Vamos a ver se é mais ou menos isto:
1) os estaleiros não têm encomendas há 2 anos
2) os 634 trabalhadores há 2 anos que recebem salários mas não têm nada que fazer
3) Numa conta de merceeiro diria que durante 2 anos não houve faturação e como tal entrada de dinheiros, mas durante 2 anos houve despesas e saídas de dinheiro pois sempre receberam os salários
4) isto só é possível acontecer porque o accionista, o estado português, foi injectando dinheiro. Numa empresa privada também podia acontecer o accionista meter dinheiro para suportar a empresa.
5) só que no caso do privado o dinheiro era o dele. O dinheiro do estado é o nosso
6) agora há uma empresa privada que assume ficar com a empresa, mas não quer ficar com a responsabilidade e encargos de 634 funcionários visto que a expectativa de negócio a curto prazo não lhes garante tarefas
7) estes funcionários serão indemnizados acima do valor de lei e vão para o fundo de desemprego.
8) estes funcionários podem vir a ser contratados pela nova empresa mal esta comece a ter encomendas
9) estes despedimentos vão custar dinheiro ao estado português, ou seja a cada um de nós.
10) Agora o inerranável Arménio Carlos, quer que a empresa seja entregue aos funcionários. Mas alguém lhes perguntou se eles querem ficar com uma empresa que não tem encomendas e que deixaria de ter a "mama" do estado e como tal eles não iriam nem receber salários e quando ao fim do primeiro mês não houvesse dinheiro e a empresa fechasse nem indemnização teriam?
é mais ou menos isto correcto? No final desta equação diria que:
1) os funcionários acabam por ter uma saída airosa
2) a empresa que fica com os estaleiros pode ter feito um bom negócio se começar a dinamizar as encomendas
3) os portugueses pagam para se verem livres de mais um elefante branco que andamos a suportar à anos
Moral da história: o mexilhão é que se lixa.
sábado, novembro 30, 2013
sexta-feira, novembro 29, 2013
Rui Rio
O ex-presidente da câmara do Porto recusou o convite para presidir ao novo Banco de Fomento, que vai ficar sediado no Porto.
Eu sei... eu sei... só recusou porque não sei o quê, que está a pensar em... e rebéubéu pardais ao ninho...
Mas a verdade é que recusou um lugar que lhe daria uma reforma dourada. Não são todos iguais.
Eu sei... eu sei... só recusou porque não sei o quê, que está a pensar em... e rebéubéu pardais ao ninho...
Mas a verdade é que recusou um lugar que lhe daria uma reforma dourada. Não são todos iguais.
sexta-feira, novembro 22, 2013
"...e o Interior?"
Quando se fala em Norte, há quem reaja
perguntando “...e o interior?”, pensando que assim neutraliza os defensores da
Regionalização ao confrontá-los com uma situação de gritante desequilíbrio da
coesão nacional. A verdade, porém, é que
não conheço nenhuma proposta concreta no plano da organização político-administrativa
do Estado que se apresente como resposta cabal a essa evidência da desertificação,
abandono e crescente empobrecimento do interior do país.
Um dos nossos problemas mais sérios vai para
além de um mero centralismo, ou seja, de um sistema em que as decisões políticas
são única e exclusivamente tomadas por um poder central, que concentra numa
capital todas as competências e instrumentos do seu exercício. O centralismo vigente é mais do que isso: é não
só um centralismo político mas também um centralismo económico, social e
cultural, com a agravante acrescida de, pela sua dinâmica, afunilar para essa
capital o grosso dos recursos nacionais, materiais e humanos. Em Portugal há de
facto duas regiões: a região da capital e a região do resto do país.
Essa matriz tende, aliás, a reforçar-se em
consequência do calculismo partidário decorrente do facto de a concentração
crescente de um eleitorado cada vez mais numeroso e influente na região de
Lisboa incentivar a conquista desse voto pela adopção de medidas e a tomada de
decisões que respondam aos desejos desse mercado político.
