Que o ainda presidente da Comissão Europeia venha
tarde e a más horas lançar uma suspeita sobre o ex-governador do Banco de
Portugal, o tal que deixou passar debaixo do seu nariz os casos BPN e BPP,
afirmando a propósito de coisa nenhuma e passados cerca de dez anos que o
chamou 3 vezes para discutir o assunto, é de uma coerência exemplar: a coerência
do oportunismo e da hipocrisia passa-culpas que o caracteriza. Uma coerência,
aliás, que já manifestara ao afirmar que também avisara o actual
primeiro-ministro para não ultrapassar certos limites na austeridade ou aquela
com que afirmou há tempos que “sempre” entendeu que a nacionalização do BPN era
uma decisão errada. Quem não o conheça que o compre.
Que o dito ex-governador do Banco de Portugal
responda dizendo não se lembrar bem dessas reuniões e balbucie umas banalidades
tais como afirmar que nunca então se falou de casos concretos de
irregularidades nem ninguém lhe mostrou provas irrefutáveis sobre as fraudes em
curso, é igualmente de uma grande coerência: a coerência da prosápia e da
incompetência refastelada, as mesmas que demonstrou ad abundantiam aquando das
audições parlamentares sobre o tema.
Que meia dúzia de teodoras saiam hoje a
terreiro a defender o seu menino, que não senhor, sua excelência é de uma
probidade e valência raras e que isto de o atacarem é uma maldade contra alguém
a quem o país tanto deve, é outra forma de coerência: a coerência de clube ou
de vizinhos de condomìnio, a mesma que explica que o consócio que matou o
porteiro é uma pessoa bem educada que levava flores quando ia jantar lá em casa
e até pedia licença para fumar um cigarro.
São todos tão coerentes que até metem nojo.
