quarta-feira, agosto 31, 2011

Rumo ao pinote




Para reagir a uma catástrofe natural ou a uma calamidade pública, para fazer face a uma agressão externa ou a qualquer outra situação extraordinária e imprevisível que ponha em risco a comunidade, é justo e necessário que os cidadãos contribuam financeiramente na medida das suas possibilidades.

Ora, a bancarrota financeira do país é essencialmente obra de políticas desastrosas decididas por dirigentes incompetentes e corruptos. Mas sendo ela inquestionável, é óbvio que cairá sobre todos, de uma forma ou de outra, o esforço de a resolver, embora segundo parâmetros que têm de ser claramente definidos:

a) A primeira condição de sucesso e de seriedade é a responsabilização civil e criminal dos autores políticos do desastre, ou seja, dos governantes que até hoje impunemente nos trouxeram ao abismo.
b) O segundo princípio a respeitar religiosamente é o de que não se aceita agravamento tributário enquanto não se cumprir do lado da despesa primária uma ainda maior redução.
c) Uma terceira evidência é a de que não basta o imposto ser eficaz para ser justificado. Se socialmente injusto e discriminatório, o imposto é apenas uma violência cobarde que merece repúdio e indignação.

Nos últimos dias assistimos a várias diatribes de “eu taxo mais do que tu” que não anunciam nada de construtivo. A facilidade e a displicência com que se pensa poder esporear a cavalgadura, que é como a classe dirigente olha a massa dos contribuintes, são preocupantes. Cedo ou tarde haverá pinote.

rtp

Uma vez que aqui em baixo se fala do CDS, era bom que o novo Secretário-Geral promovesse alguma espécie de clarificação sobre a RTP.
A direcção do partido (principalmente o seu presidente) não podem continuar ao arrepio das ideias de direita democrática, fazendo finca-pé na manutenção dum serviço público que simplesmente não existe.
Eu percebo que tenha vantagens políticas manter alguns militantes em programas televisivos, que independentemente da sua qualidade são os únicos beneficiados.
Ficam os contribuintes com a factura por pagar. Milhões.

domingo, agosto 28, 2011

CDS

Hoje o CDS vai escolher amanhã o seu novo SG, o terceiro na nova era de PP como presidente do partido.

A vida de um partido como o CDS envolvido na governação não é fácil, mas já foi mais difícil. O CDS é hoje um partido médio com ambições de crescimento.

Por isso é decisivo que o partido esteja forte, organizado e preparado para dar resposta aos desafios que são esperados.

O CDS vai ter que escolher:
Um SG com experiência e respeitado, capaz de fazer crescer o partido, de unir e acrescentar, de assegurar que há sempre voz própria, dentro e fora do parlamento, e que não há relaxamento;

Um SG que fará a preparação com o coordenador autárquico das próximas batalhas autárquicas que estão já à porta.

Não é só no governo que o CDS terá muito, muito trabalho.

FCP

O Braça é melhor que o Porto. O Barça é uma das melhores equipas de futebol de todos os tempos. Hoje em dia a melhor.






O Porto esteve bem, deu luta, mas não chegou a marcar. Se, no final da segunda parte, o árbitro tivesse assinalado grande penalidade contra o Barça e esta tivesse sido marcada, com sucesso, provavelmente, o jogo tinha sido ainda mais difícil para o Porto.






No futebol ganha quem marca mais golos, mas também conta a frescura física e a consequente parte psicológica. Foi nestes planos que o meu FCP não esteve, plenamente, em bom nível.






Fica a experiência. E essa vivência só está ao alcance de certas equipas. Das melhores, como a do FCP.

