quarta-feira, novembro 30, 2011

ADEUS CONJURADOS

Começo por dizer que não sei qual é a alternativa mas o certo é que Portugal chegou a um ponto em que o Estado tem de asfixiar os cidadãos e as empresas para sobreviver: não reduz efectivamente a despesa, cria uma carga fiscal suicidária e não paga as suas dívidas.
Pode ser que o Estado julgue que assim se vai restaurar mas os cidadãos e as empresas empobrecerão seguramente e deixará de haver alguém para exaurir.
Bom, resta-nos aproveitar, com pesar, a última comemoração do 1º de Dezembro, feriado que parece que vai ser extinto, e, na verdade, que sentido faz hoje falar em restauração da independência quando já não a temos? Espero que ainda venhamos a ter um dia outra Restauração, e que eu cá esteja para a ver, mas com toda a probabilidade não calhará num 1º de Dezembro.

sexta-feira, novembro 25, 2011

25 de Novembro


Quando temos que aturar indignados de pacotilha, vale sempre a pena recordar quem tinha razão para estar indignado com o rumo do país.

Já não há pachorra (parte XXXIIV)

Ontem ouvi na televisão uma indignada, em frente da Assembeia da República, a dizer mais ou menos isto:

Os políticos que estão lá dentro têm que saber que os indignados estão em maioria, e que exigimos uma democracia verdadeira e diferente.

Ora bem... não sei quantos estavam em frente à Assembleia, talvez uns 20.000 (pra ser amigo), mais uns milhares avulsos por umas manifestações.

Mas sei quantos votaram nos políticos que estão lá dentro.

2.159.742 no PSD
1.568.168 no PS
653.987 no CDS
441.852 no PCP
288.973 no BE

Creio que não é preciso dizer mais nada.
Última reflexão do dia. Há muitos indignos no meio de tão poucos indignados.

quinta-feira, novembro 24, 2011

Para este a estupidez não fez greve!

Está um palermoide no Porto Canal, chamado Ricardo Sá Ferreira, com a teoria cabotina da "caridadezinha", a criticar as IPSS's por serem maioritáriamente da Igreja Católica e a acusar o Estado de, ao ajudar as IPSS's, estar a ajudar a evangelização iníqua do catolicismo aos mais desfavorecidos!


Também choca o imbecil professor que o Ministro Pedro Mota Soares exiga metas escolares aos filhos dos beneficiários do RSI! De facto, se não patrocinarmos a iliteracia e a ignorância, onde irá parar a esquerda a que o professor Sá Ferreira não disfarça pertencer?


Apesar de magro, o professor Sá Ferreira ainda tem cara suficiente para um bom par de chapadas. Dadas pelo papá, claro.

"Direito" à greve?

Muitos dos que amanha fazem greve são aqueles que elegeram José Sócrates como primeiro-ministro e que, portanto, são co-responsaveis pelo estado do país... Agora protestam mas deviam era ter pensado nisso quando votaram nele... Ou já se esqueceram?

quarta-feira, novembro 23, 2011

Greve Geral v Greve da Função Pública

Amanhã esteja atento e tente descobrir as diferenças.

Atenção, dizer que contou com reformados da segurança social, a que tanto ugt como cgtp têm feito insistentes apelos, não vale, a não ser que me expliquem a que fizeram greve.

Já não há pachorra

Por amor de Deus, alguém arranje maneira de mostrar o ridículo a este senhor.

Adenda - Passos Coelho esteve bem quando lembrou a Mário Soares as medidas de austeridade que teve que aplicar quando era primeiro-ministro.

Finalmente uma boa notícia...e vinda da Madeira!

“Assembleia Regional alterou a definição de quorum e mudou o regimento. Nos plenários, os votos de cada partido serão contados como representando o universo do respectivo partido ou grupo parlamentar” (in o Público de hoje).

Com isto, a presença de um só deputado naquele parlamento regional passa a ser suficiente para que o seu partido veja todos os seus potenciais votos contados, mesmo que os restantes membros do seu grupo parlamentar estejam ausentes. Ou seja, bastará a presença, e o voto, de um paralamentar do PSD para lograr vencimento sobre toda a oposição presente no plenário.

