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terça-feira, junho 21, 2011

Conselho ao novo Governo

Quero complementar o que o nosso JAC aqui deixou, que aliás posso subscrever (tirando a manhice de legislar durante as férias;)

O País já percebeu que se aproximam tempos de reformas. Creio até que já terá interiorizado que sem reformas não haverá futuro.

Por isso mesmo aquela parte do discurso do CDS na última campanha eleitoral em que se repetia que o "trabalho tem de voltar a ser o instrumento para o triunfo" deve ser muito bem explicado, e repetido, aos trabalhadores.

Quem anda atento já percebeu que os equilíbrios de que viveu o mundo ocidental nas últimas décadas, esgotaram o seu potencial para resolver os problemas com que nos enfrentamos. Será necessário encontrar novos equilíbrios que permitam encontrar respostas satisfatórias para o grosso das aspirações dos ocidentais.

Provávelmente, isso significará trabalhar mais e por mais tempo. Seguramente implicará dever menos e poupar mais. Inevitavelmente implicará encarar os cursos universitarios como ferramentas que se adquirem para enfrentar o mercado de trabalho e já não como uma alavanca de expectativas à espera de colocação.

Por tudo isto, e o mais que acresce no caso do inacreditável endividamento externo português, é também necessário que o bom trabalho seja bem pago. Não estou a falar dos salários milionários de alguns; estou a pensar na imprescindibilidade de remunerar com justiça quem com o seu esforço acrescenta valor ao País.

Ou seja, se por um lado é preciso esvaziar alguma da capacidade reinvindicativa dos nossos sindicatos de esquerda, nomeadamente explicando a necessidade de trabalhar muito e bem, por outro lado também é urgente exigir dos empresários que se organizem melhor, que rentabilizem melhor os recursos e que não se preocupem exclusivamente em remunerar o risco e o capital: também terão de retribuir justamente o esforço dos seus trabalhadores.

Sem isso não haverá novos equilíbrios socialmente aceitáveis e a contestação social poderá renovar-se como o factor decisivo da estruturação do século XXI.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

segunda-feira, maio 19, 2008

"O caso particular"

Tenho vindo a notar que há um grave problema com as reuniões no nosso país (além do problema grave que são as próprias reuniões) que afecta invariavelmente todas elas desde a mais vulgar reunião de pais numa escola, à reunião de trabalho mais distinta. Diagnostiquei-o como o “caso particular”. O vírus do caso particular impede que o afectado pela doença consiga pensar o problema que está a ser discutido para além do seu contexto pessoal, e causa também – na sua estirpe mais comum – uma invulgar e voraz eloquência no doente que fica invulnerável a olhares desesperados, interrupções, e chamadas de atenção para o objectivo da reunião. Nada consegue travar o “caso particular”. O caso particular uma vez interrompido, volta sempre a atacar, normalmente com um novo caso particular, e é totalmente incapaz de olhar o problema na sua dimensão geral e abstracta. Nota: ainda não há remédio para o “caso particular”, que está a desgastar recursos e muito tempo útil da população saudável do nosso país.