Por outras palavras, o centralismo não é apenas um
sistema. O centralismo é também uma dinâmica, um movimento ou, se se quiser,
uma energia que suga por necessidade e não necessariamente por uma má-vontade
ou “maldade” qualquer. Para dizer curto, é igualmente uma centralização de
interesses. Foi e é essa mesma energia que deslaçou o interior do país do seu
litoral através da replicação desse mesmo modelo pelo país fora, como se
constata se verificarmos, por exemplo, a tentação da capitalização do Porto
como centro do Norte, ou a de Coimbra como centro do Centro, ou a de Faro como
centro do Algarve. Estes desvios, que servem aliás para encher a boca dos que
alertam para o risco da Regionalização reproduzir afinal o modelo, não são
filhos de uma Regionalização que não existe, mas são sim os avatares, os
miasmas do centralismo que vigora. Mas como é a cabeça que cresce sempre, até esses
sub-centralismos irão ou iriam acabar, a manter-se o status quo, por ser
desvitalizados pelo verdadeiro e poderoso centro central.
Se assim considerarmos que aquela energia
perversa centralizante é afinal uma espécie de droga que mata aos poucos a
nação, então talvez compreendamos melhor que a terapia adequada é substituir o próprio
modelo e reorganizar de outra forma o exercício do poder político e o Estado. O
combate aos desequilibrios entre o litoral e o interior passa por aí. O Norte só
o será se ligar economica, social e culturalmente o território de Miranda do
Corvo a Caminha e o de Melgaço a Cinfães. Ora, para tanto é preciso um outro
tipo de poder, um outro tipo de filosofia, um outro músculo nesse território, um
outro Estado. E provavelmente uma outra Constituição: que organize o país em
Regiões políticas e que consagre critérios quantificados de desenvolvimento e
de transferências intra e inter-regiões.
O que está não presta!
Seria bom que os que dizem defender o interior
reflictam nisso.quarta-feira, novembro 20, 2013
Não percam o Norte
Há um pólo que não tem norte apesar de estar lá
o norte. O outro não tem sul, é o sul.
Nós estamos num norte, mas como é o nosso é o
Norte. É Norte porque tem sul. Se não tivesse sul não era nem norte nem Norte.
Ambos fazem um país, sul e norte. Fazem-no
porque falamos todos a mesma língua, conhecemos as mesmas anedotas, vibramos
com os mesmos sucessos, protestamos contra o mesmo governo, partilhamos o mesmo
mar e os mesmos antepassados, fizemos a mesma história, emigrámos do mesmo sítio
e temos saudades dos mesmos cheiros e bebemos o mesmo vinho.
Sinto-me tão vizinho do pescador de Olhão como
do farmacêutico de Vouzela ou do barbeiro do Foco onde aparo o cabelo. Ser
vizinho não quer dizer ser amigo. Às vezes, é mesmo o contrário, sobretudo dos
que estão mais perto, quando me perturbam o sono ou me complicam a vida. Mas é
com os vizinhos que somos uma comunidade. E preciso deles, mesmo que eles pensem
que não precisam de mim para nada.
Se o Norte precisa do sul, é igualmente
verdade que os de lá de baixo precisam da gente, da terra e das capacidades do
Norte. Alguns desses nossos vizinhos ainda não perceberam isso, mas o mal é
deles, coitados, impampes na sua ignorância saloia e umbiguistas de vistas
curtas. Mas uma coisa é tolerar-se a estupidez alheia, outra é deixar-se
espezinhar, senão mesmo servir de mula para levar os ditos às costas a visitar
as hortas. Isso não!
Vem tudo isto a propósito da forma como as próximas
verbas dos fundos estruturais europeus irão ser geridas e aplicadas no país nos
próximos anos. Se o governo da Répública, sediado em Lisboa, pensa que pode
repetir os “spill-overs” e outros truques para contornar a coesão nacional e
ludibriar o Norte, engana-se. Nós não estamos apenas a norte; nós somos o
Norte. Tenham tino! ( se é que ainda querem ser o sul de alguma coisa).
terça-feira, novembro 19, 2013
Admirável
A selecção nacional teve, hoje, um desempenho admirável. Em especial Cristiano Ronaldo, um grande atleta, o melhor jogador do mundo na actualidade.