terça-feira, agosto 23, 2011

O bofetão de Buffett

Quase não há inocentes na crise aguda que atravessamos. De todos os estratos económicos e sociais emanaram comportamentos desadequados, induzidos ou não, que acabaram por nos trazer a este estado depressivo.
Importa apurar responsabilidades políticas e públicas, importa analisar comportamentos, importa identificar seriamente causas. Mais importante, importa fazer tudo isto para podermos estruturadamente planear o futuro sem repetir os erros do passado.
As medidas de emergência passarão sempre por um corte sério na despesa pública e sacrificarão numa fase inicial o rearranque da economia por via do aumento da carga fiscal. Pede-se, espera-se e é necessária muita imaginação e rasgo político para ir além desta receita classica e quase inevitavelmente recessiva. No mundo ocidental, ainda não surgiu a tal ideia luminosa; segue-se a receita classica no intuito de evitar o pior.
Assim, são pedidos sacrfícios a todos. É justo.
O que não é justo é uma desproporção real na distribuição dos sacrifícios. O que não pode ser ignorado é que há uma larga franja da nossa sociedade que já não tem margem para mais sacrifícios, que encoberta ou disfarçada, está à beira da ruptura.
Entretanto, há, felizmente, sectores da sociedade com margem de absorção destes sacrifícios, sem que isso implique mudanças significativas na sua qualidade de vida. Os que estão no topo da pirâmide económica são os que têm melhor capacidade de resposta nestes periodos de emergência. A equidade será distribuir os sacrifícios, o mais possível, de acordo com a capacidade de "encaixe" de cada um.
Foi isto, de forma clara e incisiva, que Warren Buffett disse a Obama no passado dia 14. Foi isto, de forma clara e sem precedentes, que dezzasseis multimilionários franceses hoje disseram a Sarkozy.
A cruzada de Buffett na defesa do capitalismo com ética é antiga e bem conhecida. A posição dos dezasseis franceses é uma novidade e a prova que nos piores momentos se revelam os melhores de entre os melhores. A inteligência e visão para perceber que será necessário dar hoje para assegurar a sustentabilidade que se deseja para o futuro não está, infelizmente, ao alcance de todos. O passo dado por estes super-poderosos justifica em muito o seu estatuto, dá sentido às diferentes obras que edificaram, às fortunas que acumularam. Buffett, Oudéa, Schweitzer e outros dão sentido ao capitalismo em que continuo a acreditar, contribuem de forma determinante para o futuro mundo ocidental livre e novamente próspero.
Por outro lado, não pude deixar de pensar no nosso pequenino Portugal, que entre rolheiros que despedem preventivamente e merceeiros cheios de si, não hesitaria em expulsar de qualquer associação patronal quem ousasse a heresia de Buffett. A pequenez atávica de muitos dos novíssimos-ricos da nossa praça fica cruamente exposta perante a nobreza de quem sabe ser depositário de fortuna. Não percebem, não vêem mais longe, não atingem que é a própria paz que está em causa.
Como diz o meu querido Amigo Frei Bernardo Domingues, a Paz é a tranquilidade na ordem justa.

A tal síntese mas lida pelos outros

Ainda não li a Síntese da Execução Orçamental mas outros já o fizeram.

O Público diz "Défice do Estado diminui 25% até Julho" e o texto ainda curto dá relevo a coisas positivas e outras negativas.

O JN diz "SNS com saldo negativo de 153 milhões" e o texto ainda curto é todo ele negativo.

Prismas.................

Doutores, Engenheiros, Senhores e outros tratamentos

A propósito do polémico debate entre a Teresa Caeiro e Alfredo Barroso (AB), e a questão do tratamento por doutor ou senhor que AB trouxe de novo à liça desta feita nas páginas do Expresso, recordei-me de uma velha história que de forma livre e abreviada passo a expor. A cena envolve um cavalheiro Y e o seu mordomo X e um amigo do primeiro que mostrou estranheza pelo tratamento entre os dois. Com efeito, sempre que o mordomo tratava o seu patrão pelo nome próprio este respondia-lhe tratando-o por senhor X. E quando o patrão o chamava pelo nome próprio este respondia ceriomoniosamente "Sim senhor Duque". Questionado pelo amigo o patrão, senhor de vários costados, dizia não se importar que o tratassem por senhor e não pelo título. De igual para igual é que não.

segunda-feira, agosto 22, 2011

A sintese

Alertado pelo Blasfémias dei um salto até à Sintese da Execução Orçamental de Julho de 2011. São 55 páginas que irei ler amanhã pela fresca. Agora parece-me um pouco arriscado.

sexta-feira, agosto 19, 2011

Viva o PAPA



São milhares os jovens que se encontram agora em Madrid. Não está na moda, na onda de alguns media, mas esta é que é a notícia!
Um novo caminho é proposto, uma vida, um trajecto, uma sociedade com valores.
Eis o que motiva uma geração com vida!
Para quem só pensa que o mundo está a rebentar, fica a resposta.

quinta-feira, agosto 18, 2011

Hedonismo

Esta é a justificação que nos faltava. Se está tudo nos genes não adianta fazer grandes sacrifícios, a achar que duramos mais.

quarta-feira, agosto 17, 2011

HÁ PROBLEMAS? CRIA-SE UM IMPOSTO


Tenho uma enorme dificuldade em entender o entusiasmo que se gerou à volta do encontro de ontem entre Sarkozy e Merkel. Dele resultou uma nova taxa (what else?) e uma vaga formulação de um governo económico unificado (leia-se governo franco-alemão) da Zona Euro. Esta gente só sabe criar impostos e taxas e não é competente para resolver o fundo da questão e assim iremos de imposto em imposto até ao desastre final.

quinta-feira, agosto 11, 2011

Curva em W, ou antes em L?