Esta notícia sabe a música para os meus ouvidos. Não apenas por reconhecer a inutilidade dos deputados que excedam 1 por partido, mas sobretudo por este reconhecimento vir dos próprios políticos, o que considero um acto de coragem.

Só faltará acrescentar à decisão um pequeno pormenor, qual seja que os deputados passem a receber por senha de presença no plenário, em alternativa ao sistema de salário mensal (x14, pois claro).
Mas, como Roma e Pavia não se fizeram num dia, estou certo que este será o passo que, como corolário lógico, se lhe seguirá. Aliás agora apenas um pequeno passo, pois que para tanto bastará que um deputado do PSD se levante.

Espero ainda que o Sr. Ministro das Finanças esteja atento a esta notícia e que alguém a traduza para os Srs. Troikianos. Como espero que dela saibam tirar as inerentes ilações.

E viva a nossa democracia!

segunda-feira, novembro 21, 2011

Telenovela

Os ultimos tempos não foram muito dignificantes para a grande maioria dos envolvidos no processo RTP. Salvaram-se os demissionários que ao verem o caminho que a coisa seguia não quiseram participar. Se não vejamos: uma comissão nomeada, um ministro que na mesma altura pedia à rtp um plano de reestruturação, uma comissão que apresenta um relatório fraco e um ministro que desde logo diz que não se revê no relatório.

Sinceramente esperava mais da comissão mas o que eu definitivamente não esperava eram as afirmações feitas por João Duque no que toca a quem controla o quê.

A grande questão que fica por resolver é qual a definição de serviço público, apesar de serem muitas as teorias e de já existir alguma experiência e alguns estudos bem sustentados. Mas quando toca a ser "educador" a coisa pia fino.

No entanto tenho algumas certezas quanto a este assunto. Certezas minhas claro está.

- a RTP que sobrar após a privatização não deve ter publicidade comercial.
- faz sentido a RTP Informação continuar
- faz sentido a existência de uma RTP Internacional, deixando cair a RTP África
- não faz sentido a RTP Madeira e Açores enquanto canais regionais.
- a RTP Memória deveria continuar

quanto ao mais, diga-se funcionamento, pouco poderei dizer. Custa-me sempre acreditar que o poder politico pressiona, ou melhor, condiciona a informação da RTP. Retirei o pressiona pois com a dita pressão estão os jornalistas habituados. Desde as empresas de comunicação, clubes de futebol, associações, oposição ou governo todos são fontes de pressão. E não só com a televisão do estado, mas com todos os meios de comunicação social.

Haverá gorduras a cortar. Há com toda a certeza. Espero que o façam com racionalidade operacional, pensando no bem da empresa e do equilibrio nacional. Ou seja, que uma vez mais o peso de Lisboa e do seu centralismo não se faça sentir. A tentação é grande e já se sentiu nestes meses últimos. Mas pode ser que não avance mais.

Aguardemos pelo modelo que o ministro já tinha pensado. Nessa altura perceberemos o papel que cada um desempenhou.

NÃO SE DEU POR ELA

A surdina com que a comunicação social portuguesa noticiou os resultados das eleições em Espanha e a vitória esmagadora do Partido Popular até me levou a pensar que ontem só estava em causa alguma sondagem especial e que as eleições só ocorreriam no próximo Domingo. Estranho critério este. Se, ao invés, a Sra. Merkel não ganha umas eleições na Baixa Saxónia, isso é anunciado até nos programas desportivos, de manhã, à tarde e à noite. Parece que a Espanha tem menos interesse para nós.
Não se tratando obviamente de nenhum critério jornalístico ou da menor importância da informação, isto só pode dever-se a alguma birra ou amuo colectivo.

Mais uma vez...



