamotear símbolos, deseja promover o melhor que a cidade tem, da forma mais sustentável possível. Sem iludir.Um homem da cidade, que aí cresceu, que aí vive, que conhece o Porto porque o palmilhou. Que sabe de cor o nome das ruas, dos becos, dos lugares com memória e daqueles que só agora a começam a ter. Alguém que vibra com as instituições da cidade, que sempre pensou o Porto, pelo Porto, seja na sua dedicação ao senado da cidade, a Bolsa, seja como interveniente privilegiado no debate e nos estudos que promoveu sobre as condições de mobilidade e transportes na área metropolitana e no norte, através dos seus altos contributos relativos às ligações das linhas de comboio à Galiza, o aeroporto Francisco Sá Carneiro, o porto de Leixões, o TGV. Não pretende a tribuna camarária para fazer currículo partidário, mas para dar de si o melhor, e resgatar o Porto, invicto, das teias que desde a capital forçam o país aos interesses políticos do momento. Nesta candidatura há memória, há passado, há o gosto genuíno, bairrista, pelos símbolos da cidade, dos que estão nos livros e daqueles que estarão. Porque só quem sente o Porto, adivinhará os seus desígnios e as suas necessidades. De facto, Rui Moreira não precisou de atravessar o rio!  
Mas também há mundo. Como, aliás, é penhor, todo o passado das suasintervenções cívicas. Adivinha-se que, com ele, o Porto não se limita ao espaço urbano que vai desde a circunvalação ao Rio Douro. Pelo contrário, a candidatura propõe uma cidade bem organizada, endogenamente, para se poder voltar para fora.Seguramente, Rui Moreira ostentará o exercício de um múnus urbi et orbi.
para estruturar uma cidade sadia, as suas propostas jamais poderiam escolher o caminho dos projectos grandiloquentes. Coesão e inovação social, reabilitação urbana, designadamente da Baixa, protecção do comércio tradicional (programa Mercator), promoção da reindustrialização dentro de muros, criação de interfaces das várias valências/clusters económicos da cidade, valorização da Cultura, entre outros incontáveis projectos que, seguramente, mais do que eficazes são também exequíveis e financeiramente sustentáveis. Porque num tempo de escassez de recursos há que prioritarizar, protocolar procedimentos e fazer escolhas. E, para isso, é preciso que as decisões sejam eficazes e que aportem um elevado grau de produtividade às soluções preconizadas. E essa é a marca Porto. Fazer das fraquezas, forças, fazer das tripas, coração. E tal só será possível com um governo sério, responsável. Mais do que um soundbyte é uma necessidade: ter contas à moda do Porto.
É por isso que o voto em Rui Moreira é um voto de cidadania activa, militante e responsável. Não nos iludamos, como alerta Régio: "Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces (Ninguém me diga: "vem por aqui"!(…)porque I am the master of my fate; I am the captain of my soul (Invictus, de William Ernest Henley). Porque foi esta cidade, onde nasci, que me ensinou o valor da Liberdade!

Uma questão de carácter II

Manuel Serrão, um labrego que envergonha as gentes do Norte, não tem o mínimo pudor em utilizar o JN para fazer campanha por Menezes. Estranho não haver ninguém que tome medidas que ponham fim ao exagero de semana a semana um opinadeiro sem ética fazer do jornal um folheto de campanha. Estou convencido que Rui Moreira vai ganhar não pelos apoios que tem, mas pelas suas ideias. Estou convencido que Rui Moreira vão mudar a cidade de uma forma inteligente. Estou convencido que o tempo dos abrutalhados que falam em nome do Norte, chegou ao fim.

terça-feira, setembro 24, 2013

Felizmente há quem o tenha!


Houve um político americano que durante a refrega eleitoral chamou a atenção dos seus concidadãos para o facto de a escolha em causa não ser apenas sobre programas mas também dever ter em conta o carácter dos candidatos em liça. Eu penso que essa afirmação era justa.

O nosso Alexandre Herculano escreveu o seguinte sobre o Porto, no seu 2° volume das lendas e Narrativas:

“ ...não o julgueis antes de o tratar familiarmente. Não façais cabedal de certo modo áspero e rude que lhe haveis de notar; trazei-o à prova, e achar-lhe-eis um coração bom, generoso e leal. Rudeza e virtude são muitas vezes companheiras, e entre nós, degenerados netos do velho Portugal, talvez seja ele quem guarde ainda maior porção da desbaratada herança do antigo carácter português no que tinha bom, que era muito, e no que tinha mau, que não passava de algumas demasias de orgulho”.

