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segunda-feira, janeiro 26, 2015

"À espera dos bárbaros"


O que esperamos na ágora reunidos?
É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?
É que os bárbaros chegam hoje
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.
Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?
É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem ponto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.
Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos,
de ouro e prata finamente cravejados?
É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.
Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?
É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloquencias.
Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?
Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.
Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.
Konstantinos Kavafis (1863-1933)

sábado, março 01, 2014

Ucrânia - Crimeia


O que é uma urgência ?
Para a ONU é já: o Conselho de Segurança reune-se este Sábado, ou seja hoje.
Para a UE é “logo que seja”: o Conselho dos Ministros dos Negócios Estrangeiros reune-se na Segunda-feira.

É preciso dizer mais alguma coisa?

sexta-feira, janeiro 24, 2014

Verde e madura


O ministro Maduro foi ontem a Montalegre comer uns enchidos onde, entre um chouriço e um salpicão, falou para as Câmaras de televisão afirmando que os autarcas que se inquietam com a distribuição das verbas do novo Quadro Comunitário de Apoio 2014-2020 não conhecem a realidade.

Em primeiro lugar, conviria que o ministro mostrasse algum respeito institucional pela Câmara Municipal do Porto, visto que, em vez de “alguns autarcas”, o que já está em cima da mesa é uma resolução aprovada pela vereação da Câmara do Porto, que teve, aliás, o voto favorável de certos eleitos pelo partido do Sr. Maduro. Com aquela sua displicência e desenvoltura, o que o Sr. ministro demonstrou é que politicamente está um pouco verde.

Em segundo lugar, não ouvi o ministro negar que uma versão do Acordo de Parceria teria sido rejeitada por Bruxelas por não acautelar os mecanismos de promoção de coesão territorial e de valorização das regiões de convergência, nomeadamente da Região Norte.

Em terceiro lugar, o ministro Maduro se pensa sinceramente que não há razões para inquietações a Norte deveria imediatamente disponibilizar todos os documentos sobre a matéria e sobre o processo e envolver todos os interessados na preparação da proposta. Ora, como se sabe, tanto o ministro como o seu ajudante Castro Almeida insistem em manter a opacidade das negociações e em se esconderem atrás de subterfúgios formais para cozinharem nos seus gabinetes o que as suas iluminadas inteligências consideram adequado.

Contrariamente ao que afirma o ministro em tirocínio para outros postos internacionais, as gentes do Norte conhecem muito bem a realidade dos centralistas e respectivos sequazes. Fez muito bem a Câmara do Porto em assinalar que não está ali para ser mais um figurante desses figurões. Saiba o Sr. ministro que não apreciamos fruta verde mas que também sabemos que a fruta fica pôdre depois de madura.

terça-feira, junho 05, 2012

Bonds, not James...


Os (agora) chamados ‘project bonds’ são uma farsa pobre.
Em primeiro lugar, não têm novidade nenhuma pois nada impede um dado consórcio de emitir obrigações para financiar a execução de um projecto. Aliás, já há o BEI e o BERD.

Em segundo lugar, reflectem uma vez mais a ideia gasta de que com mais uma auto-estrada ou um comboio que ande a 200 à hora a Europa cresce e o desemprego diminui. Como diria a Ferreira Leite, talvez o desemprego de ucranianos ou moldavos e o que crescerá sem dúvida é a dívida.

Em terceiro lugar, a crise económica, financeira e bancária que nos assola não se resolve com outro túnel sob a Mancha ou uma ponte entre Roma e Marselha. O que é necessário é uma política, não são uns tiros avulsos.
Em quarto lugar, ninguém explica quem e como se decide que projectos merecem ser assim financiados: a triste experiência diz-nos que são os centralistas a nível europeu e os seus arautos locais que têm a exclusiva sabedoria de saber onde importa investir, o que normalmente ocorre à porta deles.

Em quinto lugar, a gente compreende que a indústria francesa ou alemã ou italiana gostaria bem de encontrar uns tolos que lhe escoem os stocks de carruagens ou de candeeiros ou de cimento e que depois lhes fiquem prisioneiros por décadas por razões de manutenção e de peças sobressalentes. ‘Obrigadinho, mas bata na porta ao lado’.

Os proponentes de ‘project bonds’ são os vendedores reciclados de enciclopédias que têm bonecos e tudo. Quem avisa, amigo é.

sexta-feira, junho 01, 2012

bratach na hÉireann

Daqui a duas horas deve haver notícias mais definitivas sobre os resultados do referendo irlandês sobre o chamado “Pacto Orçamental”.
Às 14.47h só faltava contar os votos de 4 circunscrições (há 43).
Do contado àquela hora, concluia-se que a abstenção rondaria os 50% e dos votos expressos 60% serão a favor e 40% contra o tratado.

Dir-se-ia que nunca a participação foi tão baixa. Há um perfume de desistência, de rendição neste voto, um voto sem entusiasmo e mais resignado que aderente.  
Quando se forçam os povos desta maneira, o resultado a prazo não pode ser bom. A Europa vai de vitória em vitória até ao desastre final. Nem podia ser de outra maneira, quando se promove e espalha o medo do medo.

sexta-feira, maio 11, 2012

'Ninguém pode partir , nós é que podemos expulsar'


E se a Grécia sair do euro e isso se revelar um sucesso para a própria Grécia?
Os políticos alemães que agora admitem abertamente que se a Grécia for embora daí não vem mal ao mundo do euro serão os mesmos que, nessa situação, tudo farão para que os gregos amarguem duramente e longamente e sirvam de exemplo aos que tenham a veleidade de partir.

O maior risco que corre o euro nesta fase não é, a meu ver, que este ou aquele membro se separe. O maior risco é que, em tal acontecendo, essa ida se transforme a curto prazo (3 a 5 anos) numa história de sucesso. Sucesso nesse caso significa não apenas voltar a crescer mas voltar a crescer mais que os países da zona euro. É esse o medo escondido, silencioso e perverso que pesa entre as palavras das falsas alternativas que são afinal falsas distrações.