Em Espanha, mais uma vez o PP é chamado a pôr o país em ordem depois da irresponsabilidade socialista.
Lá como cá, depois do trabalho feito, mais uma vez...

sexta-feira, novembro 18, 2011

confrangedor

Mantenho o apelo que fiz no Domingo:
Que alguém tenha a bondade de dizer a este senhor que está na altura de pôr as pantufas.

quarta-feira, novembro 16, 2011

Desnecessidades

O Ministro dos Negócios Estrangeiros anuncia o fecho de 7 embaixadas.
Confesso que não percebo os critérios mas, conhecendo do que a casa gasta, imagino que a coisa é feita em função de quem está ali ou acolá e de maneira nenhuma em consonância com uma estratégia de política externa, coisa que não há nem ninguém sabe o que é.

Se se fecham as embaixadas nos países bálticos, parceiros da União Europeia, porque não se encerram também, já agora, a de Chipre, a da Eslovénia e a da Bulgária. Fechar aquelas nas vésperas do regresso do bullying putinesco aos bálticos é uma inqualificável cobardia política.

Mas se a orientação é a alegada diplomacia económica, alguém me pode explicar o que é que rendem em negócios as embaixadas na Croácia, na Etiópia, no Irão, na Namíbia, no Vaticano, em Singapura e no Paquistão? Se o novo perfil de embaixador é simplesmente a de promover sapatos e tremoços, porque é que não se encerram imediatamente os 52 escritórios externos da AICEP?

Bem sei que o Qatar se propõe salvar o BCP, comprar a companhia de aviação EuroAtlantic, talvez ainda um dos grandes clubes de futebol, e mais não sei quantos outros saldos, mas é isso razão suficiente para lá pôr um embaixador residente? Já não há voos entre Riad e Doha? Pela mesma ordem de razões, podiam nomear um embaixador ad personam junto do Sr. Abramovich, que também tem dinheiro a rodos para nos comprar as Berlengas e nos importar palitos. Com sorte e algum empenho do Sr. Embaixador, talvez a Madeira lhe despachasse as Formigas e assim endireitasse as contas regionais.

Tantos meses a reflectirem e a estudarem para afinal virem com um anúncio pífio de que desligam uns míseros 7 contadores de luz, quando deviam ser pelo menos uns 17. Pelo menos, pois assim como quem nem quer a coisa eu até era menino para fechar as Necessidades todas: para a “política” que fazem, não há necessidade.



Barrar as barragens

Hoje, no Público, um artigo do Prof. João Joanaz de Melo que vale a pena ler:

“Muito se tem falado de outras obras faraónicas, como
o aeroporto de Lisboa, as auto-estradas ou os estádios.
Está na hora de o programa nacional de barragens ocupar
o lugar que lhe cabe no rol das fraudes cometidas
sobre os cidadãos portugueses em nome do “interesse
público”.

sexta-feira, novembro 11, 2011

A propósito do Congresso da Advocacia Portuguesa

O justo é um guia para o seu próximo
Provérbios 12:26

1. O tema do Congresso convocado pela Ordem dos Advogados, não poderia ser mais oportuno - A Reforma da Justiça. Há alguns aspectos, de princípio, que, penso, não deveriam ficar por debater.