Vale por isso a pena reflectir uns instantes sobre o carácter de cada um dos candidatos que nos convidam a dar-lhes a nossa confiança para gerirem os destinos do nosso concelho e da nossa cidade. Tenho a ousadia de pensar que nos é legítimo exigir a cada um deles aquilo a que os franceses chamam “droiture” e que define alguém cujos valores de honestidade, de lealdade, de sinceridade e de rectidão nos permite acreditar na pessoa e nos leva a entregar-lhe as chaves da cidade.

É uma questão de carácter! Há quem o tenha e há quem não o tenha. E, como dizia Herculano, quem o tem mantém o que de muito bom havia. E eu atrever-me-ia a acrescentar que mesmo a demasia de orgulho é, neste caso, neste Domingo, um “mal” que vem por bem. Confesso essa ponta de orgulho de ser tripeiro e é por isso que voto Moreira. Por uma questão de carácter. Sim, também.

 

O pequeno sobressalto do Verão

Excerto do Público de 23 setembro 2013 acerca do artigo do Wall Street Journal sobre Portugal e a aparente incapacidade do país em voltar aos mercados para se financiar autonomamente:
O jornal (WSJ) atribui parte da culpa à crise política de Junho, quando o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, apresentou a sua demissão, e logo a seguir, pondo em causa a sobrevivência da coligação, Paulo Portas decidiu seguir o mesmo caminho. "O timing não podia ter sido o pior", salienta o jornal, e os estragos fizeram notar-se na confiança dos investidores, que caiu abruptamente.

Ainda estamos a aguardar o tão afamado guião para a reforma do Estado. Era para ser em fevereiro, abril, maio, junho, julho, ....

quarta-feira, setembro 18, 2013

Falar claro


Rui Moreira, candidato à presidência da Câmara do Porto, afirma estar convencido que vai ganhar essas eleições. Mas afirma igualmente nessa entrevista dada ontem à Rádio Renascença (veja-se resumo aqui ) que se não vencer assumirá as funções de vereador.

Alguém sabe dizer se algum dos outros candidatos que afirma ir ganhar essas eleições já clarificou que, em caso de derrota, aceitará ficar como vereador?

terça-feira, setembro 10, 2013

Onde está o nó górdio?


O Tribunal Constitucional satisfez quantos consideravam que a limitação de mandatos era apenas de cariz territorial. Para tanto, baseou-se no respeitável princípio jurídico de que as restrições devem ser interpretadas restritivamente. O Tribunal Constitucional não decidiu como eu pensava que decidiria e devo, portanto, reconhecê-lo abertamente.

Não alegou razões históricas na feitura da lei em causa, nem chamou de amnésicos ou de ignorantes aos que entendiam tratar-se de uma limitação funcional. E muito menos considerou que as dúvidas existentes eram uma subtileza inventada por uns mal-intencionados, fossem eles um núcleo de pessoas ligadas ao PSD ou ao CDS do Porto. Pelo contrário, admitiu que as dúvidas eram legítimas porque a lei fora redigida com pouca clareza e os seus autores se haviam negado a clarificá-la. Um dos juízes declarou um voto de vencido.

Apesar de dever inclinar-me face à decisão do TC, mantenho o ponto de vista de que, assim sendo, mais valia não terem feito lei nenhuma, pois, como bem diz Rui Rio, o resultado é um carrocel indigno e inútil.

Entretanto vieram a terreiro personalidades de vários quadrantes pedir que o Parlamento volte a discutir a matéria. Se tal acontecer, eu diria que mais importante do que pretender garantir a renovação dos autarcas através da imposição de pausas sabáticas, seria instituir o salutar e transparente princípio já aqui defendido pelo Francisco Rangel da Fonseca de que o candidato tem de ter residência no círculo, concelho ou freguesia em que se apresenta ao eleitorado. Isso sim me parece uma regra sã.
 
Custa-me a compreender que, por exemplo, alguém que, mantendo sempre a sua residência em Lisboa, seja intermitentemente cabeça de lista pelo circulo do Porto, cabeça de lista pelo circulo de Braga, candidato pelo circulo de Lisboa, e se apresente ainda às eleições autárquicas pelo concelho de Odemira. Entendo, mal ou bem, que essa itinerância, mais a mais com base num sistema eleitoral esclerosado e partidocrático como o que ainda vigora, é uma indecência a que se deve pôr termo.

