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sexta-feira, julho 27, 2007
As bolas de berlim
O Arq. Saraiva dava conta no SOl da semana passada da guerra às bolas de berlim que um obscuro organismo resolveu transformar em norma. Recordo sucintamente que elas deveriam ser transportadas em frio, quando elas quentes é que são boas, e outros disparates. Posso comprovar que a disparatada norma ainda não entrou em vigor e como tal sobrevivem no areal da praia do Barril. Sim estou de férias. Mas vou andar por aqui.
domingo, março 25, 2007
A alma da Europa
A União Europeia festeja hoje os 50 anos do Tratado de Roma sem que exista consenso acerca da possibilidade do seu alargamento e sem que se saiba bem qual vai ser o futuro da Constituição Europeia ou da moeda comum. Diz-se que a Declaração de Berlim não se quer confrontar com questões fundamentais, e que é por isso que se limita a sublinhar a identidade cultural europeia e a torná-la matriz da ideia de Europa, o que talvez seja verdade. Talvez se trate apenas de uma forma de fugir aos problemas, e de os evitar, e pode ser que o denominador comum encontrado seja fraco ou escasso demais para se poder prosseguir numa lógica de união. Mas será que é assim? Será que a identidade cultural europeia de que fala este documento vale assim tão pouco? Ou será que chegou finalmente a hora de colocar as coisas no lugar, e de fazer justiça aos ensinamentos de Steiner quando afirmava, na sua “Ideia de Europa”, que se estava a correr um grande risco ao dar mais importância às preocupações com os factores económicos e políticos da união do que ao seu património de humanidade comum, já que por ali nunca se conseguiria o vínculo, o traço de ligação, ou simplesmente o entusiasmo necessário para fazer andar para a frente a visão da Europa, ou para lhe dar futuro? Há decerto problemas e questões práticas que têm que ser resolvidas, elas interferem com a própria sobrevivência da comunidade, mas não há dúvida de que o génio da Europa está noutro sítio, na natureza irrepetível e única das suas praças e dos seus cafés, nos acordes de Mozart ou de Bach, nas partituras de Schubert ou do imortal Beethoven, nos poemas de um Goethe, na obra de um Cervantes ou de um Brugel, na especificidade da sua paisagem, no sofrimento que lhe trouxeram duas guerras mundiais, que mais não foram que guerras civis europeias, no seu pensamento humanista, na sua religião e na sua consciência, na sua diversidade cultural e linguística. É por aí que anda a ideia fundamental de Europa, a ideia de Europa que a Declaração de Berlim parece quer reafirmar e preservar, e que se mantém, apesar de tantos outros desencontros, e de tão pouca "união".
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