2. No dealbar do séc. XXI, há um novo quadro de paradigmas que conforma a Justiça enquanto Princípio e enquanto Instituição. As comunidades jurídicas esforçam-se por se adaptar à voracidade dos constantes desafios, tentando reajustar-se o papel novo que a Advocacia deverá desempenhar na infra-estrutura, que é o aparelho da Justiça, relativamente à macroestrutura que é a sociedade hodierna.
Este movimento reformista – a nível internacional - insere-se no debate sobre as funções do próprio Estado que, enquanto forma de organização de comunidades políticas, tem vindo a ser desafiado. Há uma pulverização dos centros de poder e de decisão, pela incapacidade da comunidade política clássica -vinda desde Maquiavel- postular respostas aos novos problemas.
O diálogo entre os poderes Legislativo, Executivo e Judicial alterou-se, havendo uma clara judicialização do fenómeno político e uma politização do universo jurídico-institucional. A Justiça, enquanto parte desse tridente forjado no Espírito das Leis, tem vindo a ser convocada a novos papéis. Há, pois, uma bicefalia nesta crise da Justiça: como braço da autoridade do Estado (ele próprio questionado), e enquanto sistema funcional de resolução de litígios.
É pungente uma solução na relegitimação da Justiça enquanto Poder e enquanto Instituição. E é aqui que os Advogados são convocados a cumprirem a missão de criadores, insupríveis, do novo desenho de um sistema que dá sinais de colapso.
3. O sistema judicial português está anquilosado e refém de um modelo talhado para uma Justiça de outro tempo e outro tempo de Justiça. O mapa judiciário mantém-se, praticamente, inalterado desde o reinado de D. Maria II. O último ímpeto de reforma ocorreu nos anos trinta do século passado e, desde aí, não houve uma única alteração substancial. Houve sim, miríades de intervenções avulsas, que se revelaram verdadeiros placebos quando não venenos, como é penhor a reforma da Acção Executiva. Por outro lado, a impetuosidade legiferante do legislador testemunha a inexistência de um suporte estrutural sistémico adaptado às novas circunstâncias. Sendo o exemplo paradigmático da crise, a morosidade da Justiça. Esse sim o problema central do sistema e que toca de forma indelével a vida do cidadão comum.
Ora, a tudo isto a resposta do sistema judicial tem sido ineficaz, por inoperante. Desde logo porque as magistraturas e a Ordem dos Advogados -cujos figurinos permaneceram, praticamente, inalterados desde o Estado Novo, e tributários do modelo judiciário bonapartista- fecharam-se, não se repensando.
A resposta do sistema foi básica: aumentar o número de magistrados, de advogados, de Tribunais, demonstrando-se, estatisticamente (vide www.pordata.pt) que tal correspondeu a uma perda de celeridade processual (diminuição da taxa de eficácia dos Tribunais e aumento da taxa de congestão processual) e à degenerescência da qualidade da Justiça.
Haverá pois que repensar todo o sistema, sem pré-conceitos, com um espírito puro, como o de Sophia, num dia inicial inteiro e limpo, onde emergimos da noite e do silêncio e livres habitamos a substância do tempo.
4.A Advocacia – tal como o seu próprio radical – é pois, (ad vocare) chamada a desempenhar um papel angular neste repensar do sistema judicial, tornando-o apto à concretização dos Direitos Fundamentais da pessoa humana.
Porque a crise da Justiça é a crise dos seus agentes. E a reforma da Advocacia terá de ser integrada no âmbito das alterações às profissões forenses. Será todo um corpo que se soerguerá. Um tronco comum em que Juízes, Procuradores e Advogados, se relegitimam, aos olhos da comunidade, como faces de um rosto tripartido: uns restaurando a sua autoridade, outros o seu prestígio. O caminho terá, sempre, que passar pela “legitimação funcional” do múnus de cada uma das profissões forenses.
É um facto que o ponto de acesso ao sistema judicial radica nos Advogados que são, em número, o maior corpo dos operadores da Justiça. Donde, a forma como trabalham determina a forma como o próprio sistema funciona. Ora, e silogísticamente, os Advogados serão a pedra angular de um sistema judicial no séc. XXI. Daí a sua reforma determinar a das magistraturas. Premissa esta que obriga a Advocacia a ser inconformista, desafiando o status quo, mostrando-se proactiva nas escolhas programáticas que acolher.
Convirá, pois, afastar o labéu de que os Advogados são um antolho ou estorvo ao sistema, facto tantas vezes veiculado em surdina – nos corredores “surdos” dos Tribunais. Por parte da comunidade em geral e dos outros operadores judiciários, em particular, criou-se uma hostilidade, uma desconsideração pelo seu papel (insubstituível). O que é coadjuvado pela circunstância de, nós portugueses, sermos um povo à sombra do Estado - cerca de quatro milhões de cidadãos dele dependem - que dá mais importância aos cargos ligados ao Estado (visto como seguros) do que à prática liberal e privada, vista com desconfiança.
A Advocacia tem que fazer um esforço, sério, na sua formação e reciclagem, ao longo de todo o percurso profissional. A raison d’être, enquanto profissionais liberais, será a qualidade. Para tanto, a Ordem dos Advogados deverá ter uma palavra dentro das Escolas/Faculdades de Direito – veja-se o exemplo da Reforma do Sistema Judicial no Japão, que teve como pedra angular uma verdadeira revolução coperniciana, na forma como os advogados passaram a ser encarados. Donde, os cursos de Direito devem estar ligados ao foro, tal como a vulgata de as Universidades estarem ligadas às empresas. As teorias abstractas (essenciais, de resto) têm que ter concretizações reais. Dever-se-á fomentar a busca de soluções inspiradas pelo sentido de Justiça do bonus pater familias, em vez de serem um corolário de postulados hermenêuticos, necessariamente, densos e herméticos. Haverá que deixar cair preconceitos e romper, cum granu salis, com o Direito Continental abrindo as portas à tradição Anglo-saxónica, mais dúctil, versátil, e que respira melhor o ar dos tempos. A sociedade reivindica uma cidadania activa que necessita de um Direito que de forma simples (não simplista) seja mais facilmente apreensível.
Nos Tribunais desafie-se o princípio da recondução ao julgador de todo o protagonismo do processo judicial, rompendo-se com a tradição jacobina do direito Francês. O Advogado procurará uma posição pró activa no desenlace da lide. Todo o empenho será empregue no sublinhar dos princípios do dispositivo e da auto-responsabilização das partes. Pelo que esta jurisvidência pressupõe uma formação científica sólida e consistente.
Numa palavra, denota-se que o vector essencial da Reforma deveria passar por evidenciar o mérito.
E essa terá que ser a fonte inspiradora aonde deverá beber, também, a inadiável reforma das Magistraturas – porque, permita-se, aí a antiguidade ainda é um posto. E na articulação entre os profissionais do foro, impõe-se que os Tribunais superiores se abram e acolham esse valor. Razão pela qual todo o jurista de reconhecido mérito, seja advogado, académico ou procurador, poderá ter acesso à judicatura. A mensagem é clara: o rompimento com o corporativismo e o acolhimento da meritocracia como pressuposto de evolução nas carreiras judiciais.
O escopo da Reforma não poderá ser um serôdio interesse dos Advogados, mas antes o da Sociedade como um todo. E a autoridade da Reforma residirá no serviço aos cidadãos, não ao próprio sistema. Esta é a grande responsabilidade social da Advocacia portuguesa, enquanto profissão liberal, independente, de interesse e de serviço público, no início do novo milénio.