 

domingo, setembro 08, 2013

Outros aspectos da nossa cultura (sim, porque os galegos são nossos primos)


Aspectos da nossa cultura

Mão amiga fez chegar à minha "inbox" um belíssimo documentário sobre o mosteiro dos Jerónimos que, segundo o autor, Claude Champmartim, tem um dos mais belos claustros de mundo.
Acompanhava-o o também belo Ave Verum do Requiem de Mozart.
Comecei assim o dia regalando os olhos e os ouvidos.

O que me pôs também a meditar:
- quando tivemos especiarias do oriente, fez-se o mosteiro
- quando tivemos ouro do Brasil, fez-se o convento de Mafra
- quando tivemos subsídios da Europa, fez-se o CCB
- quando o têxtil e calçado tiveram bons negócios, compraram o Ferrari
- quando tivemos o €uro, o pessoal comprou casa própria e popós dos grandes.

Enfim, pobrezinhos mas sempre em bicos de pé.
Investir? Criar riqueza? Isso já não é nada connosco.
Viva pois o consumo que, isto sim, é que é a nossa cultura! E em grande!

Mas que o raio do mosteiro é mesmo bonito, lá isso é...

sexta-feira, setembro 06, 2013

Pau de cabinda...

Em deliberação tomada hoje, dia 5 de setembro de 2013, o Tribunal
Constitucional decidiu que as dúvidas de interpretação suscitadas pela
redacção do n.º 1 do art.º 1.º da Lei n.º 46/2005, de 29 de agosto (limites
à renovação sucessiva de mandatos dos presidentes dos órgãos executivos
das autarquias locais) deverão ser resolvidas no sentido segundo o qual o
limite em causa é territorial, impedindo a eleição do mesmo candidato para
um quarto mandato consecutivo na mesma autarquia.
A decisão foi tomada no julgamento do recurso eleitoral que deu
entrada no Tribunal em 1º lugar (Processo n.º 765/13) em que é
recorrente o Bloco de Esquerda B.E. e recorrido Luís Filipe Menezes
Lopes.

Alguns grandes juristas incluindo aquele que a perfilhou defenderam o contrário.

Por muitos houve uma certa tendência, nada salutar nem democrática, de impedir o funcionamento da democracia. Até uma certa ânsia de impedir a ida de alguns a votos...

Não me espanta assistir a tais comportamentos por parte do BE.

Mas já me espanta esta tendência em pessoas que nada têm a haver com o BE. Pode ser que agora lhes regresse o espirito democrata.

O TC deu razão a Seara e a Luis Filipe Menezes, sendo, obviamente, esta decisão uma grande vitória destas para estas candidaturas.

Agora sim, venha a campanha, a politica e os eleitores que decidam.

Parece-me que se fez justiça e boa justiça!

A bem da Nação... 

...e pau de Cabinda, não há?


Desta vez tenho que discordar do meu amigo BLX.

Luís Filipe Menezes não prometeu nada que não possa concretizar, senão vejamos:

 
- Pôr os miúdos a aprender mandarim.

- Pôr esses mesmos miúdos a irem à ópera uma vez por mês.

- Pagar os livros escolares a todos os alunos do 1º e 2º ciclo.

- Saúde oral garantida nas escolas e bairros sociais.

- Vacinação gratuita.

- Fazer um túnel da Foz até Afurada.

- Mais 3 pontes que se pagam a elas mesmo (palavras do próprio).

- Pagar 3 a 5 milhões de Euros para  o Woody Allen fazer um filme no Porto.

- Prometeu a Pinto da Costa que todos os turistas que visitem o Porto terão um bilhete pago pela câmara para um jogo no estádio do Dragão.

- Mega-festa na Avenida dos Aliados com artistas estrangeiros para festejar os 100 anos de Manuel de Oliveira (ninguém lhe perguntou nada).

- Criar o melhor prémio de arquitectura do Mundo.

- Trazer novamente a Red Bull Air Race para o Porto (que por acaso já acabou, mas os jornalistas tiveram a gentileza de não o confrontar com isso).

- Fazer a Universidade do Cinema no antigo cinema Batalha (que é privado), e emprestá-lo ao Fantasporto (curioso).

 
Eu sei que me estou a esquecer de algumas promessas de grande qualidade, mas fica para outra altura.

Importa lembrar o que tem dito Rui Moreira nas visitas que tem feito: Nesto momento não posso prometer nada, para já estou a ouvir-vos.        

 

quinta-feira, setembro 05, 2013

UMA COISA É UMA COISA OUTRA COISA É OUTRA COISA



Por muito que custe aos spin doctors menesistas, Rui Moreira não é uma cópia, um sucedâneo ou uma marioneta de Rui Rio. Salta à vista que não perde para Rio em qualquer critério pessoal, cultural, político ou profissional que se queira analisar e é por isso que vai ganhar a Câmara do Porto.

