Tenho uma mania de ler jornais e revistas de forma desorganizada. Quer isto dizer que não sigo a ordem que seria natural e que deu origem à famosa frase, "li da primeira à última página". Pois bem, muitas das vezes começo pela última e aos domingos, com o Público, invariavelmente começo pela penúltima. E tudo por causa da coluna de José Queirós, o Provedor do Leitor. É um trabalho importante na busca do que seria a comunicação social perfeita. Ora dando razão aos leitores que apontam falhas, ora defendendo os jornalistas quando essas críticas não são justas. Estou certo que os jornalistas do Público, em especial os mais novos, leem com atenção as suas críticas e os seus reparos. Umas das vezes concordo outras nem por isso. Mas acima de tudo faz-nos pensar.
A crónica de hoje é uma vez mais um olhar crítico, muito crítico, sobre a "qualidade" jornalística da capa do Público do dia 12 de Novembro. Ilustração ou uma afirmação política por parte do jornal?
Tal como refere José Queirós, também eu admito que seria mais benéfico que os media se assumissem política, ou desportivamente, naquilo que seria uma relação mais frontal e verdadeira com os seus leitores. Mas visto que não é essa a prática corrente, e no caso do Público até está escrito no seu Livro de Estilo precisamente o contrário, é bom que nós leitores tenhamos a certeza de que o que lemos, seja no Público ou noutro qualquer, é estritamente a verdade e não um somatório de falsidades ou ficções.
Não é de hoje que os jornalistas são enganados pelas fontes, umas das vezes porque o foram de facto outras das vezes porque o querem ser, como também não é de hoje que os jornalistas podem ser bons ou maus, mais ou menos capazes de serem fiéis aos seus "mandamentos". Daí a importância de um olhar crítico em especial quando feito por alguém que conhece bem como se "cozinha" uma notícia.
E tudo isto afunila para uma coisa tão mais importante como a liberdade de expressão ou a liberdade de imprensa. A qualidade de uma comunicação social livre é um dos principais sinais do grau de democracia vivida. Em Portugal graças a deus o nosso grau de democracia ainda é elevado. E digo "ainda é", pois os sinais começam a ser preocupantes. Não falo apenas pela questão da eminente falência de uma série de títulos e grupos de comunicação social, mas pelo facto de em virtude dessa dificuldade de quem se fala, ou não se fala, possam vir a ser os seus compradores. Vide o que se fala sobre a possível venda do JN, DN e outros que o já são e outras que o podem vir a ser.
Ao ler a entrevista no Público a Rafael Marques e ao lembrar-me da resposta violenta no editorial do "Jornal de Angola", e ao silêncio português, fiquei com a leve sensação que vêm aí dias dificeis para todos. Nessa altura temo que provedores como o José Queirós sejam apenas referências do passado.
Mas como em tudo na vida, enquanto há vida há esperança. Mas nunca desistir.
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domingo, novembro 18, 2012
terça-feira, maio 22, 2012
Os crimes do poder angolano
Aparece finalmente na imprensa portuguesa (Público
de hoje: pág. 25) uma breve notícia sobre o que se passa há muito tempo na
fronteira angolana-congolesa: as centenas de milhares de refugiados congoleses expulsos
do território angolano são alvo das maiores violências e humilhações das forças
policiais angolanas, em particular as mulheres que são sistemáticamente vítimas
de violações em grupo nas exíguas celas em que são encarceradas enquanto
aguardam a expulsão.
O Nortadas já denunciara esses crimes em
Setembro de 2011 (ver http://nortadas.blogspot.com/2011/09/o-progresso-dos-musseques.html#comment-form
), mas o que importa sublinhar é a hipocrisia das ditas forças vivas e democráticas
portuguesas, desde o PCP/BE ao CDS que finjem desconhecer os crimes e jantam
com os criminosos ou com eles se associam no mais reles oportunismo a que chama
empreendedorismo lusófono.
sexta-feira, março 30, 2012
Ir à vinha

O governo, pela mão do ministro Gaspar, foi a Luanda oferecer uma boa fatia da Galp aos angolanos. Para se ser rigoroso, o que se deve dizer é que o Estado português se propõe entregar ao clan Eduardo dos Santos mais um naco de poder. Os angolanos nada têm a ver com isto e seria um desastroso engano confundir a chusma de bandidos engravatados que se pavoneia nas poltronas institucionais de Luanda com as populações que se amontoam nos bairros insalubres, bebem água contaminada, adoecem e morrem à beira de esgotos a céu aberto.
Os capitais que a clique Santos diz trazer para Portugal são o fruto do confisco da riqueza de um país e da opressão de um povo, vêm manchados de miséria e de vergonha e contaminam na nossa terra o que ainda nos resta de honorabilidade e de decência.
Em Lisboa, nas administrações dos grandes bancos e de certas grandes sociedades, tapa-se o nariz e afivelam-se sorrisos ao apresentarem o resultado como vitórias empresariais de que nos deveriamos orgulhar. E dessa forma dão cobertura e são cúmplices dos crimes passados, presentes e futuros daquela clique. De parceiros passamos a sócios.
Mas mais grave do que essa conivência de corruptos, é a ilusão de que esse caminho tem futuro. Quanto mais o Estado português se deitar na cama com o gangue dos generais, seus descendentes e comparsas, mais desprotegidos ficarão os portugueses que por lá tentam uma nova vida e mais comprometidas ficam as nossas relações futuras com os países de expressão portuguesa à medida que estes se forem democratizando.
Como diz a nossa gente, tão ladrão é quem vai à vinha como quem fica de fora.
domingo, setembro 25, 2011
O "progresso" dos musseques