quinta-feira, novembro 10, 2011

Cresc iM EN T O

Uma das discussões, a que não se pode chamar debate, que me tem intrigado profundamente é a do crescimento, em torno da proposta de Orçamento de Estado (OE) do actual governo.

Anda por aí muita gente indignada que o OE vai produzir recessão. Evidentemente, senão não era de austeridade. Curiosamente, essa mesma gente não apresenta nenhuma alternativa. Limita-se a ser contra a austeridade do OE. Ah, e andam por aí uns poucos que dizem que é austeridade a mais, até encontram folgas, e vão por isso lutar por menos austeridade...

O que a mim me incomoda é que não se discuta se esta austeridade é boa e se é suficiente. Porque se for, então é seguramente a melhor estratégia para o crescimento futuro. Senão, então estamos todos lixados!

O que nunca se diz é que muitos dos países que hoje crescem muito, como o Brasil, só crescem porque tiveram programas de ajustamento como o nosso, a seu tempo, e sob a direcção do FMI, como nós. Sem esses programas não teria podido haver o milagre de Lula. No nosso caso, sem austeridade, sobretudo no Estado, não voltará a haver condições para crescer. E isso implica passarmos do défice, pelo menos do primário, do OE para uma situação de equilíbrio se não mesmo superavitária!!!

NOTA: eu sou funcionário público. Há anos que não sou aumentado, tirando o episódio socrático das eleições de 2009, quando já nos andavam a preparar a surpresa em que agora todos vivemos... Apanhei com os cortes de salário e subsídios deste ano. Vou apanhar com a redução do subsídio de Natal. Apanho com todas as subidas de impostos. Para o ano não vou ter nem subsídio de f'erias nem de Natal. Mas aguento. O que me incomoda é que ao mesmo tempo o Estado continua a comprar carros. Ainda não percebi onde é que o Estado vai poupar dinheiro, sem ser no meu bolso. Ainda não vejo os efeitos de qualquer reajustamento do Estado. E isso é que me poderá levar à revolta: é que quando não há moralidade, ou comem todos ou então... isto acaba mal.