Quando as ondas do "subprime" nos States começaram a rebentar nas costas de ambos os lados do Atlântico Norte, dando sentido descendente à linha da evolução económica dita ocidental, alguns economistas/analistas vaticinaram então que esta iria descrever uma curva em "W", isto é, que àquela descida sobreviria alguma recuperação, seguida de nova recessão, sendo que só após esta segunda quebra se voltaria a ver a linha subir estavelmente no gráfico.

Já por aí os há agora a dizer que os recentes tremores bolsistas confirmam a entrada no segundo "V" daquele anunciado "W". Mas eu, que de curvas e contracurvas, para além das da minha barriga, só entendo as da estrada, cheira-me que a coisa não funciona bem assim, antes me parecendo que a linha da evolução económica está a descrever um "L" e não um "W" (e se o “L” se virá a transformar em "U", a ver vamos...)

Com efeito, todo este palavreado de crises-para-lá-subcrises-para-cá me cheira apenas a uma única crise: a da Dívida. A Pública e a Outra. Como me palpita que ela por aí se irá manter por mais uns anitos ainda.

Na realidade, tanto europeus como norte-americanos, todos nos habituamos a viver acima das nossas reais possibilidades, temos Estados gordos e demasiado sociais (mais os de cá que os de lá) que, para além de reguladores, intervêm ainda demasiado na economia, quer como grandes patrões, quer mesmo como agentes económicos. Como dinheiro público é coisa que não existe, nem cai do céu como a chuva deste verão, tudo devia ser alimentado pelas contribuições fiscais da economia privada. Como estas, apesar de pesadas, ainda são insuficientes, recorre-se então ao crédito para colmatar o diferencial. Mas de tal modo continuado até que as agências de notação, fazendo apenas o trabalho que lhes pagamos, gritam: Cuidado! E prontos, logo o credor geme: Ai Jesus! vasculhando apressadamente na gaveta o seu livro de facturas. E os políticos berram aos eleitores: Ai os malandros dos Mercados!

Não sei que aspecto têm os Mercados mas cá para mim imagino-os sempre com cara de quem frequenta o Jardim Infantil. Efectivamente não conheço coisa mais irracional, e mimada, que os Mercados. Para os tentar manter sossegados, logo os Políticos (e os seus bancos centrais) juntam os pesinhos debaixo da mesma mesa, sobre a qual rabiscam umas tantas declarações que lhes oferecem. Mas os Mercados, como meninos mimados que são, logo pedem mais. E algo mais docinho. Pesinhos de novo debaixo da mesa e lá vai mais um chupa-chupa, mas que depois de todo lambidinho traz nova birrita, pois claro!

Não sei para que lado penderá esta troca de piropos político-mercantil, mas parece-me claro que, para conseguirem acalmar realmente os Mercados, os Políticos ocidentais vão mesmo ter que passar do chupa-chupa para o grande cone de gelados vários. E com muito creme em cima. Só que isto já implicará, tanto para norte-americanos como para europeus, repartir com os Mercados algumas das bolas de gelado a que tanto se habituaram.

Estaremos dispostos a isto? A viver mais moderadamente? A ser mais comedidos no nosso (também irracional) ímpeto consumista? No fundo, a baixar um pouco o nosso fantástico nível de vida e, com este, trazer finalmente a Dívida para níveis sustentáveis?

Haverá alternativa?

Fotos com som ou vice-versa

Depois de amanhã

Quando a coisa chegar aos resseguros, vistam o colete e preparem o bote.

quarta-feira, agosto 10, 2011

Cheira bem, cheira a Lisboa


O consultor jurídico da EDP, vereador da Câmara de Lisboa e reputado e qualificadíssimo advogado da nossa praça, de seu nome Santana Lopes, ex-muitas coisas e futuro ex de muitas mais vindouras, acedeu patrioticamente , com enorme sacrifício pessoal mas imbuído de um profundo espírito misericordioso, em dirigir a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Como dizia Erasmus, “Stercus cuique bene olet”

terça-feira, agosto 09, 2011

Transformemos Portugal numa nova Inglaterra

Os acontecimentos em Londres, por mais voltas que esta malta dê só podem ser considerados selvagens e criminosos.
Mas para os extremistas de esquerda como o Ricardo Santos Pinto tudo vale.
Quando for à porta de casa dele, e pelos motivos que ele não gostar, falamos.

segunda-feira, agosto 08, 2011

Um rabo de fora


Desiludam-se os que pensam que se a França e a Alemanha abrirem os cordões à bolsa a crise suspende-se: no preciso momento em que tal acontecesse ou acontecer, a França veria a sua notação descer e seria o próximo cordeiro. Em boa verdade, a situação económica, fiscal e financeira da França é bem pior do que se imagina.

