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sexta-feira, março 30, 2012

Ir à vinha


O governo, pela mão do ministro Gaspar, foi a Luanda oferecer uma boa fatia da Galp aos angolanos. Para se ser rigoroso, o que se deve dizer é que o Estado português se propõe entregar ao clan Eduardo dos Santos mais um naco de poder. Os angolanos nada têm a ver com isto e seria um desastroso engano confundir a chusma de bandidos engravatados que se pavoneia nas poltronas institucionais de Luanda com as populações que se amontoam nos bairros insalubres, bebem água contaminada, adoecem e morrem à beira de esgotos a céu aberto.

Os capitais que a clique Santos diz trazer para Portugal são o fruto do confisco da riqueza de um país e da opressão de um povo, vêm manchados de miséria e de vergonha e contaminam na nossa terra o que ainda nos resta de honorabilidade e de decência.

Em Lisboa, nas administrações dos grandes bancos e de certas grandes sociedades, tapa-se o nariz e afivelam-se sorrisos ao apresentarem o resultado como vitórias empresariais de que nos deveriamos orgulhar. E dessa forma dão cobertura e são cúmplices dos crimes passados, presentes e futuros daquela clique. De parceiros passamos a sócios.

Mas mais grave do que essa conivência de corruptos, é a ilusão de que esse caminho tem futuro. Quanto mais o Estado português se deitar na cama com o gangue dos generais, seus descendentes e comparsas, mais desprotegidos ficarão os portugueses que por lá tentam uma nova vida e mais comprometidas ficam as nossas relações futuras com os países de expressão portuguesa à medida que estes se forem democratizando.

Como diz a nossa gente, tão ladrão é quem vai à vinha como quem fica de fora.

terça-feira, setembro 07, 2010

Os golpes da Galp


A Galp anuncia um posto experimental de abastecimento de gasolina e gasóleo em Setúbal.
A “experiência” consiste em vender mais barato.
Consta que há uma grande expectativa sobre qual será o resultado da experiência, pois parece que há sadinos que gostam de pagar mais caro. Que emoção!

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

É pior que minhocas

Os últimos dias mostraram a quem ainda tivesse dúvidas que o Governo e o Partido de Sócrates são capazes do pior para amarfanhar a opinião, sobretudo se esta é livre e crítica.
Alguns de nós receiam que o país esteja a tal ponto desvitalizado que seja incapaz de reunir um mínimo de energias para reagir como deveria a tudo o que se vai sabendo.

Ainda assim, considero que o verdadeiro teste à aparente anemia dos nossos co-cidadãos vai ser o pacote de medidas que o Governo vai ter de apresentar para sossegar Bruxelas e os mercados internacionais. E aí desconfio que o teste se fará na rua.

O Governo sabe isso e vai preparando uma porta de fuga, seja à moda Guterres, seja ao estilo Barroso. Entretanto, trata da sua vidinha, ou seja, manobra e negoceia. Sob a capa de fumo da nossa indignação face às últimas notícias em matéria de asfixia democrática, o Comité de Negócios em que o Governo se transformou ultima à sucapa, por intermédio das empresas públicas onde pululam "Penedos" e das privadas que rezam ao Espírito Santo, umas nebulosas operações à volta da Cimpor, da Galp e da EDP.

Os acordos para-sociais que estão a ser cozinhados com "brasileiros" amigos e os angolanos do costume, que para cúmulo beneficiam de financiamentos das nossas próprias instituições financeiras, não podem passar entre as gotas da chuva.

Se nas próximas semanas assistirmos ao desmoronamento deste Governo, é fundamental estar muito atento às manobras e negócios da 25° hora dos que fazem malas e já aquecem lugares em certas administrações. Os últimos dias de gente desta laia são os mais perigosos. É que seremos todos a pagar depois a factura.