CONFIANçA

Gerir a confiança, ou melhor, a falta dela, tem sido o maior desafio com que se tem deparado os países do euro. Todos falam da falta de capacidade das instituições do euro para lidar com a crise, mas ninguém fala da necessidade de gerir a falta de confiança dos investidores. E este é o principal problema com que nos deparamos. Senão vejamos.

A Europa decide, a muito custo, um programa de solução da crise. No dia seguinte o PM do país que mais beneficia dessa solução (perdoam-lhe metade da dívida e ainda o deixam ficar com a moeda forte!!! apesar de alguns preços de austeridade que lhe exigem em troca) decide, no pleno exercício da sua liberdade democraticamente adquirida, decide anunciar a realização de um referendo à aplicação desse pacote. Tinha o direito de o fazer, evidentemente, embora pelos vistos os seus compatriotas não concordassem com ele, a avaliar pelos resultados subsequentes.

O que não tinha o direito era de não ponderar as consequências da sua decisão para a CONFIANçA na economia. Confuso? Passo a explicar.

Vamos ser optimistas; digamos que a probalidade de vencer o sim era igual á da vitória do não. É uma taxa de risco de 50%. Você, caro leitor, estava disposto a investir com uma taxa de risco de 50%? Comprava a sua casita se a probabilidade da divida passar para o dobro fosse igual à de ela se manter igual à do momento da sua decisão?

Racionalmente só há uma resposta. Não. Por isso, os investidores desconfiaram que não havia CONFIANçA para esperar um mês pela decisão do Povo (grego, neste caso e não por acaso).

Ou seja: o principal problema da gestão da crise na Europa é não haver silêncio suficiente. E não há porque como não existe uma instituição central que fale por todos, cada um quando fala é tomado pelo todo. E daí a cacofonia a que temos assistido.

Nestas circunstâncias não há condições para haver CONFIANçA. E quando esta não existe, não se investe. E esse é o próximo problema da Europa. Sem investimento, não há crescimento.

Falem baixinho...




George Provopoulos é o governador do Banco central grego. Ontem declarou que a situação naquele país exige uma clarificação urgentíssima. Na verdade, um outro banqueiro grego afirma que só na semana passada os gregos retiraram dos bancos 5 mil milhões de euros (isto é, 3% do total dos depósitos). Quem pode, põe o dinheiro no estrangeiro. A isto chama-se “run”, mas a palavra só pode ser dita em surdina, pois está proibida.
Viva a liberdade de movimento de capitais!

quarta-feira, novembro 09, 2011

CDS PORTO

Ainda a propósito do Porto Canal: Gostei de ler notícias sobre o CDS . Desta feita em

http://www.portocanal.pt/ler_noticia/4087/


"07-11-2011 09:50 Política
Fonte: Agência Lusa
CDS/Porto: Eleições para a concelhia na quinta-feira com duas listas na corrida "

Porto Canal

O Porto Canal está, no que à cobertura televisiva diz respeito, para o Norte como a RTP, a SIC e a TVI estão para Lisboa.

Quero eu com isto dizer que o Porto Canal noticía muita coisa, mas também o que por cá se passa. A diferença é que se assume e, naquilo que deve ser, não toma a parte pelo todo.

Há dias, por exemplo, os principais canais de TV, se bem se recordam, anunciavam grande temporal, mas afinal era só para a zona de Lisboa...

Enfim...