Agora, na preparação para o campeonato do Brasil, há que melhorar alguns aspectos menos conseguidos neste caminho para a qualificação que agora termina em ritmo de samba.
sexta-feira, novembro 15, 2013
Repugnante
Manoel de Oliveira, Herberto Helder, Manuel Gusmão, Pedro Tamen, Maria Velho da Costa, Armando Silva Carvalho, Manuela de Freitas, José Mário Branco, Alberto Seixas Santos, Pedro Costa, João Queiroz, Rui Chafes, João Fernandes, Vitor Silva Tavares, Margarida Gil, João Pedro Monteiro Gil, acham repugnante o ministro Poiares Maduro ler uma carta de João Cesar Monteiro numa efeméride sobre os 10 anos da morte do cineasta.
Acham repugnante que um político esteja nessa homenagem. Embora uma das oradoras seja a deputada Isabel Moreira.
Dizem eles que César Monteiro era anti-sistema (o que nunca o impediu de receber subsídios) por isso é repugnante que Poiares Maduro se associe a tal evento.
Triste país este em que as supostas elites culturais se portam desta forma.
Manoel de Oliveira, Herberto Helder, Manuel Gusmão, Pedro Tamen, Maria Velho da Costa, Armando Silva Carvalho, Manuela de Freitas, José Mário Branco, Alberto Seixas Santos, Pedro Costa, João Queiroz, Rui Chafes, João Fernandes, Vitor Silva Tavares, Margarida Gil, João Pedro Monteiro Gil, acham repugnante o ministro Poiares Maduro ler uma carta de João Cesar Monteiro numa efeméride sobre os 10 anos da morte do cineasta.
Acham repugnante que um político esteja nessa homenagem. Embora uma das oradoras seja a deputada Isabel Moreira.
Dizem eles que César Monteiro era anti-sistema (o que nunca o impediu de receber subsídios) por isso é repugnante que Poiares Maduro se associe a tal evento.
Triste país este em que as supostas elites culturais se portam desta forma.
Álvaro Cunhal
Vasco Pulido Valente escreve hoje no Público um excelente texto a propósito do ex-líder comunista.
A última frase demonstra bem a insanidade que vivemos: "A consciência histórica dos portugueses é um óptimo reflexo da inconsciência que os trouxe à miséria e ao desespero."
Vasco Pulido Valente escreve hoje no Público um excelente texto a propósito do ex-líder comunista.
A última frase demonstra bem a insanidade que vivemos: "A consciência histórica dos portugueses é um óptimo reflexo da inconsciência que os trouxe à miséria e ao desespero."
terça-feira, novembro 12, 2013
O senhor AM
Volta meia volta aparece por aqui
uma máscara que assina como AM.
Entra sempre pela porta chamada
dos comentários, que não faz.
Como não discute, ou procura
discutir, qualquer ideia.
Tão pouco é capaz de produzir
uma.
Ao invés, entretém-se a qualificar
e a catalogar os seus autores.
No que se vislumbra o machismo
tuga, razão por que lhe arrisco o senhor.
Para o senhor AM há na vida
apenas os uns e os outros.
Os uns são os bons, os outros são
os maus.
Os uns, os bons, escrevem o que a
sua formatada mente gosta de ler.
Alimentam o seu ego, como música
para os seus ouvidos.
Os outros, os maus, não se
enquadram naquela e arranham os ditos.
Por isso que os uns se aplaudem e
os outros se insultam.
Mas as ideias, essas não se
discutem. Nem um blog servirá para tal...
O que tudo diz apenas dele e não
dos escribas seus alvos.
São tristes as voltas da vida.
Em mais um artigo no DN, Mário Soares continua a suspirar por uma ditadura.
Consigo perceber o raciocínio de Soares: Como em democracia já ninguem me liga pode ser que em ditadura me tornem a adorar como oposicionista corajoso.
Em mais um artigo no DN, Mário Soares continua a suspirar por uma ditadura.
Consigo perceber o raciocínio de Soares: Como em democracia já ninguem me liga pode ser que em ditadura me tornem a adorar como oposicionista corajoso.
A propósito da moral e de Moçambique
Tenho sempre uma espécie de pavor quando me
arrastam para assuntos de moral. Prefiro conversar sobre ética, mas às vezes a
fronteira esbate-se e ouço afirmações peremptórias e absolutas cuja certeza não
sou capaz de partilhar e sobre as quais prefiro assumir uma ignorância prudente
ou uma dúvida que até pode parecer cobarde.
Vai um exemplo?