Macário

A entrevista de de Macário Correia hoje ao Público é um bom exemplo da forma como os autarcas vêm os sacrifícios. Para além da retórica do costume "os meus sacrifícios são maiores que os teus", Macário avança com a previsão que os municípios estarão em estrangulamento total muito em breve.

Solução: O Estado "tomar decisões", que se deduzem ser denominadas em Euros. Cortar custos é que nem é opção.

Para Macário o que está mal são todos os salários de todos os nomeados recentes do governo. Deduzo que em especial os salários superiores ao dele próprio. Metade da entrevista é isto. Mesmo quando a Jornalista lhe pergunta a eventual duplicação de funções do Turismo do Algarve e Turismo de Portugal ele fala dos salários dos dirigentes.

Com autarcas assim vai ser ainda mais difícil.


TV Pública

Depois de ler as noticias de hoje sobre a vontade e a urgência em privatizar um canal da RTP(enganem-se se acharem que é a RTP Memória) ainda este ano, eu tenho um comentário:

A privatização da RTP está Ongoing...

Porto, Porto, Porto, És a nossa glória!

Eis mais uma taça para o FCP!

A equipa revela trabalho, vontade e talento-o bom futebol aí está.

Força Porto.

´

sábado, agosto 06, 2011

Agosto a gosto



Cada vez mais vozes dizem que é preciso ir depressa, se de facto os políticos querem ultrapassar os mercados e definir um rumo.

Entretanto a Sra. Merkel apanha sol em Itália, o Sr. Sarkozy está a banhos na Riviera francesa, o Sr. Cameron descansa algures, talvez na Toscânia, e o Sr. Barroso já fechou as malas em Bruxelas com os cremes de protecção solar que lhe evitarão escaldões. Na praia da Coelha, junto a Albufeira, o nosso Cavaco desfruta da sua piscina. Os parlamentos nacionais, que têm de aprovar as medidas decididas na última cimeira europeia, fecharam portas, com uma ou outra excepção.

É certo que toda esta gente talvez se telefone e não estamos livres de mais um ou outro apelo pingado entre dois goles de limonada. Mas Agosto é Agosto, não é verdade?

Lembra-me uma daquelas rábulas do Solnado, que copiara de um humorista espanhol: a guerra tinha horários e respeitavam-se pausas para a merenda. A chatice é que há cómicos que podem ser trágicos.

Porque hoje é Sábado

Óleo sobre madeira de Howard Hodgkin "Interior com figuras" - 1984

quinta-feira, agosto 04, 2011

Super-corneta




Ontem, o Conselho de Segurança da ONU aprovou um apelo (aliás, foram dois) para que cesse a violência na Síria.
Ontem, o Durão Barroso fez outro apelo aos líderes europeus para que façam qualquer coisa que tranquilize os mercados.
Obama também fez vários apelos, enquanto republicanos e democratas negociavam o tecto da dívida. A esse propósito, choveram apelos, desde Pequim a Berlim, passando pela presidente do FMI.
O nosso Presidente Cavaco faz, dia-sim dia-não, um apelo qualquer, seja para que se vote, que se empreenda, que se exporte, que se coma batata nacional ou outra boa acção.

Isto dos apelos é barato e tem a vantagem de transmitir a ideia de que é o outro que tem a responsabilidade ou a solução. A minha saudosa Tia Elisa fazia-nos, durante as férias, todos os dias o mesmo apelo matinal: “tenham juízo!”, mas ela nunca desconfiou que estava de moda antes de tempo.

Tentem com uma corneta. Há umas de plástico nas lojas chinesas. Talvez vos ouçam melhor.

terça-feira, agosto 02, 2011

DE DOIDOS NÃO PERCEBO NADA

Estamos no Verão, naquilo a que se convencionou chamar "silly season" e, de facto, existem todas as razões para assim o considerarmos. Parece mesmo que ou está tudo silly ou abúlico. Os problemas financeiros da Europa e dos EUA e a forma como os respectivos governantes e políticos os estão a (não) resolver deveriam apavorar-nos. Só que aparentemente não se passa nada e o povo está sereno.
Vivemos com uma enorme tranquilidade até à última da hora as vicissitudes do problema americano do tecto da dívida como se de um filme de Hollywood se tratasse, um processo irresponsável e de alguma forma louco que mostrou ao mundo que o país mais poderoso, estável e sólido do planeta perdeu o juízo.
A Europa e a América já não são modelo para ninguém e perderam a magia ao mesmo tempo que perderam a carteira. Tempos muito maus estes.

Ligação Porto-Gaia

O novo presidente da distrital laranja do Porto não se mostra "amigo" da união dos municípios Porto- Gaia e atirou a questão da regionalização para a próxima legislatura.

Aponta Marco António e Menezes como bons candidatos para a CM do Porto.

Ficam aqui estes três interessantes apontamentos a que vamos ter que regressar.