EQUIDADES

O Estado não tem dinheiro para pagar aos seus funcionários o 13º e o 14º mês. A solução razoável é:

a) não lhes pagar;
b) despedir tantos funcionários quantos os necessários para conseguir pagar aos que ficam o 13º e o 14º mês; ou
c) ir buscar o dinheiro a quem não trabalha para o Estado e já paga os impostos esmagadores que o próprio Estado fixa e, em consequência, os outros doze meses de salários dos funcionários públicos;

Por estranho que possa parecer há muito quem ache que a terceira é a solução com mais equidade. Não é. Quem não trabalha para o Estado e já paga uma carga fiscal ao nível do Norte da Europa tendo em contrapartida prestações ao nível do Norte de África (aprendi esta com o Ricardo Araújo Pereira) não tem culpa que o Estado não tenha regra nem limite.

terça-feira, novembro 08, 2011

Noticias de Cuba

La Habana, 31 Outubro 2011

Manifestação á chuva... por milesimos de segundos pensei que era de
facto uma manif... mas lá vinham as fotos dos eternos jovenes... los
rebeldes de los años 50! Enfim mais do mesmo, e aqui que fazem falta
... mentiras novas... Já lá vão 50 anos p.f aqui precisam-se de mentiras
novas!
Que projecto enebriante e belo e que bons foram os anos de ouro antes
da queda do bloco de leste, quando a URSS finaciava emblematicamente
esta metáfora Socialista! Uma revolução que tirou um povo da
ignorância e da miseria, criou uma elite profundamente culta, educada
e erudita que está pronta para reorganizar o projecto revolucionario,
mas que tem por base uma máquina burocrática, corrupta de interesses
instalados muito pesada... inamovível. Uma elite dedicada, austera,
emocionada com os pequenos avanços... Mas o indivíduo trabalha para sí
proprio, numa máquina criada para o bem comum ... Cada um vende os
recursos do estado como pode –pela esquerda, no mercado negro que é o
mais exuberante e realista que aqui há.
O estado finalmente abriu lojas especializadas (materiais de
construccao, alimentos, etc) para que os trabalhadores por conta
propria possam adquirir a materia prima e utencilios de forma legal
para poderem facturar os seus serviços.
A grande mudança real e simbólica desde que Raúl Castro é presidente
foi a possibilidade de contratação de pessoal. Qualquer profissional
liberal pode contar funcionarios de forma ilimitada, deixa o estado de
ser o único “patrão”. A discussão que se tem formado é se será
constitucional ao que alguns compañeros mais conservadores chamam de
exploração do Homem pelo Homem, mas tal debate está a perder a força
pois o progmatismo diário está a dar a resposta.

Esta culta e viajada elite nutrida da revolução, com noção da real
necessidade de adaptação do sistema, convive com uma massa de populção
em exuberante decadência que conduzem Buick’s e Cadillacs desqualificados com elerons e penduricalhos, herdados da velha burguesia anterior á revolução que aqui viveu e construiu parte
desta Cuba magnifica de Arquitectura modernista Cubana/norteamericana. Esta
maioritaria massa popular com alguma instrucção e muito pouca educação, são os que na vida diária conseguem tirar partido dos pequenos negocios de
aluguer da carros, de compra e venda de produtos no mercado negro, muito regueton, sorrisos de dentes de ouro, movem as cinturas, grandes bundas em licras justas, seduzem com mel grotesco e altaneio, fazem oferendas a Ochum e a Obatalá num rico folclore de miscizenação. Alfabetizados da pós revolução.

Uma Cuba a duas velocidades, com um potencial incomparável nesta
América latina onde as outras ilhas vivem em miséria e ignorância... sujeitas
apenas ao turismo...

Gritava no outro dia uma estudante com carinho á revolução e com o sufoco de quem já não aguenta mais: "Gracias por el passado, el futuro es nuestro"!

Sofia

Nota: este texto não é da minha autoria e que aqui publico porque se trata de um texto que reflecte uma visão independente e não oficial sobre o que se passa em Cuba.

A chave da compreensão do mundo...

sábado, novembro 05, 2011

Diz na Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011, o Filipe Anacoreta Correia no http://www.cachimbodemagritte.com

"Voto em branco
Em tempos de crise e de forte descontentamento popular, todos temem a insurreição. E não é para menos. Ainda hoje basta ouvir a entrevista de Vasco Lourenço à Antena 1 para perceber a confusão que ali vai. E nada mais perigoso do que uma mente confusa em tempos de incerteza. (E andam par’aí tantas).