Quando o Mouzinho de Albuquerque aprisionou em
Chaimite (1895) o régulo Gungunhana, foi este acompanhado pelas suas 7 mulheres, pelo
filho mais velho e por outros dois personagens na viagem que os trouxe em
condições abjectas para Lisboa, onde são encarcerados nas casamatas da
prisão de Monsanto.
Como à volta daquele Forte se tivesse
instalado um arraial de populares que todos os dias ali se deslocavam para
vislumbrarem no pátio as “bestas”, e porque começavam a multiplicar-se nessa
feira zaragatas e distúrbios, decidiu o governo de então desterrar o grupo para
a ilha Terceira. Mas porque o facto da poligamia do prisioneiro incomodasse o
moralismo católico da época, resolveram as autoridades separar as mulheres, as
quais viriam dias depois a ser deportadas para a ilha de S. Tomé, onde a
maioria viria a morrer na mais profunda miséria.
Gungunhana, o filho e os outros foram desterrados
para os Açores, mais precisamente para o Castelo de S. João Baptista de Angra
do Heroísmo. O Governador local, dando-se conta da tristeza e da saudade profundas
de Gungunhana, intercedeu junto do Governo de Lisboa para que ao menos fosse
autorizada uma das mulheres a vir viver com ele, mas nada feito. Em vez disso, foram
dadas instruções oficiais para que aqueles homens fossem levados todas as
semanas a um bordel da cidade onde se poderiam aliviar das suas mágoas e não só.
E assim se salvava a moral e os bons costumes.
Como exemplo, dá que pensar. Ou não? sexta-feira, novembro 08, 2013
O Porto nos States
O
artigo do New York Times de hoje sobre o Rui Moreira
quarta-feira, novembro 06, 2013
O BPI e os 100 anos de Fátima
O banco semi-angolano BPI afirma que quer
comemorar os 100
anos de Fátima.
Não! O BPI dos generais de Luanda, da Sra. Santos
e do Sr. Ulrich faz um negócio: vende 2017 ‘nossas senhoras’ de prata pelo módico
preço de 2900 euros ou de 7900 euros, consoante a coroa da imagem seja em prata
dourada ou em ouro cravejada de 111 pedras preciosas.
O BPI é um banco muito ‘católico’: facilita o
crédito por 82 ou 92 meses, com um TAEG que vai de 8,6% a 9%. E o novo bezerro
vem acompanhado de um livro/certificado de uma tal Aura Miguel, que se diz
jornalista acreditada na Santa Sé. Não se percebe o que é que o papel
certifica, se o teor da prata ou o quilate do ouro, mas vistas as credenciais
da senhora deve ser algo para garantir que a que apareceu na oliveira levava
pérolas e diamantes. Tudo acondicionado em estojo de pele natural e documentado
com 7 DVDs.
Enfim, um horror que assustaria a pequena
Jacinta. Mas, no entender do BPI, um investimento. E o que diz a hierarquia da
Igreja Católica Portuguesa?
segunda-feira, novembro 04, 2013
Os aprendizes de Gaia
Acho sempre interessante quando aparecem
ideias malucas a bulir com a nossa racionalidade. Mas fico preocupado quando
ouço pessoas de mérito elogiar um projecto de doidos, invocando “abertura de
espírito” e chamando os detractores da coisa de reaccionários.
Refiro-me ao projecto dos arquitectos Pedro
Bandeira e Pedro Ramalho para o quarteirão da Companhia Aurifícia, no Porto:
deslocar para ali a ponte D. Maria Pia.
Aquando das eleições para a Câmara do Porto
houve alguém que disse que o candidato do governo seria até capaz de propôr
trazer a torre Eiffel para a Invicta se tal ideia lhe passasse pela cabeça. Era
obviamente uma ‘boutade’ do crítico, que com essa hipérbole pretendia
caracterizar a fantasiosa imaginação daquela gente.
Ora, afinal, o que era um radical exagero
ganha agora corpo, feito ponte.
Nada tenho contra a brincadeira de umas
foto-montagens, à qual se junta a vontade de que falem deles, dos brincalhões.
Mas o que verdadeiramente me deixa sem palavras é a constatação de que há
outros que acham o disparate exequível e desejável.
Fico assustado. Os chineses não compraram
apenas a EDP; estão, pelos vistos, a contaminar as nossas inteligências.
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