As qualidades intelectuais e pessoais de Rui Moreira, bem como o seu equilíbrio e visão, comparam bem com uma certa crispação e algum paroquialismo de que sofria Rui Rio, que contribuíram para limitar, em maior ou menor medida, a afirmação e desenvolvimento do Porto nos últimos anos. Não tenho dúvida de que Rui Moreira vai fazer mais e melhor do que Rio, sem perder de vista os aspectos positivos da sua gestão.

A verdade é que Rui Moreira merece o voto daqueles que, por qualquer motivo ou até sem nenhum, não suportam Rui Rio (e eu conheço muitos destes eleitores), desde logo porque os defeitos apontados à gestão de Rui Rio não se ultrapassam ou sanam com o seu reverso, Luís Filipe Meneses.

Surpreende-me como é que pessoas inteligentes e sensatas, algumas que muito prezo, consideram que é com Meneses que o Porto vai inverter a decadência e subscrevem tranquilamente a torrente de propostas meias estrambólicas ou impossíveis de concretizar, no actual contexto ou noutro qualquer, que quasi diariamente são anunciadas.
 
Confundem o concurso de ideias que Meneses joga permanentemente consigo próprio com visão estratégica para a cidade. Estão errados. Não é de Luís Filipe Menezes que o Porto precisa nesta hora, pese embora algum voluntarismo simpático e até bem intencionado que se queira reconhecer-lhe. O que faz falta ao Porto é bom senso, respeitabilidade, competência, estratégia, rigor, liderança, serenidade, independência, cultura e capacidade de compreensão da realidade. Faz-nos falta Rui Moreira.

Até posso tentar entender aqueles que apoiam Meneses por estarem desesperados com o estado a que chegou a cidade, mas não posso aceitar que se rendam e percam o critério. Eu não me rendo nem desespero, pelo Porto apoio Rui Moreira.

quarta-feira, setembro 04, 2013

A espada de Dâmocles


O PSD vai realizar uma dita Convenção autárquica em Gaia.

É compreensível. As sondagens apontam para uma derrota do seu candidato a Gaia. Lisboa também já foi ao ar e resta-lhes o Porto, onde o andar da carruagem é mais periclitante do que o esperado.  

É igualmente uma esperteza. O Tribunal Constitucional deve divulgar ainda esta semana o seu acordão sobre a limitação de mandatos e assim os fregueses do ‘Dr.’ Relvas terão oportunidade de se abraçarem uns aos outros, felicitando-se por uma pré-vitória de Pirro do candidato governamental à Câmara do Porto, ou buscando-se consolo por mais um “desfasamento da realidade concreta” dos juízes do palácio Raton.
(entretanto fiquei a saber que também existem realidades abstractas...)

Mas esta decisão do ex-cônsul da Bielorússia de marcar para ao pé da sua porta a dita Convenção demonstra na verdade duas coisas:

Em primeiro lugar, demonstra que para o PSD a única vitória que neste momento não pode deixar escapar, o último reduto a defender perante o descalabro geral com que se vai confrontar a 29 de Setembro, é a Câmara do Porto. E por isso vai valer tudo.

Em segundo lugar, que todas as medidas são boas para aumentar a pressão sobre o Tribunal Constitucional no preciso momento em que o citado projecto de acordão já circula entre os juízes de turno.

terça-feira, setembro 03, 2013

Hotel Borges

Numa conversa de casa relembrei o Hotel Borges no Chiado. Dizem que foi renovado. Não sei, que não tenho ido por lá, mas a memória que guardo é a de um hotel bem velhinho, com quartos que pareciam salões, armários a roçar o tecto, antecâmara fornecida de sofá cama, e janelas altas revestidas a tecidos pesados em cores amareladas e um pouco lugubres mas que não conseguiam tapar o sol a atravessar as amplas vidraças das janelas viradas para a Rua Garrett, bem por cima dos toldos da Brasileira, e para o largo do Chiado. Do pequeno almoço não posso dizer bem, que era um terror, composto por croissants de pacote e pães tipo "molete", mas o mesmo não posso dizer do sumo de laranja, do café e da torrada, servidos mesmo ali ao lado, no café austríaco da Rua Anchieta, perto da Bertrand, e da vida portuguesa. Para quem ia a Lisboa trabalhar, e queria aproveitar o fim de tarde e o principio da noite para cirandar pelo coração de Lisboa, e descontrair sem preocupações com o regresso ao hotel, nem com a conta do dia seguinte, não havia como o Borges. Pelo menos, como o antigo. Agora, já não digo nada...