O regime angolano assenta, como se sabe, numa oligarquia corrupta que distribui umas alcagoitas ao povo enquanto coloca em off-shores milhares de milhões de comissões em contas privadas. Há semanas, o “Economist” denunciou a opacidade dos negócios ligados à venda de petróleo aos chineses e o papel que nessa rede sinistra desempenha o Sr. Vicente, que consta ser o sucessor dinástico do Sr. Santos.
Na cidade de Luanda, onde 90% da população ainda não tem sequer água canalizada, saíram à rua algumas centenas de pessoas que justamente se indignam contra um status quo pôdre e autocrático. As autoridades tudo têm feito para intimidarem esses manifestantes e lançam mão de provocadores para tentarem desacreditar o movimento. Ainda não há tiros, talvez porque a experiência recente na Síria, na Líbia, na Tunísia e no Egipto sugere que o primeiro a disparar não será o último a rir-se. Mas os próximos meses vão ser agitados.
Os actuais dirigentes angolanos podem vestir os melhores fatos e calçar sapatinhos de verniz mas só cegos ou oportunistas é que não querem ver a verdadeira natureza cleptomaniaca, desavergonhada e criminosa da clique no poder. Quando um dia vier a público, por exemplo, o papel das autoridades no tratamento dos refugiados congoleses na fronteira leste (milhares de violações das mulheres, espancamentos, torturas e todo o tipo de humilhações), quero ver o descaramento dos que em Lisboa vão dizer: “ não fazia ideia”.
sexta-feira, setembro 09, 2011
Angola começa a ficar quente
As coisas em Angola podem estar a mexer. Ou talvez não. A familia Santos não costuma brincar em serviço. Tem normalmente os trunfos, sejam eles dolares ou chumbo na malta. Veremos se estas manifestações têm continuidade.
sexta-feira, janeiro 15, 2010
Os novos Kwanzas da corrupção e do despotismo

Os escritórios de advogados lisboetas que representam os interesses da "magna empresária" Isabel dos Santos podem dormir descansados que tão cedo não terão mais nenhuma visita da polícia judiciária a propósito de alguma investigação criminal.
Isto porque na próxima semana haverá uma nova Constituição em Angola que elimina definitivamente a fantochada de democracia que ali se representava, para a substituir por uma óbvia ditadura do pai da "magna empresária". A eleição indirecta de um presidente de um regime presidencialista em que tudo depende desse fulano põe fim ao faz de conta que alguns mais envergonhados da nossa praça afivelavam quando negoceiam com a máfia de Luanda.
A D. Isabel vai contar com a estabilidade de cemitério que o seu pai impõe em Angola e sobretudo com os euros e dólares cujo câmbio compra de barato as consciências de certos "democratas" portugueses.
Isto porque na próxima semana haverá uma nova Constituição em Angola que elimina definitivamente a fantochada de democracia que ali se representava, para a substituir por uma óbvia ditadura do pai da "magna empresária". A eleição indirecta de um presidente de um regime presidencialista em que tudo depende desse fulano põe fim ao faz de conta que alguns mais envergonhados da nossa praça afivelavam quando negoceiam com a máfia de Luanda.
A D. Isabel vai contar com a estabilidade de cemitério que o seu pai impõe em Angola e sobretudo com os euros e dólares cujo câmbio compra de barato as consciências de certos "democratas" portugueses.
terça-feira, maio 06, 2008
Uma questão de velocidade
Orlando Castro no seu Alto Hama continua a escrever sem rodeios sobre a sua Angola e as farsas mais completas que por lá se passam. Com a conivência de toda a gente, seja Angolana ou estrangeiros com vontade de fazer negócios.
Desta feita o alvo da pena é a própria ....UNITA. Claro que a Unita não pode desmascarar a podridão em que acenta o suposto crescimento da economia. Podemos tirar o suposto, mas diria que a economia cresce muito mais ainda assim abaixo do que crescem algumas contas.
Mas meu caro Orlando, o teu papel é o de escreveres as verdades, pois não se é jornalista seis ou sete horas por dia
Desta feita o alvo da pena é a própria ....UNITA. Claro que a Unita não pode desmascarar a podridão em que acenta o suposto crescimento da economia. Podemos tirar o suposto, mas diria que a economia cresce muito mais ainda assim abaixo do que crescem algumas contas.
Mas meu caro Orlando, o teu papel é o de escreveres as verdades, pois não se é jornalista seis ou sete horas por dia
domingo, novembro 18, 2007
A distante Angola
Angola, Africa no seu todo, é uma miragem. Nunca lá estive, não tenho qualquer descendência, mas sinto um chamamento enorme para lá ir. Ler os livros de Agualusa ou ler as crónicas de Orlando Castro no Alto Hama são bom contraponto a ler a Caras Angola. Nem Orlando Castro mente nem a Caras Angola inventa. Mas Orlando castro prova que o Caras conta é verdade e a Caras dá razão a Orlando Castro. Estranho não é? Fácil. É Angola no seu melhor.
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