Gostei do discurso de vitória de Sarkozy, que me pareceu, de resto, um discurso moderado, sem nenhuma tirada violenta ou susceptível de impressionar espíritos mais sensíveis, mas reconheço – no que estou totalmente de acordo com o nosso Ventanias – que o seu pensamento tem facetas que são de molde a gerar alguma preocupação, sobretudo se vier a ter o apoio da maioria legislativa que se espera para poder encetar e consolidar certas reformas. Que ponha os franceses a trabalhar mais horas, tant bien que mal, que o assunto é deles, e eles que lá se entendam, mas o mesmo não se passará quanto às preferências europeias, ao controle do euro, ao reforço da ligação entre os “grandes” da Europa, ou à lógica, ao tom e ao sentido de um discurso que não se sabe bem se é apenas um discurso razoável, ao pretender colocar limitações ao reagrupamento familiar desordenado de emigrantes, ou antes, xenófobo ou nacionalista. Seja como for, a sua vitória tem o mérito inegável de significar uma viragem e uma mudança no panorama político francês, e de vir associada ao uso sem disfarces, nem tergiversações, de palavras como ordem, mérito e seriedade, que os nossos políticos acham excessivamente ásperas e pouco apelativas no contexto do confronto político e da propaganda eleitoral. Resta desejar os parabéns, e os votos de maior sucesso, ao novo monsieur le Presidént!