Um dos aspectos importantes de um regime é o de encontrar formas de manifestação e de integração da insatisfação. Se a insatisfação não tem casa num regime, sai de casa e ocupa a rua. É uma possibilidade interessante para muitos – a do apelo à rua -, mas não conheço nenhuma mudança que, podendo ser feita de forma pacífica e ordeira, seja melhor de forma violenta e caótica. É por isso que acho interessante e propus já que se estudasse a possibilidade dos votos em branco serem computados nos resultados eleitorais. É o que acontece nalguns Países. Abriria espaço ao sentimento de reparação do eleitor e à penalização da classe política – que é muito importante que possa ocorrer, sem necessidade de Revoluções. Introduziria naquela um factor adicional de exigência e daria uma razão adicional para as pessoas saírem de casa para votar. É arriscado? É. Mas há riscos que não me importo de correr e, apesar de tudo, prefiro os ordeiros".






Está bem visto, mas não estou a ver que uma revisão constitucional, no actual quadro, faça de políticos cordeiros à mão dos eleitores.

Porque hoje é Sábado

Óleo de Tarsilia do Amaral "Rio de Janeiro" - 1923

Como gerir bem o tempo

Berlusconi ao inicio da manhã negava qualquer contacto entre o estado italiano e o FMI. Ao inicio da tarde anunciava a monitorização das contas e das medidas de reestruturação italianas pelo FMI. Foi um final de manhã produtivo!

sexta-feira, novembro 04, 2011

On a marre!

Ao ler-se o Comunicado Final da reunião de Cannes do G20, percebe-se que este grupo se deixou contagiar pelo vírus que há muito infecta as cimeiras europeias: a vacuidade, o relambório de coisa nenhuma, um palavreado interminável (95 pontos extensos) para dizer que em Fevereiro é que vai ser, enfim, uma estupada e uma chatice cheia de vento e de nada.

Muitos parabéns!

(http://www.g20-g8.com/g8-g20/g20/english/for-the-press/news-releases/cannes-summit-final-declaration.1557.html)

quinta-feira, novembro 03, 2011

Erros de paralaxe

A força da Europa e por causa desta Europa:

a) O primeiro-ministro espanhol vai-se embora dentro de um mês;
b) O primeiro-ministro italiano está por um fio e duvida-se que dure até ao Natal;
c) A primeira-ministra dinamarquesa assumiu funções há muito pouco tempo;
d) O esperado primeiro-ministro belga ainda não assumiu funções;
e) O primeiro-ministro holandês não sabe se consegue manter a coligação;
f) O presidente francês perde, nas sondagens, para o candidato socialista;
g) O primeiro-ministro grego talvez não se aguente mais duas semanas;
h) O primeiro-ministro luxemburguês já só pensa na reforma;
i) A primeira-ministra eslovaca demitiu-se há poucas semanas;
j) O primeiro-ministro finlandês esgota-se a tentar gerir a sua coligação;
l) A chanceler alemã perde votos em cada eleição estadual;
m) O primeiro-ministro inglês sobrevive a uma revolta dos seus backbenchers;

etc; etc.

Como diz alguém que prezo: "tamos juntos"

quarta-feira, novembro 02, 2011

Resumo dos próximos capítulos

É bem possível que o golpe de misericórdia para a bagunça em que se transformou a crise europeia venha da Holanda. Isto está melhor que uma tele-novela, mas é muito mais dramático. Será que ela vai trair o marido com o cavalo?

Saídas de sendeiro (2)

A ser verdade o que diz o jornal Público de hoje, o ministro Portas terá explicado a abstenção portuguesa na votação sobre a adesão da Palestina à UNESCO porque assim se satisfaria o pedido da baronesa Ashton, alta representante da UE.

Prefiro não acreditar no que diz o jornal Público. Agarro-me a esta fase de negação, como bem explicou o João Porto, para me poupar às outras fases que me levariam a concluir que o país está entregue a pseudo-estadistas do Bairro Alto.